{"id":31703,"date":"2021-04-25T10:17:14","date_gmt":"2021-04-25T14:17:14","guid":{"rendered":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/?p=31703"},"modified":"2021-04-25T10:17:18","modified_gmt":"2021-04-25T14:17:18","slug":"o-superpoder-da-soja-no-brasil","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/2021\/04\/25\/o-superpoder-da-soja-no-brasil\/","title":{"rendered":"O superpoder da soja no Brasil"},"content":{"rendered":"\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"600\" height=\"337\" data-attachment-id=\"31704\" data-permalink=\"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/2021\/04\/25\/o-superpoder-da-soja-no-brasil\/a9c75115-6759-4ad0-9b60-18944ef253e4\/\" data-orig-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/A9C75115-6759-4AD0-9B60-18944EF253E4.jpeg?fit=739%2C415\" data-orig-size=\"739,415\" data-comments-opened=\"0\" data-image-meta=\"{&quot;aperture&quot;:&quot;0&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;0&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;0&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;0&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0&quot;,&quot;title&quot;:&quot;&quot;,&quot;orientation&quot;:&quot;0&quot;}\" data-image-title=\"A9C75115-6759-4AD0-9B60-18944EF253E4\" data-image-description=\"\" data-image-caption=\"\" data-medium-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/A9C75115-6759-4AD0-9B60-18944EF253E4.jpeg?fit=300%2C168\" data-large-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/A9C75115-6759-4AD0-9B60-18944EF253E4.jpeg?fit=600%2C337\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/A9C75115-6759-4AD0-9B60-18944EF253E4.jpeg?resize=600%2C337\" alt=\"\" class=\"wp-image-31704\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/A9C75115-6759-4AD0-9B60-18944EF253E4.jpeg?w=739 739w, https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/A9C75115-6759-4AD0-9B60-18944EF253E4.jpeg?resize=300%2C168 300w, https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/A9C75115-6759-4AD0-9B60-18944EF253E4.jpeg?resize=534%2C300 534w\" sizes=\"auto, (max-width: 600px) 100vw, 600px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\">\u00c9 o grande neg\u00f3cio brasileiro. Suas planta\u00e7\u00f5es ocupam \u00e1rea equivalente \u00e0 da superf\u00edcie da Alemanha e foi o \u00fanico setor que cresceu em 2020, apesar da pandemia. Territ\u00f3rio bolsonarista e ber\u00e7o de uma pr\u00f3spera classe empresarial, s\u00f3 teme a press\u00e3o dos ambientalistas e da Europa.<\/h4>\n\n\n\n<!--more-->\n\n\n\n<p>El Pa\u00eds, Naiara Galarraga <a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"\/\/send?text=O%20superpoder%20da%20soja%20no%20Brasil%0D%0A%0D%0Ahttps%3A%2F%2Fbrasil.elpais.com%2Fbrasil%2F2021-04-25%2Fo-superpoder-da-soja-no-brasil.html%3Fssm=whatsapp\" target=\"_blank\"><\/a><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/www.facebook.com\/dialog\/share?display=popup&amp;app_id=94039431626&amp;href=https%3A%2F%2Fbrasil.elpais.com%2Fbrasil%2F2021-04-25%2Fo-superpoder-da-soja-no-brasil.html%3Fssm=FB_CC&amp;quote=O%20superpoder%20da%20soja%20no%20Brasil\" target=\"_blank\"><\/a><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/twitter.com\/intent\/tweet?url=https%3A%2F%2Fbrasil.elpais.com%2Fbrasil%2F2021-04-25%2Fo-superpoder-da-soja-no-brasil.html%3Fssm=TW_CC&amp;text=O%20superpoder%20da%20soja%20no%20Brasil&amp;via=elpais_brasil&amp;lang=pt-br\" target=\"_blank\"><\/a><a href=\"mailto:?subject=O%20superpoder%20da%20soja%20no%20Brasil&amp;body=https%3A%2F%2Fbrasil.elpais.com%2Fbrasil%2F2021-04-25%2Fo-superpoder-da-soja-no-brasil.html%3Fprm=enviar_email\"><\/a><\/p>\n\n\n\n<p><br>Desbravar evoca abrir caminhos, explorar o desconhecido, \u201ccivilizar\u201d. O pai de Tamires Vasconcelos era um devastador quando chegou a estas terras da\u00a0<a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/noticias\/amazonia\/\" target=\"_blank\">Amaz\u00f4nia<\/a>\u00a0brasileira h\u00e1 quatro d\u00e9cadas. A bordo de uma escavadeira, ele ganhava a vida abrindo clareiras em meio \u00e0 vegeta\u00e7\u00e3o exuberante para construir estradas. Com elas, chegaram os colonos. E as cidades. Foram empurrados para fora a maior parte dos ind\u00edgenas aut\u00f3ctones, como os Kayabi e os Apiak\u00e1s. E anos depois, os cultivos. Os moradores relatam a coloniza\u00e7\u00e3o impulsionada pela ditadura militar como a epopeia dos pioneiros. As fotos em preto e branco do desembarque na d\u00e9cada de 1970 contrastam com o verde dos\u00a0<a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/economia\/2020-04-08\/com-supersafra-em-2020-brasil-retoma-o-trono-mundial-da-soja.html\" target=\"_blank\">campos de soja que se estendem at\u00e9 o infinito<\/a>. Aqui e ali, pequenos grupos de \u00e1rvores.