{"id":33632,"date":"2022-04-27T18:58:20","date_gmt":"2022-04-27T22:58:20","guid":{"rendered":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/?p=33632"},"modified":"2022-04-27T18:58:25","modified_gmt":"2022-04-27T22:58:25","slug":"brasil-o-apetite-sem-fim-da-megaburguesia","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/2022\/04\/27\/brasil-o-apetite-sem-fim-da-megaburguesia\/","title":{"rendered":"Brasil: o apetite sem fim da megaburguesia"},"content":{"rendered":"\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1536\" height=\"864\" data-attachment-id=\"33633\" data-permalink=\"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/2022\/04\/27\/brasil-o-apetite-sem-fim-da-megaburguesia\/bc48dbb1-912a-4b4a-9c42-77841f24527f\/\" data-orig-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2022\/04\/BC48DBB1-912A-4B4A-9C42-77841F24527F.jpeg?fit=1536%2C864\" data-orig-size=\"1536,864\" data-comments-opened=\"0\" data-image-meta=\"{&quot;aperture&quot;:&quot;0&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;0&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;0&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;0&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0&quot;,&quot;title&quot;:&quot;&quot;,&quot;orientation&quot;:&quot;0&quot;}\" data-image-title=\"BC48DBB1-912A-4B4A-9C42-77841F24527F\" data-image-description=\"\" data-image-caption=\"\" data-medium-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2022\/04\/BC48DBB1-912A-4B4A-9C42-77841F24527F.jpeg?fit=300%2C169\" data-large-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2022\/04\/BC48DBB1-912A-4B4A-9C42-77841F24527F.jpeg?fit=600%2C338\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2022\/04\/BC48DBB1-912A-4B4A-9C42-77841F24527F.jpeg?fit=600%2C338\" alt=\"\" class=\"wp-image-33633\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2022\/04\/BC48DBB1-912A-4B4A-9C42-77841F24527F.jpeg?w=1536 1536w, https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2022\/04\/BC48DBB1-912A-4B4A-9C42-77841F24527F.jpeg?resize=300%2C169 300w, https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2022\/04\/BC48DBB1-912A-4B4A-9C42-77841F24527F.jpeg?resize=1024%2C576 1024w, https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2022\/04\/BC48DBB1-912A-4B4A-9C42-77841F24527F.jpeg?resize=768%2C432 768w, https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2022\/04\/BC48DBB1-912A-4B4A-9C42-77841F24527F.jpeg?resize=533%2C300 533w, https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2022\/04\/BC48DBB1-912A-4B4A-9C42-77841F24527F.jpeg?w=1200 1200w\" sizes=\"auto, (max-width: 600px) 100vw, 600px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p>Economista Eduardo Costa Pinto aponta: em meio ao empobrecimento dos trabalhadores e da classe m\u00e9dia, lucros das maiores empresas cresceram 22%. Redu\u00e7\u00e3o dos sal\u00e1rios \u00e9 o principal fator: elas desistiram da tecnologia e apostam na chibata.<\/p>\n\n\n\n<!--more-->\n\n\n\n<p>Por&nbsp;<strong>Tiago Pereira<\/strong>, na&nbsp;<em><a href=\"https:\/\/www.redebrasilatual.com.br\/\">Rede Brasil Atual<\/a><\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Mesmo ante o crescimento praticamente zero da economia brasileira nos \u00faltimos anos, o apetite da \u201cmegaburguesia\u201d do pa\u00eds \u00e9 cada vez maior. \u00c9 o que revela estudo produzido pelo professor de Economia Eduardo Costa Pinto, vice-diretor do Instituto de Economia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (IE-UFRJ). Desde 2016, com a chamada \u201cPonte para o Futuro\u201d do governo Temer, aprofundada por Bolsonaro, os lucros dessa parcela da popula\u00e7\u00e3o crescem a \u201ctaxas chinesas\u201d, afirma.<\/p>\n\n\n\n<p>Nesse per\u00edodo, no entanto, a economia brasileira vem andando praticamente de lado. Entre 2017 e 2019, o PIB variou entre 1,3% e 1,8%. Em 2020, primeiro ano da pandemia, veio o tombo de -3,9%, seguido de alta de 4,6%, no ano passado. Por outro lado, em 2021, a taxa de lucro das 240 maiores empresas de capital aberto cresceu 22%, quase cinco vezes mais que o PIB do pa\u00eds.