{"id":32756,"date":"2021-08-31T15:48:10","date_gmt":"2021-08-31T19:48:10","guid":{"rendered":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/?p=32756"},"modified":"2021-08-31T15:54:51","modified_gmt":"2021-08-31T19:54:51","slug":"de-onde-vem-o-ouro-da-joalheria-brasileira","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/2021\/08\/31\/de-onde-vem-o-ouro-da-joalheria-brasileira\/","title":{"rendered":"DE ONDE VEM O OURO DA JOALHERIA BRASILEIRA?"},"content":{"rendered":"\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"828\" height=\"1095\" data-attachment-id=\"32757\" data-permalink=\"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/2021\/08\/31\/de-onde-vem-o-ouro-da-joalheria-brasileira\/262b0345-99ab-4a69-9b6b-26ff5668848f\/\" data-orig-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2021\/08\/262B0345-99AB-4A69-9B6B-26FF5668848F.jpeg?fit=828%2C1095\" data-orig-size=\"828,1095\" data-comments-opened=\"0\" data-image-meta=\"{&quot;aperture&quot;:&quot;0&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;0&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;0&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;0&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0&quot;,&quot;title&quot;:&quot;&quot;,&quot;orientation&quot;:&quot;1&quot;}\" data-image-title=\"262B0345-99AB-4A69-9B6B-26FF5668848F\" data-image-description=\"\" data-image-caption=\"\" data-medium-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2021\/08\/262B0345-99AB-4A69-9B6B-26FF5668848F.jpeg?fit=227%2C300\" data-large-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2021\/08\/262B0345-99AB-4A69-9B6B-26FF5668848F.jpeg?fit=600%2C794\" src=\"https:\/\/i2.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2021\/08\/262B0345-99AB-4A69-9B6B-26FF5668848F.jpeg?fit=600%2C794\" alt=\"\" class=\"wp-image-32757\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2021\/08\/262B0345-99AB-4A69-9B6B-26FF5668848F.jpeg?w=828 828w, https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2021\/08\/262B0345-99AB-4A69-9B6B-26FF5668848F.jpeg?resize=227%2C300 227w, https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2021\/08\/262B0345-99AB-4A69-9B6B-26FF5668848F.jpeg?resize=774%2C1024 774w, https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2021\/08\/262B0345-99AB-4A69-9B6B-26FF5668848F.jpeg?resize=768%2C1016 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 600px) 100vw, 600px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\">Com um sistema extremamente fragmentado, uma cadeia opaca e sem m\u00e9todos de rastreabilidade eficazes, saber a proced\u00eancia desse min\u00e9rio pode ser uma miss\u00e3o \u00e1rdua em territ\u00f3rio nacional. Mas o que pode (e deve) ser feito?<\/h4>\n\n\n\n<p><a href=\"https:\/\/elle.com.br\/u\/barbarapoerner1\">B\u00c1RBARA POERNER<\/a>, na Elle <\/p>\n\n\n\n<!--more-->\n\n\n\n<p>Que o Brasil tem um solo rico em min\u00e9rios, n\u00f3s j\u00e1 sabemos, e a hist\u00f3ria da coloniza\u00e7\u00e3o est\u00e1 de prova. Mas o que come\u00e7ou com pequenos grupos de garimpeiros peneirando a terra \u00e0 beira rio, hoje, se tornou algo de escala industrial. Essa evolu\u00e7\u00e3o, contudo, n\u00e3o \u00e9 t\u00e3o simples ou positiva como parece. O processo de extra\u00e7\u00e3o de metais e pedras preciosas \u00e9 longo, bastante complexo e muito fragmentado. Por isso mesmo, \u00e9 tamb\u00e9m um setor em que transpar\u00eancia, rastreabilidade e fiscaliza\u00e7\u00e3o s\u00e3o conceitos nebulosos, muitas vezes fraudulentos e at\u00e9 inexistentes.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>E quando se fala sobre o ouro garimpado em territ\u00f3rio nacional, mais ainda. Boa parte das joalherias, que s\u00e3o compradoras e vendedoras ao mesmo tempo, ainda encontram dificuldades para se adequar aos padr\u00f5es de responsabilidade ambiental e social cada vez mais em pauta.