{"id":34422,"date":"2023-02-28T11:58:39","date_gmt":"2023-02-28T15:58:39","guid":{"rendered":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/?p=34422"},"modified":"2023-02-28T11:58:45","modified_gmt":"2023-02-28T15:58:45","slug":"infoamazonia-por-fabio-bispo","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/2023\/02\/28\/infoamazonia-por-fabio-bispo\/","title":{"rendered":"InfoAmazonia, por F\u00e1bio Bispo"},"content":{"rendered":"\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1158\" height=\"797\" data-attachment-id=\"34423\" data-permalink=\"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/2023\/02\/28\/infoamazonia-por-fabio-bispo\/f0f24ad8-5b87-42ae-a719-7183c489bdad\/\" data-orig-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2023\/02\/F0F24AD8-5B87-42AE-A719-7183C489BDAD.jpeg?fit=1158%2C797\" data-orig-size=\"1158,797\" data-comments-opened=\"0\" data-image-meta=\"{&quot;aperture&quot;:&quot;0&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;0&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;0&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;0&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0&quot;,&quot;title&quot;:&quot;&quot;,&quot;orientation&quot;:&quot;1&quot;}\" data-image-title=\"F0F24AD8-5B87-42AE-A719-7183C489BDAD\" data-image-description=\"\" data-image-caption=\"\" data-medium-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2023\/02\/F0F24AD8-5B87-42AE-A719-7183C489BDAD.jpeg?fit=300%2C206\" data-large-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2023\/02\/F0F24AD8-5B87-42AE-A719-7183C489BDAD.jpeg?fit=600%2C413\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2023\/02\/F0F24AD8-5B87-42AE-A719-7183C489BDAD.jpeg?fit=600%2C413\" alt=\"\" class=\"wp-image-34423\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2023\/02\/F0F24AD8-5B87-42AE-A719-7183C489BDAD.jpeg?w=1158 1158w, https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2023\/02\/F0F24AD8-5B87-42AE-A719-7183C489BDAD.jpeg?resize=300%2C206 300w, https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2023\/02\/F0F24AD8-5B87-42AE-A719-7183C489BDAD.jpeg?resize=1024%2C705 1024w, https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2023\/02\/F0F24AD8-5B87-42AE-A719-7183C489BDAD.jpeg?resize=768%2C529 768w, https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2023\/02\/F0F24AD8-5B87-42AE-A719-7183C489BDAD.jpeg?resize=436%2C300 436w\" sizes=\"auto, (max-width: 600px) 100vw, 600px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\">Quase dizimados ap\u00f3s contato for\u00e7ado na d\u00e9cada de 1970, povo Karipuna volta a temer risco de genoc\u00eddio; territ\u00f3rio est\u00e1 cercado por madereiros e grileiros que utilizam esquema para legalilzar madeira nobre roubada.<\/h4>\n\n\n\n<!--more-->\n\n\n\n<p>A Terra Ind\u00edgena Karipuna, em Rond\u00f4nia, foi a mais desmatada entre as 69 terras ind\u00edgenas que est\u00e3o no entorno da rodovia BR-319, segundo dados de 2022 compilados em relat\u00f3rio in\u00e9dito do Observat\u00f3rio da BR-319, uma organiza\u00e7\u00e3o da sociedade civil que se prop\u00f5e a desenvolver, reunir e disseminar informa\u00e7\u00f5es e pesquisas feitas na \u00e1rea de influ\u00eancia da BR-319 .<\/p>\n\n\n\n<p>O projeto para reconstru\u00e7\u00e3o da rodovia, que liga Porto Velho (RO) a Manaus (AM),&nbsp;<a href=\"https:\/\/infoamazonia.org\/2021\/10\/08\/obras-na-br-319-tem-motivacao-politica\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">foi retomado pela gest\u00e3o do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL)&nbsp;<\/a>e \u00e9 apontado como um dos principais fatores do aumento do desmatamento da floresta amaz\u00f4nica.