{"id":33869,"date":"2022-06-22T06:33:29","date_gmt":"2022-06-22T10:33:29","guid":{"rendered":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/?p=33869"},"modified":"2022-06-22T06:33:34","modified_gmt":"2022-06-22T10:33:34","slug":"banditismo-necropolitica-e-lucro-a-qualquer-custo-a-amazonia-virou-uma-terra-sem-lei","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/2022\/06\/22\/banditismo-necropolitica-e-lucro-a-qualquer-custo-a-amazonia-virou-uma-terra-sem-lei\/","title":{"rendered":"Banditismo, necropol\u00edtica e lucro a qualquer custo: a Amaz\u00f4nia virou uma terra sem lei?"},"content":{"rendered":"\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"600\" height=\"400\" data-attachment-id=\"33870\" data-permalink=\"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/2022\/06\/22\/banditismo-necropolitica-e-lucro-a-qualquer-custo-a-amazonia-virou-uma-terra-sem-lei\/5b700ab6-f03e-4f24-a752-bfcd7edac5ae\/\" data-orig-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/5B700AB6-F03E-4F24-A752-BFCD7EDAC5AE.jpeg?fit=700%2C467\" data-orig-size=\"700,467\" data-comments-opened=\"0\" data-image-meta=\"{&quot;aperture&quot;:&quot;0&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;0&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;0&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;0&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0&quot;,&quot;title&quot;:&quot;&quot;,&quot;orientation&quot;:&quot;0&quot;}\" data-image-title=\"5B700AB6-F03E-4F24-A752-BFCD7EDAC5AE\" data-image-description=\"\" data-image-caption=\"\" data-medium-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/5B700AB6-F03E-4F24-A752-BFCD7EDAC5AE.jpeg?fit=300%2C200\" data-large-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/5B700AB6-F03E-4F24-A752-BFCD7EDAC5AE.jpeg?fit=600%2C400\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/5B700AB6-F03E-4F24-A752-BFCD7EDAC5AE.jpeg?resize=600%2C400\" alt=\"\" class=\"wp-image-33870\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/5B700AB6-F03E-4F24-A752-BFCD7EDAC5AE.jpeg?w=700 700w, https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/5B700AB6-F03E-4F24-A752-BFCD7EDAC5AE.jpeg?resize=300%2C200 300w, https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/5B700AB6-F03E-4F24-A752-BFCD7EDAC5AE.jpeg?resize=450%2C300 450w\" sizes=\"auto, (max-width: 600px) 100vw, 600px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\">Criminosos ambientais capturaram o estado e desmontam pol\u00edticas cuidadosamente constru\u00eddas ao longo de d\u00e9cadas<\/h4>\n\n\n\n<!--more-->\n\n\n\n<p>Murilo Pajolla\u00a0&#8211; Brasil de Fato | L\u00e1brea (AM) |<\/p>\n\n\n\n<p>As mortes de Bruno Pereira e Dom Phillips silenciaram vozes que denunciavam a captura da Amaz\u00f4nia por criminosos ambientais. Mas o Vale do Javari (AM), onde eles desapareceram, \u00e9 apenas uma parte&nbsp;do bioma onde o&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.brasildefato.com.br\/2022\/06\/21\/retorica-do-governo-bolsonaro-desumaniza-jornalistas-diz-patricia-campos-mello\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">clima de anistia<\/a>&nbsp;e o desmonte da fiscaliza\u00e7\u00e3o s\u00e3o quase generalizados.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Toda a&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.brasildefato.com.br\/2022\/06\/21\/relatorios-da-univaja-contrariam-pf-e-revelam-atuacao-de-saqueadores-profissionais-no-javari\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Amaz\u00f4nia se consolidou<\/a>&nbsp;como regi\u00e3o estrat\u00e9gica para o tr\u00e1fico internacional de drogas. A proximidade com os maiores produtores mundiais de coca\u00edna &#8211; Col\u00f4mbia e Peru &#8211; transformou a bacia amaz\u00f4nica em rota de escoamento de drogas que chegam \u00e0 Europa e aos Estados Unidos, al\u00e9m de abastecer o mercado interno.