{"id":33742,"date":"2022-05-27T12:37:46","date_gmt":"2022-05-27T16:37:46","guid":{"rendered":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/?p=33742"},"modified":"2022-05-27T12:37:50","modified_gmt":"2022-05-27T16:37:50","slug":"nise-da-silveira-quem-foi-a-psiquiatra-que-teve-homenagem-vetada-por-bolsonaro","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/2022\/05\/27\/nise-da-silveira-quem-foi-a-psiquiatra-que-teve-homenagem-vetada-por-bolsonaro\/","title":{"rendered":"Nise da Silveira: quem foi a psiquiatra que teve homenagem vetada por Bolsonaro"},"content":{"rendered":"\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"600\" height=\"357\" data-attachment-id=\"33743\" data-permalink=\"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/2022\/05\/27\/nise-da-silveira-quem-foi-a-psiquiatra-que-teve-homenagem-vetada-por-bolsonaro\/e8ef367d-fbd5-4a93-b68f-2792ff00e0f2\/\" data-orig-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/E8EF367D-FBD5-4A93-B68F-2792FF00E0F2.jpeg?fit=757%2C450\" data-orig-size=\"757,450\" data-comments-opened=\"0\" data-image-meta=\"{&quot;aperture&quot;:&quot;0&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;0&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;0&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;0&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0&quot;,&quot;title&quot;:&quot;&quot;,&quot;orientation&quot;:&quot;0&quot;}\" data-image-title=\"E8EF367D-FBD5-4A93-B68F-2792FF00E0F2\" data-image-description=\"\" data-image-caption=\"\" data-medium-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/E8EF367D-FBD5-4A93-B68F-2792FF00E0F2.jpeg?fit=300%2C178\" data-large-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/E8EF367D-FBD5-4A93-B68F-2792FF00E0F2.jpeg?fit=600%2C357\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/E8EF367D-FBD5-4A93-B68F-2792FF00E0F2.jpeg?resize=600%2C357\" alt=\"\" class=\"wp-image-33743\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/E8EF367D-FBD5-4A93-B68F-2792FF00E0F2.jpeg?w=757 757w, https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/E8EF367D-FBD5-4A93-B68F-2792FF00E0F2.jpeg?resize=300%2C178 300w, https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/E8EF367D-FBD5-4A93-B68F-2792FF00E0F2.jpeg?resize=505%2C300 505w\" sizes=\"auto, (max-width: 600px) 100vw, 600px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p>Edison Veiga, De Bled (Eslov\u00eania) para a BBC News Brasil &#8211; Em 1951, o poeta Ferreira Gullar (1930-2016) conheceu o trabalho da psiquiatra brasileira Nise da Silveira (1905-1999). Por meio de amigos em comum, ele soube que ela fazia um interessante \u2014 e, na \u00e9poca, bastante inovador \u2014 trabalho de terapia por meio da arte com os pacientes internados no Centro Psiqui\u00e1trico Nacional Pedro II, no Engenho de Dentro, no Rio de Janeiro.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<!--more-->\n\n\n\n<p>Silveira dirigia a se\u00e7\u00e3o de terapia ocupacional da institui\u00e7\u00e3o desde 1946 \u2014 cargo que ela conservaria at\u00e9 1974. Sua bandeira, desde o in\u00edcio, primava pelo combate a t\u00e9cnicas agressivas no tratamento de pessoas com doen\u00e7as mentais, como o uso inadequado de eletroconvulsoterapia (conhecida popularmente como eletrochoque), camisas de for\u00e7a, lobotomia, insulinoterapia e confinamento.