{"id":33569,"date":"2022-04-12T10:24:17","date_gmt":"2022-04-12T14:24:17","guid":{"rendered":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/?p=33569"},"modified":"2022-04-12T10:24:20","modified_gmt":"2022-04-12T14:24:20","slug":"krenak-todo-mundo-deve-se-armar-com-titulo-de-eleitor-e-dar-um-basta-nessa-direita-ignorante","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/2022\/04\/12\/krenak-todo-mundo-deve-se-armar-com-titulo-de-eleitor-e-dar-um-basta-nessa-direita-ignorante\/","title":{"rendered":"Krenak: &#8220;Todo mundo deve se armar com t\u00edtulo de eleitor e dar um basta nessa direita ignorante&#8221;"},"content":{"rendered":"\n<figure class=\"wp-block-image\"><img data-recalc-dims=\"1\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/images01.brasildefato.com.br\/8c9498249f4411e19fde62b12a4ca494.jpeg?w=600&#038;ssl=1\" alt=\"\"\/><\/figure>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\">No BDF Entrevista desta semana, ativista fala ainda sobre o Marco Temporal: &#8220;excresc\u00eancia jur\u00eddica&#8221;<\/h4>\n\n\n\n<!--more-->\n\n\n\n<p>Jos\u00e9 Eduardo Bernardes<\/p>\n\n\n\n<p>A invas\u00e3o colonial do Brasil no s\u00e9culo XVI&nbsp;n\u00e3o foi superada, segundo Ailton Krenak, lideran\u00e7a ind\u00edgena da bacia do Rio Doce e ativista ambiental. \u201cN\u00f3s n\u00e3o podemos continuar reformando constitui\u00e7\u00f5es dentro de um corpo de um Estado colonial. O estado colonial foi fundado pelos espanh\u00f3is e portugueses. O que voc\u00ea mudar ali dentro, o jogo j\u00e1 est\u00e1 feito, entendeu?\u201d, diz.&nbsp;<br>&nbsp;<br>Convidado desta semana no&nbsp;<strong>BDF Entrevista<\/strong>,&nbsp;Krenak afirma que as armadilhas do estado colonial ainda assombram a Rep\u00fablica, e uma delas est\u00e1 ligada \u00e0 sistem\u00e1tica expuls\u00e3o de ind\u00edgenas de suas terras ancestrais. Para al\u00e9m dos projetos de legaliza\u00e7\u00e3o do garimpo que tramitam na C\u00e2mara Federal, a decis\u00e3o que o Supremo colocar\u00e1 novamente em vota\u00e7\u00e3o no meio do ano&nbsp;sobre o Marco Temporal&nbsp;\u00e9 uma das mais assustadoras, segundo o ativista, que define a medida como uma &#8220;excresc\u00eancia jur\u00eddica&#8221;.<br><\/p>\n\n\n\n<p>\u201cEles largaram no texto da Constitui\u00e7\u00e3o um rabicho para que algu\u00e9m enfiasse l\u00e1 esse Marco Temporal. Ela consegue colar no cap\u00edtulo dos direitos dos \u00edndios, onde est\u00e1 a obriga\u00e7\u00e3o da Uni\u00e3o em reconhecer e demarcar as terras ind\u00edgenas. A Uni\u00e3o transformou isso numa decis\u00e3o imperial, se os \u00edndios podem ou n\u00e3o ter aquela terra\u201d, avalia.<\/p>\n\n\n\n<p>O Marco Temporal estabelece que s\u00f3 poder\u00e3o ser demarcadas e reconhecidas&nbsp;as terras ind\u00edgenas ocupadas legalmente at\u00e9 1988, data da promulga\u00e7\u00e3o da Constitui\u00e7\u00e3o do Brasil.&nbsp;\u201cO artigo 231 da Constitui\u00e7\u00e3o Brasileira \u00e9 definitivo. Ele diz que a Uni\u00e3o e o Estado brasileiro&nbsp;devem reconhecer as terras ind\u00edgenas. Quer dizer, \u00e9 um ato de reconhecimento \u00e0 ocupa\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica tradicional dos povos ind\u00edgenas. N\u00e3o cabe nenhuma discuss\u00e3o sobre isso\u201d, afirma&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.brasildefato.com.br\/2021\/12\/08\/unb-concedera-titulo-de-doutor-honoris-causa-para-lider-indigena-ailton-krenak\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Krenak<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p>Para avaliar a tese que se tornar\u00e1 jurisprud\u00eancia para demais casos, o Supremo julga o processo de demarca\u00e7\u00e3o da Terra Ind\u00edgena Ibirama, em Santa Catarina, habitada pelos povos Xokleng, Kaingang e Guarani e que teve sua posse questionada por cerca de 300 agricultores dos munic\u00edpios Jos\u00e9 Boiteux, Vitor Meireles, Itai\u00f3polis e Doutor Pedrinho. A a\u00e7\u00e3o ganhou apoio da Procuradoria-geral do Estado de Santa Catarina (PGE-SC), que ingressou como parte interessada.