{"id":34813,"date":"2024-03-28T18:28:49","date_gmt":"2024-03-28T22:28:49","guid":{"rendered":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/?p=34813"},"modified":"2024-03-28T18:34:14","modified_gmt":"2024-03-28T22:34:14","slug":"ponte-brasil-bolivia-quer-escoar-producao-do-agro-mas-nao-considera-desmatamento-e-impacto-nas-comunidades","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/2024\/03\/28\/ponte-brasil-bolivia-quer-escoar-producao-do-agro-mas-nao-considera-desmatamento-e-impacto-nas-comunidades\/","title":{"rendered":"Ponte Brasil-Bol\u00edvia quer escoar produ\u00e7\u00e3o do agro, mas n\u00e3o considera desmatamento e impacto nas comunidades"},"content":{"rendered":"<div class=\"td-pb-row\">\n<div class=\"td-pb-span8 td-main-content\" role=\"main\">\n<div class=\"td-ss-main-content\">\n<article id=\"post-167094\" class=\"post-167094 post type-post status-publish format-standard has-post-thumbnail category-geral category-manchete\">\n<div class=\"td-post-sharing-top\">\n<div id=\"td_social_sharing_article_top\" class=\"td-post-sharing td-ps-bg td-ps-notext td-post-sharing-style1 \">\n<div class=\"td-post-sharing-visible\">\n<blockquote>\n<div class=\"td-social-but-icon\"><\/div>\n<\/blockquote>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"td-post-content tagdiv-type\">\n<div class=\"td-post-featured-image\"><a class=\"td-modal-image\" href=\"https:\/\/i0.wp.com\/maisro.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/03\/423671012_18414881632016388_4783385291489407916_n-1200x678-1.jpg?ssl=1\" data-caption=\"\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"entry-thumb td-animation-stack-type0-2\" title=\"423671012_18414881632016388_4783385291489407916_n-1200x678\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/maisro.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/03\/423671012_18414881632016388_4783385291489407916_n-1200x678-1-696x393.jpg?resize=600%2C339&#038;ssl=1\" sizes=\"auto, (max-width: 696px) 100vw, 696px\" srcset=\"https:\/\/maisro.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/03\/423671012_18414881632016388_4783385291489407916_n-1200x678-1-696x393.jpg 696w, https:\/\/maisro.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/03\/423671012_18414881632016388_4783385291489407916_n-1200x678-1-960x542.jpg 960w, https:\/\/maisro.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/03\/423671012_18414881632016388_4783385291489407916_n-1200x678-1-150x85.jpg 150w, https:\/\/maisro.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/03\/423671012_18414881632016388_4783385291489407916_n-1200x678-1-300x170.jpg 300w, https:\/\/maisro.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/03\/423671012_18414881632016388_4783385291489407916_n-1200x678-1-1068x603.jpg 1068w, https:\/\/maisro.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/03\/423671012_18414881632016388_4783385291489407916_n-1200x678-1.jpg 1200w\" alt=\"\" width=\"600\" height=\"339\" \/><\/a><\/div>\n<div class=\"code-block code-block-5\">\n<div id=\"intext1_alright\">\n<div id=\"supertag-ad-cuvr2fise\" data-google-query-id=\"COXJ2vz-l4UDFeMFuQYdavEISg\">\n<div id=\"google_ads_iframe_\/21830119956,23062658177\/maisro\/0124n_INTEXT1_MOB_0__container__\"><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"entry-content\">\n<p><strong>InfoAmazonia, Por F\u00e1bio Bispo<\/strong> &#8211; O projeto ainda n\u00e3o prev\u00ea impacto ambiental significativo em regi\u00e3o com 49 terras ind\u00edgenas e 86 unidades de conserva\u00e7\u00e3o. Prioridade no novo PAC, a ponte tem conclus\u00e3o prevista para 2027 e dever\u00e1 conectar \u00e1reas produtoras do agroneg\u00f3cio do Brasil e Bol\u00edvia a portos no Atl\u00e2ntico e Pac\u00edfico.<\/p>\n<div class=\"code-block code-block-6\">O trajeto entre Porto Velho, capital de Rond\u00f4nia, e Guajar\u00e1-Mirim, munic\u00edpio na fronteira com a Bol\u00edvia, faz esquecer que estamos na Amaz\u00f4nia. A paisagem no horizonte varia pouco: quando n\u00e3o \u00e9 gado, \u00e9 soja a perder de vista, com pouca ou nenhuma floresta. M\u00e1quinas e caminh\u00f5es graneleiros transitam nos dois sentidos da BR-364. Mas, por enquanto, toda essa produ\u00e7\u00e3o agr\u00edcola \u00e9 transportada pelas estradas at\u00e9 um certo limite geogr\u00e1fico de escoamento, localizado na margem direita do rio Mamor\u00e9, no oeste do estado. Do outro lado, est\u00e1 a cidade boliviana Guayaramerin.