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Em lugar desses m\u00e9todos, ent\u00e3o praxe na \u00e9poca, ela preconizava um tratamento baseado na arte. A m\u00e9dica reinventou o pr\u00f3prio departamento de terapia ocupacional, antes um espa\u00e7o que servia para delegar aos pacientes tarefas de limpeza e manuten\u00e7\u00e3o da institui\u00e7\u00e3o. Sob o comando dela, foram criados ateli\u00eas de pintura e modelagem.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;A Nise foi uma pessoa extremamente importante na psiquiatria. Foi aluna do [psiquiatra su\u00ed\u00e7o] Carl Jung, teve contato com ele e foi pioneira daquilo que a gente poderia chamar hoje de luta antimanicomial, na \u00e9poca n\u00e3o existia esse termo&#8221;, avalia \u00e0 BBC News Brasil o psic\u00f3logo e psicoterapeuta Ari Rehfeld, professor na Pontif\u00edcia Universidade Cat\u00f3lica de S\u00e3o Paulo (PUC-SP). &#8220;Ela fez um trabalho maravilhoso e pioneiro na terapia ocupacional e sua influ\u00eancia est\u00e1 hoje tanto na psiquiatria como na psicologia.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Seu trabalho mudou os tratamentos psiqui\u00e1tricos, substituindo m\u00e9todos pouco eficientes e extremamente agressivos para os pacientes com transtornos mentais&#8221;, prossegue Rehfeld.<\/p>\n\n\n\n<p>O psiquiatra Paulo Amarante, presidente honor\u00e1rio da Associa\u00e7\u00e3o Brasileira de Sa\u00fade Mental e pesquisador da Funda\u00e7\u00e3o Oswaldo Cruz (Fiocruz), ressalta que &#8220;Nise foi uma psiquiatra que questionou os m\u00e9todos invasivos, violentos e ineficazes da psiquiatria&#8221;. &#8220;Ao se recusar aplicar a eletroconvulsoterapia [ECT], abriu um precedente singular na psiquiatria ortodoxa&#8221;, diz ele, \u00e0 BBC News Brasil.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"Tratamento-pela-arte\">Tratamento pela arte<\/h2>\n\n\n\n<p>A psiquiatra acreditava que a arte servia para que os doentes conseguissem ressignificar suas conex\u00f5es com a realidade. Ela defendia que isso era poss\u00edvel por meio de suas express\u00f5es criativas e simb\u00f3licas.<\/p>\n\n\n\n<p>Ferreira Gullar nunca deixou de acompanhar, com fasc\u00ednio, a trajet\u00f3ria da m\u00e9dica, que acabou se convertendo em amiga. Em 1996 ele publicou, em livro, uma longa conversa com ela. A obra se chama&nbsp;<em>Nise da Silveira &#8211; Uma Psiquiatra Rebelde<\/em>. O poeta tamb\u00e9m dedicou ao tema algumas de suas colunas no jornal Folha de S. Paulo.<\/p>\n\n\n\n<p>Em outubro de 2006, por exemplo, ele contou a hist\u00f3ria de um &#8220;paciente magrinho chamado Emydgio&#8221; que, no ateli\u00ea de pintura do manic\u00f4mio, destacou-se pela produ\u00e7\u00e3o. &#8220;Um dia, pr\u00f3ximo ao Natal, Nise perguntou a Emygdio que presente gostaria de ganhar e ele respondeu: &#8216;Um guarda-chuva&#8217;. Ela concluiu que ele desejava ir embora&#8221;, narrou Gullar.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img data-recalc-dims=\"1\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/ichef.bbci.co.uk\/news\/640\/cpsprodpb\/11FC4\/production\/_95186637_nise.jpg?w=600&#038;ssl=1\" alt=\"Nise da Silveira\"\/><figcaption>Legenda da foto,&nbsp;Nise foi ativista da luta antimanicomial<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>A psiquiatra, que respeitava as liberdades dos seus pacientes, ajudou a organizar uma exposi\u00e7\u00e3o para venda dos quadros do ent\u00e3o artista. Ele se mudou para a casa de parentes. &#8220;Muitos anos se passaram at\u00e9 que, certa tarde, Emygdio reapareceu, no Centro Psiqui\u00e1trico Nacional, de maleta e guarda-chuva, e informou a dra. Nise que queria reinternar-se para voltar a pintar&#8221;, prossegue o texto. &#8220;E ali ficou, pintando, at\u00e9 completar 80 anos, quando, por lei, teve que\u00a0deixar o hospital. A dra. Nise conseguiu intern\u00e1-lo num asilo de velhos, onde concluiu sua exist\u00eancia vivida fora da Hist\u00f3ria. \u00c9 certo, por\u00e9m, que gra\u00e7as a ele, h\u00e1 hoje no universo, al\u00e9m de planetas e gal\u00e1xias, alguns quadros e guaches de espantosa beleza.