{"id":35362,"date":"2024-06-24T10:17:16","date_gmt":"2024-06-24T14:17:16","guid":{"rendered":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/?p=35362"},"modified":"2024-06-24T10:17:16","modified_gmt":"2024-06-24T14:17:16","slug":"de-portugal-ao-brasil-festas-juninas-foram-dos-rituais-pagaos-aos-grandes-eventos-sem-perder-a-centralidade-no-povo","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/2024\/06\/24\/de-portugal-ao-brasil-festas-juninas-foram-dos-rituais-pagaos-aos-grandes-eventos-sem-perder-a-centralidade-no-povo\/","title":{"rendered":"De Portugal ao Brasil: festas juninas foram dos rituais pag\u00e3os aos grandes eventos sem perder a centralidade no povo"},"content":{"rendered":"<h2><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" data-attachment-id=\"35366\" data-permalink=\"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/2024\/06\/24\/de-portugal-ao-brasil-festas-juninas-foram-dos-rituais-pagaos-aos-grandes-eventos-sem-perder-a-centralidade-no-povo\/image_processing20240621-1668826-3xh6jc\/\" data-orig-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/image_processing20240621-1668826-3xh6jc.webp?fit=800%2C533\" data-orig-size=\"800,533\" data-comments-opened=\"0\" data-image-meta=\"{&quot;aperture&quot;:&quot;0&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;0&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;0&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;0&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0&quot;,&quot;title&quot;:&quot;&quot;,&quot;orientation&quot;:&quot;0&quot;}\" data-image-title=\"image_processing20240621-1668826-3xh6jc\" data-image-description=\"\" data-image-caption=\"\" data-medium-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/image_processing20240621-1668826-3xh6jc.webp?fit=300%2C200\" data-large-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/image_processing20240621-1668826-3xh6jc.webp?fit=600%2C400\" class=\"alignnone size-medium wp-image-35366\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/image_processing20240621-1668826-3xh6jc.webp?resize=300%2C200\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"200\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/image_processing20240621-1668826-3xh6jc.webp?resize=300%2C200 300w, https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/image_processing20240621-1668826-3xh6jc.webp?resize=768%2C512 768w, https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/image_processing20240621-1668826-3xh6jc.webp?resize=450%2C300 450w, https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/image_processing20240621-1668826-3xh6jc.webp?w=800 800w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/h2>\n<h2>Celebra\u00e7\u00f5es conservam influ\u00eancias pr\u00e9-crist\u00e3s e, mesmo nas era dos grandes espet\u00e1culos, s\u00e3o permeadas por coletividade<\/h2>\n<p><!--more--><\/p>\n<div class=\"details-bar\">\n<div class=\"author-time\">\n<div class=\"author\">Nara Lacerda<\/div>\n<div class=\"place-and-time\">\n<div class=\"place\">Brasil de Fato<\/div>\n<\/div>\n<div>\n<p>Um dos primeiros registros do que pode ser considerado uma festa junina no Brasil data do fim s\u00e9culo 16, pouco mais de 80 anos ap\u00f3s a invas\u00e3o portuguesa ao territ\u00f3rio.<\/p>\n<div class=\"ads-googletag article_1\"><\/div>\n<p>As\u00a0<a href=\"https:\/\/fundar.org.br\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/tratados-da-terra-e-da-gente-do-brasil.