{"id":34792,"date":"2024-03-27T13:49:58","date_gmt":"2024-03-27T17:49:58","guid":{"rendered":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/?p=34792"},"modified":"2024-03-27T13:49:58","modified_gmt":"2024-03-27T17:49:58","slug":"consumo-de-carne-de-quelonios-e-parte-da-cultura-amazonense-mas-caca-predatoria-e-maior-ameaca","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/2024\/03\/27\/consumo-de-carne-de-quelonios-e-parte-da-cultura-amazonense-mas-caca-predatoria-e-maior-ameaca\/","title":{"rendered":"Consumo de carne de quel\u00f4nios \u00e9 parte da cultura amazonense, mas ca\u00e7a predat\u00f3ria \u00e9 maior amea\u00e7a"},"content":{"rendered":"<div class=\"entry-content\">\n<p><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" data-attachment-id=\"34793\" data-permalink=\"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/2024\/03\/27\/consumo-de-carne-de-quelonios-e-parte-da-cultura-amazonense-mas-caca-predatoria-e-maior-ameaca\/img_0921\/\" data-orig-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2024\/03\/IMG_0921.jpeg?fit=512%2C341\" data-orig-size=\"512,341\" data-comments-opened=\"0\" data-image-meta=\"{&quot;aperture&quot;:&quot;0&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;0&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;0&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;0&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0&quot;,&quot;title&quot;:&quot;&quot;,&quot;orientation&quot;:&quot;0&quot;}\" data-image-title=\"IMG_0921\" data-image-description=\"\" data-image-caption=\"\" data-medium-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2024\/03\/IMG_0921.jpeg?fit=300%2C200\" data-large-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2024\/03\/IMG_0921.jpeg?fit=512%2C341\" class=\"alignnone size-full wp-image-34793\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2024\/03\/IMG_0921.jpeg?resize=512%2C341\" alt=\"\" width=\"512\" height=\"341\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2024\/03\/IMG_0921.jpeg?w=512 512w, https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2024\/03\/IMG_0921.jpeg?resize=300%2C200 300w, https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2024\/03\/IMG_0921.jpeg?resize=450%2C300 450w\" sizes=\"auto, (max-width: 512px) 100vw, 512px\" \/><\/p>\n<p>Infoamazonia, por Adrisa de Go\u00e9s &#8211; Quel\u00f4nios, que incluem tartarugas, c\u00e1gados e jabutis, fazem parte da alimenta\u00e7\u00e3o da popula\u00e7\u00e3o desde que os colonizadores chegaram ao rio Amazonas. A carne foi incorporada \u00e0 mesa, principalmente, das comunidades ribeirinhas e tradicionais. No entanto, fiscaliza\u00e7\u00e3o fragilizada no interior do estado e ca\u00e7a predat\u00f3ria amea\u00e7am as esp\u00e9cies e a biodiversidade amaz\u00f4nica.<\/p>\n<p>A alimenta\u00e7\u00e3o \u00e0 base de quel\u00f4nios, que incluem tartarugas, c\u00e1gados e jabutis, \u00e9 um h\u00e1bito culturalmente conhecido por ribeirinhos e comunidades tradicionais do Amazonas. Moradores do estado entrevistados pela <strong>InfoAmazonia<\/strong> afirmam que a carne \u00e9 \u201craramente consumida\u201d, mas essencial para as popula\u00e7\u00f5es da regi\u00e3o. H\u00e1 controv\u00e9rsias sobre a explora\u00e7\u00e3o desses animais como fonte de subsist\u00eancia, mas a amea\u00e7a \u00e0 biodiversidade est\u00e1 na ca\u00e7a predat\u00f3ria, como indicam dados do Batalh\u00e3o Ambiental da Pol\u00edcia Militar do Amazonas (BPAmb): entre 2013 e 2023, foram apreendidas 4.551 unidades oriundas de ca\u00e7a ilegal no estado.