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c0&nbsp;<strong>RBA<\/strong>, o professor explica que esse aumento dos ganhos da \u201cmegaburguesia\u201d tem rela\u00e7\u00e3o com diversos fatores. Ele cita a recente alta das&nbsp;<em>commodities&nbsp;<\/em>no mercado internacional, al\u00e9m de fus\u00f5es e aquisi\u00e7\u00f5es entre empresas, que v\u00eam concentrando ainda mais o mercado e reduzindo a concorr\u00eancia. Mas a redu\u00e7\u00e3o dos custos da m\u00e3o de obra \u00e9 o principal. Em outras palavras, conclui o pesquisador, o enriquecimento destes poucos \u00e9 efeito direto da \u201creforma\u201d trabalhista levada a cabo por Temer e aprofundada com Bolsonaro.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">M\u00faltiplas realidades<\/h3>\n\n\n\n<p>O primeiro gr\u00e1fico mostra a evolu\u00e7\u00e3o da taxa de lucro l\u00edquido das 240 maiores empresas de capital aberto, incluindo privadas e estatais (como a Petrobras). \u00c9 poss\u00edvel perceber que o salto nos lucros \u00e9 puxado principalmente pelas n\u00e3o financeiras, mais intensivas em m\u00e3o de obra. Por outro lado, o setor financeiro, por exemplo, \u00e9 praticamente imune \u00e0s condi\u00e7\u00f5es objetivas da economia, mantendo elevadas taxas de lucro em toda a \u00faltima d\u00e9cada. Enquanto que as empresas n\u00e3o financeiras amargaram resultado negativo, em 2015, por exemplo, os grandes bancos e gestoras de ativos avan\u00e7aram 15%.<\/p>\n\n\n\n<p>S\u00e3o Paulo \u2013 Mesmo ante o crescimento praticamente zero da economia brasileira nos \u00faltimos anos, o apetite da \u201cmegaburguesia\u201d do pa\u00eds \u00e9 cada vez maior. \u00c9 o que revela estudo produzido pelo professor de Economia Eduardo Costa Pinto, vice-diretor do Instituto de Economia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (IE-UFRJ). Desde 2016, com a chamada \u201cPonte para o Futuro\u201d do governo Temer, aprofundada por Bolsonaro, os lucros dessa parcela da popula\u00e7\u00e3o crescem a \u201ctaxas chinesas\u201d, afirma.<\/p>\n\n\n\n<p>Nesse per\u00edodo, no entanto, a economia brasileira vem andando praticamente de lado. Entre 2017 e 2019, o PIB variou entre 1,3% e 1,8%. Em 2020, primeiro ano da pandemia, veio o tombo de -3,9%, seguido de alta de 4,6%, no ano passado. Por outro lado, em 2021, a taxa de lucro das 240 maiores empresas de capital aberto cresceu 22%, quase cinco vezes mais que o PIB do pa\u00eds.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c0&nbsp;<strong>RBA<\/strong>, o professor explica que esse aumento dos ganhos da \u201cmegaburguesia\u201d tem rela\u00e7\u00e3o com diversos fatores. Ele cita a recente alta das&nbsp;<em>commodities&nbsp;<\/em>no mercado internacional, al\u00e9m de fus\u00f5es e aquisi\u00e7\u00f5es entre empresas, que v\u00eam concentrando ainda mais o mercado e reduzindo a concorr\u00eancia. Mas a redu\u00e7\u00e3o dos custos da m\u00e3o de obra \u00e9 o principal. Em outras palavras, conclui o pesquisador, o enriquecimento destes poucos \u00e9 efeito direto da \u201creforma\u201d trabalhista levada a cabo por Temer e aprofundada com Bolsonaro.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">M\u00faltiplas realidades<\/h3>\n\n\n\n<p>O primeiro gr\u00e1fico mostra a evolu\u00e7\u00e3o da taxa de lucro l\u00edquido das 240 maiores empresas de capital aberto, incluindo privadas e estatais (como a Petrobras). \u00c9 poss\u00edvel perceber que o salto nos lucros \u00e9 puxado principalmente pelas n\u00e3o financeiras, mais intensivas em m\u00e3o de obra. Por outro lado, o setor financeiro, por exemplo, \u00e9 praticamente imune \u00e0s condi\u00e7\u00f5es objetivas da economia, mantendo elevadas taxas de lucro em toda a \u00faltima d\u00e9cada. Enquanto que as empresas n\u00e3o financeiras amargaram resultado negativo, em 2015, por exemplo, os grandes bancos e gestoras de ativos avan\u00e7aram 15%.<\/p>\n\n\n\n<p>J\u00e1 o segundo gr\u00e1fico demonstra que, entre as maiores empresas do setor produtivo n\u00e3o financeiro, o crescimento nas taxas de lucro foi puxado principalmente pela ind\u00fastria de bens de consumo de dur\u00e1veis e n\u00e3o dur\u00e1veis, e pela ind\u00fastria de transforma\u00e7\u00e3o (m\u00e1quinas e equipamentos). Os grandes empres\u00e1rios do setor de servi\u00e7os (que inclui o com\u00e9rcio), por exemplo, registraram crescimento inferior nos \u00faltimos anos.