{"id":33033,"date":"2021-11-08T08:26:55","date_gmt":"2021-11-08T12:26:55","guid":{"rendered":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/?p=33033"},"modified":"2021-11-08T08:36:43","modified_gmt":"2021-11-08T12:36:43","slug":"viagem-pela-br-319-estrada-rumo-a-destruicao-da-amazonia","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/2021\/11\/08\/viagem-pela-br-319-estrada-rumo-a-destruicao-da-amazonia\/","title":{"rendered":"Viagem pela BR-319: estrada rumo \u00e0 destrui\u00e7\u00e3o da Amaz\u00f4nia"},"content":{"rendered":"\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"600\" height=\"517\" data-attachment-id=\"33034\" data-permalink=\"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/2021\/11\/08\/viagem-pela-br-319-estrada-rumo-a-destruicao-da-amazonia\/5e73b3cc-e984-4806-b897-d5073acd0bc0\/\" data-orig-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/5E73B3CC-E984-4806-B897-D5073ACD0BC0.jpeg?fit=828%2C714\" data-orig-size=\"828,714\" data-comments-opened=\"0\" data-image-meta=\"{&quot;aperture&quot;:&quot;0&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;0&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;0&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;0&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0&quot;,&quot;title&quot;:&quot;&quot;,&quot;orientation&quot;:&quot;1&quot;}\" data-image-title=\"5E73B3CC-E984-4806-B897-D5073ACD0BC0\" data-image-description=\"\" data-image-caption=\"\" data-medium-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/5E73B3CC-E984-4806-B897-D5073ACD0BC0.jpeg?fit=300%2C259\" data-large-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/5E73B3CC-E984-4806-B897-D5073ACD0BC0.jpeg?fit=600%2C517\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/5E73B3CC-E984-4806-B897-D5073ACD0BC0.jpeg?resize=600%2C517\" alt=\"\" class=\"wp-image-33034\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/5E73B3CC-E984-4806-B897-D5073ACD0BC0.jpeg?w=828 828w, https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/5E73B3CC-E984-4806-B897-D5073ACD0BC0.jpeg?resize=300%2C259 300w, https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/5E73B3CC-E984-4806-B897-D5073ACD0BC0.jpeg?resize=768%2C662 768w, https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/5E73B3CC-E984-4806-B897-D5073ACD0BC0.jpeg?resize=348%2C300 348w\" sizes=\"auto, (max-width: 600px) 100vw, 600px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p>El Pa\u00eds &#8211; Percorrer os quase 900 quil\u00f4metros da via que cruza uma das \u00e1reas de floresta mais bem preservadas do Brasil permite observar a olho nu como o desmatamento avan\u00e7a. Bolsonaro pretende asfalt\u00e1-la totalmente.<\/p>\n\n\n\n<!--more-->\n\n\n\n<p>O sol j\u00e1 est\u00e1 alto. S\u00e3o sete horas da manh\u00e3 quando um homem desce euf\u00f3rico de um caminh\u00e3o no posto de gasolina. Ele se aproxima da primeira mulher \u00e0 vista, se apresenta com pompa como Carlinhos Raimundo da Auxiliadora e dispara: \u201cTem marido?\u201d. Cheira a \u00e1lcool e balan\u00e7a uma nota de 200 reais, dessas raramente utilizadas no Brasil. Exultante, procura companhia para comemorar que acabam de pag\u00e1-lo regiamente por um trabalho, e algo ainda mais importante. \u201cEstou t\u00e3o feliz, finalmente comprei uma terra!\u201d. A quem o avisa para tomar cuidado com o dinheiro, responde entre risadas, como se fosse um cowboy de filme: \u201cEu tomo, com um 38 na cintura\u201d. A camiseta para fora da cal\u00e7a impede de saber se realmente est\u00e1 armado.