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8216;Qualquer pessoa que comprar ouro de garimpo, hoje, n\u00e3o tem a m\u00ednima garantia de onde ele veio&#8221;, diz a doutora em Minas e Energia e gerente do\u00a0<strong>Instituto Escolhas Larissa Rodrigues<\/strong>. Explicamos: o ouro garimpado, quando sai da terra, n\u00e3o pode ir direto para uma joalheria. E quem diz \u00e9 a\u00a0<strong>Constitui\u00e7\u00e3o Federal<\/strong>: todos os recursos minerais s\u00e3o de propriedade da Uni\u00e3o. Conforme os artigos 176 e 231 da carta magna, toda a atividade de minera\u00e7\u00e3o requer licenciamento ambiental concedido pelo Congresso Nacional e com consulta pr\u00e9via \u00e0s comunidades envolvidas ou impactadas. O metal precioso tamb\u00e9m n\u00e3o pode ser extra\u00eddo de terras ind\u00edgenas e de unidades de conserva\u00e7\u00e3o ambiental. Se for, torna-se um ouro ilegal.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img data-recalc-dims=\"1\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/elle.com.br\/media-library\/eyJhbGciOiJIUzI1NiIsInR5cCI6IkpXVCJ9.eyJpbWFnZSI6Imh0dHBzOi8vYXNzZXRzLnJibC5tcy8yNzI5NzIzOC9vcmlnaW4uanBnIiwiZXhwaXJlc19hdCI6MTY0NTU5NTQ4NX0.S3YiibNI1uPSFO0E4sH73MamItXaoJZtWMyxeIikCQI\/image.jpg?w=600&#038;ssl=1\" alt=\"\"\/><\/figure>\n\n\n\n<p>Garimpo no Brasil: das 111 toneladas de ouro exportadas pelo pa\u00eds em 2020, 19 foram sem registro de origem ou autoriza\u00e7\u00f5es.Foto: Getty Images.<\/p>\n\n\n\n<p>Um dos principais problemas \u00e9 essa enorme fragmenta\u00e7\u00e3o do sistema. Principalmente quando a regulamenta\u00e7\u00e3o, compra e venda \u00e9 feita por meio de uma Distribuidora de T\u00edtulos e Valores Mobili\u00e1rios (DTVM), uma esp\u00e9cie de fornecedor. Em s\u00edntese, as DTVMs s\u00e3o empresas pertencentes ao sistema financeiro e autorizadas pelo Banco Central a atuar na aquisi\u00e7\u00e3o e distribui\u00e7\u00e3o dos metais que vem dos garimpos. Todo ouro garimpado deve ser registrado em alguma delas para ser comercializado legalmente.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>&#8221;Quando o garimpeiro tira o ouro de algum lugar e encaminha para a venda, n\u00e3o existe controle. Ele apresenta o min\u00e9rio e deve preencher um formul\u00e1rio, de papel, afirmando de onde extraiu ou n\u00e3o&#8221;, explica Larissa. &#8221;Por exemplo: o garimpeiro vai com dez gramas de ouro e preenche as informa\u00e7\u00f5es com seus dados pessoais e sinaliza que extraiu de \u00e1rea X, mas ningu\u00e9m verifica se essa \u00e1rea \u00e9 legal ou n\u00e3o, ou se a informa\u00e7\u00e3o procede&#8221;, continua ela. Ap\u00f3s a conclus\u00e3o da transa\u00e7\u00e3o entre garimpeiro e DTVM, o ouro est\u00e1 livre e, em tese, certificado para circular pelo mercado livremente. &#8220;Por isso, toda joalheria que compra de uma DTVM n\u00e3o consegue garantir a origem do material&#8221;, afirma Larissa.<\/p>\n\n\n\n<p>Um exemplo recente dessa falta de rastreabilidade \u00e9 o caso da H.Stern, levantado por uma&nbsp;<a href=\"https:\/\/reporterbrasil.org.br\/2021\/06\/hstern-ourominas-e-dgold-as-principais-compradoras-do-ouro-ilegal-da-ti-yanomami\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">s\u00e9rie de reportagens da Rep\u00f3rter Brasil<\/a>. A joalheria carioca, fundada em 1945, \u00e9 citada nas investiga\u00e7\u00f5es do Minist\u00e9rio P\u00fablico Federal sobre transa\u00e7\u00f5es ilegais do min\u00e9rio proveniente da Terra Ind\u00edgena (TI) Yanomami, que teriam sido realizadas pela DTVM Ourominas. Conversas interceptadas pela PF indicam que a Ourominas forneceu ouro \u00e0 H.Stern. Contatada pela reportagem de ELLE, a marca de joias disse que n\u00e3o havia um porta-voz dispon\u00edvel no Brasil para responder \u00e0s perguntas sobre sua cadeia produtiva.<\/p>\n\n\n\n<p>O problema, como j\u00e1 d\u00e1 para induzir, n\u00e3o \u00e9 exclusivo da joalheria do Rio de Janeiro. Pelo contr\u00e1rio, \u00e9 bastante comum, ainda que pouco discutido no mercado. A reportagem de ELLE entrou em contato com as cinco principais DTVMs do mercado \u2013&nbsp;<strong>COLUNA DTVM, Ourominas, Carol DTVM, Parmetal&nbsp;<\/strong>e&nbsp;<strong>D&#8217;gold<\/strong>&nbsp;\u2013, mas n\u00e3o obteve resposta at\u00e9 a publica\u00e7\u00e3o desta mat\u00e9ria.