{"id":32829,"date":"2021-09-13T07:48:39","date_gmt":"2021-09-13T11:48:39","guid":{"rendered":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/?p=32829"},"modified":"2021-09-13T07:48:43","modified_gmt":"2021-09-13T11:48:43","slug":"amazonia-em-chamas-uma-radiografia-de-fogo-e-violencia-em-rondonia","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/2021\/09\/13\/amazonia-em-chamas-uma-radiografia-de-fogo-e-violencia-em-rondonia\/","title":{"rendered":"AMAZ\u00d4NIA EM CHAMAS, UMA RADIOGRAFIA DE FOGO E VIOL\u00caNCIA EM ROND\u00d4NIA"},"content":{"rendered":"\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"600\" height=\"400\" data-attachment-id=\"32830\" data-permalink=\"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/2021\/09\/13\/amazonia-em-chamas-uma-radiografia-de-fogo-e-violencia-em-rondonia\/b2ef80fc-4e81-4a9b-865b-2a9ed3e9a7bd\/\" data-orig-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2021\/09\/B2EF80FC-4E81-4A9B-865B-2A9ED3E9A7BD.jpeg?fit=980%2C653\" data-orig-size=\"980,653\" data-comments-opened=\"0\" data-image-meta=\"{&quot;aperture&quot;:&quot;0&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;0&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;0&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;0&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0&quot;,&quot;title&quot;:&quot;&quot;,&quot;orientation&quot;:&quot;0&quot;}\" data-image-title=\"B2EF80FC-4E81-4A9B-865B-2A9ED3E9A7BD\" data-image-description=\"\" data-image-caption=\"\" data-medium-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2021\/09\/B2EF80FC-4E81-4A9B-865B-2A9ED3E9A7BD.jpeg?fit=300%2C200\" data-large-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2021\/09\/B2EF80FC-4E81-4A9B-865B-2A9ED3E9A7BD.jpeg?fit=600%2C400\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2021\/09\/B2EF80FC-4E81-4A9B-865B-2A9ED3E9A7BD.jpeg?resize=600%2C400\" alt=\"\" class=\"wp-image-32830\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2021\/09\/B2EF80FC-4E81-4A9B-865B-2A9ED3E9A7BD.jpeg?w=980 980w, https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2021\/09\/B2EF80FC-4E81-4A9B-865B-2A9ED3E9A7BD.jpeg?resize=300%2C200 300w, https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2021\/09\/B2EF80FC-4E81-4A9B-865B-2A9ED3E9A7BD.jpeg?resize=768%2C512 768w, https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2021\/09\/B2EF80FC-4E81-4A9B-865B-2A9ED3E9A7BD.jpeg?resize=450%2C300 450w\" sizes=\"auto, (max-width: 600px) 100vw, 600px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p><strong>EL PA\u00cdS<\/strong> &#8211; IND\u00cdGENAS E RIBEIRINHOS CONVIVEM COM ROTINA DE AMEA\u00c7AS, INVAS\u00d5ES E QUEIMADAS NO ESTADO QUE SE TORNOU UM DOS PRINCIPAIS REDUTOS DO BOLSONARISMO NA REGI\u00c3O NORTE<\/p>\n\n\n\n<!--more-->\n\n\n\n<p>Por <strong><a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/autor\/gil-alessi\/\">GIL ALESSI<\/a><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/twitter.com\/gil_alessi\" target=\"_blank\"><\/a><\/strong>|<strong>AVENER PRADO (IMAGENS)<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>\u201cPrimeiro levam as toras de valor e depois colocam fogo uma, duas vezes para transformar a floresta em pasto\u201d. A rotina da gradual destrui\u00e7\u00e3o da Amaz\u00f4nia brasileira \u00e9 narrada, de forma resignada, por Daniel Kaxinaw\u00e1, 27, dentro da Terra Ind\u00edgena (TI) Karipuna. Ele est\u00e1 diante de um descampado onde meses antes existiam \u00e1rvores centen\u00e1rias, mas que agora s\u00f3 abriga pequenos troncos chamuscados.O local onde vivem os \u00edndios da etnia, que se espalha por 153.000 hectares nos munic\u00edpios de Porto Velho e Nova Mamor\u00e9, em\u00a0<a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/noticias\/rondonia\/\" target=\"_blank\">Rond\u00f4nia<\/a>, deveria ser protegido desde que a demarca\u00e7\u00e3o foi homologada em 1998, mas tem sido alvo cada vez mais crescente do ass\u00e9dio de madeireiros e grileiros. Das cinzas da terra calcinada j\u00e1 despontam brotos de um capim plantado pelos invasores que serviria para a alimenta\u00e7\u00e3o do gado.