<\/p>\n\n\n\n<p>Isso \u00e9 Realidade, terra prometida a aventureiros e pobres. E este, o primeiro posto de gasolina ap\u00f3s se dirigir por 500 quil\u00f4metros ao norte pela BR-319, a estrada mais controversa da Amaz\u00f4nia. Completar o trecho asfaltado \u00e9 a grande promessa do presidente Jair Bolsonaro para a regi\u00e3o, que ele considera estrat\u00e9gica ao desenvolvimento econ\u00f4mico local. Percorr\u00ea-la de ponta a ponta, de Manaus a Porto Velho, incluindo os 400 quil\u00f4metros de terra, permite \u00e0 equipe do EL PA\u00cdS observar a olho nu o impacto produzido pelos colonos que desembarcam atra\u00eddos por promessas e terras a bom pre\u00e7o.&nbsp;<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2021-06-11\/brasil-perde-24-arvores-por-segundo-em-2020-enquanto-alertas-de-desmatamento-explodem.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">O desmatamento avan\u00e7a velozmente<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p>No mapa, a estrada \u00e9 um tra\u00e7o min\u00fasculo. Pelo olhar de um drone, uma linha reta alaranjada em um cerrado manto verde que parece br\u00f3colis. Provavelmente poucos dos que&nbsp;<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/internacional\/2021-11-03\/passagem-dos-lideres-pela-cupula-do-clima-deixa-uma-enxurrada-de-anuncios-de-aliancas-etereas.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">participam da c\u00fapula COP26 de Glasgow<\/a>&nbsp;sabem de sua exist\u00eancia, mas os que observam a maior floresta tropical do mundo n\u00e3o tiram dela seus olhos. O desenlace desta obra dir\u00e1 se a parte mais virgem da selva amaz\u00f4nica continuar\u00e1 protegendo a biodiversidade e capturando di\u00f3xido de carbono ou n\u00e3o. E isso influir\u00e1 no restante do planeta porque as florestas como essa s\u00e3o cruciais para regular a temperatura global.<\/p>\n\n\n\n<p>O povoado de Realidade \u00e9 uma sucess\u00e3o de bares, mot\u00e9is, oficinas, igrejas evang\u00e9licas e casinhas de madeira em ruas de terra que frequentemente se transformam em um lama\u00e7al.<\/p>\n\n\n\n<p>Nos \u00faltimos anos cresceu at\u00e9 merecer escola e posto de sa\u00fade, um boom que se assenta em neg\u00f3cios lucrativos criados nas margens da estrada que&nbsp;<a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2021-09-12\/amazonia-em-chamas-uma-radiografia-de-fogo-e-violencia-em-rondonia.html\" target=\"_blank\">dizimam a selva<\/a>: o corte ilegal de madeira, a cria\u00e7\u00e3o de gado e planta\u00e7\u00f5es de soja que atraem pessoas de outros Estados.<\/p>\n\n\n\n<p>A lei \u00e9 um conceito distante e male\u00e1vel. \u00c9 um territ\u00f3rio tenso onde prevalecem os fatos consumados e o receio ao forasteiro que investiga. Ningu\u00e9m chega para fazer turismo e por engano, vem com um objetivo. Todos est\u00e3o em alerta constante. E em centenas de quil\u00f4metros n\u00e3o h\u00e1 um policial. Os locais esperam ansiosos o asfalto h\u00e1 d\u00e9cadas, convencidos de que trar\u00e1 prosperidade. Mas para cientistas e ecologistas \u00e9 um cen\u00e1rio de pesadelo. Eles temem que o monstro que viram crescer em Realidade nesses anos suba estrada acima.<\/p>\n\n\n\n<p>Os 887 quil\u00f4metros da BR-319 cruzam uma das \u00e1reas mais bem preservadas da floresta que cobre a metade do Brasil, uma superf\u00edcie do tamanho da Uni\u00e3o Europeia repleta de rios, correntes e lagoas. Durante meio ano, a estrada \u00e9 um atoleiro. Os viajantes deixam para tr\u00e1s fazendas batizadas como Grande Esperan\u00e7a, Terra Rica e Deus Me Deu.