<\/p>\n\n\n\n<p>O&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.brasildefato.com.br\/2021\/08\/25\/entenda-julgamento-do-stf-que-define-futuro-das-terras-e-civilizacoes-indigenas-do-brasil\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">julgamento<\/a>&nbsp;foi interrompido&nbsp;em setembro de 2021, ap\u00f3s um pedido de vistas do ministro Alexandre de Moraes. Naquele momento, a vota\u00e7\u00e3o estava empatada em 1 a 1: um voto a favor, proferido pelo ministro K\u00e1ssio Nunes Marques, indicado de Jair Bolsonaro (PL) \u00e0 corte; e outro contr\u00e1rio, do ministro Edson Fachin.<br>&nbsp;<br>Krenak reflete ainda sobre a coopta\u00e7\u00e3o de lideran\u00e7as ind\u00edgenas pelo bolsonarismo, que, para ele, remonta h\u00e1 muitos anos: ao&nbsp;projeto desenvolvimentista brasileiro baseado no consumo e \u00e0&nbsp;maneira como a sociedade est\u00e1 distante de exercer plenamente sua cidadania.<br>&nbsp;<br>\u201cAt\u00e9 a campanha eleitoral deste ano:&nbsp;as pessoas parecem que est\u00e3o olhando uma coisa que est\u00e1 acontecendo em outro pa\u00eds. Todos esses jovens de 17 anos, eles deveriam estar assim, mobilizados demais para tirar o t\u00edtulo de eleitor. Principalmente nos lugares pobres do nosso pa\u00eds, nos segmentos mais pobres, mais exclu\u00eddos, as favelas, as quebradas&#8221;, afirma.&nbsp;<br>&nbsp;<br>\u201cTodo mundo tinha que se armar com o t\u00edtulo de eleitor e dar um basta, do ponto de vista eleitoral, t\u00e3o redundante, que n\u00e3o deixasse d\u00favida a essa direita ignorante&nbsp;de que ela est\u00e1 errada. A gente tinha que tentar fazer isso pela via do que chamam de democracia, para a gente testar nossa capacidade de mobiliza\u00e7\u00e3o\u201d, complementa.&nbsp;<br>&nbsp;<br>Confira a entrevista na \u00edntegra:<br>&nbsp;<br><strong>Brasil de Fato: O Marco Temporal segue em debate no Supremo Tribunal Federal e deve ser votado no meio do ano. \u00c9 um processo que se arrasta h\u00e1 bastante tempo j\u00e1, entre mat\u00e9rias no Congresso e na Corte. Qual o impacto de reconhecer apenas as terras ind\u00edgenas ocupadas at\u00e9 a Constitui\u00e7\u00e3o de 1988?<\/strong><br>&nbsp;<br><strong>Ailton Krenak:<\/strong>&nbsp;\u00c9 uma ofensa ao princ\u00edpio da nossa Constitui\u00e7\u00e3o, porque o artigo 231 da Constitui\u00e7\u00e3o Brasileira \u00e9 definitivo. Ele diz que a Uni\u00e3o e o Estado brasileiro&nbsp;devem reconhecer as terras ind\u00edgenas. Quer dizer, \u00e9 um ato de reconhecimento \u00e0 ocupa\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica tradicional dos povos ind\u00edgenas. N\u00e3o cabe nenhuma discuss\u00e3o sobre isso.&nbsp;<br>&nbsp;<br>Eles largaram no texto da Constitui\u00e7\u00e3o um rabicho para que algu\u00e9m enfiasse l\u00e1 esse Marco Temporal, \u00e9 uma excresc\u00eancia jur\u00eddica. S\u00f3 que ele consegue colar no cap\u00edtulo dos direitos dos \u00edndios, onde est\u00e1 a obriga\u00e7\u00e3o da Uni\u00e3o em reconhecer e demarcar as terras ind\u00edgenas. A Uni\u00e3o transformou isso numa decis\u00e3o imperial, se os \u00edndios podem ou n\u00e3o ter aquela terra.&nbsp;<br>&nbsp;<br>N\u00e3o \u00e9 essa a quest\u00e3o que a Constitui\u00e7\u00e3o p\u00f5e. A Constitui\u00e7\u00e3o determina que \u00e9 para demarcar. Seria mais ou menos como se algu\u00e9m determinasse a um sujeito que ele deve levar um balde de \u00e1gua at\u00e9 o jardim e, no meio do caminho, o cara querer discutir se o balde deve estar cheio ou pelo meio, entendeu?<br>&nbsp;<br><strong>Falando justamente sobre a Constituinte, o senhor teve um papel fundamental naquele processo que culminou na Constitui\u00e7\u00e3o de 1988, que no papel \u00e9 super avan\u00e7ada. Naquela \u00e9poca, o senhor se pintou durante um discurso hist\u00f3rico no Congresso Nacional. \u00c9 verdade que, para entrar no Congresso, o senhor precisou recolher trajes sociais com parceiros, assessores do Congresso, porque eles n\u00e3o permitiram a tua entrada?