<\/p>\n\n\n\n<p>Em uma<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2021-07-21\/eduardo-preciso-te-contar-que-teu-pai-e-a-amazonia-estao-ameacados-de-morte.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">&nbsp;\u00e1rea marcada pelo avan\u00e7o indiscriminado dos madeireiros<\/a>, saber distinguir o ru\u00eddo da motosserra do barulho de uma moto pode ser determinante para a sobreviv\u00eancia. Atento aos sons, Daniel de repente mostra preocupa\u00e7\u00e3o. \u201cTem moto vindo a\u00ed na trilha atr\u00e1s da gente. Vamos embora agora!\u201d, diz aos seus parentes ind\u00edgenas na presen\u00e7a da reportagem do EL PA\u00cdS. Sem discuss\u00e3o, todos desaparecem rapidamente no estreito caminho de terra que leva \u00e0 \u00fanica aldeia da TI.<\/p>\n\n\n\n<p>O pavor que Daniel e os demais ind\u00edgenas t\u00eam de um&nbsp;<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2019\/09\/13\/politica\/1568364723_570129.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">encontro indesejado com jagun\u00e7os ou grileiros<\/a>&nbsp;armados dentro de seu territ\u00f3rio n\u00e3o \u00e9 infundado. Dois dias antes da reportagem do EL PA\u00cdS visitar o local no final de agosto, a \u00fanica ponte que permite o acesso por terra ao territ\u00f3rio Karipuna havia sido destru\u00edda com o uso de motosserras. \u201cAs toras estavam boas ainda\u201d, diz Eric Karipuna, 24, apontando para os cortes feitos em um dos grossos troncos que serviam para a passagem sobre um igarap\u00e9. \u201cFoi repres\u00e1lia dos madeireiros\u201d, conta ele, logo ap\u00f3s uma a\u00e7\u00e3o de fiscaliza\u00e7\u00e3o da&nbsp;<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/noticias\/funai-fundacion-nacional-indio-brasil\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Funda\u00e7\u00e3o Nacional do \u00cdndio<\/a>&nbsp;(Funai) que retirou seis n\u00e3o ind\u00edgenas que ateavam fogo justamente na \u00e1rea de onde os Karipuna correram momentos antes. Sem a ponte, eles ficaram isolados. \u201cAgora as equipes de sa\u00fade n\u00e3o t\u00eam mais como chegar aqui\u201d, lamenta Eric, j\u00e1 na aldeia onde vivem 60 \u00edndios.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img data-recalc-dims=\"1\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/imagens.brasil.elpais.com\/resizer\/fXLIEnfProUnQmKFhcZjk_-GMWg%3D\/414x0\/cloudfront-eu-central-1.images.arcpublishing.com\/prisa\/BNHPSKFD6JA7REK7XJG4MFJ2HE.jpg?w=600&#038;ssl=1\" alt=\"\u00cdnd\u00edgenas Karipuna observam a ponte destru\u00edda com motosserra dentro da TI. &quot;Foi repres\u00e1lia dos madeireiros&quot;, dizem\"\/><figcaption>\u00cdnd\u00edgenas Karipuna observam a ponte destru\u00edda com motosserra dentro da TI. &#8220;Foi repres\u00e1lia dos madeireiros&#8221;, dizem<strong>AVENER PRADO<\/strong><\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>A maior parte do territ\u00f3rio dos Karipuna est\u00e1 dentro de\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/noticias\/porto-velho\/\">Porto Velho<\/a>, a capital