{"id":33442,"date":"2022-03-15T13:14:15","date_gmt":"2022-03-15T17:14:15","guid":{"rendered":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/?p=33442"},"modified":"2022-03-15T13:14:19","modified_gmt":"2022-03-15T17:14:19","slug":"regiao-preservada-da-amazonia-com-povos-isolados-pode-ser-devastada-em-menos-de-30-anos","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/2022\/03\/15\/regiao-preservada-da-amazonia-com-povos-isolados-pode-ser-devastada-em-menos-de-30-anos\/","title":{"rendered":"Regi\u00e3o preservada da Amaz\u00f4nia com povos isolados pode ser devastada em menos de 30 anos"},"content":{"rendered":"\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"600\" height=\"326\" data-attachment-id=\"33443\" data-permalink=\"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/2022\/03\/15\/regiao-preservada-da-amazonia-com-povos-isolados-pode-ser-devastada-em-menos-de-30-anos\/e31e5a85-867e-43c5-b0d1-95fdd22e2892\/\" data-orig-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2022\/03\/E31E5A85-867E-43C5-B0D1-95FDD22E2892.jpeg?fit=997%2C542\" data-orig-size=\"997,542\" data-comments-opened=\"0\" data-image-meta=\"{&quot;aperture&quot;:&quot;0&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;0&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;0&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;0&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0&quot;,&quot;title&quot;:&quot;&quot;,&quot;orientation&quot;:&quot;1&quot;}\" data-image-title=\"E31E5A85-867E-43C5-B0D1-95FDD22E2892\" data-image-description=\"\" data-image-caption=\"\" data-medium-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2022\/03\/E31E5A85-867E-43C5-B0D1-95FDD22E2892.jpeg?fit=300%2C163\" data-large-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2022\/03\/E31E5A85-867E-43C5-B0D1-95FDD22E2892.jpeg?fit=600%2C326\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2022\/03\/E31E5A85-867E-43C5-B0D1-95FDD22E2892.jpeg?resize=600%2C326\" alt=\"\" class=\"wp-image-33443\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2022\/03\/E31E5A85-867E-43C5-B0D1-95FDD22E2892.jpeg?w=997 997w, https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2022\/03\/E31E5A85-867E-43C5-B0D1-95FDD22E2892.jpeg?resize=300%2C163 300w, https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2022\/03\/E31E5A85-867E-43C5-B0D1-95FDD22E2892.jpeg?resize=768%2C418 768w, https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2022\/03\/E31E5A85-867E-43C5-B0D1-95FDD22E2892.jpeg?resize=552%2C300 552w\" sizes=\"auto, (max-width: 600px) 100vw, 600px\" \/><figcaption><br><\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>Mongabay, por Lais Modelli<\/p>\n\n\n\n<!--more-->\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\"><li><em>Avan\u00e7o do corte de \u00e1rvores no sul do Amazonas, descaso da Funai e pavimenta\u00e7\u00e3o da BR-319 poder\u00e3o quadruplicar o desmatamento no M\u00e9dio Rio Purus at\u00e9 2050 e dizimar povos isolados rec\u00e9m descobertos. A \u00e1rea devastada na regi\u00e3o pode chegar a 170 mil km2, maior que a extens\u00e3o do Acre.&nbsp;<\/em><\/li><li><em>A regi\u00e3o do M\u00e9dio Purus tem uma s\u00e9rie de Terras Ind\u00edgenas, Reservas Extrativistas e Florestas Nacionais que s\u00e3o conectadas umas nas outras, formando grandes mosaicos de florestas protegidas.