{"id":33151,"date":"2021-12-02T07:26:34","date_gmt":"2021-12-02T11:26:34","guid":{"rendered":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/?p=33151"},"modified":"2021-12-02T07:26:38","modified_gmt":"2021-12-02T11:26:38","slug":"como-o-garimpo-ilegal-dominou-o-rio-madeira-e-por-que-e-tao-dificil-acabar-com-ele","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/2021\/12\/02\/como-o-garimpo-ilegal-dominou-o-rio-madeira-e-por-que-e-tao-dificil-acabar-com-ele\/","title":{"rendered":"Como o garimpo ilegal dominou o Rio Madeira e por que \u00e9 t\u00e3o dif\u00edcil acabar com ele"},"content":{"rendered":"\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"600\" height=\"400\" data-attachment-id=\"33153\" data-permalink=\"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/2021\/12\/02\/como-o-garimpo-ilegal-dominou-o-rio-madeira-e-por-que-e-tao-dificil-acabar-com-ele\/gold-mining-rafts-in-the-madeira-river-in-the-amazon-in-brazilbalsas-de-garimpo-no-rio-madeira\/\" data-orig-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/4B2E8F79-7BFA-4C38-8984-01A5827B431D.jpeg?fit=800%2C533\" data-orig-size=\"800,533\" data-comments-opened=\"0\" data-image-meta=\"{&quot;aperture&quot;:&quot;0&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;\\u00a9 Bruno Kelly \\\/ Greenpeace&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;Rumors of recently found gold near the Rosarinho community, in Autazes, Amazonas state, had dozens of gold mining rafts and tugger boats coming down the Madeira river searching for the mineral and profit. All the commotion and organization are proof of the gold miners rule over the Madeira river, coming and going as they wish, searching for gold. Autazes is just over 100 km from the capital Manaus, but the authorities take too long before taking action and restraining this environmental crime.\\r\\nBoatos de descoberta de ouro nas proximidades da comunidade de Rosarinho, em Autazes, no Amazonas, fez com que dezenas de balsas e empurradores descessem o rio Madeira rumo \\u00e0quela localidade em busca do min\\u00e9rio. A movimenta\\u00e7\\u00e3o at\\u00edpica chamou a aten\\u00e7\\u00e3o da popula\\u00e7\\u00e3o e mostrou o dom\\u00ednio dos garimpeiros sobre o rio Madeira, que circulam por ali sem medo e sem serem incomodados em busca do min\\u00e9rio. Autazes fica a pouco mais de 100 quil\\u00f4metros de Manaus e, apesar disso, as autoridades demoram a tomar provid\\u00eancias para coibir a ocorr\\u00eancia desse crime ambiental.&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;0&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;\\u00a9 Bruno Kelly \\\/ Greenpeace&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;0&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;0&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0&quot;,&quot;title&quot;:&quot;Gold Mining Rafts in the Madeira River in the Amazon in Brazil\\r\\nBalsas de Garimpo no Rio Madeira&quot;,&quot;orientation&quot;:&quot;0&quot;}\" data-image-title=\"Gold Mining Rafts in the Madeira River in the Amazon in Brazil\r\nBalsas de Garimpo no Rio Madeira\" data-image-description=\"\" data-image-caption=\"&lt;p&gt;Rumors of recently found gold near the Rosarinho community, in Autazes, Amazonas state, had dozens of gold mining rafts and tugger boats coming down the Madeira river searching for the mineral and profit. All the commotion and organization are proof of the gold miners rule over the Madeira river, coming and going as they wish, searching for gold. Autazes is just over 100 km from the capital Manaus, but the authorities take too long before taking action and restraining this environmental crime.&lt;br \/&gt;\nBoatos de descoberta de ouro nas proximidades da comunidade de Rosarinho, em Autazes, no Amazonas, fez com que dezenas de balsas e empurradores descessem o rio Madeira rumo \u00e0quela localidade em busca do min\u00e9rio. A movimenta\u00e7\u00e3o at\u00edpica chamou a aten\u00e7\u00e3o da popula\u00e7\u00e3o e mostrou o dom\u00ednio dos garimpeiros sobre o rio Madeira, que circulam por ali sem medo e sem serem incomodados em busca do min\u00e9rio. Autazes fica a pouco mais de 100 quil\u00f4metros de Manaus e, apesar disso, as autoridades demoram a tomar provid\u00eancias para coibir a ocorr\u00eancia desse crime ambiental.