brasileira da queimada, que de janeiro a meados de agosto deste ano foi o munic\u00edpio recordista em focos de inc\u00eandio dentro do bioma\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/noticias\/amazonia\/\">Amaz\u00f4nia<\/a>. Foram 521 pontos identificados pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) neste per\u00edodo, que pintam o horizonte da cidade de uma n\u00e9voa espessa constante. Ali se desenha uma nova fronteira agr\u00edcola brasileira. O Estado praticamente triplicou o rebanho bovino entre 1999 e 2019: de 5,4 milh\u00f5es para 14,3 milh\u00f5es de cabe\u00e7as de gado. Hoje, Rond\u00f4nia tem a sexta maior boiada do pa\u00eds, segundo dados do Instituto Brasileiro e Geografia e Estat\u00edstica.<\/p>\n\n\n\n<p>O fogo descontrolado e o aumento da devasta\u00e7\u00e3o na regi\u00e3o amaz\u00f4nica tem sido uma das principais marcas do Governo de Jair Bolsonaro na \u00e1rea ambiental. Em 2020 a taxa de desmatamento no bioma&nbsp;<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2021-06-11\/brasil-perde-24-arvores-por-segundo-em-2020-enquanto-alertas-de-desmatamento-explodem.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">foi a maior em 12 anos<\/a>&nbsp;de acordo com relat\u00f3rio do Instituto Socioambiental feito com base nos dados do INPE. Em 2019 o impacto da devasta\u00e7\u00e3o se fez sentir do outro lado do pa\u00eds: a fuma\u00e7a dos inc\u00eandios florestais na regi\u00e3o Norte chegou a S\u00e3o Paulo, onde o dia virou noite. Este ano, o Planalto anunciou um corte de 240 milh\u00f5es no Or\u00e7amento do Minist\u00e9rio do Meio Ambiente, sendo 19 milh\u00f5es de reais s\u00f3 nas contas do Ibama, enfraquecendo ainda mais a capacidade de fiscaliza\u00e7\u00e3o do \u00f3rg\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<figure><iframe loading=\"lazy\" allowfullscreen=\"1\" width=\"100%\" height=\"100%\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/uKB4aA4eU6g?rel=0&amp;modestbranding=1&amp;color=white&amp;frameborder=0&amp;playsinline=1&amp;embed_config=%7B%22autonavRelatedVideos%22%3Atrue%2C%22adsConfig%22%3A%7B%22adTagParameters%22%3A%7B%22iu%22%3A%22%2F7811748%2Felpais_brasil_mob%2Fplayer_youtube%22%2C%22cust_params%22%3A%22pbskey%253Dbrasil_a%252Camerica_a%252Cjair_messias_bolsonaro_a%252Crondonia_a%252Cporto_velho_a%252Cmedio_ambiente_a%252Cindigenas_a%252Cdesforestacion_a%252Cmma_ministerio_meio_ambiente_brasil_a%252Cricardo_de_aquino_salles_a%252Cderechos_humanos_a%252Camazonia_a%252Cagroalimentacion_a%252Cagricultura_a%252Creservas_naturales_a%252Cfunai_fundacion_nacional_indio_brasil_a%252Cibama_instituto_brasileiro_meio_ambiente_recursos_naturais_renovaveis_a%252Cincendios_forestales_a%252Cincendios_forestales_provocados_a%252Cbrasil%2526ksg%253D%2526videoTime%253Dmas45%22%2C%22ppid%22%3Anull%2C%22pp%22%3Anull%7D%7D%7D&amp;enablejsapi=1&amp;origin=https%3A%2F%2Fbrasil.elpais.com&amp;widgetid=1\"><\/iframe><\/figure>\n\n\n\n<p><a class=\"\"><\/a><\/p>\n\n\n\n<p>O Estado de Rond\u00f4nia \u00e9 um dos mais relevantes para o projeto do presidente&nbsp;<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/noticias\/jair-messias-bolsonaro\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Jair Bolsonaro<\/a>&nbsp;na \u00e1rea ambiental, com desregula\u00e7\u00e3o e incentivo \u00e0 explora\u00e7\u00e3o de terras protegidas via garimpo, agroneg\u00f3cio ou com\u00e9rcio de toras. Em 2019 o ent\u00e3o ministro do Meio Ambiente,&nbsp;<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/noticias\/ricardo-de-aquino-salles\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Ricardo