{"id":32059,"date":"2021-05-28T09:40:45","date_gmt":"2021-05-28T13:40:45","guid":{"rendered":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/?p=32059"},"modified":"2021-05-28T09:40:49","modified_gmt":"2021-05-28T13:40:49","slug":"colunista-revela-ao-mundo-no-ny-times-o-plano-de-bolsonaro-na-pandemia-14-milhao-de-mortos","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/2021\/05\/28\/colunista-revela-ao-mundo-no-ny-times-o-plano-de-bolsonaro-na-pandemia-14-milhao-de-mortos\/","title":{"rendered":"Colunista revela ao mundo, no NY Times, o \u201cplano\u201d de Bolsonaro na pandemia: 1,4 milh\u00e3o de mortos"},"content":{"rendered":"\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"2788\" height=\"2338\" data-attachment-id=\"32060\" data-permalink=\"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/2021\/05\/28\/colunista-revela-ao-mundo-no-ny-times-o-plano-de-bolsonaro-na-pandemia-14-milhao-de-mortos\/9987bf35-2593-46db-8624-85b74bf25435\/\" data-orig-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/9987BF35-2593-46DB-8624-85B74BF25435.png?fit=2788%2C2338\" data-orig-size=\"2788,2338\" data-comments-opened=\"0\" data-image-meta=\"{&quot;aperture&quot;:&quot;0&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;0&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;0&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;0&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0&quot;,&quot;title&quot;:&quot;&quot;,&quot;orientation&quot;:&quot;0&quot;}\" data-image-title=\"9987BF35-2593-46DB-8624-85B74BF25435\" data-image-description=\"\" data-image-caption=\"\" data-medium-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/9987BF35-2593-46DB-8624-85B74BF25435.png?fit=300%2C252\" data-large-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/9987BF35-2593-46DB-8624-85B74BF25435.png?fit=600%2C503\" src=\"https:\/\/i2.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/9987BF35-2593-46DB-8624-85B74BF25435.png?fit=600%2C503\" alt=\"\" class=\"wp-image-32060\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/9987BF35-2593-46DB-8624-85B74BF25435.png?w=2788 2788w, https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/9987BF35-2593-46DB-8624-85B74BF25435.png?resize=300%2C252 300w, https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/9987BF35-2593-46DB-8624-85B74BF25435.png?resize=1024%2C859 1024w, https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/9987BF35-2593-46DB-8624-85B74BF25435.png?resize=768%2C644 768w, https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/9987BF35-2593-46DB-8624-85B74BF25435.png?resize=1536%2C1288 1536w, https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/9987BF35-2593-46DB-8624-85B74BF25435.png?resize=2048%2C1717 2048w, https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/9987BF35-2593-46DB-8624-85B74BF25435.png?resize=358%2C300 358w, https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/9987BF35-2593-46DB-8624-85B74BF25435.png?w=1200 1200w, https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/9987BF35-2593-46DB-8624-85B74BF25435.png?w=1800 1800w\" sizes=\"auto, (max-width: 600px) 100vw, 600px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p><strong><a href=\"https:\/\/www.nytimes.com\/2021\/05\/27\/opinion\/brazil-covid-inquiry-bolsonaro.html?smid=tw-share\">Por Vanessa Barbara, no New York Times<\/a><\/strong>  \u2013 N\u00e3o \u00e9 sempre que um inqu\u00e9rito parlamentar pode levantar seu \u00e2nimo. Mas a investiga\u00e7\u00e3o do Senado brasileiro sobre a gest\u00e3o do governo da pandemia, que come\u00e7ou em 27 de abril e chamou minha aten\u00e7\u00e3o por semanas, faz exatamente isso.