<\/p>\n\n\n\n<p>O garimpo, a ca\u00e7a e a pesca ilegais, junto com a grilagem e a extra\u00e7\u00e3o irregular de madeira, tornaram-se op\u00e7\u00f5es seguras para fac\u00e7\u00f5es que atuam no com\u00e9rcio e transporte de drogas pela tr\u00edplice fronteira. A Pol\u00edcia Federal aponta&nbsp;que essas organiza\u00e7\u00f5es&nbsp;encontraram no crime ambiental um m\u00e9todo para lavar dinheiro.<\/p>\n\n\n\n<p>Diante desse cen\u00e1rio, parece natural&nbsp;usar a express\u00e3o \u201cterra sem lei\u201d para caracterizar o estado atual de coisas na maior floresta tropical do mundo. Mas estudiosos insistem que \u00e9 s\u00f3 a&nbsp;etapa mais recente de um violento processo de explora\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica que come\u00e7ou na&nbsp;coloniza\u00e7\u00e3o.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Omiss\u00e3o ou projeto?<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cO que est\u00e1 acontecendo na Amaz\u00f4nia n\u00e3o \u00e9&nbsp;omiss\u00e3o, \u00e9 projeto\u201d, garante o ge\u00f3grafo e pesquisador do F\u00f3rum Brasileiro de Seguran\u00e7a P\u00fablica Aiala Couto.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Ele aponta que o avan\u00e7o de&nbsp;atividades predat\u00f3rias sobre popula\u00e7\u00f5es ind\u00edgenas e ribeirinhas \u00e9 legitimado por um modelo de desenvolvimento que enxerga \u00e1reas protegidas como fontes inexploradas de lucro. Uma concep\u00e7\u00e3o&nbsp;presente nos setores dominantes no Estado e na sociedade e&nbsp;que entende&nbsp;como atraso o uso sustent\u00e1vel dos recursos naturais.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cO desenho atual para a regi\u00e3o amaz\u00f4nica \u00e9 um desenho neoliberal na sua ess\u00eancia. \u00c9 uma ideia de projeto civilizat\u00f3rio que se d\u00e1 mediante \u00e0 ideia de modernidade&#8221;,&nbsp;explica Couto, que leciona na Universidade do Estado do Par\u00e1 (UEPA).<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Essa modernidade&nbsp;\u00e9 trazer aquilo que d\u00e1 condi\u00e7\u00f5es para acumula\u00e7\u00e3o de capital. E tudo aquilo que resiste a essa acumula\u00e7\u00e3o \u00e9 tido como atrasado\u201d, prossegue.<\/p>\n\n\n\n<p>Para Couto, o modelo de desenvolvimento que abriu as portas da Amaz\u00f4nia aos saqueadores de recursos naturais tem como contrapartida um estado m\u00ednimo&nbsp;que nega suas obriga\u00e7\u00f5es constitucionais de proteger os ind\u00edgenas e suas terras.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>\u201c\u00c9 um projeto, inclusive, necropol\u00edtico. \u00c9&nbsp;uma pol\u00edtica de morte, n\u00e3o s\u00f3 dos povos da floresta, mas tamb\u00e9m da pr\u00f3pria floresta. Porque quando se destr\u00f3i a natureza, h\u00e1 tamb\u00e9m uma morte simb\u00f3lica. Uma morte cultural e espiritual desses povos que dependem dessa floresta\u201d,&nbsp;explica Couto.<\/p>\n\n\n\n<p>Terra sem lei?<\/p>\n\n\n\n<p>Em meio a disputas econ\u00f4micas sem qualquer tipo de media\u00e7\u00e3o, crescem relatos de banditismo e viol\u00eancia, principalmente contra ind\u00edgenas e ribeirinhos. S\u00f3 o garimpo ilegal, que ocorre principalmente na Amaz\u00f4nia, provocou 90% das mortes por conflitos no campo em 2021, segundo a Comiss\u00e3o Pastoral da Terra (CPT).&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>O \u00f3rg\u00e3o de direitos humanos tamb\u00e9m aponta que, no ano passado, 97% das \u00e1reas de disputas por terras no Brasil estavam no bioma, que registrou 80% dos assassinatos em casos de viol\u00eancia agr\u00e1ria.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Para a antrop\u00f3loga Lu\u00edsa Molina, as estat\u00edsticas alarmantes n\u00e3o podem ser explicadas apenas com a ideia de um Estado ausente. Ela prefere enfatizar&nbsp;a captura pelo crime ambiental dos \u00f3rg\u00e3os que deveriam fiscalizar e promover direitos.