{"id":34133,"date":"2022-09-05T20:05:18","date_gmt":"2022-09-06T00:05:18","guid":{"rendered":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/?p=34133"},"modified":"2022-09-05T20:05:21","modified_gmt":"2022-09-06T00:05:21","slug":"crise-climatica-o-capitalismo-criou-a-catastrofe-o-socialismo-pode-evitar-o-desastre","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/2022\/09\/05\/crise-climatica-o-capitalismo-criou-a-catastrofe-o-socialismo-pode-evitar-o-desastre\/","title":{"rendered":"Crise clim\u00e1tica: o capitalismo criou a cat\u00e1strofe; o socialismo pode evitar o desastre"},"content":{"rendered":"\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"600\" height=\"406\" data-attachment-id=\"34134\" data-permalink=\"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/2022\/09\/05\/crise-climatica-o-capitalismo-criou-a-catastrofe-o-socialismo-pode-evitar-o-desastre\/f393999e-ff8f-44bf-b92f-cd48ac1074e0\/\" data-orig-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2022\/09\/F393999E-FF8F-44BF-B92F-CD48AC1074E0.jpeg?fit=800%2C541\" data-orig-size=\"800,541\" data-comments-opened=\"0\" data-image-meta=\"{&quot;aperture&quot;:&quot;0&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;0&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;0&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;0&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0&quot;,&quot;title&quot;:&quot;&quot;,&quot;orientation&quot;:&quot;0&quot;}\" data-image-title=\"F393999E-FF8F-44BF-B92F-CD48AC1074E0\" data-image-description=\"\" data-image-caption=\"\" data-medium-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2022\/09\/F393999E-FF8F-44BF-B92F-CD48AC1074E0.jpeg?fit=300%2C203\" data-large-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2022\/09\/F393999E-FF8F-44BF-B92F-CD48AC1074E0.jpeg?fit=600%2C406\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2022\/09\/F393999E-FF8F-44BF-B92F-CD48AC1074E0.jpeg?resize=600%2C406\" alt=\"\" class=\"wp-image-34134\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2022\/09\/F393999E-FF8F-44BF-B92F-CD48AC1074E0.jpeg?w=800 800w, https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2022\/09\/F393999E-FF8F-44BF-B92F-CD48AC1074E0.jpeg?resize=300%2C203 300w, https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2022\/09\/F393999E-FF8F-44BF-B92F-CD48AC1074E0.jpeg?resize=768%2C519 768w, https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2022\/09\/F393999E-FF8F-44BF-B92F-CD48AC1074E0.jpeg?resize=444%2C300 444w\" sizes=\"auto, (max-width: 600px) 100vw, 600px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p><strong><a href=\"https:\/\/www.brasildefato.com.br\/colunistas\/vijay-prashad\">Vijay Prashad<\/a><\/strong>, no Brasil de Fato &#8211; EUA, Europa, Canad\u00e1 e Austr\u00e1lia s\u00e3o os principais emissores de carbono<\/p>\n\n\n\n<!--more-->\n\n\n\n<p>Queridos amigos e amigas,<\/p>\n\n\n\n<p>Sauda\u00e7\u00f5es do<a href=\"https:\/\/thetricontinental.org\/\">&nbsp;Instituto Tricontinental de Pesquisa Social<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p>Em novembro de 2022, a maioria dos Estados membros da Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas (ONU) se reunir\u00e1 na cidade tur\u00edstica eg\u00edpcia de Sharm El Sheikh para a Confer\u00eancia anual sobre Mudan\u00e7as Clim\u00e1ticas da ONU. Esta \u00e9 a 27\u00aa confer\u00eancia das partes para avaliar a Conven\u00e7\u00e3o-Quadro das Na\u00e7\u00f5es Unidas sobre Mudan\u00e7as Clim\u00e1ticas, comumente