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">palavras do jesu\u00edta portugu\u00eas Fern\u00e3o Cardim<\/a>, escritas entre 1585 e 1590, j\u00e1 indicavam que, no chamado novo mundo, a celebra\u00e7\u00e3o dos santos cat\u00f3licos iria ser permeada pela influ\u00eancia ind\u00edgena e, posteriormente, africana.<\/p>\n<p>Cardim integrou uma das miss\u00f5es religiosas que percorreram o Brasil nesse per\u00edodo. Ele passou pelas capitanias da Bahia, Ilh\u00e9us, Porto Seguro, Pernambuco, Esp\u00edrito Santo, Rio de Janeiro e S\u00e3o Vicente, que depois virou S\u00e3o Paulo.<\/p>\n<p>Em cartas direcionadas aos superiores em Portugal, o jesu\u00edta descreveu a natureza do territ\u00f3rio, os costumes e condi\u00e7\u00f5es de vida das popula\u00e7\u00f5es origin\u00e1rias e o andamento do processo de catequiza\u00e7\u00e3o dessas comunidades.<\/p>\n<p>Nos relatos, Fern\u00e3o Cardim cita o\u00a0<a href=\"https:\/\/www.brasildefatorj.com.br\/2023\/06\/21\/qual-a-origem-do-dia-de-sao-joao-saiba-mais-sobre-a-historia-e-simbolismos-da-festa-junina\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">S\u00e3o Jo\u00e3o<\/a>\u00a0como uma das festas crist\u00e3s que as comunidades origin\u00e1rias mais celebravam. As fogueiras eram ponto de atra\u00e7\u00e3o e dialogavam com a import\u00e2ncia que esses povos davam ao fogo.<\/p>\n<p>&#8220;Suas aldeias ardem em fogos, e para saltarem as fogueiras n\u00e3o os estorva a roupa&#8221;, escreveu Cardim sobre o festejo.<\/p>\n<p>Um outro fator tamb\u00e9m pode estar conectado ao apre\u00e7o que as popula\u00e7\u00f5es tradicionais dedicavam \u00e0 celebra\u00e7\u00e3o do santo cat\u00f3lico. Ind\u00edgenas de diversas partes da Am\u00e9rica do Sul, incluindo povos do Brasil, celebram o in\u00edcio de um novo ano no m\u00eas de junho.<\/p>\n<p>A festa est\u00e1 ligada \u00e0 chegada do inverno, \u00e0 terra, ao sol e \u00e0 colheita. O uso do milho em parte consider\u00e1vel dos quitutes dessa \u00e9poca no Brasil j\u00e1 era tradi\u00e7\u00e3o antes mesmo da exist\u00eancia oficial dos festejos juninos.<\/p>\n<p>Curiosamente, a hist\u00f3ria mostra que a celebra\u00e7\u00e3o das mudan\u00e7as de esta\u00e7\u00f5es tamb\u00e9m esteve na origem das festas crist\u00e3s de junho na Europa. Com o crescimento do cristianismo no continente, as comemora\u00e7\u00f5es pag\u00e3s em honra \u00e0 fertilidade da terra passaram a ser substitu\u00eddas por homenagens aos santos cat\u00f3licos.<\/p>\n<p>&#8220;Os povos mais ligados aos aspectos naturais tendiam a sacralizar esses elementos naturais, tais como a lua, o sol, a fogueira e as planta\u00e7\u00f5es. Eles consideravam esses elementos da natureza como seus deuses&#8221;, explica a pesquisadora, Bruna Castelo Branco, doutora em comunica\u00e7\u00e3o pela Universidade Federal do Cear\u00e1 (UFC).<\/p>\n<p>Segundo ela, essa sacraliza\u00e7\u00e3o foi realizada por povos em todo o mundo, inclusive pelos romanos. A partir do dom\u00ednio crist\u00e3o em Roma, a Igreja Cat\u00f3lica se apropriou dos rituais.<\/p>\n<p>&#8220;Com a domina\u00e7\u00e3o da Igreja Cat\u00f3lica e a difus\u00e3o da religiosidade cat\u00f3lica ao redor do mundo ocidental, ela passou a incorporar esses elementos. Era uma tentativa de trazer elementos religiosos crist\u00e3os para a celebra\u00e7\u00e3o. Por\u00e9m, foi dif\u00edcil conseguir desvincular os elementos da natureza das celebra\u00e7\u00f5es e dos rituais, porque est\u00e1 muito vinculado tamb\u00e9m a aspectos antropol\u00f3gicos&#8221;, pontua a pesquisadora.