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cDizer que a Amaz\u00f4nia \u00e9 uma terra sem lei \u00e9 refor\u00e7ar uma ideia que vai na contram\u00e3o das den\u00fancias feitas sistematicamente pelas pessoas que est\u00e3o tentando proteg\u00ea-la\u201d, problematiza Lu\u00edsa Molina.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cAo repetir isso, constru\u00edmos uma dist\u00e2ncia ainda maior entre as pessoas da regi\u00e3o e o restante da popula\u00e7\u00e3o brasileira. E, com isso, a gente afasta do debate o principal problema que \u00e9: quais mecanismos permitem que o crime organizado avance sobre as \u00e1reas protegidas no Brasil?\u201d, complementa a pesquisadora, que&nbsp;acompanha os impactos do garimpo no povo Munduruku, no Par\u00e1.<\/p>\n\n\n\n<p>Um s\u00edmbolo desse avan\u00e7o est\u00e1 na Terra Ind\u00edgena Yanomami. O garimpo ilegal tomou para si a pista de pouso de um posto de sa\u00fade na comunidade Homoxi. A unidade deixou de atender 615 ind\u00edgenas e se converteu em uma base a\u00e9rea de garimpeiros.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cVemos que h\u00e1 a invers\u00e3o do prop\u00f3sito de estruturas montadas para atendimento dessa popula\u00e7\u00f5es. H\u00e1 o esvaziamento e o desmonte das pol\u00edticas indigenista e ambiental e a tomada de \u00f3rg\u00e3os como a Funai em um processo brutal de aparelhamento\u201d, destaca a antrop\u00f3loga.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>O \u00f3rg\u00e3o que deveria zelar pelos ind\u00edgenas foi invadido por militares, mission\u00e1rios e latifundi\u00e1rios, segundo um&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.brasildefato.com.br\/2022\/06\/14\/dossie-inedito-revela-como-bolsonaro-transformou-a-funai-em-um-orgao-anti-indigena\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">dossi\u00ea<\/a>&nbsp;produzido com a participa\u00e7\u00e3o de servidores. Por isso Bruno Pereira se licenciou da Funai, antes de ser morto cumprindo um dever que seria do Estado.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cToda a pol\u00edtica t\u00e3o cuidadosamente tecida para prote\u00e7\u00e3o dos povos ind\u00edgenas \u00e9 subvertida&nbsp;justamente para fazer o contr\u00e1rio do que deveria estar fazendo&#8221;, lamenta Lu\u00edsa.<\/p>\n\n\n\n<p>Edi\u00e7\u00e3o: Rodrigo Dur\u00e3o Coelho<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Criminosos ambientais capturaram o estado e desmontam pol\u00edticas cuidadosamente constru\u00eddas ao longo de d\u00e9cadas<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_exactmetrics_skip_tracking":false,"_exactmetrics_sitenote_active":false,"_exactmetrics_sitenote_note":"","_exactmetrics_sitenote_category":0,"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","enabled":false},"version":2}},"categories":[1],"tags":[252,566,748,749],"class_list":["post-33869","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-notas","tag-amazonia","tag-conflitos-agrarios","tag-necropolitica","tag-povos-indigenas"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p7wKYW-8Oh","jetpack-related-posts":[],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/33869","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=33869"}],"version-history":[{"count":1,"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/33869\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":33871,"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/33869\/revisions\/33871"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=33869"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=33869"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=33869"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}