{"id":32778,"date":"2021-09-06T08:50:52","date_gmt":"2021-09-06T12:50:52","guid":{"rendered":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/?p=32778"},"modified":"2021-09-06T08:50:56","modified_gmt":"2021-09-06T12:50:56","slug":"o-agro-rachou-agenda-ambiental-e-ameaca-golpista-expoem-divisao-antes-e-depois-da-porteira","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/2021\/09\/06\/o-agro-rachou-agenda-ambiental-e-ameaca-golpista-expoem-divisao-antes-e-depois-da-porteira\/","title":{"rendered":"O agro rachou? Agenda ambiental e amea\u00e7a golpista exp\u00f5em divis\u00e3o \u201cantes e depois da porteira\u201d"},"content":{"rendered":"\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"600\" height=\"360\" data-attachment-id=\"32779\" data-permalink=\"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/2021\/09\/06\/o-agro-rachou-agenda-ambiental-e-ameaca-golpista-expoem-divisao-antes-e-depois-da-porteira\/image_processing20210903-15128-1b6dtf1\/\" data-orig-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2021\/09\/image_processing20210903-15128-1b6dtf1.jpeg?fit=800%2C480\" data-orig-size=\"800,480\" data-comments-opened=\"0\" 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setembro, mas n\u00e3o se refletem no comportamento da bancada ruralista<\/h4>\n\n\n\n<!--more-->\n\n\n\n<p>Daniel GiovanazBrasil de Fato | S\u00e3o Paulo (SP)\u00a0 <\/p>\n\n\n\n<p>Enquanto ruralistas liderados pela&nbsp;<a href=\"http:\/\/www.aprosoja.com.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Associa\u00e7\u00e3o Brasileira dos Produtores de Soja<\/a>&nbsp;(Aprosoja)&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.nexojornal.com.br\/expresso\/2021\/08\/21\/Os-setores-do-agroneg%C3%B3cio-que-aderem-ao-golpismo-bolsonarista\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">aderem \u00e0 convocat\u00f3ria para os atos pr\u00f3-Bolsonaro no Dia da Independ\u00eancia<\/a>, sete entidades ligadas \u00e0 agroind\u00fastria publicam um&nbsp;<a href=\"https:\/\/congressoemfoco.uol.com.br\/economia\/o-manifesto-do-agro-em-defesa-da-democracia\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">manifesto em defesa da democracia<\/a>, afirmando que o Brasil \u201c\u00e9 maior e melhor que a imagem que temos projetado ao mundo.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>As duas not\u00edcias, que circulam paralelamente na imprensa brasileira, revelam diverg\u00eancias internas ao agroneg\u00f3cio.<\/p>\n\n\n\n<p>O&nbsp;<strong>Brasil de Fato&nbsp;<\/strong>ouviu pesquisadores e analistas para entender at\u00e9 onde v\u00e3o essas fissuras e como impactam o governo de Jair Bolsonaro (sem partido) e a democracia.<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o se trata de uma cis\u00e3o<\/p>\n\n\n\n<p>Em linhas gerais, os entrevistados concordam ao apontar que existem interesses corporativos e econ\u00f4micos diferentes \u201cantes e depois da porteira\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Em um primeiro grupo, estariam produtores de carne e gr\u00e3os, especialmente soja e milho, que s\u00e3o o p\u00fablico-alvo da maioria dos discursos de Bolsonaro.<\/p>\n\n\n\n<p>Essa parcela, onde se encontra a Aprosoja, defende com unhas e dentes pautas como a flexibiliza\u00e7\u00e3o da legisla\u00e7\u00e3o fundi\u00e1ria e das normas ambientais, al\u00e9m de posse e porte de armas no campo.<\/p>\n\n\n\n<p>Do outro lado da porteira, estariam transnacionais exportadoras de commodities, que adaptam o discurso \u00e0s exig\u00eancias ambientais impostas principalmente na Europa.<\/p>\n\n\n\n<p>Para essas entidades, interessa a estabilidade democr\u00e1tica e a constru\u00e7\u00e3o de uma imagem de respeito aos direitos humanos e ao meio ambiente \u2013 para tornar os produtos brasileiros mais valorizados no exterior e evitar qualquer tipo de san\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Esse olhar \u00e9 representado principalmente pela&nbsp;<a href=\"https:\/\/abag.com.