{"id":33394,"date":"2022-03-08T11:08:20","date_gmt":"2022-03-08T15:08:20","guid":{"rendered":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/?p=33394"},"modified":"2022-03-08T11:08:24","modified_gmt":"2022-03-08T15:08:24","slug":"primavera-feminista-marcha-das-mulheres-negras-elenao-quais-os-contextos-do-8m-em-2022","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/2022\/03\/08\/primavera-feminista-marcha-das-mulheres-negras-elenao-quais-os-contextos-do-8m-em-2022\/","title":{"rendered":"Primavera feminista, Marcha das Mulheres Negras, #EleN\u00e3o: quais os contextos do 8M em 2022?"},"content":{"rendered":"\n<figure class=\"wp-block-image\"><img data-recalc-dims=\"1\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/images02.brasildefato.com.br\/6f69878c0cf886417573381330650f26.jpeg?w=600&#038;ssl=1\" alt=\"\"\/><\/figure>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\">O dia internacional de lutas chega em momento em que, para mulheres, o desafio \u00e9 se contrapor a v\u00e1rias guerras em curso<\/h4>\n\n\n\n<!--more-->\n\n\n\n<p>Gabriela Moncau &#8211; Brasil de Fato | S\u00e3o Paulo (SP) <\/p>\n\n\n\n<p>\u201cAs guerras que est\u00e3o acontecendo agora \u2013 todas elas, as guerras dos bolsonaristas, a dos evang\u00e9licos conservadores extremistas, as guerras culturais &#8211; s\u00e3o, de alguma forma, contra n\u00f3s\u201d, avalia Jurema Werneck, m\u00e9dica, ativista do movimento de mulheres negras, cofundadora da ONG Criola e diretora-executiva da Anistia Internacional no Brasil.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cN\u00e3o s\u00e3o guerras s\u00f3 contra as mulheres na dimens\u00e3o dos corpos\u201d, detalha Werneck, \u201cmas contra uma vis\u00e3o de mundo que a gente estava pleiteando e de certa forma implantando. E que significa&nbsp;que o mundo dominado pelo macho, branco, heterossexual, rico, tem que acabar\u201d.&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>O Dia Internacional de Luta das Mulheres chega, no ano de 2022, em um contexto em que, para Werneck, \u201c\u00e9 preciso compreender que existe essa guerra contra n\u00f3s: as negras, as trans, as ind\u00edgenas, etc., um n\u00f3s muito grande e plural\u201d. A partir da\u00ed, defende, \u201co desafio \u00e9 transformar a contraposi\u00e7\u00e3o a isso em pauta conjunta. E inundar as ruas &#8211; as f\u00edsicas e as digitais\u201d.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Com o lema \u201cPela vida das mulheres, Bolsonaro nunca mais \u2013 por um Brasil sem machismo, sem racismo e sem fome\u201d,&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.brasildefato.com.br\/2022\/03\/04\/atos-do-8m-acontecem-em-todas-as-regioes-do-pais-nesta-terca-confira\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">atos est\u00e3o sendo realizados em todos os estados<\/a>. Desde que a pandemia de covid-19 chegou ao pa\u00eds em mar\u00e7o de 2020, esse \u00e9 o primeiro 8 de mar\u00e7o com a maioria da popula\u00e7\u00e3o brasileira vacinada.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"https:\/\/www.brasildefato.com.br\/2022\/03\/07\/fatos-e-mitos-do-8-de-marco-qual-a-origem-da-data-que-celebra-a-luta-das-mulheres\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\"><strong>::&nbsp;Fatos e mitos do 8 de mar\u00e7o: qual a origem da data que celebra a luta das mulheres? ::<\/strong><\/a><\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9, portanto, o retorno mais robusto \u00e0s ruas por parte dos movimentos feministas, LBTQIA+ e de mulheres dentro de um hist\u00f3rico recente em que, a despeito do&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.brasildefato.com.br\/2022\/01\/27\/ha-uma-onda-neonazista-no-brasil-entenda-o-que-dizem-os-numeros-e-especialistas-no-tema\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">aumento<\/a>&nbsp;de ideias e grupos totalit\u00e1rios no Brasil, esses setores protagonizaram mobiliza\u00e7\u00f5es de massa.