<\/p>\n<p>Esses n\u00fameros apontam, no entanto, para uma subnotifica\u00e7\u00e3o da ca\u00e7a ilegal, ligada \u00e0 falta de fiscaliza\u00e7\u00e3o no interior do Amazonas. Em 2021, a bi\u00f3loga Willandia Chaves, pesquisadora no Departamento de Conserva\u00e7\u00e3o de Peixes e Fauna Silvestre da Universidade Virginia Tech, nos Estados Unidos, liderou um <a href=\"https:\/\/conbio.onlinelibrary.wiley.com\/doi\/abs\/10.1111\/cobi.13663\">estudo<\/a> para contabilizar o n\u00famero real de carne de tartaruga que chega aos domic\u00edlios do estado. O levantamento indicou que foram consumidas, em m\u00e9dia, 1,7 milh\u00e3o de unidades por ano. Manaus corresponde a cerca de um ter\u00e7o desse total.<\/p>\n<p>A pesquisa da bi\u00f3loga contrasta com os dados oficiais, que, al\u00e9m de muito mais baixos em compara\u00e7\u00e3o com os do estudo, mostram uma oscila\u00e7\u00e3o, ano a ano. Por exemplo, em 2021, quando Chaves estimou uma m\u00e9dia na casa dos milh\u00f5es, ocorreram 183 apreens\u00f5es no estado, segundo o BPAmb.<\/p>\n<div class=\"wp-block-group alignwide is-layout-constrained wp-block-group-is-layout-constrained\">\n<div class=\"wp-block-group__inner-container\"><iframe id=\"datawrapper-chart-ntQa9\" title=\"2013 lidera o n\u00famer de apreens\u00f5es de quel\u00f4nios no Amazonas\" src=\"https:\/\/datawrapper.dwcdn.net\/ntQa9\/1\/\" height=\"500\" frameborder=\"0\" scrolling=\"no\" aria-label=\"Column Chart\" data-external=\"1\"><\/iframe><\/div>\n<\/div>\n<p>\u00c0 <strong>InfoAmazonia<\/strong>, o Batalh\u00e3o Ambiental diz que \u201ctem atuado atrav\u00e9s de fiscaliza\u00e7\u00e3o resultante de den\u00fancias, bem como opera\u00e7\u00f5es integradas com os \u00f3rg\u00e3os de prote\u00e7\u00e3o ambiental\u201d. O \u00f3rg\u00e3o afirma que a principal motiva\u00e7\u00e3o, que p\u00f5e esses animais na mira de infratores, \u00e9 a comercializa\u00e7\u00e3o ilegal da carne e ovos das esp\u00e9cies. A reportagem insistiu por diversas vezes \u2013 tanto por telefone, quanto por e-mail \u2013 para entender qual \u00e9 o padr\u00e3o de fiscaliza\u00e7\u00e3o (frequ\u00eancia e efetivo) no estado, mas, at\u00e9 a publica\u00e7\u00e3o, n\u00e3o recebeu uma resposta do \u00f3rg\u00e3o do Amazonas.<\/p>\n<p>Na esfera federal, o \u00f3rg\u00e3o respons\u00e1vel pelas a\u00e7\u00f5es que envolvem o controle de animais silvestres \u00e9 o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renov\u00e1veis (Ibama). No portal do \u00f3rg\u00e3o, n\u00e3o est\u00e3o dispon\u00edveis os dados de apreens\u00f5es de quel\u00f4nios. A <strong>InfoAmazonia<\/strong> enviou perguntas e pediu os n\u00fameros ao escrit\u00f3rio da institui\u00e7\u00e3o em Bras\u00edlia, mas n\u00e3o obteve resposta at\u00e9 a publica\u00e7\u00e3o desta reportagem.<\/p>\n<h2 id=\"h-costume-a-mesa\" class=\"wp-block-heading\">Costume \u00e0 mesa<\/h2>\n<p>Na Amaz\u00f4nia, encontramos diversas esp\u00e9cies, como a tartaruga-da-amaz\u00f4nia, que pode alcan\u00e7ar at\u00e9 90 cent\u00edmetros de comprimento e 65 quilos, depositando entre 100 e 150 ovos anualmente. J\u00e1 o tracaj\u00e1 atinge cerca de 50 cent\u00edmetros e 12 quilos na vida adulta, e \u00e9 diferenciado por manchas amarelas na cabe\u00e7a em filhotes e machos adultos. O ia\u00e7\u00e1, ou piti\u00fa, \u00e9 uma das menores esp\u00e9cies do g\u00eanero <em>Podocnemis<\/em>, alcan\u00e7ando at\u00e9 34 cent\u00edmetros de comprimento e 3,5 quilos, com uma m\u00e9dia de 16 ovos postos em praias durante a desova. Essas tr\u00eas esp\u00e9cies est\u00e3o entre as mais capturadas pela ca\u00e7a e, de acordo com a plataforma <a href=\"https:\/\/salve.icmbio.gov.br\/#\/\">de dados \u201cSalve\u201d<\/a>, do Instituto Chico Mendes de Conserva\u00e7\u00e3o da Biodiversidade (ICMBio), integram a lista de animais quase amea\u00e7ados de extin\u00e7\u00e3o do bioma.