{"id":32993,"date":"2021-10-29T10:39:00","date_gmt":"2021-10-29T14:39:00","guid":{"rendered":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/?p=32993"},"modified":"2021-10-29T10:39:05","modified_gmt":"2021-10-29T14:39:05","slug":"reconstrucao-da-br-319-ameaca-69-terras-indigenas-e-avanca-com-manobras-do-governo","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/2021\/10\/29\/reconstrucao-da-br-319-ameaca-69-terras-indigenas-e-avanca-com-manobras-do-governo\/","title":{"rendered":"Reconstru\u00e7\u00e3o da BR-319 amea\u00e7a 69 terras ind\u00edgenas e avan\u00e7a com manobras do governo"},"content":{"rendered":"\n<figure class=\"wp-block-image size-large is-resized\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" data-attachment-id=\"32994\" data-permalink=\"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/2021\/10\/29\/reconstrucao-da-br-319-ameaca-69-terras-indigenas-e-avanca-com-manobras-do-governo\/image-1172\/\" data-orig-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/image.jpeg?fit=344%2C147\" data-orig-size=\"344,147\" data-comments-opened=\"0\" data-image-meta=\"{&quot;aperture&quot;:&quot;0&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;0&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;0&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;0&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0&quot;,&quot;title&quot;:&quot;&quot;,&quot;orientation&quot;:&quot;0&quot;}\" data-image-title=\"image\" data-image-description=\"\" data-image-caption=\"\" data-medium-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/image.jpeg?fit=300%2C128\" data-large-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/image.jpeg?fit=344%2C147\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/image.jpeg?resize=584%2C250&#038;ssl=1\" alt=\"Reconstru\u00e7\u00e3o da BR-319 amea\u00e7a 69 terras ind\u00edgenas e avan\u00e7a com manobras do  governo\" class=\"wp-image-32994\" width=\"584\" height=\"250\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/image.jpeg?w=344 344w, https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/image.jpeg?resize=300%2C128 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 584px) 100vw, 584px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p><strong>Rep\u00f3rter Brasil, por F\u00e1bio Bispo <\/strong>&#8211; Com custo estimado em R$ 2 bilh\u00f5es, rodovia que liga Manaus a Porto Velho deve aumentar em 1.200% desmatamento ilegal na Amaz\u00f4nia, segundo pesquisadores; governo atropela licenciamento ambiental e obriga\u00e7\u00e3o de ouvir comunidades afetadas.<\/p>\n\n\n\n<!--more-->\n\n\n\n<p>\u201cQuando a gente fala que est\u00e1 tendo grilagem [roubo] de terra em nossas \u00e1reas, as pessoas n\u00e3o acreditam. Ent\u00e3o espia a\u00ed esse ramal saindo da BR. Maior tristeza.\u201d Por mais de 40 quil\u00f4metros, o cacique, de forma an\u00f4nima, registra clar\u00f5es abertos em \u00e1reas protegidas de floresta, o que inclui uma estrada de terra clandestina. Segundo o ind\u00edgena, este desmatamento \u00e9 recente e impulsionado pela promessa do governo federal de reconstruir a BR-319, que liga Manaus (AM) a Porto Velho (RO).&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cCom o asfaltamento deste trecho, a tend\u00eancia \u00e9 acabar com o pouco que resta da Amaz\u00f4nia\u201d, continua o cacique, em um v\u00eddeo feito em abril na Reserva do Lago do Capan\u00e3, em Manicor\u00e9 (AM). O ramal ilegal se multiplica, bloqueia igarap\u00e9s e segue \u201csabe l\u00e1 Deus pra onde\u201d.