{"id":32875,"date":"2021-10-01T16:45:42","date_gmt":"2021-10-01T20:45:42","guid":{"rendered":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/?p=32875"},"modified":"2021-10-01T16:45:48","modified_gmt":"2021-10-01T20:45:48","slug":"nao-temos-tempo-a-perder","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/2021\/10\/01\/nao-temos-tempo-a-perder\/","title":{"rendered":"N\u00c3O TEMOS TEMPO A PERDER"},"content":{"rendered":"\n<figure class=\"wp-block-image\"><img data-recalc-dims=\"1\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/piaui.folha.uol.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/09\/cop_280921_interna.jpg?w=600&#038;ssl=1\" alt=\"\"\/><\/figure>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\">Estamos \u00e0s v\u00e9speras da 26\u00aa reuni\u00e3o mundial sobre mudan\u00e7as clim\u00e1ticas e ainda insistimos em caminhar rumo \u00e0 destrui\u00e7\u00e3o ambiental. Por qu\u00ea?<\/h4>\n\n\n\n<!--more-->\n\n\n\n<p><strong>JOICE FERREIRA<\/strong>, na Revista Piau\u00ed<br><\/p>\n\n\n\n<p>COP-26,\u00a0nova edi\u00e7\u00e3o da confer\u00eancia anual das Na\u00e7\u00f5es Unidas sobre mudan\u00e7as clim\u00e1ticas, se aproxima e eu n\u00e3o consigo esquecer a ECO-92. L\u00e1 foi plantada a semente. Tenho saudades daquela \u00e9poca, dos anos 1990. Um saudosismo desmedido. Eu estava com 17 anos, e aos meus olhos o mundo se desdobrava de maneira t\u00e3o suave e morna que mais parecia uma cascata de chocolate. As not\u00edcias que chegavam pela tev\u00ea se referiam \u00e0 ECO-92 (ou Rio-92) como a C\u00fapula da Terra, o maior encontro de todos os tempos para discutir o meio ambiente. O Brasil sediava o evento quatro anos ap\u00f3s o homic\u00eddio do seringueiro e ativista Chico Mendes, que aprofundou nossas feridas socioambientais. A infla\u00e7\u00e3o galopava, a democracia engatinhava, e o presidente Fernando Collor estava \u00e0 beira do impeachment. A televis\u00e3o na casa de minha fam\u00edlia j\u00e1 era colorida. Significa dizer que n\u00e3o precis\u00e1vamos mais colocar uma tela com listras nas cores do arco-\u00edris diante do aparelho para colorir o\u00a0 preto e branco (hoje entendo que as cores surgiam mesmo era de um efeito ps\u00edquico). Assim, pude ver com riqueza de detalhes a policromia das cerim\u00f4nias e dos festivais que se sucediam durante a ECO-92. Chefes de Estado e diplomatas pretos, brancos, pardos e amarelos, de todas as nacionalidades e etnias, compartilhavam preocupa\u00e7\u00f5es e vis\u00f5es sobre o futuro no Rio Centro, onde aconteciam as reuni\u00f5es oficiais. A quil\u00f4metros dali, no Aterro do Flamengo, organiza\u00e7\u00f5es n\u00e3o governamentais, militantes e lideran\u00e7as ind\u00edgenas com cocares se aglomeravam no chamado F\u00f3rum Global.<br><\/p>\n\n\n\n<p>O clima vivaz do Rio de Janeiro acentuava o car\u00e1ter \u00fanico da imensa confer\u00eancia. Os eventos ao ar livre eram emoldurados pela muralha de montanhas, com formas diversas, que comp\u00f5e a paisagem da cidade. A m\u00eddia destacava o sucesso do<a href=\"http:\/\/www.redeh.org.br\/nossa-historia\/\">&nbsp;Planeta F\u00eamea<\/a>, espa\u00e7o do F\u00f3rum Global que reuniu cerca de 30 mil mulheres interessadas em discutir o protagonismo feminino por um mundo melhor. A pot\u00eancia feminina nas lutas ambientais me tocou de alguma forma. Era a adulta despertando em mim, a menina que se despedia, embora eu n\u00e3o tivesse muita compreens\u00e3o sobre o fen\u00f4meno. Demorei a tomar consci\u00eancia plena da condi\u00e7\u00e3o social de ser mulher. Minha m\u00e3e, uma professora rural, era feminista. Por\u00e9m, nem ela nem eu sab\u00edamos disso. Abandonar o sert\u00e3o de Goi\u00e1s (hoje Tocantins) para estudar, trabalhar fora de casa e n\u00e3o se subjugar ao marido (meu pai) eram atos revolucion\u00e1rios.