{"id":35262,"date":"2024-05-29T12:11:37","date_gmt":"2024-05-29T16:11:37","guid":{"rendered":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/?p=35262"},"modified":"2024-05-29T12:11:37","modified_gmt":"2024-05-29T16:11:37","slug":"fake-news-e-odio-nas-redes-como-funciona-o-vies-algoritmico","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/2024\/05\/29\/fake-news-e-odio-nas-redes-como-funciona-o-vies-algoritmico\/","title":{"rendered":"Fake news e \u00f3dio nas redes: como funciona o vi\u00e9s algor\u00edtmico"},"content":{"rendered":"<p><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" data-attachment-id=\"35263\" data-permalink=\"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/2024\/05\/29\/fake-news-e-odio-nas-redes-como-funciona-o-vies-algoritmico\/images-2-2\/\" data-orig-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2024\/05\/images-2.jpeg?fit=276%2C183\" data-orig-size=\"276,183\" data-comments-opened=\"0\" data-image-meta=\"{&quot;aperture&quot;:&quot;0&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;0&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;0&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;0&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0&quot;,&quot;title&quot;:&quot;&quot;,&quot;orientation&quot;:&quot;0&quot;}\" data-image-title=\"images (2)\" data-image-description=\"\" data-image-caption=\"\" data-medium-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2024\/05\/images-2.jpeg?fit=276%2C183\" data-large-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2024\/05\/images-2.jpeg?fit=276%2C183\" class=\"alignnone size-full wp-image-35263\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2024\/05\/images-2.jpeg?resize=276%2C183\" alt=\"\" width=\"276\" height=\"183\" \/><\/p>\n<p>Com a aproxima\u00e7\u00e3o das elei\u00e7\u00f5es, \u00e9 essencial discutir um tema delicado relacionado \u00e0s plataformas digitais, incluindo\u00a0redes sociais,\u00a0mecanismos de busca\u00a0e\u00a0prestadores de servi\u00e7o\u00a0na internet. Este ecossistema digital desempenha um papel crucial na forma\u00e7\u00e3o da opini\u00e3o p\u00fablica e no direcionamento de informa\u00e7\u00f5es.<!--more--><\/p>\n<p><strong>Congresso em foco, por Beth Veloso<\/strong> &#8211; Uma pesquisa recente revelou que as intera\u00e7\u00f5es que temos online tendem a ser influenciadas por direcionamentos pol\u00edticos ou ideol\u00f3gicos, demonstrando que a tecnologia n\u00e3o \u00e9 t\u00e3o neutra quanto se afirma. Este \u00e9 um ponto cr\u00edtico, pois a imparcialidade \u00e9 um valor fundamental nas democracias.<\/p>\n<p>De acordo com a legisla\u00e7\u00e3o de comunica\u00e7\u00e3o, nenhum meio deve priorizar, selecionar ou destacar uma not\u00edcia em detrimento de outra, uma vez que isso fere valores constitucionais como o direito \u00e0 pluralidade e \u00e0 autonomia do indiv\u00edduo. As emissoras de TV t\u00eam a obriga\u00e7\u00e3o de ouvir os dois lados em suas programa\u00e7\u00f5es; como isso se aplica \u00e0s redes sociais?<\/p>\n<p>No entanto, pesquisas indicam que as plataformas digitais, apesar de n\u00e3o produzirem conte\u00fado, influenciam significativamente o que \u00e9 visualizado. Por exemplo, o Facebook reconhece que conte\u00fados que provocam rea\u00e7\u00f5es extremas s\u00e3o mais propensos a obter cliques, coment\u00e1rios e compartilhamentos. Esses engajamentos n\u00e3o necessariamente beneficiam os usu\u00e1rios, mas sim incentivam outros a produzirem mais conte\u00fado, gerando um ciclo vicioso de intera\u00e7\u00f5es intensas.<\/p>\n<p>Os estudos demonstram que os algoritmos s\u00e3o respons\u00e1veis pela maior parte do conte\u00fado que consumimos. Por exemplo, conforme o diretor de produtos do YouTube, Neal Mohan, mais de 70% do tempo que voc\u00ea passa assistindo no enorme site de v\u00eddeos do Google, voc\u00ea \u00e9 atra\u00eddo pelo servi\u00e7o de recomenda\u00e7\u00e3o baseado em I.A., de acordo com not\u00edcia publicada no site CNET de 2018.