{"id":31894,"date":"2021-05-13T17:14:06","date_gmt":"2021-05-13T21:14:06","guid":{"rendered":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/?p=31894"},"modified":"2021-05-13T17:14:12","modified_gmt":"2021-05-13T21:14:12","slug":"transparencia-tarja-preta","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/2021\/05\/13\/transparencia-tarja-preta\/","title":{"rendered":"TRANSPAR\u00caNCIA TARJA PRETA"},"content":{"rendered":"\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1201\" height=\"751\" data-attachment-id=\"31895\" data-permalink=\"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/2021\/05\/13\/transparencia-tarja-preta\/lupa-2\/\" data-orig-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/lupa.png?fit=1201%2C751\" data-orig-size=\"1201,751\" data-comments-opened=\"0\" data-image-meta=\"{&quot;aperture&quot;:&quot;0&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;0&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;0&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;0&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0&quot;,&quot;title&quot;:&quot;&quot;,&quot;orientation&quot;:&quot;0&quot;}\" data-image-title=\"lupa\" data-image-description=\"\" data-image-caption=\"\" data-medium-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/lupa.png?fit=300%2C188\" data-large-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/lupa.png?fit=600%2C375\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/lupa.png?fit=600%2C375&amp;ssl=1\" alt=\"\" class=\"wp-image-31895\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/lupa.png?w=1201 1201w, https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/lupa.png?resize=300%2C188 300w, https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/lupa.png?resize=1024%2C640 1024w, https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/lupa.png?resize=768%2C480 768w, https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/lupa.png?resize=480%2C300 480w\" sizes=\"auto, (max-width: 600px) 100vw, 600px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">De leis antigas a informa\u00e7\u00f5es divulgadas pela metade, For\u00e7as Armadas usam brechas para driblar Lei de Acesso e preservar \u201csigilo eterno\u201d de documentos<\/h3>\n\n\n\n<!--more-->\n\n\n\n<p><strong>LUIZ FERNANDO TOLEDO<\/strong>, na Revista Piau\u00ed<\/p>\n\n\n\n<p>A Lei de Acesso \u00e0 Informa\u00e7\u00e3o (LAI) foi sancionada no Brasil em novembro de 2011, no governo da ent\u00e3o presidente Dilma Rousseff, com um objetivo claro: dar limites ao sigilo de documentos de Estado. A lei popularizou o mote de que a transpar\u00eancia \u00e9 a regra, e o sigilo, a exce\u00e7\u00e3o. No mesmo dia em que aprovou a LAI, Dilma tamb\u00e9m sancionou a Comiss\u00e3o da Verdade. Embora com fun\u00e7\u00f5es diferentes, as duas leis teriam um mesmo prop\u00f3sito, garantir que \u201cnenhum ato nem documento que atente aos direitos humanos possa ficar sob sigilo\u201d,\u00a0<a href=\"https:\/\/politica.estadao.com.br\/noticias\/geral,dilma-sanciona-comissao-da-verdade-e-lei-de-acesso-a-informacao,800021\">afirmou<\/a>\u00a0Dilma \u00e0 \u00e9poca. Muitos fatores contribu\u00edram para que o Brasil criasse uma lei de acesso. Houve press\u00e3o internacional, com dezenas de pa\u00edses adotando tal dispositivo (hoje s\u00e3o\u00a0<a href=\"https:\/\/www.rti-rating.org\/\">mais de 120<\/a>), e interna, com a cobran\u00e7a pela abertura sobre documentos da ditadura militar (1964-85). Nove anos depois, a LAI tem valido para todos, menos para as For\u00e7as Armadas.