{"id":32881,"date":"2021-10-03T08:47:37","date_gmt":"2021-10-03T12:47:37","guid":{"rendered":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/?p=32881"},"modified":"2021-10-03T08:47:42","modified_gmt":"2021-10-03T12:47:42","slug":"por-que-agricultores-e-pesquisadores-defendem-que-agroecologia-pode-sanar-a-fome-no-brasil","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/2021\/10\/03\/por-que-agricultores-e-pesquisadores-defendem-que-agroecologia-pode-sanar-a-fome-no-brasil\/","title":{"rendered":"Por que agricultores e pesquisadores defendem que agroecologia pode sanar a fome no Brasil"},"content":{"rendered":"\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"600\" height=\"338\" data-attachment-id=\"32882\" data-permalink=\"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/2021\/10\/03\/por-que-agricultores-e-pesquisadores-defendem-que-agroecologia-pode-sanar-a-fome-no-brasil\/9f049d13-d8ce-4b35-b95d-dc9de05a3002\/\" data-orig-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/9F049D13-D8CE-4B35-B95D-DC9DE05A3002.jpeg?fit=800%2C450\" data-orig-size=\"800,450\" data-comments-opened=\"0\" data-image-meta=\"{&quot;aperture&quot;:&quot;0&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;0&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;0&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;0&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0&quot;,&quot;title&quot;:&quot;&quot;,&quot;orientation&quot;:&quot;0&quot;}\" data-image-title=\"9F049D13-D8CE-4B35-B95D-DC9DE05A3002\" data-image-description=\"\" data-image-caption=\"\" data-medium-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/9F049D13-D8CE-4B35-B95D-DC9DE05A3002.jpeg?fit=300%2C169\" data-large-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/9F049D13-D8CE-4B35-B95D-DC9DE05A3002.jpeg?fit=600%2C338\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/9F049D13-D8CE-4B35-B95D-DC9DE05A3002.jpeg?resize=600%2C338\" alt=\"\" class=\"wp-image-32882\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/9F049D13-D8CE-4B35-B95D-DC9DE05A3002.jpeg?w=800 800w, https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/9F049D13-D8CE-4B35-B95D-DC9DE05A3002.jpeg?resize=300%2C169 300w, https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/9F049D13-D8CE-4B35-B95D-DC9DE05A3002.jpeg?resize=768%2C432 768w, https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/9F049D13-D8CE-4B35-B95D-DC9DE05A3002.jpeg?resize=533%2C300 533w\" sizes=\"auto, (max-width: 600px) 100vw, 600px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\">&#8220;N\u00f3s produzimos a maior parte do que a popula\u00e7\u00e3o come&#8221;, diz agrofloresteiro: &#8220;o que falta \u00e9 vontade pol\u00edtica&#8221;<\/h4>\n\n\n\n<!--more-->\n\n\n\n<p>Gabriela Moncau, Brasil de Fato | S\u00e3o Paulo (SP) |<\/p>\n\n\n\n<p>O 3 de outubro,&nbsp;<a href=\"http:\/\/Sociedade Maranhense de Direitos Humanos (SMDH) em conjunto com d\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Dia Nacional da Agroecologia<\/a>, chega nesse ano de 2021 no momento em que mais da metade da popula\u00e7\u00e3o brasileira vive com&nbsp;inseguran\u00e7a alimentar. Mais do que um modelo de agricultura baseado em conhecimentos tradicionais de intera\u00e7\u00e3o com o ambiente por meios sustent\u00e1veis; agricultores, pesquisadores e ativistas ouvidos pelo<strong>&nbsp;Brasil de Fato<\/strong>&nbsp;apontam que a agroecologia \u00e9 o caminho para responder \u00e0 crescente devasta\u00e7\u00e3o do meio ambiente, para desenvolver soberania nacional e capaz de sanar a fome de toda a popula\u00e7\u00e3o.