<\/p>\n\n\n\n<p>At\u00e9 2015, a Terra Ind\u00edgena Karipuna era exemplo de preserva\u00e7\u00e3o na Amaz\u00f4nia. O povo, que&nbsp;<a href=\"https:\/\/pib.socioambiental.org\/pt\/Povo:Karipuna_de_Rond%C3%B4nia\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">quase foi dizimado<\/a>&nbsp;na d\u00e9cada de 1970 ap\u00f3s um primeiro contato desastroso com n\u00e3o ind\u00edgenas, viveu at\u00e9 ent\u00e3o sem registros de grandes desmatamentos. Realidade que&nbsp;&nbsp;<a href=\"https:\/\/infoamazonia.org\/2022\/01\/05\/terra-indigena-karipuna-tem-novas-denuncias-de-roubo-de-madeira\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">mudou drasticamente nos \u00faltimos anos<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p>Do desmatamento praticamente zero at\u00e9 2015, a TI Karipuna se tornou a quarta mais desmatada em toda aa Amaz\u00f4nia em 2022. Lideran\u00e7as Karipuna denunciam que novas ofensivas dos invasores imp\u00f5em medo e terror \u00e0 comunidade, que agora est\u00e1 confinada em uma \u00e1rea restrita do seu pr\u00f3prio territ\u00f3rio, com dificuldades para acessar regi\u00f5es de coleta de castanha e a\u00e7a\u00ed, e vendo dia a dia redu\u00e7\u00e3o na oferta de pescado e ca\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<p>O desmatamento no territ\u00f3rio Karipuna est\u00e1 associado ao com\u00e9rcio ilegal de madeira nobre que utiliza serrarias legalizadas nos distritos vizinhos \u00e0 terra ind\u00edgena, onde ocorre o processo de esquentamento&nbsp; da madeirada roubada, segundo as investiga\u00e7\u00f5es da Pol\u00edcia Federal.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Desde 2015, essa rede criminosa j\u00e1 destruiu 6 mil hectares de floresta preservada no territ\u00f3rio. O ano de 2022 foi o mais devastador: ao longo de nove meses, a terra ind\u00edgena esteve entre as 10 mais desmatadas da Amaz\u00f4nia, segundo destaca o relat\u00f3rio Observat\u00f3rio da BR-319 (OBR-319)<a href=\"https:\/\/observatoriobr319.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/02\/Relatorio-Retrospectiva-Desmatamento-Queimadas-2022-v3.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">, publicado nesta ter\u00e7a-feira, 28: \u201cDesmatamento e focos de calor na \u00e1rea de influ\u00eancia da rodovia BR-319\u201d<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img data-recalc-dims=\"1\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/infoamazonia.org\/wp-content\/uploads\/2023\/02\/capa.jpg?w=600&#038;ssl=1\" alt=\"\"\/><\/figure>\n\n\n\n<p>Acesse o relat\u00f3rio na \u00edntegra \/ Reprodu\u00e7\u00e3o da capa&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>S\u00f3 no ano passado, foram devastados 1.733 hectares na TI Karipuna, praticamente metade de todo o desmatamento registrado nas 10 terras ind\u00edgenas mais impactadas no entorno da BR-319, onde foram derrubados 3.678 hectares. Al\u00e9m disso, o territ\u00f3rio tamb\u00e9m foi o que mais queimou nessa regi\u00e3o da Amaz\u00f4nia, concentrando o maior n\u00famero de focos de queimadas, segundo o OBR-319.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Os indicadores s\u00e3o estimativas produzidas pelo&nbsp;<a href=\"https:\/\/imazon.org.br\/publicacoes\/faq-sad\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Sistema de Alerta de Desmatamento (SAD)<\/a>, do Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amaz\u00f4nia (Imazon) e do&nbsp;<a href=\"https:\/\/queimadas.dgi.inpe.br\/queimadas\/portal\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Programa Queimadas<\/a>, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), e compilados pelo OBR-319.&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Em agosto do ano passado, reportagem da&nbsp;<strong>InfoAmazonia&nbsp;<\/strong><a href=\"https:\/\/infoamazonia.org\/2022\/08\/19\/povo-karipuna-denuncia-incendio-criminoso-provocado-por-madeireiros-e-grileiros-em-seu-territorio\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">registrou os inc\u00eandios dentro do territ\u00f3rio Karipuna<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<figure><iframe src=\"https:\/\/flo.uri.sh\/visualisation\/12888449\/embed?auto=1\"><\/iframe><\/figure>\n\n\n\n<p><a href=\"https:\/\/public.flourish.studio\/visualisation\/12888449\/?utm_source=showcase&amp;utm_campaign=visualisation\/12888449\">A Flourish chart<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>Desde 2017, o l\u00edder Adriano Karipuna denuncia invas\u00f5es no territ\u00f3rio. Segundo ele, os invasores lotearam por\u00e7\u00f5es de floresta entre si, como se fossem eles os donos do territ\u00f3rio, e abriram estradas ilegais que ligam \u00e1reas de extra\u00e7\u00e3o de madeira aos distritos de Uni\u00e3o Bandeirantes, que faz parte de Porto Velho, e Jacin\u00f3polis, em Nova Mamor\u00e9.