{"id":33396,"date":"2022-03-08T11:15:28","date_gmt":"2022-03-08T15:15:28","guid":{"rendered":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/?p=33396"},"modified":"2022-03-08T11:15:34","modified_gmt":"2022-03-08T15:15:34","slug":"jornalismo-falta-de-veiculos-abre-espaco-para-desinformacao-e-reproducao-de-releases-em-sites-do-amazonas","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/2022\/03\/08\/jornalismo-falta-de-veiculos-abre-espaco-para-desinformacao-e-reproducao-de-releases-em-sites-do-amazonas\/","title":{"rendered":"Jornalismo: falta de ve\u00edculos abre espa\u00e7o para desinforma\u00e7\u00e3o e reprodu\u00e7\u00e3o de releases em sites do Amazonas"},"content":{"rendered":"\n<figure class=\"wp-block-image\"><img data-recalc-dims=\"1\" height=\"340\" width=\"600\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/infoamazonia.org\/wp-content\/uploads\/2022\/03\/abre11_desafios-e-solucoes_v2-1200x679.jpg?resize=600%2C340&#038;ssl=1\" alt=\"\"\/><\/figure>\n\n\n\n<p> Concentra\u00e7\u00e3o de ve\u00edculos na capital, falta de recursos e equipes reduzidas deixam sites vulner\u00e1veis \u00e0 atua\u00e7\u00e3o de grupos de interesse no estado.<\/p>\n\n\n\n<!--more-->\n\n\n\n<p>Por\u00a0<a href=\"https:\/\/infoamazonia.org\/author\/jessica-botelho\/\">J\u00e9ssica Botelho<\/a>, Infoamazonia<br><\/p>\n\n\n\n<p>Apesar de abrigar parte consider\u00e1vel da floresta amaz\u00f4nica e a maior popula\u00e7\u00e3o ind\u00edgena do pa\u00eds, sites e blogs no Amazonas ainda t\u00eam cobertura jornal\u00edstica insuficiente sobre quest\u00f5es socioambientais. Esse \u00e9\u00a0<a href=\"https:\/\/infoamazonia.org\/2022\/02\/25\/discurso-bolsonarista-contra-ongs-ganha-terreno-em-sites-no-am\/\">um dos achados do mapeamento<\/a>\u00a0que fiz para o projeto\u00a0<strong>\u201cAmazonas: mentira tem pre\u00e7o\u201d\u00a0<\/strong>em parceria com a comunicadora Dirce Quintino.<\/p>\n\n\n\n<p>H\u00e1 quatro anos sou pesquisadora da regi\u00e3o Norte no&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.atlas.jor.br\/\">Atlas da Not\u00edcia<\/a>, censo da imprensa brasileira que j\u00e1 registrou mais de 13 mil&nbsp; ve\u00edculos jornal\u00edsticos em todo o pa\u00eds. Nesse trabalho, em que atuo como coordenadora do levantamento nos sete estados nortistas, entre eles o Amazonas, revelamos a import\u00e2ncia do jornalismo local na&nbsp;&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.observatoriodaimprensa.com.br\/atlas-da-noticia-3-0\/apesar-de-desafios-imprensa-amazonica-se-destaca-na-cobertura-ambiental\/\">cobertura de temas ambientais<\/a>&nbsp;e&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.observatoriodaimprensa.com.br\/atlas-da-noticia-4-0\/crises-nos-estados-do-norte-evidenciam-a-importancia-do-jornalismo-local\/\">de crises<\/a>, dentre outras descobertas.&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>A falta de produ\u00e7\u00e3o jornal\u00edstica no Amazonas, identificada no mapeamento realizado para o projeto<a href=\"https:\/\/mentiratempreco.infoamazonia.org\/\">&nbsp;<strong>\u201cAmazonas: mentira tem pre\u00e7o\u201d<\/strong><\/a>, abre espa\u00e7o para a republica\u00e7\u00e3o, na \u00edntegra, de releases, conte\u00fado elaborado pelas assessorias dos \u00f3rg\u00e3os p\u00fablicos e de pol\u00edticos como propaganda institucional. &nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Essa \u00e9 tamb\u00e9m a vis\u00e3o de D\u00e9bora Salles, pesquisadora do&nbsp;<a href=\"http:\/\/www.netlab.eco.ufrj.br\/pesquisas\">Laborat\u00f3rio de Estudos de Internet e Redes Sociais<\/a>&nbsp;(Netlab), da Escola de Comunica\u00e7\u00e3o da Universidade Federal do Rio de Janeiro, com quem dialogamos sobre o tema. Ela destacou, em nossa conversa, que hist\u00f3rias relacionadas a conte\u00fados socioambientais raramente s\u00e3o abordadas de maneira original pelos ve\u00edculos amazonenses.