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Associa\u00e7\u00e3o Brasileira do Agroneg\u00f3cio (ABAG)<\/a>&nbsp;\u2013 que articulou o manifesto citado no in\u00edcio da mat\u00e9ria.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cA ABAG representa o capital internacional ap\u00e1trida, que est\u00e1 preocupado com o mercado externo. E a gente sabe que o tema da sustentabilidade, capturado pelo capital, tem sido uma pauta cada vez mais importante l\u00e1 fora\u201d, ressalta Frederico Daia Firmiano, doutor em Ci\u00eancias Sociais, professor da Universidade do Estado de Minas Gerais (UEMG) e coordenador do Grupo de Estudos sobre Crise, Neodesenvolvimentismo e Direitos Sociais (GEIND).<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cA Aprosoja, que re\u00fane especialmente ruralistas da regi\u00e3o Centro-Oeste, tende a um alinhamento ideol\u00f3gico a Bolsonaro em certas mat\u00e9rias que a ABAG vai evitar. Por exemplo, a pauta do armamento dos latifundi\u00e1rios.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>As tens\u00f5es vieram a p\u00fablico a partir de abril de 2020, quando frigor\u00edficos e empresas exportadoras passaram a pressionar pela sa\u00edda do ent\u00e3o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles \u2013 que s\u00f3 deixaria o cargo 14 meses depois. Na \u00e9poca, o Brasil era not\u00edcia mundial devido aos recordes de desmatamento.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cA ABAG fez uma iniciativa de marketing e lan\u00e7ou junto \u00e0&nbsp;<a href=\"http:\/\/www.coalizaobr.com.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Coaliz\u00e3o Brasil Clima, Florestas e Agricultura<\/a>&nbsp;seis a\u00e7\u00f5es para supostamente coibir de maneira eficaz o desmatamento na Amaz\u00f4nia\u201d, lembra Luiz Felipe Cerqueira de Farias, doutor em Sociologia pela Universidade de S\u00e3o Paulo (USP). O contexto era de press\u00f5es por parte de empresas europeias, que amea\u00e7avam desinvestir em produtores de soja e gr\u00e3os e em t\u00edtulos do governo brasileiro.<\/p>\n\n\n\n<p>Em rea\u00e7\u00e3o a esse movimento, a Aprosoja rompeu com a ABAG.&nbsp; Segundo o ent\u00e3o presidente da entidade, Bartolomeu Braz, as exig\u00eancias ambientais impostas aos produtores extrapolavam o C\u00f3digo Florestal e visavam \u201cdifamar o agro\u201d no Brasil.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cA ABAG est\u00e1 falando a l\u00edngua principalmente dos setores mais vinculados ao mercado europeu, enquanto os produtores de soja t\u00eam como horizonte um mercado muito mais estrat\u00e9gico, que \u00e9 a China\u201d, interpreta Farias.<\/p>\n\n\n\n<p>Enquanto o grupo da ABAG teria mais poder de barganha no \u201candar de cima\u201d, quem faz mais barulho internamente s\u00e3o os produtores alinhados ao discurso da Aprosoja.<\/p>\n\n\n\n<p>Essa ret\u00f3rica, que se confunde com o pr\u00f3prio bolsonarismo em seu af\u00e3 populista e \u201cantissistema\u201d, tem penetra\u00e7\u00e3o nas redes sociais e ser\u00e1 colocada \u00e0 prova em atos como os de 7 de setembro.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cO documento produzido pelas entidades da agroind\u00fastria em defesa da democracia foi uma manifesta\u00e7\u00e3o expl\u00edcita de que essa ruptura institucional, sinalizada o tempo todo por Bolsonaro, tem um limite\u201d, analisa Pedro Cassiano de Oliveira, doutor em Hist\u00f3ria Social e pesquisador da quest\u00e3o agr\u00e1ria no Brasil.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201c\u00c9 interessante ver quem assinou esse documento: s\u00e3o produtores ligados, sobretudo, ao capital financeiro \u2013 ind\u00fastria de \u00f3leo vegetal, de tecnologia em nutri\u00e7\u00e3o vegetal, de celulose, de produtores de \u00f3leo de palma. S\u00e3o, de fato, mais ligados ao mercado externo, e que por isso mesmo est\u00e3o preocupados com esse tensionamento institucional.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>Mudan\u00e7a de eixo<\/p>\n\n\n\n<p>A ABAG assumiu a lideran\u00e7a da Coaliz\u00e3o Brasil Clima, Florestas e Agricultura em 2015. Desde ent\u00e3o, vem liderando os esfor\u00e7os para colar a imagem do agro \u00e0 sustentabilidade.