&nbsp;<\/em><\/li><li><em>Dois territ\u00f3rios onde ind\u00edgenas isolados foram recentemente descobertos, a TI Jacare\u00faba-Katawixi e a regi\u00e3o do Rio Mamori\u00e1 Grande, est\u00e3o h\u00e1 meses sem portaria de Restri\u00e7\u00e3o de Uso, instrumento da Funai que impede a explora\u00e7\u00e3o de recursos naturais dentro desses territ\u00f3rios. Na primeira, o desmatamento aumentou 60% em 2021.&nbsp;<\/em><\/li><li><em>Projeto da ditadura militar para ligar o Amazonas a Rond\u00f4nia, as obras na BR-319 foram retomadas em 2020 pelo governo Jair Bolsonaro; a rodovia deve abrir novas fronteiras de desmatamento dentro da floresta que hoje est\u00e1 preservada.&nbsp;<\/em><\/li><\/ul>\n\n\n\n<p>O desmatamento em uma das regi\u00f5es mais preservadas da Amaz\u00f4nia, o M\u00e9dio Rio Purus, no sul do Amazonas, poder\u00e1 chegar a cerca de 170 mil km2 at\u00e9 2050, \u00e1rea maior que o estado do Acre. O alerta \u00e9 de um&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.socioambiental.org\/pt-br\/noticias-socioambientais\/desmatamento-pode-quadruplicar-em-territorio-de-isolados-no-sul-do-amazonas\">relat\u00f3rio da campanha Isolados Ou Dizimados<\/a>, produzido por diversas organiza\u00e7\u00f5es da sociedade civil e publicado nesta segunda-feira (14).<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cA regi\u00e3o do M\u00e9dio Purus tem uma s\u00e9rie de Terras Ind\u00edgenas, Reservas Extrativistas e Florestas Nacionais que s\u00e3o conectadas umas nas outras, formando grandes mosaicos de florestas protegidas\u201d, explica o pesquisador respons\u00e1vel pelo estudo, Antonio Oviedo, coordenador do Programa de Monitoramento do Instituto Socioambiental (ISA).<\/p>\n\n\n\n<p>A taxa de desmatamento estimada no relat\u00f3rio representa uma m\u00e9dia de 9,4 mil km2 de devasta\u00e7\u00e3o por ano somente no M\u00e9dio Purus, taxa similar \u00e0 registrada&nbsp; para toda a Amaz\u00f4nia Legal em 2019, que foi de cerca de 10 mil km.<\/p>\n\n\n\n<p>O relat\u00f3rio mostra que o desmatamento, a grilagem de terras p\u00fablicas e a extra\u00e7\u00e3o madeireira j\u00e1 amea\u00e7am a \u00e1rea, com destaque para:<\/p>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\"><li><strong>Reserva Extrativista do M\u00e9dio Purus:&nbsp;<\/strong>a \u00e1rea sofre intensa a\u00e7\u00e3o de invasores e roubo de madeira desde 2017, segundo o estudo. Apenas entre agosto de 2021 e janeiro de 2022, mais de 27 mil \u00e1rvores adultas foram derrubadas dentro da Resex.<\/li><li><strong>Reserva Extrativista Ituxi:<\/strong>&nbsp;situada entre a Resex do M\u00e9dio Purus e a Terra Ind\u00edgena Jacare\u00faba-Katawixi, territ\u00f3rio de povos isolados, o desmatamento vem crescendo no interior da reserva desde 2017 e alcan\u00e7ou o auge em 2021, com aumento de 373% em compara\u00e7\u00e3o com 2020. Monitoramento por sat\u00e9lite tamb\u00e9m mostra que a regi\u00e3o sofre com inc\u00eandios criminosos.<\/li><li><strong>Floresta Nacional do Iquiri:<\/strong>&nbsp;\u00e9 uma \u00e1rea criada para ordenar o territ\u00f3rio e promover o manejo florestal sustent\u00e1vel na \u00e1rea de influ\u00eancia da BR-319, rodovia federal que corta a Floresta Amaz\u00f4nica, ligando Manaus a Porto Velho. Por\u00e9m, entre 2019 e 2021, o desmatamento na Flona foi o equivalente \u00e0 derrubada de 5,9 milh\u00f5es de \u00e1rvores adultas.