&nbsp;<\/strong><br>&nbsp;<br>\u00c9 bom lembrar que&nbsp;na d\u00e9cada de 1980&nbsp;a sociedade brasileira tinha outra configura\u00e7\u00e3o. A gente estava saindo de uma ditadura e voc\u00ea tinha, mesmo, o povo na rua. Eu fiz uma fala dentro do Congresso Constituinte&nbsp;apoiado por 120 mil assinaturas de brasileiros, espalhados pelo pa\u00eds inteiro.&nbsp;<br>&nbsp;<br>Era uma emenda popular, eu estava ali com um mandato amplo, ent\u00e3o eu pude falar durante alguns minutos, defendendo o cap\u00edtulo dos direitos ind\u00edgenas na nossa Constitui\u00e7\u00e3o. De certa maneira, formulando aquilo que veio a ser os nossos direitos, mas que j\u00e1 era produto de uma articula\u00e7\u00e3o muito grande de diferentes segmentos, inclusive de sindicatos de trabalhadores rurais.&nbsp;<br>&nbsp;<br>A Federa\u00e7\u00e3o dos Trabalhadores na Agricultura, os metal\u00fargicos do ABC participavam dessas negocia\u00e7\u00f5es. A OAB, a CNBB [tamb\u00e9m]. Quer dizer, era um amplo movimento social em que eu era o sujeito que, naquele momento, tinha que entrar l\u00e1 e pegar o le\u00e3o. Tem gente que acha que eu tinha um mandato parlamentar. Eu n\u00e3o fui eleito deputado, eu tinha uma representa\u00e7\u00e3o atribu\u00edda pelo movimento social para fazer uma interven\u00e7\u00e3o e foi o que eu fiz.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><em><strong>Eu levava o segredo no bolso, um potinho com aquela tinta preta, que eu passei no rosto.<\/strong><\/em><\/h2>\n\n\n\n<p><br>\u00c9 claro que eu cheguei l\u00e1 de camiseta e cal\u00e7a jeans e os caras falaram: \u201cvoc\u00ea n\u00e3o vai entrar aqui, desse jeito. Voc\u00ea tem que estar a car\u00e1ter, voc\u00ea tem que estar com traje adequado\u201d. E eu, l\u00f3gico, fui ver que o traje adequado era um terno. Eu tinha que ter um terno, usar palet\u00f3 e gravata. Ent\u00e3o eu fui nos gabinetes dos deputados que eu conhecia na \u00e9poca. Eu n\u00e3o me esque\u00e7o que o Domingos Leonelli me arrumou o palet\u00f3;&nbsp;o M\u00e1rcio Santilli, a gravata;&nbsp;o gabinete do F\u00e1bio Feldmann me arrumou mais algum acess\u00f3rio e eu me pus naquela condi\u00e7\u00e3o de parlamentar e pude ser admitido no recinto.&nbsp;<br>&nbsp;<br>E claro, eu levava o segredo no bolso, um potinho com aquela tinta preta, que eu passei no rosto. Eu sabia que n\u00e3o adiantava eu chegar l\u00e1 e, em 10 minutos, espernear e convencer 500 parlamentares a aprovar o direito dos \u00edndios na Constitui\u00e7\u00e3o, porque a luta pol\u00edtica naquela \u00e9poca era muito aberta e o racismo, o preconceito, eram muito expl\u00edcitos.&nbsp;<br>&nbsp;<br>Eu pensei: \u201cbom, n\u00e3o adianta. Por mais incr\u00edvel que seja meu discurso aqui, os caras n\u00e3o v\u00e3o me escutar\u201d. Foi da\u00ed que nasceu aquele gesto que hoje \u00e9 chamado de performance. Dez anos depois me disseram: \u201cvoc\u00ea fez uma performance\u201d. Eu n\u00e3o tinha a menor ideia disso e eu acho que,&nbsp;nem no contexto da cultura brasileira, a ideia de algu\u00e9m fazer uma performance ainda n\u00e3o era uma coisa t\u00e3o comum.<br>&nbsp;<br>A gente n\u00e3o tinha internet, que nasceu 20 anos depois. \u00c9 muito interessante lembrar tudo isso. Pessoas das novas gera\u00e7\u00f5es podem pensar que eu estava fazendo uma selfie de l\u00e1 de dentro do Parlamento. N\u00e3o, o neg\u00f3cio l\u00e1 era duro. Era voc\u00ea encarar mesmo, argumentar e ser ouvido. N\u00e3o tinha nenhum jeito de voc\u00ea apelar para quem estava fora daquele sal\u00e3o, n\u00e3o tinha opini\u00e3o p\u00fablica que voc\u00ea mobilizava.