{"id":34113,"date":"2022-08-27T21:38:16","date_gmt":"2022-08-28T01:38:16","guid":{"rendered":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/?p=34113"},"modified":"2022-08-27T21:38:18","modified_gmt":"2022-08-28T01:38:18","slug":"simbolo-da-resistencia-dos-indigenas-isolados-no-pais-indio-do-buraco-e-achado-morto","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/2022\/08\/27\/simbolo-da-resistencia-dos-indigenas-isolados-no-pais-indio-do-buraco-e-achado-morto\/","title":{"rendered":"S\u00edmbolo da resist\u00eancia dos ind\u00edgenas isolados no pa\u00eds, \u201c\u00edndio do buraco\u201d \u00e9 achado morto"},"content":{"rendered":"\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"600\" height=\"376\" data-attachment-id=\"34114\" data-permalink=\"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/2022\/08\/27\/simbolo-da-resistencia-dos-indigenas-isolados-no-pais-indio-do-buraco-e-achado-morto\/584ef690-4231-455a-80fb-590d0bdfac71\/\" data-orig-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2022\/08\/584EF690-4231-455A-80FB-590D0BDFAC71.jpeg?fit=800%2C501\" data-orig-size=\"800,501\" data-comments-opened=\"0\" data-image-meta=\"{&quot;aperture&quot;:&quot;0&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;0&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;0&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;0&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0&quot;,&quot;title&quot;:&quot;&quot;,&quot;orientation&quot;:&quot;0&quot;}\" data-image-title=\"584EF690-4231-455A-80FB-590D0BDFAC71\" data-image-description=\"\" data-image-caption=\"\" data-medium-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2022\/08\/584EF690-4231-455A-80FB-590D0BDFAC71.jpeg?fit=300%2C188\" data-large-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2022\/08\/584EF690-4231-455A-80FB-590D0BDFAC71.jpeg?fit=600%2C376\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2022\/08\/584EF690-4231-455A-80FB-590D0BDFAC71.jpeg?resize=600%2C376\" alt=\"\" class=\"wp-image-34114\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2022\/08\/584EF690-4231-455A-80FB-590D0BDFAC71.jpeg?w=800 800w, https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2022\/08\/584EF690-4231-455A-80FB-590D0BDFAC71.jpeg?resize=300%2C188 300w, https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2022\/08\/584EF690-4231-455A-80FB-590D0BDFAC71.jpeg?resize=768%2C481 768w, https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2022\/08\/584EF690-4231-455A-80FB-590D0BDFAC71.jpeg?resize=479%2C300 479w\" sizes=\"auto, (max-width: 600px) 100vw, 600px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\">O ind\u00edgena tornou-se um s\u00edmbolo da resist\u00eancia dos isolados porque repetidamente se recusou ao contato<\/h4>\n\n\n\n<!--more Leia MAIS-->\n\n\n\n<p>Um s\u00edmbolo da resist\u00eancia dos povos ind\u00edgenas isolados no pa\u00eds, ele ficou conhecido como \u201c\u00edndio do buraco\u201d, por abrir covas no ch\u00e3o, e j\u00e1 foi chamado na imprensa de \u201chomem mais solit\u00e1rio do mundo\u201d. Por mais de 25 anos, esse extraordin\u00e1rio brasileiro \u2013 sobre o qual nunca se soube nome, l\u00edngua e etnia \u2013 viveu completamente isolado num peda\u00e7o de mata em Rond\u00f4nia monitorado por indigenistas da Funai (Funda\u00e7\u00e3o Nacional do \u00cdndio), apesar de intensas press\u00f5es de pol\u00edticos e fazendeiros da regi\u00e3o a fim de desacreditar a interdi\u00e7\u00e3o do territ\u00f3rio, com cerca de 8 mil hectares, e perseguir os servidores da Funai.