&lt;\/p&gt;\n\" data-medium-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/4B2E8F79-7BFA-4C38-8984-01A5827B431D.jpeg?fit=300%2C200\" data-large-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/4B2E8F79-7BFA-4C38-8984-01A5827B431D.jpeg?fit=600%2C400\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/4B2E8F79-7BFA-4C38-8984-01A5827B431D.jpeg?resize=600%2C400\" alt=\"\" class=\"wp-image-33153\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/4B2E8F79-7BFA-4C38-8984-01A5827B431D.jpeg?w=800 800w, https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/4B2E8F79-7BFA-4C38-8984-01A5827B431D.jpeg?resize=300%2C200 300w, https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/4B2E8F79-7BFA-4C38-8984-01A5827B431D.jpeg?resize=768%2C512 768w, https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/4B2E8F79-7BFA-4C38-8984-01A5827B431D.jpeg?resize=450%2C300 450w\" sizes=\"auto, (max-width: 600px) 100vw, 600px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\">Mineradores clandestinos ouvidos pelo BdF ajudam a explicar prolifera\u00e7\u00e3o da atividade que preda popula\u00e7\u00e3o ribeirinha<\/h4>\n\n\n\n<!--more-->\n\n\n\n<p>Murilo Pajolla\u00a0&#8211; Brasil de Fato | L\u00e1brea (AM)\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p>A&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.brasildefato.com.br\/2021\/11\/26\/nova-corrida-do-ouro-ilegal-leva-1-8-mil-homens-ao-rio-madeira-na-amazonia\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">nova &#8220;corrida do ouro\u201d que atraiu os olhares para o munic\u00edpio de Autazes (AM)&nbsp;<\/a>na \u00faltima semana est\u00e1 longe de ser um fato isolado. Ao contr\u00e1rio, \u00e9 um sintoma da crescente depend\u00eancia econ\u00f4mica provocada pela minera\u00e7\u00e3o ilegal no rio Madeira nos \u00faltimos anos.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Sem incentivos para permanecer na agricultura, integrantes pobres das comunidades ribeirinhas v\u00eam abandonando o ro\u00e7ado para se dedicar ao garimpo, que oferece alta e r\u00e1pida lucratividade, enquanto produz&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.brasildefato.com.br\/2021\/12\/01\/sai-garimpo-fica-o-mercurio-saiba-quais-as-consequencias-para-o-meio-ambiente-no-rio-madeira\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">graves danos socioambientais<\/a>&nbsp;e acentua a hist\u00f3rica desigualdade social na regi\u00e3o.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Depoimentos de garimpeiros colhidos pelo\u00a0<strong>Brasil de Fato<\/strong>\u00a0em agosto deste ano demonstram por que a\u00e7\u00f5es repressivas\u00a0<a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/www.brasildefato.com.br\/2021\/11\/27\/garimpo-ilegal-no-rio-madeira-e-alvo-de-operacao-15-balsas-sao-apreendidas\" target=\"_blank\">como a que destruiu dezenas de balsas no rio Madeira no \u00faltimo fim de semana<\/a>n\u00e3o s\u00e3o capazes, por si s\u00f3, de livrar a regi\u00e3o dos crimes ambientais.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img data-recalc-dims=\"1\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/images01.brasildefato.com.br\/28c8f63a7ae9a9c1bb727bd5277068cd.jpeg?w=600&#038;ssl=1\" alt=\"\"\/><\/figure>\n\n\n\n<p><br>Em Novo Aripuan\u00e3 (AM), mineradores ilegais protestam contra queima de balsas no rio Madeira \/ Reprodu\u00e7\u00e3o\/Facebook<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cNa ro\u00e7a o colega se ferra. \u00c9 um trabalho sofrido, mas o dinheiro \u00e9 aben\u00e7oado. Eu comparo assim porque o dinheiro que eu pego em ouro no final de semana eu compro qualquer coisinha e j\u00e1 era, j\u00e1 acabou.