<\/p>\n\n\n\n<p>O ber\u00e7o do setor da soja fica no cora\u00e7\u00e3o do Brasil, no Estado de Mato Grosso, a cerca de 2.300 quil\u00f4metros, terra adentro, do Rio de Janeiro. \u00c9 o flanco sul da Amaz\u00f4nia,&nbsp;<a href=\"https:\/\/elpais.com\/elpais\/2020\/06\/01\/album\/1591021068_446236.html#foto_gal_2\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">a maior floresta tropical do mundo<\/a>. Esses campos, caminh\u00f5es e silos representam o motor da economia brasileira. A fazendeira Vasconcelos, a \u00fanica dos filhos do desbravador que optou por transformar o campo em sua vida, a herdeira, hoje pertence a uma pr\u00f3spera classe empresarial.<\/p>\n\n\n\n<p>Aqui a soja reina. As planta\u00e7\u00f5es ocupam cerca de 38 milh\u00f5es de hectares (como a superf\u00edcie da Alemanha). A hist\u00f3ria econ\u00f4mica deste pa\u00eds continental\u00a0<a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/elpais.com\/economia\/2019\/07\/11\/actualidad\/1562860938_787058.html\" target=\"_blank\">acompanha o ritmo das mat\u00e9rias-primas<\/a>. A soja \u00e9 para o s\u00e9culo XXI brasileiro o que o a\u00e7\u00facar foi para o s\u00e9culo\u00a0XVII, o ouro para o XVIII e o caf\u00e9 para o XIX.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Presente e passado<\/h3>\n\n\n\n<p>Vasconcelos e os 5.100 hectares de planta\u00e7\u00e3o da fazenda que dirige \u2014a Minuano\u2014 representam o \u00fanico setor econ\u00f4mico que conseguiu crescer durante a&nbsp;<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/noticias\/coronavirus\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">pandemia de coronav\u00edrus<\/a>&nbsp;no Brasil. \u201cNosso principal cultivo \u00e9 a soja, temos em segundo o milho, e tamb\u00e9m arroz e feij\u00e3o\u201d, explica esta engenheira agr\u00f4noma de 35 anos sentada em frente a um caf\u00e9, debaixo de uma \u00e1rvore, em uma manh\u00e3 ensolarada de mar\u00e7o. Desta regi\u00e3o sai boa parte da soja que alimenta vacas, porcos e galinhas, que por sua vez alimentam o mundo.<\/p>\n\n\n\n<p>Mesmo na dif\u00edcil conjuntura do coronav\u00edrus, o agroneg\u00f3cio brasileiro vive um doce momento. A produ\u00e7\u00e3o est\u00e1 mais alta do que nunca, os pre\u00e7os internacionais disparam, o valor do real est\u00e1 muito baixo e nunca tiveram um aliado t\u00e3o pr\u00f3ximo na Presid\u00eancia da Rep\u00fablica como\u00a0<a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/noticias\/jair-messias-bolsonaro\/\" target=\"_blank\">Jair Bolsonaro<\/a>. O pa\u00eds \u00e9 o primeiro produtor do planeta. Para os empres\u00e1rios da soja, a \u00fanica nuvem no horizonte \u00e9\u00a0<a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2020-11-30\/desmatamento-na-amazonia-dispara-e-atinge-recorde-em-12-anos.html\" target=\"_blank\">a press\u00e3o internacional pelo crescente desmatamento na Amaz\u00f4nia<\/a>, crucial para\u00a0<a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/eps\/2021-02-15\/bill-gates-a-mudanca-climatica-tera-efeitos-muito-piores-que-a-pandemia.html\" target=\"_blank\">mitigar as mudan\u00e7as clim\u00e1ticas<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o fosse pelo fato de falarem portugu\u00eas, seria dif\u00edcil acreditar que esta zona do Estado do Mato Grosso \u00e9 Brasil. As camisas xadrez, os bon\u00e9s, chap\u00e9us e botas, as caminhonetes t\u00eam o cheiro&nbsp;<em>country&nbsp;<\/em>do centro-oeste dos Estados Unidos. Em Sinop, como em outras cidades brasileiras, uma imponente Est\u00e1tua da Liberdade preside a entrada da Havan, uma loja de departamentos de Luciano Hang, um amigo de Bolsonaro. A m\u00fasica sertaneja, o&nbsp;<em>country<\/em>&nbsp;local, \u00e9 a trilha sonora dessas cidades agr\u00edcolas, embora o v\u00edrus tenha fechado os bares. Esta \u00e9 uma regi\u00e3o desconhecida at\u00e9 mesmo para muitos compatriotas. N\u00e3o aparece em cart\u00f5es postais. \u00c9&nbsp;<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2021-04-24\/a-ligacao-do-cla-bolsonaro-com-paramilitares-e-milicianos-se-estreitou-com-a-eleicao-de-flavio.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">territ\u00f3rio bolsonarista<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p>Antes do amanhecer, Vasconcelos vai de Sinop, a principal cidade da regi\u00e3o, para a sua fazenda. Quem acredita que o nome deriva de&nbsp;<em>sino<\/em>, o voc\u00e1bulo que designa a China,&nbsp;<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/planeta_futuro\/2020-06-28\/o-sonho-do-trem-da-floresta-carregado-de-soja.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">grande cliente que levou o neg\u00f3cio a n\u00edveis sem precedentes<\/a>, est\u00e1 confundindo as coisas. Vem da pr\u00f3pria origem de Sinop: significa Sociedade Imobili\u00e1ria do Norte do Paran\u00e1, o Estado vizinho de onde vieram muitos dos colonos, como Jo\u00e3o Marcus Menegace.<\/p>\n\n\n\n<p>O taxista Menegace era crian\u00e7a quando chegou com os pais e sete irm\u00e3os em uma van. \u201cCom\u00edamos no acostamento\u201d, lembra ele. Ap\u00f3s uma viagem de v\u00e1rios dias,&nbsp;<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2019\/10\/24\/album\/1571918883_594364.