<br><\/p>\n\n\n\n<p>O garimpo e as DTVMs, no entanto, n\u00e3o s\u00e3o as \u00fanicas fontes de ouro. Existem mineradoras regulamentadas, que representam a maior parcela extratora do min\u00e9rio, e podem oferecer uma garantia melhor da origem do material. Entretanto, a pesquisadora destaca que &#8221;isso n\u00e3o quer dizer que as minas estejam livres de problemas, apenas que \u00e9 mais f\u00e1cil controlar&nbsp;<em>(a proced\u00eancia)<\/em>, pois elas t\u00eam a produ\u00e7\u00e3o pr\u00f3pria.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p>A maioria dessas mineradoras est\u00e1 instalada em Minas Gerais e representam, segundo Larissa, cerca de 76% do ouro extra\u00eddo no pa\u00eds. Os 24% restantes prov\u00e9m do garimpo, concentrados na regi\u00e3o da Amaz\u00f4nia, com destaque para o Par\u00e1. Da produ\u00e7\u00e3o total de ouro no Brasil, 12% vem dos garimpos do estado, conforme registros na Ag\u00eancia Nacional de Minera\u00e7\u00e3o (ANM), sendo que os valores do garimpo ilegal nem sempre est\u00e3o contabilizados.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img data-recalc-dims=\"1\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/elle.com.br\/media-library\/eyJhbGciOiJIUzI1NiIsInR5cCI6IkpXVCJ9.eyJpbWFnZSI6Imh0dHBzOi8vYXNzZXRzLnJibC5tcy8yNzMwNDA2NS9vcmlnaW4ucG5nIiwiZXhwaXJlc19hdCI6MTY4OTg0MTgwOH0.m8j_gBWjXKAhOJ-n-ax55x9n-7kpksXnSXURjig1Hi0\/image.png?w=600&#038;ssl=1\" alt=\"\"\/><\/figure>\n\n\n\n<p>Ainda de acordo com a Ag\u00eancia, o Brasil produziu 121,5 toneladas de ouro em 2020. Os principais destinos desse montante s\u00e3o as institui\u00e7\u00f5es financeiras, a ind\u00fastria joalheira e a tecnol\u00f3gica, e a exporta\u00e7\u00e3o. Esta \u00faltima, ali\u00e1s, consome a maior parte do min\u00e9rio extra\u00eddo no pa\u00eds, o que tamb\u00e9m revela problem\u00e1ticas.<br><\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"https:\/\/www.bbc.com\/portuguese\/internacional-48534473\" rel=\"noreferrer noopener\" target=\"_blank\">Uma reportagem da BBC<\/a>, de 2019, mostra que, naquele mesmo ano, o ouro se tornou o segundo maior produto de exporta\u00e7\u00e3o de Roraima, mesmo sem haver uma \u00fanica mina atuando legalmente no estado. Fato semelhante ocorreu em 2020:&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.escolhas.org\/wp-content\/uploads\/Brasil-Exporta-Ouro-Ilegal.pdf\" rel=\"noreferrer noopener\" target=\"_blank\">das 111 toneladas de ouro exportadas pelo Brasil, 19 foram sem registro de origem ou autoriza\u00e7\u00f5es<\/a>&nbsp;(Instituto Escolhas).<\/p>\n\n\n\n<p>O intenso desmonte de pol\u00edticas p\u00fablicas que protegem, ou tentam, as terras ind\u00edgenas e unidades de conserva\u00e7\u00e3o s\u00f3 piora a situa\u00e7\u00e3o. Projetos de lei para regularizar a pr\u00e1tica transitam no congresso com o apoio do presidente Jair Bolsonaro, que nunca escondeu seu favorecimento. &#8221;O que vimos nos \u00faltimos tempos \u00e9 um governo a favor do garimpo, que recebe os garimpeiros no planalto&#8221;, comenta Larissa.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>O caso mais recente \u00e9 o marco temporal, que est\u00e1 em vota\u00e7\u00e3o no Supremo Tribunal Federal (STF) nesta quinta (26.08). A proposta estipula que as terras ind\u00edgenas s\u00e3o pass\u00edveis de demarca\u00e7\u00e3o apenas se o povo origin\u00e1rio estava ocupando-a no dia da promulga\u00e7\u00e3o da Constitui\u00e7\u00e3o vigente, 5 de outubro de 1988. Considerado um genoc\u00eddio por pesquisadores e comunidades, o texto parte de uma a\u00e7\u00e3o sobre as TI Xokleng, em Santa Catarina, movida pelo governo do estado.