<\/p>\n<p>::\u00a0<a href=\"https:\/\/www.brasildefato.com.br\/2023\/06\/22\/quadrilha-conheca-a-historia-de-um-dos-simbolos-das-festas-juninas\">Quadrilha: conhe\u00e7a a hist\u00f3ria de um dos s\u00edmbolos das festas juninas<\/a>\u00a0::<\/p>\n<p>Bruna Castelo Branco escreveu um artigo sobre o tema junto com a colega Claudiene Costa, tamb\u00e9m doutora em comunica\u00e7\u00e3o pela UFC. No texto,\u00a0<a href=\"https:\/\/repositorio.ufc.br\/bitstream\/riufc\/68857\/1\/2022_capliv_bfcbcarvalho.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><em>Festas de S\u00e3o Jo\u00e3o: Das Origens \u00e0 Atualidade<\/em><\/a>, elas apresentam o resultado de uma pesquisa que analisou os prim\u00f3rdios das festividades e a era atual dos espet\u00e1culos juninos.<\/p>\n<p>Claudiene Costa afirma que, mesmo atualmente, \u00e9 poss\u00edvel identificar s\u00edmbolos das celebra\u00e7\u00f5es ancestrais. &#8220;H\u00e1 elementos que se repetem e \u00e9 poss\u00edvel enxergar muita coisa em comum e muita transfer\u00eancia.&#8221;<\/p>\n<p>A pesquisadora ressalta que, entre essas repeti\u00e7\u00f5es, o car\u00e1ter de reuni\u00e3o e coletividade est\u00e1 sempre presente.<\/p>\n<p>&#8220;Por exemplo, sempre houve esse elemento da fogueira para os ind\u00edgenas. Na B\u00edblia, a fogueira marca o caminho para mostrar o local do nascimento de S\u00e3o Jo\u00e3o. Voc\u00ea tem o fogo, o se reunir, o celebrar. Na verdade, o que pode parecer distante no tempo \u00e9 muito pr\u00f3ximo nesse nosso conjugado de elementos.&#8221;<\/p>\n<p>Apesar das conex\u00f5es hist\u00f3ricas com celebra\u00e7\u00f5es ancestrais do territ\u00f3rio, as festas juninas que Portugal trouxe ao Brasil j\u00e1 eram profundamente ditadas pela igreja e tinham toda a tradi\u00e7\u00e3o crist\u00e3 europeia como base.<\/p>\n<p>::\u00a0<a href=\"https:\/\/www.brasildefato.com.br\/2024\/06\/13\/festas-juninas-pelo-pais-mantem-memoria-de-migrantes-ao-mesmo-tempo-em-que-celebram-outros-nordestes-possiveis\">Festas juninas pelo pa\u00eds mant\u00eam mem\u00f3ria de migrantes, ao mesmo tempo em que celebram outros nordestes poss\u00edveis<\/a>\u00a0::<\/p>\n<div class=\"ads-googletag article_middle\"><\/div>\n<p>Ao longo do tempo, al\u00e9m dos elementos ind\u00edgenas, a cultura de povos do continente africano tamb\u00e9m foi incorporada \u00e0s celebra\u00e7\u00f5es dos santos cat\u00f3licos. S\u00e3o dan\u00e7as, m\u00fasicas e instrumentos presentes em diversas regi\u00f5es brasileiras.<\/p>\n<p>O tambor, a zabumba e ritmos como o forr\u00f3 e o coco t\u00eam origem em manifesta\u00e7\u00f5es art\u00edsticas e culturais das pessoas da \u00c1frica, raptadas e escravizadas pelo imp\u00e9rio portugu\u00eas no Brasil.<\/p>\n<p>Toda essa mistura poderia ter distanciado as festas brasileiras dos festejos portugueses, que tamb\u00e9m acontecem at\u00e9 hoje. Mas o apelo popular ainda est\u00e1 presente nas duas na\u00e7\u00f5es. Assim como a expans\u00e3o dos eventos, que viraram at\u00e9 atra\u00e7\u00e3o tur\u00edstica.<\/p>\n<p>O jornalista portugu\u00eas Lu\u00eds Leiria viveu 17 anos no Brasil e hoje est\u00e1 novamente em Portugal. Ele enviou ao\u00a0<strong>Brasil de Fato<\/strong>\u00a0um relato afetivo emocionante sobre as festas juninas em seu pa\u00eds natal.