<\/p>\n\n\n\n<p>Um terremoto chacoalhava o planeta e tinha o Rio como epicentro. Uma garota canadense ousou deixar o mundo boquiaberto e me arrebatou naquele junho de 1992, bem no meio dos meus devaneios adolescentes, entre um acorde e outro de&nbsp;<em>Smells Like Teen Spirit<\/em>, do Nirvana, ou de&nbsp;<em>Tempo Perdido<\/em>, do Legi\u00e3o Urbana. Com apenas 12 anos, Severn Suzuki falou por seis minutos para os principais l\u00edderes mundiais. O discurso simples e assertivo dela os deixou petrificados, como se atingidos pelas lavas do Ves\u00favio em Pompeia. \u201cVoc\u00eas, adultos, devem mudar suas atitudes!\u201d, clamou a menina. \u201cEu estou aqui para lutar pelo meu futuro. Perder meu futuro n\u00e3o \u00e9 como perder uma elei\u00e7\u00e3o. Estou aqui para falar em nome de todas as gera\u00e7\u00f5es que est\u00e3o por vir.\u201d Sil\u00eancio.<\/p>\n\n\n\n<p>Tr\u00eas anos depois, em 1995, como resultado da ECO-92, Berlim abrigou a primeira de muitas COPs. Genebra, Quioto, Buenos Aires, Marrakech, Nova Delhi, Mil\u00e3o, Montreal, Nair\u00f3bi, Bali, Copenhagen, Cancun, Lima e Paris, entre tantas outras cidades, receberiam as edi\u00e7\u00f5es seguintes da confer\u00eancia. A cria\u00e7\u00e3o da Conven\u00e7\u00e3o do Clima tamb\u00e9m foi um dos mais importantes frutos da ECO-92, assim como o surgimento da Conven\u00e7\u00e3o para a Biodiversidade. Sem sombra de d\u00favida, as altera\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas e as perdas de biodiversidade constituem hoje as duas maiores crises da humanidade. Em cada um desses encontros peri\u00f3dicos, renovam-se os compromissos pol\u00edticos em torno de um desenvolvimento mais equilibrado, avaliam-se os progressos dos acordos feitos anteriormente e identificam-se lacunas e temas emergentes. ONGs e centenas de institui\u00e7\u00f5es e indiv\u00edduos do mundo todo se aglomeram em debates paralelos \u00e0s cerim\u00f4nias oficiais. Cientistas se apressam para publicar seus resultados de pesquisa.<\/p>\n\n\n\n<p>A COP-26 ocorrer\u00e1 em Glasgow, na fria Esc\u00f3cia, entre 31 de outubro e 12 de novembro. N\u00e3o \u00e0 toa, um grupo numeroso de cientistas brasileiros e estrangeiros, do qual fa\u00e7o parte, publicou recentemente o artigo&nbsp;<em>A Degrada\u00e7\u00e3o da Floresta Amaz\u00f4nica Deve Ser Incorporada na Agenda da COP-26<\/em>. De maneira simplificada, estamos tentando dizer ao mundo algo como: \u201cParem e olhem para a degrada\u00e7\u00e3o das nossas florestas.\u201d Aqui vale ressaltar que degrada\u00e7\u00e3o e desmatamento s\u00e3o fen\u00f4menos diferentes, embora ambos derivem da a\u00e7\u00e3o humana. A degrada\u00e7\u00e3o destr\u00f3i a floresta aos poucos, ainda que a mantenha de p\u00e9. A explora\u00e7\u00e3o n\u00e3o sustent\u00e1vel de madeira e as queimadas, por exemplo, desencadeiam esse processo. J\u00e1 o desmatamento pressup\u00f5e a remo\u00e7\u00e3o da floresta, que geralmente \u00e9 substitu\u00edda por pastos ou monoculturas. A \u00e1rea de florestas degradadas na Amaz\u00f4nia \u00e9 hoje maior do que toda a superf\u00edcie desmatada. No artigo, explicamos que, entre 2003 e 2015, os inc\u00eandios e a fragmenta\u00e7\u00e3o das florestas na regi\u00e3o causaram emiss\u00f5es de carbono para a atmosfera 88% maiores do que as provocadas apenas pelos desmatamentos. Somente essa eleva\u00e7\u00e3o j\u00e1 nos fez voltar diversas casas no jogo da sobreviv\u00eancia humana.