<\/p>\n\n\n\n<p>Por exemplo, o&nbsp;<a href=\"https:\/\/abag.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/08\/ANAIS-CongAbagB3-2021-1ppV2608.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">20\u00ba Congresso da Associa\u00e7\u00e3o, em agosto<\/a>, teve como tema \u201cNosso carbono \u00e9 verde\u201d e demarcou a posi\u00e7\u00e3o da entidade contra flexibiliza\u00e7\u00f5es no C\u00f3digo Florestal \u2013 demandadas v\u00e1rias vezes este ano por parlamentares da bancada ruralista.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cOs anais do evento mostram que a ABAG aposta nesse \u2018verniz verde\u2019, na linha de que \u00e9 poss\u00edvel garantir o aumento da produtividade e o avan\u00e7o do agroneg\u00f3cio com sustentabilidade. Eles defendem a entrada do Brasil no&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.brasildefato.com.br\/2019\/12\/27\/lucro-para-desmatar-lucro-para-reflorestar-a-amazonia-no-mercado-de-carbono\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">mercado de carbono<\/a>, a manuten\u00e7\u00e3o de algumas reservas florestais, e um m\u00ednimo consenso com rela\u00e7\u00e3o \u00e0s queimadas\u201d, ressalta Oliveira.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img data-recalc-dims=\"1\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/images03.brasildefato.com.br\/f9ea0f36f6d3b5ff7e0d1a861c7291ff.jpeg?w=600&#038;ssl=1\" alt=\"\"\/><\/figure>\n\n\n\n<p><br>Setores do agroneg\u00f3cio financiam os atos de 7 de setembro, enquanto outros lan\u00e7am nota em defesa da democracia \/ Reprodu\u00e7\u00e3o \/ Twitter<\/p>\n\n\n\n<p>A vit\u00f3ria eleitoral de Donald Trump nos EUA, em 2016, representou a ascens\u00e3o de um discurso de questionamento \u00e0s metas clim\u00e1ticas e de negacionismo aos efeitos da a\u00e7\u00e3o humana no aquecimento global. Bolsonaro, dois anos depois, foi eleito na mesma onda.<\/p>\n\n\n\n<p>O aumento do conservadorismo se refletiu na dire\u00e7\u00e3o das entidades, especialmente da Aprosoja, com a elei\u00e7\u00e3o dos bolsonaristas Bartolomeu Braz, em 2018, e do atual presidente Antonio Galvan, em 2021.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cBolsonaro reacendeu o conte\u00fado mais sombrio dessa turma [agroneg\u00f3cio], que vinha sendo mais ou menos ofuscado. Por isso, eles est\u00e3o com toda essa desenvoltura, financiando os atos de 7 de setembro, e por a\u00ed vai\u201d, analisa Gerson Teixeira, diretor da Associa\u00e7\u00e3o Brasileira de Reforma Agr\u00e1ria (ABRA) e integrante do n\u00facleo agr\u00e1rio do PT na C\u00e2mara dos Deputados.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cEsse pessoal n\u00e3o tem limite e despreza a democracia. \u00c9 uma retomada da UDR [Uni\u00e3o Democr\u00e1tica Ruralista] em seus tempos mais \u2018gloriosos\u2019, entre aspas, claro.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>A UDR, a que Teixeira se refere,&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.brasildefato.com.br\/2018\/10\/26\/o-que-e-a-udr-e-quem-e-nabhan-garcia-cotado-para-ser-ministro-de-bolsonaro\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">surgiu nos anos 1960 como rea\u00e7\u00e3o organizada e violenta dos grandes propriet\u00e1rios de terras aos movimentos populares do campo<\/a>&nbsp;que defendiam a reforma agr\u00e1ria.<\/p>\n\n\n\n<p>Conforme relat\u00f3rio da Comiss\u00e3o Parlamentar Mista de Inqu\u00e9rito (CPMI) da Terra, a organiza\u00e7\u00e3o liderada pelo pecuarista Nabhan Garcia foi respons\u00e1vel pela forma\u00e7\u00e3o de mil\u00edcias armadas contra camponeses.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cDesde, pelo menos, o governo Lula, ABAG e CNA [Confedera\u00e7\u00e3o Nacional da Agricultura] t\u00eam um lugar muito importante no governo. Roberto Rodrigues, pela ABAG, foi ministro [da Agricultura] do Lula; Katia Abreu, pela CNA, foi ministra da Dilma\u201d, lembra Frederico Daia Firmiano.