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">chegaram \u00e0 terra prometida<\/a>. E prosperaram. A frota de ve\u00edculos \u2014com quase tantos carros como moradores\u2014, a loja gourmet com del\u00edcias importadas e uma sofisticada butique de bolsas que n\u00e3o destoaria na zona opulenta S\u00e3o Paulo d\u00e3o uma ideia da riqueza.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img data-recalc-dims=\"1\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/imagens.brasil.elpais.com\/resizer\/NsAnke7vs26zYweDX_uJJmBZA1s%3D\/414x0\/cloudfront-eu-central-1.images.arcpublishing.com\/prisa\/X47BUW2FPRDXRBW5FL3PXMWAYA.jpg?w=600&#038;ssl=1\" alt=\"A fazendeira Tamires Vasconcelos em um campo de soja en mar\u00e7o. Ela dirige uma fazenda de 5.100 hectares de cultivos em Sinop, no sul da Amaz\u00f4nia. \"\/><figcaption>A fazendeira Tamires Vasconcelos em um campo de soja en mar\u00e7o. Ela dirige uma fazenda de 5.100 hectares de cultivos em Sinop, no sul da Amaz\u00f4nia.&nbsp;<strong>VICTOR MORIYAMA<\/strong><\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>#OAgroN\u00e3oPara \u00e9 o slogan que tem feito furor nas redes sociais e nestas terras desde que&nbsp;<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/internacional\/2020-03-10\/o-virus-que-bloqueia-o-mundo.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">o coronav\u00edrus virou o mundo de cabe\u00e7a para baixo<\/a>. As m\u00e1scaras lembram que&nbsp;<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/sociedade\/2021-03-25\/sem-controle-da-pandemia-brasil-se-torna-ameaca-mundial.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">a pandemia ainda existe<\/a>, mas quase n\u00e3o afetou os neg\u00f3cios. \u201cOs reflexos da pandemia foram menores porque, quando chegou, j\u00e1 hav\u00edamos negociado a safra 2020-2021\u201d, explica a empres\u00e1ria agr\u00edcola. Os suprimentos estavam comprados e os gr\u00e3os, vendidos. Trabalhar ao ar livre com escassa m\u00e3o de obra e tecnologia abundante torna as coisas mais f\u00e1ceis em tempos de covid-19.<\/p>\n\n\n\n<p>A fazenda que ela comanda pouco tem a ver com a que fundou seu pai, Elmo Leitzke. Quase todos os processos adotam moderna tecnologia e os funcion\u00e1rios s\u00e3o qualificados. Eles fumigam as planta\u00e7\u00f5es em pequenos avi\u00f5es. Vasconcelos mostra o silo constru\u00eddo dentro da propriedade e \u201cpago \u00e0 vista\u201d, diz, com orgulho. Essa evidente bonan\u00e7a \u00e9 fruto, ela explica, de \u201cmuitos anos de investimento em tecnologia e pesquisa sobre o clima, o solo, as sementes e os defensivos agr\u00edcolas\u201d. No l\u00e9xico local, \u201cos defensivos\u201d&nbsp;<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/opiniao\/2019-12-21\/o-brasil-precisa-de-mais-regulacao-e-fiscalizacao-de-agrotoxicos-nao-menos.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">s\u00e3o o que os ambientalistas brasileiros chamam de agrot\u00f3xicos<\/a>. Os pesticidas.<\/p>\n\n\n\n<p>Os agroqu\u00edmicos fazem parte do pacote tecnol\u00f3gico que, desde a d\u00e9cada de 1990, elevou a produtividade em n\u00edveis imprevistos gra\u00e7as tamb\u00e9m \u00e0 incorpora\u00e7\u00e3o mais recente de sementes transg\u00eanicas. A Uni\u00e3o Europeia, que \u00e9 um dos destinos dessas culturas,&nbsp;<a href=\"https:\/\/elpais.com\/diario\/2004\/10\/18\/sociedad\/1098050408_850215.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">proibiu o cultivo de transg\u00eanicos<\/a>&nbsp;e o uso de alguns pesticidas permitidos no Brasil, como acefato e atrazina. No Governo Bolsonaro a autoriza\u00e7\u00e3o de&nbsp;<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2019\/07\/31\/politica\/1564581103_642583.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">novos agroqu\u00edmicos se acelerou em ritmo recorde: mil pesticidas em dois anos<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p>Entre os \u00faltimos dias de fevereiro e os primeiros de mar\u00e7o, chuvas torrenciais dificultaram a colheita da primeira safra de soja em 2021 e o plantio da primeira safra de milho. Aqui, todos plantam duas safras, muitos tr\u00eas e alguns at\u00e9 quatro. Produ\u00e7\u00e3o superintensiva destinada principalmente \u00e0 exporta\u00e7\u00e3o para China e Uni\u00e3o Europeia. O Brasil produz um ter\u00e7o da soja do mundo. Ou seja, em poucas d\u00e9cadas se equiparou aos Estados Unidos gra\u00e7as \u00e0 duplica\u00e7\u00e3o da produ\u00e7\u00e3o por lote e \u00e0 triplica\u00e7\u00e3o das terras cultivadas desde a d\u00e9cada de 1980, segundo a an\u00e1lise do&nbsp;<a href=\"https:\/\/ourworldindata.org\/soy\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Our World In Data<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img data-recalc-dims=\"1\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/imagens.brasil.elpais.com\/resizer\/emAYHQ_I4rlXFX2euKloyEWtekg%3D\/414x0\/cloudfront-eu-central-1.images.arcpublishing.com\/prisa\/TD5U6IRIWBASHD42P5SNVIT4PM.jpg?w=600&#038;ssl=1\" alt=\"R\u00e9plica da Est\u00e1tua da Liberdade de Nova York na entrada de grandes armaz\u00e9ns em Sinop, no Mato Grosso. \u00c9 parte da identidade da cadeia Havan, de um empres\u00e1rio amigo de Bolsonaro.