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;A agroecologia se apresenta, nesse contexto de sindemia cov\u00eddica como a estrat\u00e9gia poss\u00edvel de enfrentamento \u00e0 fome porque ela traz o olhar a partir de um passo atr\u00e1s ao ato de se alimentar&#8221;, descreve Isl\u00e2ndia Bezerra, pesquisadora e presidenta da Associa\u00e7\u00e3o Brasileira de Agroecologia (ABA). &#8220;O passo da produ\u00e7\u00e3o de alimentos que enfatiza a natureza como sujeita de direitos&#8221;, resume.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Marcos Jos\u00e9 de Abreu, conhecido como Marquito, \u00e9 vereador em Florian\u00f3polis pelo PSOL e foi autor do projeto de lei que fez da capital santa catarinense o primeiro munic\u00edpio do pa\u00eds a banir agrot\u00f3xicos de seu territ\u00f3rio.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Em sua opini\u00e3o, as cadeias agroecol\u00f3gicas &#8211; diferentemente do setor econ\u00f4mico do agroneg\u00f3cio &#8211; est\u00e3o pouco suscet\u00edveis ao mercado financeiro global de commodities. Assim, avalia Marquito, &#8220;o modelo mais adequado para alcan\u00e7armos uma soberania nacional \u00e9 o agroecol\u00f3gico&#8221;.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Chirlene Barbosa trabalha com agroecologia h\u00e1 mais de duas d\u00e9cadas no munic\u00edpio de Bom Jardim, no agreste Pernambucano. &#8220;Eu sei o que \u00e9 fome&#8221; diz, ao contar que era pequena quando o pai morreu e a &#8220;m\u00e3e ficou com sete filhos para criar&#8221;.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Produtora de hortali\u00e7as, frutas e legumes, Chirlene narra que &#8220;terra \u00e9 vida&#8221; e que mesmo que o dinheiro fique escasso, hoje a mesa \u00e9 farta. Ela garante que \u00e9 poss\u00edvel agricultores agroecol\u00f3gicos abastecerem &#8220;todos os bancos de comida&#8221;, mas \u00e9 preciso &#8220;os governos investirem mais&#8221;, pois &#8220;muitas vezes n\u00e3o tem como essa produ\u00e7\u00e3o chegar \u00e0s pessoas&#8221;, comenta.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<figure><iframe loading=\"lazy\" allowfullscreen=\"\" height=\"315\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/7BYVHcPDcVM\" width=\"560\"><\/iframe><\/figure>\n\n\n\n<p>&#8220;\u00c9 falta de interesse pol\u00edtico das autoridades&#8221;, salienta o agricultor agroflorestal Helenito Lopes. Hermes, como \u00e9 chamado mais comumente, vive com outras 80 fam\u00edlias no Assentamento do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) Sep\u00e9 Tiaraju, no munic\u00edpio de Serrana, pr\u00f3ximo a Ribeir\u00e3o Preto (SP).&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Somos n\u00f3s agricultores familiares que produzimos a maior parte do que a popula\u00e7\u00e3o consome&#8221;, constata Hermes, assentado em uma \u00e1rea considerada refer\u00eancia em pr\u00e1ticas agroecol\u00f3gicas e agroflorestais desde o in\u00edcio dos anos 2000. &#8220;Esse governo quer desmobilizar as organiza\u00e7\u00f5es sociais fechando a torneira para o incentivo das atividades agroecol\u00f3gicas e dando muita grana para o agroneg\u00f3cio&#8221;.\u00a0<br><\/p>\n\n\n\n<p>Em uma fala feita em 2014, mas bastante atual, o ent\u00e3o relator especial da ONU sobre o direito \u00e0 alimenta\u00e7\u00e3o,&nbsp;<a href=\"https:\/\/agroecologia.org.br\/2014\/03\/15\/relatorio-de-olivier-de-schutter-ressalta-papel-da-agricultura-familiar-e-da-agroecologia\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">o professor belga Olivier de Schutter, exp\u00f4s<\/a>&nbsp;que \u201ca erradica\u00e7\u00e3o da fome e da malnutri\u00e7\u00e3o \u00e9 um objetivo alcan\u00e7\u00e1vel. Para tanto, contudo, n\u00e3o ser\u00e1 suficiente apenas refinar a l\u00f3gica dos nossos sistemas alimentares&#8221;, alertou: &#8220;ela precisa, ao contr\u00e1rio, ser invertida\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>O incentivo \u00e0 fome e ao agroneg\u00f3cio<\/p>\n\n\n\n<p>As dificuldades para aplicar essa invers\u00e3o no Brasil parecem proporcionais \u00e0 sua urg\u00eancia. Os dados do &#8220;Inqu\u00e9rito Nacional sobre Inseguran\u00e7a Alimentar no Contexto da Pandemia Covid-19 no Brasil&#8221;, feito pela Rede PENSSAN em 2021, s\u00e3o alarmantes. Das 116,8 milh\u00f5es de pessoas com inseguran\u00e7a alimentar no pa\u00eds, 43,4 milh\u00f5es n\u00e3o tinham comida o suficiente e 19 milh\u00f5es estavam efetivamente passando fome.