{"id":35950,"date":"2024-09-09T22:35:02","date_gmt":"2024-09-10T02:35:02","guid":{"rendered":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/?p=35950"},"modified":"2024-09-09T22:35:02","modified_gmt":"2024-09-10T02:35:02","slug":"para-combater-as-queimadas-brasil-precisa-se-libertar-do-agro","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/2024\/09\/09\/para-combater-as-queimadas-brasil-precisa-se-libertar-do-agro\/","title":{"rendered":"Para combater as queimadas, Brasil precisa se libertar do agro"},"content":{"rendered":"<p><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" data-attachment-id=\"35952\" data-permalink=\"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/2024\/09\/09\/para-combater-as-queimadas-brasil-precisa-se-libertar-do-agro\/img_9499-3\/\" data-orig-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/IMG_9499-1.jpeg?fit=1080%2C574\" data-orig-size=\"1080,574\" data-comments-opened=\"0\" data-image-meta=\"{&quot;aperture&quot;:&quot;0&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;0&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;0&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;0&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0&quot;,&quot;title&quot;:&quot;&quot;,&quot;orientation&quot;:&quot;1&quot;}\" data-image-title=\"IMG_9499\" data-image-description=\"\" data-image-caption=\"\" data-medium-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/IMG_9499-1.jpeg?fit=300%2C159\" data-large-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/IMG_9499-1.jpeg?fit=600%2C319\" class=\"alignnone size-full wp-image-35952\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/IMG_9499-1.jpeg?resize=600%2C319\" alt=\"\" width=\"600\" height=\"319\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/IMG_9499-1.jpeg?w=1080 1080w, https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/IMG_9499-1.jpeg?resize=300%2C159 300w, https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/IMG_9499-1.jpeg?resize=1024%2C544 1024w, https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/IMG_9499-1.jpeg?resize=768%2C408 768w, https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/IMG_9499-1.jpeg?resize=564%2C300 564w\" sizes=\"auto, (max-width: 600px) 100vw, 600px\" \/><\/p>\n<p class=\"added-to-list1\" data-pf_style_display=\"block\" data-pf_style_visibility=\"visible\"><u data-pf_style_display=\"inline\" data-pf_style_visibility=\"visible\"><span class=\"text-node\">The Intercept, por Sabrina Fernandes &#8211; O Brasil est\u00e1 pegando fogo,<\/span><\/u><span class=\"text-node\"> no pior dos sentidos. N\u00e3o \u00e9 nem necess\u00e1rio acompanhar as mat\u00e9rias jornal\u00edsticas e an\u00e1lises ambientais sobre os focos de inc\u00eandio em todos os biomas brasileiros.<\/span><!--more--><\/p>\n<p class=\"added-to-list1\" data-pf_style_display=\"block\" data-pf_style_visibility=\"visible\"><span class=\"text-node\">At\u00e9 quem mora em grandes cidades e, infelizmente, n\u00e3o se enxerga de maneira integrada \u00e0 natureza, percebeu a insalubridade do ar<\/span><span class=\"text-node\"> e o tom apocal\u00edptico do c\u00e9u acima de n\u00f3s.