&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>O breve retrospecto abarca as Marchas das Mulheres Ind\u00edgenas realizadas em Bras\u00edlia em 2021 e 2019, os atos do #EleN\u00e3o \u00e0s v\u00e9speras do pleito que elegeu Bolsonaro em 2018 e uma s\u00e9rie de mobiliza\u00e7\u00f5es que fizeram de 2015 um ano divisor de \u00e1guas. Rebobinemos.&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Marcha das Margaridas&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Coordenada pela Confedera\u00e7\u00e3o Nacional dos Trabalhadores Rurais Agricultores e Agricultoras Familiares (Contag), a<a href=\"https:\/\/www.brasildefato.com.br\/2019\/08\/09\/quem-sao-as-mulheres-que-participarao-da-marcha-das-margaridas\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">&nbsp;Marcha das Margaridas<\/a>&nbsp;aconteceu pela primeira vez em 2000, reunindo 20 mil mulheres &#8211; entre camponesas, ribeirinhas, quilombolas, agricultoras e marisqueiras \u2013 em&nbsp;frente ao Congresso Nacional.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Mas sua quinta e \u00faltima edi\u00e7\u00e3o presencial foi em agosto de 2015. As mulheres do campo, das florestas e das \u00e1guas chegaram a 100 mil no ato em Bras\u00edlia, em defesa de um \u201cdesenvolvimento sustent\u00e1vel\u201d com \u201cautonomia, igualdade e liberdade\u201d.&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img data-recalc-dims=\"1\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/images01.brasildefato.com.br\/99ac592d1514ee15908db03077c4c32e.jpeg?w=600&#038;ssl=1\" alt=\"\"\/><\/figure>\n\n\n\n<p><br>Mulheres do campo durante a Marcha das Margaridas, em Bras\u00edlia, em 2015 \/ Marcello Casal Jr\/Ag\u00eancia Brasil<\/p>\n\n\n\n<p>O nome da marcha homenageia&nbsp;<a href=\"http:\/\/www.brasildefatopb.com.br\/2020\/08\/11\/apos-35-anos-do-seu-assassinato-margarida-alves-continua-viva-na-luta-das-mulheres\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Margarida Maria Alves<\/a>, que presidiu o Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Alagoa Grande, na Para\u00edba, e foi assassinada em 12 de agosto de 1983, a mando dos latifundi\u00e1rios da regi\u00e3o. Prof\u00e9tica, Margarida costumava dizer que \u201c\u00e9 melhor morrer na luta do que morrer de fome\u201d.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"http:\/\/xn--mulheres%20do%20mst%20fazem%20atos%20contra%20multinacionais%20do%20agronegcio%20em%20incio%20de%20semana%20de%20luta-9tk35d\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\"><strong>::&nbsp;Mulheres do MST fazem atos contra multinacionais do agroneg\u00f3cio em in\u00edcio de semana de luta ::<\/strong><\/a><\/p>\n\n\n\n<p>\u201cNa Marcha das Margaridas daquele ano a gente cantou pela primeira vez a m\u00fasica do Fora Cunha\u201d, lembra Nalu Faria, psic\u00f3loga, feminista e ativista da Marcha Mundial de Mulheres. Poucos meses depois, a can\u00e7\u00e3o contra o ent\u00e3o presidente da C\u00e2mara dos Deputados, Eduardo Cunha (MDB), ecoaria em v\u00e1rios estados brasileiros.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cPrimavera feminista\u201d&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Em outubro e novembro de 2015, enquanto a hashtag #MeuPrimeiroAss\u00e9dio e seus relatos viralizaram nas redes sociais, seguidas manifesta\u00e7\u00f5es de rua, com dezenas de milhares de mulheres, foram organizadas em capitais brasileiras com o mote &#8220;Fora Cunha&#8221;.