<\/p>\n\n\n\n<p>Nesta quarta-feira (24), o ind\u00edgena foi encontrado pela Funai morto em seu tapiri, \u201cdeitado na rede, e paramentado [com penas de arara] como se esperasse a morte\u201d, conforme um indigenista comentou depois. O corpo foi removido para o IML (Instituto M\u00e9dico Legal) de Porto Velho (RO), onde um exame tentar\u00e1 identificar a causa da morte.<\/p>\n\n\n\n<p>Em 1996, ap\u00f3s uma extensa investiga\u00e7\u00e3o, os indigenistas da Funai Altair Algayer e Marcelo dos Santos conseguiram confirmar a exist\u00eancia do ind\u00edgena a partir dos primeiros relatos trazidos por um cozinheiro, Gilson, que trabalhava numa serraria na zona rural. Ele contou que madeireiros sa\u00edram da mata assustados, dias antes, porque temiam um \u00edndio que se movimentava rapidamente na mata.<\/p>\n\n\n\n<p>Marcelo dos Santos disse \u00e0 Ag\u00eancia P\u00fablica neste s\u00e1bado (27) que o ind\u00edgena deveria ser enterrado no mesmo local em que viveu e morreu, em um memorial a ser constru\u00eddo pelo Estado brasileiro, e que o territ\u00f3rio que ele habitava deve ser imediatamente protegido porque corre risco de ser alvo de invas\u00f5es e degrada\u00e7\u00f5es. \u201c\u00c9 \u00f3bvio que o corpo tem que ser devolvido \u00e0 sua terra. Ele \u00e9 um marco de um genoc\u00eddio que ainda falta ser detalhado\u201d.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Santos disse que a palavra que define o chamado \u201c\u00edndio do buraco\u201d \u00e9 a \u201csolid\u00e3o\u201d, \u00e0 qual ele foi jogado a partir de diversas viol\u00eancias sofridas pelo grupo do qual ele fazia parte e que, com sua morte, desapareceu. \u201cEle n\u00e3o confiava em ningu\u00e9m em sua volta porque viveu v\u00e1rias experi\u00eancias traumatizantes com os n\u00e3o ind\u00edgenas. Ele temia pela pr\u00f3pria vida. Um conjunto de fatores levou a essa solid\u00e3o. H\u00e1 relatos de que ind\u00edgenas isolados foram mortos na regi\u00e3o com veneno misturado \u00e0 comida. Acreditamos que, por isso, ele nunca aceitou a comida que deix\u00e1vamos para ele na mata.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>O \u201c\u00edndio do buraco\u201d tornou-se um s\u00edmbolo da resist\u00eancia dos isolados tamb\u00e9m porque repetidamente recusou um contato mais prolongado, chegando a disparar, por duas vezes em anos diferentes, uma flecha na dire\u00e7\u00e3o de funcion\u00e1rios da Funai que se aproximaram. No fundo de alguns buracos que abria na mata, costumava colocar lan\u00e7as de madeira, criando armadilhas para afugentar os invasores da sua terra.<\/p>\n\n\n\n<p>A interdi\u00e7\u00e3o legal do territ\u00f3rio por ele habitado \u00e9 um dos maiores exemplos da chamada \u201cpol\u00edtica de n\u00e3o contato\u201d adotada pela Funai logo depois do fim da ditadura militar (1964-1985). Por essa pol\u00edtica ent\u00e3o inovadora, o \u00f3rg\u00e3o indigenista assumiu as tarefas de identificar e monitorar ind\u00edgenas isolados, proteg\u00ea-los de amea\u00e7as, interditar ou demarcar seus territ\u00f3rios e apenas ir ao seu encontro em caso de perigo iminente representado por invasores, como fazendeiros, madeireiros e garimpeiros, ou a partir da decis\u00e3o dos pr\u00f3prios isolados.