&nbsp;<br>&nbsp;<br>E felizmente, pelo engajamento e pelo profundo envolvimento com a tem\u00e1tica, eu tinha todos os elementos para argumentar com aquela por\u00e7\u00e3o de latifundi\u00e1rios que estava l\u00e1. Porque o centr\u00e3o, esse centr\u00e3o de sempre, estava l\u00e1 com a maioria na Assembleia Nacional Constituinte e constrangeu o debate, coisas como deixar uma isca nos direitos sociais, para que eles, no futuro, pudessem dar um tombo na quest\u00e3o do trabalho, na quest\u00e3o do reconhecimento das popula\u00e7\u00f5es quilombolas, ind\u00edgenas.<br>&nbsp;<br>Tanto que voc\u00ea pode ver que, at\u00e9 hoje, existe uma discuss\u00e3o se os quilombos s\u00e3o ou n\u00e3o s\u00e3o um direito a ser reconhecido. De vez em quando&nbsp;algu\u00e9m tenta acabar com esse direito dos habitantes de territ\u00f3rios de Quilombo. Da mesma maneira que eles tentam sabotar o princ\u00edpio do direito origin\u00e1rio dos povos ind\u00edgenas sobre as terras que j\u00e1 habitavam.&nbsp;<br>&nbsp;<br>E n\u00e3o tem essa de botar uma data, dizer: \u201cn\u00e3o os que estavam ali at\u00e9 o dia da Constitui\u00e7\u00e3o ser promulgada\u201d. Isso \u00e9 um golpe.<br>&nbsp;<br><strong>O senhor falou sobre essas pontas soltas da Constitui\u00e7\u00e3o. Seria poss\u00edvel refaz\u00ea-la? A gente j\u00e1 teve v\u00e1rias tentativas de assembleias constituintes nos \u00faltimos anos. H\u00e1 espa\u00e7o para isso? Lembrando do que acontece neste momento no Chile, onde o povo Mapuche, inclusive, lidera a Assembleia Nacional Constituinte&nbsp;para a refunda\u00e7\u00e3o da Constitui\u00e7\u00e3o chilena.&nbsp;<\/strong><br>&nbsp;<br>Bem, a\u00ed s\u00e3o coisas t\u00e3o distintas que a gente n\u00e3o pode fazer uma compara\u00e7\u00e3o. O que acontece no Chile hoje \u00e9 resultado de uma longa mobiliza\u00e7\u00e3o Andina, desde o Equador, onde se discute o direito da natureza, onde se discute a refunda\u00e7\u00e3o dos estados coloniais na Am\u00e9rica Latina e o contexto do Chile, ele p\u00f5e em quest\u00e3o: n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 refazer os termos de uma Constitui\u00e7\u00e3o, \u00e9 refazer os termos da funda\u00e7\u00e3o do Estado chileno.&nbsp;<br>&nbsp;<br>Uma conclus\u00e3o que l\u00e1 na Bol\u00edvia j\u00e1 se chegou e em outros pa\u00edses da Am\u00e9rica Latina tamb\u00e9m&nbsp;\u00e9 que n\u00f3s n\u00e3o podemos continuar reformando constitui\u00e7\u00f5es dentro de um corpo de um estado colonial. O estado colonial foi fundado pelos espanh\u00f3is e portugueses. O que voc\u00ea mudar ali dentro, o jogo j\u00e1 est\u00e1 feito, entendeu?&nbsp;<br>&nbsp;<br>Eu estava at\u00e9 me lembrando daquela hist\u00f3ria que eu comentei com voc\u00ea, que o Zagallo estava com a Sele\u00e7\u00e3o Brasileira para jogar contra os russos. Montou o esquema e anunciou o esquema para os jogadores. O Garrincha virou para ele e disse: \u201cT\u00e1, mas voc\u00ea j\u00e1 tratou com os russos?\u201d&nbsp;<br>&nbsp;<br>N\u00e3o adianta a gente mudar a Constitui\u00e7\u00e3o se a gente n\u00e3o tratar com o escopo de um estado colonial. J\u00e1 que est\u00e1 t\u00e3o em debate a descoloniza\u00e7\u00e3o, como que n\u00f3s vamos pensar uma Constitui\u00e7\u00e3o que vai ser v\u00e1lida dentro de um arcabou\u00e7o de um estado&nbsp;que \u00e9 colonial? Que os caras que t\u00eam o poder vieram do Imp\u00e9rio?&nbsp;<br>&nbsp;<br>Muitas das pessoas que seguiram a vida pol\u00edtica brasileira, os tatarav\u00f3s deles, os av\u00f3s deles&nbsp;eram conselheiros do Dom Pedro II. A primeira Rep\u00fablica foi s\u00f3 uma mudan\u00e7a de pr\u00e9dio. Mudou o pr\u00e9dio, n\u00e3o a Rep\u00fablica. Era um monte de conselheiros do Imp\u00e9rio&nbsp;assumindo cargos na Rep\u00fablica, com todos os v\u00edcios.<br>&nbsp;<br><strong>E o qu\u00e3o distante a gente est\u00e1 dessa democracia real?&nbsp;<\/strong><br>&nbsp;<br>Bom, a gente sabe o que \u00e9 a Cordilheiras dos Andes, n\u00e3o \u00e9? Essa \u00e9 a dist\u00e2ncia que nos separa da experi\u00eancia do Chile.