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Ela foi uma das pioneiras na utiliza\u00e7\u00e3o da arte como terapia e estrat\u00e9gia de emancipa\u00e7\u00e3o da pessoa em sofrimento ps\u00edquico e foi fundamental na cria\u00e7\u00e3o de um movimento cr\u00edtico no campo da sa\u00fade mental&#8221;, complementa Amarante.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>O legado de Nise da Silveira, a m\u00e9dica que teve a homenagem nacional vetada pelo presidente Jair Bolsonaro, pode ser dividido em duas partes: a import\u00e2ncia para o atendimento psiqui\u00e1trico; e a import\u00e2ncia para as artes.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>M<\/strong><strong>ilit\u00e2ncia comunista<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Nascida em Macei\u00f3, Silveira tinha um pai professor de matem\u00e1tica e jornalista e uma m\u00e3e pianista. Estudou em um col\u00e9gio de freiras exclusivo para meninas e, nos anos 1920, graduou-se na Faculdade de Medicina da Bahia. Era a \u00fanica mulher em uma turma de mais de 150 homens.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>J\u00e1 casada com o m\u00e9dico sanitarista M\u00e1rio Magalh\u00e3es da Silveira (1905-1986), mudou-se para o Rio em 1927.<\/p>\n\n\n\n<p>Nos anos 1930 come\u00e7ou a estudar psiquiatria. Depois de especializar-se em sa\u00fade mental, passou em concurso p\u00fablico e come\u00e7ou a trabalhar no Servi\u00e7o de Assist\u00eancia a Psicopatas e Profilaxia Mental do Hospital da Praia Vermelha.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Mas esse come\u00e7o de carreira na \u00e1rea sofreu uma interrup\u00e7\u00e3o. Porque foi na mesma \u00e9poca que ela passou a se interessar por arte e literatura e, simultaneamente, engajar-se politicamente. Tornou-se militante do Partido Comunista Brasileiro e, denunciada por uma enfermeira, acabou presa por &#8220;posse de livros marxistas&#8221;. Foram 18 meses no pres\u00eddio Frei Caneca, onde conviveu com o escritor Graciliano Ramos (1892-1953) \u2014 tamb\u00e9m detido ali \u2014 e isso acabou fazendo dela uma personagem do livro&nbsp;<em>Mem\u00f3rias do C\u00e1rcere<\/em>.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;A figura de Nise entrara-me fundo no esp\u00edrito. Apesar de havermos ficado momentos dif\u00edceis um diante do outro, confusos, aturdidos, em v\u00e3o buscando uma palavra, aquela fisionomia doce e triste, a revelar intelig\u00eancia e bondade, impressionava-me&#8221;, diz um dos trechos do livro. &#8220;N\u00e3o me arriscaria a dirigir-me a ela. Se isto acontecesse, emudecer\u00edamos outra vez, permanecer\u00edamos no constrangimento horr\u00edvel, a catar ideias incompletas e espalhadas. Contentava-me perceber-lhe \u00e0 dist\u00e2ncia a palidez, o sossego fatigado, a viveza dos enormes bugalhos.&#8221;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>No livro, h\u00e1 41 men\u00e7\u00f5es ao nome dela.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"Pintura-e-modelagem\">Pintura e modelagem<\/h2>\n\n\n\n<p>O retorno ao servi\u00e7o p\u00fablico s\u00f3 se daria nos anos 1940. Em 1944, ela assumiu a coordena\u00e7\u00e3o dos trabalhos de terapia ocupacional do Centro Psiqui\u00e1trico Nacional Pedro II. E sua atividade acabou revolucionando a maneira como esses pacientes s\u00e3o tratados no mundo.