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-embed-youtube wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio\"><div class=\"wp-block-embed__wrapper\">\n<div class=\"jetpack-video-wrapper\"><iframe loading=\"lazy\" title=\"Reconstru\u00e7\u00e3o da BR-319 amea\u00e7a 69 terras ind\u00edgenas e avan\u00e7a com manobras do governo\" width=\"600\" height=\"338\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/s20KKAVgwYg?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/div>\n<\/div><\/figure>\n\n\n\n<p>A realidade exibida pelo cacique \u2013 de invas\u00f5es, desmatamento e roubo de terras \u2013 tornou-se uma amea\u00e7a para 69 Terras Ind\u00edgenas onde vivem 18 povos, incluindo indiv\u00edduos totalmente isolados. Tudo por conta de uma promessa do presidente Jair Bolsonaro feita ainda na campanha eleitoral e que deve custar R$ 2 bilh\u00f5es. <\/p>\n\n\n\n<p>A degrada\u00e7\u00e3o se espalha pela floresta: o simples projeto de asfaltamento da rodovia valoriza os terrenos, abrindo espa\u00e7o para a especula\u00e7\u00e3o imobili\u00e1ria e a grilagem de terras, al\u00e9m de facilitar o acesso de invasores e madeireiros ilegais a uma extensa \u00e1rea de mata preservada.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Dos 885 km da rodovia inaugurada em 1976, o impasse hoje est\u00e1 nos 478 km que cortam um dos blocos mais preservados da floresta amaz\u00f4nica e onde o tra\u00e7ado original da rodovia, conforme inaugurado pelos militares, n\u00e3o existe mais. Dividido em 2 lotes para os processos de licenciamento e licita\u00e7\u00e3o das obras, o trecho fica entre os munic\u00edpios de Humait\u00e1 e Careiro da V\u00e1rzea, no Amazonas. &nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>O desmatamento na \u00e1rea de influ\u00eancia da BR disparou nos \u00faltimos cinco anos e atualmente \u00e9 duas vezes e meia maior do que em toda a Amaz\u00f4nia, segundo pesquisadores do Inpa (Instituto Nacional de Pesquisas da Amaz\u00f4nia), em artigo publicado pela revista cient\u00edfica <a href=\"https:\/\/www.sciencedirect.com\/science\/article\/abs\/pii\/S0264837721002829?via%3Dihub\">Land Use Policy<\/a>. A maior parte desse desmatamento est\u00e1 concentrado no sul do Amazonas e em Rond\u00f4nia. Em Humait\u00e1, por exemplo, onde termina um dos trechos asfaltados da BR-319, o desmatamento ilegal aumentou 12 vezes em cinco anos.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img data-recalc-dims=\"1\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/reporterbrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/dnit-br319.jpg?w=600&#038;ssl=1\" alt=\"\" class=\"wp-image-55709\"\/><figcaption>BR-319 liga Manaus a Porto Velho; com reconstru\u00e7\u00e3o da via, desmatamento deve explodir na Amaz\u00f4nia, alertam pesquisadores (Foto: Dnit\/Divulga\u00e7\u00e3o)<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>\u201cE tudo isso ocorre antes mesmo da conclus\u00e3o da rodovia, o que s\u00f3 refor\u00e7a a tese de que a BR-319 j\u00e1 \u00e9 uma das principais causas do desmatamento e da grilagem de terras na Amaz\u00f4nia\u201d, afirma Lucas Ferrante, um dos pesquisadores respons\u00e1veis pelo estudo, que faz uma proje\u00e7\u00e3o catastr\u00f3fica: com a obra da BR-319 e de outras vias planejadas pelo governo, o desmatamento na Amaz\u00f4nia poder\u00e1 aumentar 1.200% at\u00e9 o ano de 2100 e provocar um colapso ambiental sem precedentes.<br><\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p>\u2018E tudo ocorre antes mesmo da conclus\u00e3o da rodovia, o que s\u00f3 refor\u00e7a que a BR-319 j\u00e1 \u00e9 uma das principais causas do desmatamento e da grilagem de terras na Amaz\u00f4nia\u2019, diz o pesquisador Lucas Ferrante<br><\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<p>Ind\u00edgenas de diversas etnias sentem os efeitos da reconstru\u00e7\u00e3o da rodovia antes mesmo de ela acontecer. \u201cEles [invasores] j\u00e1 est\u00e3o tomando conta dos nossos castanhais\u201d, alerta Rosa Andr\u00e9 Pinheiro da Silva, 70, do povo <a href=\"http:\/\/pib.socioambiental.org\/pt\/povo\/kambeba\">Kambeba<\/a>. Essas&nbsp; \u00e1rvores centen\u00e1rias de alta import\u00e2ncia para a subsist\u00eancia dos povos s\u00e3o as primeiras a irem ao ch\u00e3o na abertura das picadas e trilhas na floresta. Viram pontes para cruzar os igarap\u00e9s.