<\/li><\/ul>\n\n\n\n<p>As unidades de conserva\u00e7\u00e3o citadas est\u00e3o localizadas em L\u00e1brea, munic\u00edpio do Amazonas. Dados do Ibama levantados pela Mongabay mostram que a regi\u00e3o teve cerca de 450 autos de infra\u00e7\u00e3o ambiental nos \u00faltimos tr\u00eas anos.<\/p>\n\n\n\n<p>As autua\u00e7\u00f5es mais frequentes em 2021, de acordo com o documento do Ibama \u201cDiagn\u00f3stico de Delitos Ambientais\u201d, foram a convers\u00e3o de vegeta\u00e7\u00e3o nativa em pasto \u201cpor meio de motosserras, uso de fogo e m\u00e1quinas pesadas, promovida por agropecuaristas e grileiros em Terras Ind\u00edgenas e Unidades de Conserva\u00e7\u00e3o Federal\u201d; a comercializa\u00e7\u00e3o de madeira ilegal com documenta\u00e7\u00e3o ideologicamente falsa, destinada aos grandes centros consumidores do pa\u00eds e para exporta\u00e7\u00e3o; e o \u201ccorte n\u00e3o autorizado, inclusive em \u00e1reas protegidas (UC e TI), de \u00e1rvores para abastecimento de madeireiras, muitas vezes clandestinas\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Um&nbsp;<a href=\"https:\/\/ipam.org.br\/invasao-de-terras-publicas-foi-a-principal-causa-do-desmatamento-na-amazonia\/\">estudo<\/a>&nbsp;do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amaz\u00f4nia (Ipam) publicado este ano mostrou que 54% do desmatamento registrado entre janeiro e outubro de 2021 na Amaz\u00f4nia ocorreram somente em terras p\u00fablicas, enquanto que entre 2019 e 2020 o desmatamento nessas terras da Uni\u00e3o representou 44% do desmatamento total no bioma.<\/p>\n\n\n\n<p>O relat\u00f3rio publicado nesta segunda-feira afirma que a grilagem de terras p\u00fablicas no M\u00e9dio Rio Purus, retrocessos na pol\u00edtica de prote\u00e7\u00e3o aos povos isolados e a promessa de pavimenta\u00e7\u00e3o da BR-139 dever\u00e3o piorar a devasta\u00e7\u00e3o na regi\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><strong>Isolados desprotegidos<\/strong><\/h3>\n\n\n\n<p>Importante tamb\u00e9m do ponto de vista cultural, a regi\u00e3o do M\u00e9dio Rio Purus \u00e9 habitada por povos que vivem em isolamento volunt\u00e1rio, popula\u00e7\u00f5es tradicionais e popula\u00e7\u00f5es ribeirinhas.<\/p>\n\n\n\n<p>Por\u00e9m, \u201cos retrocessos na pol\u00edtica de prote\u00e7\u00e3o aos povos isolados podem gerar novos genoc\u00eddios e degradar \u00e1reas j\u00e1 protegidas legalmente\u201d, diz trecho da publica\u00e7\u00e3o do ISA.<\/p>\n\n\n\n<p>O relat\u00f3rio se refere \u00e0 Terra Ind\u00edgena Jacare\u00faba-Katawixi e aos isolados rec\u00e9m-descobertos na regi\u00e3o do Rio Mamori\u00e1 Grande, em L\u00e1brea. Ambas as \u00e1reas est\u00e3o h\u00e1 meses sem portaria de Restri\u00e7\u00e3o de Uso, instrumento da Funai que impede a explora\u00e7\u00e3o de recursos naturais dentro desses territ\u00f3rios, assim como a circula\u00e7\u00e3o de pessoas que n\u00e3o sejam os isolados e profissionais autorizados pelo \u00f3rg\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Identificados em 2007, os isolados de Jacare\u00faba-Katawixi est\u00e3o \u201cem estudo\u201d pela Funai h\u00e1 quase quinze anos. Sem homologa\u00e7\u00e3o da TI, o territ\u00f3rio depende da publica\u00e7\u00e3o de portarias tempor\u00e1rias impedindo o uso da terra. A \u00faltima portaria, publicada em 2017, venceu em dezembro de 2021 e n\u00e3o foi renovada at\u00e9 o momento.