{"id":31844,"date":"2021-05-11T11:00:12","date_gmt":"2021-05-11T15:00:12","guid":{"rendered":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/?p=31844"},"modified":"2021-05-11T11:00:14","modified_gmt":"2021-05-11T15:00:14","slug":"existem-pessoas-superimunes-a-covid-19-cientistas-da-usp-investigam","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/2021\/05\/11\/existem-pessoas-superimunes-a-covid-19-cientistas-da-usp-investigam\/","title":{"rendered":"Existem pessoas superimunes \u00e0 covid-19? Cientistas da USP investigam"},"content":{"rendered":"\n<figure class=\"wp-block-image\"><img data-recalc-dims=\"1\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/img.estadao.com.br\/resources\/jpg\/4\/6\/1620679964264.jpg?w=600&#038;ssl=1\" alt=\"Thais Oliveira de Andrade\"\/><\/figure>\n\n\n\n<p>Pesquisadores querem saber por que h\u00e1 casais em que um dos c\u00f4njuges pega a doen\u00e7a e outro n\u00e3o, apesar de permanecerem juntos durante o per\u00edodo da infec\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<!--more-->\n\n\n\n<p><strong> Roberta Jansen, O Estado de S.Paulo<br><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>RIO &#8211; Quando o marido apresentou os primeiros sintomas de&nbsp;<a href=\"https:\/\/tudo-sobre.estadao.com.br\/coronavirus\"><strong>covid-19<\/strong><\/a>, a veterin\u00e1ria Thais Oliveira de Andrade, de 44 anos, tinha certeza de que pegaria a doen\u00e7a tamb\u00e9m. Os dois tinham sido expostos no mesmo momento a uma pessoa contaminada. Por isso, ela n\u00e3o s\u00f3 cuidou do parceiro, como continuou dormindo na mesma cama com ele. O estado de Erik Soares de Ara\u00fajo, de 44 anos, se agravou e ele acabou internado em uma UTI, onde ficou por quatro dias. Mesmo assim, os exames de Thais continuavam dando negativo.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cDurante o per\u00edodo em que ele ficou no hospital,\u00a0testei mais duas vezes e deu n\u00e3o reagente. Achei que era erro e continuei esperando pelos sintomas\u201d, contou a veterin\u00e1ria. \u201cQuando ele teve alta,\u00a0testei novamente e nada. Ficou claro que nunca fui infectada.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>O caso n\u00e3o \u00e9 t\u00e3o raro quanto pode parecer. Cientistas j\u00e1 tinham percebido que algumas pessoas s\u00e3o imunes \u00e0 pandemia que continua se alastrando pelo mundo. S\u00e3o naturalmente protegidas contra a covid. Por que algumas pessoas s\u00e3o infectadas e outras n\u00e3o, apesar de terem sido igualmente expostas ao v\u00edrus? Por que algumas fam\u00edlias foram devastadas pela covid&nbsp;enquanto outras passaram inc\u00f3lumes pela pandemia?<\/p>\n\n\n\n<p>Por que alguns indiv\u00edduos centen\u00e1rios tiveram formas brandas da doen\u00e7a enquanto jovens sem comorbidades &#8211; caso do&nbsp;<a href=\"https:\/\/emais.estadao.com.br\/noticias\/gente,paulo-gustavo-nao-tinha-comorbidade-que-agravasse-quadro-de-covi-19-afirma-equipe-medica,70003710032\"><strong>ator Paulo Gustavo<\/strong><\/a>, entre outros&nbsp;&#8211; morreram? Haveria um componente gen\u00e9tico na vulnerabilidade ou na resist\u00eancia ao Sars-CoV-2? Essas s\u00e3o algumas das perguntas que os especialistas come\u00e7aram a se fazer.<\/p>\n\n\n\n<p>Um estudo do Centro de Pesquisas sobre o Genoma Humano e C\u00e9lulas-Tronco da USP feito com pares de g\u00eameos univitelinos e bivitelinos revelou que irm\u00e3os geneticamente id\u00eanticos expostos \u00e0 covid tendem a ter sintomas e desfechos parecidos. J\u00e1 entre os que apresentam genomas diferentes, a tend\u00eancia mais forte foi de casos distintos. O resultado j\u00e1 indicava um componente gen\u00e9tico forte na infec\u00e7\u00e3o e na manifesta\u00e7\u00e3o da doen\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<p>Outra pesquisa do mesmo grupo analisou dados de 86 casais, entre eles Thais e Erik, em que um dos c\u00f4njuges foi infectado pelo Sars-CoV2 e o outro n\u00e3o. O objetivo era justamente tentar encontrar perfis gen\u00e9ticos capazes de explicar a discrep\u00e2ncia. Os dois trabalhos foram publicados na plataforma cient\u00edfica MedRxiv e ainda n\u00e3o foram revisados por pares.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cA gente tem certeza de que a gen\u00e9tica est\u00e1 envolvida em v\u00e1rios aspectos da doen\u00e7a\u201d, afirmou o bi\u00f3logo Mateus Vidigal, principal autor do estudo. \u201cQuer\u00edamos investigar a influ\u00eancia da gen\u00e9tica na infec\u00e7\u00e3o, na variabilidade de sintomas e no desfecho; al\u00e9m dos mecanismos de resist\u00eancia e suscetibilidade &nbsp;\u00e0 doen\u00e7a.