\"\/><figcaption>R\u00e9plica da Est\u00e1tua da Liberdade de Nova York na entrada de grandes armaz\u00e9ns em Sinop, no Mato Grosso. \u00c9 parte da identidade da cadeia Havan, de um empres\u00e1rio amigo de Bolsonaro.<strong>VICTOR MORIYAMA<\/strong><\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>O setor agropecu\u00e1rio brasileiro faturou cerca de 1 trilh\u00e3o de reais em 2020, segundo dados oficiais. Mas, se somarmos toda a atividade econ\u00f4mica que o circunda, a contribui\u00e7\u00e3o do agroneg\u00f3cio para o PIB aumentou na \u00faltima d\u00e9cada de 20% para 26% atualmente, segundo o&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.cepea.esalq.usp.br\/br\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Instituto Cepea da Universidade de S\u00e3o Paulo<\/a>, enquanto a ind\u00fastria e os servi\u00e7os minguavam.<\/p>\n\n\n\n<p>O professor de economia agr\u00edcola Guilherme Miqueleto, da Universidade Federal de Mato Grosso, enumera outros fatores que tamb\u00e9m contribu\u00edram para o aumento espetacular da produ\u00e7\u00e3o: a estabilidade econ\u00f4mica, maior seguran\u00e7a jur\u00eddica e&nbsp;<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2019\/06\/07\/internacional\/1559900810_360894.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">\u201ca expans\u00e3o da fronteira agr\u00edcola h\u00e1 15-20 anos, que tem subido em dire\u00e7\u00e3o ao norte\u201d<\/a>. Desbravando a Amaz\u00f4nia.<\/p>\n\n\n\n<p>Em outros pa\u00edses, tamb\u00e9m derrubam \u00e1rvores para dar lugar \u00e0 pecu\u00e1ria e \u00e0s planta\u00e7\u00f5es, mas em nenhum isso ocorre com a intensidade do Brasil,&nbsp;<a href=\"https:\/\/elpais.com\/elpais\/2019\/09\/11\/planeta_futuro\/1568188985_885427.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">respons\u00e1vel por um ter\u00e7o do desmatamento mundial<\/a>. O principal culpado \u00e9 o gado. A soja esteve entre os principais respons\u00e1veis pelo desmatamento at\u00e9 2006, quando as empresas se comprometeram com as ONGs e o Governo a n\u00e3o comprar gr\u00e3os de terras de floresta derrubada ilegalmente. Sem demanda, a oferta desse tipo de soja caiu at\u00e9 quase desaparecer. A morat\u00f3ria da soja na Amaz\u00f4nia \u201c\u00e9 eficaz no controle do desmatamento diretamente associado \u00e0 soja\u201d, explica Cristiane Mazzeti, gestora ambiental do Greenpeace. Apenas 2% da produ\u00e7\u00e3o atual vem de terras desmatadas ilegalmente.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas, como os gr\u00e3os s\u00e3o mais lucrativos do que as vacas, existem trapa\u00e7as. Primeiro desmatam, depois criam gado e, com o passar dos anos, voil\u00e0!,&nbsp;<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2020-11-10\/turne-de-embaixadores-pela-amazonia-termina-sem-visitar-areas-afetadas-por-queimadas-e-desmatamento.html?rel=listapoyo\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">as pastagens se transformam em lavouras.<\/a><\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Pol\u00edtica e neg\u00f3cios<\/h3>\n\n\n\n<p>O tr\u00e1fego de caminh\u00f5es carregados com a colheita que v\u00e3o das fazendas para os silos \u00e9 incessante apesar da enxurrada. Em uma das unidades de processamento, uma funcion\u00e1ria da empresa de auditoria internacional KPMG inspeciona a mercadoria e toma nota assim que detecta soja transg\u00eanica&nbsp;<a href=\"https:\/\/elpais.com\/economia\/2016\/05\/23\/actualidad\/1464003895_655651.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">para que a Bayer-Monsanto cobre do produtor os direitos de patente.<\/a><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img data-recalc-dims=\"1\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/imagens.brasil.elpais.com\/resizer\/pqBGlfYpiXcb2ykH4A0geEs4rms%3D\/414x0\/cloudfront-eu-central-1.images.arcpublishing.com\/prisa\/ZHNUMFRN3ZBJDNW3ZFR5P7BFNU.jpg?w=600&#038;ssl=1\" alt=\"\"\/><\/figure>\n\n\n\n<p>Livre de impurezas, a mercadoria seguir\u00e1 viagem em dire\u00e7\u00e3o ao rio Tapaj\u00f3s, afluente do Amazonas, pela congestionada estrada que corta verticalmente o Mato Grosso.&nbsp;<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2019\/09\/17\/politica\/1568756593_921467.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">\u00c9 a BR-163, idealizada pelos militares na d\u00e9cada de 1970<\/a>&nbsp;para garantir que o imp\u00e9rio norte-americano n\u00e3o lhes arrebatasse esse vasto territ\u00f3rio.