{"id":33354,"date":"2022-03-03T18:23:08","date_gmt":"2022-03-03T22:23:08","guid":{"rendered":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/?p=33354"},"modified":"2022-03-03T18:23:12","modified_gmt":"2022-03-03T22:23:12","slug":"e-agrotoxico-sim","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/2022\/03\/03\/e-agrotoxico-sim\/","title":{"rendered":"\u00c9 agrot\u00f3xico sim!"},"content":{"rendered":"\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"254\" height=\"198\" data-attachment-id=\"33355\" data-permalink=\"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/2022\/03\/03\/e-agrotoxico-sim\/6e2646af-2da4-4596-8a4a-92daecd0d358\/\" data-orig-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2022\/03\/6E2646AF-2DA4-4596-8A4A-92DAECD0D358.jpeg?fit=254%2C198\" data-orig-size=\"254,198\" data-comments-opened=\"0\" data-image-meta=\"{&quot;aperture&quot;:&quot;0&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;0&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;0&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;0&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0&quot;,&quot;title&quot;:&quot;&quot;,&quot;orientation&quot;:&quot;0&quot;}\" data-image-title=\"6E2646AF-2DA4-4596-8A4A-92DAECD0D358\" data-image-description=\"\" data-image-caption=\"\" data-medium-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2022\/03\/6E2646AF-2DA4-4596-8A4A-92DAECD0D358.jpeg?fit=254%2C198\" data-large-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2022\/03\/6E2646AF-2DA4-4596-8A4A-92DAECD0D358.jpeg?fit=254%2C198\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2022\/03\/6E2646AF-2DA4-4596-8A4A-92DAECD0D358.jpeg?resize=254%2C198\" alt=\"\" class=\"wp-image-33355\"\/><\/figure>\n\n\n\n<p>No s\u00e9culo passado, a partir da d\u00e9cada de 60, o Brasil iniciou um per\u00edodo de grandes mudan\u00e7as em suas atividades agr\u00edcolas, com a implementa\u00e7\u00e3o de novas t\u00e9cnicas agron\u00f4micas, o fortalecimento do setor industrial, a instala\u00e7\u00e3o de f\u00e1bricas de implementos agr\u00edcolas, sementes modificadas e agrot\u00f3xicos. Tais altera\u00e7\u00f5es elevaram o pa\u00eds a um dos principais produtores de alimentos no planeta. Atualmente, o agroneg\u00f3cio, de acordo com o Centro de Estudos Avan\u00e7ados em Economia Aplicada (Cepea), representa 26,1% do PIB brasileiro.<\/p>\n\n\n\n<!--more-->\n\n\n\n<p>Este cen\u00e1rio, de tamanha magnitude, coloca a regulamenta\u00e7\u00e3o e comercializa\u00e7\u00e3o dos agrot\u00f3xicos sob uma constante e forte press\u00e3o. Assim, em 2002, foi proposto o Projeto de Lei (PL) n\u00ba 6.299, que altera os artigos 3\u00ba e 9\u00ba da Lei n\u00ba 7.802\/89. Este PL foi aprovado no \u00faltimo dia 09 de fevereiro na C\u00e2mara dos Deputados e seguir\u00e1 para o Senado Federal.<\/p>\n\n\n\n<p>Com a atual legisla\u00e7\u00e3o, que \u00e9 mais rigorosa, foram liberados o registro de 493 produtos em 2020, 4% mais do que o de 2019. Estes registros v\u00eam crescendo ano a ano no pa\u00eds desde 2016 e o n\u00famero registrado, em 2020, \u00e9 o maior verificado pelo Minist\u00e9rio da Agricultura desde 2000.<\/p>\n\n\n\n<p>As altera\u00e7\u00f5es sugeridas pelo PL n\u00ba 6.299\/02 promovem uma grande flexibiliza\u00e7\u00e3o nos processos de pesquisa, experimenta\u00e7\u00e3o, classifica\u00e7\u00e3o, registro, produ\u00e7\u00e3o, comercializa\u00e7\u00e3o e fiscaliza\u00e7\u00e3o de agrot\u00f3xicos. Prop\u00f5e ainda a diminui\u00e7\u00e3o dos poderes dos \u00f3rg\u00e3os da sa\u00fade e do meio ambiente, bem como a suaviza\u00e7\u00e3o da classifica\u00e7\u00e3o de produtos que s\u00e3o nocivos, justamente, \u00e0 sa\u00fade humana e ao meio ambiente. Com isso, prop\u00f5e uma concentra\u00e7\u00e3o exclusiva do poder decis\u00f3rio ao Minist\u00e9rio da Agricultura, que ser\u00e1 o \u00fanico \u00f3rg\u00e3o que poder\u00e1 aplicar penalidades e auditar empresas e institutos de pesquisa.