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cA vit\u00f3ria de Bolsonaro provocou uma cis\u00e3o, deslocando o centro da pol\u00edtica agr\u00e1ria para uma entidade retr\u00f3grada como a UDR. Prova disso \u00e9 o local que ocupa o Nabhan Garcia nesse governo [secret\u00e1rio especial de assuntos fundi\u00e1rios].\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>A CNA, citada pelo pesquisador, disputa o posto de porta-voz do agroneg\u00f3cio com a ABAG, mas prop\u00f5e adaptar a agenda ambiental \u00e0 \u201crealidade pr\u00e1tica\u201d dos produtores.<\/p>\n\n\n\n<p>Por exemplo, na pauta da devasta\u00e7\u00e3o da Amaz\u00f4nia e do Cerrado: a CNA&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.cnabrasil.org.br\/noticias\/cna-participa-de-webinar-sobre-questoes-climaticas-e-ambientais-do-acordo-mercosul-ue\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">reconhece a necessidade de frear o desmatamento ilegal&nbsp;<\/a>\u2013 com destaque para esse adjetivo \u2013, mas n\u00e3o prop\u00f5e aumentar o investimento em fiscaliza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Assista no Youtube:<\/strong>&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=E0rL6QnPDAU\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Debate &#8220;Agroneg\u00f3cio: um neg\u00f3cio global\u201d, promovido pela ABRA em parceria com a Friedrich-Ebert-Stiftung Brasil (FES Brasil)<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>\u201cA dire\u00e7\u00e3o da ABAG \u00e9 muito ligada ao capital financeiro, \u00e0s pautas que est\u00e3o \u2018depois da porteira\u2019, que envolvem JBS, Bayer. Ela sai na frente por ter uma proje\u00e7\u00e3o midi\u00e1tica mais eficaz, enquanto a CNA leva vantagem na capilaridade. Ela \u00e9 o sindicato patronal oficial dos produtores rurais, tem tributos sindicais e toda uma estrutura institucional de longa dura\u00e7\u00e3o [desde 1951]\u201d, explica Oliveira.<\/p>\n\n\n\n<p>O fator Biden e a press\u00e3o externa<\/p>\n\n\n\n<p>Ap\u00f3s surfar na onda de Trump, Bolsonaro levou um caldo em 2020, com a vit\u00f3ria do democrata Joe Biden. A elei\u00e7\u00e3o dos EUA&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.brasildefato.com.br\/2020\/11\/09\/biden-e-a-amazonia-manutencao-da-agenda-antiambiental-ou-nova-forma-de-intervencao\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">devolveu a hegemonia do discurso \u00e0s entidades alinhadas ao Acordo de Paris<\/a>&nbsp;e deixou o presidente brasileiro ainda mais isolado.<\/p>\n\n\n\n<p>Biden chegou a afirmar na campanha que a continuidade das rela\u00e7\u00f5es com o Brasil dependeria de mudan\u00e7as na gest\u00e3o ambiental para impedir a devasta\u00e7\u00e3o da Amaz\u00f4nia. Em uma c\u00fapula de l\u00edderes convocada por ele em abril, Bolsonaro moderou seu discurso e assumiu compromissos ambientais que, at\u00e9 ent\u00e3o, recha\u00e7ava.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cA derrota de Trump foi uma mudan\u00e7a fundamental na geopol\u00edtica e modificou os termos da concorr\u00eancia pol\u00edtica intranacional. Isso n\u00e3o significa que, no nosso lugar na divis\u00e3o internacional do trabalho, haja qualquer modifica\u00e7\u00e3o\u201d, pondera Firmiano.<\/p>\n\n\n\n<p>Na vis\u00e3o dele, a demiss\u00e3o do ministro&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.brasildefato.com.br\/2021\/06\/23\/ricardo-salles-esta-fora-do-ministerio-do-meio-ambiente\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Ricardo Salles<\/a>&nbsp;est\u00e1 ligada a essa modula\u00e7\u00e3o do discurso do governo.<\/p>\n\n\n\n<p>O diretor da ABRA, Gerson Teixeira minimiza o impacto das press\u00f5es externas para adequa\u00e7\u00e3o do Brasil a par\u00e2metros de sustentabilidade.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cA press\u00e3o vem principalmente da Europa e tem dois tipos. Uma, impregnada pelo protecionismo, e outra, que est\u00e1 preocupada mesmo com a origem dos produtos, porque sofre press\u00e3o dos consumidores\u201d, observa.