<\/p>\n\n\n\n<p>Em minha disserta\u00e7\u00e3o de mestrado, apresentada nesta semana \u00e0 Escola de Administra\u00e7\u00e3o de Empresas de S\u00e3o Paulo, da Funda\u00e7\u00e3o Getulio Vargas (EAESP-FGV), mostro que, na pr\u00e1tica, os militares continuam mantendo seus atos sob sigilo, buscando todo tipo de brechas legais para driblar a LAI.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Como isso \u00e9 poss\u00edvel? A LAI garante que qualquer cidad\u00e3o pode ter acesso a documentos e dados do poder p\u00fablico, de maneira gratuita. Tudo \u00e9 p\u00fablico, exceto aquilo que \u00e9 considerado sigiloso. Quando o documento \u00e9 considerado sigiloso, chama-se de classificado. Quando \u00e9 liberado, diz-se que a informa\u00e7\u00e3o foi desclassificada. Para que o sigilo n\u00e3o vire regra na m\u00e3o de autoridades, a lei prev\u00ea tr\u00eas formas espec\u00edficas de manter documentos como classificados: informa\u00e7\u00f5es pessoais (como laudos m\u00e9dicos), informa\u00e7\u00f5es protegidas por outras leis (sigilo banc\u00e1rio e fiscal, por exemplo) e informa\u00e7\u00f5es que precisam ficar ocultas \u201cem raz\u00e3o de sua imprescindibilidade para a seguran\u00e7a da sociedade e do Estado\u201d. Os dois primeiros casos s\u00e3o mais claros, ainda que, em certas ocasi\u00f5es, o argumento da informa\u00e7\u00e3o pessoal possa proteger&nbsp;<a href=\"https:\/\/politica.estadao.com.br\/noticias\/geral,estado-garante-na-justica-direito-de-obter-laudos-de-exame-de-bolsonaro,70003285042\">documentos de evidente interesse p\u00fablico<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p>O \u00faltimo caso \u00e9 extremamente vago: o que pode prejudicar a seguran\u00e7a da sociedade e do Estado? Sob quais crit\u00e9rios e decididos por quem? A LAI definiu&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.gov.br\/acessoainformacao\/pt-br\/central-de-conteudo\/publicacoes\/arquivos\/aplicacao-da-lai-em-recursos-a-cgu.pdf\">algumas regras<\/a>. A primeira delas diz que documentos classificados em raz\u00e3o da seguran\u00e7a da sociedade e do Estado precisam ter um prazo de sigilo, que pode ser de 5 (reservado), 15 (secreto) ou 25 anos (ultrassecreto). Um n\u00famero limitado de servidores de alto escal\u00e3o pode classificar documentos \u2013 embora o governo federal tenha&nbsp;<a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/poder\/2019\/01\/decreto-torna-autorizacao-para-sigilo-mais-ampla-que-a-da-ditadura-militar.shtml\">tentado, em 2019<\/a>, ampliar esse n\u00famero. A LAI extinguiu o chamado \u201csigilo eterno\u201d, renovado por tempo indeterminado.<\/p>\n\n\n\n<p>Como bem&nbsp;<a href=\"http:\/\/bibliotecadigital.fgv.br\/dspace\/bitstream\/handle\/10438\/18848\/Karina%20Rodrigues%20-%20Dissertation.pdf?sequence=1&amp;isAllowed=y\">documentou&nbsp;<\/a>a pesquisadora Karina Furtado Rodrigues em 2017, houve resist\u00eancia, tanto por parte dos militares como do Itamaraty, para incluir na LAI um limite de tempo para manter um documento em segredo. Os militares, segundo narrou Rodrigues em sua tese, tamb\u00e9m discordavam da divulga\u00e7\u00e3o autom\u00e1tica de documentos desclassificados. Entrevistas conduzidas por Rodrigues apontaram que os militares tinham fortes ressalvas \u00e0 LAI, mas se convenceram de que n\u00e3o seriam prejudicados por ela. Um dos receios seria a \u201cinimagin\u00e1vel quantidade de informa\u00e7\u00e3o coletada desde o come\u00e7o da forma\u00e7\u00e3o do Estado brasileiro, diferentemente de outras ag\u00eancias governamentais criadas h\u00e1 menos tempo (tradu\u00e7\u00e3o minha)\u201d. As percep\u00e7\u00f5es documentadas por Rodrigues se transformaram em resist\u00eancia \u00e0 LAI por parte das For\u00e7as Armadas.