<\/p>\n\n\n\n<p>Apesar da demora, o pesquisador Oviedo comenta que o senso da Funai deveria ser de urg\u00eancia, uma vez que o desmatamento no interior da TI Jacare\u00faba-Katawixi aumentou 60% em 2021, per\u00edodo em que o territ\u00f3rio ainda tinha a portaria de Restri\u00e7\u00e3o de Uso.<\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m do avan\u00e7o desmatamento, a TI tamb\u00e9m tem requerimento de pesquisa de ouro em uma \u00e1rea de 1.244 hectares, registrado na Ag\u00eancia Nacional de Minera\u00e7\u00e3o (ANM) em 2020, al\u00e9m de 639 registros de invasores no Sistema de Cadastro Ambiental Rural (Sicar), que amea\u00e7am mais de 60 mil hectares no interior da Jacare\u00faba-Katawixi, de acordo com o relat\u00f3rio.<\/p>\n\n\n\n<p>Dados do Projeto de Monitoramento do Desmatamento na Amaz\u00f4nia Legal por Sat\u00e9lite (Prodes), do Inpe, mostram que at\u00e9 julho de 2021 j\u00e1 foram desmatados 5.889 hectares no interior de Jacare\u00faba-Katawixi \u2013 o que corresponde a mais de 3 milh\u00f5es de \u00e1rvores derrubadas, segundo o relat\u00f3rio.<\/p>\n\n\n\n<p>J\u00e1 dados do Ibama levantados pela Mongabay mostram que, em Canutama, outro munic\u00edpio que abriga a TI Jacare\u00faba-Katawixi, 112 autos de infra\u00e7\u00e3o ambiental foram registrados desde 2019.<\/p>\n\n\n\n<p>A Mongabay questionou a Funai sobre a n\u00e3o renova\u00e7\u00e3o da portaria, assim como a demora em avan\u00e7ar no processo de demarca\u00e7\u00e3o da TI \u2013 menos de 30% do processo foi conclu\u00eddo desde 2007. \u201cSobre a \u00e1rea Jacare\u00faba-Katawiki, a Funai informa que o tema est\u00e1 em an\u00e1lise no \u00e2mbito da funda\u00e7\u00e3o\u201d, respondeu o \u00f3rg\u00e3o em nota.<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo a pr\u00f3pria Funai, a demarca\u00e7\u00e3o de Terras Ind\u00edgenas \u00e9 um dos principais impeditivos para a privatiza\u00e7\u00e3o das terras p\u00fablicas, uma vez que esses territ\u00f3rios n\u00e3o podem ter titularidade.<\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m disso, a Constitui\u00e7\u00e3o Federal de 1988 considera que os ind\u00edgenas s\u00e3o os primeiros e naturais donos do territ\u00f3rio, sendo, por isso, obriga\u00e7\u00e3o da Uni\u00e3o demarcar todas as terras ocupadas originariamente por esses povos.<\/p>\n\n\n\n<p>O Brasil tem mais de 300 Terras Ind\u00edgenas que ainda est\u00e3o em processo de demarca\u00e7\u00e3o, e isso n\u00e3o inclui os \u00edndios isolados.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img data-recalc-dims=\"1\" height=\"400\" width=\"600\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/imgs.mongabay.com\/wp-content\/uploads\/sites\/29\/2022\/03\/14160625\/I%25CC%2581ndios_Isolados_8-768x512.jpeg?resize=600%2C400&#038;ssl=1\" alt=\"\" class=\"wp-image-188782\"\/><figcaption>Ind\u00edgenas isolados no Acre fotografados em 2009. Foto: Gleilson Miranda\/Governo do Acre.<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><strong>Ignorados pela Funai<\/strong><\/h3>\n\n\n\n<p>O relat\u00f3rio tamb\u00e9m lembra dos isolados que vivem na&nbsp;<a href=\"https:\/\/brasil.mongabay.com\/2022\/02\/politizacao-da-funai-coloca-em-risco-grupos-indigenas-nao-contatados-do-brasil\/\">regi\u00e3o do Rio Mamori\u00e1 Grande<\/a>, nas matas da Resex do M\u00e9dio Purus. O grupo foi descoberto pela equipe da Frente de Prote\u00e7\u00e3o de L\u00e1brea, inst\u00e2ncia da pr\u00f3pria Funai, em setembro de 2021. Na data, os pesquisadores enviaram o primeiro relat\u00f3rio \u00e0 institui\u00e7\u00e3o indicando a exist\u00eancia dos isolados, mas nenhuma medida foi tomada.