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m da amea\u00e7a a terras ind\u00edgenas, tamb\u00e9m est\u00e3o na \u00e1rea de impacto da rodovia 41 Unidades de Conserva\u00e7\u00e3o, segundo levantamento do Observat\u00f3rio da BR-319.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Intitulado \u201cGrilagem de terras na rodovia BR-319 como ponta de lan\u00e7a para o desmatamento amaz\u00f4nico\u201d, em tradu\u00e7\u00e3o livre, o estudo dos pesquisadores do Inpa mostra que a rodovia j\u00e1 exerce influ\u00eancia direta sobre 98% do desmatamento registrado no interfl\u00favio dos rios Madeira e Purus. Dados divulgados pelo jornal <a href=\"https:\/\/oglobo.globo.com\/brasil\/meio-ambiente\/amazonia-area-cortada-por-br-319-promessa-de-bolsonaro-ja-sofre-com-desmatamento-25147412\">O Globo<\/a> tamb\u00e9m mostram que, em 2020, foram abertos 410 quil\u00f4metros de estradas nas regi\u00f5es de influ\u00eancia da rodovia. Um aumento de 13% em rela\u00e7\u00e3o ao ano anterior.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cAs estimativas do estudo s\u00e3o bastante generosas, porque na verdade o desmatamento vai aumentar muito mais que 1.200% at\u00e9 o ano de 2100 e influenciar, direta ou indiretamente, outras \u00e1reas ainda preservadas da floresta\u201d, diz Ferrante.&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<h1 class=\"wp-block-heading\">Bolsonarista de toga&nbsp;<\/h1>\n\n\n\n<p>O projeto de reconstru\u00e7\u00e3o da BR-319 desengavetado por Bolsonaro j\u00e1 foi proposto nos governos de Fernando Henrique (1994-2001), Lula (2003-2010) e Dilma (2011-2016). Todos esbarraram na quest\u00e3o ambiental. Entretanto, o plano de Bolsonaro de ocupar a Amaz\u00f4nia a qualquer custo tramita a toque de caixa no Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT), do Minist\u00e9rio da Infraestrutura, que atropela a legisla\u00e7\u00e3o e ignora a necessidade de ouvir as comunidades antes das obras.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>O projeto tamb\u00e9m encontrou no Judici\u00e1rio um aliado para driblar as exig\u00eancias ambientais que h\u00e1 anos impedem a reconstru\u00e7\u00e3o: trata-se de Humberto Martins, presidente do STJ (Superior Tribunal de Justi\u00e7a), que \u00e9 pr\u00f3ximo a Bolsonaro e chegou a ser considerado pelo presidente para uma vaga no <a href=\"https:\/\/www.cnnbrasil.com.br\/politica\/com-suspensao-de-mendonca-presidente-do-stj-e-sugerido-para-vaga-no-stf\/\">STF<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p>O DNIT lan\u00e7ou, em agosto de 2020, o <a href=\"https:\/\/www.in.gov.br\/web\/dou\/-\/aviso-de-licitacao-263222480\">edital<\/a> para reconstru\u00e7\u00e3o do lote C (Lote Charlie, uma parte da estrada a ser reconstru\u00edda), mas sem estudos de impacto, licen\u00e7as ambientais e consultas aos povos ind\u00edgenas. O MPF conseguiu suspender a licita\u00e7\u00e3o, mas acabou desautorizado por Martins.