<\/p>\n\n\n\n<p>A regra, diz, quase sempre \u00e9 a reprodu\u00e7\u00e3o de&nbsp;<em>press release<\/em>. \u201cNessa regi\u00e3o [Amaz\u00f4nia Legal] a gente percebe uma presen\u00e7a muito grande dos releases, \u00e9 a principal fonte de conte\u00fado. A produ\u00e7\u00e3o dos pr\u00f3prios ve\u00edculos \u00e9 muito restrita.\u201d Como saber se aquele conte\u00fado \u00e9 um release? Vale olhar a assinatura da postagem e o cr\u00e9dito no final da mesma, que pode indicar se aquele conte\u00fado foi produzido por uma ag\u00eancia, como a Secom-Ag\u00eancia Amazonas, da Secretaria de Estado de Comunica\u00e7\u00e3o do estado.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img data-recalc-dims=\"1\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/infoamazonia.org\/wp-content\/uploads\/2022\/03\/Agencia_Amazonas_Captura-de-Tela-2022-03-04-as-11.54.42.png?w=600&#038;ssl=1\" alt=\"\"\/><\/figure>\n\n\n\n<p>Entre os fatores que colaboram para esta lacuna, a sustentabilidade financeira talvez seja a principal. Investiga\u00e7\u00f5es a longo prazo exigem equipe, tempo e investimento \u2013 e, no Amazonas, os deslocamentos incluem log\u00edstica em c\u00e9u, mar e terra.&nbsp; Em consequ\u00eancia, as not\u00edcias mais quentes do dia, as \u201chard news\u201d, s\u00e3o priorizadas pelos ve\u00edculos de imprensa.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Com reda\u00e7\u00f5es pequenas \u2013 em alguns casos formadas por apenas duas pessoas\u2013 e falta de recursos para a produ\u00e7\u00e3o de conte\u00fado pr\u00f3prio, os sites do Amazonas d\u00e3o espa\u00e7o para a reprodu\u00e7\u00e3o de conte\u00fado das assessorias, com destaque para a comunica\u00e7\u00e3o do governo do estado, que ganha terreno por meio de an\u00fancios e distribui\u00e7\u00e3o de releases.<\/p>\n\n\n\n<p>Questionado sobre a lista de sites em que veicula an\u00fancios, o governo do Amazonas n\u00e3o se manifestou at\u00e9 a publica\u00e7\u00e3o deste artigo.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img data-recalc-dims=\"1\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/infoamazonia.org\/wp-content\/uploads\/2022\/03\/Queimadas_Amazonia_Edmar_Barros.jpeg?w=600&#038;ssl=1\" alt=\"\"\/><\/figure>\n\n\n\n<p>Registro das queimadas em L\u00e1brea pelo fot\u00f3grado Edmar Barros, amea\u00e7ado por publicar as imagens da floresta pegando fogo<\/p>\n\n\n\n<p>Outro componente \u00e9 a complexidade dos temas socioambientais. Apesar de entrela\u00e7ados no quadro geral da regi\u00e3o e estarem na cobertura nacional, cada assunto tem suas particularidades. Isso exige de jornalistas determinados conhecimentos que n\u00e3o s\u00e3o t\u00e3o acess\u00edveis.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Por exemplo, pautar a emerg\u00eancia clim\u00e1tica passa por quest\u00f5es cient\u00edficas \u2013 em \u00e1reas como F\u00edsica e Biologia- e quest\u00f5es pol\u00edticas no sentido de compreender negocia\u00e7\u00f5es internacionais e implementa\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas p\u00fablicas no Brasil.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p>\u201cA presen\u00e7a do ve\u00edculo [jornal\u00edstico] em si fomenta o que \u00e9 informa\u00e7\u00e3o de qualidade na sociedade e, assim, d\u00e1 compet\u00eancias para o cidad\u00e3o atuar de forma cr\u00edtica, independente e participativa.