&nbsp;A gente tem que atravessar a Cordilheira&nbsp;dos Andes para chegar na experi\u00eancia deles, que \u00e9 a refunda\u00e7\u00e3o do Estado colonial chileno, que foi institu\u00eddo pelos espanh\u00f3is e est\u00e1 l\u00e1 at\u00e9 hoje, caqu\u00e9tico.&nbsp;Assim como o nosso foi institu\u00eddo pelos portugueses e ele est\u00e1 podre.<\/p>\n\n\n\n<p>Eu acho muito interessante a gente estar&nbsp;conversando sobre isso, porque esse debate deveria estar sendo feito pelos juristas, os constitucionalistas, esses homens ilustrados da vida brasileira. Eu n\u00e3o sei por que a Ordem dos Advogados do Brasil n\u00e3o tem coragem de abrir um debate sobre a reforma do Estado.<br>&nbsp;<br><strong>Acontece, neste momento,&nbsp;em Bras\u00edlia o Acampamento Terra Livre. Desde 2019 ele n\u00e3o acontecia presencialmente. A ideia era reunir os 305 povos ind\u00edgenas de todo o pa\u00eds. Dado o contexto do pa\u00eds, esse tende a ser um ato de maior press\u00e3o no governo federal?<\/strong><br>&nbsp;<br>Olha, a gente n\u00e3o pode se esquecer que o movimento ind\u00edgena nunca deixou de fazer presen\u00e7a no debate pol\u00edtico em Bras\u00edlia, nem desde 2019 e nem dia nenhum. N\u00e3o tem uma data para o movimento ind\u00edgena ir \u00e0 Bras\u00edlia. O movimento ind\u00edgena, a marcha das mulheres sobre Bras\u00edlia, nunca pararam&nbsp;de ter delega\u00e7\u00f5es significativas ind\u00edgenas em Bras\u00edlia. A cada amea\u00e7a de golpe&nbsp;o povo ind\u00edgena est\u00e1 em Bras\u00edlia.&nbsp;<br>&nbsp;<br>O que n\u00f3s reclamamos muito \u00e9 que os outros segmentos da sociedade brasileira&nbsp;acham que esse problema \u00e9 um problema dos \u00edndios com o governo. E n\u00e3o entenderam ainda que o estado brasileiro est\u00e1 sendo assaltado, a vida pol\u00edtica do pa\u00eds est\u00e1 sendo dissolvida e os brasileiros ficam assistindo como se fosse um evento extra.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><em><strong>A cada amea\u00e7a de golpe&nbsp;o povo ind\u00edgena est\u00e1 em Bras\u00edlia.<\/strong><\/em><\/h2>\n\n\n\n<p>At\u00e9 a campanha eleitoral deste ano:&nbsp;as pessoas parecem que est\u00e3o olhando uma coisa que est\u00e1 acontecendo em outro pa\u00eds. Todos esses jovens de 17 anos, eles deveriam estar assim, mobilizados demais para&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.brasildefato.com.br\/2022\/04\/03\/jovens-dizem-por-que-vao-tirar-o-titulo-de-eleitor-em-2022\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">tirar o t\u00edtulo de eleitor<\/a>. Principalmente nos lugares pobres do nosso pa\u00eds, nos segmentos mais pobres, mais exclu\u00eddos, as favelas, as quebradas.<br>&nbsp;<br>Todo mundo tinha que se armar com o t\u00edtulo de eleitor e dar um basta, do ponto de vista eleitoral, t\u00e3o redundante, que n\u00e3o deixasse d\u00favida a essa direita ignorante&nbsp;de que ela est\u00e1 errada. A gente tinha que tentar fazer isso pela via do que chamam de democracia, para a gente testar nossa capacidade de mobiliza\u00e7\u00e3o.&nbsp;<br>&nbsp;<br>Vamos ver se n\u00f3s somos capazes de fazer isso dentro do sistema de representa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica que eles acham v\u00e1lido, mas que muitos deles, na maior cara de pau, tentam desmerecer, tentam sacanear, tentam inventar alguma desculpa, tipo [fraudes na] urna eletr\u00f4nica, ou qualquer outro papo furado. Isso \u00e9 tudo golpismo, \u00e0 semelhan\u00e7a dos Estados Unidos, onde o Trump tentou de toda maneira invalidar a elei\u00e7\u00e3o. Tem que ser uma vota\u00e7\u00e3o t\u00e3o un\u00e2nime que n\u00e3o d\u00ea chance para ningu\u00e9m vir com conversa fiada.<br>&nbsp;<br><strong>O plano e a estrat\u00e9gia j\u00e1 est\u00e3o montados pelo governo federal. Resta \u00e0 popula\u00e7\u00e3o brasileira demonstrar for\u00e7a para tentar enfraquec\u00ea-lo\u2026<\/strong><br>&nbsp;<br>Ent\u00e3o, mas \u00e9 admir\u00e1vel que uma coisa t\u00e3o simples quanto tirar o t\u00edtulo de eleitor, pela unanimidade da juventude, e se fazer presente na elei\u00e7\u00e3o&#8230; \u00c9&nbsp;um gesto totalmente civil. Tipo ir \u00e0&nbsp;escola. Qual o problema? Por que esses caras todos n\u00e3o tiram os seus t\u00edtulos de eleitor?