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img data-recalc-dims=\"1\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/reporterbrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/M10_TS_0500.2-br319-foto-inpa.jpg?w=600&#038;ssl=1\" alt=\"\" class=\"wp-image-55712\"\/><figcaption>Desmatamento na Amaz\u00f4nia se concentra hoje nas imedia\u00e7\u00f5es da BR-319, segundo pesquisadores do Inpa (Foto: INPA\/Divulga\u00e7\u00e3o)<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>O magistrado permitiu, em decis\u00e3o liminar, a contrata\u00e7\u00e3o de empresa para iniciar as obras num dos trechos mais cr\u00edticos da rodovia. Sem alarde, em abril, o presidente do STJ sustentou que o governo n\u00e3o precisava de licen\u00e7as e estudos ambientais para as obras no local e alegou que a BR-319 \u00e9 \u201cimprescind\u00edvel\u201d para o transporte de \u201cmedicamentos, vacinas e insumos hospitalares, notadamente oxig\u00eanio\u201d. Ele se referia \u00e0 crise em Manaus, quando infectados por covid morreram por falta de oxig\u00eanio nos hospitais.<\/p>\n\n\n\n<p>A decis\u00e3o de Martins abriu caminho para a contrata\u00e7\u00e3o da LCM Constru\u00e7\u00f5es, que j\u00e1 iniciou \u201calguns trabalhos\u201d, conforme anunciou o general Santos Filhos, diretor-geral do DNIT, em reuni\u00e3o na Comiss\u00e3o de Integra\u00e7\u00e3o Nacional, Desenvolvimento Regional e da Amaz\u00f4nia, em junho deste ano. As obras no trecho C de fato come\u00e7aram em julho. Em outro ponto cr\u00edtico da rodovia, o chamado Trecho do Meio, as obras devem come\u00e7ar em janeiro de 2022, segundo o general.<\/p>\n\n\n\n<p>Procurado, o ministro Humberto Martins disse que n\u00e3o comenta as pr\u00f3prias decis\u00f5es fora do processo.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Apesar da derrota do MPF neste embate jur\u00eddico \u2014 ainda h\u00e1 um recurso a ser julgado no Tribunal Regional Federal da 1\u00aa Regi\u00e3o (TRF1) \u2014, os procuradores consideraram m\u00e1-f\u00e9 do DNIT o lan\u00e7amento do edital sem cumprir a legisla\u00e7\u00e3o.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cE o que \u00e9 pior: permite que sejam criadas falsas expectativas na popula\u00e7\u00e3o em torno da recupera\u00e7\u00e3o da rodovia BR-319, com indisfar\u00e7\u00e1vel motiva\u00e7\u00e3o pol\u00edtica\u201d, diz trecho da peti\u00e7\u00e3o assinada por 15 procuradores federais.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Os procuradores sugerem ainda que \u201co DNIT est\u00e1 movimentando a m\u00e1quina administrativa (e agora a m\u00e1quina judici\u00e1ria) para promover uma licita\u00e7\u00e3o sem nenhuma viabilidade jur\u00eddica\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Em nota, o DNIT afirmou que a libera\u00e7\u00e3o do lote C da rodovia segue o que foi firmado em acordo com a Funai em 2007, j\u00e1 que as obras \u201cn\u00e3o tratam da amplia\u00e7\u00e3o de capacidade e sim da conclus\u00e3o de obra inacabada\u201d. O \u00f3rg\u00e3o disse tamb\u00e9m que est\u00e1 preocupado com a quest\u00e3o ambiental, j\u00e1 que \u201ccontar\u00e1 com passagens de fauna subterr\u00e2neas e a\u00e9reas, implanta\u00e7\u00f5es de recuos e recupera\u00e7\u00e3o de \u00e1reas degradadas\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Sobre a consulta aos povos ind\u00edgenas, o DNIT afirmou que \u201cser\u00e1 apresentado e debatido com as comunidades ind\u00edgenas potencialmente afetadas t\u00e3o logo o documento seja declarado apto pela Funai\u201d. <a href=\"https:\/\/reporterbrasil.org.br\/2021\/10\/integra-da-resposta-do-dnit\/\">Leia aqui a \u00edntegra da resposta<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p>Enquanto isso, o governo federal iniciou, em setembro, as audi\u00eancias p\u00fablicas para as obras do Trecho do Meio da rodovia. A Justi\u00e7a Federal chegou a suspender as audi\u00eancias a pedido do MPF, em 27 de setembro. Na ocasi\u00e3o, a ju\u00edza federal Mara Elisa Andrade destacou que, com o \u201cagravamento do desmatamento, queimadas e degrada\u00e7\u00e3o florestal\u201d, \u00e9 necess\u00e1rio mais rigor para se conhecer \u201cos reais riscos oferecidos pela BR-319\u201d. No mesmo dia, entretanto, o TRF1 acatou o pedido do governo e derrubou a decis\u00e3o. As audi\u00eancias foram mantidas.