\u201d<\/p><cite>&nbsp;ALEXANDRE AMARAL, COORDENADOR NA ALIAN\u00c7A GLOBAL PARA ALFABETIZA\u00c7\u00c3O DE M\u00cdDIA E INFORMA\u00c7\u00c3O DA UNESCO<\/cite><\/blockquote>\n\n\n\n<p>Outro tema recorrente \u00e9 o desmatamento. Embora exista oferta de dados (como os do&nbsp;<a href=\"http:\/\/www.inpe.br\/\">Inpe<\/a>&nbsp;e do&nbsp;<a href=\"https:\/\/mapbiomas.org\/\">MapBiomas<\/a>), a cobertura demanda entendimento sobre as din\u00e2micas do problema espec\u00edficas para cada regi\u00e3o, sobretudo na Amaz\u00f4nia, onde o impacto sobre os direitos humanos \u00e9 significativo.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;Ou seja, para al\u00e9m de informa\u00e7\u00f5es e dados para reportar o cen\u00e1rio atual, \u00e9 necess\u00e1rio contextualiza\u00e7\u00e3o cient\u00edfica, identificar e ouvir atores sociais relevantes, conhecimento das legisla\u00e7\u00f5es ambientais e dos agentes p\u00fablicos respons\u00e1veis, entre outros.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-concentracao-de-veiculos-de-imprensa-na-capital\">CONCENTRA\u00c7\u00c3O DE VE\u00cdCULOS DE IMPRENSA NA CAPITAL<\/h2>\n\n\n\n<p>Os dados do Atlas da Not\u00edcia apontam que h\u00e1 uma concentra\u00e7\u00e3o da imprensa na capital amazonense. Em 2020, data base do nosso mapeamento, eram 184 ve\u00edculos jornal\u00edsticos mapeados no estado, 137 est\u00e3o sediados em Manaus, enquanto os 47 restantes est\u00e3o distribu\u00eddos em 24 munic\u00edpios.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Na quinta edi\u00e7\u00e3o da pesquisa, rec\u00e9m-lan\u00e7ada com dados referentes a 2021, pouca coisa mudou. O Amazonas continua liderando em quantidade de ve\u00edculos na regi\u00e3o, com 195 deles registrados, dos quais 140 localizados na capital.<\/p>\n\n\n\n<p>Nessa equa\u00e7\u00e3o, mostra a pesquisa, munic\u00edpios de pequeno porte (com popula\u00e7\u00e3o inferior a 50 mil habitantes) saem prejudicados, pois possuem poucos ou nenhum ve\u00edculo produzindo conte\u00fado de interesse p\u00fablico a n\u00edvel local.<\/p>\n\n\n\n<p>Esses munic\u00edpios, ainda de acordo com os dados mais recentes do Atlas da Not\u00edcia, s\u00e3o classificados como&nbsp;<strong>desertos de not\u00edcias<\/strong>. Ou seja, o estado com a maior extens\u00e3o territorial do pa\u00eds tem mais cidades sem um \u00fanico ve\u00edculo de not\u00edcia que o contr\u00e1rio: s\u00e3o 35 munic\u00edpios considerados desertos de not\u00edcias produtores contra 27.<\/p>\n\n\n\n<p>Os munic\u00edpios de Envira e Itapiranga eram considerados desertos de not\u00edcias at\u00e9 a edi\u00e7\u00e3o anterior. Em 2021, foram identificados nessas cidades os ve\u00edculos&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.enviranews.com\/\">Envira News<\/a>&nbsp;e&nbsp;<a href=\"https:\/\/web.facebook.com\/jornalitapiranga\/\">Jornal Itapiranga News<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p>Para Alexandre Amaral, coordenador na Alian\u00e7a Global para Alfabetiza\u00e7\u00e3o de M\u00eddia e Informa\u00e7\u00e3o da Unesco, a aus\u00eancia de ve\u00edculos de informa\u00e7\u00e3o, em qualquer regi\u00e3o, abre espa\u00e7o para a desinforma\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201c\u00c9 preciso pensar o jornalismo n\u00e3o apenas como o ve\u00edculo que traz not\u00edcia de confian\u00e7a, mas como a presen\u00e7a do ve\u00edculo em si fomenta o que \u00e9 informa\u00e7\u00e3o de qualidade na sociedade e, assim, d\u00e1 compet\u00eancias para o cidad\u00e3o atuar de forma cr\u00edtica, independente e participativa.