<\/p>\n\n\n\n<p>Para Costa Pinto, o com\u00e9rcio e os servi\u00e7os tamb\u00e9m se beneficiaram da redu\u00e7\u00e3o nos custos da m\u00e3o de obra. Mas a redu\u00e7\u00e3o do poder de compra da maioria da popula\u00e7\u00e3o, principalmente entre as camadas mais pobres, j\u00e1 vem afetando os lucros desse setor, j\u00e1 que vem caindo sua receita. Por sua vez, os setores industriais vendem produtos de maior valor agregado, voltados principalmente para as classes m\u00e9dias. Assim, o aumento da concentra\u00e7\u00e3o de renda n\u00e3o chega a ser um empecilho, ao menos at\u00e9 aqui.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cQual o limite desse movimento de arrocho em cima do trabalhador? N\u00e3o d\u00e1 para ter muita certeza, porque o Brasil tem uma escala muito grande. Estamos falando do conjunto de 88 milh\u00f5es de ocupados. Mas se a gente olha os trabalhadores mais bem pagos, esses n\u00e3o necessariamente perderam renda. O que significa dizer que 30% da popula\u00e7\u00e3o ainda mant\u00e9m um padr\u00e3o de renda elevado.\u201d<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Gula<\/h3>\n\n\n\n<p>Costa Pinto destaca que, no ano passado, 88 milh\u00f5es de pessoas receberam R$ 822 bilh\u00f5es pela venda de sua for\u00e7a de trabalho, enquanto esse pequeno grupo de grandes empres\u00e1rios\/investidores tiveram R$ 218 bilh\u00f5es de dividendos. Cerca de um quarto dos ganhos totais de todo o conjunto dos trabalhadores. Al\u00e9m disso, o rendimento real m\u00e9dio do trabalhador&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.redebrasilatual.com.br\/economia\/2022\/02\/brasil-2021-mais-informalidade-queda-recorde-renda\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">caiu 7% em 2021<\/a>, na compara\u00e7\u00e3o com o ano anterior.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cSe os sal\u00e1rios ca\u00edram 7%, e o PIB cresceu 4,6%, quer dizer que necessariamente todo esse crescimento do PIB foi engolido pela megaburguesia\u201d, diz o professor. \u201cEsse pequeno grupo que opera no Brasil comeu praticamente o bolo todo. Na verdade, o que cresceu do bolo, eles comeram tudo. N\u00e3o \u00e9 um fator isolado, mas um dos elementos que explica isso \u00e9 a redu\u00e7\u00e3o dos custos, sobretudo os custos associados \u00e0 for\u00e7a de trabalho. \u00c9 uma das dimens\u00f5es daquilo que eu chamo de butim.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>O termo \u00e9 usado pelo economista para identificar o avan\u00e7o dos interesses do capital sobre os direitos dos trabalhadores e do patrim\u00f4nio p\u00fablico, desde o golpe do impeachment de 2016, como forma de ampliar ganhos, estrat\u00e9gia que inclui as privatiza\u00e7\u00f5es de estatais.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Estrangulamento<\/h3>\n\n\n\n<p>Pesquisa recentemente publicada pela Confedera\u00e7\u00e3o Nacional da Ind\u00fastria (CNI) revelou que 25,5% dos entrevistados est\u00e3o preocupados com a&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.redebrasilatual.com.br\/economia\/2022\/04\/queda-no-consumo-e-alta-dos-juros-preocupam-empresarios-da-industria\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">queda no consumo<\/a>. O estudo ouviu 1.842 representantes do setor \u2013 incluindo n\u00e3o s\u00f3 a \u201cmegaburguesia\u201d empresarial, mas tamb\u00e9m m\u00e9dios e pequenos industriais.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cMinha impress\u00e3o \u00e9 que a pequena e m\u00e9dia burguesia ficaram com migalhas desse bolo\u201d. Ali\u00e1s, segundo o economista, o \u201cbolo est\u00e1 sendo \u201cespremido\u201d pelas grandes empresas, que t\u00eam maior capacidade financeira e controlam a maior parte do mercado.