<\/p>\n<p><\/span><\/p>\n<p>Em 2019, quando o c\u00e9u de cidades grandes como S\u00e3o Paulo escureceu diante das queimadas criminosas e gigantescas na Amaz\u00f4nia no \u201c<a href=\"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/florestas\/dia-do-fogo-completa-um-ano-com-legado-de-impunidade\/\">Dia do Fogo<\/a>\u201d, no primeiro ano do governo abertamente ecocida de Jair Bolsonaro, o debate sobre a viol\u00eancia ambiental do agroneg\u00f3cio e a necessidade vital de proteger e recuperar nossas florestas levou a mobiliza\u00e7\u00f5es de rua, algumas at\u00e9 mesmo espont\u00e2neas, sem grandes convocat\u00f3rias por organiza\u00e7\u00f5es de esquerda.<\/p>\n<p>Passamos longos quatro anos sob Bolsonaro como testemunhas de uma boiada que n\u00e3o parava de passar. A vis\u00e3o expl\u00edcita da destrui\u00e7\u00e3o da natureza e da vida pelo bolsonarismo fez com que at\u00e9 gente de esquerda que antes desmerecia a pauta ambiental, passasse a denunciar a atua\u00e7\u00e3o de Ricardo Salles e a sanha avassaladora de Bolsonaro em sua alian\u00e7a inabal\u00e1vel com fazendeiros que podiam absolutamente tudo: queimar, roubar, sequestrar, torturar e matar.<\/p>\n<p>\u00c9 2024, e apesar do compromisso do governo Lula com a redu\u00e7\u00e3o do desmatamento na Amaz\u00f4nia, de termos novamente uma ministra do meio ambiente (e mudan\u00e7a do clima) comprometida e pol\u00edticas ambientais progressistas, nos encontramos em situa\u00e7\u00e3o de insalubridade socioambiental.<\/p>\n<p>As pol\u00edticas do governo atual simplesmente s\u00e3o insuficientes diante da manuten\u00e7\u00e3o do poder de classe do agroneg\u00f3cio destrutivo que n\u00e3o pretende mudar a forma com que se acostumou a agir ao lado de Bolsonaro. Nossos <a href=\"https:\/\/www.intercept.com.br\/2024\/07\/10\/ibama-esta-a-beira-do-colapso-diz-presidente-da-associacao-de-servidores\/\">servidores ambientais<\/a> n\u00e3o recebem a estrutura e valoriza\u00e7\u00e3o necess\u00e1rias para executar suas fun\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Para piorar, vivemos sob desmobiliza\u00e7\u00e3o generalizada, quando tudo que \u00e9 ruim come\u00e7a a parecer normal depois de um tempo: Gaza \u00e9 somente mais um genoc\u00eddio do outro lado do mundo; Rio Grande do Sul j\u00e1 est\u00e1 se reconstruindo; o Pantanal pega fogo mesmo de vez em quando\u2026<\/p>\n<p>Diante da desmobiliza\u00e7\u00e3o, vivemos uma pol\u00edtica de conten\u00e7\u00e3o: nosso governo aposta em \u201ctransi\u00e7\u00e3o energ\u00e9tica\u201d e \u201ctransforma\u00e7\u00e3o ecol\u00f3gica\u201d \u2013 definidas nos moldes do capitalismo verde -, restaura pol\u00edticas alimentares importantes no combate \u00e0 fome e no fortalecimento do pequeno agricultor, investe novamente em educa\u00e7\u00e3o p\u00fablica e interrompe a pol\u00edtica anterior de persegui\u00e7\u00e3o a jornalistas.<\/p>\n<p>Como presidente, Lula indica uma preocupa\u00e7\u00e3o profunda com as consequ\u00eancias e impactos negativos na vida do povo brasileiro. Reconhe\u00e7o isso n\u00e3o como maneira de me blindar de reclama\u00e7\u00f5es sobre a cr\u00edtica que apresentarei aqui, mas porque \u00e9 nesse reconhecimento das pol\u00edticas de governo que cuidam do que \u00e9 impactado que vemos qu\u00e3o improdutivo, ineficiente e contradit\u00f3rio \u00e9 implement\u00e1-las sem as devidas pol\u00edticas que tamb\u00e9m combatem as causas de nossas crises.