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>O depoimento \u00e9 de um ribeirinho que vive em uma comunidade \u00e0s margens do rio Madeira, perto do Munic\u00edpio de Manicor\u00e9 (AM). Aos 28 anos, ele se alterna entre o cultivo de bananas e a lavra garimpeira para sustentar esposa e seis filhos.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cSe hoje eu plantar, tipo, 500 p\u00e9s de banana, vou tirar R$ 1 mil e pouco em cinco ou seis meses. Na balsa, se voc\u00ea trabalhar um m\u00eas, dependendo do ouro, voc\u00ea faz uns R$ 8 mil. Na ro\u00e7a voc\u00ea s\u00f3 se lasca\u201d, calcula o homem, que pediu anonimato.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Seu primeiro \u201cmandado\u201d &#8211; nome dado ao trabalho&nbsp;<em>freelance<\/em>&nbsp;no garimpagem &#8211; foi na draga de propriedade do sogro, quando descobriu o potencial financeiro da atividade ilegal. Ele explica como os ganhos s\u00e3o divididos entre trabalhadores e os patr\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cEm tr\u00eas dias eu e meu cunhado fizemos nove gramas [de ouro]. Saiu 40% para mim e para o meu parceiro, a\u00ed n\u00f3s dividimos. Para cada um ficou R$ 1800. Meu sogro ficou um pouquinho mais porque ele comprou o rancho [alimentos] e o \u00f3leo para a balsa dele\u201d, relembra.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Epidemia&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>H\u00e1 aproximadamente 150 comunidades ribeirinhas espalhadas pelas margens do rio Madeira, apenas no trecho de 700 km entre Porto Velho (RO) e Manicor\u00e9 (AM). Pelo menos 40% delas est\u00e3o ou j\u00e1 estiveram envolvidas com a extra\u00e7\u00e3o mineral.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>A estimativa \u00e9 de Jordeanes Ara\u00fajo, antrop\u00f3logo e professor da Universidade Federal do Amazonas (Ufam). \u201c\u00c9 importante perceber como o garimpo ilegal imobiliza a for\u00e7a de trabalho local, por causa do intenso com\u00e9rcio de ouro e outros produtos. Isso mexe com a pr\u00f3pria estrutura agr\u00e1ria dessas comunidades\u201d, explica o docente.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cV\u00e1rias comunidades est\u00e3o praticamente envolvidas o ano todo com garimpo. Em muitos casos, 70% da renda acaba vindo dele. Tenho alunos da Ufam que abandonam a universidade em um determinado momento do ano para ficarem nas balsas\u201d, observa o antrop\u00f3logo, que acompanha ind\u00edgenas e ribeirinhos no sul do Amazonas h\u00e1 mais de um d\u00e9cada.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"https:\/\/www.brasildefato.com.br\/2021\/12\/01\/sai-garimpo-fica-o-mercurio-saiba-quais-as-consequencias-para-o-meio-ambiente-no-rio-madeira\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">::&nbsp;Sai garimpo, fica o merc\u00fario: saiba quais as consequ\u00eancias para o meio ambiente no Rio Madeira ::<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>O garimpeiro ouvido pelo&nbsp;<strong>Brasil de Fato<\/strong>&nbsp;opina: \u201cTodos os anos n\u00f3s trabalhamos mesmo s\u00f3 para alimentar nossa fam\u00edlia, para se manter. Mas tem cara que n\u00e3o quer e est\u00e1 mais do que certo. \u00c9 um trabalho ruim. Quando \u00e9 bom \u00e9 bom, mas tem dia que voc\u00ea passa uma semana na balsa e n\u00e3o consegue nada. A\u00ed \u00e9 preju\u00edzo\u201d.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Para ele, o garimpo significou uma oportunidade \u00fanica de ascens\u00e3o social. Com R$ 22 mil obtidos na coleta do ouro, construiu uma casa simples de madeira na comunidade, onde mora com a esposa e filhos.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cNa maioria das vezes a pessoa entra no ramo pensando em ter a balsa dele. Com 10 mil voc\u00ea compra uma pequenininha. Uma m\u00e9dia, mas simples, d\u00e1 uns R$ 25, R$ 30 mil\u201d, relata o ribeirinho.\u00a0<br><\/p>\n\n\n\n<p>Mesmo com a oportunidade \u00e0 m\u00e3o, o ribeirinho diz n\u00e3o querer deixar a vida de agricultor para se tornar patr\u00e3o do garimpo em tempo integral.