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cPor\u00e9m, o crescimento dos produtos brasileiros no mercado europeu \u00e9 apenas residual. O que interessa \u00e9 o mercado asi\u00e1tico, e l\u00e1 n\u00e3o tem governo nem sociedade civil pressionando sobre a origem do produto que sai do Brasil. Est\u00e3o preocupados com a seguran\u00e7a alimentar deles.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>Das 48,3 milh\u00f5es de toneladas de soja comercializadas pelo Brasil, de janeiro a maio de 2021,&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.farmnews.com.br\/mercado\/compra-da-soja-do-brasil-pela-china\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">70,4% foram para a China<\/a>. O pa\u00eds asi\u00e1tico teve ainda&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.farmnews.com.br\/mercado\/principais-paises-importadores-de-carne-bovina-do-brasil-ate-junho-de-2021\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">participa\u00e7\u00e3o de 56% nas receitas de exporta\u00e7\u00e3o de carne bovina<\/a>&nbsp;no primeiro semestre.<\/p>\n\n\n\n<p>Quem hegemoniza a bancada ruralista<\/p>\n\n\n\n<p>O Brasil tem 47% de terras p\u00fablicas, sob controle do Estado. Cerca de 10% n\u00e3o est\u00e3o protegidas por demarca\u00e7\u00f5es ind\u00edgenas, unidades de conserva\u00e7\u00e3o ou assentamentos da reforma agr\u00e1ria.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cExiste um interesse generalizado da cadeia do agroneg\u00f3cio pela apropria\u00e7\u00e3o privada dessas terras p\u00fablicas\u201d, interpreta Luiz Felipe Cerqueira de Farias. N\u00e3o \u00e0 toa, s\u00e3o frequentes as tentativas, via Legislativo, de regulariza\u00e7\u00e3o das ocupa\u00e7\u00f5es ilegais na Amaz\u00f4nia.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cCom base nesse interesse, mobiliza-se todo tipo de viol\u00eancia caracter\u00edstico da forma\u00e7\u00e3o brasileira: fraude na titula\u00e7\u00e3o das terras, viol\u00eancia contra povos origin\u00e1rios, trabalho an\u00e1logo \u00e0 escravid\u00e3o\u201d, lembra.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cPor mais que surjam notas divergentes, que s\u00e3o fundamentalmente jogos para a plateia, para limpar a imagem do agroneg\u00f3cio brasileiro perante as empresas europeias, no fundo esse setor est\u00e1 vinculado a uma unidade de interesses comuns, que o bolsonarismo atende muito bem.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>Toda semana, Gerson Teixeira acompanha os debates da Comiss\u00e3o de Agricultura da C\u00e2mara. Na percep\u00e7\u00e3o dele, a narrativa montada pela ABAG para o mercado externo tem pouca penetra\u00e7\u00e3o entre os deputados da&nbsp;<a href=\"https:\/\/fpagropecuaria.org.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Frente Parlamentar Agropecu\u00e1ria (FPA)<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cN\u00e3o se observam essas divis\u00f5es aqui no Congresso. Considerando o agroneg\u00f3cio como um todo, tem a turma de dentro e de p\u00f3s-porteira. Esse pessoal da base prim\u00e1ria, no geral, reproduz a conduta da economia colonial. Tem uma minoria mais \u2018moderna\u2019, mas que n\u00e3o est\u00e1 disposta a meter a cara para um compromisso mais efetivo pela democracia, pela soberania\u201d, analisa.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cFPA, CNA, est\u00e3o todos ligad\u00edssimos ao Bolsonaro, e essa turma \u00e9 majorit\u00e1ria e hegemoniza. Nunca tem voto conflitante entre eles. Pode ser a pauta mais absurda: eles votam em bloco, como uma seita, uma religi\u00e3o. No Congresso, eles s\u00e3o um mon\u00f3lito.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>Entre os pontos de converg\u00eancia entre todos esses grupos, est\u00e3o a defesa de<a href=\"https:\/\/www.brasildefato.com.br\/2020\/12\/08\/agronegocio-pagou-apenas-r-16-3-mil-em-imposto-de-exportacao-durante-todo-2019\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">&nbsp;isen\u00e7\u00f5es fiscais e subs\u00eddios<\/a>, da libera\u00e7\u00e3o de agrot\u00f3xicos, da tese do \u201cmarco temporal\u201d para demarca\u00e7\u00e3o de terras ind\u00edgenas e da paralisa\u00e7\u00e3o da reforma agr\u00e1ria.