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cJ\u00e1 fizemos v\u00e1rias den\u00fancias nos \u00faltimos anos, mas o desmatamento continua. A floresta continua sendo destru\u00edda e com isso nosso povo est\u00e1 perdendo seu territ\u00f3rio e sua cultura\u201d, disse Adriano Karipuna \u00e0 reportagem da&nbsp;<strong>InfoAmazonia<\/strong>.<br><\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p>J\u00e1 fizemos v\u00e1rias den\u00fancias nos \u00faltimos anos, mas o desmatamento continua. A floresta continua sendo destru\u00edda e com isso nosso povo est\u00e1 perdendo seu territ\u00f3rio e sua cultura<\/p><cite>Adriano Karipuna<\/cite><\/blockquote>\n\n\n\n<p>Sem fiscaliza\u00e7\u00e3o dos \u00f3rg\u00e3os ambientais, os pr\u00f3prios Karipuna fazem o monitoramento do territ\u00f3rio, registrando desmatamento e queimadas em fotos e v\u00eddeos com coordenadas geogr\u00e1ficas dos locais onde a floresta est\u00e1 sendo derrubada. As informa\u00e7\u00f5es coletadas s\u00e3o encaminhadas para autoridades e contribuem para produ\u00e7\u00e3o de provas nas a\u00e7\u00f5es do MPF.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Em janeiro deste ano, Adriano voltou \u00e0s \u00e1reas de desmatamento e flagrou placas instaladas pelos invasores. Em uma delas estava escrito: \u201cPor favor, n\u00e3o mexa na minha madeira\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cEstamos enfrentando escassez de peixes e de ca\u00e7a, e o desmatamento dificulta nosso acesso aos recursos naturais como o a\u00e7a\u00ed e a castanha. Al\u00e9m do terror psicol\u00f3gico que temos passado com essas invas\u00f5es\u201d, destaca Adriano, apontando que seu povo volta a conviver novamente com o risco iminente de um genoc\u00eddio,&nbsp; que ame\u00e7a a perman\u00eancia da etnia em seu territ\u00f3rio.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img data-recalc-dims=\"1\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/infoamazonia.org\/wp-content\/uploads\/2023\/02\/21.jpg?w=600&#038;ssl=1\" alt=\"\"\/><\/figure>\n\n\n\n<p>\u00c1rea desmatada registrada pelos pr\u00f3prios karipunas em janeiro de 2023.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-decadas-de-denuncias\">D\u00e9cadas de den\u00fancias<\/h2>\n\n\n\n<p>At\u00e9 a d\u00e9cada de 1970 um grupo Karipuna conseguiu viver isolado do mundo dos n\u00e3o-ind\u00edgenas, mas acabou sucumbindo ao contato for\u00e7ado que culminou em mortes por epidemias e perdas culturais. O povo quase foi extinto, chegando a ficar reduzido a apenas oito pessoas.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>O territ\u00f3rio s\u00f3 foi homologado em 1998, mas a prote\u00e7\u00e3o legal no papel n\u00e3o tem sido suficiente para frear a ofensiva dos invasores que se intensificou a partir de 2015.<\/p>\n\n\n\n<p>Filho da anci\u00e3 Katika, uma das oito sobreviventes da experi\u00eancia traum\u00e1tica de contato que quase exterminou seu povo, Adriano Karipuna<a href=\"https:\/\/twitter.com\/adrianotangarei\/status\/1579303533538840577\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">&nbsp;j\u00e1 denunciou o risco de genoc\u00eddio de sua etnia em mais de 10 pa\u00edses<\/a>por onde passou e para todas as esferas de fiscaliza\u00e7\u00e3o do governo brasileiro.