<\/div>\n<div class=\"wp-block-group alignwide is-layout-constrained wp-block-group-is-layout-constrained\">\n<div class=\"wp-block-group__inner-container\">\n<div class=\"wp-block-jeo-theme-custom-image-gallery-block image-gallery\">\n<div class=\"image-gallery-wrapper\">\n<div class=\"gallery-grid\" data-total-slides=\"2\">\n<div class=\"sss\">\n<div class=\"gallery-item-container ssslide\">\n<p><img data-recalc-dims=\"1\" decoding=\"async\" class=\"gallery-item td-animation-stack-type0-2\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/infoamazonia.org\/wp-content\/uploads\/2024\/03\/travessia_bolivia.jpg?w=600&#038;ssl=1\" alt=\"\" \/><\/p>\n<div class=\"image-meta\">\n<div class=\"image-description\">Rio Mamor\u00e9 do lado boliviano, perto da cabeceira da ponte Brasil\/Bol\u00edvia, na cidade de Guayaramerin. F\u00e1bio Bispo\/InfoAmazonia<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<p>\u00c9 neste ponto da fronteira que o governo federal vai construir a ponte binacional Brasil-Bol\u00edvia, um pedido hist\u00f3rico do agroneg\u00f3cio brasileiro, uma das obras priorit\u00e1rias do novo\u00a0<a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=k4WrZDEUHog\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Projeto de Acelera\u00e7\u00e3o do Crescimento (PAC)<\/a>. A licita\u00e7\u00e3o foi\u00a0<a href=\"https:\/\/www.gov.br\/transportes\/pt-br\/assuntos\/noticias\/2023\/11\/demanda-historica-ponte-internacional-de-guaraja-mirim-tem-edital-lancado-conexao-entre-brasil-e-bolivia\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">lan\u00e7ada no final do ano passado<\/a>\u00a0com a promessa de consolidar a liga\u00e7\u00e3o transoce\u00e2nica, conectando as regi\u00f5es produtoras do Brasil e da Bol\u00edvia aos portos com sa\u00edda para o Atl\u00e2ntico, na bacia amaz\u00f4nica, e para o Pac\u00edfico, principalmente nas cidades de Arica, no Chile, e Illo, no Peru.<\/p>\n<p>Com um custo inicial de R$ 430 milh\u00f5es e previs\u00e3o de conclus\u00e3o da obra em 2027, o projeto quer impulsionar o escoamento da produ\u00e7\u00e3o do agroneg\u00f3cio em uma das regi\u00f5es mais desmatadas da Amaz\u00f4nia. O principal objetivo \u00e9 viabilizar a exporta\u00e7\u00e3o brasileira a custos mais baixos para outros continentes e pa\u00edses, especialmente para China, que \u00e9 o principal parceiro comercial da Am\u00e9rica do Sul e que est\u00e1 construindo a\u00a0<a href=\"https:\/\/www.bbc.com\/portuguese\/articles\/cyj243xzvnwo\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">maior estrutura portu\u00e1ria do continente em Chancay<\/a>, a 600 quil\u00f4metros da capital peruana Lima. Com a nova ponte, uma viagem \u00e0 China, por exemplo, levaria 12 dias a menos do que atualmente, podendo gerar uma economia de at\u00e9 30% nos custos de log\u00edstica.<\/p>\n<p>\u201cA ponte \u00e9 uma v\u00e9rtebra da espinha dorsal que vai finalmente ligar o Brasil a esses pa\u00edses e que envolve uma s\u00e9rie de outros projetos de rodovias, ferrovias e hidrovias. A infraestrutura, de fato, \u00e9 uma quest\u00e3o importante nessa regi\u00e3o da Amaz\u00f4nia, mas a quest\u00e3o \u00e9 que n\u00e3o se discute esse desenvolvimento dentro de um planejamento estrat\u00e9gico, em como ele vai se relacionar com as popula\u00e7\u00f5es locais\u201d, aponta pesquisadora Marta Cerqueira Melo, que estuda a integra\u00e7\u00e3o log\u00edstica Brasil-Bol\u00edvia da perspectiva das rela\u00e7\u00f5es internacionais no Programa de P\u00f3s-Gradua\u00e7\u00e3o em Rela\u00e7\u00f5es Internacionais San Tiago Dantas (UNESP-UNICAMP-PUC\/SP).<\/p>\n<figure class=\"wp-block-pullquote alignwide is-style-jeo\">\n<blockquote><p>A ponte \u00e9 uma v\u00e9rtebra da espinha dorsal que vai finalmente ligar o Brasil a esses pa\u00edses e que envolve uma s\u00e9rie de outros projetos de rodovias, ferrovias e hidrovias. A infraestrutura, de fato, \u00e9 uma quest\u00e3o importante nessa regi\u00e3o da Amaz\u00f4nia, mas a quest\u00e3o \u00e9 que n\u00e3o se discute esse desenvolvimento dentro de um planejamento estrat\u00e9gico, em como ele vai se relacionar com as popula\u00e7\u00f5es locais.