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cN\u00e3o vejo, no geral, uma divis\u00e3o entre o agroneg\u00f3cio, ainda que tenha essas nuances, por conta da sensibilidade externa de alguns temas, como Amaz\u00f4nia. Mas, qual a rea\u00e7\u00e3o que esses setores ditos \u2018mais avan\u00e7ados\u2019 tiveram em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 aprova\u00e7\u00e3o do PL da Grilagem, por exemplo? Nenhuma\u201d, enfatiza o diretor da ABRA.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cNo m\u00e1ximo, tem umas entidades internacionais que mandam carta ao presidente da C\u00e2mara, dizendo que isso os desagrada, mas \u00e9 s\u00f3 isso.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>Esses limites vieram \u00e0 tona na&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=9YjP6rLlhi0\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">entrevista do presidente da ABAG Marcello Brito ao programa Roda Viva, da TV Cultura<\/a>, no \u00faltimo dia 30 de agosto. Questionado sobre o&nbsp;<a href=\"https:\/\/www12.senado.leg.br\/noticias\/audios\/2021\/07\/projeto-estabelece-meta-para-reducao-do-desmatamento-ilegal-ate-2025\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">projeto da senadora K\u00e1tia Abreu (PP-TO) para antecipar as metas de redu\u00e7\u00e3o de desmatamento ilegal de 2030 para 2025<\/a>, o dirigente disse que \u201ca ideia \u00e9 \u00f3tima, mas n\u00e3o vai acontecer.\u201d<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img data-recalc-dims=\"1\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/images01.brasildefato.com.br\/0b6cfd74cf858303f795b8adb05ebd56.jpeg?w=600&#038;ssl=1\" alt=\"\"\/><\/figure>\n\n\n\n<p><br>Deputada federal licenciada, Tereza Cristina \u00e9 nome de peso na FPA e fiadora do governo Bolsonaro \/ Marcelo Camargo\/Ag\u00eancia Brasil<\/p>\n\n\n\n<p>Frederico Daia Firmiano lembra que nem todos os debates entre ruralistas ocorrem em espa\u00e7os abertos a espectadores. \u201cA gente n\u00e3o assiste \u00e0s diverg\u00eancias p\u00fablicas da FPA. Ela \u00e9 o espa\u00e7o de interlocu\u00e7\u00e3o entre as entidades, e o que aparece ao p\u00fablico \u00e9 o consenso.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>O pesquisador Pedro Cassiano de Oliveira define a FPA como \u201ccoluna vertebral\u201d de veicula\u00e7\u00e3o das pautas do agroneg\u00f3cio.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cEla n\u00e3o s\u00f3 tem um bra\u00e7o de estudo, do IPA [Instituto Pensar Agropecu\u00e1ria], que tem t\u00e9cnicos e dinheiro para formular pol\u00edticas e pensar os projetos encaminhados ao Congresso, como tamb\u00e9m tem debaixo de sua asa a bancada ruralista. Seu capital pol\u00edtico \u00e9 muito grande, e ela est\u00e1 alinhada, sem d\u00favidas ao Bolsonaro \u2013 muito em fun\u00e7\u00e3o da presen\u00e7a da Tereza Cristina no governo.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>Ret\u00f3rica golpista e elei\u00e7\u00f5es de 2022<\/p>\n\n\n\n<p>A ministra da Agricultura \u00e9 oriunda da bancada ruralista e vista como fiadora do atual governo.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cA perman\u00eancia da Tereza Cristina representa a manuten\u00e7\u00e3o do apoio da FPA. Se ela desembarcar do governo, significar\u00e1 que se rompeu, de fato, o la\u00e7o entre setores importantes do agroneg\u00f3cio com Bolsonaro. Se isso n\u00e3o acontecer, esses setores seguem com ele, apesar das cr\u00edticas, at\u00e9 2022\u201d, prev\u00ea Oliveira.