<\/p>\n\n\n\n<p>Por\u00e9m, mesmo com os sinais de estrangulamento da economia, n\u00e3o est\u00e3o dispostos a aceitar a restaura\u00e7\u00e3o dos direitos trabalhistas, que possibilite a recupera\u00e7\u00e3o do mercado consumidor. Isso porque foi justamente a redu\u00e7\u00e3o dos custos da m\u00e3o de obra que possibilitou essas \u201cmigalhas\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cEsse pessoal n\u00e3o vai querer aumentar os sal\u00e1rios\u201d, afirma ainda o pesquisador. \u201c\u00c9 contradit\u00f3rio e dial\u00e9tico. Se eu der um sal\u00e1rio maior, vai comprimir a migalha que eu ganhei. Eles receberam essa migalha, mas est\u00e1 sendo espremida pela megaburguesia, que ficou com o bolo quase inteiro. A redu\u00e7\u00e3o do custo de trabalho serviu para todo mundo, mas com impactos diferentes.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>Para Costa Pinto, os pequenos e m\u00e9dios empres\u00e1rios tomaram um esp\u00e9cie de \u201cboa noite, Cinderela\u201d, ao compactuar com as propostas defendidas pelos grandes. \u201cVai ser dif\u00edcil esse pessoal acordar. Porque, ao mesmo tempo, eles est\u00e3o imprensados. Para aumentar a sua migalha, a economia teria que crescer. Mas n\u00e3o vai crescer, dado o tipo de pol\u00edtica atual\u201d.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Aumento da explora\u00e7\u00e3o<\/h3>\n\n\n\n<p>O economista destaca que o governo Dilma tentou favorecer o aumento da produtividade para o setor industrial brasileiro. A redu\u00e7\u00e3o dos custos de energia e das taxas de juros, al\u00e9m das desonera\u00e7\u00f5es para diversos setores, foram apostas nesse sentido. Por outro lado, tentou manter tamb\u00e9m a pol\u00edtica de valoriza\u00e7\u00e3o dos sal\u00e1rios. No entanto, as taxas de lucro da \u201cmegaburguesia\u201d continuou declinando, entre 2010 e 2015.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cEnt\u00e3o eles passaram a defender a redu\u00e7\u00e3o dos custos do trabalho. Para mim est\u00e1 cada vez mais claro. Essa \u00e9 a \u201cPonte para o Futuro\u201d. E eles foram exitosos. Quem sobreviveu, voltou a ter margem de lucro elevada\u201d, di o professor. Ele afirma que, diante da recente concorr\u00eancia chinesa, o setor industrial brasileiro resolveu apostar na \u201cchibata\u201d. \u201cEles desistiram de concorrer via tecnologia, basicamente. Como \u00e9 que iriam concorrer ent\u00e3o? Com a chibata, com o aumento da mais-valia absoluta, e n\u00e3o com ganhos de produtividade. \u00c9 a ditadura da mais-valia absoluta.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>Assim, Costa Pinto prev\u00ea \u201cenormes tens\u00f5es\u201d, caso o ex-presidente Luiz In\u00e1cio Lula da Silva ganhe as pr\u00f3ximas elei\u00e7\u00f5es. Isso porque os diversos setores da burguesia n\u00e3o v\u00e3o aceitar, de bom grado, a<a href=\"https:\/\/www.redebrasilatual.com.br\/politica\/2022\/04\/ninguem-quer-volta-do-passado-queremos-construir-uma-relacao-de-trabalho-moderna-diz-lula\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">&nbsp;revoga\u00e7\u00e3o da \u201creforma\u201d trabalhista<\/a>, poss\u00edvel proposta do programa petista. Assim ele acredita que principalmente a \u201cmegaburguesia\u201d deve manter o apoio pol\u00edtico a Bolsonaro.<\/p>\n\n\n\n<p>Para esse grupo, o melhor dos cen\u00e1rios seria a vit\u00f3ria improv\u00e1vel da chamada \u201cterceira via\u201d, segundo o economista. Assim teriam preservado esse novo padr\u00e3o de acumula\u00e7\u00e3o decorrente da Ponte para o Futuro, que garantiu o aumento dos lucros. Outros ainda cultivam a ilus\u00e3o de que o candidato do PT poderia manter esse modelo, ao contr\u00e1rio do que vem sinalizando o ex-presidente. \u201cArrisco dizer que o Lula vai tentar revogar tudo isso. Se vai conseguir, \u00e9 outra coisa.\u201d Na avalia\u00e7\u00e3o de Costa Pinto, n\u00e3o se trata apenas de quest\u00e3o meramente ideol\u00f3gica. Os pr\u00f3prios limites desse modelo, que beneficia apenas um pequeno grupo, em detrimento da maioria, apontam para a necessidade de supera\u00e7\u00e3o para que o pa\u00eds possa voltar a crescer.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Economista Eduardo Costa Pinto aponta: em meio ao empobrecimento dos trabalhadores e da classe m\u00e9dia, lucros das maiores empresas cresceram 22%. 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