<\/p>\n<p><cite>Marta Cerqueira Melo, pesquisadora<\/cite><\/p><\/blockquote>\n<\/figure>\n<h2 id=\"h-economia-para-o-agro-com-custo-alto-para-a-floresta\" class=\"wp-block-heading\"><strong>Economia para o agro com custo alto para a floresta<\/strong><\/h2>\n<p>Essa economia financeira e log\u00edstica prevista para o agro n\u00e3o leva em conta, pelo menos at\u00e9 agora, os riscos para a floresta e as comunidades tradicionais. A ponte binacional est\u00e1 inserida no projeto da denominada Zona de Desenvolvimento Sustent\u00e1vel Abun\u00e3-Madeira (SDZ), que abrange 32 munic\u00edpios nos estados de Amazonas, Acre e Rond\u00f4nia, regi\u00e3o tamb\u00e9m chamada de\u00a0<a href=\"https:\/\/infoamazonia.org\/webstories\/sul-do-amazonas-nova-fronteira-do-desmatamento-da-amazonia-2\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">AMACRO<\/a>, para cria\u00e7\u00e3o de um p\u00f3lo agr\u00edcola.<\/p>\n<p>Nessa regi\u00e3o, est\u00e3o pelo menos 49 terras ind\u00edgenas (TIs) e 86 unidades de conserva\u00e7\u00e3o (UCs), incluindo territ\u00f3rios com presen\u00e7a de povos isolados em \u00e1reas que j\u00e1 est\u00e3o invadidas, como \u00e9 o caso das TIs Karipuna, Igarap\u00e9 Lage e Uru-Eu-Wau-Wau; e das UCs Parque Estadual Guajar\u00e1-Mirim e\u00a0<a href=\"https:\/\/infoamazonia.org\/2024\/01\/16\/agropecuaria-ilegal-triplica-em-10-anos-na-resex-jaci-parana-em-rondonia\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Reserva Extrativista Jaci-Paran\u00e1<\/a>. A expans\u00e3o de \u00e1reas produtivas do agroneg\u00f3cio na AMACRO tem intensificado os\u00a0<a href=\"https:\/\/g1.globo.com\/ro\/rondonia\/noticia\/2024\/03\/23\/dois-homens-sao-presos-durante-operacao-contra-desmatamento-e-invasao-de-terra-indigena-em-ro.ghtml\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">conflitos no campo<\/a>\u00a0nessas \u00e1reas protegidas, como \u00e9 o caso da Terra Ind\u00edgena Igarap\u00e9-Lage, a mais pr\u00f3xima do local onde ser\u00e1 erguida a ponte.<\/p>\n<figure class=\"wp-block-embed aligncenter is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio\">\n<div class=\"wp-block-embed__wrapper\"><iframe loading=\"lazy\" title=\"Ponte binacional Brasil-Bol\u00edvia\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/WdNLWlVMofw?feature=oembed\" width=\"100%\" height=\"675\" frameborder=\"0\" allowfullscreen=\"allowfullscreen\" data-mce-fragment=\"1\"><\/iframe><\/div>\n<\/figure>\n<p>\u201cA soja j\u00e1 est\u00e1 chegando na terra ind\u00edgena e foi uma evolu\u00e7\u00e3o r\u00e1pida. At\u00e9 pouco tempo, era tudo pasto, agora j\u00e1 tem lavouras encostando nos territ\u00f3rios\u201d, conta Eva Kano\u00e9, lideran\u00e7a do povo Kano\u00e9 em Rond\u00f4nia e integrante do Conselho de Coordena\u00e7\u00e3o das Organiza\u00e7\u00f5es Ind\u00edgenas da Amaz\u00f4nia Brasileira (COIAB).<\/p>\n<p>Eva conta que o projeto n\u00e3o foi apresentado \u00e0 comunidade e que muito menos se falou em consulta. \u201cAs nossas terras j\u00e1 est\u00e3o sendo invadidas e devastadas. Agora mesmo, com a lei do marco temporal e com todas essas obras, as invas\u00f5es aumentaram. Estamos desprotegidos, preocupados, mas com coragem para seguir na luta\u201d, afirma.<\/p>\n<div class=\"wp-block-group alignwide is-layout-constrained wp-block-group-is-layout-constrained\">\n<div class=\"wp-block-group__inner-container\">\n<div class=\"wp-block-media-text is-stacked-on-mobile\">\n<figure class=\"wp-block-media-text__media\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-179961 size-full td-animation-stack-type0-2\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/infoamazonia.org\/wp-content\/uploads\/2024\/03\/Eva_Kanoe-1024x771.jpg?resize=600%2C452&#038;ssl=1\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" srcset=\"https:\/\/infoamazonia.org\/wp-content\/uploads\/2024\/03\/Eva_Kanoe-1024x771.jpg 1024w, https:\/\/infoamazonia.org\/wp-content\/uploads\/2024\/03\/Eva_Kanoe-300x226.jpg 300w, https:\/\/infoamazonia.org\/wp-content\/uploads\/2024\/03\/Eva_Kanoe-768x578.jpg 768w, https:\/\/infoamazonia.org\/wp-content\/uploads\/2024\/03\/Eva_Kanoe-1536x1157.jpg 1536w, https:\/\/infoamazonia.org\/wp-content\/uploads\/2024\/03\/Eva_Kanoe-2048x1542.jpg 2048w, https:\/\/infoamazonia.org\/wp-content\/uploads\/2024\/03\/Eva_Kanoe-400x301.jpg 400w, https:\/\/infoamazonia.org\/wp-content\/uploads\/2024\/03\/Eva_Kanoe-200x150.jpg 200w, https:\/\/infoamazonia.org\/wp-content\/uploads\/2024\/03\/Eva_Kanoe-1200x904.jpg 1200w, https:\/\/infoamazonia.org\/wp-content\/uploads\/2024\/03\/Eva_Kanoe-1568x1181.jpg 1568w\" alt=\"\" width=\"600\" height=\"452\" \/><\/figure>\n<div class=\"wp-block-media-text__content\">\n<figure class=\"wp-block-pullquote is-style-jeo\">\n<blockquote><p>A soja j\u00e1 est\u00e1 chegando na terra ind\u00edgena e foi uma evolu\u00e7\u00e3o r\u00e1pida. At\u00e9 pouco tempo, era tudo pasto, agora j\u00e1 tem lavouras encostando nos