{"id":34462,"date":"2023-03-24T08:49:43","date_gmt":"2023-03-24T12:49:43","guid":{"rendered":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/?p=34462"},"modified":"2023-03-24T08:49:46","modified_gmt":"2023-03-24T12:49:46","slug":"uma-cartilha-para-combater-o-preconceito-contra-indigenas","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/2023\/03\/24\/uma-cartilha-para-combater-o-preconceito-contra-indigenas\/","title":{"rendered":"UMA CARTILHA PARA COMBATER O PRECONCEITO CONTRA IND\u00cdGENAS"},"content":{"rendered":"\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1050\" height=\"747\" data-attachment-id=\"34463\" data-permalink=\"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/2023\/03\/24\/uma-cartilha-para-combater-o-preconceito-contra-indigenas\/42f74015-827b-4b9b-81da-34f0a883ade6\/\" data-orig-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/42F74015-827B-4B9B-81DA-34F0A883ADE6.jpeg?fit=1050%2C747\" data-orig-size=\"1050,747\" data-comments-opened=\"0\" data-image-meta=\"{&quot;aperture&quot;:&quot;0&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;0&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;0&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;0&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0&quot;,&quot;title&quot;:&quot;&quot;,&quot;orientation&quot;:&quot;1&quot;}\" data-image-title=\"42F74015-827B-4B9B-81DA-34F0A883ADE6\" data-image-description=\"\" data-image-caption=\"\" data-medium-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/42F74015-827B-4B9B-81DA-34F0A883ADE6.jpeg?fit=300%2C213\" data-large-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/42F74015-827B-4B9B-81DA-34F0A883ADE6.jpeg?fit=600%2C427\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/42F74015-827B-4B9B-81DA-34F0A883ADE6.jpeg?fit=600%2C427\" alt=\"\" class=\"wp-image-34463\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/42F74015-827B-4B9B-81DA-34F0A883ADE6.jpeg?w=1050 1050w, https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/42F74015-827B-4B9B-81DA-34F0A883ADE6.jpeg?resize=300%2C213 300w, https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/42F74015-827B-4B9B-81DA-34F0A883ADE6.jpeg?resize=1024%2C729 1024w, https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/42F74015-827B-4B9B-81DA-34F0A883ADE6.jpeg?resize=768%2C546 768w, https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/42F74015-827B-4B9B-81DA-34F0A883ADE6.jpeg?resize=422%2C300 422w\" sizes=\"auto, (max-width: 600px) 100vw, 600px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\">Publica\u00e7\u00e3o produzida em Roraima orienta evitar express\u00f5es como \u201ccaboclo\u201d e \u201ccivilizado\u201d<\/h4>\n\n\n\n<!--more-->\n\n\n\n<p>Elane Oliveira, na Revista Piau\u00ed <\/p>\n\n\n\n<p>O jornalista Ghenn Derson Nic\u00e1ccio, ind\u00edgena do povo Wapichana, se lembra bem de que, na escola, as outras crian\u00e7as o olhavam de um jeito diferente. Quando queriam agredi-lo, seus colegas o chamavam de \u201c\u00edndio\u201d e \u201ccaboclo\u201d. Ele era um menino t\u00edmido e tinha dificuldade de se relacionar com as pessoas e participar de apresenta\u00e7\u00f5es na escola. Nunca revidava as agress\u00f5es verbais. Al\u00e9m de ind\u00edgena, Nic\u00e1ccio tamb\u00e9m \u00e9 homossexual\u00a0\u2013\u00a0o que, na escola, se transformava em duplo motivo de preconceito. V\u00e1rias vezes pensou em abandonar o col\u00e9gio.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cTenho 42 anos e me lembro claramente de ter uma professora que me chamava de \u2018caboclo\u2019 na \u00e9poca em que cursei o ensino m\u00e9dio, h\u00e1 mais de 25 anos. Nunca tive apoio. Hoje se fala em empoderamento dos ind\u00edgenas pela fam\u00edlia, apoio da escola, mas essas coisas n\u00e3o eram comuns na minha \u00e9poca de col\u00e9gio. Ningu\u00e9m se ofereceu para me ajudar e muito menos percebeu que eu estava precisando de ajuda\u201d, conta.