{"id":33499,"date":"2022-03-28T09:48:56","date_gmt":"2022-03-28T13:48:56","guid":{"rendered":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/?p=33499"},"modified":"2022-03-28T09:49:02","modified_gmt":"2022-03-28T13:49:02","slug":"aborto-clandestino-nova-pesquisa-mostra-o-que-pensa-a-populacao-brasileira-sobre-a-pratica","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/2022\/03\/28\/aborto-clandestino-nova-pesquisa-mostra-o-que-pensa-a-populacao-brasileira-sobre-a-pratica\/","title":{"rendered":"Aborto clandestino: nova pesquisa mostra o que pensa a popula\u00e7\u00e3o brasileira sobre a pr\u00e1tica"},"content":{"rendered":"\n<figure class=\"wp-block-image\"><img data-recalc-dims=\"1\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/images01.brasildefato.com.br\/1da933285ef5dd6004ca49abbc16726e.jpeg?w=600&#038;ssl=1\" alt=\"\"\/><\/figure>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\">Oito em cada dez pessoas acreditam que o car\u00e1ter clandestino \u00e9 uma das principais causas de morte de mulheres ao abortar<\/h4>\n\n\n\n<!--more-->\n\n\n\n<p>Letycia Bond &#8211; Brasil de Fato | S\u00e3o Paulo (SP) <\/p>\n\n\n\n<p>Apesar de o&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.brasildefato.com.br\/2021\/10\/25\/analise-a-mare-verde-da-descriminalizacao-de-abortos-na-america-latina\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">debate em torno do aborto<\/a>&nbsp;se manter em contornos inflamados, a maioria da popula\u00e7\u00e3o brasileira reconhece que o procedimento, quando feito sob condi\u00e7\u00f5es prec\u00e1rias, representa amea\u00e7a \u00e0s mulheres. Oito em cada dez pessoas (84%) dizem saber que o aborto clandestino \u00e9 uma das principais causas de morte de gr\u00e1vidas no pa\u00eds.<\/p>\n\n\n\n<p>O dado consta em\u00a0<a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/www.brasildefato.com.br\/2022\/03\/25\/violencia-contra-a-mulher-95-das-mulheres-temem-ser-vitimas-de-estupro-no-brasil-diz-estudo\" target=\"_blank\">relat\u00f3rio divulgado pelo Instituto Patr\u00edcia Galv\u00e3o e pelo Instituto Locomotiva<\/a>, nesta sexta-feira (25). Para conhecer as impress\u00f5es dos brasileiros sobre o assunto, as institui\u00e7\u00f5es colheram respostas de 2 mil pessoas com idade a partir de 16 anos, de 27 de janeiro a 4 de fevereiro.<br><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img data-recalc-dims=\"1\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/images02.brasildefato.com.br\/20ce1dab43a3d996b2a0a8825c6990e6.jpeg?w=600&#038;ssl=1\" alt=\"\"\/><\/figure>\n\n\n\n<p><br>Pesquisa tamb\u00e9m revela que 77% concorda que quem mais \u00e9 prejudicado pela criminaliza\u00e7\u00e3o do aborto s\u00e3o as mulheres de baixa renda&nbsp;\/ Foto: Fernando Fraz\u00e3o\/EBC<\/p>\n\n\n\n<p>A pesquisa tamb\u00e9m revela que 77% concorda que quem mais \u00e9 prejudicado pela criminaliza\u00e7\u00e3o do aborto s\u00e3o as mulheres de baixa renda, que n\u00e3o t\u00eam condi\u00e7\u00f5es de pagar por orienta\u00e7\u00e3o m\u00e9dica, ao realiz\u00e1-lo. Ao todo, 67% dos respondentes declaram que considerar a interrup\u00e7\u00e3o provocada da gravidez um crime n\u00e3o resolve o problema, j\u00e1 que as mulheres continuar\u00e3o a optar por ele e, como consequ\u00eancia, a morrer, quando submetidas a um aborto inseguro.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Para 73%, quem defende a proibi\u00e7\u00e3o ao aborto em qualquer circunst\u00e2ncia n\u00e3o leva em conta os impactos na vida da mulher ou menina gr\u00e1vidas, caso sejam obrigadas a levar a gesta\u00e7\u00e3o adiante. Foi por vislumbrar de maneira clara o que a aguardava que C\u00e1tia* escolheu abortar. Tinha 18 anos quando descobriu que estava gr\u00e1vida de um rapaz com quem se relacionava de modo casual e conta qual foi a rea\u00e7\u00e3o do jovem, que enviou a resposta por escrito: &#8220;Se voc\u00ea quiser abortar, \u00e9 um problema nosso. Se quiser ter o beb\u00ea, \u00e9 um problema seu&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"https:\/\/www.brasildefato.com.br\/2021\/09\/28\/aborto-legal-seguro-e-gratuito-saiba-mais-sobre-a-luta-das-mulheres\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">::&nbsp;Aborto legal, seguro e gratuito: saiba mais sobre a luta das mulheres ::<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>O aborto como plano consolidou-se ap\u00f3s conversas com uma amiga da fam\u00edlia mais velha, colega de trabalho da irm\u00e3. A mulher, 14 anos mais velha do que C\u00e1tia, acabou sendo sua confidente e a orientou, tornando a no\u00e7\u00e3o sobre o procedimento abortivo mais simples.