<\/p>\n\n\n\n<p>Dados que coletei de um levantamento divulgado anualmente pela Controladoria-Geral da Uni\u00e3o (CGU) para a minha pesquisa demonstram que mais de 400 mil documentos foram desclassificados desde 2013 no Brasil em institui\u00e7\u00f5es federais. Ex\u00e9rcito, Marinha e For\u00e7a A\u00e9rea Brasileira foram respons\u00e1veis por mais de 90% deles&nbsp;<em>(ver tabela abaixo).&nbsp;<\/em>O foco da pesquisa nas For\u00e7as Armadas teve esses dados como ponto de partida: entender como elas classificam e desclassificam documentos ajudaria a entender a transpar\u00eancia de documentos hist\u00f3ricos no pa\u00eds.<\/p>\n\n\n\n<figure><iframe src=\"https:\/\/flo.uri.sh\/story\/857767\/embed?auto=1\"><\/iframe><\/figure>\n\n\n\n<p><a href=\"https:\/\/public.flourish.studio\/story\/857767\/?utm_source=showcase&amp;utm_campaign=story\/857767\">A Flourish data visualization<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>Limitei a pesquisa do mestrado \u00e0 lista mais recente de documentos desclassificados, de 2019-20. Neste per\u00edodo foram desclassificados cerca de 29 mil documentos, sendo que 26,7 mil eram dessas tr\u00eas institui\u00e7\u00f5es. A maior dificuldade para fazer tal pesquisa \u00e9 que esses documentos n\u00e3o existem, na pr\u00e1tica, em nenhum acervo p\u00fablico. Eles ficam armazenados nas pr\u00f3prias institui\u00e7\u00f5es, sem nenhum canal digital ou f\u00edsico que permita acess\u00e1-los diretamente. A \u00fanica informa\u00e7\u00e3o dispon\u00edvel na internet \u00e9 o chamado rol de informa\u00e7\u00f5es desclassificadas, uma lista desinteressante de c\u00f3digos, grau de sigilo e um gen\u00e9rico resumo do documento. Mais nada.<em>&nbsp;(ver exemplo abaixo, da For\u00e7a A\u00e9rea Brasileira).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>O caminho natural para pedir tais documentos seria usar a pr\u00f3pria Lei de Acesso \u00e0 Informa\u00e7\u00e3o. Em 2019, eu e a jornalista Maria Vit\u00f3ria Ramos reunimos jornalistas volunt\u00e1rios em v\u00e1rios estados brasileiros para tentar acessar alguns desses documentos como parte do projeto&nbsp;<a href=\"https:\/\/latamjournalismreview.org\/pt-br\/articles\/jornalistas-brasileiros-criam-forca-tarefa-para-obter-documentos-colocados-sob-sigilo-por-orgaos-publicos\/\">Sem Sigilo<\/a>, criado pela associa\u00e7\u00e3o sem fins lucrativos&nbsp;<a href=\"http:\/\/fiquemsabendo.com.br\/\">Fiquem Sabendo<\/a>, da qual somos cofundadores. O resultado desse projeto, publicado no UOL, mostrou que os&nbsp;<a href=\"https:\/\/noticias.uol.com.br\/politica\/ultimas-noticias\/2019\/06\/04\/governo-sigilo-documentos-liberados-publico-transparencia.htm\">\u00f3rg\u00e3os p\u00fablicos federais&nbsp;<\/a>dificultam ao extremo o acesso a tais dados, mesmo pela LAI. A principal imposi\u00e7\u00e3o desses \u00f3rg\u00e3os \u00e9 que um documento desclassificado n\u00e3o seria automaticamente p\u00fablico. Seria necess\u00e1ria a an\u00e1lise individual de cada um deles, por um servidor pr\u00f3prio, para verificar se \u00e9 poss\u00edvel ou n\u00e3o divulgar o documento. Ou seja: a lei j\u00e1 estava sendo passada para tr\u00e1s, em uma nova interpreta\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Para o mestrado, decidi refazer os passos do Sem Sigilo e solicitei novamente acesso \u00e0 \u00edntegra dos documentos desclassificados. Marinha, Ex\u00e9rcito e Aeron\u00e1utica se recusaram, e a Marinha apresentou uma alternativa: que fossem solicitados quinze documentos por vez.&nbsp;Alegou que teria de analisar individualmente cada documento e que seria imposs\u00edvel fazer isso com todos ao mesmo tempo em um s\u00f3 pedido, j\u00e1 que s\u00e3o milhares de documentos desclassificados todos os anos.