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>A partir do sequenciamento gen\u00e9tico dos 172 volunt\u00e1rios, os cientistas conseguiram detectar duas sequ\u00eancias espec\u00edficas de variantes ligadas ao sistema imunol\u00f3gico que chamaram de MICA e MICB. Nos indiv\u00edduos infectados, as MICA estavam aumentadas, e as MICB, reduzidas. Nos resistentes, as MICB apareciam mais. A descoberta pode ajudar n\u00e3o apenas a entender o desenvolvimento da doen\u00e7a como tamb\u00e9m servir de base para futuros medicamentos.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cUma vez que se conhece o componente gen\u00e9tico por tr\u00e1s da covid, isso abre uma nova perspectiva de tratamento\u201d, disse Vidigal. \u201cOs tratamentos hoje n\u00e3o s\u00e3o coletivos, n\u00e3o temos nada muito espec\u00edfico. \u00c9 importante ter tratamentos mais individualizados para melhorar o progn\u00f3stico.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>Os cientistas j\u00e1 sabem, no entanto, que v\u00e1rios genes est\u00e3o envolvidos e n\u00e3o apenas um, como no caso do HIV. Embora muito rara, a resist\u00eancia \u00e0 infec\u00e7\u00e3o pelo v\u00edrus da Aids est\u00e1 presente em 1% da popula\u00e7\u00e3o. Os indiv\u00edduos resistentes t\u00eam uma muta\u00e7\u00e3o em um \u00fanico gene espec\u00edfico, chamada&nbsp;CCR5.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cSe conseguirmos mapear esses genes, poderemos saber de antem\u00e3o quem s\u00e3o os indiv\u00edduos resistentes e os mais vulner\u00e1veis\u201d, afirmou a geneticista Mayana Zatz, que tamb\u00e9m participa do estudo. \u201cCom um teste gen\u00e9tico simples, por exemplo, poder\u00edamos liberar as pessoas resistentes, que n\u00e3o se infectam nem infectam outras pessoas para circularem livremente. Essas pessoas poderiam tamb\u00e9m ir para o fim da fila da vacina\u00e7\u00e3o.\u201d<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Pesquisa tamb\u00e9m avalia idosos que resistiram \u00e0 doen\u00e7a<\/h3>\n\n\n\n<p>Um terceiro estudo da mesma equipe ainda em andamento analisa diferentes respostas \u00e0 doen\u00e7a em cem indiv\u00edduos nonagen\u00e1rios e at\u00e9 centen\u00e1rios que sobreviveram \u00e0 covid. Enquanto muitos jovens sem comorbidades tiveram formas graves da doen\u00e7a, alguns desses chamados superidosos (que teoricamente deveriam ser mais suscet\u00edveis) tiveram casos muito brandos.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cA gente espera que esses superidosos que se recuperaram da covid tenham perfil semelhante ao dos indiv\u00edduos mais resistentes do estudo dos casais\u201d, contou Vidigal. \u201cMas n\u00e3o sabemos ainda se ser\u00e3o os mesmos genes, as mesmas variantes, ou se s\u00e3o outros contribuindo para a recupera\u00e7\u00e3o. Tivemos o caso de uma mulher de 114 anos que se recuperou, e de um homem de 110 anos que j\u00e1 enfrentou diversas epidemias e tamb\u00e9m superou a doen\u00e7a.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>Cientistas alertam para o fato de que que todos os cuidados de preven\u00e7\u00e3o devem ser mantidos, como uso de m\u00e1scara, &nbsp;distanciamento social e higiene pessoal. &nbsp;Segundo eles, o fato de algumas pessoas terem se mostrado imunes a uma determinada variante do v\u00edrus n\u00e3o significa que elas ser\u00e3o imunes a todas. &#8220;Eu tenho medo, continuo seguindo todas as medidas &#8220;, diz Thais.<br><\/p>\n\n\n\n<p><br><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Pesquisadores querem saber por que h\u00e1 casais em que um dos c\u00f4njuges pega a doen\u00e7a e outro n\u00e3o, apesar de permanecerem juntos durante o per\u00edodo da infec\u00e7\u00e3o.<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_exactmetrics_skip_tracking":false,"_exactmetrics_sitenote_active":false,"_exactmetrics_sitenote_note":"","_exactmetrics_sitenote_category":0,"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","enabled":false},"version":2}},"categories":[1],"tags":[525],"class_list":["post-31844","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-notas","tag-genetica"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p7wKYW-8hC","jetpack-related-posts":[],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/31844","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=31844"}],"version-history":[{"count":1,"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/31844\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":31845,"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/31844\/revisions\/31845"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=31844"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=31844"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=31844"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}