&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>O objetivo, posteriormente alcan\u00e7ado, foi barrar o Projeto de Lei (PL) 5069\/2013, de autoria de Cunha. A proposta dificultava o acesso ao aborto mesmo para mulheres cuja gesta\u00e7\u00e3o fosse decorrente de estupro, um dos restritos casos em que a interrup\u00e7\u00e3o da gravidez \u00e9 prevista na legisla\u00e7\u00e3o brasileira.&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Para Nalu Faria, mais do que a defesa da legaliza\u00e7\u00e3o do aborto e a rea\u00e7\u00e3o ao risco de um passo atr\u00e1s nessa luta, a experi\u00eancia manifestava, de forma mais ampla, \u201ca consci\u00eancia da emin\u00eancia de retrocessos\u201d.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Alguns ve\u00edculos de imprensa, como a revista&nbsp;<em>\u00c9poca<\/em>, batizaram o per\u00edodo de&nbsp;<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2015\/11\/13\/opinion\/1447369533_406426.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">\u201cprimavera feminista\u201d<\/a>. A alcunha se popularizou.&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Marcha das Mulheres Negras&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Depois de dois anos de prepara\u00e7\u00e3o com n\u00facleos de bairro em todo o pa\u00eds, a&nbsp;<a href=\"http:\/\/www.geledes.org.br\/wp-content\/uploads\/2016\/09\/E-book-Marcha-das-Mulheres-Negras-comprimido-20.09.16.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Marcha das&nbsp;Mulheres Negras<\/a>&nbsp;aconteceu em 18 de novembro daquele intenso ano de 2015. \u201cContra o racismo, a viol\u00eancia e pelo bem viver\u201d, 50 mil mulheres negras se manifestaram em Bras\u00edlia.&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img data-recalc-dims=\"1\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/cdn.brasildefato.com.br\/media\/e04d975b73b568ec31ecf1f177f708b7.jpg?w=600&#038;ssl=1\" alt=\"\"\/><\/figure>\n\n\n\n<p><br>A Marcha das Mulheres Negras reuniu manifestantes de todos os estados do Brasil&nbsp;\/ Foto: Janine Moraes | Marcha das Mulheres Negras<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cO movimento de mulheres negras j\u00e1 pauta muito do feminismo no Brasil desde os anos 1980\u201d, ressalta a jornalista e escritora Bianca Santana. Em 1984 L\u00e9lia Gonzalez publicava seu cl\u00e1ssico artigo&nbsp;<em>Racismo e sexismo na cultura brasileira<\/em>.&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Autora de&nbsp;<em>Quando me descobri negra<\/em>&nbsp;e do livro biogr\u00e1fico&nbsp;<em>Continuo preta: a vida de Sueli Carneiro<\/em>, Bianca salienta, no entanto, que o movimento de mulheres negras ganha muita for\u00e7a a partir da marcha de 2015. \u201cEla torna vis\u00edveis muitos n\u00facleos organizados que est\u00e3o fazendo trabalho de base e resist\u00eancia na ponta\u201d, diz.&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Jurema Werneck acompanhou de perto a organiza\u00e7\u00e3o da Marcha de 2015: na \u00e9poca era secret\u00e1ria executiva da Articula\u00e7\u00e3o de Organiza\u00e7\u00f5es de Mulheres Negras Brasileiras. \u201cS\u00f3 n\u00e3o tinha mais gente porque o deslocamento \u00e9 muito custoso para mulheres negras, em sua maioria moradoras de favelas, quilombos, terreiros e comunidades tradicionais\u201d.&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Mas foi uma mobiliza\u00e7\u00e3o que chamou \u201co Brasil e a di\u00e1spora\u201d, opina Werneck, ao citar a presen\u00e7a de Phumzile Mlambo-Ngcuka, sul-africana que naquele momento dirigia a ONU Mulheres.&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Os quatro tiros e o pren\u00fancio&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Quando se aproximava do Congresso Nacional,&nbsp;<a href=\"http:\/\/www.correiobraziliense.com.br\/app\/noticia\/cidades\/2015\/11\/18\/interna_cidadesdf,507123\/policial-que-atirou-durante-marcha-na-esplanada-alega-que-se-defendia.shtml\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">quatro tiros foram disparados<\/a>&nbsp;contra a Marcha das Mulheres Negras. \u201cTodo mundo correu para tentar se proteger. Quando finalmente, depois de muita insist\u00eancia, se conseguiu tirar os dois policiais \u00e0 paisana dali, a marcha se recomp\u00f4s e continuou\u201d, conta Jurema.