<\/p>\n<p>Para facilitar o caminho de derrota institucional da extrema direita e garantir maior estabilidade no Brasil, \u00e9 essencial fortalecer o governo atual. Para tal, pol\u00edticas ambientais mais integradas s\u00e3o essenciais, assim como romper com pol\u00edticas que seguem favorecendo o agroneg\u00f3cio enquanto este lucra ao custo de nossas florestas e nossos pulm\u00f5es.<\/p>\n<h4 id=\"h-a-crise-ambiental-e-uma-crise-politica-e-economica\" class=\"wp-block-heading\">A crise ambiental \u00e9 uma crise pol\u00edtica e econ\u00f4mica<\/h4>\n<p>O agroneg\u00f3cio brasileiro conseguiu convencer grande parte da popula\u00e7\u00e3o brasileira de que n\u00e3o podemos viver sem ele. Dizem que \u00e9 o agro que nos alimenta e que carrega nossa economia.<\/p>\n<p>H\u00e1 um fundo de verdade nessas duas alega\u00e7\u00f5es, pois o agro influencia o que \u00e9 plantado, asfixia alternativas de produ\u00e7\u00e3o de menor escala, hegemoniza recursos estatais para o setor agr\u00edcola, e assim cresce e lucra mesmo quando o restante da economia vai mal.<\/p>\n<p>O que a propaganda do agro n\u00e3o conta \u00e9 que, para lucrar, o agro tamb\u00e9m prejudica intencionalmente outros setores econ\u00f4micos e destr\u00f3i possibilidades de um presente e futuros mais sustent\u00e1veis.<\/p>\n<p>A elite agr\u00e1ria legitima sua exist\u00eancia entrando nas casas do povo atrav\u00e9s do seu consumo cotidiano, seja no quilo da carne \u2013 associado \u00e0 mobilidade social e poder de consumo \u2013 seja pelas m\u00fasicas de um sertanejo cada dia mais conservador e empres\u00e1rio cujas letras e cantores agem como verdadeiros embaixadores.<\/p>\n<p>Por mais que apontemos dados sobre h\u00e1bitos alimentares que demonstram que a produ\u00e7\u00e3o do agroneg\u00f3cio \u00e9 muito mais ligada \u00e0 exporta\u00e7\u00e3o de commodities pertencentes ao sistema destrutivo de monocultivo ou confinamento animal, isso n\u00e3o basta para convencer a popula\u00e7\u00e3o de que poder\u00edamos nos alimentar sem o agroneg\u00f3cio.<\/p>\n<p>A verdade \u00e9 que os pequenos produtores n\u00e3o conseguiriam faz\u00ea-lo hoje de forma aut\u00f4noma, recebendo os valores justos que merecem e com os m\u00e9todos agroecol\u00f3gicos que necessitamos.<\/p>\n<p>Por mais que seja doloroso admitir como defensores da reforma agr\u00e1ria popular, sabemos que materialmente n\u00e3o estamos prontos para o fim do agro. Uma das principais raz\u00f5es para isso \u00e9 que onde temos capacidade de intervir para reduzir a participa\u00e7\u00e3o do agroneg\u00f3cio na economia brasileira, agimos para incentiv\u00e1-la e aument\u00e1-la.<\/p>\n<p>A diferen\u00e7a de investimento federal para o agroneg\u00f3cio e para a agricultura familiar \u00e9 exorbitante. O Plano Safra da Agricultura Familiar 2024\/2025 destinou 76 bilh\u00f5es em cr\u00e9ditos rurais, <a href=\"https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/economia\/noticia\/2024-07\/agricultura-familiar-tera-r-76-bi-para-producao-de-alimentos\">anunciado pelo presidente Lula<\/a> como um plano que \u201cpode n\u00e3o ser tudo que a gente precisa, mas \u00e9 o melhor que a gente pode fazer\u201d.