territ\u00f3rios<\/p>\n<p><cite>Eva Kano\u00e9, lideran\u00e7a em Rond\u00f4nia e integrante da COIAB<\/cite><\/p><\/blockquote>\n<\/figure>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<h2 id=\"h-ligacao-com-outras-obras-nbsp\" class=\"wp-block-heading\">Liga\u00e7\u00e3o com outras obras<\/h2>\n<p>A ponte tamb\u00e9m dever\u00e1 integrar os portos dos oceanos Atl\u00e2ntico e Pac\u00edfico a outras obras pol\u00eamicas na Amaz\u00f4nia,\u00a0<a href=\"https:\/\/infoamazonia.org\/2022\/08\/03\/plano-do-ministerio-da-economia-para-br-319-pode-regularizar-fazendas-com-indicio-de-grilagem\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">como a reconstru\u00e7\u00e3o da BR-319<\/a>, entre Porto Velho e Manaus (AM), apontada como\u00a0<a href=\"https:\/\/infoamazonia.org\/2022\/05\/03\/impulsionadas-pela-promessa-da-br-319-sul-do-amazonas-tem-mais-de-4-mil-km-de-estradas-ilegais\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">um dos grandes vetores de desmatamento da Amaz\u00f4nia<\/a>; a hidrovia do rio Madeira, por onde j\u00e1 ocorre escoamento de gr\u00e3os para os portos do chamado\u00a0<span class=\"tooltip-block\">Arco Norte<\/span><\/p>\n<div class=\"tooltip-block--content\">O Arco Norte \u00e9 um plano estrat\u00e9gico que abrange portos ou esta\u00e7\u00f5es de transbordos dos estados de Amap\u00e1, Amazonas, Par\u00e1, Rond\u00f4nia e Maranh\u00e3o. A regi\u00e3o \u00e9 de fundamental import\u00e2ncia para escoamento de commodities, principalmente de gr\u00e3os que tamb\u00e9m s\u00e3o produzidos no Mato Grosso.<\/div>\n<p>; e pode facilitar a\u00a0<a href=\"https:\/\/oeco.org.br\/reportagens\/povos-tradicionais-se-articulam-contra-hidreletrica-binacional-no-madeira\/\">constru\u00e7\u00e3o de novas usinas<\/a>\u00a0no Complexo Hidrel\u00e9trico do Madeira, que j\u00e1 conta com\u00a0<a href=\"https:\/\/infoamazonia.org\/2022\/07\/11\/a-morte-silenciosa-do-rio-madeira\/\">duas barragens em opera\u00e7\u00e3o<\/a>: Santo Ant\u00f4nio, logo acima de Porto Velho, e Jirau, a 110 quil\u00f4metros rio acima, perto da fronteira com a Bol\u00edvia.<\/p>\n<p>\u201cJunto com a ponte, vem a viabilidade dos projetos hidrel\u00e9tricos e da hidrovia para facilitar toda a expans\u00e3o desse modelo do agronegot\u00f3xico (sic). O plantio de soja j\u00e1 est\u00e1 avan\u00e7ando pelas vicinais e afetando as terras ind\u00edgenas, comunidades ribeirinhas e pescadores\u201d, afirma o historiador Iremar Ant\u00f4nio Ferreira, fundador do\u00a0<a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=9uOEjfMCwfw\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Instituto Madeira Vivo<\/a>\u00a0(IMV) e membro do Comit\u00ea de Defesa da Vida Amaz\u00f4nica na Bacia do Rio Madeira (COMVIDA).<\/p>\n<p>Ferreira afirma que h\u00e1 risco de viola\u00e7\u00e3o dos direitos dessas popula\u00e7\u00f5es por falta de estudos ambientais adequados \u201cque n\u00e3o consideram os efeitos sin\u00e9rgicos da obra\u201d e o descumprimento de\u00a0<a href=\"https:\/\/infoamazonia.org\/2022\/07\/01\/protocolos-de-consulta-indigena-na-amazonia-protegem-contra-cooptacao-e-atropelos-a-convencao-169-defende-antropologo\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">consultas pr\u00e9vias, livres e informadas \u00e0s comunidades, como estabelece a Conven\u00e7\u00e3o 169<\/a>\u00a0da Organiza\u00e7\u00e3o Internacional do Trabalho (OIT), que garante aos povos tradicionais o direito de serem consultados sobre todo e qualquer projeto ou ato administrativo que afetem seus territ\u00f3rios.<\/p>\n<p>\u201cS\u00e3o propostas que se conectam nessa grande integra\u00e7\u00e3o de infraestrutura para viabilizar projetos de desenvolvimento dos governos e empresas que arrancam o nosso povo do seu lugar. N\u00f3s, enquanto povos desta bacia do Madeira, defendemos projetos de envolvimentos, que incluam as comunidades, n\u00e3o esses que nos excluem e nos matam\u201d, completa Ferreira.<\/p>\n<p>Uma das preocupa\u00e7\u00f5es \u00e9 de que o desmatamento e os casos de conflitos sejam ampliados, a exemplo de outros empreendimentos que mant\u00eam rela\u00e7\u00e3o direta com o aumento do desmatamento na regi\u00e3o, como \u00e9 o caso das obras das usinas hidrel\u00e9tricas, da BR-319 e da Transamaz\u00f4nica, citados frequentemente como impulsionadores da devasta\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Em mar\u00e7o deste ano, um\u00a0<a href=\"https:\/\/www.sciencedirect.com\/science\/article\/pii\/S2530064424000099#gs0005\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">estudo<\/a>\u00a0publicado na\u00a0<em>Perspectives in Ecology and Conservation<\/em>\u00a0aponta que s\u00f3 o fato de o governo anunciar a cria\u00e7\u00e3o do polo agr\u00edcola na AMACRO foi suficiente para atrair produtores rurais e fazer o desmatamento na regi\u00e3o disparar.