Salles<\/a>, visitou madeireiros rondoniensesque queimaram um caminh\u00e3o do Ibama em protesto contra a\u00e7\u00f5es de fiscaliza\u00e7\u00e3o.Ele se compadeceu da situa\u00e7\u00e3o, e fez um aceno claro aos infratores ambientais que haviam destru\u00eddo de forma criminosa o patrim\u00f4nio p\u00fablico: \u201cAs pessoas de bem que trabalham neste pa\u00eds est\u00e3o aqui representadas por todos voc\u00eas\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Ciente do papel estrat\u00e9gico de Rond\u00f4nia, a fam\u00edlia Bolsonaro tamb\u00e9m frequenta o Estado. Em outubro de 2020 o senador\u00a0<a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/noticias\/flavio-nantes-bolsonaro\/\" target=\"_blank\">Fl\u00e1vio Bolsonaro<\/a>\u00a0(Republicanos), eleito parlamentar pelo Rio de Janeiro, fez uma visita a centros de ensino de Rond\u00f4nia. Em maio deste ano, nova viagem do filho 01 a Porto Velho, desta vez para marcar posi\u00e7\u00e3o e participar de uma carreata de apoio ao Governo de seu pai. O presidente, por sua vez, tamb\u00e9m esteve no Estado em maio, para inaugurar uma ponte no distrito de Abun\u00e3, em Porto Velho, que liga o Estado ao Acre.<\/p>\n\n\n\n<p>As a\u00e7\u00f5es e falas do presidente servem de combust\u00edvel para a ousadia dos invasores. \u201cTodo esse processo de invas\u00e3o das nossas terras,&nbsp;<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/noticias\/incendios-forestales\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">queimadas<\/a>&nbsp;e roubo de madeira cresceu muito com o Governo Bolsonaro, com o discurso dele. Ele fortaleceu essas pessoas [grileiros e madeireiros]. Eles se sentiram no poder de destruir mais\u201d, afirma o cacique Andr\u00e9 Karipuna, 28, l\u00edder de seu povo. \u201cE os \u00f3rg\u00e3os, como&nbsp;<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2021-06-11\/brasil-perde-24-arvores-por-segundo-em-2020-enquanto-alertas-de-desmatamento-explodem.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Funai e Ibama, que n\u00f3s tanto precisamos, foram enfraquecidos<\/a>, principalmente na parte da fiscaliza\u00e7\u00e3o\u201d. N\u00e3o bastasse esta press\u00e3o do fogo e de invasores incentivados pelo presidente, a TI Karipuna faz fronteira com a reserva extrativista (Resex) Jaci Paran\u00e1, a Unidade de Conserva\u00e7\u00e3o que mais queimou em Rond\u00f4nia neste ano, e cuja situa\u00e7\u00e3o deve se agravar ainda mais nos pr\u00f3ximos meses.<\/p>\n\n\n\n<p>A situa\u00e7\u00e3o ambiental em Porto Velho come\u00e7ou a se deteriorar drasticamente no in\u00edcio anos 2000, tendo como ponto cr\u00edtico a constru\u00e7\u00e3o das usinas hidrel\u00e9tricas de Jirau e Santo Ant\u00f4nio, ambas ao longo do curso do rio Madeira. \u201cHouve um processo especulativo forte sobre as terras da regi\u00e3o que muitas pessoas e empresas viram como oportunidade\u201d, explica Marcelo Lucian Ferronato, doutor em desenvolvimento regional e meio ambiente da ONG&nbsp;<a href=\"https:\/\/ecopore.org.br\/novo\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Ecopor\u00e9<\/a>. Outros dois fatores contribu\u00edram com o avan\u00e7o das queimadas e derrubada da floresta: \u201cTivemos a expans\u00e3o dos portos de gr\u00e3os no rio Madeira e o asfaltamento da estrada para o Pac\u00edfico, que transformaram Porto Velho em um centro de distribui\u00e7\u00e3o log\u00edstica\u201d. Estes fatores formaram uma tempestade perfeita para o agroneg\u00f3cio. \u201cO agro empurrou a soja para as \u00e1reas de pastagens, e a pastagem avan\u00e7ou nas Unidades de Conserva\u00e7\u00e3o como a Resex Jaci Paran\u00e1\u201d, diz Ferronato.