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cCaboclo\u201d, ou \u201ccaboco\u201d, como \u00e9 comum se dizer em Roraima, \u00e9 uma das express\u00f5es consideradas preconceituosas listadas na minicartilha antirracista ind\u00edgena editada pelo IFRR (Instituto Federal de Educa\u00e7\u00e3o, Ci\u00eancia e Tecnologia de Roraima). A cartilha \u00e9 um dos desdobramentos do projeto \u201cRacismo e suas implica\u00e7\u00f5es nos povos ind\u00edgenas de Roraima. Percep\u00e7\u00f5es de estudantes do IFRR nos campi Amajari e Boa Vista Zona Oeste\u201d, criado em 2021 pelo professor de hist\u00f3ria Marcos Oliveira e pelo estudante bolsista Renato Gabriel Francisco para discutir o preconceito lingu\u00edstico contra povos ind\u00edgenas.<\/p>\n\n\n\n<p>Foi durante a pesquisa para seu doutorado em Sociologia da Educa\u00e7\u00e3o, quando analisava as trajet\u00f3rias de alunos ind\u00edgenas do campus Amajari do IFRR, que Oliveira percebeu que muitos deles tinham dificuldades em assumir suas identidades. Tamb\u00e9m se sentiam pressionados pelas cr\u00edticas e pela falta de aprova\u00e7\u00e3o dos n\u00e3o ind\u00edgenas, al\u00e9m de n\u00e3o gostar da forma como eram tratados. Oliveira se inspirou nesses relatos para iniciar o projeto que teria como resultado a cartilha. \u201cBuscando uma solu\u00e7\u00e3o para essa situa\u00e7\u00e3o cotidiana, resolvemos criar uma cartilha para orientar ind\u00edgenas e n\u00e3o ind\u00edgenas sobre como lidar com o racismo e reagir a essas atitudes. Procuramos chamar a aten\u00e7\u00e3o para o problema e estimular a\u00e7\u00f5es na sociedade para enfrentar o problema do racismo contra ind\u00edgenas no nosso estado\u201d, conta o professor, que \u00e9 doutor pela USP (Universidade de S\u00e3o Paulo).<\/p>\n\n\n\n<p>Roraima abriga onze etnias, e 11% dos 634 mil habitantes do estado se autodeclaram ind\u00edgenas \u2013 a maior propor\u00e7\u00e3o de popula\u00e7\u00e3o ind\u00edgena entre todos os estados brasileiros. No IFRR, h\u00e1 cerca de 26% de alunos ind\u00edgenas, pelos dados de 2021. Na UFRR, 13%.<\/p>\n\n\n\n<p>Estudante da etnia macuxi e bolsista do projeto, o estudante Renato Gabriel Francisco conta que j\u00e1 viveu experi\u00eancias racistas no meio acad\u00eamico. Quando fazia o curso t\u00e9cnico em agropecu\u00e1ria, desenvolveu um projeto de insemina\u00e7\u00e3o artificial em bovinos e ouviu de um colega que aquilo n\u00e3o era para \u201cpessoas como ele\u201d, pois o projeto s\u00f3 daria certo se liderado por n\u00e3o ind\u00edgenas. Sua rea\u00e7\u00e3o foi ignorar os coment\u00e1rios e tentar buscar uma solu\u00e7\u00e3o para que outros ind\u00edgenas n\u00e3o vivessem o mesmo preconceito. Trocando ideias com o professor Oliveira, os dois decidiram criar a minicartilha. O estudante foi respons\u00e1vel pela pesquisa no campus Amajari, unidade do IFRR que fica a mais de 150 km de Boa Vista. L\u00e1 ele entrevistou os estudantes sobre como viviam e o preconceito lingu\u00edstico no cotidiano. \u201cElaboramos a cartilha de acordo com a necessidade das pessoas em entender o que realmente \u00e9 o racismo, ent\u00e3o a criamos direcionada tanto para ind\u00edgenas quanto para n\u00e3o ind\u00edgenas\u201d, disse Renato.