referida como COP. O tratado ambiental internacional foi estabelecido no Rio de Janeiro em 1992, e a primeira confer\u00eancia realizada em Berlim em 1995; os acordos foram estendidos no Protocolo de Kyoto de 2005 e complementados pelo Acordo de Paris de 2015. Muito j\u00e1 foi dito sobre a cat\u00e1strofe clim\u00e1tica, que traz a amea\u00e7a da extin\u00e7\u00e3o em massa de esp\u00e9cies. O abandono do combust\u00edvel \u00e0 base de carbono foi paralisado por tr\u00eas principais entraves:<\/p>\n\n\n\n<ol class=\"wp-block-list\"><li>For\u00e7as de direita que negam a exist\u00eancia de mudan\u00e7as clim\u00e1ticas.<\/li><li>Setores da ind\u00fastria energ\u00e9tica que t\u00eam interesse na perpetua\u00e7\u00e3o do combust\u00edvel \u00e0 base de carbono.<\/li><li>A recusa dos pa\u00edses ocidentais em admitir que continuam sendo os principais respons\u00e1veis pelo problema e a se comprometerem a pagar sua d\u00edvida clim\u00e1tica financiando a transi\u00e7\u00e3o energ\u00e9tica nos pa\u00edses em desenvolvimento, cuja riqueza eles continuam a desviar.<\/li><\/ol>\n\n\n\n<p>Em debates p\u00fablicos sobre a cat\u00e1strofe clim\u00e1tica, quase n\u00e3o h\u00e1 refer\u00eancia \u00e0 C\u00fapula da Terra do Rio de 1992 e ao tratado que<a href=\"https:\/\/unfccc.int\/files\/essential_background\/background_publications_htmlpdf\/application\/pdf\/conveng.pdf\">&nbsp;pontuou<\/a>&nbsp;que \u201ca natureza global das mudan\u00e7as clim\u00e1ticas exige a coopera\u00e7\u00e3o mais ampla poss\u00edvel de todos os pa\u00edses e sua participa\u00e7\u00e3o em uma resposta internacional eficaz e apropriada, de acordo com suas responsabilidades comuns, mas diferenciadas, suas respectivas capacidades e suas condi\u00e7\u00f5es sociais e econ\u00f4micas\u201d. A frase \u201cresponsabilidades comuns, mas diferenciadas\u201d \u00e9 um reconhecimento do fato de que, embora o problema da mudan\u00e7a clim\u00e1tica seja comum a todos os pa\u00edses e nenhum esteja imune ao seu impacto delet\u00e9rio, a responsabilidade dos pa\u00edses n\u00e3o \u00e9 id\u00eantica. Alguns pa\u00edses \u2013 que se beneficiaram do colonialismo e do combust\u00edvel de carbono por s\u00e9culos \u2013 t\u00eam uma responsabilidade maior pela transi\u00e7\u00e3o para um sistema de energia descarbonizado.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img data-recalc-dims=\"1\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/thetricontinental.org\/wp-content\/uploads\/2022\/08\/Roger-Mortimer-Aotearoa-New-Zealand-Whariwharangi-2019..jpg?w=600&#038;ssl=1\" alt=\"\"\/><\/figure>\n\n\n\n<p>Roger Mortimer (Aotearoa\/Nova Zel\u00e2ndia),&nbsp;<em>Whariwharangi<\/em>, 2019.<\/p>\n\n\n\n<p>Os estudos sobre o assunto s\u00e3o claros: os pa\u00edses ocidentais se beneficiaram excessivamente do colonialismo e do combust\u00edvel de carbono para atingir seu n\u00edvel de desenvolvimento. Os<a href=\"https:\/\/ourworldindata.org\/contributed-most-global-co2\">&nbsp;dados<\/a>&nbsp;do Global Carbon Project, liderado pelo agora extinto Centro de An\u00e1lise de Informa\u00e7\u00f5es de Di\u00f3xido de Carbono do Departamento de Energia dos EUA, mostram que os EUA t\u00eam sido de longe o maior produtor de emiss\u00f5es de di\u00f3xido de carbono desde 1750. Sozinhos emitiram mais CO2 que toda a Uni\u00e3o Europeia, duas vezes mais que a China e oito vezes mais que a \u00cdndia. Os principais emissores de carbono s\u00e3o&nbsp;pot\u00eancias coloniais, nomeadamente os EUA, a Europa, o Canad\u00e1 e a Austr\u00e1lia, que, apesar de consistirem em cerca de um d\u00e9cimo da popula\u00e7\u00e3o global, respondem juntos por mais da metade das emiss\u00f5es globais cumulativas. A partir do s\u00e9culo 18, esses pa\u00edses n\u00e3o apenas dispensaram a maior parte do carbono na atmosfera, mas continuam a exceder sua parcela no or\u00e7amento global de carbono.