\u201d<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">OS IMPACTOS DA DESINFORMA\u00c7\u00c3O<\/h2>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img data-recalc-dims=\"1\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/infoamazonia.org\/wp-content\/uploads\/2022\/03\/jair_bolsonaro.jpg?w=600&#038;ssl=1\" alt=\"\"\/><\/figure>\n\n\n\n<p>Ap\u00f3s o discurso do presidente, moradores da Comunidade Maracaj\u00e1, da Terra Ind\u00edgena Alto Rio Negro (noroeste do AM), receberam visitas de militares do Ex\u00e9rcito que perguntaram como os ind\u00edgenas faziam fogo e como eram feitos seus ro\u00e7ados. Esta situa\u00e7\u00e3o foi relatada por uma lideran\u00e7a ind\u00edgena da comunidade ouvida por n\u00f3s em entrevista, realizada no munic\u00edpio de S\u00e3o Gabriel da Cachoeira em novembro de 2021, e que prefere n\u00e3o ser identificada por medo de retalia\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Organiza\u00e7\u00f5es ind\u00edgenas e indigenistas publicaram notas de rep\u00fadio apontando a criminaliza\u00e7\u00e3o dos povos ind\u00edgenas, a exemplo da&nbsp;<a href=\"https:\/\/apiboficial.org\/2020\/09\/22\/bolsonaro-consolida-politica-baseada-em-mentiras-e-apib-denuncia-ataques-do-governo-a-onu-e-ao-stf\/\">Articula\u00e7\u00e3o dos Povos Ind\u00edgenas do Brasil \u2013 Apib<\/a>&nbsp;e do&nbsp;<a href=\"https:\/\/cimi.org.br\/2020\/09\/nota-do-cimi-bolsonaro-criminaliza-povos-indigenas-discurso-irreal-delirante-onu\/\">Conselho Indigenista Mission\u00e1rio<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p>Para Vera Moura, ind\u00edgena do povo Tukano e integrante da Rede de Jovens Comunicadores da&nbsp;<a href=\"https:\/\/coiab.org.br\/\">Coordena\u00e7\u00e3o das Organiza\u00e7\u00f5es Ind\u00edgenas da Amaz\u00f4nia Brasileira<\/a>, \u00e9 importante que a imprensa ou\u00e7a os povos da floresta para que eles sejam considerados tamb\u00e9m como fontes de informa\u00e7\u00e3o. \u201cSeria bom que os meios de comunica\u00e7\u00e3o chegassem at\u00e9 as comunidades para conhecerem a nossa realidade e saberem o que pensamos a respeito disso.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>A desinforma\u00e7\u00e3o no contexto socioambiental tamb\u00e9m encoraja o discurso de \u00f3dio contra cientistas, ambientalistas e lideran\u00e7as de movimentos sociais, como aconteceu em Manaus.<\/p>\n\n\n\n<p>Durante uma audi\u00eancia p\u00fablica sobre o licenciamento de obras na rodovia BR 319, que liga Manaus a Porto Velho (Rond\u00f4nia), o pesquisador e bi\u00f3logo norte-americano Philip Fearnside&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.folhape.com.br\/noticias\/premio-nobel-e-alvo-de-ataque-xenofobo-por-bolsonarista-em-audiencia\/199658\/\">sofreu ataques xenof\u00f3bicos<\/a>&nbsp;de S\u00e9rgio Kruke, representante do Movimento Conservador do Amazonas, depois de apresentar&nbsp;<a href=\"https:\/\/amazoniareal.com.br\/audiencias-publicas-br-319-um-atentado-aos-interesses-nacionais-do-brasil-e-ao-futuro-da-amazonia\/\">argumentos sobre as consequ\u00eancias das obras na estrada<\/a>.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>A obra, estimada em R$ 2 bilh\u00f5es, pode<a href=\"https:\/\/reporterbrasil.org.br\/2021\/10\/reconstrucao-da-br-319-ameaca-69-terras-indigenas-e-avanca-com-manobras-do-governo\/\">&nbsp;aumentar em 1.200% o desmatamento ilegal na regi\u00e3o<\/a>, segundo pesquisadores do Instituto Nacional de Pesquisas da Amaz\u00f4nia.&nbsp;&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>O ataque a jornalistas tamb\u00e9m \u00e9 uma estrat\u00e9gia recorrente de intimida\u00e7\u00e3o e deslegitima\u00e7\u00e3o da imprensa. Em agosto de 2021, o fotojornalista Edmar Barros, que h\u00e1 18 anos colabora&nbsp; com ve\u00edculos de imprensa nacional e internacional, como&nbsp;<em>Folha de S. Paulo<\/em>&nbsp;e&nbsp;<em>New York Times<\/em>,&nbsp; foi jurado de morte por fazer seu trabalho.