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>A articula\u00e7\u00e3o reuniu mais de seis mil ind\u00edgenas em Bras\u00edlia, que dizem n\u00e3o ao marco temporal sob o mote &#8221;#LutaPelaVida&#8221;. Caso a decis\u00e3o seja favor\u00e1vel ao parlamento catarinense, ela ser\u00e1 a diretriz para casos subsequentes. Isso fragiliza ainda mais os direitos dos povos origin\u00e1rios e a preserva\u00e7\u00e3o de terras ind\u00edgenas, j\u00e1 amea\u00e7adas pelo garimpo ilegal que s\u00f3 aumenta.<\/p>\n\n\n\n<figure><iframe src=\"https:\/\/www.instagram.com\/p\/CTC7VgxHXI1\/embed\/captioned\/?cr=1&amp;v=4&amp;wp=704&amp;rd=https%3A%2F%2Felle.com.br&amp;rp=%2Fmoda%2Fde-onde-vem-o-ouro-da-joalheria-brasileira#%7B%22ci%22%3A0%2C%22os%22%3A39192%2C%22ls%22%3A551%2C%22le%22%3A611%7D\" allowfullscreen=\"true\" height=\"1257\"><\/iframe><\/figure>\n\n\n\n<p>Segundo o&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.escolhas.org\/mais-de-6-milhoes-de-hectares-dentro-de-terras-indigenas-e-unidades-de-conservacao-na-amazonia-estao-ameacados-pela-busca-pelo-ouro\/\" rel=\"noreferrer noopener\" target=\"_blank\">Instituto Escolhas,<\/a>&nbsp;o ano de 2020 registrou recorde de pedidos na ANM para explorar ouro em terras ind\u00edgenas ou em unidades de conserva\u00e7\u00e3o. S\u00e3o mais de 6,2 milh\u00f5es de hectares de terras amea\u00e7adas, sendo que&nbsp;<a href=\"http:\/\/www.lagesa.org\/wp-content\/uploads\/documents\/Manzolli_Rajao_21_Ilegalidade%20cadeia%20do%20Ouro.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">aproximadamente 1,2 j\u00e1 foram desmatados em detrimento da minera\u00e7\u00e3o entre 2005 e 2015<\/a>.&nbsp;\u00d3rg\u00e3os respons\u00e1veis por fiscaliza\u00e7\u00e3o e monitoramento, como INPE e IBAMA, tamb\u00e9m diminu\u00edram sua atua\u00e7\u00e3o.<br><\/p>\n\n\n\n<p>O impacto n\u00e3o \u00e9 sentido apenas na natureza. Existe a contamina\u00e7\u00e3o por merc\u00fario, qu\u00edmico utilizado pelos garimpeiros na separa\u00e7\u00e3o do ouro. Ele permanece nas \u00e1guas e solo, causando danos \u00e0 sa\u00fade de moradores locais, comunidades ind\u00edgenas e ribeirinhas e dos pr\u00f3prios profissionais do garimpo. Um estudo da Fiocruz e do Instituto Socioambiental (ISA), de 2016, revelou que,&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.amazoniasocioambiental.org\/pt-br\/radar\/imagens-mostram-avanco-do-garimpo-ilegal-na-amazonia-em-2019\/\" rel=\"noreferrer noopener\" target=\"_blank\">em algumas aldeias Yanomami o \u00edndice de pessoas contaminadas por merc\u00fario chegava a 92%<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p>No quesito socioecon\u00f4mico, boa parte dos garimpeiros est\u00e3o em situa\u00e7\u00e3o de vulnerabilidade social, e Larissa afirma que &#8221;a extra\u00e7\u00e3o de ouro na Amaz\u00f4nia n\u00e3o traz desenvolvimento significativo&#8221;, como constatado em&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.escolhas.org\/wp-content\/uploads\/Sum%C3%A1rio-Executivo-Qual-o-real-impacto-socioecon%C3%B4mico-da-explora%C3%A7%C3%A3o-de-ouro-e-diamantes-na-Amaz%C3%B4nia-.pdf\" rel=\"noreferrer noopener\" target=\"_blank\">pesquisas recentes do Instituto<\/a>. Pelo contr\u00e1rio, o contexto \u00e9 repleto de viol\u00eancia, condi\u00e7\u00f5es prec\u00e1rias de trabalho e baixa remunera\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">E O QUE ISSO TEM A VER COM O MERCADO DE JOIAS NACIONAL?<br><\/h3>\n\n\n\n<p>Joalherias n\u00e3o t\u00eam permiss\u00e3o legal para comprar ouro direto da fonte, ou seja, do garimpo. Como j\u00e1 dito, \u00e9 necess\u00e1rio um agente intermedi\u00e1rio: um fornecedor, sejam as DTVMs, mineradoras ou refinarias. Contudo, a terceiriza\u00e7\u00e3o n\u00e3o pode nem deve ser excludente de responsabilidade na manuten\u00e7\u00e3o e incentivo a pr\u00e1ticas ambiental e socialmente respons\u00e1veis. Ainda mais em um mercado que&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.mckinsey.com\/industries\/retail\/our-insights\/state-of-fashion-watches-and-jewellery\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">movimenta 330 bilh\u00f5es de d\u00f3lares por ano<\/a>.