{"id":32763,"date":"2021-08-31T17:00:09","date_gmt":"2021-08-31T21:00:09","guid":{"rendered":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/?p=32763"},"modified":"2021-08-31T17:00:16","modified_gmt":"2021-08-31T21:00:16","slug":"esta-2a-marca-o-dia-em-que-o-capital-disse-a-bolsonaro-tchau-querido","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/2021\/08\/31\/esta-2a-marca-o-dia-em-que-o-capital-disse-a-bolsonaro-tchau-querido\/","title":{"rendered":"Esta 2\u00aa marca o dia em que o capital disse a Bolsonaro: &#8220;Tchau, querido!&#8221;"},"content":{"rendered":"\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"600\" height=\"293\" data-attachment-id=\"32764\" data-permalink=\"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/2021\/08\/31\/esta-2a-marca-o-dia-em-que-o-capital-disse-a-bolsonaro-tchau-querido\/24f1350f-2680-4a98-9922-71270dbf328e\/\" data-orig-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2021\/08\/24F1350F-2680-4A98-9922-71270DBF328E.jpeg?fit=615%2C300\" data-orig-size=\"615,300\" data-comments-opened=\"0\" data-image-meta=\"{&quot;aperture&quot;:&quot;0&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;0&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;0&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;0&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0&quot;,&quot;title&quot;:&quot;&quot;,&quot;orientation&quot;:&quot;1&quot;}\" data-image-title=\"24F1350F-2680-4A98-9922-71270DBF328E\" data-image-description=\"\" data-image-caption=\"\" data-medium-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2021\/08\/24F1350F-2680-4A98-9922-71270DBF328E.jpeg?fit=300%2C146\" data-large-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2021\/08\/24F1350F-2680-4A98-9922-71270DBF328E.jpeg?fit=600%2C293\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2021\/08\/24F1350F-2680-4A98-9922-71270DBF328E.jpeg?resize=600%2C293\" alt=\"\" class=\"wp-image-32764\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2021\/08\/24F1350F-2680-4A98-9922-71270DBF328E.jpeg?w=615 615w, https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2021\/08\/24F1350F-2680-4A98-9922-71270DBF328E.jpeg?resize=300%2C146 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 600px) 100vw, 600px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Por Reinaldo Azevedo<\/strong> &#8211; Acabou o amor. O grande capital produtivo e o financeiro n\u00e3o querem mais saber de\u00a0<a href=\"https:\/\/noticias.uol.com.br\/politica\/governo-bolsonaro\/\">Jair Bolsonaro<\/a>. Custaram a perceber o compromisso do presidente com o desastre? Acho que sim. No fundo, ca\u00edram na mesma ilus\u00e3o dos generais da ativa e da reserva. Como assim?<\/p>\n\n\n\n<!--more-->\n\n\n\n<p>Os donos do dinheiro imaginaram que o presidente iria mesmo terceirizar a economia para a&nbsp;<a href=\"https:\/\/economia.uol.com.br\/paulo-guedes\/\">Paulo Guedes<\/a>. Realizada essa opera\u00e7\u00e3o, a\u00ed bastaria, vamos dizer, manter sob controle o ministro da Economia. E pronto. A turma oriunda da caserna tamb\u00e9m fez aposta semelhante: eles tocariam os grandes projetos de infraestrutura, retirando o que imaginavam ser as m\u00e3os sujas dos pol\u00edticos da coisa p\u00fablica.<\/p>\n\n\n\n<p>E Bolsonaro? Ah, seria um animador de audit\u00f3rio. Enquanto, ent\u00e3o, a m\u00e3o invis\u00edvel do mercado e a m\u00e3o pesada da milicada iriam &#8220;mudando o Brasil&#8221;, o palha\u00e7o se encarregaria de animar o sal\u00e3o. Cren\u00e7a tola de uns: &#8220;Guedes \u00e9 a \u00e2ncora de confiabilidade, e, portanto, o presidente n\u00e3o ousar\u00e1 confront\u00e1-lo&#8221;. Cren\u00e7a tola de outros: &#8220;Somos todos militares, e, no fim das contas, vai se preservar o senso de hierarquia. O capit\u00e3o \u00e9 destrambelhado, mas vai se comportar, e n\u00f3s sabemos o que \u00e9 bom para o Brasil&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 curioso, mas, nas contas dos endinheirados e dos militares, n\u00e3o entraram o Congresso e o Supremo. E, claro!, a pandemia n\u00e3o estava no radar de ningu\u00e9m. Mas a hist\u00f3ria \u00e9 assim mesmo, n\u00e3o \u00e9? Existem os imprevistos e o imponder\u00e1vel. A prop\u00f3sito: o Estado n\u00e3o surgiu para responder ao previs\u00edvel, mas para enfrentar o imprevis\u00edvel. Diante do incerto, h\u00e1 de valer o que est\u00e1 pactuado.