{"id":34708,"date":"2024-03-21T17:05:22","date_gmt":"2024-03-21T21:05:22","guid":{"rendered":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/?p=34708"},"modified":"2024-03-21T17:05:24","modified_gmt":"2024-03-21T21:05:24","slug":"o-futuro-frustrado-meio-seculo-depois","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/2024\/03\/21\/o-futuro-frustrado-meio-seculo-depois\/","title":{"rendered":"O futuro frustrado meio s\u00e9culo depois"},"content":{"rendered":"\n<figure class=\"wp-block-gallery has-nested-images columns-default is-cropped wp-block-gallery-1 is-layout-flex wp-block-gallery-is-layout-flex\">\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"600\" height=\"338\" data-attachment-id=\"34709\" data-permalink=\"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/2024\/03\/21\/o-futuro-frustrado-meio-seculo-depois\/img_0744\/\" data-orig-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2024\/03\/IMG_0744.webp?fit=1536%2C864\" data-orig-size=\"1536,864\" data-comments-opened=\"0\" data-image-meta=\"{&quot;aperture&quot;:&quot;0&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;0&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;0&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;0&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0&quot;,&quot;title&quot;:&quot;&quot;,&quot;orientation&quot;:&quot;0&quot;}\" data-image-title=\"IMG_0744\" data-image-description=\"\" data-image-caption=\"\" data-medium-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2024\/03\/IMG_0744.webp?fit=300%2C169\" data-large-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2024\/03\/IMG_0744.webp?fit=600%2C338\" data-id=\"34709\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2024\/03\/IMG_0744.webp?resize=600%2C338\" alt=\"\" class=\"wp-image-34709\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2024\/03\/IMG_0744.webp?resize=1024%2C576 1024w, https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2024\/03\/IMG_0744.webp?resize=300%2C169 300w, https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2024\/03\/IMG_0744.webp?resize=768%2C432 768w, https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2024\/03\/IMG_0744.webp?resize=533%2C300 533w, https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2024\/03\/IMG_0744.webp?w=1536 1536w, https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2024\/03\/IMG_0744.webp?w=1200 1200w\" sizes=\"auto, (max-width: 600px) 100vw, 600px\" \/><\/figure>\n<\/figure>\n\n\n\n<p>Amaz\u00f4nia Real &#8211; <strong>A Amaz\u00f4nia segundo L\u00facio Fl\u00e1vio Pinto<\/strong> &#8211; Em 1972, foi realizado em Estocolmo, na Su\u00e9cia, o primeiro encontro de amplitude mundial para discutir um tema ent\u00e3o de vanguarda: as rela\u00e7\u00f5es entre o desenvolvimento e o meio ambiente. O \u00edndice de desenvolvimento era o marco de refer\u00eancia e de distin\u00e7\u00e3o de todas as na\u00e7\u00f5es do planeta, o principal ou aquele objetivo que os povos mais obsessivamente buscavam.<\/p>\n\n\n\n<!--more-->\n\n\n\n<p>Mas j\u00e1 havia um condicionante. O avan\u00e7o das ci\u00eancias da Terra induziu o surgimento de uma nova modalidade de conhecimento, dotada de especificidade e autonomia: a ecologia. De subproduto dos ramos cient\u00edficos j\u00e1 consagrados, a ecologia pontava para as rea\u00e7\u00f5es da natureza \u00e0s interven\u00e7\u00f5es e agressores da humanidade contra a natureza.