&nbsp;<br>&nbsp;<br>Foi publicada uma pesquisa recente dizendo que s\u00f3 27% da meninada que est\u00e1 nessa idade \u00e9 que se mobilizou para tirar o t\u00edtulo de eleitor. Cad\u00ea os outros 70% deles, que deveriam tirar o t\u00edtulo de eleitor? Ser\u00e1 que est\u00e3o achando que est\u00e1 bom? Est\u00e1 bom jovem negro correr na cal\u00e7ada e levar tiro nas costas da Pol\u00edcia, porque acha que preto correndo na cal\u00e7ada \u00e9 bandido?&nbsp;<br>&nbsp;<br>Quando \u00e9 que essa juventude vai se tocar que os&nbsp;pr\u00f3ximos da fila s\u00e3o eles mesmos? A gente sabe que a exclus\u00e3o incide sobre os n\u00e3o brancos. Se a gente n\u00e3o quiser dar nome aos pretos, aos pardos, aos \u00edndios, ent\u00e3o vamos dizer: \u201ca exclus\u00e3o no Brasil se d\u00e1 em cima de n\u00e3o brancos\u201d. E o que os que n\u00e3o s\u00e3o brancos est\u00e3o fazendo? Fingindo que n\u00e3o \u00e9 com eles?&nbsp;<br>&nbsp;<br>V\u00e3o esperar piorar muito mais, a gente virar um Haiti? Eu fico indignado. Eu vi, o [Gilberto] Gil;&nbsp;o Lenine&nbsp;gravou uma chamada para os jovens dizendo: \u201ctira o seu t\u00edtulo de eleitor\u201d. Mas eu acho absurdo a gente ter que fazer uma campanha para o cara assumir um direito dele, que \u00e9 o direito de ser cidad\u00e3o. Ser\u00e1 que a gente banalizou tanto a vida p\u00fablica no Brasil que a rapaziada acha que nem vale a pena tirar o t\u00edtulo de eleitor?&nbsp;<br>&nbsp;<br><strong>Tem um projeto na C\u00e2mara, que teve seu tr\u00e2mite acelerado pelo presidente Arthur Lira (PP-AL), que coloca em vota\u00e7\u00e3o nos pr\u00f3ximos dias o projeto de libera\u00e7\u00e3o do garimpo para ind\u00edgenas. Uma fachada para abertura geral e irrestrita do garimpo em terras ind\u00edgenas. Como essas lideran\u00e7as que est\u00e3o apoiando esse projeto foram cooptadas pelo bolsonarismo?&nbsp;<\/strong><br>&nbsp;<br>Eu n\u00e3o sei se eles foram cooptados pelo bolsonarismo. Quem n\u00e3o conhece a hist\u00f3ria dom\u00e9stica&nbsp;do povo ind\u00edgena, \u00e9 preciso entender o seguinte: no \u00faltimo censo&nbsp;se reconheceu que tem 305 etnias nesse pa\u00eds. Vamos considerar que mais ou menos mais da metade dessas etnias est\u00e3o no que a gente chama de Amaz\u00f4nia Legal.&nbsp;<br>&nbsp;<br>A Amaz\u00f4nia, que pega desde o Maranh\u00e3o at\u00e9 o Mato Grosso. N\u00e3o \u00e9 s\u00f3 l\u00e1 no Amazonas, como as pessoas imaginam. Porque esses analfabetos nacionais que vivem no sudeste, quando voc\u00ea fala Amaz\u00f4nia, eles pensam que \u00e9 um conjunto de florestas que tem ali \u00e0s margens do Rio Amazonas e do Tapaj\u00f3s e pronto. Quem sabe, o Xingu.&nbsp;<br>&nbsp;<br>S\u00e3o analfabetos do ponto de vista pol\u00edtico, n\u00e3o conhecem o pa\u00eds em que vivem, porque sen\u00e3o, iam&nbsp;entender que h\u00e1 uma imensa regi\u00e3o chamada Amaz\u00f4nia Legal, que agora est\u00e3o tentando inclusive, dar um golpe, tirar o Mato Grosso da Amaz\u00f4nia Legal.<br>&nbsp;<br>[A Amaz\u00f4nia Legal] foi institu\u00edda l\u00e1 na Ditadura para facilitar financiamento do Banco Mundial, para programas de coloniza\u00e7\u00e3o da Amaz\u00f4nia. Ent\u00e3o todo mundo queria estar na Amaz\u00f4nia para pegar uma grana. Foi assim que Goi\u00e1s virou Amaz\u00f4nia, o Maranh\u00e3o virou Amaz\u00f4nia, porque era um jeito de estar dentro do program\u00e3o do Banco Mundial, Sudene, Sudam, incentivos fiscais, toda essa pilantragem que levou muita gente do sul a ocupar a regi\u00e3o amaz\u00f4nica, com projetos que nunca foram para lugar nenhum, mas que encheram os bolsos de muita gente.