<\/p>\n\n\n\n<p>Marcelo e Altair conseguiram confirmar a exist\u00eancia do ind\u00edgena em dezembro de 1996. Depois a Funai assinou a primeira Portaria de Restri\u00e7\u00e3o de Uso, pela qual n\u00e3o ind\u00edgenas ficaram proibidos de ingressar num peda\u00e7o de mata de cerca de 8 mil hectares que incide sobre quatro munic\u00edpios de Rond\u00f4nia (Chupinguaia, Corumbiara, Parecis e Pimenteiras do Oeste). A portaria foi renovada em 2009, 2012 e 2015 e o territ\u00f3rio recebeu o nome de Terra Ind\u00edgena Tanaru. Com a morte do \u201c\u00edndio do buraco\u201d, tamb\u00e9m surge uma inquieta\u00e7\u00e3o sobre o destino desses 8 mil hectares pelo risco iminente de serem invadidos e degradados.<br><br>Um s\u00edmbolo da resist\u00eancia dos povos ind\u00edgenas isolados no pa\u00eds, ele ficou conhecido como \u201c\u00edndio do buraco\u201d, por abrir covas no ch\u00e3o, e j\u00e1 foi chamado na imprensa de \u201chomem mais solit\u00e1rio do mundo\u201d. Por mais de 25 anos, esse extraordin\u00e1rio brasileiro \u2013 sobre o qual nunca se soube nome, l\u00edngua e etnia \u2013 viveu completamente isolado num peda\u00e7o de mata em Rond\u00f4nia monitorado por indigenistas da Funai (Funda\u00e7\u00e3o Nacional do \u00cdndio), apesar de intensas press\u00f5es de pol\u00edticos e fazendeiros da regi\u00e3o a fim de desacreditar a interdi\u00e7\u00e3o do territ\u00f3rio, com cerca de 8 mil hectares, e perseguir os servidores da Funai.<\/p>\n\n\n\n<p>Nesta quarta-feira (24), o ind\u00edgena foi encontrado pela Funai morto em seu tapiri, \u201cdeitado na rede, e paramentado [com penas de arara] como se esperasse a morte\u201d, conforme um indigenista comentou depois. O corpo foi removido para o IML (Instituto M\u00e9dico Legal) de Porto Velho (RO), onde um exame tentar\u00e1 identificar a causa da morte.<\/p>\n\n\n\n<p>Em 1996, ap\u00f3s uma extensa investiga\u00e7\u00e3o, os indigenistas da Funai Altair Algayer e Marcelo dos Santos conseguiram confirmar a exist\u00eancia do ind\u00edgena a partir dos primeiros relatos trazidos por um cozinheiro, Gilson, que trabalhava numa serraria na zona rural. Ele contou que madeireiros sa\u00edram da mata assustados, dias antes, porque temiam um \u00edndio que se movimentava rapidamente na mata.<\/p>\n\n\n\n<p>Marcelo dos Santos disse \u00e0 Ag\u00eancia P\u00fablica neste s\u00e1bado (27) que o ind\u00edgena deveria ser enterrado no mesmo local em que viveu e morreu, em um memorial a ser constru\u00eddo pelo Estado brasileiro, e que o territ\u00f3rio que ele habitava deve ser imediatamente protegido porque corre risco de ser alvo de invas\u00f5es e degrada\u00e7\u00f5es. \u201c\u00c9 \u00f3bvio que o corpo tem que ser devolvido \u00e0 sua terra. Ele \u00e9 um marco de um genoc\u00eddio que ainda falta ser detalhado\u201d.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Santos disse que a palavra que define o chamado \u201c\u00edndio do buraco\u201d \u00e9 a \u201csolid\u00e3o\u201d, \u00e0 qual ele foi jogado a partir de diversas viol\u00eancias sofridas pelo grupo do qual ele fazia parte e que, com sua morte, desapareceu. \u201cEle n\u00e3o confiava em ningu\u00e9m em sua volta porque viveu v\u00e1rias experi\u00eancias traumatizantes com os n\u00e3o ind\u00edgenas. Ele temia pela pr\u00f3pria vida. Um conjunto de fatores levou a essa solid\u00e3o. H\u00e1 relatos de que ind\u00edgenas isolados foram mortos na regi\u00e3o com veneno misturado \u00e0 comida. Acreditamos que, por isso, ele nunca aceitou a comida que deix\u00e1vamos para ele na mata.