<\/p>\n\n\n\n<p>Na esta\u00e7\u00e3o das chuvas, circular em muitas estradas nesta regi\u00e3o \u00e9 um inferno. Por isso, os moradores de Sinop estavam fartos de visitas eleitorais e de promessas sobre a BR-163 at\u00e9 a chegada de Bolsonaro. Dito e feito. \u201cOs presidentes que passaram nos \u00faltimos 24 anos n\u00e3o terminaram de asfalt\u00e1-la. E em menos de um ano,&nbsp;<a href=\"https:\/\/piaui.folha.uol.com.br\/lupa\/2019\/02\/25\/verificamos-br-163-bolsonaro\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Bolsonaro pavimentou os 175 quil\u00f4metros que faltavam<\/a>\u201d, proclama em seu gabinete Ilson Redivo, presidente do Sindicato Rural da cidade, que re\u00fane 270 empres\u00e1rios agr\u00edcolas.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img data-recalc-dims=\"1\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/imagens.brasil.elpais.com\/resizer\/PoZJGGJMcnz8bQVyePGTAUsp6jU%3D\/414x0\/cloudfront-eu-central-1.images.arcpublishing.com\/prisa\/ZD2CK42A45E7ZFGNRIAHCEZFYI.jpg?w=600&#038;ssl=1\" alt=\"O presidente do sindicato rural de Sinop, Ilson Redivo, em seu escrit\u00f3rio. A entidade agrupa 270 produtores nesta cidade, fundada por colonos nos anos de 1970.\"\/><figcaption>O presidente do sindicato rural de Sinop, Ilson Redivo, em seu escrit\u00f3rio. A entidade agrupa 270 produtores nesta cidade, fundada por colonos nos anos de 1970.<strong>VICTOR MORIYAMA<\/strong><\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>Os 900 quil\u00f4metros agora todo asfaltados encurtam de quatro para dois dias o transporte de cargas at\u00e9 o porto. A outra rota envolve 2.500 quil\u00f4metros de caminh\u00e3o at\u00e9 o Sul e 5.000 quil\u00f4metros de barco ao longo da costa do Brasil e pa\u00edses vizinhos para ent\u00e3o se dirigir ao Canal do Panam\u00e1, explica Redivo. A economia de tempo e dinheiro \u00e9 enorme. Agora eles confiam que o presidente tamb\u00e9m cumpra nos pr\u00f3ximos meses a promessa de colocar em licita\u00e7\u00e3o&nbsp;<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/planeta_futuro\/2020-06-28\/o-sonho-do-trem-da-floresta-carregado-de-soja.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">o trem que seguiria em paralelo \u00e0 BR-163<\/a>&nbsp;e lhes pouparia mais dinheiro. \u201cCada composi\u00e7\u00e3o substituir\u00e1 300 caminh\u00f5es\u201d, diz Edeon Vaz, promotor do&nbsp;<em>ferrogr\u00e3o<\/em>.<\/p>\n\n\n\n<p>Praticamente oito em cada dez eleitores de Sinop votaram em Bolsonaro, um militar reformado de extrema direita, no segundo turno das elei\u00e7\u00f5es presidenciais de 2018. E a admira\u00e7\u00e3o persiste. N\u00e3o \u00e9 para menos. Ele colocou a chefa da bancada parlamentar do agro como ministra da Agricultura. Aqui todos t\u00eam boas palavras para a discreta e decidida Tereza Cristina Dias porque ela abriu novos mercados para eles. E tamb\u00e9m contam entre seus aliados o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, como todo o Brasil viu em um v\u00eddeo de uma reuni\u00e3o do Minist\u00e9rio que causou um esc\u00e2ndalo em maio de 2020. L\u00e1, Salles&nbsp;<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2020-05-22\/salles-ve-oportunidade-com-coronavirus-para-passar-de-boiada-desregulacao-da-protecao-ao-meio-ambiente.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">prop\u00f4s aproveitar a pandemia para \u201cpassar a boiada\u201d<\/a>&nbsp;(baixar normas a favor do setor agropecu\u00e1rio).<\/p>\n\n\n\n<p>Os moradores de Sinop aclamaram o presidente durante uma visita em setembro, em plena pandemia. Redivo e o sindicato que dirige est\u00e3o t\u00e3o contentes com ele que lhe dedicaram algumas placas. Ao lado de um retrato de Bolsonaro com a faixa presidencial, um lema: \u201cAcreditamos em Deus e valorizamos a fam\u00edlia\u201d. As pessoas por aqui s\u00e3o conservadoras. A poucos quarteir\u00f5es de dist\u00e2ncia,&nbsp;<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2020-09-20\/evangelicos-progressistas-reagem-contra-homofobia-de-pastores-e-ensaiam-avanco-na-politica.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">uma loja vende moda feminina evang\u00e9lica<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p>Para o Redivo, as placas s\u00e3o \u201cum reconhecimento a uma pessoa que tenta endireitar os rumos deste pa\u00eds. Porque est\u00e1vamos&nbsp;<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/economia\/2021-03-26\/venezuela-fica-sem-dinheiro-em-especie.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">indo na dire\u00e7\u00e3o da Venezuela<\/a>, de Cuba. E 99% da classe produtora n\u00e3o quer que o comunismo se instale no Brasil\u201d.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img data-recalc-dims=\"1\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/imagens.brasil.elpais.com\/resizer\/9lMmOxcigdrZn3OnaFDlYl5Ecdo%3D\/414x0\/cloudfront-eu-central-1.images.arcpublishing.com\/prisa\/K3N7TPG4E5HVHFYQQ7HPMBSLR4.jpg?w=600&#038;ssl=1\" alt=\"Pessoa caminha perto de um cartaz de apoio ao presidente em Sinop, ber\u00e7o da ind\u00fastria da soja e basti\u00e3o eleitoral de Bolsonaro.