<\/p>\n<p>A pesquisa aponta que, ao contr\u00e1rio dos poss\u00edveis benef\u00edcios econ\u00f4micos da zona integrada, o desmatamento pode levar a perdas socioecon\u00f4micas e afetar condi\u00e7\u00f5es ambientais e clim\u00e1ticas essenciais para a atividade agropecu\u00e1ria no Brasil. Os autores destacam a import\u00e2ncia de um planejamento pr\u00e9vio antes da implanta\u00e7\u00e3o dos projetos da zona de desenvolvimento para evitar uma cat\u00e1strofe regional.<\/p>\n<h2 id=\"h-amacro-concentrou-34-do-desmatamento-na-amazonia\" class=\"wp-block-heading\">AMACRO concentrou 34% do desmatamento na Amaz\u00f4nia<\/h2>\n<p>A AMACRO, com seus 45 milh\u00f5es de hectares (ha), representa 8,9% da \u00e1rea total da Amaz\u00f4nia brasileira (501,5 milh\u00f5es ha), mas registrou, em 2022, 34% de todo o desmatamento do bioma no pa\u00eds, com 440 mil ha de floresta devastados, segundo dados de desmatamento anual do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe).<\/p>\n<p>Em dez anos, o desmatamento nessa regi\u00e3o cresceu mais de 400% e em uma intensidade at\u00e9 duas vezes maior do que a registrada nas demais \u00e1reas da Amaz\u00f4nia, segundo an\u00e1lises da\u00a0<strong>InfoAmazonia\u00a0<\/strong>com base nos dados do Inpe. A maior parte desse desmatamento est\u00e1 concentrada em Porto Velho, que, em 10 anos, foi a segunda cidade mais desmatada de toda a Amaz\u00f4nia.<\/p>\n<div class=\"wp-block-group alignwide is-layout-constrained wp-block-group-is-layout-constrained\">\n<div class=\"wp-block-group__inner-container\">\n<div class=\"flourish-embed flourish-chart\" data-src=\"visualisation\/17254534\">\n<p><iframe title=\"Interactive or visual content\" src=\"https:\/\/flo.uri.sh\/visualisation\/17254534\/embed?auto=1\" frameborder=\"0\" scrolling=\"no\" sandbox=\"allow-same-origin allow-forms allow-scripts allow-downloads allow-popups allow-popups-to-escape-sandbox allow-top-navigation-by-user-activation\" data-mce-fragment=\"1\"><\/iframe><\/p>\n<div class=\"flourish-credit\"><a href=\"https:\/\/flourish.studio\/visualisations\/line-bar-pie-charts\/?utm_source=showcase&amp;utm_campaign=visualisation\/17254534\" target=\"_top\" rel=\"noopener\"><img decoding=\"async\" class=\"td-animation-stack-type0-2\" src=\"https:\/\/public.flourish.studio\/resources\/bosh.svg\" alt=\"Flourish logo\" \/>A Flourish chart<\/a><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<p>Esse avan\u00e7o da produ\u00e7\u00e3o agr\u00edcola, movido \u00e0 destrui\u00e7\u00e3o das \u00e1reas de floresta, tamb\u00e9m imp\u00f5e uma reconfigura\u00e7\u00e3o dos polos produtivos, cada vez mais ao norte, e de distribui\u00e7\u00e3o de commodities como soja, milho e carne, que est\u00e3o migrando dos portos e das estruturas alocadas no Sudeste para serem escoados pela regi\u00e3o Norte, barateando os custos com transporte e log\u00edstica.<\/p>\n<p>Em 1985, existiam 1,6 milh\u00f5es de hectares de \u00e1reas de agropecu\u00e1ria em Rond\u00f4nia e 20,6 milh\u00f5es de hectares de florestas. Em 2022, a \u00e1rea ocupada pela agropecu\u00e1ria atingiu a marca de 9,2 milh\u00f5es de hectares (+475%), enquanto a cobertura por floresta caiu para 13 milh\u00f5es de hectares (-36,9%%), segundo dados da rede\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.mapbiomas.org\/\">MapBiomas<\/a>.<\/p>\n<div class=\"wp-block-group alignwide is-layout-constrained wp-block-group-is-layout-constrained\">\n<div class=\"wp-block-group__inner-container\">\n<div class=\"flourish-embed flourish-chart\" data-src=\"visualisation\/17271480\">\n<p><iframe title=\"Interactive or visual content\" src=\"https:\/\/flo.uri.sh\/visualisation\/17271480\/embed?auto=1\" frameborder=\"0\" scrolling=\"no\" sandbox=\"allow-same-origin allow-forms allow-scripts allow-downloads allow-popups allow-popups-to-escape-sandbox allow-top-navigation-by-user-activation\" data-mce-fragment=\"1\"><\/iframe><\/p>\n<div class=\"flourish-credit\"><a href=\"https:\/\/flourish.studio\/visualisations\/line-bar-pie-charts\/?utm_source=showcase&amp;utm_campaign=visualisation\/17271480\" target=\"_top\" rel=\"noopener\"><img decoding=\"async\" class=\"td-animation-stack-type0-2\" src=\"https:\/\/public.flourish.studio\/resources\/bosh.svg\" alt=\"Flourish logo\" \/>A Flourish chart<\/a><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<p>Para Laura Vicu\u00f1a, mission\u00e1ria do Conselho Indigenista Mission\u00e1rio (Cimi) em Rond\u00f4nia, o projeto de integra\u00e7\u00e3o binacional vai na contram\u00e3o das promessas do governo do presidente Lula (PT) \u2014 eleito com com o compromisso de proteger a Amaz\u00f4nia e os povos tradicionais \u2014 e amplia o descumprimento de decis\u00f5es judiciais que j\u00e1 determinam a desocupa\u00e7\u00e3o de terras ind\u00edgenas da regi\u00e3o.