<\/p>\n\n\n\n<p>O capitalismo movido a carbono, enriquecido pela riqueza roubada pelo colonialismo, permitiu que os pa\u00edses da Europa e da Am\u00e9rica do Norte aumentassem o bem-estar de suas popula\u00e7\u00f5es e atingissem seu n\u00edvel relativamente avan\u00e7ado de desenvolvimento. As desigualdades extremas entre o padr\u00e3o m\u00e9dio de vida na Europa (748 milh\u00f5es de pessoas) e na \u00cdndia (1,4 bilh\u00e3o de pessoas) \u00e9 sete vezes maior do que era h\u00e1 um s\u00e9culo. Apesar da depend\u00eancia do carbono, particularmente do carv\u00e3o, por parte da China, \u00cdndia e outros pa\u00edses em desenvolvimento ter aumentado a um n\u00edvel alto, suas emiss\u00f5es per capita continuam muito abaixo das dos Estados Unidos, cujas emiss\u00f5es per capita s\u00e3o quase o dobro das da China e oito vezes mais do que as da \u00cdndia. A falta de reconhecimento do imperialismo clim\u00e1tico leva ao fracasso em fornecer recursos adequados ao&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.greenclimate.fund\/home\">Fundo Verde para o Clima<\/a>, criado em 2010 na COP 16 com o objetivo de ajudar os pa\u00edses em desenvolvimento a superar o desenvolvimento social baseado em carbono.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img data-recalc-dims=\"1\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/thetricontinental.org\/wp-content\/uploads\/2022\/08\/20220801_GND_Notebook_WebFeature.jpg?w=600&#038;ssl=1\" alt=\"\"\/><\/figure>\n\n\n\n<p>No n\u00edvel global, os debates sobre como lidar com a crise clim\u00e1tica frequentemente giram em torno de v\u00e1rias formas de um Green New Deal (GND), como o Acordo Verde Europeu, o GND da Am\u00e9rica do Norte e o GND Global, que s\u00e3o promovidos por Estados-na\u00e7\u00e3o, organiza\u00e7\u00f5es internacionais e diferentes setores de movimentos ambientais. Para entender e fortalecer melhor essa discuss\u00e3o, o escrit\u00f3rio do Instituto Tricontinental de Pesquisa Social em Buenos Aires, Argentina, reuniu os principais estudiosos ecossocialistas para refletir sobre os diferentes GNDs e as possibilidades de realizar uma transforma\u00e7\u00e3o genu\u00edna para evitar a cat\u00e1strofe clim\u00e1tica. Essa discuss\u00e3o \u2014 com Jos\u00e9 Seoane (Argentina), Thea Riofrancos (Estados Unidos) e Sabrina Fernandes (Brasil) \u2014 j\u00e1 est\u00e1 dispon\u00edvel no caderno n. 3 (agosto de 2022),<a href=\"https:\/\/thetricontinental.org\/pt-pt\/caderno-3-green-new-deal\/\">&nbsp;<em>A crise socioambiental em tempos de pandemia: Discutindo um Green New Deal<\/em><\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p>Esses tr\u00eas estudiosos argumentam que o capitalismo n\u00e3o pode resolver a crise clim\u00e1tica, uma vez que ele \u00e9 a principal causa da crise. Cem das maiores corpora\u00e7\u00f5es do mundo s\u00e3o<a href=\"https:\/\/cdn.cdp.net\/cdp-production\/cms\/reports\/documents\/000\/002\/327\/original\/Carbon-Majors-Report-2017.pdf?1501833772\">&nbsp;respons\u00e1veis<\/a>&nbsp;por 71% dos gases de efeito estufa industriais globais (principalmente di\u00f3xido de carbono e metano); essas corpora\u00e7\u00f5es, lideradas pela ind\u00fastria de energia de carbono, n\u00e3o est\u00e3o preparadas para acelerar o transi\u00e7\u00e3o energ\u00e9tica, apesar de sua capacidade tecnol\u00f3gica de<a href=\"https:\/\/www.iea.org\/reports\/world-energy-outlook-2019\/electricity\">&nbsp;gerar<\/a>&nbsp;dezoito vezes a demanda global de eletricidade apenas pela energia e\u00f3lica.