<\/p>\n\n\n\n<figure><iframe src=\"https:\/\/datawrapper.dwcdn.net\/dHnXa\/6\/\" height=\"624\"><\/iframe><\/figure>\n\n\n\n<p>A Resex Jaci-Paran\u00e1 foi delimitada como \u00e1rea de prote\u00e7\u00e3o em 1996 para que as fam\u00edlias de ribeirinhos que viviam de pr\u00e1ticas centen\u00e1rias e sustent\u00e1veis de manejo da floresta, como e explora\u00e7\u00e3o das seringueiras, a pesca de baixo impacto e a extra\u00e7\u00e3o de castanha-do-par\u00e1, pudessem subsistir. Mas a terra foi rapidamente invadida por grileiros e madeireiros, interessados em explorar as \u00e1rvores nobres e depois transformar tudo em pasto. Estima-se que atualmente existam cerca de 120.000 cabe\u00e7as de gado na reserva, segundo o pr\u00f3prio Governo de Rond\u00f4nia.<\/p>\n\n\n\n<p>Em abril, a j\u00e1 combalida Resex sofreu outro golpe: a Assembleia Legislativa de Rond\u00f4nia aprovou um projeto de lei que reduziu em 80% a \u00e1rea da reserva, premiando na pr\u00e1tica centenas de criminosos ambientais respons\u00e1veis por fazer do local a segunda Unidade de Conserva\u00e7\u00e3o mais desmatada da Amaz\u00f4nia Legal, segundo o INPE. O governador do Estado, o bolsonarista coronel Marcos Rocha (sem partido), sancionou a medida em maio. \u201cCom a redu\u00e7\u00e3o da reserva, que j\u00e1 vinha sendo invadida e destru\u00edda, nossa situa\u00e7\u00e3o piora. Porque ela era como uma esp\u00e9cie de tamp\u00e3o entre a devasta\u00e7\u00e3o e a nossa terra\u201d, diz Andr\u00e9 Karipuna. Ele afirma que os ind\u00edgenas n\u00e3o foram ouvidos pelo poder p\u00fablico durante as discuss\u00f5es envolvendo a redu\u00e7\u00e3o da \u00e1rea protegida.<\/p>\n\n\n\n<p>A reportagem tentou entrar em contato com o deputado estadual Jean Oliveira (MDB), relator do projeto que retalhou a Resex Jaci Paran\u00e1 e o parque estadual Guajar\u00e1-Mirim. O parlamentar n\u00e3o retornou as liga\u00e7\u00f5es nem respondeu emails e mensagens de Whatsapp enviadas pelo EL PA\u00cdS, nem tampouco atendeu a equipe do jornal em seu gabinete na Assembleia Legislativa de Rond\u00f4nia.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">A Resex em chamas<\/h3>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img data-recalc-dims=\"1\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/imagens.brasil.elpais.com\/resizer\/jICfd2ueKWWLxgI5LB34RrWfy-4%3D\/414x0\/cloudfront-eu-central-1.images.arcpublishing.com\/prisa\/7V57KS5JCFDHPA24BJDHQKIS3A.jpg?w=600&#038;ssl=1\" alt=\"Um foco de inc\u00eandio na floresta dentro da Resex Jaci Paran\u00e1, em Porto Velho\"\/><figcaption>Um foco de inc\u00eandio na floresta dentro da Resex Jaci Paran\u00e1, em Porto Velho<strong>AVENER PRADO<\/strong><\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>Se na TI Karipuna, que faz fronteira com a Resex, a situa\u00e7\u00e3o j\u00e1 \u00e9 bastante cr\u00edtica, dentro da agora diminuta reserva Jaci Paran\u00e1 a situa\u00e7\u00e3o assume contornos dram\u00e1ticos. Rosa Maria Lopes, 66, \u00e9 nascida e criada ali, \u00e0s margens do rio Branco. \u201c<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2014\/11\/14\/politica\/1415989498_987988.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Eu era seringueira, tirava castanha<\/a>, pescava, fazia tudo que meu pai fazia\u201d, conta. Ela lembra com saudosismo daqueles tempos: \u201cAntes aqui eram s\u00f3 as fam\u00edlias que cuidavam da floresta de forma sustent\u00e1vel\u201d. Ent\u00e3o no in\u00edcio dos anos 2000 chegaram os madeireiros e fazendeiros, e tudo mudou. \u201cMuita gente foi expulsa e muita gente saiu com medo de morrer\u201d. Ela estima que atualmente sete fam\u00edlias continuam no local. \u201cA reserva acabou. D\u00e1 vontade de chorar\u201d, diz.