<\/p>\n\n\n\n<figure><iframe loading=\"lazy\" width=\"1200\" height=\"675\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/rl-LQ9hgl9U?feature=oembed\" allowfullscreen=\"\"><\/iframe><\/figure>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-gangue-da-madeira\"><strong>Gangue da madeira<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p>Uma investiga\u00e7\u00e3o da Pol\u00edcia Federal que apura a atua\u00e7\u00e3o de madeireiras no distrito de Uni\u00e3o Bandeirantes aponta para exist\u00eancia de uma organiza\u00e7\u00e3o criminosa que opera um sofisticado esquema para burlar os estoques de madeira atrav\u00e9s de dados falsos no Documento de Origem Florestal (DOF).<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo as investiga\u00e7\u00f5es, os criminosos utilizavam cr\u00e9ditos falsos de madeira para legalizar o produto roubado na terra ind\u00edgena, permitindo a circula\u00e7\u00e3o da madeira para fora da regi\u00e3o, no mercado nacional e internacional.<\/p>\n\n\n\n<p>Essas madeireiras est\u00e3o espalhadas no entorno da terra ind\u00edgena e s\u00e3o abastecidas regularmente com madeiras nobres fruto do desmatamento ilegal.<\/p>\n\n\n\n<p>Um dos esquemas investigados envolve tr\u00eas empresas e sete pessoas denunciadas pelo Minist\u00e9rio P\u00fablico Federal (MPF) por crimes ambientais, crime contra a f\u00e9 p\u00fablica, falsidade ideol\u00f3gica e lavagem de dinheiro.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Apontado como um dos l\u00edderes do esquema, Bruno Eduardo Mariano, segundo a Pol\u00edcia Federal, operou diversas madeireiras na regi\u00e3o e movimentou milh\u00f5es de reais em madeira ilegal. Pelo menos duas madeireiras controladas por Mariano de forma oculta, a Teka Madeiras e a Rio Madeira, somam mais de R$ 6,3 milh\u00f5es em multas ambientais por comercializar madeira sem comprova\u00e7\u00e3o de origem.<\/p>\n\n\n\n<p>Mesmo assim, ap\u00f3s denunciado e multado, o esquema de Mariano seguiu operando ilegalmente e o empres\u00e1rio obteve licen\u00e7as da Secretaria de Estado de Desenvolvimento Ambiental (Sedam) para operar outra madeireira, a MBL Madeiras, tamb\u00e9m no distrito de Uni\u00e3o Bandeirantes.<\/p>\n\n\n\n<p>Todas as empresas relacionadas a Mariano funcionavam no entorno da TI Karipuna, com autoriza\u00e7\u00f5es do governo de Rond\u00f4nia. Segundo apontam as investiga\u00e7\u00f5es da PF, o mesmo esquema foi repetido por outras serrarias da regi\u00e3o, que negociam entre si cr\u00e9ditos falsos para legalizar a madeira retirada da terra ind\u00edgena.<\/p>\n\n\n\n<p>Mariano chegou a ser preso em 2019, e responde o processo em liberdade. A reportagem fez contato com os advogados do empres\u00e1rio, mas eles n\u00e3o quiseram se manifestar sobre o caso.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Entre 2016 e 2022, a Sedam emitiu licen\u00e7as para 50 empresas explorarem madeira em Uni\u00e3o Bandeirantes, segundo dados do Portal da Transpar\u00eancia de Rond\u00f4nia.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/lh3.googleusercontent.com\/ojOPch9Aml0ZbbyYk_22XKuCCFurqNx7eFTFQjfrV6QG-GIrSQBlZmEjVDEWCmurrHsCNDJBHlGQpuUmvLq0FGoYsjnAM--WD3m445k8VZnSn5787S2UmIbSa1cAdlRLmYKYWRidamjanufS4GiIOok\" alt=\"\"\/><\/figure>\n\n\n\n<p><em><sub>A estrada aberta no interior da terra ind\u00edgena liga \u00e1reas de extra\u00e7\u00e3o de madeira ao distrito de Uni\u00e3o Bandeirantes. Fonte: Planet Inc\/InfoAmazonia<\/sub><\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Em setembro do ano passado, o MPF obteve&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.mpf.mp.br\/ro\/sala-de-imprensa\/noticias-ro\/mpf-obtem-decisao-na-justica-que-assegura-protecao-a-ti-karipuna-em-rondonia-ro\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">decis\u00e3o<\/a>&nbsp;favor\u00e1vel em A\u00e7\u00e3o Civil P\u00fablica que condenou a Funda\u00e7\u00e3o Nacional do \u00cdndio, hoje Funda\u00e7\u00e3o Nacional dos Povos Ind\u00edgenas&nbsp; (Funai), o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renov\u00e1veis (Ibama) e o governo do estado de Rond\u00f4nia a garantirem a prote\u00e7\u00e3o da terra ind\u00edgena.