&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cForam tiros disparados por esses extremistas que agora todo mundo conhece. Era um pren\u00fancio de muitas coisas. Uma rea\u00e7\u00e3o dif\u00edcil e violenta a essa for\u00e7a e visibilidade p\u00fablica da organiza\u00e7\u00e3o das mulheres negras\u201d, avalia Werneck.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cE n\u00f3s fomos as \u00fanicas que nos importamos com isso. O Brasil n\u00e3o parou diante de uma marcha de mulheres negras sendo alvejada por quatro tiros. Por todos esses significados, essa marcha foi muito importante. Para mim \u00e9 um antes e um depois, minha vida mudou demais depois disso\u201d, enfatiza.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Desde ent\u00e3o, coletivos locais da Marcha das Mulheres Negras seguiram organizados. \u201cS\u00e3o Paulo \u00e9 um deles. Se constitui hoje como um grupo pol\u00edtico que, al\u00e9m do ato no dia 25 de julho todo ano [Dia da Mulher Negra, Latina e Caribenha], faz uma s\u00e9rie de a\u00e7\u00f5es ao longo do ano\u201d, ilustra Santana.&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"https:\/\/www.brasildefato.com.br\/2022\/03\/05\/carmem-virginia-me-considero-mais-cozinheira-dos-orixas-do-que-dos-homens\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\"><strong>::&nbsp;Carmem Virg\u00ednia: \u201cMe considero mais cozinheira dos Orix\u00e1s do que dos homens\u201d ::<\/strong><\/a><\/p>\n\n\n\n<p>#EleN\u00e3o&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"https:\/\/www.bbc.com\/portuguese\/brasil-45700013\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Considerada pela historiadora Celi Regina Pinto<\/a>&nbsp;como a maior manifesta\u00e7\u00e3o de mulheres da hist\u00f3ria do Brasil, a mobiliza\u00e7\u00e3o contra o ent\u00e3o candidato Jair Bolsonaro (antes PSL, hoje PL) aconteceu em cerca de 100 cidades no Brasil e no mundo. Reuniu dezenas de milhares de pessoas em 29 de setembro e 20 de outubro de 2018. Estima-se que no Largo da Batata, em S\u00e3o Paulo, havia 100 mil manifestantes na primeira edi\u00e7\u00e3o do #EleN\u00e3o.&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img data-recalc-dims=\"1\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/cdn.brasildefato.com.br\/media\/f65ffba94b229617d9f550e6529b08c8.jpg?w=600&#038;ssl=1\" alt=\"\"\/><\/figure>\n\n\n\n<p><br>#EleN\u00e3o no Largo da Batata, em S\u00e3o Paulo, no dia 29 de setembro \/ Rovena Rosa<\/p>\n\n\n\n<p>Apesar de ter sido a maior rea\u00e7\u00e3o popular que, diante do crescimento pol\u00edtico de Bolsonaro, tentou evitar sua elei\u00e7\u00e3o, o #EleN\u00e3o foi alvo de ampla difama\u00e7\u00e3o por meio de&nbsp;<em>fake news<\/em>. Fotos pornogr\u00e1ficas, por exemplo, circularam em grupos de&nbsp;<em>whatsapp<\/em>&nbsp;principalmente de setores evang\u00e9licos, veiculadas como se fossem o registro das manifesta\u00e7\u00f5es.&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Olhando para tr\u00e1s, Nalu Faria considera que faltou uma \u201cestrat\u00e9gia organizativa para o dia seguinte\u201d: \u201co que fazer frente \u00e0 rea\u00e7\u00e3o da direita? Acho que foi uma das nossas fragilidades\u201d.&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Por outro lado, salienta, \u201cmesmo que tenha tido essa rea\u00e7\u00e3o do setor&nbsp; bolsonarista, a express\u00e3o da vota\u00e7\u00e3o contra Bolsonaro entre as mulheres foi bem importante. E nesses anos todos, essa criticidade segue\u201d.