<br><\/p>\n\n\n\n<p>E algumas marcas j\u00e1 perceberam isso. A&nbsp;<strong>Vivara<\/strong>, maior rede de joalheria do Brasil, fundada em 1962, afirma que seu ouro \u00e9 proveniente de minas brasileiras da regi\u00e3o de Minas Gerais e Goi\u00e1s. Eles compram exclusivamente da AngloGold Ashanti Brasil, que produz 15% do ouro extra\u00eddo pela companhia globalmente. A multinacional afirmou \u00e0 ELLE que vende apenas para a Vivara e isso corresponde de 3 a 5% da sua produ\u00e7\u00e3o total.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>&#8221;Trabalhamos com foco na economia circular e com o ouro obtido da renova\u00e7\u00e3o de joias de nossos clientes&#8221;, diz Otavio Lyra, CFO da Vivara. Segundo o executivo, desde 2020, existe um&nbsp;<a href=\"https:\/\/ri.vivara.com.br\/governanca-corporativa\/estatuto-e-politicas\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">C\u00f3digo de Conduta de Fornecedores<\/a>, s\u00e3o realizadas auditorias, fiscaliza\u00e7\u00f5es e checagens de reputa\u00e7\u00e3o no processo de homologa\u00e7\u00e3o dos fornecedores diretos.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>A&nbsp;<strong>H.Stern<\/strong>&nbsp;informou via e-mail que, desde 1975, realiza a a\u00e7\u00e3o de reaproveitamento do ouro dos clientes, os chamados Trunk Shows. O evento costumava acontecer com datas marcadas em cada loja do pa\u00eds, para que os consumidores levassem suas joias e pensassem, em conjunto, na constru\u00e7\u00e3o de novas pe\u00e7as. A partir de 2020, no contexto pand\u00eamico, a a\u00e7\u00e3o passou a valer continuamente.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Carla Amorim<\/strong>, joalheria atuante desde 1993, comprava de DTVMs at\u00e9 meados de 2013, mas atualmente s\u00f3 adquire de mineradoras e refinarias. Em entrevista, a diretora da marca, Kelly Amorim, diz que procuram realizar visitas \u00e0s minas e que a empresa utiliza algumas certifica\u00e7\u00f5es internacionais.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Fernando Jorge<\/strong>, fundada em 2008 e focada nas vendas de atacado internacional, diz que, atualmente, s\u00f3 compra o ouro de uma refinaria de um grupo belga operante em Manaus, chamado Umicore. A reportagem de ELLE tentou contato com a empresa, mas n\u00e3o obteve retorno.&nbsp;<strong>Renata Jorge<\/strong>, s\u00f3cia de Fernando Jorge, diz que transpar\u00eancia sempre foi algo buscado pela marca, mas dif\u00edcil de atingir, dada a falta de rastreabilidade e fiscaliza\u00e7\u00e3o do ouro. Eles j\u00e1 iniciaram projetos com organiza\u00e7\u00f5es do setor, mas n\u00e3o houve continuidade por parte das institui\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8221;Acho que n\u00e3o vamos conseguir acabar com a extra\u00e7\u00e3o de ouro no mundo e sempre foi uma frustra\u00e7\u00e3o, para n\u00f3s, n\u00e3o encontrar uma solu\u00e7\u00e3o na origem do problema. E sempre haver\u00e1 impacto. Tamb\u00e9m nunca foi suficiente pensar s\u00f3 em reciclagem, ningu\u00e9m joga o ouro fora&#8221;, compartilha Renata, ao afirmar que v\u00ea cada vez mais marcas e consumidores questionando o mercado.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img data-recalc-dims=\"1\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/elle.com.br\/media-library\/eyJhbGciOiJIUzI1NiIsInR5cCI6IkpXVCJ9.eyJpbWFnZSI6Imh0dHBzOi8vYXNzZXRzLnJibC5tcy8yNzI5NTM4NS9vcmlnaW4ucG5nIiwiZXhwaXJlc19hdCI6MTY2OTM0MTA3MH0.0OiGWRK9v0qjy9f-4pnmwx6asiCLtHIztsab0smQvFU\/image.png?w=600&#038;ssl=1\" alt=\"\"\/><\/figure>\n\n\n\n<p>Assim como em outras \u00e1reas, o tratamento e poder de atua\u00e7\u00e3o variam muito de acordo com o tamanho das marcas. Grandes e m\u00e9dias empresas t\u00eam maior poder de negocia\u00e7\u00e3o e conseguem realizar compras mais facilmente com mineradoras e refinarias, que por sua vez podem garantir certa rastreabilidade e transpar\u00eancia. Estas normalmente exigem um pr\u00e9-cadastro, volume maior de aquisi\u00e7\u00e3o e t\u00eam processos mais longos ou burocr\u00e1ticos. Para os pequenos neg\u00f3cios, as alternativas se resumem \u00e0s DTVMs ou reutiliza\u00e7\u00e3o do ouro de pessoas f\u00edsicas, clientes ou n\u00e3o.