<\/p>\n<figure class=\"wp-block-image alignwide size-large\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-179688\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/infoamazonia.org\/wp-content\/uploads\/2024\/03\/GP0ZWH-1024x667.jpg?resize=600%2C391&#038;ssl=1\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" srcset=\"https:\/\/infoamazonia.org\/wp-content\/uploads\/2024\/03\/GP0ZWH-1024x667.jpg 1024w, https:\/\/infoamazonia.org\/wp-content\/uploads\/2024\/03\/GP0ZWH-300x195.jpg 300w, https:\/\/infoamazonia.org\/wp-content\/uploads\/2024\/03\/GP0ZWH-768x500.jpg 768w, https:\/\/infoamazonia.org\/wp-content\/uploads\/2024\/03\/GP0ZWH-1536x1000.jpg 1536w, https:\/\/infoamazonia.org\/wp-content\/uploads\/2024\/03\/GP0ZWH-2048x1333.jpg 2048w, https:\/\/infoamazonia.org\/wp-content\/uploads\/2024\/03\/GP0ZWH-1200x781.jpg 1200w, https:\/\/infoamazonia.org\/wp-content\/uploads\/2024\/03\/GP0ZWH-1568x1021.jpg 1568w, https:\/\/infoamazonia.org\/wp-content\/uploads\/2024\/03\/GP0ZWH-400x260.jpg 400w\" alt=\"\" width=\"600\" height=\"391\" data-cfsrc=\"https:\/\/infoamazonia.org\/wp-content\/uploads\/2024\/03\/GP0ZWH-1024x667.jpg\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Tartaruga fotografada em expedi\u00e7\u00e3o \u00e0 \u00e1rea preservada em Manaus Foto: John Novis\/Greenpeace<\/figcaption><\/figure>\n<p>O consumo dessas tartarugas como fonte de alimento est\u00e1 associado ao cotidiano dos amazonenses pelo menos desde o s\u00e9culo 16, quando os colonizadores chegaram ao rio Amazonas e encontraram a floresta habitada por povos ind\u00edgenas.<\/p>\n<p>A reportagem foi at\u00e9 a \u00e1rea do Porto de Manaus e da Manaus Moderna, regi\u00e3o central da capital amazonense onde a circula\u00e7\u00e3o de pessoas \u00e9 mais intensa. Ind\u00edgena da etnia Sater\u00e9 Maw\u00e9, o aut\u00f4nomo Marco Ant\u00f4nio Costa de Souza, 18 anos, nasceu na capital e admite j\u00e1 ter consumido tracaj\u00e1 e tartaruga-da-amaz\u00f4nia. Para ele, o alimento \u00e9 tido como um prato servido \u00e0 mesa apenas em ocasi\u00f5es importantes, como em anivers\u00e1rios de parentes ind\u00edgenas ou em festas de fim de ano.<\/p>\n<p>\u201cA minha av\u00f3 fazia receitas ind\u00edgenas com quel\u00f4nios e era cultural dentro de casa, muito para ela relembrar das ra\u00edzes dela, j\u00e1 que ela se casou com o meu av\u00f4, que tinha descend\u00eancia portuguesa. Com isso, ela optou por preservar esse costume na fam\u00edlia. Meu familiares tamb\u00e9m fazem esse consumo raramente, assim como eu. At\u00e9 porque temos a consci\u00eancia de preserva\u00e7\u00e3o\u201d, disse.<\/p>\n<p>Atualmente morando em uma \u00e1rea ribeirinha do munic\u00edpio de Autazes (a 111 quil\u00f4metros de Manaus), a operadora de caixa Denise Magalh\u00e3es dos Santos, 37 anos, tamb\u00e9m conta que j\u00e1 consumiu tracaj\u00e1 em suas refei\u00e7\u00f5es e concorda com Marco Ant\u00f4nio: \u201c\u00e9 tradi\u00e7\u00e3o [o consumo], um costume da gente comer essa comida que faz parte do cotidiano do ribeirinho. N\u00e3o que a gente coma v\u00e1rias vezes. \u00c9 mais no final do ano ou quando sai pra ca\u00e7ar eventualmente\u201d, ela afirma.