&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Uma pesquisa do PoderData feita entre 31 de janeiro e 1 de fevereiro de 2022 indica que 59% das mulheres brasileiras consideram o presidente \u201cruim\u201d ou \u201cp\u00e9ssimo\u201d. Entre os homens o \u00edndice \u00e9 de 47%.&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Marcha das Mulheres Ind\u00edgenas&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Em agosto de 2019, por delibera\u00e7\u00e3o feita durante o Acampamento Terra Livre, 2.500 representantes de 130 povos realizaram a Primeira Marcha de Mulheres Ind\u00edgenas em Bras\u00edlia, com o eixo \u201cTerrit\u00f3rio, nosso corpo, nosso esp\u00edrito\u201d.&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>No manifesto da mobiliza\u00e7\u00e3o, as ind\u00edgenas afirmavam que \u201ca vida e o territ\u00f3rio s\u00e3o a mesma coisa, pois a terra nos d\u00e1 nosso alimento, nossa medicina tradicional, nossa sa\u00fade e nossa dignidade\u201d.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Em setembro de 2021, durante as mobiliza\u00e7\u00f5es que levaram 6 mil ind\u00edgenas a acamparem em frente ao Supremo Tribunal Federal para pressionar contra a aprova\u00e7\u00e3o do&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.brasildefato.com.br\/2021\/08\/25\/o-que-e-o-marco-temporal-e-como-ele-atinge-os-indigenas-do-brasil\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Marco Temporal<\/a>, cuja vota\u00e7\u00e3o foi adiada, se realizou a&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.brasildefato.com.br\/2021\/09\/08\/em-brasilia-mulheres-indigenas-reforcam-pressao-contra-o-marco-temporal\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Segunda Marcha das Mulheres Ind\u00edgenas<\/a>.&nbsp;&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img data-recalc-dims=\"1\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/images03.brasildefato.com.br\/bad2166630b36d21392cfda6ed3066ab.jpeg?w=600&#038;ssl=1\" alt=\"\"\/><\/figure>\n\n\n\n<p><br>2\u00aa Marcha das Mulheres Ind\u00edgenas, em 10 de setembro de 2021 \/ Alass Derivas | @derivajornalismo<\/p>\n\n\n\n<p>Cinco mil mulheres de 172 povos ind\u00edgenas marcharam sob o tema \u201cMulheres origin\u00e1rias: reflorestando mentes para a cura da nossa Terra\u201d.&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>8 de mar\u00e7o de 2022 e as lutas em aberto&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Ano eleitoral, polariza\u00e7\u00e3o pol\u00edtica, queda nos \u00edndices de contamina\u00e7\u00f5es por covid-19 com o avan\u00e7o da vacina\u00e7\u00e3o,&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.brasildefato.com.br\/minuto-a-minuto\/conflito-na-ucrania\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">guerra na Ucr\u00e2nia<\/a>, quatro anos da execu\u00e7\u00e3o de Marielle Franco e Anderson Gomes,&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.brasildefato.com.br\/2022\/01\/22\/operacao-policial-inaugura-cidade-integrada-palanque-politico-midiatico-diz-pesquisador\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">ocupa\u00e7\u00e3o militar no Jacarezinho<\/a>, assassinato brutal de&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.brasildefatopb.com.br\/2022\/02\/23\/reflexoes-que-ficam-depois-da-dor-um-mes-do-caso-moise-mugenyi-kabagambe\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Mo\u00efse<\/a>. Nesse contexto, chega mais um 8 de mar\u00e7o.&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cA expectativa \u00e9 mostrar a for\u00e7a vinda das mulheres, de que 2022 \u00e9 um ano de mudan\u00e7a\u201d, resume Bianca Santana.