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cSe eu tiver uma balsa, vou ter que me preocupar no rio e em terra, n\u00e9, no bananal e na balsa. A\u00ed, se eu deixo de fazer um trabalho e o outro n\u00e3o d\u00e1 certo\u2026 N\u00e3o quero ser rico, quero ter dinheiro para manter minha fam\u00edlia\u201d, afirma.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Quase sempre ocorrendo \u00e0 beira das comunidades, a atividade garimpeira afasta os ribeirinhos do extrativismo e da conserva\u00e7\u00e3o do ambiente, potencializando a polui\u00e7\u00e3o ambiental e dando espa\u00e7o a outras ilegalidades, como o tr\u00e1fico de drogas e&nbsp;a prostitui\u00e7\u00e3o.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cSabe o que estraga o garimpo? \u00c9 esses caras que vem de fora. Se \u2018amostram\u2019, v\u00e3o trabalhar tudo armado, cheio de bala. A\u00ed j\u00e1 pega a culpa tudinho na gente\u201d, diz, ao reconhecer a presen\u00e7a do narcotr\u00e1fico em meio \u00e0 extra\u00e7\u00e3o ilegal de min\u00e9rio.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Veja tamb\u00e9m:<\/strong><\/p>\n\n\n\n<figure><iframe loading=\"lazy\" allowfullscreen=\"\" height=\"315\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/m1fTINNIi58\" width=\"560\"><\/iframe><\/figure>\n\n\n\n<p>Agro \u00e9 garimpo<\/p>\n\n\n\n<p>A explos\u00e3o da<a href=\"http:\/\/Em carta aberta, entidades alertam sobre os perigos do novo C\u00f3digo da Minera\u00e7\u00e3o\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">&nbsp;minera\u00e7\u00e3o ilegal&nbsp;<\/a>na bacia do Madeira foi traduzida em estat\u00edsticas por um levantamento do Mapbiomas. Segundo a organiza\u00e7\u00e3o, a \u00e1rea atingida mais do que dobrou entre os anos de 2007 e 2020, saltando de 37,5 para 96,6 quil\u00f4metros quadrados, o equivalente a todo o per\u00edmetro urbano de S\u00e3o Bernardo do Campo, cidade na regi\u00e3o metropolitana de S\u00e3o Paulo.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>A principal responsabilidade sobre esse crescimento recai sobre o&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.brasildefato.com.br\/2021\/11\/24\/agro-e-fogo-incendios-no-brasil-estao-ligados-ao-agronegocio-e-ao-avanco-da-fome-diz-dossie\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">agroneg\u00f3cio<\/a>, que injeta dinheiro no garimpo, sob incentivo do presidente Jair Bolsonaro (PL), encorajador da atividade predat\u00f3ria e&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.brasildefato.com.br\/2020\/09\/16\/como-o-desmonte-de-orgaos-ambientais-tem-relacao-direta-com-o-fogo-nas-florestas\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">em cujo governo a fiscaliza\u00e7\u00e3o ambiental foi desmontada<\/a>.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"https:\/\/www.brasildefato.com.br\/2021\/11\/24\/agro-e-fogo-incendios-no-brasil-estao-ligados-ao-agronegocio-e-ao-avanco-da-fome-diz-dossie\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\"><strong>::&nbsp;\u201cAgro \u00e9 fogo\u201d: inc\u00eandios no Brasil est\u00e3o ligados ao agroneg\u00f3cio e ao avan\u00e7o da fome, diz dossi\u00ea ::<\/strong><\/a><\/p>\n\n\n\n<p>Segundo o professor da Ufam, o dinheiro que abriu caminho para explora\u00e7\u00e3o mineral em larga escala na bacia do rio Madeira \u00e9 o mesmo a financiar a devasta\u00e7\u00e3o ambiental no chamado arco do desmatamento, que avan\u00e7a sobre a Floresta Amaz\u00f4nica.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cNa maioria dos casos, os respons\u00e1veis pela expans\u00e3o da fronteira agr\u00edcola s\u00e3o os grandes investidores e fazendeiros, que det\u00eam um grande n\u00famero de balsas. Mas tem tamb\u00e9m aquele morador que vendeu um terreno, uma moto, para financiar sua empreitada\u201d, alerta Ara\u00fajo.