<\/p>\n\n\n\n<p>Para o MPF, trata-se de crime ambiental a tentativa do governo de licenciar a obra por trechos, com audi\u00eancias p\u00fablicas setorizadas, antes de realizar estudos abrangentes que contemplem toda a extens\u00e3o da estrada. <\/p>\n\n\n\n<p>O fatiamento dos estudos ambientais da rodovia em trechos a serem licitados, como quer o governo federal, n\u00e3o \u00e9 capaz de mensurar outros impactos que prev\u00eaem a conclus\u00e3o da BR-319, dizem os procuradores. Eles citam como exemplo a rodovia AM-366, que abriria acesso vi\u00e1rio a uma imensa \u00e1rea de floresta ainda intacta \u2014 o que traz especula\u00e7\u00e3o imobili\u00e1ria, grilagem e invasores. <\/p>\n\n\n\n<p>O lote C da rodovia nunca foi alvo de um estudo de impacto ambiental. Essa parte da obra e o Trecho do Meio demandam a constru\u00e7\u00e3o de mais de uma centena de pontes, reconstru\u00e7\u00e3o de sistema de drenagens e at\u00e9 mesmo altera\u00e7\u00f5es no tra\u00e7ado original da rodovia. J\u00e1 os quatro estudos ambientais apresentados para o Trecho do Meio nunca foram aprovados \u2014 o mais recente, de 2020, est\u00e1 sob an\u00e1lise dos \u00f3rg\u00e3os ambientais.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cCria-se uma confus\u00e3o orquestrada propositalmente. Realizam-se audi\u00eancias fakes (sem reconhecimento legal, por n\u00e3o incluir todas as partes envolvidas) e h\u00e1 um lobby tremendo, principalmente na comunidade local\u201d, analisa o professor e pesquisador Luis Fernando Novoa, da Universidade Federal de Rond\u00f4nia.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Nem a consulta ind\u00edgena nem o licenciamento adequado aparecem de forma clara nos planos do governo federal, que n\u00e3o titubeia ao anunciar que vai iniciar e concluir a obra em nome do \u201cdesenvolvimento e da seguran\u00e7a nacional\u201d. Para comunidades tradicionais que vivem na regi\u00e3o, entretanto, a reconstru\u00e7\u00e3o da rodovia \u00e9 sin\u00f4nimo de inseguran\u00e7a.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Rep\u00f3rter Brasil, por F\u00e1bio Bispo &#8211; Com custo estimado em R$ 2 bilh\u00f5es, rodovia que liga Manaus a Porto Velho deve aumentar em 1.200% desmatamento ilegal na Amaz\u00f4nia, segundo pesquisadores; governo atropela licenciamento ambiental e obriga\u00e7\u00e3o de ouvir comunidades afetadas.<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_exactmetrics_skip_tracking":false,"_exactmetrics_sitenote_active":false,"_exactmetrics_sitenote_note":"","_exactmetrics_sitenote_category":0,"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","enabled":false},"version":2}},"categories":[1],"tags":[620,387,621,7],"class_list":["post-32993","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-notas","tag-br-319","tag-desmatamento","tag-manaus","tag-rondonia"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p7wKYW-8A9","jetpack-related-posts":[],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/32993","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=32993"}],"version-history":[{"count":1,"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/32993\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":32995,"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/32993\/revisions\/32995"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=32993"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=32993"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=32993"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}