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img data-recalc-dims=\"1\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/infoamazonia.org\/wp-content\/uploads\/2022\/03\/Edmar_Barros.jpeg?w=600&#038;ssl=1\" alt=\"\"\/><\/figure>\n\n\n\n<p>Edmar Barros, fotojornalista jurado de morte no Amazonas<\/p>\n\n\n\n<p>Barros registrou e divulgou fotos de queimadas no munic\u00edpio de L\u00e1brea, interior do Amazonas,&nbsp;<a href=\"https:\/\/bncamazonas.com.br\/municipios\/labrea-amazonia-desmatamento\/\">uma das cidades mais desmatadas do estado.<\/a>&nbsp;Por amea\u00e7ar interesses invis\u00edveis de poderosos que lucram com a destrui\u00e7\u00e3o da floresta, recebeu amea\u00e7as em seu celular.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Na mensagem, a pessoa diz que est\u00e1 \u201ctrazendo um recado do pessoal do 42\u201d (quil\u00f4metro de uma regi\u00e3o destru\u00edda pr\u00f3xima a BR-230). \u201cSe voc\u00ea vier meter seu rabo aqui em L\u00e1brea para denunciar as derrubadas, voc\u00ea vai queimar junto na queimada.\u201d Na mensagem, a pessoa deu dois dias para Barros desaparecer da regi\u00e3o. \u201cEssa foi a primeira vez que fui amea\u00e7ado. Aquela regi\u00e3o do sul do Amazonas eu chamo de terra sem lei\u201d, diz.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img data-recalc-dims=\"1\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/infoamazonia.org\/wp-content\/uploads\/2022\/03\/Ameaca_Captura-de-Tela-2022-03-04-as-11.26.40.png?w=600&#038;ssl=1\" alt=\"\"\/><\/figure>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">CAMINHOS POSS\u00cdVEIS<\/h2>\n\n\n\n<p>Em meio aos desafios impostos no exerc\u00edcio da profiss\u00e3o, alguns caminhos despontam como alternativas \u00e0s lacunas de forma\u00e7\u00e3o, de divulga\u00e7\u00e3o e at\u00e9 de financiamento.&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Em Manaus, est\u00e1 a premiada ag\u00eancia de not\u00edcias independente<a href=\"http:\/\/amazoniareal.com.br\/\">&nbsp;Amaz\u00f4nia Real<\/a>, que atua com jornalismo investigativo a partir da capital, onde est\u00e1 baseada, e&nbsp; d\u00e1 voz \u00e0s popula\u00e7\u00f5es tradicionais desde 2013. A organiza\u00e7\u00e3o venceu pr\u00eamios importantes dentro e fora do pa\u00eds, como o Pr\u00eamio Rei da Espanha.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>A&nbsp;<a href=\"https:\/\/gazetadesantarem.com.br\/\">Gazeta de Santar\u00e9m<\/a>&nbsp;e o&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.tapajosdefato.com.br\/\">Tapaj\u00f3s de Fato<\/a>, no Par\u00e1, produzem com frequ\u00eancia conte\u00fados autorais sobre a Amaz\u00f4nia. A Gazeta&nbsp;<a href=\"https:\/\/gazetadesantarem.com.br\/era-mentira-policia-federal-descarta-participacao-de-brigadistas-em-incendios-em-alter-do-chao\/\">desmentiu desinforma\u00e7\u00e3o<\/a>&nbsp;sobre defensores do meio ambiente.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>A produ\u00e7\u00e3o de podcasts tamb\u00e9m aparece na produ\u00e7\u00e3o local. O&nbsp;&nbsp;<a href=\"https:\/\/soundcloud.com\/wayuri-audio\">boletim de not\u00edcias em \u00e1udio Wayuri<\/a>&nbsp;\u00e9 resultado do trabalho da rede hom\u00f4nima composta por &nbsp;17&nbsp; comunicadores ind\u00edgenas de oito diferentes povos do Rio Negro e sua produ\u00e7\u00e3o, em \u00e1udio e v\u00eddeo, chega a 750 comunidades da regi\u00e3o. A equipe de comunicadores ind\u00edgenas integra o projeto<a href=\"https:\/\/mentiratempreco.infoamazonia.org\/\"><strong>Amazonas: mentira tem pre\u00e7o<\/strong><\/a>e \u00e9 respons\u00e1vel pela produ\u00e7\u00e3o dos podcasts.