\"\/><figcaption>Pessoa caminha perto de um cartaz de apoio ao presidente em Sinop, ber\u00e7o da ind\u00fastria da soja e basti\u00e3o eleitoral de Bolsonaro.<strong>VICTOR MORIYAMA<\/strong><\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>Ap\u00f3s cada elei\u00e7\u00e3o, as fileiras da&nbsp;<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2019\/05\/30\/politica\/1559167850_432090.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">bancada do setor agropecu\u00e1rio engordam no Congresso<\/a>. J\u00e1 beira 300 parlamentares. Superam at\u00e9 os evang\u00e9licos. O deputado Nilson Leit\u00e3o, membro destacado dessa frente e ex-prefeito de Sinop, explica que o agroneg\u00f3cio tem que estar na agenda pol\u00edtica tendo em vista que \u201co Brasil \u00e9 um pa\u00eds com popula\u00e7\u00e3o urbana, mas economia rural\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Leit\u00e3o agradece que, com este Governo, acabaram as invas\u00f5es de terras pelos sem-terra. Mas est\u00e1 incomodado com as estrid\u00eancias de Bolsonaro com a China, seja porque \u00e9 um regime comunista ou por causa das vacinas contra o coronav\u00edrus. O que o mercado precisa \u00e9 de confian\u00e7a e seguran\u00e7a, diz ele. \u201cBrigar com&nbsp;<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2020-12-03\/na-briga-entre-eduardo-bolsonaro-e-a-china-planalto-deveria-temer-destino-da-australia.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">o principal cliente (China) n\u00e3o \u00e9 bom para os neg\u00f3cios.\u201d<\/a><\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Cobrar para preservar?<\/h3>\n\n\n\n<p>A quest\u00e3o ambiental ganhou destaque no Brasil com a crescente conscientiza\u00e7\u00e3o mundial sobre as mudan\u00e7as clim\u00e1ticas e a chegada de Bolsonaro,\u00a0<a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2021-04-22\/bolsonaro-diz-que-vai-eliminar-desmatamento-ilegal-ate-2030-mas-condiciona-acoes-a-recursos-do-exterior.html\" target=\"_blank\">que acredita que a preserva\u00e7\u00e3o ecol\u00f3gica atrapalha o desenvolvimento econ\u00f4mico<\/a>. O objetivo do agroneg\u00f3cio \u00e9 que \u201co que \u00e9 economicamente vi\u00e1vel seja ecologicamente correto\u201d, afirma o deputado ruralista.<\/p>\n\n\n\n<p>Muitos anos se passaram desde que a crescente consci\u00eancia ecol\u00f3gica cruzou pela primeira vez o caminho dos pioneiros que transformaram este canto do Brasil em um dos mais pr\u00f3speros \u00e0 custa da natureza. Na d\u00e9cada de 1970,&nbsp;<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2021-03-04\/se-a-nossa-terra-a-nossa-floresta-sumir-o-que-vai-ser-do-meu-povo.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">os rec\u00e9m-chegados trabalharam com a madeira<\/a>. O grande neg\u00f3cio era cortar e vender o principal tesouro daquelas terras. No in\u00edcio do s\u00e9culo XXI, com o primeiro Governo de Luiz In\u00e1cio Lula da Silva (PT) e o desmatamento descontrolado, chegou a press\u00e3o dos ambientalistas e eles tiveram que buscar outra fonte de renda.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img data-recalc-dims=\"1\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/imagens.brasil.elpais.com\/resizer\/VLZhhWdHfCRwthRFuvvJHXOibpI%3D\/414x0\/cloudfront-eu-central-1.images.arcpublishing.com\/prisa\/2WXBVNU2WJCQRF3KNZKKXNDSVY.jpg?w=600&#038;ssl=1\" alt=\"Um trabalhador parece min\u00fasculo perto de uma imensa montanha de soja em um armaz\u00e9m de Sinop, no Mato Grosso. \u00c9 o cora\u00e7\u00e3o do agroneg\u00f3cio brasileiro. \"\/><figcaption>Um trabalhador parece min\u00fasculo perto de uma imensa montanha de soja em um armaz\u00e9m de Sinop, no Mato Grosso. \u00c9 o cora\u00e7\u00e3o do agroneg\u00f3cio brasileiro.&nbsp;<strong>VICTOR MORIYAMA<\/strong><\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>Foi ent\u00e3o que aqui disparou a soja, um setor que cresce ano ap\u00f3s ano. Agora, com o desmantelamento sistem\u00e1tico da pol\u00edtica ambiental,&nbsp;<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2021-04-24\/carlos-nobre-brasil-precisa-diminuir-desmatamento-da-amazonia-ainda-neste-ano-para-nao-receber-sancoes.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">o agroneg\u00f3cio sofre forte press\u00e3o de ambientalistas e dos europeus<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c0 frente, o presidente da Fran\u00e7a, Emmanuel Macron, que&nbsp;<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2019\/08\/22\/politica\/1566501636_486466.