<\/p>\n\n\n\n<p>Enquanto conversa com a reportagem, ela observa a fuma\u00e7a de um inc\u00eandio que consome a floresta h\u00e1 cerca de um quil\u00f4metro da casa de seu vizinho e amigo Jo\u00e3o Gomes de Sousa, 47, tamb\u00e9m morador da Resex. \u201cJo\u00e3ozinho, tem que tomar cuidado sen\u00e3o o vento vai trazer esse fogo aqui pro seu barraco\u201d, diz, referindo-se a uma constru\u00e7\u00e3o simples de madeira sem energia el\u00e9trica ou saneamento b\u00e1sico. \u201c\u00c9, t\u00e1 chegando perto mesmo. J\u00e1 est\u00e1 queimando h\u00e1 mais de uma semana\u201d, responde o agricultor que ganha cerca de 600 reais por m\u00eas vendendo os produtos de sua pequena ro\u00e7a na cidade. \u201c\u00c9 o pessoal que faz isso [incendeia a mata] pra abrir pasto pra gado\u201d, diz. \u201cEssas queimadas amea\u00e7am tudo o que eu tenho, minha rocinha e meu barraco\u201d. Quem \u00e9 respons\u00e1vel por atear o fogo? Jo\u00e3o desconversa: \u201cEsses assuntos d\u00e1 muita confus\u00e3o. Voc\u00ea tem que saber que aqui na Resex tem os grandes e os pequenos\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Dona Rosa se recorda de quando viu pela primeira vez o grau de&nbsp;<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2018\/04\/22\/politica\/1524431588_065086.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">viol\u00eancia envolvido no processo de grilagem<\/a>&nbsp;e devasta\u00e7\u00e3o da floresta. Foi nos anos 2000, quando encontrou o corpo de um seringueiro que havia entrado em conflito com madeireiros boiando nas margens do rio Branco. Ela mesma j\u00e1 sofreu amea\u00e7as veladas: \u201cTinha um pessoal que ficava escondido num mato do lado da minha casa pra me amedrontar. Pensei em registrar um boletim de ocorr\u00eancia, mas fiquei com medo. Melhor n\u00e3o mexer com esse pessoal\u201d. Perto de sua propriedade, mais destrui\u00e7\u00e3o: \u201cDerrubaram j\u00e1 50 alqueires de mata aqui perto. N\u00e3o deixaram \u00e1rvore nem para eu arrumar meu barraco\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>A ex-seringueira se ressente das pol\u00edticas ambientais do Governo Bolsonaro, famoso por \u201c<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2020-05-22\/salles-ve-oportunidade-com-coronavirus-para-passar-de-boiada-desregulacao-da-protecao-ao-meio-ambiente.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">passar a boiada<\/a>\u201d em \u00e1reas de conserva\u00e7\u00e3o. \u201cOlha, o presidente diz que vai abrir a m\u00e3o para tudo. Eu n\u00e3o estou de acordo. N\u00e3o se fala de plantar milho, ab\u00f3bora. \u00c9 s\u00f3 agroneg\u00f3cio, s\u00f3 se fala em boi gordo, leite e fazendas. Daqui a uns anos a gente n\u00e3o vai conseguir tirar mais nada desta terra\u201d, diz Rosa.<\/p>\n\n\n\n<p>As hist\u00f3rias de fogo e viol\u00eancia s\u00e3o uma constante nas conversas com os moradores remanescentes da Resex. \u201cNo ano passado eu quase morri tentando apagar um inc\u00eandio que alcan\u00e7ou o barraco de um vizinho\u201d, conta Casemiro Jos\u00e9 Lopes, 53, h\u00e1 20 na regi\u00e3o. Ap\u00f3s tentar combater as chamas que haviam alcan\u00e7ado a casa onde se produz farinha de um amigo utilizando apenas baldes de \u00e1gua, ele sentiu um mal-estar por inalar fuma\u00e7a e precisou ser internado com infec\u00e7\u00e3o respirat\u00f3ria. \u201cN\u00e3o sabemos quem s\u00e3o os mandantes [das queimadas]. O que sabemos \u00e9 que todo ano \u00e9 a mesma hist\u00f3ria\u201d, diz.