<\/p>\n<p>Na descri\u00e7\u00e3o de alguns costumes \u00e9 poss\u00edvel notar a semelhan\u00e7a com tradi\u00e7\u00f5es brasileiras, inclusive no simbolismo dos santos. &#8220;Santo Ant\u00f3nio, celebrado em Lisboa, no dia 13 de junho, \u00e9 conhecido como o santo casamenteiro. S\u00e3o Jo\u00e3o, o ap\u00f3stolo do amor, \u00e9 celebrado na grande festa da cidade do Porto, a segunda do pa\u00eds e a capital do Norte, a 24 de junho.&#8221;<\/p>\n<p>Leiria tamb\u00e9m observa elementos pr\u00e9 crist\u00e3os nas festas atuais. &#8220;As festas de Lisboa cont\u00eam ainda algo dos rituais pag\u00e3os e das cren\u00e7as populares. A brincadeira de saltar sobre fogueiras seria uma homenagem \u00e0 luz que predomina sobre as trevas e que torna t\u00e3o longos os dias de Ver\u00e3o. As cren\u00e7as populares castigam o santo para que ele ajude a encontrar objetos perdidos. Enquanto o objeto n\u00e3o for achado, a imagem do santo ficar\u00e1 de costas, com o rosto virado para a parede. J\u00e1 o tradicional vaso de manjerico deve ser regado e posto ao luar para trazer sorte nos amores.&#8221;<\/p>\n<p>No pa\u00eds ib\u00e9rico as comemora\u00e7\u00f5es aos dias de S\u00e3o Jo\u00e3o, S\u00e3o Pedro e Santo Ant\u00f4nio levam milhares de pessoas \u00e0s ruas, atraem visitantes e est\u00e3o na lista das melhores celebra\u00e7\u00f5es populares da Europa.<\/p>\n<p>Em Lisboa, por exemplo, o dia de Santo Ant\u00f4nio (13 de junho), \u00e9 o mais celebrado. A festa costuma ter celebra\u00e7\u00f5es matrimoniais coletivas. Os casais costumam trocar vasos de manjeric\u00e3o, que trazem pequenas mensagens rom\u00e2nticas escritas em papel.<\/p>\n<p>No Porto, a festa de S\u00e3o Jo\u00e3o (24 de junho) tem propor\u00e7\u00f5es que mobilizam toda a regi\u00e3o. As homenagens ao santo acontecem na cidade h\u00e1 mais de seis s\u00e9culos e come\u00e7am na noite anterior ao anivers\u00e1rio dele. Hoje, al\u00e9m das tradi\u00e7\u00f5es, recebe shows musicais, fogos de artif\u00edcio e visitantes do mundo todo.<\/p>\n<p>J\u00e1 nos arquip\u00e9lagos da Madeira, S\u00e3o Pedro \u00e9 homenageado no fim do m\u00eas, principalmente como protetor dos pescadores. A sardinha assada \u00e9 uma das receitas mais tradicionais do per\u00edodo e virou s\u00edmbolo da festa.<\/p>\n<p>Lu\u00eds Leiria afirma que estas s\u00e3o as verdadeiras festas de rua de Portugal, que re\u00fanem m\u00fasica, comida e coletividade. Mas, assim como no Brasil, algumas regi\u00f5es com tradi\u00e7\u00e3o nos festejos passaram por processos de gentrifica\u00e7\u00e3o e afastamento das popula\u00e7\u00f5es que constru\u00edram as celebra\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>&#8220;Caracter\u00edstica destas festas \u00e9 a multiplica\u00e7\u00e3o dos arraiais nas pra\u00e7as e ruas estreitas de desenho sinuoso, herdeiro dos bairros &#8216;mouros&#8217;. Nos arraiais h\u00e1 pequenos palcos onde se toca e se dan\u00e7a a m\u00fasica do popular Quim Barreiros, caracter\u00edstico autor de letras cheias de duplos sentidos, como por exemplo o refr\u00e3o o bacalhau quer alho&#8221;, diz.<\/p>\n<p>As ra\u00edzes no interior e nas antigas aldeias tamb\u00e9m se assemelham ao percurso que as festas juninas tra\u00e7aram no Brasil, das quermesses e comemora\u00e7\u00f5es do campo aos grandes eventos nas regi\u00f5es metropolitanas. Lendas e misticismos tamb\u00e9m fizeram a viagem para o ambiente urbano.