<\/p>\n\n\n\n<p>Entre os mais envolvidos na batalha a favor do asfalto est\u00e1 Dona Mocinha. Ela tem uma pousada no quil\u00f4metro 260, \u00f3culos enormes, e disposi\u00e7\u00e3o suficiente para ir \u00e0 escola noturna aos 64 anos. Ela se instalou na Unidade de Conserva\u00e7\u00e3o Igap\u00f3 A\u00e7u h\u00e1 d\u00e9cadas, uma reserva de desenvolvimento sustent\u00e1vel de palafitas de madeira para evitar as enchentes. \u201cHouve uma \u00e9poca em que de novembro a maio por aqui ningu\u00e9m passava. Ningu\u00e9\u00e9\u00e9m\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Agora, com a estrada mais ou menos transit\u00e1vel todo o ano, v\u00ea de sua varanda mais tr\u00e1fego de caminh\u00f5es e ve\u00edculos de tra\u00e7\u00e3o nas quatro rodas. \u201cDizem que a estrada (asfaltada) ter\u00e1 impacto, mas qual impacto? Olhe, eu n\u00e3o sou bi\u00f3loga, mas o maior impacto foi gerado quando a constru\u00edram\u201d, nos anos setenta, durante a ditadura. Deve ter sido uma obra tit\u00e2nica porque o terreno \u00e9 pantanoso e, por isso, \u201c\u00e9 uma \u00e1rea muito produtiva,&nbsp;<a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/ciencia\/2020-08-06\/reducao-da-biodiversidade-favorece-o-surgimento-de-novas-pandemias.html\" target=\"_blank\">rica em biodiversidade<\/a>. \u201cSulcada por rios muito ricos em peixes, jacar\u00e9s e mosquitos\u201d, diz R\u00f4mulo Batista, do Greenpeace<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img data-recalc-dims=\"1\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/imagens.brasil.elpais.com\/resizer\/LU7iObW6OHrDi2SGmK-n8_cJfMo%3D\/414x0\/cloudfront-eu-central-1.images.arcpublishing.com\/prisa\/Y7FCRZBM4FEIJH7PJBN2HRVHWY.jpg?w=600&#038;ssl=1\" alt=\"Nilda Castro, a Dona Mocinha, moradora de uma reserva ecol\u00f3gica, a Unidade de Conserva\u00e7\u00e3o Igap\u00f3 A\u00e7u.\"\/><figcaption>Nilda Castro, a Dona Mocinha, moradora de uma reserva ecol\u00f3gica, a Unidade de Conserva\u00e7\u00e3o Igap\u00f3 A\u00e7u.AVENER PRADO<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>Mesmo a simp\u00e1tica Dona Mocinha, da Associa\u00e7\u00e3o de Amigos e Defensores da BR-319, sabe que as melhorias que a pavimenta\u00e7\u00e3o traria \u00e0 sua vida n\u00e3o viriam sozinhas. \u201cQuando chega o desenvolvimento chega o desmatamento, invas\u00f5es, prostitui\u00e7\u00e3o, drogas&#8230; mas mais preocupante \u00e9 n\u00e3o ter a BR-319 para ir e vir\u201d, reflete em sua cadeira de balan\u00e7o. Eles se sentem presos nesse bel\u00edssimo mas isolado rinc\u00e3o porque \u00e9 a \u00fanica conex\u00e3o terrestre de Manaus, a capital do Estado do Amazonas, com o cora\u00e7\u00e3o do Brasil.<\/p>\n\n\n\n<p>As press\u00f5es chegaram \u00e0 casa da senhora antes do o asfalto trazidas por compatriotas vindos de longe com suculentas ofertas, atra\u00eddos pelas fabulosas oportunidades que vislumbram. \u201cMuitos v\u00eam de Rond\u00f4nia e Mato Grosso. Procuram terreno, terreno, terreno. J\u00e1 digo a eles que n\u00e3o, que n\u00e3o tenho terras para vender, que isso \u00e9 uma reserva natural! Olhe, cheguei aqui h\u00e1 44 anos e jamais vendi um lote de terra. E fui at\u00e9 amea\u00e7ada de morte\u201d, afirma. Vender parcelas de uma reserva \u00e9 crime. Mas descomunais extens\u00f5es de terras p\u00fablicas margeiam a rodovia. Qualquer um se apropria facilmente delas com documentos falsos e cumplicidade pol\u00edtica.&nbsp;<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2019\/09\/13\/politica\/1568364723_570129.