&nbsp; A sustentabilidade, uma palavra que foi esvaziada de seu conte\u00fado em muitos discursos p\u00fablicos, n\u00e3o \u00e9 lucrativa para essas corpora\u00e7\u00f5es. Um projeto social de energia renov\u00e1vel, por exemplo, n\u00e3o produziria grandes lucros para as empresas de combust\u00edveis f\u00f3sseis. O interesse de certas empresas capitalistas no GND \u00e9 substancialmente motivado por seu desejo de garantir fundos p\u00fablicos para engendrar novos monop\u00f3lios privados para a mesma classe capitalista que possui as grandes corpora\u00e7\u00f5es que poluem o mundo. Mas, como explica Riofrancos no caderno: \u201co \u2018capitalismo verde\u2019 visa mitigar os sintomas do capitalismo \u2013 aquecimento global, extin\u00e7\u00e3o em massa de esp\u00e9cies, destrui\u00e7\u00e3o de ecossistemas \u2013 sem transformar o modelo de acumula\u00e7\u00e3o e consumo que causou a crise clim\u00e1tica. \u00c9 uma \u2018tecno-solu\u00e7\u00e3o\u2019, a fantasia de mudar tudo sem mudar nada\u201d.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img data-recalc-dims=\"1\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/thetricontinental.org\/wp-content\/uploads\/2022\/08\/Gonzalo-Ribero-Bolivia-Ancestor-2016..jpg?w=600&#038;ssl=1\" alt=\"\"\/><\/figure>\n\n\n\n<p>Gonzalo Ribero (Bol\u00edvia),&nbsp;<em>Ancestral<\/em>, 2016.<\/p>\n\n\n\n<p>A discuss\u00e3o dominante do GND emerge, como Seoane aponta, de iniciativas como o relat\u00f3rio Pearce de 1989,&nbsp;<em>Blueprint for a Green Economy<\/em>, que foi preparado para o governo do Reino Unido e prop\u00f4s o uso de fundos p\u00fablicos para produzir novas tecnologias para empresas privadas, enquanto uma solu\u00e7\u00e3o para as crises em cascata nas economias ocidentais. O conceito de \u201ceconomia verde\u201d n\u00e3o era tornar a economia mais ecol\u00f3gica, mas usar a ideia de ambientalismo para revitalizar o capitalismo. Em 2009, durante a crise financeira mundial, Edward Barbier, co-autor do Relat\u00f3rio Pearce, escreveu um novo<a href=\"https:\/\/wedocs.unep.org\/bitstream\/handle\/20.500.11822\/7903\/A_Global_Green_New_Deal_Policy_Brief.pdf?amp%3BisAllowed=&amp;sequence=3\">&nbsp;relat\u00f3rio<\/a>&nbsp;para o Programa Ambiental da ONU intitulado,&nbsp;<em>Global Green New Deal<\/em>, que reformulou as ideias de \u201ceconomia verde\u201d como o \u201cnovo acordo verde\u201d. Esse novo relat\u00f3rio mais uma vez defendeu uso de fundos p\u00fablicos para estabilizar a turbul\u00eancia no sistema capitalista.<\/p>\n\n\n\n<p>Nosso caderno emerge de uma genealogia diferente, que est\u00e1 enraizada na<a href=\"https:\/\/www.cancilleria.gob.bo\/webmre\/sites\/default\/files\/libros\/Cmpcc%20discursos%20y%20documentos%20seleccionados.pdf\">&nbsp;Confer\u00eancia Mundial dos Povos sobre Mudan\u00e7as Clim\u00e1ticas e os Direitos da M\u00e3e Terra<\/a>&nbsp;(2010) e na<a href=\"https:\/\/www.cancilleria.gob.bo\/webmre\/node\/1075\">&nbsp;Confer\u00eancia Mundial dos Povos sobre Mudan\u00e7as Clim\u00e1ticas e Defesa da Vida<\/a>&nbsp;(2015), ambos realizados em Tiquipaya, Bol\u00edvia, e depois