<\/p>\n\n\n\n<p>Um general da reserva, Costa Cavalcanti, que fora ativo participante do golpe de Estado que, em 1964, dep\u00f4s o presidente Jo\u00e3o Goulart, sucessivamente substitu\u00eddo por cinco generais, levou a mensagem do governo brasileiro, gestor da maior floresta tropical e da maior bacia hidrogr\u00e1fica do planeta: a Amaz\u00f4nia.<\/p>\n\n\n\n<p>Ele reagiu aos discursos ecol\u00f3gicos como uma artimanha dos pa\u00edses mais poderosos do mundo para impedir que os subdesenvolvidos (hoje considerados emergentes) os alcan\u00e7assem e, quem sabe, at\u00e9 pudessem super\u00e1-los. O Brasil n\u00e3o aceitava a limita\u00e7\u00e3o. Se os ricos se tornaram ricos foi por acelerarem seu crescimento econ\u00f4mico.<\/p>\n\n\n\n<p>Custara e ainda custava caro, mas era o pre\u00e7o inevit\u00e1vel a pagar para alcan\u00e7ar os competidores. Se a Am\u00e9rica do Norte e a Europa queriam combater a polui\u00e7\u00e3o industrial, o Brasil estava de bra\u00e7os abertos para receb\u00ea-la. Para isso, dois ter\u00e7os do seu territ\u00f3rio estavam sendo abertos como fronteira \u00e0 expans\u00e3o da atividade produtiva. &nbsp;Sem incorporar economicamente a Amaz\u00f4nia, o Brasil nunca realizaria seu sonho de pot\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<p>Era n\u00e3o s\u00f3 um vasto espa\u00e7o oferecido. Acompanhava-o o mais generoso programa de subs\u00eddio estatal em toda hist\u00f3ria do capitalismo na fronteira. O Estado podia oferecer at\u00e9 75% do capital para os novos investimentos, na forma de ren\u00fancia \u00e0 cobran\u00e7a de imposto dos que se dispunham a participar da corrida ao Norte, o equivalente da expans\u00e3o dos Estados Unidos ao Sul e ao Centro, o faroeste.<\/p>\n\n\n\n<p>O primeiro instrumento desse avan\u00e7o sobre a Amaz\u00f4nia foi a constru\u00e7\u00e3o de uma rede de estradas que penetravam nas \u00e1reas isoladas e at\u00e9 ent\u00e3o desconhecidas. As estradas de \u201cintegra\u00e7\u00e3o\u201d abriram caminho para a terra-firme, distante dos grandes rios, at\u00e9 ent\u00e3o o sitio de ocupa\u00e7\u00e3o da regi\u00e3o pelo colonizador europeu, precedido de s\u00e9culos pelos primeiros povoadores da Amaz\u00f4nia.<\/p>\n\n\n\n<p>As rodovias, como a Bel\u00e9m-Bras\u00edlia e a Bras\u00edlia-Acre, as primeiras do sistema, puseram fim ao isolamento por terra da Amaz\u00f4nia. Ela passou a ser mercado das empresas do Sudeste\/Sul do pa\u00eds (foi a morte da industrializa\u00e7\u00e3o, com exce\u00e7\u00e3o \u2013 a um grande custo tribut\u00e1rio \u2013 da Zona Franca de Manaus, e fonte de mat\u00e9rias primas, inicialmente para a ind\u00fastria nacional, em seguida, para o mundo.<\/p>\n\n\n\n<p>Em 1969, quando o extrativismo vegetal, a sustenta\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica at\u00e9 ent\u00e3o, favorecido pelo isolamento territorial, que funcionou como barreira alfandeg\u00e1ria, vivia seus estertores, um novo (embora velho, em termos mundiais) modelo estava em amadurecimento. De 1967, quando a Sudam entrou em atividade, a 1969, dos 259 projetos econ\u00f4micos privados que provou, 134 eram de agropecu\u00e1rios.<\/p>\n\n\n\n<p>A op\u00e7\u00e3o era clara: as fazendas de gado eram o meio mais r\u00e1pido e barato de \u201camansar a terra\u201d para a instala\u00e7\u00e3o das grandes empresas de fora. Foi a era da ocupa\u00e7\u00e3o pela pata do boi. Ela desencadeou a maior destrui\u00e7\u00e3o de floresta de todos os tempos, e de outros recursos naturais, al\u00e9m de engendrar sangrentos conflitos fundi\u00e1rios, mortes de encomenda e extrema viol\u00eancia social.