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">acusa a soja brasileira de desmatar a Amaz\u00f4nia<\/a>. O prefeito de Sorriso, Ari Lafin, sentiu que aquelas palavras de Macron o atingiam. L\u00f3gico. Sua cidade, ao sul de Sinop, produz 3% da soja brasileira. O prefeito respondeu ao franc\u00eas com um convite. \u201cEu o convidei para nos visitar, como fez o presidente (Bolsonaro), porque esta regi\u00e3o deveria ser conhecida mais de perto\u201d, explica em entrevista por v\u00eddeo. \u201cA responsabilidade com o meio ambiente \u00e9 uma das prioridades do setor agr\u00edcola local\u201d, insiste. \u201cProduzir destruindo \u00e9 in\u00fatil\u201d, conclui.<\/p>\n\n\n\n<p>Com 100.000 habitantes, a popula\u00e7\u00e3o de Sorriso cresce a cada ano quase 8%. \u201cEsta \u00e9 uma terra, uma cidade, de oportunidades, de muito trabalho. Aqui temos que acordar cedo, quase n\u00e3o temos hor\u00e1rio, quase n\u00e3o paramos para descansar. Voc\u00ea coleta a soja e j\u00e1 est\u00e1 plantando milho. Uma colheita ap\u00f3s a outra e isso traz um movimento que chega at\u00e9 a farm\u00e1cia, o vendedor de pneus &#8230; \u201c.&nbsp;<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/economia\/2020-04-08\/com-supersafra-em-2020-brasil-retoma-o-trono-mundial-da-soja.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">A prosperidade \u00e9 imensa.<\/a>&nbsp;O PIB per capita est\u00e1 acima do de S\u00e3o Paulo. Os empregos que criam n\u00e3o s\u00e3o a m\u00e3o-de-obra cl\u00e1ssica, mas sim vinculados a servi\u00e7os ou fornecedores. Escrit\u00f3rios de advogados, contadores, comerciantes de m\u00e1quinas, incorporadores imobili\u00e1rios, lojas, restaurantes&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p>A nova gera\u00e7\u00e3o de fazendeiros na casa dos 30 anos, formada em universidades, mostra uma sensibilidade ambiental que seus pais e av\u00f3s n\u00e3o tinham. \u201cNos \u00faltimos cinco ou dez anos houve uma mudan\u00e7a muito abrupta e nem todos os produtores souberam se adaptar\u201d, diz Vasconcelos. \u201cProduzimos de uma forma que impacte menos (no meio ambiente). Mas sofremos muito com essa press\u00e3o. Sobretudo com a desinforma\u00e7\u00e3o\u201d, diz.<\/p>\n\n\n\n<p>A empres\u00e1ria explica que produzir com menos impacto significa seguir detalhadamente as orienta\u00e7\u00f5es de uso, car\u00eancia e aplica\u00e7\u00e3o de pesticidas, fertilizantes etc., \u201cpara cuidar do solo e devolver-lhe o que foi extra\u00eddo na colheita\u201d. E \u00e9 importante tamb\u00e9m fazer o descarte correto dos recipientes: \u201cS\u00e3o lavados tr\u00eas vezes antes de serem devolvidos \u00e0 empresa que se encarregar\u00e1 deles de maneira adequada\u201d.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img data-recalc-dims=\"1\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/imagens.brasil.elpais.com\/resizer\/nT9GKDbdp1oJzwgderfJ2sR1as4%3D\/414x0\/cloudfront-eu-central-1.images.arcpublishing.com\/prisa\/J7JOSK2CHZHXXOMXHNEVWVJOLE.jpg?w=600&#038;ssl=1\" alt=\"Caminh\u00f5es descarregam soja em um silo da cidade de Sinop.\"\/><figcaption>Caminh\u00f5es descarregam soja em um silo da cidade de Sinop.<strong>VICTOR MORIYAMA<\/strong><\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>Ela aceita a entrevista para este jornal porque quer que a vers\u00e3o dos produtores rurais seja ouvida. E tamb\u00e9m quer servir de exemplo. Com dois filhos e casada com um colega da faculdade de agronomia, ela quer que as meninas vejam que se quiserem cuidar de uma fazenda, elas podem. Embora j\u00e1 esteja no ramo h\u00e1 duas d\u00e9cadas, ainda encontra express\u00f5es de surpresa quando seus interlocutores descobrem que ela \u00e9 a chefa.<\/p>\n\n\n\n<p>Como todos aqui e, em linha com o mantra do Governo Bolsonaro, ela insiste em que \u201cn\u00e3o h\u00e1 nenhum outro pa\u00eds que proteja tanto a natureza\u201d. Essa ideia que o setor defende em un\u00edssono \u00e9 baseada em duas cifras que resumem o embate fenomenal que os produtores agropecu\u00e1rios e os ambientalistas travam. O Brasil conserva 66% de sua vegeta\u00e7\u00e3o original (algo de que poucos pa\u00edses desenvolvidos podem se orgulhar) e a lei exige a preserva\u00e7\u00e3o de 80% da vegeta\u00e7\u00e3o de cada propriedade rural na Amaz\u00f4nia, para que apenas 20% possam ser cultivados. Nas demais regi\u00f5es brasileiras de alto valor ecol\u00f3gico, a propor\u00e7\u00e3o \u00e9 de 50\/50.<\/p>\n\n\n\n<p>De qualquer forma, \u201co C\u00f3digo Florestal n\u00e3o \u00e9 respeitado em muitos casos\u201d, diz Cristiane Mazzetti, gestora de meio ambiente do Greenpeace, que apresenta um dado eloquente: \u201cEm 2019,&nbsp;<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2019\/11\/18\/politica\/1574092783_837610.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">99% do desmatamento foi ilegal<\/a>\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Redivo, presidente do sindicato rural, argumenta que, tendo em vista o qu\u00e3o fenomenal \u00e9 o neg\u00f3cio, as leis deveriam ser flexibilizadas para extrair todo o potencial de cultivo dessas terras, mesmo que sejam de alt\u00edssimo valor ecol\u00f3gico e cruciais, segundo cientistas,&nbsp;<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2021-04-24\/carlos-nobre-brasil-precisa-diminuir-desmatamento-da-amazonia-ainda-neste-ano-para-nao-receber-sancoes.