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">\u00c9 a chamada grilagem<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p>O panorama \u00e9 um aperitivo do catastr\u00f3fico cen\u00e1rio antecipado por cientistas como a agr\u00f4noma tropical Jolemia Chagas, que monitorou o trecho entre os quil\u00f4metros 250 e 280. \u201cO asfalto vai intensificar as invas\u00f5es dos \u00faltimos cinco anos\u201d, alerta. Isso traz especula\u00e7\u00e3o imobili\u00e1ria, conflitos violentos com os locais e agrava problemas ambientais de consequ\u00eancias tang\u00edveis. Ela destaca que \u201ca retirada da cobertura florestal&nbsp;<a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2020-08-05\/devastacao-da-amazonia-prejudica-chuvas-e-ajuda-pantanal-a-bater-recorde-de-queimadas.html\" target=\"_blank\">interfere diretamente na produ\u00e7\u00e3o dos rios voadores<\/a>&nbsp;(correntes de vapor de \u00e1gua) que abastecem parte da Am\u00e9rica do Sul, influenciando diretamente na produ\u00e7\u00e3o agr\u00edcola\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>A regi\u00e3o \u00e9 povoada por fam\u00edlias que vivem, principalmente nos extremos da rodovia, da agricultura de subsist\u00eanciae do com\u00e9rcio. E ind\u00edgenas, 18 povos dispersos e afastados da estrada principal. Uma das vias de terra secund\u00e1rias que come\u00e7aram a ser constru\u00eddas praticamente toca oterrit\u00f3rio onde vive um grupo de nativos isolados, umas 30 pessoas, provavelmente&nbsp;<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2021-02-19\/o-ultimo-anciao-juma-morre-de-covid-19-e-leva-para-o-tumulo-a-memoria-de-um-povo-aniquilado-no-brasil.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">descendentes dos juma<\/a>&nbsp;que sobreviveram a uma matan\u00e7a em 1964, diz o indigenista Pedro da Silva, do Conselho Missioneiro Ind\u00edgena.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img data-recalc-dims=\"1\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/imagens.brasil.elpais.com\/resizer\/o8TOZA_GGW3PHwrxTAm0R6O3kNA%3D\/414x0\/cloudfront-eu-central-1.images.arcpublishing.com\/prisa\/6NN3HBKEENGUHP5YZIRMZZZGFM.jpg?w=600&#038;ssl=1\" alt=\"Trabalhadores fazem a manuten\u00e7\u00e3o do trecho asfaltado da BR 319\"\/><figcaption>Trabalhadores fazem a manuten\u00e7\u00e3o do trecho asfaltado da BR 319AVENER PRADO<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>Com o aumento do tr\u00e1fego, surgiram restaurantes, fazendas e igrejas. Pela via, circulam caminh\u00f5es, carros que carregam toda a vida de algu\u00e9m que persegue um futuro melhor, ou o neg\u00f3cio de sua vida, l\u00edcito ou n\u00e3o, motoqueiros cinquent\u00f5es viajando&#8230; Percorr\u00ea-la significa sair de Manaus por uma estrada asfaltada com a pista cuidadosamente pintada de amarelo e o acostamento, de branco. Pouco depois, o rio Amazonas, que se cruza de balsa. O&nbsp;<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2015\/06\/26\/elviajero\/1435329024_890358.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">transporte fluvial<\/a>, caro e lento, \u00e9 o mais comum.<\/p>\n\n\n\n<p>Km 198. Fim do asfalto. Bem-vindos ao chamado trecho do meio, que perdeu a pavimenta\u00e7\u00e3o no final dos anos oitenta pelo abandono. Gra\u00e7as a isso e \u00e0s reservas ambientais e ind\u00edgenas criadas a partir de ent\u00e3o, o impacto dos humanos \u00e9 muito menor do que em outras regi\u00f5es amaz\u00f4nicas.