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Os n\u00fameros evidenciam porque o Brasil, que tinha em 2014 sa\u00eddo do Mapa da Fome &#8211; levantamento das na\u00e7\u00f5es que t\u00eam 5% ou mais de sua popula\u00e7\u00e3o subalimentadas &#8211; voltou a figurar na lista.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Em 27 de setembro a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), por pedido da Associa\u00e7\u00e3o Civil A\u00e7\u00e3o Educativa, entrou com uma a\u00e7\u00e3o no Supremo Tribunal Federal para obrigar o governo Bolsonaro a implementar pol\u00edticas p\u00fablicas de combate \u00e0 fome.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Denunciando um &#8220;desmonte da pol\u00edtica de seguran\u00e7a alimentar&#8221;, a a\u00e7\u00e3o reivindica, entre outras medidas, que o governo revogue a extin\u00e7\u00e3o do Conselho Nacional de Seguran\u00e7a Alimentar e Nutricional (Consea), garanta repasses financeiros ao Programa Nacional de Alimenta\u00e7\u00e3o Escolar (PNAE) e invista R$1 bilh\u00e3o&nbsp;no Programa de Aquisi\u00e7\u00e3o de Alimentos (PAA).<\/p>\n\n\n\n<p>Esses dois programas s\u00e3o citados por Isl\u00e2ndia como exemplos de pol\u00edticas p\u00fablicas federais importantes na potencializa\u00e7\u00e3o da agroecologia, ao lado de iniciativas estaduais e municipais. &#8220;As pol\u00edticas existem, mas quando comparadas aos investimentos do Estado no setor do agroneg\u00f3cio, estamos na periferia no sentido de acessibilidade&#8221;, diz.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Em setembro, a Associa\u00e7\u00e3o Brasileira de Reforma Agr\u00e1ria (ABRA), em parceria com a Friedrich-Ebert-Stiftung Brasil (FES Brasil), lan\u00e7ou o artigo &#8220;Desafios para o Abastecimento e Soberania Alimentar no Brasil&#8221;. Nele, os autores avaliam que o PAA, ao longo dos anos passou a priviliegiar compras institucionais de m\u00e9dias e grandes cooperativas.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>O artigo questiona, ainda, que uma s\u00e9rie de entraves burocr\u00e1ticos passaram a impossibilitar a participa\u00e7\u00e3o de diversas comunidades no programa, &#8220;particularmente comunidades quilombolas, ind\u00edgenas e pequenas cooperativas de agricultura familiar&#8221;.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"https:\/\/www.brasildefato.com.br\/2021\/09\/16\/estudo-destaca-experiencias-comunitarias-para-propor-politicas-de-seguranca-alimentar-no-brasil\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\"><strong>::&nbsp;Estudo destaca experi\u00eancias comunit\u00e1rias para propor pol\u00edticas de seguran\u00e7a alimentar no Brasil ::<\/strong><\/a><\/p>\n\n\n\n<p>Enquanto isso, o Minist\u00e9rio da Agricultura aprovou, em 2020, o registro de 493 agrot\u00f3xicos, o n\u00famero mais alto da s\u00e9rie hist\u00f3rica, compilado desde 2000. Dos 1059 agrot\u00f3xicos registrados desde janeiro de 2019 no Brasil, cerca de um ter\u00e7o \u00e9 proibido na Uni\u00e3o Europeia por serem considerados perigosos para a sa\u00fade e o meio ambiente.