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img data-recalc-dims=\"1\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/ichef.bbci.co.uk\/news\/640\/cpsprodpb\/F504\/production\/_124942726_mi_18862482458292716.jpg?w=600&#038;ssl=1\" alt=\"Gloria Pires e Fabricio Boliveira em cena de cinebiografia de Nise da Silveira\"\/><figcaption>Legenda da foto,&nbsp;Atriz Gl\u00f3ria Pires interpretou Nise em cinebiografia da psiquiatra &#8216;Nise &#8211; O Cora\u00e7\u00e3o da Loucura&#8217;; ao lado, o ator Fabr\u00edcio Boliveira interpreta um de seus pacientes<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>&#8220;O exerc\u00edcio de m\u00faltiplas atividades ocupacionais revelava, por inumer\u00e1veis ind\u00edcios, que o mundo interno do psic\u00f3tico encerra insuspeitadas riquezas e as conserva mesmo depois de longos anos de doen\u00e7a, contrariando conceitos estabelecidos&#8221;, escreveu ela, sobre esse trabalho, no livro &#8216;Imagens do Inconsciente&#8217;. &#8220;E, dentre as diversas atividades praticadas na nossa terap\u00eautica ocupacional, aquelas que permitiam menos dif\u00edcil acesso aos enigm\u00e1ticos fen\u00f4menos internos eram desenho, pintura, modelagem, feitos livremente.&#8221;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Rehfeld explica que era um trabalho &#8220;muito ligado \u00e0 costura e \u00e0 pintura&#8221;, que resultava tamb\u00e9m em exposi\u00e7\u00f5es. &#8220;N\u00e3o foi coisa de um, dois, tr\u00eas anos. Foi uma vida inteira dedicada a esse tipo de trabalho que se mostrou efetivamente muito eficiente como express\u00e3o no tratamento de sa\u00fade mental&#8221;, explica o professor.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Sua atua\u00e7\u00e3o terap\u00eautica n\u00e3o ficou circunscrita ao Centro Psiqui\u00e1trico Nacional. Em 1956, ela fundou a Casa das Palmeiras, uma cl\u00ednica destinada a reabilitar antigos pacientes de institui\u00e7\u00f5es psiqui\u00e1tricas \u2014 muitas vezes com sequelas devido aos maus tratos recebidos. Sua ideia era reabilit\u00e1-los para que eles fizessem uma transi\u00e7\u00e3o entre o per\u00edodo de interna\u00e7\u00e3o e a reintegra\u00e7\u00e3o social.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Nise da Silveira tamb\u00e9m foi uma pioneira no uso de animais para tratamento de doentes mentais, encarando os bichos como fundamentais para o refor\u00e7o das rela\u00e7\u00f5es emocionais e tamb\u00e9m para fortalecer senso de responsabilidade. Sobre isso, ela escreveu o livro &#8216;Gatos: A Emo\u00e7\u00e3o de Lidar&#8217;.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Ela possu\u00eda uma s\u00e9rie de animais e os deixava sempre em contato com os pacientes, que podiam se relacionar e cuidar deles&#8221;, completa Rehfeld.<\/p>\n\n\n\n<p>A psiquiatra foi uma das pioneiras na difus\u00e3o da psicologia junguiana no Brasil \u2014 ela chegou a estudar no instituto fundado pelo psiquiatra su\u00ed\u00e7o Carl Gustav Jung (1875-1961) em dois per\u00edodos. A partir dos anos 1950, correspondeu-se intensamente com Jung e foi \u00e0 convite dele que realizou uma mostra com as obras feitas por seus pacientes em um congresso internacional realizado em Zurique, na Su\u00ed\u00e7a, em 1957.