<\/p>\n\n\n\n<p>Mesmo o olho menos treinado distingue de dentro do ve\u00edculo quando se circula dentro de uma reserva ecol\u00f3gica. As \u00e1rvores e a vegeta\u00e7\u00e3o formam um manto verde t\u00e3o denso que impede ver mais \u00e0 frente. Mas os melhores olhos sobre a regi\u00e3o s\u00e3o os sat\u00e9lites, que fotografam parcelas de tr\u00eas metros para medir onde e a qual velocidade a floresta tropical \u00e9 destru\u00edda. O desmatamento j\u00e1 estava em crescimento,&nbsp;<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2021-01-05\/apesar-do-recorde-de-desmatamento-em-2020-cada-vez-menos-fiscais-atuam-na-amazonia.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">mas com Bolsonaro disparou<\/a>. O \u00faltimo ano foi o pior dos \u00faltimos 12 com o desaparecimento de 11.000 quil\u00f4metros quadrados de \u00e1rvores. Como se a cada minuto do \u00faltimo ano a Amaz\u00f4nia perdesse o equivalente a tr\u00eas campos de futebol, diz o Greenpeace.<\/p>\n\n\n\n<p>O fazendeiro Joeliton Silva, 53 anos, n\u00e3o nega o desmatamento. Ele mesmo contribui h\u00e1 anos abrindo caminhos entre a vegeta\u00e7\u00e3o para outros que depois cortam as \u00e1rvores mais valiosas em um neg\u00f3cio bilion\u00e1rio. Desafia os jornalistas a contar o que chama de \u201ca verdade\u201d, uma tese baseada no seguinte argumento: a magnitude da floresta \u00e9 tamanha que o dano \u00e9 m\u00ednimo. Contra o consenso cient\u00edfico e citando um cientista concreto, o af\u00e1vel Silva afirma que \u201co efeito da a\u00e7\u00e3o humana sobre a temperatura \u00e9 insignificante\u201d. E para finalizar, mostra suas contas: \u201cNessa velocidade, demoraremos 140 anos para desmatar 10% da Amaz\u00f4nia\u201d. \u00c9 um discurso que divulga pelo YouTube de sua casa, nos arredores de Realidade, a cidade dos aventureiros.<\/p>\n\n\n\n<p>Est\u00e1 convencido de que o alarme internacional pelo desaparecimento da riqu\u00edssima flora e fauna amaz\u00f4nica \u00e9 exagerado, nada al\u00e9m de uma desculpa para camuflar a cobi\u00e7a dos estrangeiros que pretendem roubar do Brasil suas riquezas naturais. Dono de duas fazendas que somam 6.400 hectares, tem uma \u00e0 venda porque sua incurs\u00e3o na piscicultura n\u00e3o deu certo. Apesar da abund\u00e2ncia de rios, peixes tamb\u00e9m s\u00e3o criados.<\/p>\n\n\n\n<p>Contribuir para atividades il\u00edcitas n\u00e3o tira o sono de Silva porque, afirma ele, desmatar legalmente \u00e9 imposs\u00edvel. Ele tentou, \u00e9 \u00e1rduo e n\u00e3o compensa. \u00c9 melhor neg\u00f3cio, diz, faz\u00ea-lo na marra, e se for pego&nbsp;<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2019\/04\/11\/politica\/1555009346_229285.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">recorrer das multas<\/a>&nbsp;\u2014que diante da burocracia, acabam sendo poucas vezes cobradas de fato. F\u00e3 de Bolsonaro, mostra orgulhoso um v\u00eddeo em que abra\u00e7a o ministro da Infraestrutura enquanto este afirma que \u201ca BR-319 j\u00e1 est\u00e1 se materializando\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>O discurso de Bolsonaro de que a prote\u00e7\u00e3o ambiental impede o desenvolvimento tem muita for\u00e7a e d\u00e1 asas \u00e0 explora\u00e7\u00e3o predat\u00f3ria, ao lucro f\u00e1cil e \u00e0 impunidade. Triunfa \u201ca ideia perversa de que, se os outros pa\u00edses desmataram para se desenvolver, esse \u00e9 o pre\u00e7o a ser pago\u201d, afirma Fernanda Meirelles, em Manaus, na sede do Observat\u00f3rio da BR-319, uma alian\u00e7a de ONGs que supervisiona a estrada. \u201cN\u00e3o somos contra a rodovia, mas queremos que antes (de asfaltar) sejam resolvidos os problemas de titularidade da terra, de fiscaliza\u00e7\u00e3o, como gerir as unidades de conserva\u00e7\u00e3o&#8230;\u201d, diz. Ap\u00f3s prolixas