<\/p>\n\n\n\n<p>Conforme revelado pelo portal&nbsp;<em>The Intercept Brasil&nbsp;<\/em>em 21 de agosto,&nbsp;<a href=\"https:\/\/theintercept.com\/2021\/08\/21\/ruralistas-financiam-manifestacoes-golpistas-7-setembro\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">ruralistas est\u00e3o entre os financiadores dos atos pr\u00f3-Bolsonaro no Dia da Independ\u00eancia<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p>Os organizadores querem reunir at\u00e9 2 milh\u00f5es de pessoas em Bras\u00edlia nos dias pr\u00f3ximos ao feriado, com a inten\u00e7\u00e3o de que 10 mil permane\u00e7am acampadas por at\u00e9 um m\u00eas na capital federal.<\/p>\n\n\n\n<p>A reportagem deixa claro que a \u201cgenerosidade\u201d \u00e9 rec\u00edproca.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cBolsonaro mandou mais de R$ 121 milh\u00f5es para associa\u00e7\u00f5es, sindicatos rurais e cooperativas ligadas ao agroneg\u00f3cio, segundo levantamento que fizemos no Portal da Transpar\u00eancia. Sem licita\u00e7\u00e3o, patrocinou mais de uma d\u00fazia de feiras e eventos do setor, como a Agrotec Show Feira Agrotecnol\u00f3gica de Neg\u00f3cios, no Mato Grosso, e a 51\u00aa Exposi\u00e7\u00e3o e Feira Agropecu\u00e1ria de Castanhal, no Par\u00e1\u201d, diz o texto.<\/p>\n\n\n\n<p>Entre as benefici\u00e1rias, est\u00e1 a filial da Aprosoja no Mato Grosso.<\/p>\n\n\n\n<p>O capit\u00e3o d\u00e1 sinais de que aposta todas as suas fichas nos atos do dia 7. Durante uma das convocat\u00f3rias, disse que s\u00f3 enxerga tr\u00eas possibilidades para seu futuro: ser preso, morto ou a vit\u00f3ria.<\/p>\n\n\n\n<p>Enquanto o presidente estica a corda e vai para o tudo ou nada, a nota das entidades lideradas pela ABAG em defesa da democracia adota um tom moderado.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cEssa nota n\u00e3o teve nada de mais, \u00e9 uma coisa \u00f3bvia. Ao mesmo tempo, a gente teve a lideran\u00e7a do governo encaminhando, na reuni\u00e3o de l\u00edderes da C\u00e2mara, a aprova\u00e7\u00e3o do PL do Veneno, em fun\u00e7\u00e3o da press\u00e3o da FPA\u201d, observa Gerson Teixeira.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cA ABAG quer realmente ter um verniz mais avan\u00e7ado, em fun\u00e7\u00e3o da imagem internacional, mas h\u00e1 uma rela\u00e7\u00e3o de simbiose com a base do agroneg\u00f3cio que imp\u00f5e um limite. Eles n\u00e3o v\u00e3o fazer nada que implique em ruptura. S\u00f3 marcam posi\u00e7\u00e3o, nada mais que isso.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>Para Frederico Daia Firmiano, o que une as entidades do agro \u00e9 mais importante do que aquilo que as separa, conjunturalmente.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cA gente vem assistindo a um tensionamento nessa dire\u00e7\u00e3o. Isso significa um racha no setor? Certamente, n\u00e3o. Porque, no fundamental, eles se aliam, que \u00e9 uma pol\u00edtica econ\u00f4mica dedicada \u00e0 intensifica\u00e7\u00e3o dos setores do agroneg\u00f3cio\u201d, diz.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cA quest\u00e3o para 2022 \u00e9 saber quais candidaturas ser\u00e3o vi\u00e1veis do ponto de vista do agroneg\u00f3cio. Se a candidatura Bolsonaro for vi\u00e1vel, teremos na diverg\u00eancia um realinhamento.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>Doutor em Hist\u00f3ria Social, Pedro Cassiano de Oliveira chama aten\u00e7\u00e3o para outro elemento da equa\u00e7\u00e3o eleitoral.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cVai depender muito de qual vai ser o movimento, a sinaliza\u00e7\u00e3o que Lula far\u00e1 para esses setores do agroneg\u00f3cio. \u00c9 mais um fator importante nesse xadrez\u201d, lembra.<\/p>\n\n\n\n<p>O petista \u00e9 favorito em todas as pesquisas de inten\u00e7\u00e3o de voto, com chance de vit\u00f3ria at\u00e9 em primeiro turno.<\/p>\n\n\n\n<p>Firmiano n\u00e3o acredita que diverg\u00eancias pontuais fa\u00e7am com que o agroneg\u00f3cio chegue \u201cdividido\u201d \u00e0s elei\u00e7\u00f5es de 2022, e conclui lembrando que as entidades do agroneg\u00f3cio n\u00e3o ir\u00e3o \u201cdisputar\u201d os candidatos.