<\/p>\n<p>\u201cTemos decis\u00f5es do STF [<a href=\"https:\/\/portal.stf.jus.br\/processos\/detalhe.asp?incidente=5952986\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">ADPF 709<\/a>] para retirar os invasores das terras ind\u00edgenas que n\u00e3o est\u00e3o sendo cumpridas. E essa press\u00e3o vai aumentar ainda mais com esse corredor transoce\u00e2nico que vai afetar toda a regi\u00e3o da AMACRO. N\u00f3s temos visto o governo comemorar a redu\u00e7\u00e3o de desmatamento na Amaz\u00f4nia, mas aqui, na pr\u00e1tica, n\u00e3o \u00e9 isso que vemos\u201d, afirma a mission\u00e1ria.<\/p>\n<p>A pesquisadora Marta Cerqueira Melo tamb\u00e9m v\u00ea posicionamentos contradit\u00f3rios do Estado brasileiro, que coloca essas situa\u00e7\u00f5es como irresolv\u00edveis, principalmente, pela divis\u00e3o que aglutina a classe pol\u00edtica e empresarial de um lado e as comunidades e povos tradicionais de outro.<\/p>\n<p>\u201cSe existe a necessidade dessas infraestruturas para atender a economia, ela tem que ser pensada no contexto que se insere. Por que n\u00e3o prever uma governan\u00e7a que inclua a prote\u00e7\u00e3o ambiental? Por que n\u00e3o se leva universidades para essas regi\u00f5es? O Estado n\u00e3o pode ser dependente apenas de um segmento, e o agroneg\u00f3cio n\u00e3o pode se expandir sem limites\u201d.<\/p>\n<p>A pesquisadora cita o contexto global dos pa\u00edses da Am\u00e9rica do Sul, que t\u00eam a China como principal parceiro comercial, e as\u00a0<a href=\"https:\/\/veja.abril.com.br\/agenda-verde\/crise-do-clima-esvazia-canal-do-panama-e-paises-buscam-rota-alternativa\">limita\u00e7\u00f5es que o canal do Panam\u00e1 enfrenta com a crise clim\u00e1tica<\/a>, \u201ccom per\u00edodos de seca que interrompem o fluxo de navios\u201d, afirma. Atualmente, o canal \u00e9 a principal rota dos navios que saem do Atl\u00e2ntico com destino \u00e0 \u00c1sia.<\/p>\n<p>Consultado pela reportagem, o Minist\u00e9rio do Meio Ambiente e Mudan\u00e7a do Clima (MMA) informou que o projeto da ponte binacional est\u00e1 na fase inicial de licenciamento e que o processo para libera\u00e7\u00e3o do empreendimento \u201cter\u00e1 como base a apresenta\u00e7\u00e3o de\u00a0<span class=\"tooltip-block\">Estudo de Impacto Ambiental<\/span><\/p>\n<div class=\"tooltip-block--content\">O Estudo de Impacto Ambiental (EIA) \u00e9 um estudo ambiental de atividade ou empreendimento, utilizador de recursos ambientais, efetivo ou potencialmente causador de significativa polui\u00e7\u00e3o ou outra forma de significativa degrada\u00e7\u00e3o do meio ambiente.<\/div>\n<p>e\u00a0<span class=\"tooltip-block\">Relat\u00f3rio de Impacto Ambiental<\/span><\/p>\n<div class=\"tooltip-block--content\">O Relat\u00f3rio de Impacto Ambiental \u00e9 um documento p\u00fablico que consta os resultados dos estudos t\u00e9cnicos e cient\u00edficos da avalia\u00e7\u00e3o de impacto ambiental de uma empresa. Esses resultados s\u00e3o apresentados de forma mais objetiva e de f\u00e1cil entendimento para que qualquer interessado tenha acesso \u00e1 informa\u00e7\u00e3o.<\/div>\n<p>\u201cOs estudos ambientais dever\u00e3o analisar os efeitos sin\u00e9rgicos da implementa\u00e7\u00e3o do empreendimento, assim como indicar os principais impactos ambientais previstos por sua execu\u00e7\u00e3o e opera\u00e7\u00e3o. A avalia\u00e7\u00e3o sobre o projeto ser\u00e1 realizada a partir de tais subs\u00eddios t\u00e9cnicos\u201d, afirmou o \u00f3rg\u00e3o.<\/p>\n<p>O Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) informou que a\u00a0<a href=\"https:\/\/www1.dnit.gov.br\/editais\/consulta\/resumo.asp?NUMIDEdital=9874\">licita\u00e7\u00e3o<\/a>\u00a0para obra da ponte est\u00e1 em prazo de recursos, e que o resultado da empresa que vai realizar o projeto e constru\u00e7\u00e3o da estrutura deve ser homologado na segunda quinzena de abril.