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>INVENTOU OS INIMIGOS<\/strong><br>N\u00e3o que o Congresso tenha criado grandes dificuldades para o presidente. Essa \u00e9 uma baita lorota. Tampouco as criou o Judici\u00e1rio. Ao contr\u00e1rio: nos momentos em que o Executivo realmente precisou do concurso dos dois Poderes, eles compareceram. Ou teria sido imposs\u00edvel enfrentar a pandemia sem o caos social. Sim, est\u00e3o a\u00ed quase 700 mil mortos. Deixadas as coisas para Bolsonaro-Guedes, lutar\u00edamos, a esta altura, uns contra os outros com paus e pedras.<\/p>\n\n\n\n<p>Nem a turma de grana nem os oriundos dos quart\u00e9is imaginavam que Bolsonaro iria, digamos, governar&#8230; Apostaram que ele faria o que nunca havia feito antes ao longo de 28 anos de mandato na C\u00e2mara: render-se a quem sabe mais do que ele e aprender com a experi\u00eancia. Em nenhum momento, nestes dois anos e oito meses de mandato, deixou de ser aquele parlamentar ex\u00f3tico, que falava o que lhe desse na telha \u2014 e, invariavelmente, a coisa errada.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>AS MIL\u00cdCIAS DIGITAIS<\/strong><br>Todos eles foram surpreendidos pela vincula\u00e7\u00e3o estreita que o presidente decidiu manter com uma aguerrida milit\u00e2ncia de extrema direita que as redes sociais tiraram da toca. V\u00e1 l\u00e1: talvez o termo &#8220;milit\u00e2ncia&#8221; n\u00e3o seja t\u00e3o preciso porque essa horda n\u00e3o tinha organicidade, n\u00e3o estava conectada, obedecendo a palavras de ordem.<\/p>\n\n\n\n<p>Tratava-se de uma mir\u00edadE de burrices reacion\u00e1rias, atrasadas, truculentas, que acabaram encontrando o seu l\u00edder. Com a ajuda do tal &#8220;guru&#8221;, essa gente ousou tamb\u00e9m construir at\u00e9 uma metaf\u00edsica, um sistema de cren\u00e7as. E, contra a previs\u00e3o da turma da grana e da dos generais, formou-se uma mil\u00edcia digital, que tamb\u00e9m se manifesta nas ruas, muito pouco interessada na efici\u00eancia, na governan\u00e7a, na tal &#8220;pauta liberal&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>A hist\u00f3ria de que, pela primeira vez, &#8220;conservadores se juntariam a liberais&#8221; para impor uma nova din\u00e2mica na vida econ\u00f4mica brasileira \u00e9 s\u00f3 um del\u00edrio tolo de Paulo Guedes. O que ele chama &#8220;conservadores&#8221; s\u00e3o antediluvianos interessados em impor aos demais as suas estreitas e torpes ideias de moral e de bons costumes, transformando em dogmas inegoci\u00e1veis sua tacanhice ideol\u00f3gica e sua vis\u00e3o essencialmente autorit\u00e1ria e truculenta de poder: o l\u00edder, munido de bons prop\u00f3sitos, manda, e os demais obedecem.<\/p>\n\n\n\n<p>Durante a campanha eleitoral, Bolsonaro evidenciou mais de uma vez seu desapre\u00e7o pela democracia e por conquistas civilizat\u00f3rias nestes mais de 30 anos de redemocratiza\u00e7\u00e3o. N\u00e3o se limitava a ignorar os avan\u00e7os. Com frequ\u00eancia, fazia a apologia dos piores dias da ditadura, o que evidenciava pretens\u00f5es perigosas caso chegasse \u00e0 Presid\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<p>E ele n\u00e3o desistiu delas. Passou a investir no discurso golpista logo nas primeiras manifesta\u00e7\u00f5es. Com impressionante celeridade, come\u00e7ou a se desfazer de aliados inc\u00f4modos que ou evidenciavam a necessidade da pol\u00edtica \u2014 caso de Gustavo Bebianno \u2014 ou o compromisso com o profissionalismo e a racionalidade de Estado, como o general Santos Cruz.