<\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m disso, a isen\u00e7\u00e3o de impostos das quais goza a agroind\u00fastria no Brasil<a href=\"https:\/\/monitormercantil.com.br\/grande-produtor-rural-nao-paga-impostos\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">&nbsp;representou, no ano passado, R$29,2 bilh\u00f5es<\/a>. Em 2019, as exporta\u00e7\u00f5es feitas pelo setor&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.brasildefato.com.br\/2020\/12\/08\/agronegocio-pagou-apenas-r-16-3-mil-em-imposto-de-exportacao-durante-todo-2019\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">renderam aos cofres p\u00fablicos apenas R$16,3 mil<\/a>.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Redes de solidariedade e pol\u00edticas locais<\/p>\n\n\n\n<p>A despeito da prioriza\u00e7\u00e3o estatal ao agroneg\u00f3cio e do desemprego crescente, as iniciativas aut\u00f4nomas de solidariedade no enfrentamento \u00e0 fome se espalharam pelo pa\u00eds desde o pandemia de Coronav\u00edrus.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;S\u00e3o v\u00e1rias as experi\u00eancias&#8221;, sorri Isl\u00e2ndia, ao elencar as feitas pelo MST, o Movimento de Mulheres Camponesas (MMC), o Movimento dos Pequenos Agricultores (MPA), o Movimento de Agricultura Urbana, as cozinhas solid\u00e1rias do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST), as comunidades quilombolas, ind\u00edgenas. &#8220;Est\u00e3o trazendo o debate da produ\u00e7\u00e3o e consumo de alimentos saud\u00e1veis para um contexto de escassez&#8221;, descreve.&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Hermes relata que o in\u00edcio da pandemia foi um choque para as fam\u00edlias do Assentamento Sep\u00e9 Tiaraju. &#8220;Todas as portas se fecharam para quem trabalhava com venda em feiras locais, em congressos, o PAA e o PNAE pararam. O povo nosso aqui ficou desesperado n\u00e9, o que a gente vai fazer com tanto alimento?&#8221;, conta. &#8220;E a gente come\u00e7ou a perceber que tinha gente nas cidades passando muita dificuldade&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>A partir da articula\u00e7\u00e3o do que chamam de Grupos de Consumidores Agroecol\u00f3gicos, os assentados do Sep\u00e9 e de outras comunidades do MST mobilizaram parceiros para comprar seus produtos e os doarem&nbsp;para a popula\u00e7\u00e3o perif\u00e9rica de Ribeir\u00e3o Preto. &#8220;A gente chegou a juntar mais de oito toneladas. E agora j\u00e1 estamos num novo projeto&#8221;, relata Hermes.&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Ningu\u00e9m v\u00ea o agroneg\u00f3cio distribuindo alimentos. O agroneg\u00f3cio n\u00e3o vai poder jamais fazer uma a\u00e7\u00e3o de solidariedade distribuindo alimentos, porque ele n\u00e3o produze alimentos&#8221;, avalia Isl\u00e2ndia: &#8220;Ele produz commodities, voltados \u00e0 exporta\u00e7\u00e3o&#8221;.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;O que pode ser que o agroneg\u00f3cio fa\u00e7a?&#8221;, reflete a presidenta da ABA. &#8220;Pode distribuir cestas, com produtos comest\u00edveis ultra processados. Diferentemente de quem produz comida, frutas, legumes, ra\u00edzes, tub\u00e9rculos, leite e derivados. S\u00e3o essas organiza\u00e7\u00f5es sociais de base que est\u00e3o fazendo o enfrentamento \u00e0 fome&#8221;, sintetiza.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"https:\/\/www.brasildefato.com.br\/2021\/10\/01\/mobilizacao-social-resulta-em-criacao-de-lei-que-proibe-pulverizacao-de-agrotoxicos-no-ms\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\"><strong>::&nbsp;Mobiliza\u00e7\u00e3o social resulta em cria\u00e7\u00e3o de lei que pro\u00edbe pulveriza\u00e7\u00e3o de agrot\u00f3xicos no MS ::<\/strong><\/a><\/p>\n\n\n\n<p>Na vis\u00e3o de Bezerra, no entanto, o combate \u00e0 inseguran\u00e7a alimentar &#8220;n\u00e3o pode ser feito \u00fanica e exclusivamente pela sociedade civil organizada&#8221;, mas tamb\u00e9m &#8220;no campo das macro pol\u00edticas p\u00fablicas&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>Marcos Abreu faz uma avalia\u00e7\u00e3o similar, defendendo ser estrat\u00e9gico o foco no \u00e2mbito municipal. Aliada \u00e0s den\u00fancias da press\u00e3o que a bancada ruralista faz em defesa do agroneg\u00f3cio na esfera nacional, Marquito acredita que &#8220;as leis e pol\u00edticas locais s\u00e3o de alto impacto&#8221;.