<\/p>\n\n\n\n<p>O podcast&nbsp;<a href=\"https:\/\/instagram.com\/afluentejornalismo\">Afluente<\/a>&nbsp;apresenta epis\u00f3dios quinzenais focados na Amaz\u00f4nia, o programa jornal\u00edstico independente apresenta diversidade de vozes tanto para discutir temas de abrang\u00eancia nacional, como a import\u00e2ncia da floresta em p\u00e9, quanto para revelar quest\u00f5es invisibilizadas.<\/p>\n\n\n\n<p>Outras iniciativas incidem na educa\u00e7\u00e3o. \u00c9 o caso do&nbsp;<a href=\"https:\/\/facebook.com\/caxxyri\"><strong>Caxxyri<\/strong><\/a><strong>,&nbsp;<\/strong>coletivo de arte-educadores e agricultores urbanos em Manaus. Juntos, trabalham pela organiza\u00e7\u00e3o comunit\u00e1ria do bairro Coroado, em busca de melhorias para o dia a dia dos moradores. \u201cNa aus\u00eancia de um ve\u00edculo jornal\u00edstico, \u00e9 importante que pessoas da comunidade tomem a frente e se organizem para compartilhar e levar informa\u00e7\u00e3o de confian\u00e7a para todos\u201d, diz Amaral.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>A desinforma\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m foi fator determinante para a cria\u00e7\u00e3o do projeto \u201cAmaz\u00f4nia contra a Covid\u201d, realizado pela Unesco Mil Allience, ag\u00eancia das Na\u00e7\u00f5es Unidas, e pela Universidade Federal do Amazonas em 2020. \u201cPercebemos que n\u00facleos de poder usam da desinforma\u00e7\u00e3o para implementar o poder sobre os desprivilegiados\u201d, afirma a pesquisadora Beatrice Bonami, que \u00e0 \u00e9poca integrava a iniciativa.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>O projeto incluiu a produ\u00e7\u00e3o de conte\u00fados informativos em \u00e1udio e de uma cartilha,&nbsp; traduzida para 15 l\u00ednguas ind\u00edgenas, com enfoque nos cuidados em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 Covid para popula\u00e7\u00f5es ribeirinhas e ind\u00edgenas no sul do Amazonas, que participaram da produ\u00e7\u00e3o. Lideran\u00e7as e jovens influenciadores receberam forma\u00e7\u00e3o para serem replicadores de informa\u00e7\u00e3o de qualidade. Junto da cartilha, as fam\u00edlias recebiam uma caixa com alimentos e itens de higiene.<\/p>\n\n\n\n<p>No campo da forma\u00e7\u00e3o, a oferta de cursos, semin\u00e1rios, oficinas, entre outros tipos de atividades sobre temas socioambientais t\u00eam sido mais frequentes e se colocam como op\u00e7\u00f5es para quem deseja se especializar na \u00e1rea:&nbsp;<a href=\"https:\/\/journalismcourses.org\/\">Knight Center<\/a>,&nbsp;<a href=\"https:\/\/escoladedados.org\/\">Escola de Dados<\/a>&nbsp;e&nbsp;<a href=\"https:\/\/cursos.abraji.org.br\/\">Abraji<\/a>.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Em Manaus, a&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.abare.jor.br\/\">Abar\u00e9<\/a>, escola criada por jovens jornalistas, oferece cursos online focados em educa\u00e7\u00e3o midi\u00e1tica e debates sobre o jornalismo feito no Amazonas. A institui\u00e7\u00e3o realizou, em parceria com o projeto<a href=\"https:\/\/mentiratempreco.infoamazonia.org\/\"><strong>Amazonas: mentira tem pre\u00e7o<\/strong><\/a><strong>,<\/strong>&nbsp;a oficina Jornalismo, Fake News e Quest\u00f5es Socioabientais, que contou com 100 participantes em fevereito de 2022<strong>.&nbsp;&nbsp;<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>H\u00e1 alguns fundos que financiam projetos de comunica\u00e7\u00e3o voltados para a cobertura socioambiental. Um deles \u00e9 o&nbsp;<a href=\"https:\/\/earthjournalism.net\/\">Earth Journalism<\/a>, que abre anualmente a sele\u00e7\u00e3o para produ\u00e7\u00e3o de reportagens sobre o meio ambiente. Voltado para a regi\u00e3o amaz\u00f4nica, h\u00e1 ainda o&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.pulitzercenter.org\/tags\/amazon-rainforest-journalism-fund\">Amazon Rainforest Journalism Fund<\/a>, do Pulitzer Center, que financia reportagens e projetos&nbsp; investigativos, e o&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.grida.no\/activities\/445\">Grid Arendal<\/a>&nbsp;que oferece bolsas de jornalismo investigativo envolvendo crimes ambientais.