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img data-recalc-dims=\"1\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/imagens.brasil.elpais.com\/resizer\/wW-lRpHYqRgtYAq8wnt94MjTW90%3D\/414x0\/cloudfront-eu-central-1.images.arcpublishing.com\/prisa\/SQ7LPLDQGRAGVOWZ3HSXAUPAY4.jpg?w=600&#038;ssl=1\" alt=\"Casemiro, morador da Resex, teve que ser internado ap\u00f3s combater um inc\u00eandio criminoso na casa de um vizinho\"\/><figcaption>Casemiro, morador da Resex, teve que ser internado ap\u00f3s combater um inc\u00eandio criminoso na casa de um vizinho<strong>AVENER PRADO<\/strong><\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>Tr\u00eas anos atr\u00e1s, grileiros tentaram intimidar Casemiro queimando um barraco localizado nos fundos de sua pequena propriedade. \u201cAconteceu logo depois de termos flagrado um trator arrastando tora aqui dentro e termos confrontado ele\u201d. O sentimento de impot\u00eancia \u00e9 grande: \u201cA realidade \u00e9 que a gente consegue cuidar s\u00f3 do que est\u00e1 aqui na beira do rio [Branco]. L\u00e1 pra dentro [da Resex] j\u00e1 era. Eu sou otimista s\u00f3 porque sei que pior do que est\u00e1 n\u00e3o fica. Quase n\u00e3o existe mais mata para derrubar\u201d, afirma Casemiro.<\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m do fogo que amea\u00e7ava a casa de Jo\u00e3o, a reportagem presenciou uma queimada de grandes propor\u00e7\u00f5es dentro da Resex. O inc\u00eandio, que consumia uma \u00e1rea de v\u00e1rios quil\u00f4metros quadrados no meio de uma regi\u00e3o de mata fechada, era vis\u00edvel de longe. A coluna de fuma\u00e7a erguia-se no horizonte. A floresta atingida ficava logo atr\u00e1s de uma \u00e1rea de pasto abandonada, que era utilizada at\u00e9 recentemente por grileiros.<\/p>\n\n\n\n<p>Mais \u00e0 frente no curso do rio, uma pilha de material de constru\u00e7\u00e3o repousa na barranca do rio em uma grande \u00e1rea descampada. \u201cO pessoal que tira \u00e1rvore de dentro da Resex quer construir uma ponte clandestina aqui\u201d, diz Valdecir Prado Vilela, 36. Ele tem uma pequena propriedade rural do lado de fora da Resex, mas tamb\u00e9m \u00e0s margens do rio Branco. Ironicamente, a passarela ambicionada pelos madeireiros ficaria no final de uma estrada de terra de dif\u00edcil acesso chamada Linha do Ibama.<\/p>\n\n\n\n<p>Enquanto o agroneg\u00f3cio, grileiros e madeireiros avan\u00e7am sobre as \u00e1reas protegidas, o cacique Karipuna relembra a import\u00e2ncia desta terra. \u201c\u00c9 preciso entender a floresta como algo que tem valor n\u00e3o s\u00f3 pra gente, que somos protetores dela,&nbsp;<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2021-07-21\/a-agua-secou-e-a-roca-perdeu-o-vico-no-estado-mais-rico-do-brasil.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">mas tamb\u00e9m para o clima<\/a>, para a \u00e1gua e para a humanidade\u201d, afirma Andr\u00e9, um dos membros da nova gera\u00e7\u00e3o da etnia, que foi quase aniquilada pelas doen\u00e7as trazidas pelos n\u00e3o-ind\u00edgenas nos anos 1970&nbsp;<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2014\/08\/12\/sociedad\/1407879285_289082.html\">ap\u00f3s o primeiro contato com o homem branco<\/a>. Restaram apenas sete indiv\u00edduos, que resistiram e conseguiram se recuperar nas d\u00e9cadas seguintes, apenas para enfrentar mais adversidades: em 2019 um posto avan\u00e7ado da Funai constru\u00eddo dentro da TI para