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>At\u00e9 mesmo os edif\u00edcios dos hospitais psiqui\u00e1tricos foram alvo de preocupa\u00e7\u00f5es da m\u00e9dica. &#8220;A aus\u00eancia de interesse da psiquiatria pelos problemas do espa\u00e7o revela-se na arquitetura hospitalar. \u00c9 uma arquitetura fria, r\u00edgida&#8221;, argumentou, tamb\u00e9m no livro &#8216;Imagens do Inconsciente&#8217;. &#8220;D\u00e1 suporte e refor\u00e7o ao medo, ao sentimento de estar isolado de tudo.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"Import\u00e2ncia-para-a-arte\">Import\u00e2ncia para a arte<\/h2>\n\n\n\n<p>Seu legado art\u00edstico \u00e9 um efeito colateral da medicina psiqui\u00e1trica por ela aplicada. Em 1952, Nise da Silveira fundou no Rio de Janeiro o Museu de Imagens do Inconsciente, uma institui\u00e7\u00e3o dedicada a estudos, pesquisa e preserva\u00e7\u00e3o dos trabalhos produzidos nos ateli\u00eas frequentados por seus pacientes.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>A institui\u00e7\u00e3o abriga hoje um acervo de cerca de 350 mil obras produzidas por artistas-pacientes. Entre os principais nomes est\u00e3o Emygdio de Barros (o Emygdio citado por Ferreira Gullar), Oct\u00e1vio In\u00e1cio, Adelina Gomes e Carlos Pertuis.<\/p>\n\n\n\n<p>Em seu livro&nbsp;<em>Imagens do Inconsciente<\/em>, a pr\u00f3pria Silveira analisa detidamente 272 ilustra\u00e7\u00f5es produzidas por seus pacientes.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"Homenagens-\">Homenagens&nbsp;<\/h2>\n\n\n\n<p>Apesar de ter tido a inscri\u00e7\u00e3o de seu nome no livro dos Her\u00f3is e Hero\u00ednas da P\u00e1tria vetada pelo presidente Jair Bolsonaro, n\u00e3o faltam reconhecimentos nacionais e internacionais \u00e0 carreira de Nise da Silveira.<\/p>\n\n\n\n<p>O centro psiqui\u00e1trico onde ela trabalhou, por exemplo, hoje \u00e9 chamado de Instituto Municipal de Assist\u00eancia \u00e0 Sa\u00fade Nise da Silveira. H\u00e1 institui\u00e7\u00f5es inspiradas no trabalho dela \u2014 algumas nomeadas em homenagem a ela \u2014 em Portugal, na Fran\u00e7a e na It\u00e1lia, al\u00e9m de cidades brasileiras como Juiz de Fora, Recife, Porto Alegre e Salvador, entre outros.<\/p>\n\n\n\n<p>Em 1987 ela foi reconhecida com o grau de oficial da Ordem de Rio Branco. Em 1992, a Associa\u00e7\u00e3o Brasileira de Cr\u00edticos de Arte concedeu a ela o t\u00edtulo de personalidade do ano. Ela tamb\u00e9m recebeu a Medalha Chico Mendes do grupo Tortura Nunca Mais e a Ordem Nacional do M\u00e9rito Educativo, do Minist\u00e9rio da Educa\u00e7\u00e3o, em 1993.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Sobre o veto de Bolsonaro, Rehfeld afirma ser &#8220;lament\u00e1vel&#8221; que sejam &#8220;detratadas com muita facilidade personagens muito importantes&#8221;. &#8220;A gente perde um pouco da nossa hist\u00f3ria. O trabalho de Nise \u00e9 reconhecido mundialmente, a\u00ed uma ignor\u00e2ncia e um partidarismo pouco defens\u00e1vel, porque ela militou na esquerda, fazem tirar dela a possibilidade de receber um pr\u00eamio&#8221;, pontua.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;\u00c9 um absurdo. Mostra uma tend\u00eancia de termos muito pouco apre\u00e7o \u00e0 nossa hist\u00f3ria e n\u00e3o cuidarmos de grandes exemplos que temos e que poderiam continuar a influenciar o pa\u00eds&#8221;, conclui o professor.<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Edison Veiga, De Bled (Eslov\u00eania) para a BBC News Brasil &#8211; Em 1951, o poeta Ferreira Gullar (1930-2016) conheceu o trabalho da psiquiatra brasileira Nise da Silveira (1905-1999). 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