<\/p>\n<p>Orlandina Silva de Almeida, dom\u00e9stica, 57 anos, afirma que o consumo desses animais, muitas vezes, tem uma outra raz\u00e3o: a falta de outros alimentos. Ela conta que j\u00e1 viveu em comunidades ribeirinhas e que, em muitos per\u00edodos, a inseguran\u00e7a alimentar preocupa a popula\u00e7\u00e3o, que recorre \u00e0 carne de ca\u00e7a.<\/p>\n<p>\u201cEu j\u00e1 morei no interior do Amazonas. Cheguei a consumir o tracaj\u00e1 e tamb\u00e9m fiz o consumo dos ovos. Naquela \u00e9poca, n\u00e3o era como agora, que \u00e9 proibido. Na \u00e9poca, que meu pai morava no interior, n\u00e3o era. Essa \u00e9 a alimenta\u00e7\u00e3o do ribeirinho no Amazonas (&#8230;) Quando eu comi foi mais uma quest\u00e3o de necessidade. Tem per\u00edodos, pra quem vive no interior, que a comida \u00e9 escassa, ent\u00e3o as pessoas v\u00e3o se alimentando do que vai aparecendo\u201d, explicou \u00e0 <strong>InfoAmazonia<\/strong>.<\/p>\n<p>A <a href=\"https:\/\/www.planalto.gov.br\/ccivil_03\/leis\/l9605.htm#:~:text=LEI%20N%C2%BA%209.605%2C%20DE%2012%20DE%20FEVEREIRO%20DE%201998.&amp;text=Disp%C3%B5e%20sobre%20as%20san%C3%A7%C3%B5es%20penais,ambiente%2C%20e%20d%C3%A1%20outras%20provid%C3%AAncias.\">Lei de Crimes Ambientais n.\u00ba 9.605<\/a>, de 1998, estipula que a retirada de quel\u00f4nios da natureza sem autoriza\u00e7\u00e3o de \u00f3rg\u00e3os oficiais e o com\u00e9rcio desses animais s\u00e3o considerados crimes ambientais. O n\u00e3o cumprimento dessa legisla\u00e7\u00e3o pode resultar em deten\u00e7\u00e3o, variando de seis meses a um ano, al\u00e9m de multa. No entanto, h\u00e1 uma exce\u00e7\u00e3o quando a ca\u00e7a \u00e9 realizada por necessidade alimentar, ou seja, para saciar a fome do ca\u00e7ador ou de sua fam\u00edlia.<\/p>\n<p>A pena pode ser aumentada em 50% se o crime for praticado contra esp\u00e9cies raras ou amea\u00e7adas de extin\u00e7\u00e3o. O aumento tamb\u00e9m se aplica se o crime ocorrer em per\u00edodo proibido \u00e0 ca\u00e7a, em unidades de conserva\u00e7\u00e3o ou com o uso de m\u00e9todos capazes de provocar destrui\u00e7\u00e3o em massa. No caso de crime ambiental durante a ca\u00e7a profissional, a pena \u00e9 triplicada.<\/p>\n<h2 id=\"h-ameaca-ao-ecossistema\" class=\"wp-block-heading\">Amea\u00e7a ao ecossistema<\/h2>\n<p>Paulo Andrade, doutor em Biologia de \u00c1gua Doce e Pesca Interior pelo Instituto Nacional de Pesquisas da Amaz\u00f4nia (<a href=\"https:\/\/www.gov.br\/inpa\/pt-br\">Inpa<\/a>) e professor da Universidade Federal do Amazonas (<a href=\"https:\/\/ufam.edu.br\/\">Ufam<\/a>), tem experi\u00eancia na cria\u00e7\u00e3o e manejo de animais silvestres, incluindo os quel\u00f4nios. Ele afirma que a interfer\u00eancia desenfreada do homem pode desencadear desequil\u00edbrios no ecossistema, j\u00e1 que essas esp\u00e9cies desempenham um papel fundamental na cadeia alimentar animal.<\/p>\n<p>Peixes como aruan\u00e3 e piranha, assim como jacar\u00e9, gavi\u00e3o e, ainda, mam\u00edferos, a exemplo da mucura, on\u00e7a e gato maracaj\u00e1, se alimentam de tartarugas. Esse ciclo garante a manuten\u00e7\u00e3o da fauna da Amaz\u00f4nia, em que um ser vivo serve de alimento para o outro.