<\/p>\n\n\n\n<p>Essa era a polui\u00e7\u00e3o benvinda pelo governo central, consciente dos efeitos perversos da sua pol\u00edtica para a Amaz\u00f4nia. O II PDA (Plano de desenvolvimento da Amaz\u00f4nia), com vig\u00eancia de 1975 a 1979, durante o governo do general Ernesto Geisel, dava o nome e o sobrenome desse modelo, de \u201cdesenvolvimento desequilibrado corrigido\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Desequil\u00edbrio foi o que n\u00e3o faltou \u2013 e n\u00e3o foi corrigido. O desequil\u00edbrio progrediu em escala exponencial. A corre\u00e7\u00e3o estatal evoluiu em ritmo aritm\u00e9tico. A mudan\u00e7a da fei\u00e7\u00e3o e do funcionamento da Amaz\u00f4nia foi numa velocidade sem igual. O Par\u00e1 pulou do rabo da fila do com\u00e9rcio exterior para o quinto lugar no valor das exporta\u00e7\u00f5es e o segundo em saldo de divisas, no topo dos principais produtos, como min\u00e9rio de ferro e outras subst\u00e2ncias minerais. A regi\u00e3o abriga quatro das cinco maiores hidrel\u00e9tricas brasileiras, incluindo a quinta maior do mundo, que \u00e9 a usina de Belo Monte.<\/p>\n\n\n\n<p>Todos os governos da rep\u00fablica nos \u00faltimos 60 anos seguiram esse planejamento, ao mesmo tempo centralizador e colonial. Como as marcas dessa pol\u00edtica eram a velocidade do processo produtivo e suas irracionalidades sociais, pol\u00edticas e anticient\u00edficas, o mais expressivo deles foi o de Jair Bolsonaro.<\/p>\n\n\n\n<p>Quem imaginava ter visto tudo de absurdo e violento em seis d\u00e9cadas cont\u00ednuas, teve motivos para se surpreender e se chocar. Bolsonaro estimulou a ilegalidade na atividade mineral que envolve mais gente e interesse. A garimpagem de ouro, que remonta ao final da d\u00e9cada de 50 no vale do Tapaj\u00f3s, e disseminou por outras frentes, mobilizando, como nunca, a aplica\u00e7\u00e3o de grande volume de capital, o emprego de m\u00e1quinas mais sofisticadas, e caras, tudo isso em tal ilegalidade que foi al\u00e9m do contrabando e do descaminho tradicionais para receber e lavar o dinheiro ilegal as piores organiza\u00e7\u00f5es socais, at\u00e9 ent\u00e3o apenas urbanas.<\/p>\n\n\n\n<p>Uma cena jamais vista se formou no rio Madeira, o maior afluente do Amazonas e o mais usado para a lavra no fundo de um curso d\u2019\u00e1gua. Mais de 100 balsas foram alinhadas em toda largura do rio, que chega a quase 10 quil\u00f4metro (por 10 metros de profundidade). Era para protestar contra a a\u00e7\u00e3o da Pol\u00edcia Federal sobre os garimpos clandestinos. Os clandestinos de rosto limpo contra os agentes camuflados.<\/p>\n\n\n\n<p>E o que dizer do dia do fogo em Novo Progresso, no Par\u00e1 em 2022? Dessa vez, as queimadas foram abertas, cada piroman\u00edaco identificado e com sua destrui\u00e7\u00e3o aprovada pelo chefe da na\u00e7\u00e3o em seu pal\u00e1cio governamental em Bras\u00edlia? Novo Progreso fica na BR-163, a Santar\u00e9m-Cuiab\u00e1. Com quase 1,8 mil quil\u00f4metros de extens\u00e3o. Com apoio do Banco Mundial, ela deveria demarcar um novo tempo, de concilia\u00e7\u00e3o de uma obra que inevitavelmente agride a natureza com o que de melhor a ci\u00eancia pode oferecer para prevenir ou reduzir seus efeitos negativos.<\/p>\n\n\n\n<p>O que de ruim o futuro ainda reserva \u00e0 Amaz\u00f4nia, meio s\u00e9culo depois do encontro de Estocolmo?<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Amaz\u00f4nia Real &#8211; A Amaz\u00f4nia segundo L\u00facio Fl\u00e1vio Pinto &#8211; Em 1972, foi realizado em Estocolmo, na Su\u00e9cia, o primeiro encontro de amplitude mundial para discutir um tema ent\u00e3o de vanguarda: as rela\u00e7\u00f5es entre o desenvolvimento e o meio ambiente. 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