<\/p>\n\n\n\n<!--more-->\n\n\n\n<p>Enquanto a pandemia continua a assolar o pa\u00eds, ceifando cerca de 2.000 vidas por dia, o inqu\u00e9rito oferece a chance de responsabilizar o governo do presidente Jair Bolsonaro (mais ou menos.)&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Tamb\u00e9m \u00e9 uma grande distra\u00e7\u00e3o da realidade sombria. Transmitido online e&nbsp; pela TV Senado, o inqu\u00e9rito \u00e9 uma exibi\u00e7\u00e3o estranhamente fascinante de evas\u00e3o, in\u00e9pcia e mentiras descaradas.<\/p>\n\n\n\n<p>Aqui est\u00e1 um exemplo do tipo de intriga em oferta. Em mar\u00e7o do ano passado, enquanto a pandemia se desenrolava, uma campanha de m\u00eddia social chamada \u201cO Brasil N\u00e3o Pode Parar\u201d foi lan\u00e7ada pela secretaria de comunica\u00e7\u00e3o do presidente.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Instando as pessoas a n\u00e3o mudarem suas rotinas, a campanha afirmou que \u201cas mortes por coronav\u00edrus entre adultos e jovens s\u00e3o raras\u201d.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>A campanha, fortemente criticada, acabou sendo proibida por um juiz federal e em grande parte esquecida.<\/p>\n\n\n\n<p>Ent\u00e3o a trama se complicou. O ex-diretor de comunica\u00e7\u00e3o do governo, Fabio Wajngarten, disse \u00e0 CPI que n\u00e3o sabia \u201ccom certeza\u201d quem tinha sido o respons\u00e1vel pela campanha.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Mais tarde, trope\u00e7ando nas palavras, ele parecia lembrar que seu departamento havia desenvolvido a campanha \u2014 com esp\u00edrito de experimenta\u00e7\u00e3o, \u00e9 claro \u2014 que foi ent\u00e3o lan\u00e7ada sem autoriza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Um senador pediu a pris\u00e3o do Sr. Wajngarten, que lan\u00e7ou um olhar contemplativo, quase po\u00e9tico ao horizonte. A c\u00e2mera at\u00e9 tentou aumentar o zoom. Foi incr\u00edvel.<\/p>\n\n\n\n<p>Esse \u00e9 apenas um epis\u00f3dio; n\u00e3o \u00e9 \u00e0 toa que o inqu\u00e9rito chama a aten\u00e7\u00e3o de muitos brasileiros. At\u00e9 o momento, recebemos depoimentos de tr\u00eas ex-ministros da sa\u00fade \u2014 um deles teve grandes problemas com sua m\u00e1scara, inspirando in\u00fameros memes \u2014 e tamb\u00e9m do chefe do regulador federal de sa\u00fade do Brasil, do ex-chanceler, do ex-chefe de comunica\u00e7\u00e3o do governo e do gerente regional da farmac\u00eautica Pfizer.<\/p>\n\n\n\n<p>O resultado de seus relatos \u00e9 \u00f3bvio, mas ainda assim totalmente ultrajante: o presidente Jair Bolsonaro aparentemente pretendia levar o pa\u00eds \u00e0 imunidade coletiva por infec\u00e7\u00e3o natural, quaisquer que fossem as consequ\u00eancias.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Isso significa \u2014 assumindo uma taxa de mortalidade de cerca de 1 por cento e considerando 70 por cento de infec\u00e7\u00e3o como um limite provis\u00f3rio para imunidade de rebanho \u2014 que Bolsonaro efetivamente planejou pelo menos 1,4 milh\u00e3o de mortes no Brasil.<\/p>\n\n\n\n<p>De sua perspectiva, os 450.000 brasileiros j\u00e1 mortos pela Covid-19 devem parecer um trabalho nem mesmo feito pela metade.<\/p>\n\n\n\n<p>Explicado desta forma, o esfor\u00e7o parece chocante. Mas para os brasileiros que vivem sob o governo de Bolsonaro, isso dificilmente \u00e9 surpreendente.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Afinal, o presidente parecia fazer de tudo para facilitar a dissemina\u00e7\u00e3o do v\u00edrus. Ele passou o \u00faltimo ano falando e agindo contra todas as medidas cientificamente comprovadas para conter a propaga\u00e7\u00e3o do v\u00edrus.