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 compreens\u00edvel, portanto, que a destrui\u00e7\u00e3o da Amaz\u00f4nia ocupe o topo de nossas preocupa\u00e7\u00f5es. As incr\u00edveis riqueza e beleza da floresta justificam por si mesmas tanta inquieta\u00e7\u00e3o. Quando pensamos no clima global, por\u00e9m, n\u00e3o podemos esquecer que a Amaz\u00f4nia \u00e9 simplesmente o maior reservat\u00f3rio de carbono acima da terra em todo o planeta. Na hip\u00f3tese terr\u00edvel de ela ser varrida do mapa, mais de 100 bilh\u00f5es de toneladas de carbono, aprisionadas principalmente em \u00e1rvores enormes, seriam lan\u00e7adas \u00e0 atmosfera sob a forma de CO2, o que teria o mesmo efeito que uma queima gigantesca de combust\u00edveis f\u00f3sseis. O ac\u00famulo excessivo de gases, como o CO2, na faixa de 100 km ao redor do planeta (trecho que, vale lembrar, come\u00e7a a ser atravessado por muitos milion\u00e1rios cegos ao que acontece abaixo dele) \u00e9 a raiz dos nossos males. Os n\u00edveis de CO2&nbsp;atmosf\u00e9rico que temos hoje (414 partes por milh\u00e3o) revelam-se quase 50% superiores aos da era pr\u00e9-industrial. M\u00faltiplas s\u00e3o as causas para tamanho espessamento da camada de gases: dos desmatamentos e queimadas \u00e0 queima de combust\u00edveis f\u00f3sseis. Mas o fato \u00e9 que tal espessamento dificulta a dissipa\u00e7\u00e3o do calor, o que gera uma cascata de mudan\u00e7as, incluindo o aumento de temperatura e de eventos clim\u00e1ticos extremos. Essas altera\u00e7\u00f5es comprometem quase todas as nossas condi\u00e7\u00f5es de vida confort\u00e1vel e tranquila na Terra.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>V<\/strong>ivemos num ritmo fren\u00e9tico e nos impomos demandas crescentes. Precisamos devorar muita energia para nos transportar convulsivamente de um lugar a outro. Temos de sustentar ind\u00fastrias que cospem fuma\u00e7a como drag\u00f5es e produzem massivamente para satisfazer nosso apetite voraz. Florestas, cerrados e outros biomas cedem lugar velozmente a pastos e campos agr\u00edcolas que ir\u00e3o nos alimentar. A verdade \u00e9 que j\u00e1 n\u00e3o conseguimos imaginar um mundo diferente do nosso. Sente-se pena ou desprezo por qualquer povo ou cultura que escolha caminhar a passos lentos e olhe para outras dire\u00e7\u00f5es que n\u00e3o levem a mais lucro e mais \u201cprogresso\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Em 1992, as emiss\u00f5es totais de gases do efeito estufa no Brasil, segundo o Observat\u00f3rio do Clima, ultrapassaram 2,2 bilh\u00f5es de toneladas de CO2 equivalente (medida que combina todos os gases pass\u00edveis de aquecer o planeta). Em 2003, esse valor superou os 3 bilh\u00f5es e atingiu o pico. Depois, foi caindo at\u00e9 2010, quando chegou a 1,7 bilh\u00e3o, o menor \u00edndice na hist\u00f3ria dos registros. A queda se deu em consequ\u00eancia de uma significativa redu\u00e7\u00e3o dos desmatamentos na Amaz\u00f4nia. Em 2019, as emiss\u00f5es subiram de novo e alcan\u00e7aram 2,17 bilh\u00f5es. Ou seja, regredimos aos patamares de 1992. As Mudan\u00e7as de Uso da Terra e Florestas \u2013 jarg\u00e3o que engloba os desmatamentos para utiliza\u00e7\u00e3o agr\u00edcola do solo \u2013&nbsp; continuam sendo nossa principal fonte de emiss\u00f5es gasosas para a atmosfera. Em 1992, essas mudan\u00e7as provocaram 67% de todas as emiss\u00f5es e, em 2019, quase 45%.