<\/p>\n<p>Enquanto isso, o Plano Safra 2024\/2025 que atende ao agroneg\u00f3cio destinou R$400,59 bilh\u00f5es. Por mais que o governo sinalize que \u00e9 importante aumentar a produtividade da agricultura familiar no que tange \u00e0 produ\u00e7\u00e3o de alimentos, \u00e9 evidente que o esfor\u00e7o \u00e9 de incentivo aos pequenos produtores, que precisam de infraestrutura adequada para produzir e comercializar, mas tamb\u00e9m \u00e0 manuten\u00e7\u00e3o de uma estrutura produtiva desigual na terra.<\/p>\n<p>Os resultados s\u00e3o v\u00e1rios. Por exemplo, a mesma cadeia de comercializa\u00e7\u00e3o de agrot\u00f3xicos e fertilizantes que movimenta o agroneg\u00f3cio tamb\u00e9m chega ao pequeno produtor que n\u00e3o v\u00ea alternativa para competir sem aderir \u00e0 monocultura de produ\u00e7\u00e3o, mesmo que em pequena escala.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, a dureza da vida no campo \u00e9 acentuada pela amea\u00e7a de viol\u00eancia, sobretudo aos povos ind\u00edgenas, assentados e sem-terra que se organizam em <a href=\"https:\/\/www.intercept.com.br\/2024\/08\/28\/guarani-kaiowa-e-hostilizado-em-hospital\/\">resist\u00eancia e retomadas<\/a>. Finalmente, por vezes, a produ\u00e7\u00e3o familiar \u00e9 perdida ou desperdi\u00e7ada porque n\u00e3o \u00e9 escoada at\u00e9 o consumidor final, o que piora diante de secas ou enchentes extremas e a oscila\u00e7\u00e3o de pre\u00e7os influenciada pelos grandes produtores.<\/p>\n<p>Nessa linha, at\u00e9 a <a href=\"https:\/\/www.brasildefato.com.br\/2024\/07\/04\/plano-safra-faz-governo-estimular-commodities-ate-na-agricultura-familiar-critica-especialista\">agricultura familiar se v\u00ea orientada a produzir commodities<\/a>, como Paulo Petersen, da Articula\u00e7\u00e3o Nacional de Agroecologia. \u00c9 com bastante dificuldade que a agricultura familiar ainda coloca comida na mesa do brasileiro. Sem uma pol\u00edtica que tamb\u00e9m enfrente a l\u00f3gica de produ\u00e7\u00e3o do agroneg\u00f3cio, a agricultura familiar nunca ter\u00e1 condi\u00e7\u00f5es de substituir o agroneg\u00f3cio em tamanho e influ\u00eancia, enfim eliminando nossa gigantesca depend\u00eancia econ\u00f4mica do agroneg\u00f3cio.<\/p>\n<h4 id=\"h-e-preciso-mais-que-apagar-incendios\" class=\"wp-block-heading\">\u00c9 preciso mais que apagar inc\u00eandios<\/h4>\n<p>Nosso contexto de propriedade rural carece de reforma agr\u00e1ria popular, agroecol\u00f3gica e ecofeminista n\u00e3o porque n\u00f3s militantes da \u00e1rea e do meio ambiente achamos que ser\u00edamos melhor assim, mas porque at\u00e9 quem n\u00e3o est\u00e1 conectado ao tema se v\u00ea cada dia mais vulner\u00e1vel ao ciclo catastr\u00f3fico do metabolismo ecol\u00f3gico provocado pela combina\u00e7\u00e3o de monocultivo, agrot\u00f3xicos, explora\u00e7\u00e3o animal em massa, viol\u00eancia rural, especula\u00e7\u00e3o financeira e destrui\u00e7\u00e3o ativa de ecossistemas.<\/p>\n<p>Nosso desafio passa por v\u00e1rios caminhos de enfrentamento, dentre eles a pol\u00edtica de governo, a pol\u00edtica de estado e a pol\u00edtica popular. \u00c9 preciso uma outra pol\u00edtica de governo que ajude o pr\u00f3prio governo a cumprir seus outros objetivos anunciados de justi\u00e7a social e compromisso ambiental.