<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo o Conselho Indigenista Mission\u00e1rio (Cimi), outros dois relat\u00f3rios sobre os isolados de Mamori\u00e1 Grande foram enviados \u00e0 Funai pedindo medidas emergenciais frente ao avan\u00e7o do desmatamento e invas\u00f5es na regi\u00e3o. Nenhuma medida foi tomada pela Funai at\u00e9 o momento.<\/p>\n\n\n\n<p>O pesquisador Oviedo explica que a Funai deveria ter implementado uma Restri\u00e7\u00e3o de Uso de Terras, al\u00e9m de estar controlando e monitorando o acesso \u00e0 \u00e1rea a partir da instala\u00e7\u00e3o de Bases de Prote\u00e7\u00e3o, uma vez que invasores podem levar a covid-19 aos isolados e dizim\u00e1-los, dado que eles n\u00e3o t\u00eam acesso \u00e0 vacinas.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cPermanecem indispens\u00e1veis medidas emergenciais e cont\u00ednuas para a retirada de invasores da na Terra Ind\u00edgena Jacare\u00faba-Katawixi e Unidades de Conserva\u00e7\u00e3o localizadas na regi\u00e3o do M\u00e9dio Rio Purus, que podem disseminar a covid-19 e provocar o genoc\u00eddio de povos ind\u00edgenas e, sobretudo, de grupos isolados\u201d, diz o relat\u00f3rio.<\/p>\n\n\n\n<p>O relat\u00f3rio mostra que a Resex j\u00e1 apresenta 116.472,2 hectares em registros irregulares do Cadastro Ambiental Rural (CAR), um cadastro autodeclarat\u00f3rio e online do governo federal em que qualquer pessoa, mesmo sem matr\u00edcula nem registro de um im\u00f3vel rural, pode requerer a posse da \u00e1rea.<\/p>\n\n\n\n<p>A reportagem questionou a Funai sobre a demora em publicar uma Restri\u00e7\u00e3o de Uso para os isolados de Mamori\u00e1 Grande. O \u00f3rg\u00e3o respondeu que \u201ctem analisado os relatos sobre a poss\u00edvel exist\u00eancia de um grupo de ind\u00edgenas isolados na \u00e1rea Himerim\u00e3 (AM). Por\u00e9m, somente com a continuidade dos estudos e das a\u00e7\u00f5es de monitoramento ser\u00e1 poss\u00edvel esclarecer quest\u00f5es voltadas \u00e0 ocupa\u00e7\u00e3o da \u00e1rea\u201d, disse em nota.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><strong>Pavimenta\u00e7\u00e3o da BR-319<\/strong><\/h3>\n\n\n\n<p>Oviedo explica que o M\u00e9dio Purus \u00e9 uma das regi\u00f5es mais preservadas da Amaz\u00f4nia por n\u00e3o ter nenhuma rodovia.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cO n\u00edvel de preserva\u00e7\u00e3o no M\u00e9dio Rio Purus hoje \u00e9 muito alto, principalmente nas bacias dos rios Purus e Juru\u00e1, porque ali ainda n\u00e3o h\u00e1 rodovia, e a rodovia \u00e9 vetor de desmatamento\u201d, diz Oviedo.<\/p>\n\n\n\n<p>O relat\u00f3rio cita estudos que mostram que 95% do desmatamento acumulado da Amaz\u00f4nia se concentram em um raio de at\u00e9 5,5 km a partir da beira das estradas, enquanto as queimadas atingem 85% desse raio, para mostrar o impacto que a&nbsp;<a href=\"https:\/\/brasil.mongabay.com\/2021\/06\/obras-na-br-319-ja-incentivam-desmatamento-no-amazonas\/\">pavimenta\u00e7\u00e3o da BR-319<\/a>&nbsp;poder\u00e1 ter na regi\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>A BR-319 \u00e9 uma estrada federal de 885 quil\u00f4metros projetada durante a ditadura militar (1964-1985) para ligar o Amazonas a Rond\u00f4nia. Ap\u00f3s ser abandonada em 1988, a pavimenta\u00e7\u00e3o da rodovia foi retomada com o governo de Jair Bolsonaro em 2020, quando foi publicado edital para pavimentar um primeiro trecho.