<\/p>\n\n\n\n<p>Fa\u00e7amos aqui uma r\u00e1pida conta de padaria: cada pedido de informa\u00e7\u00e3o registrado por meio da LAI \u00e0 Marinha leva, em m\u00e9dia, 21 dias para ser respondido,&nbsp;<a href=\"http:\/\/paineis.cgu.gov.br\/lai\/index.htm\">segundo a CGU.<\/a>&nbsp;S\u00f3 a Marinha desclassificou, entre 2013 e 2020, 69.315 mil documentos. Para ter acesso a todos eles, seriam necess\u00e1rios 4.621 pedidos de informa\u00e7\u00e3o divididos em quinze documentos por vez. Se a m\u00e9dia de 21 dias por pedido fosse seguida, seriam necess\u00e1rios 97.041 dias, ou&nbsp;<strong>265 anos<\/strong>. Isso sem falar dos outros documentos que seriam desclassificados nesses dois s\u00e9culos e meio. Quantas bolsas da Capes seriam necess\u00e1rias para pesquisar documentos da Marinha?<\/p>\n\n\n\n<p>Para a pesquisa, criei categorias de documentos e solicitei acesso aos tipos mais recorrentes. Adoraria dizer que o resultado foi revelador, mas a \u201crevela\u00e7\u00e3o\u201d mesmo foi a de que essas institui\u00e7\u00f5es n\u00e3o revelam nada. De 45 documentos espec\u00edficos solicitados, apenas 29 foram fornecidos, quase todos eles com tarjas que tornavam os pap\u00e9is indecifr\u00e1veis. Cada For\u00e7a tinha um \u00e1libi diferente. O Ex\u00e9rcito alegou n\u00e3o ter encontrado um dos documentos pedidos, o que pode demonstrar que esse verdadeiro labirinto do sigilo militar leva at\u00e9 mesmo \u00e0 perda de documentos p\u00fablicos. Nos casos em que o Ex\u00e9rcito me enviou alguma informa\u00e7\u00e3o, havia tantas tarjas no papel que foi poss\u00edvel apenas saber que algu\u00e9m estava fazendo alguma coisa, em algum lugar, em algum momento. Mas nunca soube quem, onde nem o porqu\u00ea. Com pesquisas no Google \u00e9 poss\u00edvel descobrir alguns nomes que foram tarjados, mas n\u00e3o as pol\u00edticas p\u00fablicas ou decis\u00f5es sobre as quais eles falavam. At\u00e9 mesmo o nome da autoridade que colocou os documentos sob sigilo continuou com tarjas.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><a href=\"https:\/\/i0.wp.com\/piaui.folha.uol.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/docexercito_130521_interna.png?ssl=1\"><img data-recalc-dims=\"1\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/piaui.folha.uol.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/docexercito_130521_interna.png?w=600&#038;ssl=1\" alt=\"\" class=\"wp-image-399784\"\/><\/a><\/figure>\n\n\n\n<p>Exemplo de documento desclassificado do Ex\u00e9rcito<\/p>\n\n\n\n<p><strong>O<\/strong>utro problema grave \u00e9 que, em alguns casos, esses documentos possuem anexos ou s\u00e3o parte de um processo maior, mas podem ser classificados e desclassificados separadamente. Como a lista divulgada na internet n\u00e3o organiza os documentos por processo, \u00e9 como se houvesse um quebra-cabe\u00e7as de quase 400 mil pe\u00e7as \u2013 total de informa\u00e7\u00f5es desclassificadas por Marinha, Ex\u00e9rcito e Aeron\u00e1utica \u2013 em que o jogador s\u00f3 consegue algumas partes, sem ideia do que resultar\u00e1 no quadro final.<\/p>\n\n\n\n<p>Com a For\u00e7a A\u00e9rea Brasileira a opacidade foi ainda mais longe. A institui\u00e7\u00e3o se recusou a fornecer os documentos pedidos, mesmo em pequenas quantidades. Alegou, com base em uma legisla\u00e7\u00e3o da d\u00e9cada de 1990, que n\u00e3o estava sujeita \u00e0 LAI.