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>O distanciamento social, disse ele, era para \u201cidiotas\u201d. As m\u00e1scaras eram \u201cfic\u00e7\u00e3o\u201d. E as vacinas podem transform\u00e1-lo em um jacar\u00e9.<\/p>\n\n\n\n<p>Depois, houve o medicamento antimal\u00e1rico hidroxicloroquina, que Bolsonaro promoveu como um tratamento precoce e uma cura milagrosa para Covid-19 \u2014 apesar de todas as evid\u00eancias cient\u00edficas em contr\u00e1rio e do conselho expresso de dois ex-ministros da sa\u00fade.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Durante o inqu\u00e9rito, duas testemunhas diferentes confirmaram sombriamente que tinham visto o projeto de um decreto presidencial estipulando que a bula da droga deveria ser alterada para incluir seu uso contra Covid-19.<\/p>\n\n\n\n<p>Fica pior. De acordo com Wajngarten e Carlos Murillo, gerente regional da Pfizer, a empresa farmac\u00eautica se ofereceu repetidamente para vender sua vacina Covid-19 ao governo brasileiro entre agosto e novembro do ano passado \u2014 mas n\u00e3o obteve resposta (talvez o minist\u00e9rio da sa\u00fade tivesse coisas mais importantes a fazer, como aprender a usar corretamente as m\u00e1scaras).<\/p>\n\n\n\n<p>Considerando que o Brasil foi um dos primeiros pa\u00edses a ser procurado pela empresa, uma resposta r\u00e1pida teria garantido aos brasileiros at\u00e9 1,5 milh\u00e3o de doses no final de 2020, com mais 17 milh\u00f5es no primeiro semestre de 2021.<\/p>\n\n\n\n<p>Em vez disso, depois de recusar outras tr\u00eas ofertas, o governo acabou assinando um contrato em mar\u00e7o, surpreendentes sete meses ap\u00f3s a primeira oferta.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>O primeiro milh\u00e3o de doses chegou no final de abril.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>A vacina\u00e7\u00e3o, como resultado da neglig\u00eancia do governo em garantir as doses, foi interrompida, com a escassez regular de imunizantes e a falta de suprimentos, levando a atrasos na produ\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Eu me pergunto se tudo isso fazia parte do plano. Quando o general Eduardo Pazuello, ministro da sa\u00fade do Brasil entre maio de 2020 e mar\u00e7o de 2021, foi questionado por que o Minist\u00e9rio da Sa\u00fade solicitou a menor quantidade de doses de vacina da Covax, a iniciativa de compartilhamento de vacinas da Organiza\u00e7\u00e3o Mundial de Sa\u00fade \u2014 o Brasil poderia ter pedido doses suficientes para imunizar at\u00e9 50% da popula\u00e7\u00e3o, mas preferiu 10% \u2014 ele nem piscou. O processo, ele explicou alegremente, era muito arriscado e as vacinas muito caras. Ent\u00e3o \u00e9 isso.<\/p>\n\n\n\n<p>Parece cada vez mais claro que a imunidade de rebanho, por meio de obstru\u00e7\u00e3o, desinforma\u00e7\u00e3o e neglig\u00eancia, sempre foi o objetivo. A amarga ironia \u00e9 que isso pode ser imposs\u00edvel de alcan\u00e7ar. Em Manaus, onde 76% da popula\u00e7\u00e3o estava infectada at\u00e9 outubro, o resultado n\u00e3o foi imunidade de rebanho, mas uma nova variante.<\/p>\n\n\n\n<p>A investiga\u00e7\u00e3o, lenta e continuamente, est\u00e1 revelando uma trama supervil\u00e3 cl\u00e1ssica, ao mesmo tempo nefasta e absurda, mortal e apavorante. Se o vil\u00e3o encontrar\u00e1 seu castigo, \u00e9 outra hist\u00f3ria.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Vanessa Barbara, no New York Times \u2013 N\u00e3o \u00e9 sempre que um inqu\u00e9rito parlamentar pode levantar seu \u00e2nimo. 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