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img data-recalc-dims=\"1\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/images02.brasildefato.com.br\/315015134ee6b4ec6f7a8477aea55d4f.jpeg?w=600&#038;ssl=1\" alt=\"\"\/><\/figure>\n\n\n\n<p><br>No Amazonas o garimpo \u00e9 proibido, mas n\u00e3o \u00e9 segredo para ningu\u00e9m \/ Reprodu\u00e7\u00e3o\/Google Street View<\/p>\n\n\n\n<p>Sem pol\u00edticas p\u00fablicas de incentivo \u00e0 agricultura familiar ou acesso a direitos sociais como sa\u00fade e educa\u00e7\u00e3o, a popula\u00e7\u00e3o v\u00ea no garimpo uma alternativa poss\u00edvel de melhoria das condi\u00e7\u00f5es de vida.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cO governo federal estimula e o agroneg\u00f3cio financia a garimpagem no rio Madeira. E esse pai ou m\u00e3e de fam\u00edlia acaba sendo ludibriado pelo dinheiro. A lavra garimpeira reproduz, portanto, uma situa\u00e7\u00e3o colonial\u201d, assinala o soci\u00f3logo.<\/p>\n\n\n\n<p>Repress\u00e3o<\/p>\n\n\n\n<p>Ap\u00f3s o deslocamento em massa de mineradores ilegais para a comunidade de Rosarinho ganhar manchetes, a Pol\u00edcia Federal e as For\u00e7as Armadas ocuparam a regi\u00e3o e destru\u00edram 130 balsas. O procedimento \u00e9 considerado ineficaz para o professor da Ufam.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cPenso que nesse momento o ato de queimar as dragas s\u00f3 ati\u00e7a ainda mais a atividade garimpeira no rio Madeira. Porque os pol\u00edticos locais apoiam os garimpeiros, tanto em investimentos, quanto no financiamento de novas balsas\u201d, opina Ara\u00fajo.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"https:\/\/www.brasildefato.com.br\/2021\/11\/25\/trafico-trabalho-escravo-poluicao-os-crimes-que-podem-estar-ocorrendo-agora-no-rio-madeira\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\"><strong>::&nbsp;Tr\u00e1fico, trabalho escravo, polui\u00e7\u00e3o: os crimes que podem estar ocorrendo agora no rio Madeira ::<\/strong><\/a><\/p>\n\n\n\n<p>Para os latifundi\u00e1rios que investem parte de seus lucros na minera\u00e7\u00e3o clandestina, a opera\u00e7\u00e3o pode n\u00e3o representar preju\u00edzo significativo. Mas o mesmo n\u00e3o vale para o setor mais pobre dos garimpeiros, composto majoritariamente pela popula\u00e7\u00e3o local.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cDepois da \u00faltima opera\u00e7\u00e3o, os vereadores, prefeitos de cidades como Manicor\u00e9 e Humait\u00e1 [onde vivem mineradores ilegais] fizeram reuni\u00f5es recentes em apoio \u00e0 atividade, que movimenta a economia desses munic\u00edpios&#8221;, exp\u00f5e.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Nos \u00faltimos dias, a presen\u00e7a das for\u00e7as federais de seguran\u00e7a parece ter desmobilizado temporariamente a garimpagem na regi\u00e3o.&nbsp;Mas postagens em redes sociais confirmam que<a href=\"https:\/\/www.brasildefato.com.br\/2021\/11\/29\/garimpeiros-ilegais-do-rio-madeira-anunciam-volta-apos-saida-da-policia-federal\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">&nbsp;a pr\u00e1tica j\u00e1 come\u00e7a a se recompor<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img data-recalc-dims=\"1\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/images03.brasildefato.com.br\/8c185219158585c4d9f1207f97db3eef.jpeg?w=600&#038;ssl=1\" alt=\"\"\/><\/figure>\n\n\n\n<p><br>Publica\u00e7\u00e3o mostra draga escondida esperando fim da fiscaliza\u00e7\u00e3o da Pol\u00edcia Federal \/ Reprodu\u00e7\u00e3o\/WhatsApp<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cCorrida do ouro\u201d \u00e9 antiga<\/p>\n\n\n\n<p>Em agosto deste ano, a reportagem conversou, tamb\u00e9m sob a condi\u00e7\u00e3o de anonimato, com um segundo garimpeiro que viajava pelo rio Madeira.<\/p>\n\n\n\n<p>Ele relatou ter deixado um garimpo ilegal em Aruiquemes (RO), munic\u00edpio conhecido pela explora\u00e7\u00e3o da casseterita, da qual se extrai o estanho utilizado pela ind\u00fastria na produ\u00e7\u00e3o de ligas met\u00e1licas.