<br><\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 o caso da marca ga\u00facha&nbsp;<strong>Eduarda Brunelli<\/strong>, em que a produ\u00e7\u00e3o \u00e9 enxuta e, \u00e0s vezes, sob demanda. Ela diz que se considera &#8221;uma consumidora de ouro&#8221; e acreditava que comprar de uma DTVM, que oferece nota fiscal e seguro, era sua &#8221;comprova\u00e7\u00e3o de um metal rastreado, puro e dentro da lei&#8221;. Com o tempo, percebeu que isso n\u00e3o \u00e9 garantia, mas diz ainda n\u00e3o ter estrutura para comprar o metal de outra forma. Atualmente, Eduarda compra da DTVM Ourominas.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Livia Bassi<\/strong>, joalheria paulistana, tem um sistema de reutiliza\u00e7\u00e3o de mat\u00e9ria-prima e, por isso, compra menos ouro de empresas. Quando o faz, \u00e9 da Parmetal, uma DTVM. A empreendedora tamb\u00e9m pensava que ter a nota fiscal era uma garantia, mas viu que &#8221;entre a extra\u00e7\u00e3o da natureza e a nota existe uma longa hist\u00f3ria, e o min\u00e9rio pode ter sido extra\u00eddo ilegalmente.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p>Na&nbsp;<strong>Iracema<\/strong>, marca de S\u00e3o Paulo, sua fundadora&nbsp;<strong>Mariana Gouveia<\/strong>&nbsp;afirma que tamb\u00e9m compra de uma DTVM, mas tem investido nos processos de circularidade e incentiva as clientes a utilizarem seu pr\u00f3prio ouro. Para ela, a quest\u00e3o da cadeia produtiva do min\u00e9rio \u00e9 complexa, &#8221;porque as empresas n\u00e3o abrem seus processos, n\u00e3o \u00e9 algo transparente e acabamos ficando ref\u00e9ns do mercado&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>J\u00e1&nbsp;<strong>L\u00edvia Basile<\/strong>, que fundou a&nbsp;<strong>Mamacoca<\/strong>&nbsp;em 2012, compra seu ouro apenas de clientes ou de pessoas f\u00edsicas, justamente porque diz entender os problemas da cadeia do ouro. Dessa forma, ela, que sempre gostou da joalheria pelo seu princ\u00edpio alqu\u00edmico, acredita minimizar os impactos socioambientais. &#8221;Onde ele estava antes n\u00e3o sei, mas garanto que n\u00e3o precisou sair da terra para virar uma pe\u00e7a nova&#8221;, explica.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">A RESPONSABILIDADE E OS DESAFIOS DAS JOALHERIAS<\/h3>\n\n\n\n<p>O setor privado, como uma parte atuante e muitas vezes benefici\u00e1ria do ouro, tem responsabilidades. Contudo, algumas marcas sequer sabem como funciona a cadeia do min\u00e9rio. Outras escolhem ignor\u00e1-la. Felizmente, existem aquelas que se interessam pela pauta e dizem buscar pr\u00e1ticas de compra e produ\u00e7\u00e3o mais \u00e9ticas.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>L\u00edvia Bassi afirma que compartilha informa\u00e7\u00f5es sobre o metal com sua rede de seguidores. Para ela, o consumidor deve cobrar e colocar press\u00e3o nas institui\u00e7\u00f5es equivalentes. A vis\u00e3o \u00e9 consonante com a de L\u00edvia Basile, da Mamacoca, que acredita que as joalherias precisam educar seu p\u00fablico, n\u00e3o parar de pesquisar sobre o tema e criar uma rede coletiva para demandar mudan\u00e7as.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8221;Indico se juntar aos seus semelhantes, conhecer outros joalheiros, conhecer as refinadoras, comprar ouro que j\u00e1 existe. Precisamos fazer press\u00e3o no ambiente privado e cobrar das corpora\u00e7\u00f5es, pois elas quem influenciam as campanhas presidenciais&#8221;, diz Basile.