<\/p>\n<p>Sabemos que o enfrentamento de classes \u00e0 elite do agroneg\u00f3cio n\u00e3o se resolve em um punhado de anos ou com canetadas federais, mas tamb\u00e9m sabemos que medidas provis\u00f3rias e bilh\u00f5es em investimento que fortalecem o poder econ\u00f4mico j\u00e1 concentrado do agroneg\u00f3cio n\u00e3o nos ajudar\u00e3o em nada no projeto de romper com este longo relacionamento t\u00f3xico entre o agro e o estado brasileiro.<\/p>\n<p>A conjun\u00e7\u00e3o entre cat\u00e1strofe ecol\u00f3gica e econ\u00f4mica anuncia a urgente e profunda necessidade de refundar o projeto agr\u00e1rio do Brasil e finalmente nos livrar dos pecados originais, entre eles a <a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2020-09-16\/ha-170-anos-lei-de-terras-oficializou-opcao-do-brasil-pelos-latifundios.html\">Lei de Terras de 1850<\/a>, que embara\u00e7aram contraditoriamente a nossa ideia de soberania com a ideia de um agroneg\u00f3cio forte que impede sistematicamente que sejamos realmente soberanos como povo.<\/p>\n<p>No ritmo em que estamos, as perdas econ\u00f4micas da agropecu\u00e1ria se tornar\u00e3o cada vez maiores, demandando ent\u00e3o maior subs\u00eddio estatal para assegurar o posto do agroneg\u00f3cio como motor do PIB brasileiro, e a viol\u00eancia da elite agr\u00e1ria se tornar\u00e1 cada vez mais aliada ao crime organizado, \u00e0s mil\u00edcias e aos milicos.<\/p>\n<blockquote class=\"stylized pull-left\" data-shortcode-type=\"pullquote\" data-pull=\"left\"><p>A consequ\u00eancia do Dia do Fogo de 2019: mais da metade da floresta queimada virou pasto, num pa\u00eds que j\u00e1 tem mais gado do que gente.<\/p><\/blockquote>\n<p>Quanto mais tardamos em enfrentar o agro, mais afundamos em um c\u00edrculo vicioso e contr\u00e1rio \u00e0 soberania alimentar e territorial que realmente nos prepararia para os desafios das pr\u00f3ximas d\u00e9cadas.<\/p>\n<p>Vejamos bem, se n\u00e3o tiv\u00e9ssemos permitido continuamente que o agro concentrasse 70% da produ\u00e7\u00e3o de arroz no Rio Grande do Sul, impactando o bioma e o sistema h\u00eddrico regional, n\u00e3o ter\u00edamos enfrentado uma <a href=\"https:\/\/economia.uol.com.br\/noticias\/estadao-conteudo\/2024\/09\/06\/mp-que-autoriza-conab-a-comprar-1-milhao-de-t-de-arroz-importado-perde-validade.htm\">crise de abastecimento<\/a> de um dos cereais mais importantes da dieta do brasileiro.<\/p>\n<p>Embora vejamos uma sinaliza\u00e7\u00e3o positiva por parte do governo federal para a <a href=\"https:\/\/www.gov.br\/secretariageral\/pt-br\/noticias\/2023\/junho\/governo-retoma-politica-nacional-de-agroecologia-e-producao-organica\">agroecologia<\/a>, pr\u00e1ticas conservacionistas, capacita\u00e7\u00e3o do pequeno agricultor e melhorias de infraestrutura para quem mora no campo e\/ou em munic\u00edpios rurais \u2013 de maneira estrondosamente superior ao governo anterior de Jair Bolsonaro \u2013 viver na d\u00e9cada em que estamos aumenta nossa responsabilidade.