explica\u00e7\u00f5es dos inumer\u00e1veis desafios, finaliza sorridente: \u201cMeu sonho seria uma passarela elevada\u201d.MAIS INFORMA\u00c7\u00d5ES<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2021-09-12\/amazonia-em-chamas-uma-radiografia-de-fogo-e-violencia-em-rondonia.html?rel=mas_sumario\">Amaz\u00f4nia em chamas, uma radiografia de fogo e viol\u00eancia em Rond\u00f4nia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>Os ativistas ambientais desconfiam do mantra do Governo e dos defensores do asfalto, que afirmam que a obra ser\u00e1 sustent\u00e1vel. \u201cMais de 90% do desmatamento acontece em um raio de at\u00e9 100 quil\u00f4metros das grandes estradas\u201d, diz Batista, do Greenpeace, e acrescenta que mesmo as rodovias projetadas com crit\u00e9rios de sustentabilidade, como a BR-163, que corre paralela rumo ao leste, causaram graves danos socioambientais. Mas tamb\u00e9m sabem que a regi\u00e3o \u00e9 pobre e s\u00e3o necess\u00e1rios neg\u00f3cios que tragam prosperidade. Sua receita \u00e9 explora\u00e7\u00e3o sustent\u00e1vel.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img data-recalc-dims=\"1\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/imagens.brasil.elpais.com\/resizer\/dFnWZMweHY3WZzFcCeJxrOS8SF8%3D\/414x0\/cloudfront-eu-central-1.images.arcpublishing.com\/prisa\/OLA3COPN5ZBNNDHKGIZOIC2XVE.jpg?w=600&#038;ssl=1\" alt=\"Humait\u00e1, Amazonas, Brazil, 22 de Outubro, 2021:\nJoeliton Silva, fazendeiro que abre caminhos para madeireiros em Realidade, pequeno vilarejo as margens da BR 319.\nInaugurada em 1976, a BR-319 tem quase 900 km e \u00e9 a \u00fanica liga\u00e7\u00e3o rodovi\u00e1ria de Manaus ao resto do Brasil, via Porto Velho (RO). Contra a praxe, foi entregue asfaltada, mas a falta de manuten\u00e7\u00e3o fez com que perdesse o pavimento at\u00e9 ficar intransit\u00e1vel, em 1988.\nPhoto: Avener Prado\"\/><figcaption>Humait\u00e1, Amazonas, Brazil, 22 de Outubro, 2021: Joeliton Silva, fazendeiro que abre caminhos para madeireiros em Realidade, pequeno vilarejo as margens da BR 319. Inaugurada em 1976, a BR-319 tem quase 900 km e \u00e9 a \u00fanica liga\u00e7\u00e3o rodovi\u00e1ria de Manaus ao resto do Brasil, via Porto Velho (RO). Contra a praxe, foi entregue asfaltada, mas a falta de manuten\u00e7\u00e3o fez com que perdesse o pavimento at\u00e9 ficar intransit\u00e1vel, em 1988. Photo: Avener PradoAVENER PRADO<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>Dona Mocinha participou das recentes audi\u00eancias p\u00fablicas, a melhor amostra de que o processo burocr\u00e1tico avan\u00e7a. O Governo Bolsonaro deu mais impulso ao projeto do que qualquer predecessor. Falta o Ibama, \u00f3rg\u00e3o governamental que gere a pol\u00edtica ambiental, autorizar ou n\u00e3o a pavimenta\u00e7\u00e3o. Nenhum dos consultados acredita que ir\u00e1 negar, mas as ONGs lembram que os ind\u00edgenas j\u00e1 deveriam ter sido consultados. Depois viria o desafio do financiamento.<\/p>\n\n\n\n<p>Frequentemente, um caminh\u00e3o preso no atoleiro corta totalmente a circula\u00e7\u00e3o mesmo nesses dias do final da temporada seca. Um rebocador vai resgat\u00e1-lo. \u00c9 impressionante ver como o imenso ve\u00edculo patina. O caminhoneiro Aulcides Costa, de 49 anos, chegou a ficar oito dias preso. \u201cA comida e a \u00e1gua mineral acabaram no quinto dia\u201d, lembra.