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">para impedir o aquecimento global<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img data-recalc-dims=\"1\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/imagens.brasil.elpais.com\/resizer\/jsuyeYeSz5Hv7MRQGAkpx3AN9UE%3D\/414x0\/cloudfront-eu-central-1.images.arcpublishing.com\/prisa\/ZKSBKRAJAZELNCCRVJ4ENCOAOQ.jpg?w=600&#038;ssl=1\" alt=\"Um caminh\u00e3o circula dentro de uma fazenda nos arredores de Sinop, na Amaz\u00f4nia. A lei obriga que uma propriedade rural conserve 80% de sua vegeta\u00e7\u00e3o.\"\/><figcaption>Um caminh\u00e3o circula dentro de uma fazenda nos arredores de Sinop, na Amaz\u00f4nia. A lei obriga que uma propriedade rural conserve 80% de sua vegeta\u00e7\u00e3o.<strong>VICTOR MORIYAMA<\/strong><\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>Ele est\u00e1 entre os c\u00e9ticos em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s mudan\u00e7as clim\u00e1ticas. \u201cO aquecimento global n\u00e3o tem nada a ver com o desmatamento da Amaz\u00f4nia\u201d, proclama enfaticamente, e acrescenta sem constrangimento que \u201choje se sequestra muito mais carbono em uma \u00e1rea cultiv\u00e1vel do que em uma \u00e1rea de floresta\u201d. Mas<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/ciencia\/2021-04-22\/2021-um-ano-decisivo-na-luta-climatica.html?rel=listapoyo\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">&nbsp;se o resto do mundo se preocupa tanto com a Amaz\u00f4nia<\/a>, Redivo tem uma proposta: \u201cQue nos paguem para preservar a biodiversidade, n\u00e3o podemos pagar n\u00f3s mesmos sem obter contrapartidas\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Os cientistas h\u00e1 muito alertam que os danos ecol\u00f3gicos causados pelo desmatamento na Amaz\u00f4nia s\u00e3o tantos que est\u00e3o prestes a cruzar o limite em que deixar\u00e1 de capturar CO2 para come\u00e7ar a emiti-lo. \u00c9 uma mudan\u00e7a importante porque passaria de mitigar as mudan\u00e7as clim\u00e1ticas para agrav\u00e1-las.<\/p>\n\n\n\n<p>Miqueleto, o economista, ressalta que se as vacas e a soja continuarem ganhando terreno e avan\u00e7ando para o norte, os produtores agr\u00edcolas sentir\u00e3o os efeitos. Secas ou chuvas intempestivas estragariam o neg\u00f3cio fenomenal.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\">Cr\u00e9ditos<\/h4>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\"><li>Texto:&nbsp;<a target=\"_blank\" href=\"https:\/\/elpais.com\/autor\/naiara-galarraga-gortazar\/\" rel=\"noreferrer noopener\">Naiara Galarraga Gort\u00e1zar<\/a><\/li><li>Edi\u00e7\u00e3o:&nbsp;<a target=\"_blank\" href=\"https:\/\/elpais.com\/autor\/naiara-galarraga-gortazar\/\" rel=\"noreferrer noopener\">Eliezer Budasoff<\/a><\/li><li>Fotografia e v\u00eddeo:&nbsp;<a target=\"_blank\" href=\"https:\/\/elpais.com\/noticias\/victor-moriyama\/\" rel=\"noreferrer noopener\">Victor Moriyama<\/a><\/li><li>Edi\u00e7\u00e3o gr\u00e1fica:&nbsp;<a target=\"_blank\" href=\"https:\/\/elpais.com\/autor\/hector-guerrero-skinfill\/\" rel=\"noreferrer noopener\">H\u00e9ctor Guerrero<\/a><\/li><li>Design e apresenta\u00e7\u00e3o na Internet:&nbsp;Alfredo Garc\u00eda<\/li><\/ul>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00c9 o grande neg\u00f3cio brasileiro. Suas planta\u00e7\u00f5es ocupam \u00e1rea equivalente \u00e0 da superf\u00edcie da Alemanha e foi o \u00fanico setor que cresceu em 2020, apesar da pandemia. Territ\u00f3rio bolsonarista e ber\u00e7o de uma pr\u00f3spera classe empresarial, s\u00f3 teme a press\u00e3o dos ambientalistas e da Europa.<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_exactmetrics_skip_tracking":false,"_exactmetrics_sitenote_active":false,"_exactmetrics_sitenote_note":"","_exactmetrics_sitenote_category":0,"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","enabled":false},"version":2}},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-31703","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-notas"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p7wKYW-8fl","jetpack-related-posts":[],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/31703","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=31703"}],"version-history":[{"count":1,"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/31703\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":31705,"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/31703\/revisions\/31705"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=31703"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=31703"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=31703"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}