<\/p>\n\n\n\n<figure><iframe src=\"https:\/\/www.instagram.com\/p\/CSSI2XkFz2E\/embed\/?cr=1&amp;v=13&amp;wp=704&amp;rd=https%3A%2F%2Felle.com.br&amp;rp=%2Fmoda%2Fde-onde-vem-o-ouro-da-joalheria-brasileira#%7B%22ci%22%3A1%2C%22os%22%3A69601%2C%22ls%22%3A551%2C%22le%22%3A611%7D\" allowfullscreen=\"true\" height=\"647\"><\/iframe><\/figure>\n\n\n\n<p>Como um impeditivo para utilizar uma mat\u00e9ria prima de origem confi\u00e1vel, Eduarda Brunelli cita a falta de transpar\u00eancia. &#8221;Me considero uma marca que busca os procedimentos corretos, respons\u00e1veis. Mas n\u00e3o consigo ir na empresa que extrai ou me vende o ouro para ver o que acontece, n\u00e3o temos esse acesso&#8221;, compartilha. &#8221;\u00c9 um problema maior do que uma \u00fanica empresa, est\u00e1 enraizado no mercado.&#8221;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Kelly Amorim diz concordar. Segundo a diretora, a informalidade do mercado de joias brasileiro \u00e9 um aditivo para a falta de rastreabilidade. Ela acredita que comprar de uma DTVM \u00e9 o caminho mais f\u00e1cil, mas n\u00e3o a melhor op\u00e7\u00e3o. &#8221;Economicamente parece vantajoso, pois \u00e9 mais barato, mas a que custo? A cadeia \u00e9 longa, se um comprador de ouro ilegal acha que pode se apresentar como um produto que tem valor, eu n\u00e3o vejo dessa forma.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p>O garimpo ilegal s\u00f3 existe, continua Kelly, pois tem um comprador final. Ela ainda destaca que para pequenas marcas sa\u00edrem dessa din\u00e2mica o caminho \u00e9 mais tortuoso. &#8221;Quem tem mais d\u00e1 mais. No in\u00edcio, os menores compram de DTVM, mas, conforme voc\u00ea vai avan\u00e7ando no mercado, sua responsabilidade \u00e9 maior&#8221;, acredita. Como conselho para as joalherias, ela diz: &#8221;todos devem vigiar seu voto e ficar atento \u00e0s causas que levanta. \u00c9 um processo de consci\u00eancia, mas \u00e9 imposs\u00edvel que a ilegalidade se perpetue.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<figure><iframe src=\"https:\/\/www.instagram.com\/p\/CQUFDg_Het4\/embed\/?cr=1&amp;v=13&amp;wp=704&amp;rd=https%3A%2F%2Felle.com.br&amp;rp=%2Fmoda%2Fde-onde-vem-o-ouro-da-joalheria-brasileira#%7B%22ci%22%3A2%2C%22os%22%3A71652%2C%22ls%22%3A551%2C%22le%22%3A611%7D\" allowfullscreen=\"true\" height=\"559\"><\/iframe><\/figure>\n\n\n\n<p>Como pesquisadora, Larissa diz que as joalherias precisam se fortalecer como classe, para cobrar dos \u00f3rg\u00e3os necess\u00e1rios o rastreio e a fiscaliza\u00e7\u00e3o. Entretanto, afirma n\u00e3o ver tal movimenta\u00e7\u00e3o e diz que &#8221;estamos longe de ter uma consci\u00eancia de como \u00e9 importante adquirir ouro legalmente&#8221;. Esse foi um dos impulsos para o Instituto Escolhas criar um projeto de lei, protocolado em mar\u00e7o deste ano no Senado, que desenha um sistema de rastreabilidade do min\u00e9rio.&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.escolhas.org\/ourodaamazonia-tofora\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Para conhecer e apoiar, acesse aqui.&nbsp;<\/a><br><\/p>\n\n\n\n<p>&#8221;Enquanto n\u00e3o houver um sistema como esse, n\u00e3o poderemos saber de onde vem o ouro e n\u00e3o teremos como combater as fraudes&#8221;, continua ela. A necessidade da transi\u00e7\u00e3o para os sistemas digitais nas transa\u00e7\u00f5es do ouro desde o in\u00edcio da cadeia, junto a um sistema de rastreio, s\u00e3o alguns dos pontos chave elencados pela pesquisadora para acabar com a ilegalidade. Ela acredita que \u00e9 preciso unir for\u00e7as entre sociedade civil, organiza\u00e7\u00f5es e empresas privadas para impulsionar e fazer press\u00e3o para que tais etapas sejam efetivadas.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">\u00c9 POSS\u00cdVEL PRODUZIR DE MANEIRA SUSTENT\u00c1VEL?<\/h3>\n\n\n\n<p>Qualquer atividade extrativista, legal ou ilegal, impacta a natureza e as comunidades de pessoas ao seu entorno. O que existem s\u00e3o discuss\u00f5es acerca da finalidade da extra\u00e7\u00e3o, dada \u00e0 crise clim\u00e1tica iminente, ou se \u00e9 poss\u00edvel minimizar as consequ\u00eancias por meio de procedimentos como licenciamento correto ou compensa\u00e7\u00f5es ambientais.