<\/p>\n<p>Se n\u00e3o estiv\u00e9ssemos sob emerg\u00eancia clim\u00e1tica, poder\u00edamos at\u00e9 argumentar que h\u00e1 tempo para acertar as coisas, para errar um pouco (mais) no meio do caminho \u2013 privil\u00e9gio de quem n\u00e3o \u00e9 diretamente impactado pelos erros \u2013 mas fato \u00e9 que as intera\u00e7\u00f5es catalizadoras do colapso ecol\u00f3gico demandam compromisso ecossocial como jamais feito.<\/p>\n<p>E se \u00e9 o governo Lula que elegemos, \u00e9 dele que cobraremos e com ele que esperamos trabalhar para eliminar falsas solu\u00e7\u00f5es e desvios que nos impedem de alcan\u00e7ar rumos mais ambiciosos enquanto a classe propriet\u00e1ria que mata e destr\u00f3i segue majoritariamente impune, al\u00e9m de diretamente financiada.<\/p>\n<p>Em <a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=PCeifT7NsoQ\">entrevista recente<\/a> \u00e0 R\u00e1dio Difusora em Goi\u00e2nia, nosso presidente foi enf\u00e1tico, mais uma vez, sobre como os seus governos e os da presidenta Dilma Rousseff foram generosos com o agro em mat\u00e9ria de financiamento.<\/p>\n<p>Lula repetiu que fez MP para salvar o agro, que seu Plano Safra \u00e9 o maior e melhor que o agro j\u00e1 teve, mas que infelizmente o agro tem um problema ideol\u00f3gico, \u201cum preconceito\u201d, disse, com o Partido dos Trabalhadores e o pr\u00f3prio Lula.<\/p>\n<p>H\u00e1 muita verdade no que foi dito. O agro tem, de fato, um problema ideol\u00f3gico com a pol\u00edtica de Lula que imp\u00f5e limites ao desejo da elite de tomar absolutamente tudo para si. O que falta trazer para a elabora\u00e7\u00e3o dessa pol\u00edtica \u00e9 a convic\u00e7\u00e3o de que ideologia n\u00e3o existe fora de uma produ\u00e7\u00e3o de poder classe.<\/p>\n<p>O agro odeia governos progressistas porque seu interesse mora na concentra\u00e7\u00e3o de propriedade e renda e na especula\u00e7\u00e3o desenfreada. N\u00e3o se trata de preconceito, mas sinal de que enquanto houver resist\u00eancia de esquerda ao dom\u00ednio do agroneg\u00f3cio no governo federal, esse governo ser\u00e1 declarado inimigo do agro.<\/p>\n<p>Da\u00ed a contradi\u00e7\u00e3o de seguir investindo nessa classe, em uma suposta l\u00f3gica de estar trabalhando com ela (ou com os \u201cbons\u201d representantes dela, quase num tom de \u201cnem todo agro\u2026\u201d), porque isso seria simplesmente o que \u00e9 bom para o Brasil no momento.<\/p>\n<p>Quando ser\u00e1 que cair\u00e1 o v\u00e9u ideol\u00f3gico tamb\u00e9m do lado de c\u00e1 que sugere que mais de duzentos milh\u00f5es de brasileiros t\u00eam o mesmo interesse que alguns milhares de super-ricos e que dependemos deles para o bem da na\u00e7\u00e3o? Provavelmente, quando ousarmos realmente reverter os processos de concentra\u00e7\u00e3o fundi\u00e1ria e de renda. Essa mudan\u00e7a de pol\u00edtica, n\u00e3o somente institucional, mas principalmente demandante de grande organiza\u00e7\u00e3o e vontade popular, pode fazer um enfrentamento de classe massivo ao agroneg\u00f3cio.<\/p>\n<p>Ela equivale ao ato de levantarmos contra os sequestradores que nos convencem h\u00e1 s\u00e9culos de que n\u00e3o podemos viver sem eles, enquanto eles, sem piedade, ateiam fogo no nosso quintal e nos envenenam a cada refei\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<blockquote class=\"stylized pull-right\" data-shortcode-type=\"pullquote\" data-pull=\"right\"><p>Sempre que investimos mais no agroneg\u00f3cio que na agricultura familiar, promovemos regress\u00e3o agr\u00e1ria e um ataque \u00e0 soberania alimentar.