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><em><strong>A Europa tem l\u00e1 algum lugar para garimpar? N\u00e3o, ela garimpa aqui.<\/strong><\/em><\/h2>\n\n\n\n<p><br>O povo ind\u00edgena passou por essa moagem nos \u00faltimos. Vamos considerar que nos \u00faltimos 60 anos. Na Constituinte, quando eu estava l\u00e1 defendendo o cap\u00edtulo dos \u00edndios, l\u00e1 fora tinha um lobby ind\u00edgena brigando comigo, porque eles j\u00e1 queriam que deixasse&nbsp;pelo menos uma licen\u00e7a&nbsp;dizendo que na terra ind\u00edgena&nbsp;os \u00edndios podiam garimpar. Isso l\u00e1 na Constituinte.<br>&nbsp;<br>Eu participava de debates com essas pessoas para convencer de que era uma roubada. Eu dizia para eles: &#8220;n\u00e3o tem jeito de voc\u00ea fazer um garimpo circunscrito a um igarap\u00e9, a uma aldeinha. A hora que descobrirem que l\u00e1 dentro tem ouro, voc\u00ea vai ser invadido&#8221;. A gente n\u00e3o tem uma pol\u00edtica do Estado brasileiro&nbsp;de real prote\u00e7\u00e3o a esses territ\u00f3rios, assim como a gente n\u00e3o tem prote\u00e7\u00e3o das unidades de conserva\u00e7\u00e3o, dos parques nacionais.&nbsp;<br>&nbsp;<br>Se voc\u00ea liberar atividade garimpeira em unidades de conserva\u00e7\u00e3o e terras ind\u00edgenas, que \u00e9 o que est\u00e1 proposto agora, \u00e9 uma invas\u00e3o geral de tudo. Onde tiver min\u00e9rio&nbsp;esses caras v\u00e3o entrar.<\/p>\n\n\n\n<p>O contradit\u00f3rio que est\u00e1 aparecendo agora e que muita gente n\u00e3o percebe \u00e9 que as grandes empresas mineradoras n\u00e3o querem que se aprove esse garimpo, por que esse&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.brasildefato.com.br\/2022\/03\/09\/pl-que-permite-mineracao-em-terras-indigenas-pode-ser-votado-hoje-entenda-o-que-esta-em-jogo\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">garimpo<\/a>&nbsp;contraria a&nbsp;hegemonia, o controle que t\u00eam as grandes mineradoras, como a Vale do Rio Doce, por exemplo, as outras grandes mineradoras canadenses, australianas, que t\u00eam base aqui no Brasil.&nbsp;A Europa tem l\u00e1 algum lugar para garimpar? N\u00e3o, ela garimpa aqui.&nbsp;<br>&nbsp;<br>Ent\u00e3o, quando a gente aprovou aquele princ\u00edpio geral da Constitui\u00e7\u00e3o, a gente estava contrariando n\u00e3o s\u00f3 o lobby do centr\u00e3o, a Paranapanema, a Vale do Rio Doce, toda essa pilantragem, a gente tamb\u00e9m estava contrariando alguns ind\u00edgenas que queriam ter garimpo. Eles ficaram contidos nos \u00faltimos 30 anos.&nbsp;<br>&nbsp;<br>Agora, eles entraram na forra porque eles viram o Mour\u00e3o, com aquela conversa fiada dele, dizendo que ele tamb\u00e9m \u00e9 \u00edndio, que ele quer garimpar: \u201cmim tamb\u00e9m \u00e9 garimpeiro\u201d. Inventaram essa malandragem e n\u00e3o d\u00e1 pra voc\u00ea falar que houve uma coopta\u00e7\u00e3o. N\u00e3o tem jeito de voc\u00ea cooptar quem j\u00e1 t\u00e1 no baile.&nbsp;<br>&nbsp;<br><strong>O projeto desenvolvimentista e neodesenvolvimentista brasileiro vem desde os anos 1930 e sempre teve algumas&nbsp;v\u00edtimas em comum: os ind\u00edgenas, os povos ribeirinhos, os povos das florestas e os quilombolas. O senhor costuma escrever bastante sobre o tema do desenvolvimentismo brasileiro. H\u00e1 sa\u00eddas para esse desenvolvimentismo do pa\u00eds ser sustent\u00e1vel e que n\u00e3o seja, por exemplo, calcado no consumo desenfreado que marcou os nossos \u00faltimos anos?&nbsp;<\/strong><br>&nbsp;<br>O que acontece \u00e9 que, do s\u00e9culo 20 para o s\u00e9culo 21, houve um evento chamado globaliza\u00e7\u00e3o. E dentro da globaliza\u00e7\u00e3o, o professor Milton Santos j\u00e1 avisava isso, deixa de existir a singularidade das economias, as escolhas. Ningu\u00e9m escolhe mais nada, nem a China, nem Uganda.