<\/p>\n<p>A designer, cantora e anfitri\u00e3 tur\u00edstica, Marta Alexandra da Silva Freitas, nasceu na cidade portuguesa de Santar\u00e9m e hoje vive em Lisboa e observa um car\u00e1ter quase m\u00edstico nos festejos, que celebra desde crian\u00e7a.<\/p>\n<p>&#8220;As festas dos Santos Populares, para muitos portugueses que como eu, cresceram e viveram a sua inf\u00e2ncia, adolesc\u00eancia e in\u00edcio da vida adulta em Portugal, s\u00e3o uma altura do ano meio m\u00e1gica e m\u00edstica. Na minha experi\u00eancia, era como se quase se abrisse um portal de descobertas no meio das permiss\u00f5es a que estas festas convidam.&#8221;\u00a0::<\/p>\n<p>Ela destaca que o car\u00e1ter popular e ancestral permanece, o que tamb\u00e9m se assemelha \u00e0 experi\u00eancia brasileira de celebra\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>&#8220;\u00c9 uma altura de ocupa\u00e7\u00e3o real das ruas, os amigos encontram-se no findar das aulas ou do trabalho, celebram o fim do ano letivo ou de uma etapa de trabalho que ser\u00e1 marcada pelas f\u00e9rias que se aproximam. \u00c9-se convidado a abrir espa\u00e7o ao relaxamento, ao divertimento e a celebrar as coisas boas e prazerosas da vida \u2013 as amizades, os amores, a comida.&#8221;<\/p>\n<p>As palavras de Marta explicitam que mesmo com espet\u00e1culos, pirotecnia e tecnologia \u2013 tanto no Brasil quanto em Portugal \u2013 as Festas Juninas dos Santos Populares s\u00e3o do povo.<\/p>\n<p>&#8220;Eu tenho um apre\u00e7o muito grande, por exemplo, por ver o meu bairro, Freguesia da Ajuda, se juntar na rua neste m\u00eas. \u00c9 como se houvesse um aspecto de comunidade que estamos a resgatar da vida, muitas vezes r\u00e1pida e impessoal da cidade. H\u00e1 um sentido de pertencimento quando vemos a banquinha da junta da freguesia com as senhoras a grelhar as sardinhas, os enchidos, as carnes das bifanas, as panelas enormes com o caldo verde ou dos carac\u00f3is.&#8221;<\/p>\n<p class=\"editor\">Edi\u00e7\u00e3o: Thalita Pires<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Celebra\u00e7\u00f5es conservam influ\u00eancias pr\u00e9-crist\u00e3s e, mesmo nas era dos grandes espet\u00e1culos, s\u00e3o permeadas por coletividade<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_exactmetrics_skip_tracking":false,"_exactmetrics_sitenote_active":false,"_exactmetrics_sitenote_note":"","_exactmetrics_sitenote_category":0,"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","enabled":false},"version":2}},"categories":[1],"tags":[77,1018,1019],"class_list":["post-35362","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-notas","tag-cultura","tag-festas-juninas","tag-tradicao"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p7wKYW-9cm","jetpack-related-posts":[],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/35362","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=35362"}],"version-history":[{"count":4,"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/35362\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":35367,"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/35362\/revisions\/35367"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=35362"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=35362"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=35362"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}