<\/p>\n\n\n\n<p>A atual an\u00e1lise tripartide permite um exame muito mais amplo dos efeitos dos agrot\u00f3xicos \u00e0 sa\u00fade e ao meio ambiente. Fragilizar essa an\u00e1lise favorece a sobreposi\u00e7\u00e3o de interesses particulares ao interesse p\u00fablico.<\/p>\n\n\n\n<p>De acordo com a Organiza\u00e7\u00e3o Internacional do Trabalho (OIT), mais de sete milh\u00f5es de casos de doen\u00e7as agudas e cr\u00f4nicas n\u00e3o fatais s\u00e3o registrados por ano em pa\u00edses em desenvolvimento. Ressalta-se que o Minist\u00e9rio da Sa\u00fade estima que, para cada caso notificado, existam outros 50 n\u00e3o notificados. O Instituto Nacional do C\u00e2ncer (INCA), alerta que a exposi\u00e7\u00e3o aos agrot\u00f3xicos pode causar uma s\u00e9rie de doen\u00e7as, dependendo do produto que foi utilizado, do tempo de exposi\u00e7\u00e3o e quantidade de produto absorvido pelo organismo. Podemos facilitar o registro de produtos com esse grau de risco? Deixar a Anvisa agir apenas como um \u00f3rg\u00e3o consultivo \u00e9 acreditar demais na boa f\u00e9 humana.<\/p>\n\n\n\n<p>Extrapolando em seu poder criativo, o PL prop\u00f5e tamb\u00e9m a altera\u00e7\u00f5es de nomes.<\/p>\n\n\n\n<p><em>\u00e1gros<\/em>&nbsp;(campo) e&nbsp;<em>toxicon<\/em>&nbsp;(veneno). Al\u00e9m disso, \u201cagrot\u00f3xico\u201d \u00e9 a nomenclatura utilizada em nossa Constitui\u00e7\u00e3o de 1988. Teremos um mesmo produto com nomes diferentes conforme a lei?<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo, quando usados em florestas e em ambientes h\u00eddricos, os agrot\u00f3xicos passam a ser chamados pelo projeto de \u201cprodutos de controle ambiental\u201d. Este termo \u00e9 vago e tendencioso. Quem e o que est\u00e1 sendo \u201ccontrolado\u201d por esses produtos? Por que mais um nome se o prop\u00f3sito \u00e9 o mesmo?<\/p>\n\n\n\n<p>Muitas vezes, grandes e importantes discuss\u00f5es s\u00e3o feitas sobre consumo consciente e a\u00e7\u00f5es para estimular o uso de sacolas biodegrad\u00e1veis. Por\u00e9m, esquecemo-nos de avaliar se os produtos que est\u00e3o dentro das sacolas, biodegrad\u00e1veis ou n\u00e3o, est\u00e3o contaminados por algum tipo de veneno.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 fundamental que a sociedade fique atenta ao que coloca em sua mesa e em seu corpo. Toda a popula\u00e7\u00e3o est\u00e1 suscet\u00edvel a exposi\u00e7\u00f5es m\u00faltiplas de agrot\u00f3xicos, por meio de consumo de alimentos e \u00e1gua contaminados. Podem ocorrer importantes altera\u00e7\u00f5es metab\u00f3licas, imunol\u00f3gicas ou hormonais.<\/p>\n\n\n\n<p>Por tudo isso, devemos olhar com mais rigor as propostas de mudan\u00e7as na lei de agrot\u00f3xicos e entender quem ganhar\u00e1 com isso.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Emiliano Lobo de Godoi<\/strong>, Doutor em Agronomia e Professor da Escola de Engenharia Civil e Ambiental da Universidade Federal de Goi\u00e1s<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>No s\u00e9culo passado, a partir da d\u00e9cada de 60, o Brasil iniciou um per\u00edodo de grandes mudan\u00e7as em suas atividades agr\u00edcolas, com a implementa\u00e7\u00e3o de novas t\u00e9cnicas agron\u00f4micas, o fortalecimento do setor industrial, a instala\u00e7\u00e3o de f\u00e1bricas de implementos agr\u00edcolas, sementes modificadas e agrot\u00f3xicos. 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