&nbsp;<br>&nbsp;<br>N\u00f3s somos uma plataforma planet\u00e1ria, onde o sistema financeiro global atua de maneira livre. N\u00e3o existem mais estados nacionais, isso \u00e9 uma balela. A China est\u00e1 construindo uma infraestrutura no litoral da Bahia, na costa da Bahia, que vai botar um dedo ali e vai sugar o que tiver de interesse da China. E n\u00e3o precisa vir c\u00e1, a China n\u00e3o precisa vir para o Brasil, ela leva o Brasil para a China.<br>&nbsp;<br>A gente pode inventar uns programas legais assim, tipo, voc\u00ea quer ir para China? Daqui a pouco eles v\u00e3o dar passaporte livre, voc\u00ea pode sair diretamente do Pelourinho para Hong Kong. A gente ainda est\u00e1 no s\u00e9culo 20&nbsp;pensando o mundo no s\u00e9culo 21.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><em><strong>Eles acham que crescer a economia \u00e9 desenvolver. Isso n\u00e3o tem nada a ver com desenvolver.<\/strong><\/em><\/h2>\n\n\n\n<p>O que acontece \u00e9 que as economias n\u00e3o t\u00eam mais escolhas se elas v\u00e3o se desenvolver ou n\u00e3o. A Holanda abriu uma discuss\u00e3o h\u00e1 dois anos, no meio da pandemia, porque houve uma reformata\u00e7\u00e3o da vida pol\u00edtica l\u00e1, e eles disseram que n\u00e3o queriam mais avan\u00e7ar no sentido do desenvolvimento econ\u00f4mico. Eles queriam fazer um envolvimento.&nbsp;<br>&nbsp;<br>A ministra deles anunciou que agora eles estavam interessados no envolvimento, quer dizer, se envolver com a quest\u00e3o clim\u00e1tica, se envolver com a quest\u00e3o ambiental, se envolver com a quest\u00e3o da qualidade da vida&nbsp;em vez de continuar aumentando o PIB. Mas os pa\u00edses nanicos s\u00e3o fascinados por crescimento.<br>&nbsp;<br>Eles acham que crescer a economia \u00e9 desenvolver. Isso n\u00e3o tem nada a ver com desenvolver. Inclusive porque voc\u00ea cria muita pobreza nos pa\u00edses subdesenvolvidos. Todo o esfor\u00e7o de crescimento deixa para tr\u00e1s um rastro de mis\u00e9ria e destrui\u00e7\u00e3o que, no caso&nbsp;daqui do Brasil, ficou registrado num livro magn\u00edfico que est\u00e1 esquecido nas prateleiras, que tem o t\u00edtulo de \u201cO Milagre Brasileiro\u201d, escrito por um cara chamado Shelton Davis, um cara que era consultor do Banco Mundial, que veio para o Brasil para supervisionar os financiamentos do Banco na abertura da Transamaz\u00f4nica e outros babados.<br>&nbsp;<br>Ele percebeu como o milagre brasileiro produzia mis\u00e9ria. \u00c9 mais ou menos como uma m\u00e1quina de moer coisas, ela vai jogando um produto processado de um lado e jogando o resto no fundo&nbsp;que ningu\u00e9m v\u00ea. O fundo que ningu\u00e9m v\u00ea \u00e9 a pobreza assustadora que cresceu tanto que a gente n\u00e3o consegue sair dessa.<\/p>\n\n\n\n<p>Edi\u00e7\u00e3o: Felipe Mendes<\/p>\n\n\n\n<p><br><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>No BDF Entrevista desta semana, ativista fala ainda sobre o Marco Temporal: &#8220;excresc\u00eancia jur\u00eddica&#8221;<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_exactmetrics_skip_tracking":false,"_exactmetrics_sitenote_active":false,"_exactmetrics_sitenote_note":"","_exactmetrics_sitenote_category":0,"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","enabled":false},"version":2}},"categories":[1],"tags":[306,700,701],"class_list":["post-33569","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-notas","tag-indigenas","tag-krenak","tag-titulo-de-eleitor"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p7wKYW-8Jr","jetpack-related-posts":[],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/33569","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=33569"}],"version-history":[{"count":1,"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/33569\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":33570,"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/33569\/revisions\/33570"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=33569"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=33569"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=33569"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}