<\/p>\n\n\n\n<p>Os pesquisadores listaram situa\u00e7\u00f5es e express\u00f5es que criavam algum tipo de inc\u00f4modo entre alunos ind\u00edgenas. Descobriram que as situa\u00e7\u00f5es de preconceito vividas pelos estudantes s\u00e3o mais comuns do que se pensa, mas muitas vezes s\u00e3o naturalizadas tanto pelos ofendidos como pelos autores das ofensas. \u201cCaboclo\u201d, por exemplo, \u00e9 uma express\u00e3o usada para se dirigir a ind\u00edgenas que a popula\u00e7\u00e3o branca considera \u201ccivilizados\u201d. Muitas vezes, por\u00e9m, os alunos relataram ser alvo de xingamentos como \u201cburro\u201d, \u201cignorante\u201d e \u201clerdo\u201d, apenas por serem ind\u00edgenas.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>A<\/strong>cartilha lista outros exemplos de express\u00f5es racistas. Entre eles, relacionar pinturas corporais a sujeira ou dizer que o ind\u00edgena n\u00e3o poderia estar morando na cidade e deveria viver \u201cno mato\u201d. Outra forma de desvalorizar pessoas ind\u00edgenas&nbsp;\u2013&nbsp;e tamb\u00e9m condenada na cartilha&nbsp;\u2013&nbsp;\u00e9 dizer que elas n\u00e3o s\u00e3o capazes de se equiparar a uma pessoa branca, seja em caracter\u00edsticas f\u00edsicas, seja em bens materiais. A cartilha tamb\u00e9m condena declara\u00e7\u00f5es que menosprezam a capacidade do ind\u00edgena de ocupar lugares e cargos na sociedade&nbsp;\u2013&nbsp;como afirmar, por exemplo, que eles n\u00e3o t\u00eam condi\u00e7\u00f5es de se tornarem professores, advogados ou m\u00e9dicos, entre outras profiss\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p>A cartilha tamb\u00e9m explica o que fazer diante dessas situa\u00e7\u00f5es. Para quem \u00e9 alvo de preconceito, a cartilha orienta a expressar o inc\u00f4modo, exigindo que tais\u00a0 express\u00f5es n\u00e3o sejam usadas contra voc\u00ea ou seus semelhantes. Para quem pratica, ao ter conhecimento de que o uso dessas palavras ao se referir a ind\u00edgenas \u00e9 pejorativo, a orienta\u00e7\u00e3o \u00e9 pedir desculpas e passar esse conhecimento a amigos, familiares e conhecidos.<\/p>\n\n\n\n<p>A cartilha j\u00e1 est\u00e1 sendo utilizada em rodas de conversas com os estudantes dos campi do IFRR em Boa Vista e Amajari. Exemplares impressos ser\u00e3o entregues \u00e0s unidades do IFRR do estado. A publica\u00e7\u00e3o est\u00e1 dispon\u00edvel no site do IFRR e pode ser acessada\u00a0<a href=\"https:\/\/www.ifrr.edu.br\/reitoria\/pro-reitorias\/pesquisa-e-pos-graduacao\/pesquisa\/programas\/produtos-de-projetos\/Mini_Livreto_Antirracismo_Indigena__03_1-13dcbd7869194abe82fb3feff69dbff0.pdf\">aqui.<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Publica\u00e7\u00e3o produzida em Roraima orienta evitar express\u00f5es como \u201ccaboclo\u201d e \u201ccivilizado\u201d<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_exactmetrics_skip_tracking":false,"_exactmetrics_sitenote_active":false,"_exactmetrics_sitenote_note":"","_exactmetrics_sitenote_category":0,"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","enabled":false},"version":2}},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-34462","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-notas"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p7wKYW-8XQ","jetpack-related-posts":[],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/34462","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=34462"}],"version-history":[{"count":1,"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/34462\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":34464,"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/34462\/revisions\/34464"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=34462"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=34462"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=34462"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}