<\/p>\n<p>\u201cAqui, na Amaz\u00f4nia, os filhotes de quel\u00f4nios, os ovos, os pr\u00f3prios animais adultos e subadultos servem de alimento para outras esp\u00e9cies de animais, tanto do ambiente aqu\u00e1tico quanto do ambiente terrestre, da zona de transi\u00e7\u00e3o da praia, onde vivem os quel\u00f4nios. Ent\u00e3o, os filhotinhos de quel\u00f4nios quando nascem, filhotes de tartaruga-da-amaz\u00f4nia, por exemplo, e os ovos que elas botam, s\u00e3o fonte de prote\u00edna para uma s\u00e9rie de animais\u201d, explica o pesquisador.<\/p>\n<p>Outro papel ecol\u00f3gico dos quel\u00f4nios, segundo Andrade, \u00e9 a dispers\u00e3o de sementes na natureza, contribuindo para a regenera\u00e7\u00e3o de florestas e \u00e1reas naturais. Essa fun\u00e7\u00e3o \u00e9 crucial para a preserva\u00e7\u00e3o da biodiversidade, j\u00e1 que esses animais se alimentam de uma variedade de frutas, legumes e folhas, criando condi\u00e7\u00f5es ideais para a germina\u00e7\u00e3o de sementes ap\u00f3s a digest\u00e3o.<\/p>\n<p>\u201cO principal impacto da ca\u00e7a de quel\u00f4nios no meio ambiente \u00e9 retirar essa fonte de alimenta\u00e7\u00e3o, essa base da cadeia alimentar dos outros animais. Onde temos mais quel\u00f4nios, temos mais de tudo: mais peixes, mais jacar\u00e9s, mais aves aqu\u00e1ticas, entre outros. \u00c9 um efeito multiplicador. E quando n\u00e3o se tem, ou seja, quando h\u00e1 ca\u00e7a, diminui tudo ao ponto de quase levar a uma situa\u00e7\u00e3o de extin\u00e7\u00e3o no local. As outras esp\u00e9cies que se alimentam desses animais v\u00e3o sentir e, consequentemente, reduzir bastante\u201d, destaca o pesquisador.<\/p>\n<figure class=\"wp-block-image alignwide size-full\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-179700\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/infoamazonia.org\/wp-content\/uploads\/2024\/03\/d643b97a-bcdd-4738-8614-fb4d9ab08603-1.png?resize=600%2C450&#038;ssl=1\" sizes=\"auto, (max-width: 768px) 100vw, 768px\" srcset=\"https:\/\/infoamazonia.org\/wp-content\/uploads\/2024\/03\/d643b97a-bcdd-4738-8614-fb4d9ab08603-1.png 768w, https:\/\/infoamazonia.org\/wp-content\/uploads\/2024\/03\/d643b97a-bcdd-4738-8614-fb4d9ab08603-1-300x225.png 300w, https:\/\/infoamazonia.org\/wp-content\/uploads\/2024\/03\/d643b97a-bcdd-4738-8614-fb4d9ab08603-1-400x300.png 400w, https:\/\/infoamazonia.org\/wp-content\/uploads\/2024\/03\/d643b97a-bcdd-4738-8614-fb4d9ab08603-1-200x150.png 200w\" alt=\"\" width=\"600\" height=\"450\" data-cfsrc=\"https:\/\/infoamazonia.org\/wp-content\/uploads\/2024\/03\/d643b97a-bcdd-4738-8614-fb4d9ab08603-1.png\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Projeto P\u00e9-de-Pincha realiza soltura de quel\u00f4nios na Reserva de Desenvolvimento Sustent\u00e1vel Igap\u00f3-A\u00e7u Foto: Divulga\u00e7\u00e3o\/Projeto P\u00e9-de-Pincha<\/figcaption><\/figure>\n<p>Andrade tamb\u00e9m \u00e9 coordenador-geral do <a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/programapedepincha\/\">Projeto P\u00e9-de-Pincha<\/a>, fundado em 1999 no munic\u00edpio de Terra Santa, no Par\u00e1. O projeto trabalha na conserva\u00e7\u00e3o comunit\u00e1ria dos quel\u00f4nios em cerca de 20 cidades do Amazonas, realizando atividades sociais para sensibilizar a popula\u00e7\u00e3o sobre a preserva\u00e7\u00e3o das esp\u00e9cies. Isso inclui palestras de educa\u00e7\u00e3o ambiental para crian\u00e7as, al\u00e9m do manejo e da soltura de quel\u00f4nios.<\/p>\n<p>\u201cA a\u00e7\u00e3o [do projeto com a comunidade] protege, principalmente, no per\u00edodo reprodutivo, para impedir que os animais adultos sejam capturados, que os ovos sejam retirados, que os filhotes sejam comercializados\u201d, diz.