<\/p>\n<h2 id=\"h-rocas-castanheiras-e-igarapes-ameacados\" class=\"wp-block-heading\">Ro\u00e7as, castanheiras e igarap\u00e9s amea\u00e7ados<\/h2>\n<p>A Reserva Extrativista (Resex) Rio Ouro Preto, em Rond\u00f4nia, \u00e9 uma das primeiras unidades de uso sustent\u00e1vel criadas no Brasil para abrigar fam\u00edlias de seringueiros, e est\u00e1 a menos de 30 quil\u00f4metros do ponto de travessia do rio Mamor\u00e9, que ao se encontrar com o rio Madre de Dios, que atravessa o Peru e a Bol\u00edvia, forma o rio Madeira, principal tribut\u00e1rio da bacia do Amazonas. A convers\u00e3o de \u00e1reas de floresta para produ\u00e7\u00e3o de gado na regi\u00e3o motivou um pedido de\u00a0<a href=\"https:\/\/www.camara.leg.br\/proposicoesWeb\/prop_mostrarintegra?codteor=1696896\">retirada de 20 mil hectares da \u00e1rea protegida<\/a>.<\/p>\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-179987 td-animation-stack-type0-2\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/infoamazonia.org\/wp-content\/uploads\/2024\/03\/Castanheira_RESEX_rio_ouro_preto.jpg?resize=600%2C338&#038;ssl=1\" sizes=\"auto, (max-width: 1920px) 100vw, 1920px\" srcset=\"https:\/\/infoamazonia.org\/wp-content\/uploads\/2024\/03\/Castanheira_RESEX_rio_ouro_preto.jpg 1920w, https:\/\/infoamazonia.org\/wp-content\/uploads\/2024\/03\/Castanheira_RESEX_rio_ouro_preto-300x169.jpg 300w, https:\/\/infoamazonia.org\/wp-content\/uploads\/2024\/03\/Castanheira_RESEX_rio_ouro_preto-1024x576.jpg 1024w, https:\/\/infoamazonia.org\/wp-content\/uploads\/2024\/03\/Castanheira_RESEX_rio_ouro_preto-768x432.jpg 768w, https:\/\/infoamazonia.org\/wp-content\/uploads\/2024\/03\/Castanheira_RESEX_rio_ouro_preto-1536x864.jpg 1536w, https:\/\/infoamazonia.org\/wp-content\/uploads\/2024\/03\/Castanheira_RESEX_rio_ouro_preto-1200x675.jpg 1200w, https:\/\/infoamazonia.org\/wp-content\/uploads\/2024\/03\/Castanheira_RESEX_rio_ouro_preto-1568x882.jpg 1568w, https:\/\/infoamazonia.org\/wp-content\/uploads\/2024\/03\/Castanheira_RESEX_rio_ouro_preto-400x225.jpg 400w\" alt=\"\" width=\"600\" height=\"338\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Moradores da Reserva Extrativista Rio Ouro Preto temem que expans\u00e3o agropecu\u00e1ria afete \u00e1rea protegida onde est\u00e3o \u00e1reas de coleta da castanha. Foto: F\u00e1bio Bispo\/InfoAmazonia<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n<p>\u201cAntes ainda existia uma \u00e1rea de amortecimento, hoje em dia n\u00e3o existe mais, e a pecu\u00e1ria j\u00e1 est\u00e1 dentro da unidade de conserva\u00e7\u00e3o. Tanto que estamos fazendo um desmembramento de uma \u00e1rea de 20 mil hectares por causa do gado. N\u00e3o s\u00e3o 20 metros. Para a gente, futuramente vai fazer falta\u201d, explica Edvaldo Souza da Costa, presidente da Associa\u00e7\u00e3o dos Seringueiros Agroextrativistas do Baixo Rio Ouro Preto (Asaex).<\/p>\n<p>Dentro da Resex, 178 fam\u00edlias vivem da extra\u00e7\u00e3o da borracha, coleta de castanha e da agricultura familiar. \u201cA quest\u00e3o \u00e9 que estamos cercados e tememos que o veneno das lavouras tamb\u00e9m afete as nossas ro\u00e7as e nossos castanhais\u201d, conta a ind\u00edgena Tapuya Mura, que nasceu na Resex e junto com o marido, Lucas Mura, pratica agricultura familiar em sistema agroflorestal.<\/p>\n<p>No s\u00edtio da fam\u00edlia, eles cultivam mandioca, caf\u00e9, milho de sementes crioulas utilizadas h\u00e1 v\u00e1rias gera\u00e7\u00f5es, e promovem o plantio de novas castanheiras como forma de garantir mais oferta da noz brasileira consumida mundialmente. \u201cPlantar uma castanheira \u00e9 como deixar uma heran\u00e7a para nossos filhos e netos. Mas at\u00e9 isso est\u00e1 amea\u00e7ado\u201d, emenda Tapuya.<\/p>\n<p>A sensa\u00e7\u00e3o de crescimento da soja por parte dos moradores da Resex Rio Preto se comprova em n\u00fameros: ela se espalha exponencialmente em Rond\u00f4nia. Na safra de 2011\/2012 eram 107,6 mil hectares do gr\u00e3o plantados no estado, em 2023, foram contabilizados 544,1 mil hectares, segundo\u00a0<a href=\"https:\/\/rondonia.ro.gov.br\/idaron-alerta-que-periodo-de-semeadura-da-soja-no-estado-inicia-nesta-segunda-feira\/\">dados do governo de Rond\u00f4nia<\/a>.