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cTeve uma opera\u00e7\u00e3o policial e eu tive que sair de l\u00e1. Tenho colega que pegou R$ 25 mil de multa no CPF por crime ambiental. Se voc\u00ea \u00e9 trabalhador, \u00e9 preso. Se voc\u00ea \u00e9 bandido, \u00e9 preso. Ent\u00e3o \u00e9 complicado\u201d, afirmou o minerador ilegal.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Tr\u00eas meses antes da invas\u00e3o de balsas em Autazes (AM), ele era um dos muitos garimpeiros de outros estados a explorar a bacia do Madeira, j\u00e1 conhecida pela falta de fiscaliza\u00e7\u00e3o e pela abund\u00e2ncia de ouro.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cOu voc\u00ea mete a cara e faz o trabalho ilegal para voc\u00ea ter o sustento da sua fam\u00edlia ou voc\u00ea vai passar necessidade. N\u00e3o pode ter ego\u00edsmo. Porque \u00e9 uma coisa que Deus deixou. Ouro \u00e9 uma coisa da natureza\u201d, diz.\u00a0<br><\/p>\n\n\n\n<p>Segundo o pesquisador da Ufam, a garimpagem na regi\u00e3o remonta \u00e0 d\u00e9cada de 50. Os primeiros a buscarem ouro eram do Mato Grosso e chegaram at\u00e9 o grande Madeira por um de seus afluentes, o rio Ji-Paran\u00e1, mais conhecido como rio Machado.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cSe a minera\u00e7\u00e3o no Madeira come\u00e7ou h\u00e1 cinco d\u00e9cadas e s\u00f3 enriqueceu quem tem recursos financeiros para construir diversas dragas, o que resta para os moradores das comunidades \u00e9 a condi\u00e7\u00e3o extrema da pobreza quando esse ouro acabar\u201d, prev\u00ea Ara\u00fajo.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>O cen\u00e1rio atual da explora\u00e7\u00e3o do ouro na regi\u00e3o, com centenas de balsas equipadas com maquin\u00e1rio especializado, se concretizou com a opera\u00e7\u00e3o das hidrel\u00e9tricas de Jirau e Santo Ant\u00f4nio a partir de 2014.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img data-recalc-dims=\"1\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/images01.brasildefato.com.br\/eaafff915c39da6ea4510e77b0a89b42.jpeg?w=600&#038;ssl=1\" alt=\"\"\/><\/figure>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p>\u201cO volume dessas usinas fez com que o solo do rio Madeira jogasse na superf\u00edcie uma camada de ouro. A\u00ed ent\u00e3o acontece um&nbsp;<em>boom<\/em>&nbsp;de garimpagem, apesar do monitoramento feito pelas ag\u00eancias federais de fiscaliza\u00e7\u00e3o\u201d, acrescenta o professor universit\u00e1rio.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Para o ribeirinho que atua no garimpo, um fator decisivo para a migra\u00e7\u00e3o \u00e0 atividade ilegal foi a cheia hist\u00f3rica do Madeira em 2014, que devastou comunidades e praticamente acabou com a produ\u00e7\u00e3o agr\u00edcola beira-rio.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Todo mundo s\u00f3 trabalhava em agricultura, banana, ro\u00e7a. A maioria esconjurava garimpo. Quando veio a enchente de 2014 \u00e9 que&nbsp;acabou com tudo. Em 2015 de Manicor\u00e9 para cima juntou mais de 300 balsas. A cada ano que passa vai aumentando.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p>Mercado aquecido&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Vinculado ao d\u00f3lar, o pre\u00e7o do ouro vem apresentando alta no mercado internacional e tornando o garimpo ainda mais lucrativo. Extra\u00edda do fundo do Madeira, a subst\u00e2ncia \u00e9 transportada rio acima at\u00e9 a Bol\u00edvia, de onde ganha outros continentes.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo os garimpeiros ouvidos pela reportagem, o mais comum \u00e9 que os pr\u00f3prios funcion\u00e1rios das balsas fiquem com 40% do ouro recolhido, enquanto o restante fica com o patr\u00e3o. Ambos procuram, ent\u00e3o, a melhor proposta e vendem para a pessoa respons\u00e1vel pelo transporte.