<\/p>\n\n\n\n<p>Desde a ECO-92, as emiss\u00f5es globais de gases aumentaram em torno de duas partes por milh\u00e3o ao ano. S\u00e3o abundantes as evid\u00eancias da ci\u00eancia sobre os impactos negativos desse crescimento demasiado. N\u00e3o vou repetir todos aqui. A m\u00eddia est\u00e1 suficientemente focada em tais impactos. Eles aparecem com frequ\u00eancia nos jornais, assim como nos relat\u00f3rios coloridos e bem ilustrados do Painel Intergovernamental sobre Mudan\u00e7as Clim\u00e1ticas, o IPCC. Trabalhos a esse respeito jorram dos laborat\u00f3rios de cientistas brasileiros que brilham no Brasil e no exterior, mesmo sem or\u00e7amento nacional decente. Nossos problemas n\u00e3o s\u00e3o a falta de n\u00fameros e, sim, a apatia diante deles. Por isso, n\u00e3o vou enfatizar o quanto a temperatura no planeta, no Nordeste brasileiro e na Amaz\u00f4nia aumentou. Prefiro deixar a \u201cp\u00e1gina\u201d em branco \u2013 um branco t\u00e3o alvo quanto o gelo j\u00e1 derretido das calotas polares. Infelizmente, n\u00e3o vai dar para congel\u00e1-lo de volta\u2026 Tampouco relatarei o quanto o mar subiu em virtude do degelo, nem o quanto subir\u00e1, mudando a geografia de pa\u00edses e regi\u00f5es. Tamb\u00e9m deixarei suspensa no ar a espessa nuvem de umidade que desce da Amaz\u00f4nia e leva chuva para o Sul do continente americano. N\u00e3o lembrarei das cheias intensas no Rio Amazonas nem das secas severas e do<a href=\"https:\/\/piaui.folha.uol.com.br\/materia\/floresta-em-chamas\/\">&nbsp;fogo na Amaz\u00f4nia<\/a>. N\u00e3o vou me ater aos mapas que anunciam para as pr\u00f3ximas d\u00e9cadas a redu\u00e7\u00e3o de chuvas na Bacia do S\u00e3o Francisco ou o excesso delas no Sudeste do Brasil. Ficarei em sil\u00eancio, ainda, sobre a produ\u00e7\u00e3o minguada de caf\u00e9 e soja no futuro, as perdas econ\u00f4micas estratosf\u00e9ricas e suas consequ\u00eancias no dia a dia de pessoas como voc\u00ea, eu e principalmente as mais vulner\u00e1veis.<\/p>\n\n\n\n<p>Dif\u00edcil entender o que ocorreu com a humanidade ao longo dos quase trinta anos que nos separam da ECO-92. Foram 25 COPs desde ent\u00e3o. E agora, \u00e0s v\u00e9speras da 26a., \u00e9 como se nossos p\u00e9s estivessem virados para tr\u00e1s e nossos cora\u00e7\u00f5es vazios. Busco explica\u00e7\u00f5es sobre o que nos impediu de contornar a rota de destrui\u00e7\u00e3o que foi pavimentada l\u00e1 na Revolu\u00e7\u00e3o Industrial. Na Rio+20, em 2012, Severn Suzuki, \u00e0 \u00e9poca com 32 anos e m\u00e3e de duas crian\u00e7as, tentou explicar a repercuss\u00e3o do seu discurso de 1992: \u201cO mundo estava faminto por essa mensagem, e a humanidade estava desesperada para escut\u00e1-la.\u201d Creio que sent\u00edamos mesmo fome de nos emocionar, e nada mais potente do que o discurso simples e genu\u00edno de uma crian\u00e7a. Emo\u00e7\u00e3o, m\u00e1goa e raiva foram sentimentos que tamb\u00e9m experimentamos em 2019, quando a adolescente sueca Greta Thunberg se dirigiu aos l\u00edderes mundiais numa reuni\u00e3o da ONU. O arrepio atingiu em cheio a minha espinha assim que a garota lan\u00e7ou sua famosa indaga\u00e7\u00e3o: \u201c<em>How dare you?<\/em>\u201d. A express\u00e3o de f\u00faria destoava de seu rostinho de menina. Ela disse basicamente o seguinte: \u201cComo voc\u00eas ousam n\u00e3o ter feito mais para combater as altera\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas? Voc\u00eas roubaram os meus sonhos e a minha inf\u00e2ncia com as suas palavras vazias.