<\/p>\n\n\n\n<p>Os problemas do Ex\u00e9rcito se repetiram na Marinha: documentos incompletos ou sem anexos mencionados no corpo do texto, tarjas excessivas e at\u00e9 mesmo uma classifica\u00e7\u00e3o de informa\u00e7\u00e3o por engano. O maior documento solicitado se tratava de um boletim climatol\u00f3gico com informa\u00e7\u00f5es ambientais relacionadas a viagens mar\u00edtimas. Segundo informado pela Marinha, embora o documento em si n\u00e3o contivesse informa\u00e7\u00f5es sigilosas, ele estaria associado a uma opera\u00e7\u00e3o que, \u00e0 \u00e9poca, estava sob sigilo.<\/p>\n\n\n\n<p>Apesar das claras limita\u00e7\u00f5es do estudo \u2013 n\u00e3o foi poss\u00edvel ter acesso a todo o acervo de documentos desclassificados por imposi\u00e7\u00f5es dos pr\u00f3prios \u00f3rg\u00e3os que dominam tais informa\u00e7\u00f5es -, a pesquisa demonstrou que n\u00e3o h\u00e1, por parte das For\u00e7as Armadas, nenhum interesse em transpar\u00eancia. Elas apenas buscam uma forma de fazer parecer que cumprem a lei, sem jamais cumpri-la na pr\u00e1tica. A literatura internacional d\u00e1 um nome a isso: transpar\u00eancia opaca, aquela que finge ser aberta, mas nada revela sobre uma pol\u00edtica p\u00fablica ou decis\u00e3o de um administrador.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><strong>E<\/strong>xiste luz no fim do t\u00fanel: pouco tempo depois da entrega da minha disserta\u00e7\u00e3o, a CGU, respons\u00e1vel por fiscalizar a aplica\u00e7\u00e3o da LAI no n\u00edvel federal, atendeu a uma de minhas reclama\u00e7\u00f5es e determinou que a For\u00e7a A\u00e9rea libere uma pequena parte (quinze arquivos) de seus documentos desclassificados. A CGU n\u00e3o tem for\u00e7a para impor san\u00e7\u00f5es aos \u00f3rg\u00e3os, mas as determina\u00e7\u00f5es que publica costumam ser cumpridas, o que pode abrir precedente para a abertura de mais documentos.<\/p>\n\n\n\n<p>A a\u00e7\u00e3o da CGU deixa claro que h\u00e1 uma disputa no governo federal entre os que desejam mais transpar\u00eancia e os que prefeririam manter tudo em segredo. Mas ainda \u00e9 pouco: \u00e9 preciso que, expirado o devido prazo de sigilo, todos os documentos estejam abertos e dispon\u00edveis no Arquivo Nacional e na internet, para que os cidad\u00e3os brasileiros possam ler, interpretar e contextualizar milhares de informa\u00e7\u00f5es que at\u00e9 ent\u00e3o lhes foram negadas. Sem isso, a LAI ter\u00e1 sido letra morta entre as For\u00e7as Armadas \u2013 e o fim do sigilo eterno, s\u00f3 uma batalha perdida.<\/p>\n\n\n\n<p><br><br><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>De leis antigas a informa\u00e7\u00f5es divulgadas pela metade, For\u00e7as Armadas usam brechas para driblar Lei de Acesso e preservar \u201csigilo eterno\u201d de documentos<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_exactmetrics_skip_tracking":false,"_exactmetrics_sitenote_active":false,"_exactmetrics_sitenote_note":"","_exactmetrics_sitenote_category":0,"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","enabled":false},"version":2}},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-31894","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-notas"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p7wKYW-8iq","jetpack-related-posts":[],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/31894","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=31894"}],"version-history":[{"count":1,"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/31894\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":31896,"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/31894\/revisions\/31896"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=31894"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=31894"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=31894"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}