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img data-recalc-dims=\"1\" height=\"400\" width=\"600\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/imgs.mongabay.com\/wp-content\/uploads\/sites\/29\/2022\/03\/14161244\/BR-319_The_road_ahead-768x512.jpeg?resize=600%2C400&#038;ssl=1\" alt=\"\" class=\"wp-image-188783\"\/><figcaption>Trecho pavimentado da BR-319 pr\u00f3ximo ao entroncamento com a BR-230. Foto: DNIT\/divulga\u00e7\u00e3o.<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>O estudo mostra que entre 2015 e 2020, sem a pavimenta\u00e7\u00e3o da rodovia BR-319, a taxa anual m\u00e9dia de desmatamento no Amazonas foi de 1.150 km2. Com o asfaltamento da estrada, a devasta\u00e7\u00e3o por ano no estado poder\u00e1 ser nove vezes maior.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cCom a pavimenta\u00e7\u00e3o, e num cen\u00e1rio sem governan\u00e7a, como o previsto pelo Projeto de Lei n\u00ba 3.729\/2004 em tramita\u00e7\u00e3o e que disp\u00f5e sobre o licenciamento ambiental, \u00e9 previsto um aumento significativo do desmatamento, que pode atingir 9,4 mil km\u00b2 por ano em 2050 no estado do Amazonas\u201d, aponta trecho do relat\u00f3rio.<\/p>\n\n\n\n<p>O PL 3.729\/2004, que aguarda aprecia\u00e7\u00e3o no Senado Federal, flexibiliza o licenciamento ambiental para novos empreendimentos e obras, deixando de exigir a an\u00e1lise de impacto e ado\u00e7\u00e3o de medidas para prevenir danos sobre Terras Ind\u00edgenas n\u00e3o demarcadas, assim como deixa de exigir an\u00e1lise de impactos indiretos sobre Unidades de Conserva\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Oviedo ressalta que, mesmo sem nenhuma estrada que ligue o Amazonas com o resto do pa\u00eds, o M\u00e9dio Rio Purus j\u00e1 sofre invas\u00f5es por desmatamento por meio de sua malha h\u00eddrica.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cAl\u00e9m da devasta\u00e7\u00e3o ambiental causada pela pr\u00f3pria obra, a BR-319 vai abrir novas fronteiras de desmatamento dentro da floresta que hoje est\u00e1 preservada. O M\u00e9dio Rio Purus ser\u00e1 mais facilmente acessado por invasores\u201d, completa o pesquisador.<br><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Mongabay, por Lais Modelli<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_exactmetrics_skip_tracking":false,"_exactmetrics_sitenote_active":false,"_exactmetrics_sitenote_note":"","_exactmetrics_sitenote_category":0,"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","enabled":false},"version":2}},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-33442","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-notas"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p7wKYW-8Ho","jetpack-related-posts":[],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/33442","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=33442"}],"version-history":[{"count":1,"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/33442\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":33444,"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/33442\/revisions\/33444"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=33442"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=33442"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=33442"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}