<\/p>\n<p>Conforme publicado no jornal ingl\u00eas The Guardian, Guillaume Chaslot, ex-engenheiro do Google, coletou v\u00eddeos recomendados pelo YouTube a partir de buscas por \u201cTrump\u201d e \u201cClinton\u201d, entre agosto, outubro e novembro de 2016, coletando 8.052 v\u00eddeos e identificando um expressivo vi\u00e9s de recomenda\u00e7\u00e3o de v\u00eddeos contr\u00e1rios a Hillary Clinton e favor\u00e1veis a Donald Trump.<\/p>\n<p>Esses resultados foram apresentados no curso \u2018Plataformas e Democracia: quando o Capital d\u00e1 o tom e os Algoritmos, o compasso\u2019, organizado pelo\u00a0DiraCom, por\u00a0Alexandre Arns Gonzales, pesquisador colaborador volunt\u00e1rio do Instituto de Ci\u00eancia Pol\u00edtica da UnB e integrante do DiraCom.<\/p>\n<p>Um dos aspectos problem\u00e1ticos \u00e9 que esses sistemas, al\u00e9m de tendenciosos, n\u00e3o s\u00e3o audit\u00e1veis. Ou seja, os pesquisadores Ottoni, West, Almeida e Meira conseguem perceber que existe um vi\u00e9s de recomenda\u00e7\u00e3o ideol\u00f3gico por parte das plataformas, como o YouTube, da Alphabet, mas o acesso aos dados n\u00e3o \u00e9 permitido. N\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel saber como o sistema de recomenda\u00e7\u00e3o do YouTube funcionava no passado, mas eles analisaram o comportamento dos usu\u00e1rios comentando em cada v\u00eddeo, explica o pesquisador Alexandre Gonzales.<\/p>\n<p>A constata\u00e7\u00e3o que os pesquisadores chegam \u00e9 que verificaram esse duto de\u00a0radicaliza\u00e7\u00e3o no YouTube. Por\u00e9m, devido a uma s\u00e9rie de quest\u00f5es sobre a metodologia, o universo de banco de dados e limita\u00e7\u00f5es quanto ao funcionamento do sistema algoritmo de recomenda\u00e7\u00e3o em si, os pesquisadores fazem a ressalva que n\u00e3o podem atribuir um peso exato ao sistema de recomenda\u00e7\u00e3o do YouTube na radicaliza\u00e7\u00e3o, mas n\u00e3o negam que ele tem um papel a desempenhar.<\/p>\n<p>At\u00e9 que ponto essa tend\u00eancia dos sistemas algor\u00edtmicos de recomenda\u00e7\u00e3o faz parte do modelo de neg\u00f3cio das plataformas, que pode estar favorecendo conte\u00fados nocivos para gerar mais tempo e maior engajamento dos usu\u00e1rios na rede, em busca da aten\u00e7\u00e3o dos usu\u00e1rios?<\/p>\n<p>Uma das principais den\u00fancias contra as plataformas veio de Frances Haugen, ex-funcion\u00e1ria do Facebook,\u00a0que esteve na C\u00e2mara em depoimento\u00a0e revelou que o Facebook sabe que conte\u00fados que suscitam rea\u00e7\u00f5es extremas t\u00eam mais probabilidade de obter cliques, coment\u00e1rios e recompartilhamentos. E \u00e9 interessante porque esses cliques, coment\u00e1rios e compartilhamentos n\u00e3o s\u00e3o, necessariamente, para o benef\u00edcio dos usu\u00e1rios, mas porque sabem que outras pessoas produzir\u00e3o mais conte\u00fado se receberem curtidas, coment\u00e1rios e recompartilhamentos.<\/p>\n<p>A revela\u00e7\u00e3o vai muito al\u00e9m. Segundo a ex-diretora da rede Meta, a plataforma mentiu sobre suas estrat\u00e9gias e sistemas de neg\u00f3cio. O pesquisador Alexandre Gonzales destaca os complicadores \u00e9ticos no padr\u00e3o de conduta da Meta.<\/p>\n<p>\u201cO que Frances Haugen apresenta s\u00e3o documentos, pesquisas internas e comunica\u00e7\u00f5es internas da pr\u00f3pria empresa, que mostram que o Facebook mentiu sobre o papel que tem no incentivo \u00e0 produ\u00e7\u00e3o e distribui\u00e7\u00e3o de conte\u00fados desinformativos, nocivos e incitadores da viol\u00eancia. O Facebook tamb\u00e9m mentiu sobre o impacto que seus servi\u00e7os t\u00eam na sa\u00fade mental de jovens e crian\u00e7as. Os documentos mostram que os pr\u00f3prios pesquisadores e engenheiros da empresa sabem que a efic\u00e1cia apresentada ao p\u00fablico sobre o sistema algor\u00edtmico da empresa no enfrentamento e derrubada desse tipo de conte\u00fado e contas tamb\u00e9m \u00e9 falsa.