desenvolvidos em encontros como o<a href=\"http:\/\/fama2018.org\/final-declaration-of-the-alternative-world-water-forum\/\">&nbsp;F\u00f3rum Mundial Alternativo da \u00c1gua<\/a>&nbsp;(2018), a C\u00fapula dos Povos (2017) e o F\u00f3rum da Natureza do Povo (2020). No centro dessa abordagem, que surgiu das lutas populares na Am\u00e9rica Latina, est\u00e3o os conceitos de&nbsp;<em>buen vivir<\/em>&nbsp;e&nbsp;<em>teko por\u00e3<\/em>&nbsp;(\u2018viver bem\u2019). Em vez de simplesmente salvar o capitalismo, que \u00e9 a preocupa\u00e7\u00e3o do argumento do GND, o objetivo do nosso caderno \u00e9 pensar em mudar a maneira como organizamos a sociedade; em outras palavras, avan\u00e7ar nosso pensamento sobre a constru\u00e7\u00e3o de um novo sistema. Construir essas ideias, escreve Fernandes, deve envolver os sindicatos (muitos dos quais est\u00e3o preocupados com a perda de empregos na transi\u00e7\u00e3o do carbono para as renov\u00e1veis) e os sindicatos rurais (afetados pela concentra\u00e7\u00e3o de terra que destr\u00f3i a natureza e cria desigualdade social).<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img data-recalc-dims=\"1\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/thetricontinental.org\/wp-content\/uploads\/2022\/08\/Klay-Kassem-Egypt-The-Mermaid-Wedding-2021..jpg?w=600&#038;ssl=1\" alt=\"\"\/><\/figure>\n\n\n\n<p>Klay Kassem (Egito),&nbsp;<em>O casamento da sereia<\/em>, 2021.<\/p>\n\n\n\n<p>Devemos mudar o sistema, como defende Fernandes, \u201cmas as condi\u00e7\u00f5es pol\u00edticas hoje n\u00e3o s\u00e3o prop\u00edcias a isso. A direita \u00e9 forte em muitos pa\u00edses, assim como o negacionismo clim\u00e1tico\u201d. Portanto, rapidamente, os movimentos populares devem colocar uma agenda de descarboniza\u00e7\u00e3o em cima da mesa. Quatro objetivos est\u00e3o diante de n\u00f3s:<\/p>\n\n\n\n<ol class=\"wp-block-list\"><li><strong>Decrescimento para os pa\u00edses ocidentais.&nbsp;<\/strong>Com menos de 5% da popula\u00e7\u00e3o mundial, os Estados Unidos consomem um ter\u00e7o do papel mundial, um quarto do petr\u00f3leo e do alum\u00ednio e quase um quarto do carv\u00e3o. O Sierra Club<a href=\"https:\/\/www.scientificamerican.com\/article\/american-consumption-habits\/\">&nbsp;diz<\/a>&nbsp;que o consumo per capita dos EUA \u201cde energia, metais, minerais, produtos florestais, peixes, gr\u00e3os, carne e at\u00e9 \u00e1gua doce supera o das pessoas que vivem no mundo em desenvolvimento\u201d. Os pa\u00edses ocidentais precisam reduzir seu consumo geral, reduzindo, como<a href=\"https:\/\/www.jasonhickel.org\/blog\/tag\/degrowth\">&nbsp;observa<\/a>&nbsp;Jason Hickel, o \u201cdesnecess\u00e1rio e destrutivo\u201d (como as ind\u00fastrias de combust\u00edveis f\u00f3sseis e armas, a produ\u00e7\u00e3o de casas pr\u00e9-montadas e jatos particulares, a produ\u00e7\u00e3o industrial de carne bovina e toda a filosofia empresarial da obsolesc\u00eancia programada).<\/li><li><strong>Socializar o setor chave da gera\u00e7\u00e3o de energia.<\/strong>&nbsp;Acabar com os subs\u00eddios \u00e0 ind\u00fastria de combust\u00edveis f\u00f3sseis e construir um setor p\u00fablico de energia enraizado em um sistema descarbonizado.<\/li><li><strong>Financiar a<\/strong><a href=\"https:\/\/ec.europa.eu\/clima\/eu-action\/international-action-climate-change\/climate-negotiations\/global-climate-action-agenda_en\">&nbsp;<strong>Agenda Global de A\u00e7\u00e3o do Clima<\/strong><\/a>. Garantir que os pa\u00edses ocidentais cumpram suas responsabilidades hist\u00f3ricas no apoio ao Fundo Verde para o Clima, que ser\u00e1 usado para financiar a transi\u00e7\u00e3o justa no Sul Global em particular.