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"https:\/\/www.brasildefato.com.br\/2021\/04\/12\/vitima-do-garimpo-mercurio-mata-ambientalista-que-trabalhava-na-amazonia\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">::&nbsp;V\u00edtima do garimpo: merc\u00fario mata ambientalista que trabalhava na Amaz\u00f4nia ::<\/a><br>&nbsp;<br>\u201cEsses caras que levam [o ouro do Madeira] ganham muito. Ele chega l\u00e1 j\u00e1 derretido, na barra, mais caro j\u00e1. O pr\u00f3prio dono desse barco compra ouro\u201d, conta com naturalidade o ribeirinho que trabalha na minera\u00e7\u00e3o clandestina, a bordo de uma embarca\u00e7\u00e3o que transporta centenas de passageiros sobre as \u00e1guas do Madeira.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Devasta\u00e7\u00e3o ambiental&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo o Greenpeace, o rio Madeira \u00e9 &nbsp;o mais biodiverso entre os afluentes do rio Amazonas. Os peixes, fundamentais na alimenta\u00e7\u00e3o das popula\u00e7\u00f5es tradicionais da floresta, atuam como concentradores naturais do merc\u00fario utilizado no garimpo.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Pesquisas demonstram que, ao serem consumidos pelos seres humanos, o min\u00e9rio pode causar graves problemas de sa\u00fade nos rins, f\u00edgado, aparelho digestivo e no sistema nervoso central. Um exemplo \u00e9 a Terra Ind\u00edgena Yanomami,&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.brasildefato.com.br\/2021\/09\/23\/garimpo-causa-ma-formacao-e-desnutricao-em-criancas-yanomami-denunciam-liderancas-indigenas\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">cujas crian\u00e7as est\u00e3o tragicamente comprometidas pela desnutri\u00e7\u00e3o<\/a>. .&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cA conserva\u00e7\u00e3o da Amaz\u00f4nia \u00e9 um elemento central quando falamos sobre os esfor\u00e7os globais para conter a crise clim\u00e1tica e da biodiversidade. A extra\u00e7\u00e3o do ouro causa s\u00e9rios impactos no ecossistema e certamente est\u00e1 aprofundando a crise ecol\u00f3gica do bioma\u201d, afirma Carolina Mar\u00e7al, porta-voz da campanha Amaz\u00f4nia do Greenpeace.<\/p>\n\n\n\n<p>Para ela, existe uma clara rela\u00e7\u00e3o entre a expans\u00e3o descontrolada do garimpo na bacia amaz\u00f4nica, o sucateamento dos \u00f3rg\u00e3os de fiscaliza\u00e7\u00e3o e as diversas medidas em tramita\u00e7\u00e3o no congresso que buscam flexibilizar a legisla\u00e7\u00e3o socioambiental.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cO poder de destrui\u00e7\u00e3o que o garimpo tem sobre os rios da Amaz\u00f4nia \u00e9 enorme, a atividade predat\u00f3ria amea\u00e7a a integridade ecol\u00f3gica das \u00e1reas atingidas. O assoreamento dos rios e a contamina\u00e7\u00e3o por merc\u00fario s\u00e3o alguns dos muitos impactos causados pela atividade\u201d, destaca a integrante do Greenpeace.\u00a0<br><\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Mineradores clandestinos ouvidos pelo BdF ajudam a explicar prolifera\u00e7\u00e3o da atividade que preda popula\u00e7\u00e3o ribeirinha<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_exactmetrics_skip_tracking":false,"_exactmetrics_sitenote_active":false,"_exactmetrics_sitenote_note":"","_exactmetrics_sitenote_category":0,"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","enabled":false},"version":2}},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-33151","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-notas"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p7wKYW-8CH","jetpack-related-posts":[],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/33151","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=33151"}],"version-history":[{"count":1,"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/33151\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":33154,"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/33151\/revisions\/33154"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=33151"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=33151"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=33151"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}