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>Ansiedade clim\u00e1tica e eco-ansiedade \u2013 o sentimento de ang\u00fastia relacionado com o clima e as crises ambientais \u2013 t\u00eam crescido \u00e0 medida que as pessoas ficam mais conscientes das amea\u00e7as globais que presenciamos. Os adolescentes e os jovens se mostram mais suscet\u00edveis ao fen\u00f4meno em raz\u00e3o do seu est\u00e1gio de desenvolvimento psicol\u00f3gico, f\u00edsico, social e neurol\u00f3gico. \u00c9 o que aponta um estudo abrangente, mas ainda sem revis\u00e3o, publicado pelo peri\u00f3dico cient\u00edfico&nbsp;<em>Lancet Planetary Health&nbsp;<\/em>e intitulado&nbsp;<em>Young People\u2019s Voices on Climate Anxiety<\/em>,&nbsp;<em>Government Betrayal and Moral Injury<\/em>&nbsp;(Opini\u00f5es dos Jovens sobre Ansiedade Clim\u00e1tica, Trai\u00e7\u00e3o Governamental e Dano Moral). O levantamento, realizado em 2021, abrangeu 10 mil indiv\u00edduos de 16 a 25 anos, que moram em dez pa\u00edses, incluindo o Brasil. Eles declararam que os problemas ecol\u00f3gicos os fazem sentir uma gama de emo\u00e7\u00f5es negativas, como medo, raiva, tristeza, desespero, culpa e vergonha. Tamb\u00e9m os deixam confusos, sem perspectiva de futuro e com a impress\u00e3o de que os adultos e os governantes os tra\u00edram ou abandonaram.<\/p>\n\n\n\n<p>No livro&nbsp;<em>Medita\u00e7\u00f5es<\/em>, o imperador romano Marco Aur\u00e9lio escreveu: \u201cConsidere tamb\u00e9m as vidas uma vez vividas por outros muito antes de voc\u00ea e as vidas que ser\u00e3o vividas depois de voc\u00ea.\u201d Tenho imenso orgulho dos meus pais e av\u00f3s, que cresceram com tradi\u00e7\u00f5es simples e camponesas. Quando crian\u00e7a, eu sentia a ansiedade boa de reencontrar minha av\u00f3, a quem tenho a alegria de rever at\u00e9 hoje. Ela preparava em grossas panelas de ferro os alimentos que nossa pr\u00f3pria fam\u00edlia cultivava e cujos sabores ainda guardo na mem\u00f3ria. Nos campos floridos, em meio ao canto melodioso das rolinhas fogo-apagou, extra\u00edamos a pluma do caro\u00e7o do algod\u00e3o que minha av\u00f3 havia plantado e que, gra\u00e7as \u00e0s suas m\u00e3os habilidosas, viravam fios e tecidos. Penso em quais ser\u00e3o as mem\u00f3rias das gera\u00e7\u00f5es futuras se elas tiverem pela frente um mundo mais \u00e1rduo e menos belo. Precisamos de toda a pot\u00eancia transformadora que eclodia do Planeta F\u00eamea de 1992. Precisamos igualmente da energia que ecoa de tantas vozes ativistas contempor\u00e2neas. Mudemos nossos transportes. Mudemos nossa forma de produzir alimentos. Mudemos nosso consumo. Mudemos nosso voto. S\u00f3 n\u00e3o podemos seguir ap\u00e1ticos, sem a\u00e7\u00e3o, petrificados pelas lavas e usando uma tela com listras de arco-\u00edris para crer que o mundo est\u00e1 colorido.<br><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Estamos \u00e0s v\u00e9speras da 26\u00aa reuni\u00e3o mundial sobre mudan\u00e7as clim\u00e1ticas e ainda insistimos em caminhar rumo \u00e0 destrui\u00e7\u00e3o ambiental. Por qu\u00ea?<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_exactmetrics_skip_tracking":false,"_exactmetrics_sitenote_active":false,"_exactmetrics_sitenote_note":"","_exactmetrics_sitenote_category":0,"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","enabled":false},"version":2}},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-32875","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-notas"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p7wKYW-8yf","jetpack-related-posts":[],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/32875","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=32875"}],"version-history":[{"count":1,"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/32875\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":32876,"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/32875\/revisions\/32876"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=32875"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=32875"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=32875"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}