\u201d<\/p>\n<p>Outra discuss\u00e3o recorrente na m\u00eddia \u00e9 sobre a tend\u00eancia de privilegiar conte\u00fados incitadores de viol\u00eancia. O que as pesquisas mostraram sobre isso?<\/p>\n<p>Um relat\u00f3rio interno da Meta, empresa formada pelo Facebook, WhatsApp e Instagram, intitulado \u201cA Viagem de Carol ao QAnon\u201d, ilustra como os sistemas de recomenda\u00e7\u00e3o do Facebook podem conduzir os usu\u00e1rios a conte\u00fados extremistas. Os pesquisadores da empresa criaram uma conta fict\u00edcia e, em apenas dois dias, o Facebook recomendou que ela se juntasse a grupos dedicados ao QAnon. Em uma semana, o feed dessa conta estava repleto de grupos e p\u00e1ginas que violavam as pr\u00f3prias regras da plataforma contra discurso de \u00f3dio e desinforma\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Mesmo diante de todas essas informa\u00e7\u00f5es, em abril de 2020, a dire\u00e7\u00e3o do Facebook, incluindo Mark Zuckerberg, foi apresentada com uma lista de \u201cinterven\u00e7\u00f5es suaves e duras\u201d para reduzir a dissemina\u00e7\u00e3o de conte\u00fados nocivos. Uma interven\u00e7\u00e3o \u201cdura\u201d teria sido remover o \u201cMeaningful Social Interactions\u201d (MSI) dos sistemas de recomenda\u00e7\u00e3o da plataforma. Por\u00e9m, o CEO da empresa decidiu manter o MSI, expondo os usu\u00e1rios a conte\u00fados nocivos. Alexandre Gonzales explica que a decis\u00e3o da plataforma \u00e9 meramente comercial, visando aumentar o engajamento e fluxo de conte\u00fado, para aumentar o lucro da empresa.<\/p>\n<p>O pesquisador revela ainda que a Meta declarou que n\u00e3o adota nenhuma m\u00e9trica espec\u00edfica para mensurar o sucesso de seus esfor\u00e7os de integridade eleitoral em geral, apenas fornece dados sobre remo\u00e7\u00f5es de conte\u00fado, visualiza\u00e7\u00f5es e cliques em r\u00f3tulos eleitorais. A solu\u00e7\u00e3o para o problema dos vieses algor\u00edtmicos come\u00e7a pela regula\u00e7\u00e3o das plataformas digitais.<\/p>\n<p>\u201cA regula\u00e7\u00e3o hoje \u00e9 o primeiro passo importante para avan\u00e7ar e ter uma compreens\u00e3o no debate p\u00fablico do real funcionamento dessas plataformas na modera\u00e7\u00e3o de conte\u00fado e sua rela\u00e7\u00e3o com produtores e grupos econ\u00f4micos que t\u00eam grande faixa de renda e atua\u00e7\u00e3o. Isso deve ser feito atrav\u00e9s de mecanismos de transpar\u00eancia e exig\u00eancia de apresenta\u00e7\u00e3o de relat\u00f3rios mais detalhados e mais granulados do processo de tomada de decis\u00e3o que essas empresas fazem.\u201d<\/p>\n<p>Esse tem sido um tema recorrente na C\u00e2mara, exceto por meio de propostas de regula\u00e7\u00e3o, como o PL 2630 de 2020 e outros projetos examinados em conjunto.<\/p>\n<p>A esperan\u00e7a dos especialistas e t\u00e9cnicos atentos \u00e0 desinforma\u00e7\u00e3o, aos crimes digitais e ao discurso de \u00f3dio nas redes, que afetam inclusive crian\u00e7as e adolescente, \u00e9 que o debate sobre a regula\u00e7\u00e3o seja retomado com brevidade. Seja a partir do pr\u00f3prio PL 2630 ou usando-o como base para um novo projeto. A demora representa uma amea\u00e7a para a inf\u00e2ncia, para as fam\u00edlias, para as institui\u00e7\u00f5es e para a democracia brasileira.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Com a aproxima\u00e7\u00e3o das elei\u00e7\u00f5es, \u00e9 essencial discutir um tema delicado relacionado \u00e0s plataformas digitais, incluindo\u00a0redes sociais,\u00a0mecanismos de busca\u00a0e\u00a0prestadores de servi\u00e7o\u00a0na internet. 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