<\/p>\n\n\n\n<p>Estas \u00e1reas eram incomunic\u00e1veis at\u00e9 que a internet abriu a elas uma janela ao mundo, as transformou em comunidade e as entret\u00e9m durante a longa esta\u00e7\u00e3o chuvosa. \u00c9 muito \u00fatil. Qualquer um pode saber em tempo quase real como est\u00e1 o caminho gra\u00e7as aos 46 grupos de WhatsApp da Associa\u00e7\u00e3o de Amigos da BR-319, que tem quase 10.000 membros.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img data-recalc-dims=\"1\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/imagens.brasil.elpais.com\/resizer\/b5BzAGg7p6CY9zpg9LrFWDRN1dI%3D\/414x0\/cloudfront-eu-central-1.images.arcpublishing.com\/prisa\/TKMZU4MR5VH25JE5FQQH5CIMXQ.jpg?w=600&#038;ssl=1\" alt=\"Tapau\u00e1, Amazonas, Brazil, 21 de Outubro, 2021:\nGado ocupa area desmatada proximo do distrito de Realidade.\nInaugurada em 1976, a BR-319 tem quase 900 km e \u00e9 a \u00fanica liga\u00e7\u00e3o rodovi\u00e1ria de Manaus ao resto do Brasil, via Porto Velho (RO). Contra a praxe, foi entregue asfaltada, mas a falta de manuten\u00e7\u00e3o fez com que perdesse o pavimento at\u00e9 ficar intransit\u00e1vel, em 1988.\nPhoto: Avener Prado\"\/><figcaption>Tapau\u00e1, Amazonas, Brazil, 21 de Outubro, 2021: Gado ocupa area desmatada proximo do distrito de Realidade. Inaugurada em 1976, a BR-319 tem quase 900 km e \u00e9 a \u00fanica liga\u00e7\u00e3o rodovi\u00e1ria de Manaus ao resto do Brasil, via Porto Velho (RO). Contra a praxe, foi entregue asfaltada, mas a falta de manuten\u00e7\u00e3o fez com que perdesse o pavimento at\u00e9 ficar intransit\u00e1vel, em 1988. Photo: Avener PradoAVENER PRADO<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>Com o avan\u00e7o rumo ao sul, surgem espa\u00e7os abertos nas margens. Cada vez mais frequentes e maiores. De repente, vacas e mais vacas pastando placidamente. A buc\u00f3lica cena disfar\u00e7a seu efeito nefasto sobre a Amaz\u00f4nia. As pr\u00f3prias reses e o corte de \u00e1rvores para abrir pastos s\u00e3o os principais respons\u00e1veis pelas emiss\u00f5es brasileiras de gases de efeito estufa,&nbsp;<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/ciencia\/2021-10-25\/concentracoes-de-gases-de-efeito-estufa-batem-novo-recorde-apesar-da-pandemia.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">que aumentaram mesmo no ano da pandemia<\/a>, enquanto mundialmente desabaram pela in\u00e9dita paralisa\u00e7\u00e3o. Ap\u00f3s o corte, os pastos servem para se apossar da terra e depois chegam as planta\u00e7\u00f5es de soja. No caos aparente existe um m\u00e9todo.<\/p>\n\n\n\n<p>O empres\u00e1rio Ant\u00f4nio Gra\u00e7as, de 71 anos, est\u00e1 convencido de que \u00e9 agora ou nunca. Em sua loja em Carreiro de Castanho, no quil\u00f4metro cercado de camas, eletrodom\u00e9sticos e ventiladores, opina que n\u00e3o h\u00e1 ningu\u00e9m mais prop\u00edcio do que um presidente formado nos quart\u00e9is e nost\u00e1lgico da ditadura, com um ministro da Infraestrutura que serviu como militar na Amaz\u00f4nia, para dar continuidade ao projeto impulsionado pelos generais h\u00e1 meio s\u00e9culo. Desbravaram a selva para construir estradas. Doaram terras. Em plena Guerra Fria, a obsess\u00e3o era povoar aquela imensid\u00e3o, habitada durante mil\u00eanios por ind\u00edgenas, para se assegurar de que ningu\u00e9m a roubaria. \u201cIntegrar para n\u00e3o entregar\u201d era o lema da \u00e9poca.