<\/p>\n\n\n\n<p>Foi essa amiga quem a acompanhou no dia marcado. &#8220;Foi um procedimento seguro e eu fui bem assistida. A cl\u00ednica era conhecida, at\u00e9 hoje deve existir, todo mundo sabia o que acontecia na cl\u00ednica. Mas era na clandestinidade&#8221;, relata C\u00e1tia.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Foi um ambiente bem organizado. Aconteceu, na \u00e9poca, algum atraso em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 minha ficha, que se perdeu. Outras mulheres foram passando na minha frente e eu ficando. E, nesse momento, a gente ficava numa pequena sala de espera. Havia uma mo\u00e7a chorando muito, eu a acalmei, fiz todo um discurso falando da hipocrisia da sociedade, tentando acalm\u00e1-la um pouco. Eu estava muito tranquila, depois que essa amiga da fam\u00edlia disse que tudo era muito seguro&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>C\u00e1tia acrescenta que n\u00e3o teve sequelas, tudo transcorreu bem e que, por uma d\u00e9cada, n\u00e3o teve remorso. O sentimento chegou depois, quando engravidou novamente, aos 29 anos, e veio \u00e0 tona sempre que se tornou m\u00e3e novamente. Ela tem quatro filhas, que n\u00e3o sabem que ela fez um aborto. &#8220;Se n\u00f3s f\u00f4ssemos uma sociedade onde o aborto fosse legalizado, onde n\u00e3o houvesse toda essa coisa de culpar a mulher que aborta, teria sido um pouco mais tranquilo esse sentimento que aflorou durante as minhas gesta\u00e7\u00f5es. Sou completamente favor\u00e1vel \u00e0 legaliza\u00e7\u00e3o em qualquer circunst\u00e2ncia, acho que ser m\u00e3e \u00e9 muito dif\u00edcil em uma sociedade patriarcal, onde o peso da cria\u00e7\u00e3o e sustento dos filhos recaem sobre a mulher&#8221;, pondera.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;N\u00e3o vejo como algu\u00e9m ser m\u00e3e sem ter escolhido isso, porque implica uma s\u00e9rie de sacrif\u00edcios, abrir m\u00e3o de muitas coisas. Para mim, a maternidade tem que ser uma coisa que voc\u00ea diz: aceito. Sen\u00e3o, ao contr\u00e1rio, \u00e9 uma tortura&#8221;, emenda, enfatizando que &#8220;ningu\u00e9m cobra nada do homem&#8221;, pelo fato de a gravidez acontecer no corpo da mulher.<br><\/p>\n\n\n\n<p>Para Viviane*, a decis\u00e3o sobre o aborto envolveu dilema, uma vez que sempre se viu contra a interrup\u00e7\u00e3o da gravidez, at\u00e9 meados de 2014, quando come\u00e7ou a mudar de ideia. Diferentemente de C\u00e1tia, ela tinha maior intimidade e proximidade com o pai da crian\u00e7a, seu namorado, na \u00e9poca.<\/p>\n\n\n\n<p>Hoje Viviane \u00e9 m\u00e3e e, mesmo gostando da maternidade, afirma que a rotina, \u00e0s vezes, a sobrecarrega. Por isso, no seu entendimento, n\u00e3o deve ser algo exigido das mulheres. &#8220;N\u00e3o sou capaz de apoiar que meninas e mulheres passem pela maternidade de forma compuls\u00f3ria. N\u00e3o \u00e9 mais uma op\u00e7\u00e3o. Para mim, \u00e9 necess\u00e1rio que tenha uma pol\u00edtica p\u00fablica que ampare as mulheres que decidem interromper a gravidez. Sou 100% a favor do aborto, em qualquer circunst\u00e2ncia&#8221;, defende.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Para mim, o caso \u00e9 quest\u00e3o de sa\u00fade p\u00fablica.&#8221;, argumenta, em conson\u00e2ncia com 64% da amostragem.<\/p>\n\n\n\n<p>Perguntada sobre casos de mulheres de seu c\u00edrculo social que falem abertamente sobre ter feito um aborto, Viviane diz que as experi\u00eancias somente s\u00e3o compartilhadas quando algu\u00e9m precisa de um. &#8220;O que eu noto \u00e9 que as mulheres n\u00e3o falam sobre o aborto, principalmente entre as que s\u00e3o contra, at\u00e9 que precise fazer um. A\u00ed, quando voc\u00ea precisa fazer um, descobre que v\u00e1rias mulheres ao seu redor fizeram tamb\u00e9m.