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><strong>GUIAS, FERRAMENTAS PARA QUEST\u00d5ES SOCIOAMBIENTAIS<\/strong><\/h3>\n\n\n\n<p><strong>Cobertura sobre mudan\u00e7as clim\u00e1ticas:<\/strong>&nbsp;vale conferir o manual feito pela&nbsp;<a href=\"https:\/\/drive.google.com\/file\/d\/1D3v4W_SsHd6HKLGsmY9r_-uYd8Fn-W08\/view\">Universidade Federal de Roraima<\/a>&nbsp;e produzido pela&nbsp;<a href=\"https:\/\/jornalismoemeioambiente.com\/minimanual\/\">&nbsp;Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS)<\/a>&nbsp;<br><br><strong>Cobertura de povos ind\u00edgenas e comunidades tradicionais:<\/strong>&nbsp;<a href=\"https:\/\/amazonianativa.org.br\/2020\/06\/07\/guia-socioambiental-povos-comunidades-tradicionais\/\">guia socioambiental da imprensa<\/a>, publica\u00e7\u00e3o criada pela Opera\u00e7\u00e3o Amaz\u00f4nia Nativa<br><br><strong>Dados socioambientais abertos:<\/strong>&nbsp;a Escola de Dados mant\u00e9m um&nbsp;<a href=\"https:\/\/escoladedados.org\/tutoriais\/fontes-de-dados-para-investigacoes-sobre-meio-ambiente\/\">reposit\u00f3rio de bases de dados<\/a>&nbsp;e o&nbsp;<a href=\"https:\/\/fiquemsabendo.substack.com\/p\/reunindo-dados-abertos-de-meio-ambiente\">Monitor de Dados Socioambientais<\/a>&nbsp;do projeto Achados e Pedidos tamb\u00e9m publica bases de dados abertas via Lei de Acesso \u00e0 Informa\u00e7\u00e3o e relat\u00f3rios sobre transpar\u00eancia ambiental.<br><br><strong>Iniciativas em pol\u00edtica e quest\u00f5es socioambientais:<\/strong>&nbsp;duas se destacam na an\u00e1lise de proposi\u00e7\u00f5es legislativas e dos atos do Executivo. S\u00e3o elas: a&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.politicaporinteiro.org\/\">Pol\u00edtica por Inteiro<\/a>&nbsp;e o&nbsp;<a href=\"https:\/\/olb.org.br\/\">Observat\u00f3rio do Legislativo Brasileiro.<\/a>&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>*<em>Colaborou&nbsp;<a href=\"https:\/\/infoamazonia.org\/author\/dirce-quintino\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Dirce Quintino<\/a><\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Concentra\u00e7\u00e3o de ve\u00edculos na capital, falta de recursos e equipes reduzidas deixam sites vulner\u00e1veis \u00e0 atua\u00e7\u00e3o de grupos de interesse no estado.<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_exactmetrics_skip_tracking":false,"_exactmetrics_sitenote_active":false,"_exactmetrics_sitenote_note":"","_exactmetrics_sitenote_category":0,"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","enabled":false},"version":2}},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-33396","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-notas"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p7wKYW-8GE","jetpack-related-posts":[],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/33396","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=33396"}],"version-history":[{"count":1,"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/33396\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":33397,"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/33396\/revisions\/33397"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=33396"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=33396"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=33396"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}