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>O \u201c\u00edndio do buraco\u201d tornou-se um s\u00edmbolo da resist\u00eancia dos isolados tamb\u00e9m porque repetidamente recusou um contato mais prolongado, chegando a disparar, por duas vezes em anos diferentes, uma flecha na dire\u00e7\u00e3o de funcion\u00e1rios da Funai que se aproximaram. No fundo de alguns buracos que abria na mata, costumava colocar lan\u00e7as de madeira, criando armadilhas para afugentar os invasores da sua terra.<\/p>\n\n\n\n<p>A interdi\u00e7\u00e3o legal do territ\u00f3rio por ele habitado \u00e9 um dos maiores exemplos da chamada \u201cpol\u00edtica de n\u00e3o contato\u201d adotada pela Funai logo depois do fim da ditadura militar (1964-1985). Por essa pol\u00edtica ent\u00e3o inovadora, o \u00f3rg\u00e3o indigenista assumiu as tarefas de identificar e monitorar ind\u00edgenas isolados, proteg\u00ea-los de amea\u00e7as, interditar ou demarcar seus territ\u00f3rios e apenas ir ao seu encontro em caso de perigo iminente representado por invasores, como fazendeiros, madeireiros e garimpeiros, ou a partir da decis\u00e3o dos pr\u00f3prios isolados.<\/p>\n\n\n\n<p>Marcelo e Altair conseguiram confirmar a exist\u00eancia do ind\u00edgena em dezembro de 1996. Depois a Funai assinou a primeira Portaria de Restri\u00e7\u00e3o de Uso, pela qual n\u00e3o ind\u00edgenas ficaram proibidos de ingressar num peda\u00e7o de mata de cerca de 8 mil hectares que incide sobre quatro munic\u00edpios de Rond\u00f4nia (Chupinguaia, Corumbiara, Parecis e Pimenteiras do Oeste). A portaria foi renovada em 2009, 2012 e 2015 e o territ\u00f3rio recebeu o nome de Terra Ind\u00edgena Tanaru. Com a morte do \u201c\u00edndio do buraco\u201d, tamb\u00e9m surge uma inquieta\u00e7\u00e3o sobre o destino desses 8 mil hectares pelo risco iminente de serem invadidos e degradados.<br><br>O indigenista Antenor Vaz, especialista no tema dos isolados, que tamb\u00e9m atuou por anos em Rond\u00f4nia, disse que o \u201c\u00edndio do buraco\u201d sintetiza \u201co mais alto grau de resist\u00eancia, da luta de um povo\u201d. \u201cMesmo ap\u00f3s o poss\u00edvel massacre que seu povo sofreu, tudo leva a crer que sofreu, ele ainda permaneceu na sua luta\u201d, disse Vaz.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cEle tamb\u00e9m sintetiza todas as viola\u00e7\u00f5es poss\u00edveis que uma sociedade majorit\u00e1ria pode cometer contra um povo ind\u00edgena. Foi negado a esse grupo qualquer direito de viver.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>Vaz tamb\u00e9m sugeriu, a exemplo de Santos, que \u201co \u00faltimo e lament\u00e1vel ato que o Estado brasileiro pode fazer, em reconhecimento \u00e0 bravura desse \u00edndio, \u00e9 manter a Terra Ind\u00edgena Tanaru como memorial de resist\u00eancia dos povos isolados\u201d, destinado \u00e0 capacita\u00e7\u00e3o sobre as pol\u00edticas p\u00fablicas voltadas para os isolados. Para Vaz, o corpo do \u201c\u00edndio do buraco\u201d deve ser enterrado, em \u201cum mausol\u00e9u\u201d, no mesmo local em que viveu e morreu.<\/p>\n\n\n\n<p>Nos anos 90, Marcelo Santos e Altair Algayer trabalhavam numa Frente de Contato da Funai em Rond\u00f4nia quando receberam as primeiras informa\u00e7\u00f5es sobre a exist\u00eancia de um misterioso ind\u00edgena que morava sozinho na mata. Em 1995, pela Funai, a dupla havia conseguido localizar outros dois grupos de ind\u00edgenas isolados na mesma regi\u00e3o, os Kano\u00ea e os Akuntsu. Parte dos contatos foi acompanhada e registrada pelo documentarista Vincent Carelli.