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img data-recalc-dims=\"1\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/imagens.brasil.elpais.com\/resizer\/0-mVmY2h0LIBCWPZLpIZMCqPYfQ%3D\/414x0\/cloudfront-eu-central-1.images.arcpublishing.com\/prisa\/QK7CD6UMR5HZRP2JXVNU6CBUDQ.jpg?w=600&#038;ssl=1\" alt=\"Porto Velho, Rond\u00f4nia, Brazil, 22 de Outubro, 2021:\nPonte sob o Rio Madeira em Porto Velho faz chegar a BR 319 at\u00e9 Porto Velho, capital do Estado de Rond\u00f4nia. \nInaugurada em 1976, a BR-319 tem quase 900 km e \u00e9 a \u00fanica liga\u00e7\u00e3o rodovi\u00e1ria de Manaus ao resto do Brasil, via Porto Velho (RO). Contra a praxe, foi entregue asfaltada, mas a falta de manuten\u00e7\u00e3o fez com que perdesse o pavimento at\u00e9 ficar intransit\u00e1vel, em 1988.\nPhoto: Avener Prado\"\/><figcaption>Porto Velho, Rond\u00f4nia, Brazil, 22 de Outubro, 2021: Ponte sob o Rio Madeira em Porto Velho faz chegar a BR 319 at\u00e9 Porto Velho, capital do Estado de Rond\u00f4nia. Inaugurada em 1976, a BR-319 tem quase 900 km e \u00e9 a \u00fanica liga\u00e7\u00e3o rodovi\u00e1ria de Manaus ao resto do Brasil, via Porto Velho (RO). Contra a praxe, foi entregue asfaltada, mas a falta de manuten\u00e7\u00e3o fez com que perdesse o pavimento at\u00e9 ficar intransit\u00e1vel, em 1988. Photo: Avener PradoAVENER PRADO<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>Gra\u00e7as&nbsp;<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2019\/09\/13\/politica\/1568399615_362946.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">deseja fervorosamente que Bolsonaro n\u00e3o deixe a ocasi\u00e3o passar<\/a>. \u201cSe n\u00e3o der um empurr\u00e3o inicial para que uma empresa fa\u00e7a cem quil\u00f4metros, outra, mais cem&#8230; n\u00e3o vai sair. Ent\u00e3o, somente Deus dir\u00e1\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>O empres\u00e1rio descarta qualquer risco de que os crimes ambientais aumentem porque para isso o Estado est\u00e1 a\u00ed; e enumera uma longa lista de institui\u00e7\u00f5es com poder fiscalizador. Existem no papel. Na pr\u00e1tica, \u00e9 outra hist\u00f3ria. Rumo ao final da BR-319, onde cruza com a m\u00edtica rodovia Transamaz\u00f4nica, se chega a Humait\u00e1. Uma turba incendiou em 2017 a sede do Ibama na cidade. O vice-presidente brasileiro, o general Hamilton Mour\u00e3o, afirma que, com o asfalto, o risco de desmatamento pode aumentar e ser\u00e1 preciso refor\u00e7ar a vigil\u00e2ncia, mas afirma que tamb\u00e9m facilitar\u00e1 a chegada da Pol\u00edcia Federal.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>El Pa\u00eds &#8211; Percorrer os quase 900 quil\u00f4metros da via que cruza uma das \u00e1reas de floresta mais bem preservadas do Brasil permite observar a olho nu como o desmatamento avan\u00e7a. Bolsonaro pretende asfalt\u00e1-la totalmente.<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_exactmetrics_skip_tracking":false,"_exactmetrics_sitenote_active":false,"_exactmetrics_sitenote_note":"","_exactmetrics_sitenote_category":0,"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","enabled":false},"version":2}},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-33033","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-notas"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p7wKYW-8AN","jetpack-related-posts":[],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/33033","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=33033"}],"version-history":[{"count":7,"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/33033\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":33041,"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/33033\/revisions\/33041"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=33033"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=33033"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=33033"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}