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 claro que os dois participaram da onda reacion\u00e1rio-conservadora que levou Bolsonaro ao poder. Mas tiveram a clareza, correta em si, de n\u00e3o confundir campanha eleitoral com gest\u00e3o de Estado. Foram banidos do poder como traidores. O presidente deixava claro que n\u00e3o aceitava a tutela nem mesmo das institui\u00e7\u00f5es e que iria se cercar apenas dos que n\u00e3o estavam dispostos a contradit\u00e1-lo. Bolsonaro, saibam, n\u00e3o \u00e9 do tipo que d\u00e1 ao interlocutor a licen\u00e7a de dizer a verdade. Toma-a como ofensa pessoal.<\/p>\n\n\n\n<p>O acordo com o centr\u00e3o, que parece estranho nessa trajet\u00f3ria, s\u00f3 se explica pelo receio de ser impichado. J\u00e1 imaginaram se, hoje, ele tivesse com o Congresso a rela\u00e7\u00e3o que mantinha em 2019, quando seus sect\u00e1rios, estimulados pelo pr\u00f3prio, iam para as ruas pedir a cabe\u00e7a do centr\u00e3o? \u00c9 evidente que j\u00e1 teria ca\u00eddo.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>O INEXPLIC\u00c1VEL PREVIS\u00cdVEL<\/strong><br>Sim, houve os sortil\u00e9gios da pandemia, mas a realidade pol\u00edtica poderia ser outra se, mesmo com todas as dificuldades em curso, Bolsonaro tivesse, vejam como escrevo, ADERIDO \u00c0 REALIDADE. Mas n\u00e3o! Aquele que chegou como express\u00e3o da horda de reacion\u00e1rios escolheu a mentira em vez da verdade, a fantasia em vez dos fatos, o charlatanismo em vez da ci\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<p>Qualquer um que ouse tentar explicar por que ele fez isso n\u00e3o encontrar\u00e1 uma resposta objetiva: ele fez essas op\u00e7\u00f5es porque \u00e9 esse o seu sistema de valores. \u00c9 um homem absolutamente convencido de todas as suas ignor\u00e2ncias.<\/p>\n\n\n\n<p>O pa\u00eds estaria, sim, em situa\u00e7\u00e3o dif\u00edcil ainda que tiv\u00e9ssemos um g\u00eanio da toler\u00e2ncia e da sensatez no comando da pol\u00edtica. Mas temos um ogro. A gest\u00e3o \u2014 e parte cai nas costas dos militares, sim \u2014 \u00e9 um desastre, e o renascimento econ\u00f4mico antevisto por Guedes na fus\u00e3o entre ditos liberais e conservadores n\u00e3o aconteceu. Ao contr\u00e1rio: o &#8220;Faria Loser&#8221; est\u00e1 hoje empenhado em fazer malabarismos para ver se Bolsonaro ganha uma folga eleitoral.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>HORA DE CAIR FORA<\/strong><br>Acabou a gra\u00e7a. Bolsonaro n\u00e3o cumpriu o que dele se esperava no arranjo: ser apenas um palha\u00e7o ret\u00f3rico do antiesquerdismo &#8212; j\u00e1 que, tamb\u00e9m nesse particular, ele tem muitos insultos a desferir e nenhuma ideia na cabe\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<p>O homem ousou governar e achou que tinha um plano. E seu plano de governo ainda \u00e9 &#8220;Brasil acima de tudo; Deus acima de todos&#8221;. Desde que ele pr\u00f3prio e seus filhos n\u00e3o sejam importunados pela Pol\u00edcia.<\/p>\n\n\n\n<p>Deu tudo errado. E n\u00e3o tinha como dar certo. O dinheiro grosso desembarcou. A tarefa de Bolsonaro era n\u00e3o atrapalhar os lucros. Ocorre que ele passou a dar preju\u00edzo.<\/p>\n\n\n\n<p>Que seja abandonado por pragmatismo, ainda que n\u00e3o por elevado senso de moral. Mesmo assim o Brasil agradece.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Reinaldo Azevedo &#8211; Acabou o amor. O grande capital produtivo e o financeiro n\u00e3o querem mais saber de\u00a0Jair Bolsonaro. Custaram a perceber o compromisso do presidente com o desastre? Acho que sim. No fundo, ca\u00edram na mesma ilus\u00e3o dos generais da ativa e da reserva. 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