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"https:\/\/www.brasildefato.com.br\/2020\/08\/17\/saiba-em-quais-casos-o-aborto-e-um-direito-garantido-no-brasil\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\"><strong>::Saiba em quais casos o aborto \u00e9 um direito garantido no Brasil::<\/strong><\/a><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img data-recalc-dims=\"1\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/images02.brasildefato.com.br\/cc54efc9ee34abd1a42147fce2cc3143.jpeg?w=600&#038;ssl=1\" alt=\"\"\/><\/figure>\n\n\n\n<p><br>Maioria da popula\u00e7\u00e3o apoia a gravidez de forma legal e segura, pelo Sistema \u00danico de Sa\u00fade (SUS)&nbsp;\/ Fotos P\u00fablicas<\/p>\n\n\n\n<p>Identificar mulheres ou meninas que engravidaram ap\u00f3s serem v\u00edtimas de estupro tamb\u00e9m pode ser algo mais comum do que se imagina. O levantamento sublinha que 21% dos participantes conhecem algu\u00e9m nessa situa\u00e7\u00e3o. Isto \u00e9, 22,6 milh\u00f5es de pessoas conhecem uma mulher ou menina que j\u00e1 se encontrou nessa situa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>A parcela que sabe de pelo menos um caso de gesta\u00e7\u00e3o decorrente de estupro que n\u00e3o foi interrompida \u00e9 de 11,9 milh\u00f5es de pessoas (52%) e a de pessoas que conhecem um caso de gesta\u00e7\u00e3o interrompida de uma v\u00edtima violentada \u00e9 de 7,6 milh\u00f5es (34%). A pesquisa sinaliza, ainda, que a maioria da popula\u00e7\u00e3o apoia a gravidez de forma legal e segura, pelo Sistema \u00danico de Sa\u00fade (SUS), quando a mulher\/menina foi v\u00edtima de estupro &#8211; 89% das mulheres, ante 85% dos homens.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"https:\/\/www.brasildefato.com.br\/2021\/03\/08\/entenda-o-que-significa-legalizar-o-aborto-no-brasil\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\"><strong>:: No Brasil entre 2009 e 2018, 721 mulheres morreram depois de abortarem: a cada dez, seis eram pretas ou pardas::&nbsp;<\/strong><\/a><\/p>\n\n\n\n<p>Entrevistada pelo&nbsp;<strong>Brasil de Fato<\/strong>, a professora de Direito Beatriz Corr\u00eaa Camargo, da Universidade Federal de Uberl\u00e2ndia (UFU), avalia que, quando o estupro envolve um agressor desconhecido da v\u00edtima, h\u00e1 uma &#8220;maior compreens\u00e3o&#8221; em rela\u00e7\u00e3o ao aborto, se escolhido como melhor op\u00e7\u00e3o. &#8220;Agora, \u00e9 claro, hoje a gente j\u00e1 usa o termo em contextos mais amplos&#8221;, diz ela, em refer\u00eancia ao estupro marital, cometido por um homem, contra sua companheira, que, hoje em dia, j\u00e1 n\u00e3o \u00e9 mais tolerado t\u00e3o amplamente.<\/p>\n\n\n\n<p>A perspectiva da docente Marcella Magalh\u00e3es Gomes, da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), \u00e9 compat\u00edvel com a de Beatriz, no sentido de que os pap\u00e9is definidos como adequados para mulheres e para homens afeta, por completo, a forma como se relacionam. &#8220;A ideia da cultura do estupro, do conceito que foi criado, \u00e9 essa ideia de uma sociedade na qual voc\u00ea cria for\u00e7as, ideologias e v\u00e1rios outros instrumentos de propaga\u00e7\u00e3o e tamb\u00e9m de justifica\u00e7\u00e3o de diferen\u00e7a singular, capital, entre homens e mulheres quanto a posi\u00e7\u00f5es sociais. E que essa diferen\u00e7a, de alguma maneira, n\u00e3o \u00e9 algo socialmente engendrado, mas que \u00e9 algo natural.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p>Edi\u00e7\u00e3o: Vivian Virissimo<br><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Oito em cada dez pessoas acreditam que o car\u00e1ter clandestino \u00e9 uma das principais causas de morte de mulheres ao abortar<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_exactmetrics_skip_tracking":false,"_exactmetrics_sitenote_active":false,"_exactmetrics_sitenote_note":"","_exactmetrics_sitenote_category":0,"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","enabled":false},"version":2}},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-33499","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-notas"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p7wKYW-8Ij","jetpack-related-posts":[],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/33499","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=33499"}],"version-history":[{"count":1,"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/33499\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":33500,"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/33499\/revisions\/33500"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=33499"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=33499"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=33499"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}