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>No caso das joalherias, a reutiliza\u00e7\u00e3o pode ser apontada como uma alternativa de produ\u00e7\u00e3o mais respons\u00e1vel, j\u00e1 que n\u00e3o extrai o min\u00e9rio diretamente da terra. \u00c9 a solu\u00e7\u00e3o utilizada por muitas marcas que levam a sustentabilidade como bandeira, inclusive. Outra possibilidade para remediar o impacto seria adquirir o ouro apenas de minas, sem intermedi\u00e1rios, mas \u00e9 algo que tamb\u00e9m gera consequ\u00eancias negativas.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img data-recalc-dims=\"1\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/elle.com.br\/media-library\/eyJhbGciOiJIUzI1NiIsInR5cCI6IkpXVCJ9.eyJpbWFnZSI6Imh0dHBzOi8vYXNzZXRzLnJibC5tcy8yNzI5Njc3Mi9vcmlnaW4ucG5nIiwiZXhwaXJlc19hdCI6MTY5MzI0NjAzOH0.W7WBCGYKFphLrGqgsi5AbDWF_OPwVqux2SoZGc5mu1E\/image.png?w=600&#038;ssl=1\" alt=\"\"\/><\/figure>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\"><li><\/li><\/ul>\n\n\n\n<p>Na tentativa de oferecer uma garantia sobre seu metal, muitas joalherias recorrem aos certificados. No Brasil, por\u00e9m, eles praticamente n\u00e3o existem. Larissa desconhece algum nacional de proced\u00eancia do ouro. Todos os utilizados por marcas brasileiras s\u00e3o internacionais. Responsible Jewellery Council (que tem a Vivara como \u00fanica contemplada brasileira), a Responsible Minerals Initiative (RMI), a London Bullion Market Association (LBMA), a Initiative for Responsible Mining Assurance (IRMA), a Swiss Better Gold Association, a Fairtrade Foundation (Reino Unido), a World Fair Trade Organization, s\u00f3 para citar alguns. O problema das certifica\u00e7\u00f5es \u00e9 que voc\u00ea, normalmente, n\u00e3o v\u00ea as opera\u00e7\u00f5es. O consumidor e as marcas podem ficar sujeitos a acreditar, ou n\u00e3o, que as informa\u00e7\u00f5es s\u00e3o ver\u00eddicas.<br><\/p>\n\n\n\n<p>De novo, \u00e9 quest\u00e3o de transpar\u00eancia, rastreio, fiscaliza\u00e7\u00e3o e cobran\u00e7a. Essas a\u00e7\u00f5es, mais do que reciclar ou inserir boas pr\u00e1ticas espor\u00e1dicas, s\u00e3o o caminho contundente para que a ind\u00fastria joalheira assuma seu papel, mas lhes falta articula\u00e7\u00e3o enquanto setor comprador e vendedor de ouro. Ainda existe muito min\u00e9rio, selado pela ilegalidade e desmatamento, ocupando uma parcela grande do mercado e das joias que vemos nas vitrines ou feeds por a\u00ed. E isso \u00e9 um problema de todos n\u00f3s, de consumidores \u00e0 cidad\u00e3os, de empresas pequenas at\u00e9 grandes, se nos preocupamos realmente em manter os direitos dos povos origin\u00e1rios, a preserva\u00e7\u00e3o ambiental e a defesa dos direitos humanos.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Com um sistema extremamente fragmentado, uma cadeia opaca e sem m\u00e9todos de rastreabilidade eficazes, saber a proced\u00eancia desse min\u00e9rio pode ser uma miss\u00e3o \u00e1rdua em territ\u00f3rio nacional. Mas o que pode (e deve) ser feito? B\u00c1RBARA POERNER, na Elle<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_exactmetrics_skip_tracking":false,"_exactmetrics_sitenote_active":false,"_exactmetrics_sitenote_note":"","_exactmetrics_sitenote_category":0,"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","enabled":false},"version":2}},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-32756","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-notas"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p7wKYW-8wk","jetpack-related-posts":[],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/32756","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=32756"}],"version-history":[{"count":4,"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/32756\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":32762,"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/32756\/revisions\/32762"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=32756"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=32756"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=32756"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}