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cQualquer candidatura que se coloque com alguma viabilidade depende desses setores. Ent\u00e3o, quem vai exercer o jogo de trazer ou afastar essas entidades s\u00e3o as candidaturas, e n\u00e3o o contr\u00e1rio. Essas entidades t\u00eam total consci\u00eancia de seu lugar na economia\u201d, completa.<\/p>\n\n\n\n<p>Reprimariza\u00e7\u00e3o da economia e amea\u00e7as de ruptura<\/p>\n\n\n\n<p>O aumento no tom de voz de Bolsonaro, sempre que acuado, pode levar a uma ruptura institucional \u2013 diferente daquela de 1964. Essa \u00e9 a interpreta\u00e7\u00e3o de Luiz Felipe Cerqueira de Farias, doutor em Sociologia pela Universidade de S\u00e3o Paulo (USP).<\/p>\n\n\n\n<p>Para o pesquisador, naquela \u00e9poca os golpistas tinham um centro de poder estruturado em torno das For\u00e7as Armadas e do capital industrial, que gerava uma acumula\u00e7\u00e3o de capital no centro-sul do pa\u00eds e servia como \u201clocomotiva\u201d para todas as fra\u00e7\u00f5es da burguesia brasileira.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cHoje, vivemos a desindustrializa\u00e7\u00e3o e um protagonismo crescente das commodities minerais e agr\u00edcolas, que apontam para um golpismo polic\u00eantrico, uma amea\u00e7a difusa\u201d, analisa, lembrando o alinhamento das pol\u00edcias militares e das mil\u00edcias ao atual governo.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cTemos uma prolifera\u00e7\u00e3o de centros de poder que provocaram uma eros\u00e3o das institui\u00e7\u00f5es da Nova Rep\u00fablica, que apontam possivelmente para uma ruptura da ordem, mas com um car\u00e1ter difuso.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>O pesquisador cita como exemplo a cidade de Sorriso (MT), maior produtora de soja do pa\u00eds, que com apenas 100 mil habitantes \u201cconsegue falar grosso, em termos de PIB e de exporta\u00e7\u00e3o.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>O dilema central desse novo golpismo, na vis\u00e3o de Farias, \u00e9 como&nbsp;fortalecer esses novos centros, do ponto de vista econ\u00f4mico e pol\u00edtico, para organizar todo o bloco no poder.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cHoje a gente v\u00ea, nitidamente, uma dificuldade de organizar um centro de poder que consiga galvanizar um golpe de extrema direita no Brasil. S\u00e3o ensaios golpistas reais, mas com baixa capacidade de se consolidar\u201d, analisa Farias.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cO que o agroneg\u00f3cio enfrenta \u00e9 uma crise de hegemonia permanente, que n\u00e3o consegue dar respostas eficazes para a ingovernabilidade cr\u00f4nica nem fundir as fra\u00e7\u00f5es do bloco no poder em torno de um grupo coeso, como consequ\u00eancia da pr\u00f3pria reprimariza\u00e7\u00e3o da economia\u201d, finaliza.<\/p>\n\n\n\n<p>Edi\u00e7\u00e3o: Anelize Moreira<br><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Diverg\u00eancias v\u00eam \u00e0 tona \u00e0s v\u00e9speras dos atos de 7 de setembro, mas n\u00e3o se refletem no comportamento da bancada ruralista<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_exactmetrics_skip_tracking":false,"_exactmetrics_sitenote_active":false,"_exactmetrics_sitenote_note":"","_exactmetrics_sitenote_category":0,"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","enabled":false},"version":2}},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-32778","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-notas"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p7wKYW-8wG","jetpack-related-posts":[],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/32778","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=32778"}],"version-history":[{"count":1,"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/32778\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":32780,"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/32778\/revisions\/32780"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=32778"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=32778"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=32778"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}