<\/p>\n\n\n\n<p>Na a\u00e7\u00e3o, os procuradores denunciam que as invas\u00f5es, com as finalidades de \u201cgrilagem\u201d de terras p\u00fablicas e extra\u00e7\u00e3o ilegal de madeiras, eram de pleno conhecimento desses \u00f3rg\u00e3os.<\/p>\n\n\n\n<p>Na decis\u00e3o, o governo do estado de Rond\u00f4nia foi intimado a apresentar auditoria dos planos de manejo e concess\u00f5es para explora\u00e7\u00e3o de madeira nas \u00e1reas do entorno da Terra Ind\u00edgena Karipuna.<\/p>\n\n\n\n<p>Em manifesta\u00e7\u00e3o na a\u00e7\u00e3o, a Funai e o Ibama informaram que t\u00eam realizado a\u00e7\u00f5es de combate ao desmatamento para prote\u00e7\u00e3o do territ\u00f3rio ind\u00edgena. J\u00e1 o governo de Rond\u00f4nia ingressou com embargo da decis\u00e3o e manifestou \u201ccontradi\u00e7\u00e3o quanto \u00e0 sua responsabilidade\u201d sobre a prote\u00e7\u00e3o do territ\u00f3rio Karipuna e pediu exclus\u00e3o das suas obriga\u00e7\u00f5es na decis\u00e3o. Em janeiro deste ano, a Justi\u00e7a negou o pedido do governo de Rond\u00f4nia mantendo as obriga\u00e7\u00f5es da decis\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-logistica-madeireira-pela-319\"><strong>Log\u00edstica madeireira pela 319<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p>Vista do alto, pelas lentes dos sat\u00e9lites, a Terra Ind\u00edgena Karipuna \u00e9 um o\u00e1sis verde em meio \u00e0 destrui\u00e7\u00e3o da floresta amaz\u00f4nica em Rond\u00f4nia. O desmatamento consumiu quase toda floresta do entorno da terra ind\u00edgena, incluindo a&nbsp;<a href=\"https:\/\/infoamazonia.org\/2020\/12\/03\/governo-de-rondonia-quer-reduzir-areas-protegidas-ocupadas-por-gado-ilegal\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Reserva Extrativista (Resex) Jaci-Paran\u00e1<\/a>, \u00e1rea cont\u00edgua do territ\u00f3rio e que n\u00e3o por acaso foi a unidade de conserva\u00e7\u00e3o (UC) mais desmatada na \u00e1rea da BR-319 no ano passado, onde foram derrubados 4.254 hectares de floresta.<\/p>\n\n\n\n<p>Em 2021, o governador Marcos Rocha sancionou a lei complementar estadual&nbsp; n\u00b0 1.089, que reduziu os limites da Resex Jaci-Paran\u00e1 para legaliza\u00e7\u00e3o de \u00e1reas de pastagem, o que tamb\u00e9m facilitou a log\u00edstica dos invasores da terra ind\u00edgena. A lei foi considerada&nbsp;<a href=\"https:\/\/g1.globo.com\/ro\/rondonia\/noticia\/2021\/11\/22\/justica-declara-inconstitucional-lei-que-altera-limites-de-reserva-extrativista-e-parque-estadual-em-rondonia.ghtml\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">inconstitucional<\/a>&nbsp;em novembro do mesmo ano, mas o estrago j\u00e1 estava feito. Pouco da floresta amaz\u00f4nica ainda resta na Resex, onde a maior parte da \u00e1rea foi convertida em&nbsp;<a href=\"https:\/\/infoamazonia.org\/2022\/01\/13\/governo-de-rondonia-mantem-vacinacao-e-controle-de-gado-ilegal-em-area-protegida-da-amazonia\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">pasto para cria\u00e7\u00e3o de gado<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p>A log\u00edstica madeireira e agropecu\u00e1ria no entorno da terra ind\u00edgena \u00e9 forte aliada do projeto de reconstru\u00e7\u00e3o da BR-319, e por onde o&nbsp;<a href=\"https:\/\/infoamazonia.org\/2022\/12\/05\/amazonas-consolida-vice-lideranca-em-desmatamento-com-avanco-na-br-319-e-fronteira-com-estados-mais-devastados\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">desmatamento mais avan\u00e7a na Amaz\u00f4nia<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p>Sob a gest\u00e3o do ex-presidente Bolsonaro, o projeto da rodovia conseguiu&nbsp; a emiss\u00e3o de uma Licen\u00e7a Pr\u00e9via do Ibama em julho de 2022, mesmo ap\u00f3s diversos alertas da sociedade civil organizada,&nbsp;<a href=\"https:\/\/observatoriobr319.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/08\/Nota-de-posicionamento_OBR319_01Agosto2022.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">inclusive do OBR-319<\/a>, e do MPF, que apontaram falhas no licenciamento ambiental e viola\u00e7\u00f5es de diretos ambientais e dos povos ind\u00edgenas.