<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o tinha esse nome mas j\u00e1 era fake news<\/p>\n\n\n\n<p>A not\u00edcia da localiza\u00e7\u00e3o desses dois grupos ganhou o mundo, provocando a rea\u00e7\u00e3o de fazendeiros e madeireiros contra a Frente de Contato. Eles chegaram a acusar falsamente Marcelo de ter \u201cplantado\u201d os ind\u00edgenas no local. Na \u00e9poca n\u00e3o tinha esse nome, mas era uma \u201cfake news\u201d. O territ\u00f3rio depois foi enfim demarcado pelo governo como Terra Ind\u00edgena Rio Omer\u00ea, com 26 mil hectares.<\/p>\n\n\n\n<p>Os primeiros contatos da Funai com o \u201c\u00edndio do buraco\u201d ocorreram em expedi\u00e7\u00f5es organizadas por Altair e Marcelo com a participa\u00e7\u00e3o de ind\u00edgenas Kano\u00ea, que poderiam atuar como int\u00e9rpretes, outros servidores da Funai e o documentarista franco-brasileiro Vicent Carelli. Por volta de 1998, com uma c\u00e2mera instalada numa \u00e1rvore, Carelli tamb\u00e9m conseguiu filmar rapidamente o \u201c\u00edndio do buraco\u201d, que na ocasi\u00e3o tamb\u00e9m recusou um contato \u2013 as informa\u00e7\u00f5es constam do livro \u201cO \u00faltimo da tribo\u201d (Companhia das Letras, 2010), escrito pelo jornalista norte-americano Monte Reel.<\/p>\n\n\n\n<p>A localiza\u00e7\u00e3o do novo ind\u00edgena isolado novamente acirrou as a\u00e7\u00f5es contra Altair e Marcelo, que passaram a ser alvos de uma s\u00e9rie de acusa\u00e7\u00f5es que se mostraram infundadas. No ano 2000, Marcelo disse ao programa da TV Globo \u201cFant\u00e1stico\u201d que vinha recebendo amea\u00e7as de morte. As press\u00f5es contra os indigenistas chegaram ao Congresso Nacional. Pol\u00edticos ligados aos ruralistas de Rond\u00f4nia usaram uma comiss\u00e3o do Senado para pressionar Marcelo que, motivado tamb\u00e9m por quest\u00f5es pessoais, enfim teve que deixar Rond\u00f4nia. Altair tamb\u00e9m acabou exonerado de suas fun\u00e7\u00f5es na Funai em Rond\u00f4nia, mas regressou anos depois e retomou, entre outras fun\u00e7\u00f5es, o trabalho de monitoramento do \u201c\u00edndio do buraco\u201d at\u00e9 os dias de hoje.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O ind\u00edgena tornou-se um s\u00edmbolo da resist\u00eancia dos isolados porque repetidamente se recusou ao contato<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_exactmetrics_skip_tracking":false,"_exactmetrics_sitenote_active":false,"_exactmetrics_sitenote_note":"","_exactmetrics_sitenote_category":0,"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","enabled":false},"version":2}},"categories":[1],"tags":[793,7],"class_list":["post-34113","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-notas","tag-indio-do-buraco","tag-rondonia"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p7wKYW-8Sd","jetpack-related-posts":[],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/34113","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=34113"}],"version-history":[{"count":1,"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/34113\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":34115,"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/34113\/revisions\/34115"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=34113"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=34113"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=34113"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}