garantir a seguran\u00e7a na \u00e1rea e impedir a entrada de invasores foi queimado tamb\u00e9m em repres\u00e1lia contra a\u00e7\u00f5es de fiscaliza\u00e7\u00e3o. Assim permanece at\u00e9 hoje, ru\u00ednas abandonadas que simbolizam a ambi\u00e7\u00e3o do<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/noticias\/agroalimentacion\/\">&nbsp;agroneg\u00f3cio<\/a>&nbsp;e das madeireiras sobre o territ\u00f3rio ind\u00edgena. \u201cDizem que \u00e9 muita terra para pouco \u00edndio. Mas na verdade somos poucos \u00edndios para proteger toda essa natureza t\u00e3o grande. E \u00e9 curioso como nunca dizem \u2018\u00e9 muita terra para um s\u00f3 fazendeiro\u2019 n\u00e9?\u201d, indaga.<\/p>\n\n\n\n<p>A reportagem tentou sem sucesso entrar em contato com representantes do Sindicato dos Produtores Rurais de Porto Velho, entidade patronal que re\u00fane integrantes do agroneg\u00f3cio da capital rondoniense. Os contatos por telefone, mensagens de texto e presencial, na sede do Sindicato, foram ignorados. Em nota, o Ibama informou que possui 17 agentes que atuam em Rond\u00f4nia, e que em 2021 \u201cas opera\u00e7\u00f5es de fiscaliza\u00e7\u00e3o no Estado j\u00e1 registraram 100 termos de apreens\u00e3o, 75 termos de embargos, quatro termos de destrui\u00e7\u00e3o e 383 autos de infra\u00e7\u00e3o que somam 63.256.449,36 reais [em multas]\u201d. O \u00f3rg\u00e3o tamb\u00e9m afirmou ter realizado a\u00e7\u00f5es em parceria com a Funai \u201cnas Terras Ind\u00edgenas localizadas em Porto Velho e Nova Mamor\u00e9\u201d. A Funai n\u00e3o respondeu aos questionamentos da reportagem. O Governo informou que \u201ca Secretaria de Estado do Desenvolvimento Ambiental junto as suas coordenadorias tem trabalhado fortemente nas a\u00e7\u00f5es de preven\u00e7\u00e3o e combate \u00e0s queimadas em todo o Estado de Rond\u00f4nia\u201d. Ainda segundo a nota, no primeiro semestre de 2021 \u201cforam desenvolvidas 146 opera\u00e7\u00f5es (&#8230;) com vista a combater as queimadas e os desmatamentos\u201d, tendo aplicado 1.744 multas. Diante do resultado visto a olho nu, s\u00e3o fiscaliza\u00e7\u00f5es in\u00f3cuas num Governo que torce pelo devastador.<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>EL PA\u00cdS &#8211; IND\u00cdGENAS E RIBEIRINHOS CONVIVEM COM ROTINA DE AMEA\u00c7AS, INVAS\u00d5ES E QUEIMADAS NO ESTADO QUE SE TORNOU UM DOS PRINCIPAIS REDUTOS DO BOLSONARISMO NA REGI\u00c3O NORTE<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_exactmetrics_skip_tracking":false,"_exactmetrics_sitenote_active":false,"_exactmetrics_sitenote_note":"","_exactmetrics_sitenote_category":0,"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","enabled":false},"version":2}},"categories":[1],"tags":[387,608,8,7],"class_list":["post-32829","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-notas","tag-desmatamento","tag-karupuna","tag-porto-velho","tag-rondonia"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p7wKYW-8xv","jetpack-related-posts":[],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/32829","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=32829"}],"version-history":[{"count":1,"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/32829\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":32831,"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/32829\/revisions\/32831"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=32829"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=32829"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=32829"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}