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>A reconstru\u00e7\u00e3o do asfalto nos 885 quil\u00f4metros da rodovia projetada pela Ditadura Militar e que corta grande por\u00e7\u00e3o de floresta j\u00e1 esteve na pauta dos governos Fernando Henrique (1994-2001), Lula (2003-2010) e Dilma (2011-2016). Todos esbarraram na quest\u00e3o ambiental.<\/p>\n\n\n\n<figure><iframe src=\"https:\/\/flo.uri.sh\/visualisation\/12888623\/embed?auto=1\"><\/iframe><\/figure>\n\n\n\n<p><a href=\"https:\/\/public.flourish.studio\/visualisation\/12888623\/?utm_source=showcase&amp;utm_campaign=visualisation\/12888623\">A Flourish chart<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>Os Karipuna e outros povos que est\u00e3o na \u00e1rea de impacto da rodovia foram ignorados nos processos de consultas conforme orienta a&nbsp;<a href=\"https:\/\/infoamazonia.org\/2021\/05\/21\/renunciar-a-convencao-169-da-oit-e-condenar-indigenas-ao-exterminio\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Conven\u00e7\u00e3o 169<\/a>&nbsp;da Organiza\u00e7\u00e3o Internacional do Trabalho (OIT), e da qual o Brasil \u00e9 signat\u00e1rio. A gest\u00e3o passada da Funai, chegou a ser acusada de&nbsp;<a href=\"https:\/\/infoamazonia.org\/2022\/05\/26\/funai-viola-direitos-indigenas-para-acelerar-reconstrucao-da-br-319-diz-mpf\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">manipular o processo de consulta aos povos ind\u00edgenas para acelerar o licenciamento da obra<\/a>, e que foi encerrado sem consultar os povos nas 69 terras impactadas pela rodovia.<\/p>\n\n\n\n<p>No relat\u00f3rio publicado nesta ter\u00e7a, o OBR-319 cobra que a nova gest\u00e3o do governo Lula trate a obra da rodovia \u201ccom responsabilidade ambiental, social e econ\u00f4mica\u201d.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p>Acreditamos que o futuro de parte importante da Amaz\u00f4nia e de seus moradores depende da forma como esse empreendimento ser\u00e1 conduzido nos pr\u00f3ximos anos<\/p><cite>relat\u00f3rio Observat\u00f3rio da BR-319 (OBR-319): \u201cDesmatamento e focos de calor na \u00e1rea de influ\u00eancia da rodovia BR-319\u201d<\/cite><\/blockquote>\n\n\n\n<p>\u201cOs povos e comunidades tradicionais devem ser ouvidos e consultados, j\u00e1 que ser\u00e3o os mais impactados pela rodovia.&nbsp; Acreditamos que o futuro de parte importante da Amaz\u00f4nia e de seus moradores depende da forma como esse empreendimento ser\u00e1 conduzido nos pr\u00f3ximos anos\u201d, destaca trecho do documento da OBR-319.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Quase dizimados ap\u00f3s contato for\u00e7ado na d\u00e9cada de 1970, povo Karipuna volta a temer risco de genoc\u00eddio; territ\u00f3rio est\u00e1 cercado por madereiros e grileiros que utilizam esquema para legalilzar madeira nobre roubada.<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_exactmetrics_skip_tracking":false,"_exactmetrics_sitenote_active":false,"_exactmetrics_sitenote_note":"","_exactmetrics_sitenote_category":0,"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","enabled":false},"version":2}},"categories":[1],"tags":[583],"class_list":["post-34422","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-notas","tag-karipuna"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p7wKYW-8Xc","jetpack-related-posts":[],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/34422","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=34422"}],"version-history":[{"count":1,"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/34422\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":34424,"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/34422\/revisions\/34424"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=34422"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=34422"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=34422"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}