<\/p>\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-179993 td-animation-stack-type0-2\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/infoamazonia.org\/wp-content\/uploads\/2024\/03\/lavouras_fabiobispo.jpg?resize=600%2C331&#038;ssl=1\" sizes=\"auto, (max-width: 866px) 100vw, 866px\" srcset=\"https:\/\/infoamazonia.org\/wp-content\/uploads\/2024\/03\/lavouras_fabiobispo.jpg 866w, https:\/\/infoamazonia.org\/wp-content\/uploads\/2024\/03\/lavouras_fabiobispo-300x166.jpg 300w, https:\/\/infoamazonia.org\/wp-content\/uploads\/2024\/03\/lavouras_fabiobispo-768x424.jpg 768w, https:\/\/infoamazonia.org\/wp-content\/uploads\/2024\/03\/lavouras_fabiobispo-400x221.jpg 400w\" alt=\"\" width=\"600\" height=\"331\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Lavouras de soja se expandem rapidamente em Rond\u00f4nia com expectativa de obras de infraestrutura. Foto: F\u00e1bio Bispo\/InfoAmazonia<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n<p>Em audi\u00eancia na C\u00e2mara dos Deputados para debater a constru\u00e7\u00e3o da ponte binacional, em abril do ano passado, o secret\u00e1rio de governo da Prefeitura de Porto Velho, Fabr\u00edcio Grisi M\u00e9dici Jurado,\u00a0<a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/live\/f6VRpS66zEM?si=E27C5ZixTpUkEIvY&amp;t=3580\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">informou sobre a expans\u00e3o das grandes empresas do agroneg\u00f3cio na regi\u00e3o<\/a>.<\/p>\n<p>\u201cToda semana estamos recebendo grandes empresas que est\u00e3o se instalando na nossa capital. Recebemos recentemente o grupo Cargill, que tem expandido neg\u00f3cios na regi\u00e3o, Amaggi, Hidrovias do Brasil, que vai montar um porto em Porto velho para ampliar o com\u00e9rcio da hidrovia do Madeira\u201d, disse.<\/p>\n<p>Boa parte da bancada rondoniense na C\u00e2mara e no Senado, que apoia a constru\u00e7\u00e3o da ponte, \u00e9 composta por fazendeiros com propriedades na regi\u00e3o da AMACRO, como os senadores Marcos Rog\u00e9rio (PL-RO), que foi relator da\u00a0<a href=\"https:\/\/infoamazonia.org\/tag\/marco-temporal\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">lei do marco temporal<\/a>, Jaime Bagattoli, cuja fam\u00edlia, de acordo com o\u00a0<a href=\"https:\/\/acervo.socioambiental.org\/acervo\/noticias\/senador-jaime-bagattoli-admite-possuir-fazenda-em-terra-indigena-em-rondonia\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">De Olho Nos Ruralistas<\/a>, se diz dona de fazendas em terras ind\u00edgenas, e o deputado federal L\u00facio Mosquini (MDB-RO), autor do chamado\u00a0<a href=\"https:\/\/site-antigo.socioambiental.org\/pt-br\/noticias-socioambientais\/pl-da-grilagem-tudo-o-que-voce-precisa-saber\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">PL da Grilagem<\/a>, e dono de fazendas pr\u00f3ximas a \u00e1reas invadidas na Terra Ind\u00edgena Uru-Eu-Wau-Wau.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/article>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>InfoAmazonia, Por F\u00e1bio Bispo &#8211; O projeto ainda n\u00e3o prev\u00ea impacto ambiental significativo em regi\u00e3o com 49 terras ind\u00edgenas e 86 unidades de conserva\u00e7\u00e3o. Prioridade no novo PAC, a ponte tem conclus\u00e3o prevista para 2027 e dever\u00e1 conectar \u00e1reas produtoras do agroneg\u00f3cio do Brasil e Bol\u00edvia a portos no Atl\u00e2ntico e Pac\u00edfico. O trajeto entre&#8230;<a class=\"more-link\" href=\"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/2024\/03\/28\/ponte-brasil-bolivia-quer-escoar-producao-do-agro-mas-nao-considera-desmatamento-e-impacto-nas-comunidades\/\">Continue a leitura <span class=\"meta-nav\">&raquo;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_exactmetrics_skip_tracking":false,"_exactmetrics_sitenote_active":false,"_exactmetrics_sitenote_note":"","_exactmetrics_sitenote_category":0,"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","enabled":false},"version":2}},"categories":[1],"tags":[883,884,882],"class_list":["post-34813","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-notas","tag-brasil-bolivia","tag-pac","tag-ponte"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p7wKYW-93v","jetpack-related-posts":[],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/34813","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=34813"}],"version-history":[{"count":3,"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/34813\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":34816,"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/34813\/revisions\/34816"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=34813"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=34813"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=34813"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}