<\/p>\n<p>J\u00e1 a Secretaria de Estado de Meio Ambiente (Sema) afirma que realiza um trabalho direcionado \u00e0 prote\u00e7\u00e3o e ao aumento das esp\u00e9cies de quel\u00f4nios nos rios do Amazonas. Essa atividade conta com o apoio de Agentes Ambientais Volunt\u00e1rios (AAV) capacitados pela pasta, de comunit\u00e1rios e, em algumas Unidades de Conserva\u00e7\u00e3o (UCs), em colabora\u00e7\u00e3o com integrantes do Projeto P\u00e9-de-Pincha.<\/p>\n<p>Os monitores percorrem praias, campinas ou barrancos em busca das covas onde as f\u00eameas depositam seus ovos durante a descida dos rios. Ao encontr\u00e1-las, as covas s\u00e3o demarcadas e monitoradas at\u00e9 a eclos\u00e3o dos ovos. Em situa\u00e7\u00f5es de maior amea\u00e7a, os ovos s\u00e3o realocados em &#8220;ber\u00e7\u00e1rios&#8221;, ambientes que reproduzem o habitat natural dos animais.<\/p>\n<p>Ap\u00f3s o nascimento, os filhotes s\u00e3o transferidos para tanques, onde ficam por 60 dias at\u00e9 atingirem um tamanho seguro para serem soltos. Desde o in\u00edcio do projeto, em 2018, at\u00e9 2023, 1,9 milh\u00e3o de quel\u00f4nios foram devolvidos \u00e0 natureza, nas 14 Unidades de Conserva\u00e7\u00e3o Estaduais que realizam o monitoramento.<\/p>\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\" \/>\n<p><em>Esta reportagem \u00e9 resultado de uma forma\u00e7\u00e3o realizada pela <strong>InfoAmazonia<\/strong> no \u00e2mbito do projeto <strong>Conservando Juntos<\/strong>, implementado pela <strong>Internews<\/strong> em alian\u00e7a com a <strong>USAID<\/strong> e a <strong>WCS<\/strong>.<\/em><\/p>\n<\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<footer class=\"entry-footer\"><\/footer>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Infoamazonia, por Adrisa de Go\u00e9s &#8211; Quel\u00f4nios, que incluem tartarugas, c\u00e1gados e jabutis, fazem parte da alimenta\u00e7\u00e3o da popula\u00e7\u00e3o desde que os colonizadores chegaram ao rio Amazonas. A carne foi incorporada \u00e0 mesa, principalmente, das comunidades ribeirinhas e tradicionais. No entanto, fiscaliza\u00e7\u00e3o fragilizada no interior do estado e ca\u00e7a predat\u00f3ria amea\u00e7am as esp\u00e9cies e a&#8230;<a class=\"more-link\" href=\"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/2024\/03\/27\/consumo-de-carne-de-quelonios-e-parte-da-cultura-amazonense-mas-caca-predatoria-e-maior-ameaca\/\">Continue a leitura <span class=\"meta-nav\">&raquo;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_exactmetrics_skip_tracking":false,"_exactmetrics_sitenote_active":false,"_exactmetrics_sitenote_note":"","_exactmetrics_sitenote_category":0,"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","enabled":false},"version":2}},"categories":[1],"tags":[252,877,876],"class_list":["post-34792","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-notas","tag-amazonia","tag-caca","tag-quelonios"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p7wKYW-93a","jetpack-related-posts":[],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/34792","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=34792"}],"version-history":[{"count":1,"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/34792\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":34794,"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/34792\/revisions\/34794"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=34792"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=34792"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=34792"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}