<\/li><li><strong>Melhorar o setor p\u00fablico<\/strong>&nbsp;Construir mais infraestrutura para consumo social, como mais \u00f4nibus ferrovi\u00e1rios e el\u00e9tricos de alta velocidade, para diminuir o uso de carros particulares. Os pa\u00edses do Sul Global ter\u00e3o que construir suas pr\u00f3prias economias, inclusive explorando seus recursos. A quest\u00e3o aqui n\u00e3o \u00e9 se explora esses recursos, mas se eles podem ser<a href=\"https:\/\/mronline.org\/2019\/11\/20\/a-letter-to-intellectuals-who-deride-revolutions-in-the-name-of-purity\/\">&nbsp;extra\u00eddos<\/a>&nbsp;para o desenvolvimento social e nacional e n\u00e3o apenas para a acumula\u00e7\u00e3o de capital.&nbsp;<em>Buen vivir<\/em>&nbsp;\u2013 viver bem \u2013 significa transcender a fome e a pobreza, o analfabetismo e os problemas de sa\u00fade, que ser\u00e3o desenvolvidos pelo setor p\u00fablico.<\/li><\/ol>\n\n\n\n<p>Nenhuma pol\u00edtica clim\u00e1tica pode ser universal. Aqueles que devoram os recursos do mundo devem reduzir seu consumo. Dois bilh\u00f5es de pessoas&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.who.int\/news-room\/fact-sheets\/detail\/drinking-water\">n\u00e3o t\u00eam acesso<\/a>&nbsp;\u00e0 \u00e1gua pot\u00e1vel, enquanto metade da popula\u00e7\u00e3o mundial n\u00e3o tem&nbsp;<a href=\"https:\/\/apps.who.int\/iris\/bitstream\/handle\/10665\/259817\/9789241513555-eng.pdf\">acesso<\/a>&nbsp;a cuidados de sa\u00fade adequados. O desenvolvimento social deve ser garantido, mas esse desenvolvimento deve ser constru\u00eddo sobre uma base socialista sustent\u00e1vel.<\/p>\n\n\n\n<p>Cordialmente,<\/p>\n\n\n\n<p>Vijay.<\/p>\n\n\n\n<p><em>*Vijay Prashad \u00e9 historiador e jornalista indiano, diretor geral do Instituto Tricontinental de Pesquisa Social.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>**Este \u00e9 um texto de opini\u00e3o. A vis\u00e3o do autor n\u00e3o necessariamente expressa a linha editorial do jornal&nbsp;<strong>Brasil de Fato<\/strong>.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Edi\u00e7\u00e3o: Vivian Virissimo<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Vijay Prashad, no Brasil de Fato &#8211; EUA, Europa, Canad\u00e1 e Austr\u00e1lia s\u00e3o os principais emissores de carbono<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_exactmetrics_skip_tracking":false,"_exactmetrics_sitenote_active":false,"_exactmetrics_sitenote_note":"","_exactmetrics_sitenote_category":0,"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","enabled":false},"version":2}},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-34133","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-notas"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p7wKYW-8Sx","jetpack-related-posts":[],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/34133","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=34133"}],"version-history":[{"count":1,"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/34133\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":34135,"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/34133\/revisions\/34135"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=34133"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=34133"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=34133"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}