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cEu acho que grande parte do que est\u00e1 acontecendo de ruim no mundo, ruim no Brasil, se deve a uma rea\u00e7\u00e3o: a uma tentativa de reposicionamento dessas for\u00e7as com as quais a gente se contrap\u00f5e\u201d, avalia Jurema Werneck.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cNa\u00e7\u00e3o? A minha na\u00e7\u00e3o \u00e9 de outro jeito. N\u00e3o \u00e9 fruto da viol\u00eancia como as na\u00e7\u00f5es ocidentais. \u00c9 fruto da coexist\u00eancia, que est\u00e1 sendo perseguida h\u00e1 s\u00e9culos. As trans querem outra vis\u00e3o, querem uma na\u00e7\u00e3o, uma fam\u00edlia, onde caibam. As negras querem outro lugar, que n\u00e3o seja essa guerra armada contra quem tem a pele escura. As feministas querem um lugar que n\u00e3o tenha feminic\u00eddio\u201d, ilustra.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"https:\/\/www.brasildefato.com.br\/2022\/03\/07\/as-crises-economica-e-social-pesam-mais-no-bolso-das-mulheres-economista-analisa\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\"><strong>::&nbsp;As crises econ\u00f4mica e social pesam mais no bolso das mulheres? Economista analisa ::<\/strong><\/a><\/p>\n\n\n\n<p>\u201cPode haver de novo uma Marcha de Mulheres Negras, uma marcha &#8220;Ele N\u00e3o&#8221;. Mas tudo isso precisa ser um passo em rela\u00e7\u00e3o a essa conjuntura, que \u00e9 muito maior. Tem a ver com uma no\u00e7\u00e3o compartilhada de coexist\u00eancia, em contraposi\u00e7\u00e3o a uma guerra contra n\u00f3s\u201d, afirma Werneck. \u201cEsse \u00e9 o desafio: transformar isso em pauta. Atualizar nossas concep\u00e7\u00f5es e usar isso para transformar.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>Em sentido similar, Nalu Faria defende que a auto-organiza\u00e7\u00e3o das mulheres esteja atrelada a uma vis\u00e3o antissist\u00eamica ampla. \u201cN\u00f3s n\u00e3o estamos trabalhando s\u00f3 com a ideia de reivindica\u00e7\u00f5es espec\u00edficas das mulheres, por mais que existam. Queremos debater a agenda da economia, da ecologia, da seguran\u00e7a, sempre colocando a sustentabilidade da vida no centro.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cAcho que o grande desafio \u00e9 esse\u201d, conclui a integrante da Marcha Mundial de Mulheres, \u201cgarantir um processo de enraizamento da mobiliza\u00e7\u00e3o debatendo tamb\u00e9m um projeto pol\u00edtico para o Brasil, no qual as formas de desigualdade &#8211; que entrela\u00e7am ra\u00e7a, classe, g\u00eanero e sexualidade \u2013 se desmantelem conjuntamente\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Edi\u00e7\u00e3o: Vivian Virissimo<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O dia internacional de lutas chega em momento em que, para mulheres, o desafio \u00e9 se contrapor a v\u00e1rias guerras em curso<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_exactmetrics_skip_tracking":false,"_exactmetrics_sitenote_active":false,"_exactmetrics_sitenote_note":"","_exactmetrics_sitenote_category":0,"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","enabled":false},"version":2}},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-33394","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-notas"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p7wKYW-8GC","jetpack-related-posts":[],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/33394","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=33394"}],"version-history":[{"count":1,"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/33394\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":33395,"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/33394\/revisions\/33395"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=33394"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=33394"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=33394"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}