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>O legado de Ana Maria Primavesi<\/p>\n\n\n\n<p>As discuss\u00f5es levantadas pelo Dia Nacional da Agroecologia evidentemente n\u00e3o v\u00eam de hoje. A&nbsp;data, inclusive, \u00e9 o dia do nascimento de uma das hist\u00f3ricas defensoras de modelos de agricultura alternativos ao agroneg\u00f3cio.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Ana Maria Primavesi nasceu na \u00c1ustria e chegou ao Brasil nos anos 1950, escapando da persegui\u00e7\u00e3o nazista nos anos que se seguiram \u00e0 Segunda Guerra Mundial. Docente e engenheira agr\u00f4noma pr\u00f3xima a comunidades tradicionais e movimentos ligados \u00e0 luta pela terra, ela revolucionou a vis\u00e3o da agricultura ao se atentar para a import\u00e2ncia da sa\u00fade do solo ao pensar no que se produz a partir dele.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Os olhos de Isl\u00e2ndia Bezerra se enchem de \u00e1gua quando ela se lembrou&nbsp;das poucas vezes em que teve a oportunidade de escutar Primavesi ao vivo. A pioneira da agroecologia brasileira faleceu em 2020, aos 99 anos.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Do conhecimento deixado por Primavesi, Isl\u00e2ndia destaca que &#8220;para al\u00e9m do conhecer e conceber o solo como ber\u00e7o&nbsp;da nossa pr\u00f3pria exist\u00eancia, ela deixou um legado de questionar o modelo que usa veneno e que reverbera em todo o planeta&#8221;.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Com evid\u00eancias cient\u00edficas, Ana Primavesi nos ensinou que a terra n\u00e3o precisa de veneno. Ningu\u00e9m precisa de veneno&#8221;, constata Bezerra.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>E \u00e9 justamente a troca de conhecimentos, aliada \u00e0 luta por maiores incentivos para as produ\u00e7\u00f5es agroecol\u00f3gicas e agroflorestais o que Hermes considera serem os caminhos &#8220;para a gente matar a fome do nosso povo&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>Edi\u00e7\u00e3o: Vin\u00edcius Segalla<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&#8220;N\u00f3s produzimos a maior parte do que a popula\u00e7\u00e3o come&#8221;, diz agrofloresteiro: &#8220;o que falta \u00e9 vontade pol\u00edtica&#8221;<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_exactmetrics_skip_tracking":false,"_exactmetrics_sitenote_active":false,"_exactmetrics_sitenote_note":"","_exactmetrics_sitenote_category":0,"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","enabled":false},"version":2}},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-32881","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-notas"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p7wKYW-8yl","jetpack-related-posts":[],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/32881","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=32881"}],"version-history":[{"count":1,"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/32881\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":32883,"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/32881\/revisions\/32883"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=32881"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=32881"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=32881"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}