<\/p><\/blockquote>\n<p>A consequ\u00eancia do Dia do Fogo de 2019 \u00e9 clara: <a href=\"https:\/\/infoamazonia.org\/2023\/08\/04\/dia-do-fogo-tres-anos-depois-mais-da-metade-da-floresta-queimada-na-amazonia-virou-pasto\/#:~:text=Esses%20munic%C3%ADpios%20est%C3%A3o%20entre%20os,das%20margens%20da%20BR%2D163.\">mais da metade da floresta<\/a>queimada virou pasto, num pa\u00eds que j\u00e1 tem <a href=\"https:\/\/www.gov.br\/agricultura\/pt-br\/assuntos\/noticias\/rebanho-bovino-brasileiro-alcancou-recorde-de-234-4-milhoes-de-animais-em-2022#:~:text=O%20rebanho%20bovino%20brasileiro%20alcan%C3%A7ou,Brasileiro%20de%20Geografia%20e%20Estat%C3%ADstica).\">mais gado do que gente<\/a>. Tudo indica que a nossa forma de olhar para a natureza, para a alimenta\u00e7\u00e3o, e para as rela\u00e7\u00f5es de classe que atravessam a nossa perda cont\u00ednua de soberania alimentar, ecol\u00f3gica e territorial, precisa mudar radicalmente se pretendermos salvar o que resta dos nossos biomas.<\/p>\n<p>O agroneg\u00f3cio \u00e9 tamb\u00e9m mercado financeiro, e sua l\u00f3gica do lucro, da especula\u00e7\u00e3o e do rentismo, enxerga as condi\u00e7\u00f5es de produ\u00e7\u00e3o a curto prazo. Isso quer dizer que de um lado passam a boiada por cima de tudo, extraindo o m\u00e1ximo poss\u00edvel de territ\u00f3rio e lucro, e do outro, seguradoras e especuladores se preparam para ganhar em cima dos riscos da piora clim\u00e1tica.<\/p>\n<p>E claro, quando tudo falhar, apostar\u00e3o no estado como financiador e resgatador do agro, como fizeram <a href=\"https:\/\/www.gov.br\/agricultura\/pt-br\/campanhas\/mapa-rs\">recentemente no Rio Grande do Sul<\/a>. Ser\u00e1 mais uma vez a responsabilidade do estado brasileiro salvar o agro para salvar a economia, sem nenhuma perspectiva de cobrar do agro pelos danos que causa direta e indiretamente ao povo ao violentar a natureza.<\/p>\n<h4 id=\"h-e-o-agro-que-nos-deve\" class=\"wp-block-heading\">\u00c9 o agro que nos deve<\/h4>\n<p>Nossos planos de transi\u00e7\u00e3o ecol\u00f3gica n\u00e3o podem ser banalizados e incorporados em meros pacotes de investimento ou oportunidades de lucro que passam pelo mercado de carbono e cr\u00e9ditos que n\u00e3o correspondem de fato \u00e0 redu\u00e7\u00e3o total de emiss\u00f5es.<\/p>\n<p>Precisamos de uma abordagem que trate dos pilares de repara\u00e7\u00e3o e redu\u00e7\u00e3o de depend\u00eancias ao mesmo tempo. Se hoje o agroneg\u00f3cio brasileiro e toda a sua cadeia produtiva chegam a <a href=\"https:\/\/cepea.esalq.usp.br\/br\/opiniao-cepea\/afinal-quanto-o-agronegocio-representa-no-pib-brasileiro.aspx\">ocupar \u00bc de nosso Produto Interno Bruto<\/a> (no c\u00e1lculo do Cepea), \u00e9 preciso usar nosso poder pol\u00edtico para promover empregos e alimenta\u00e7\u00e3o, ao mesmo tempo em que reduzimos o poder de classe do agroneg\u00f3cio a favor da classe trabalhadora rural.<\/p>\n<p>A l\u00f3gica do ganha-ganha \u00e9 incompat\u00edvel com o termo \u201ctransi\u00e7\u00e3o\u201d, pois transicionar exige que modos anteriores deixem de existir para que modos desej\u00e1veis se estabele\u00e7am.<\/p>\n<p>Apenas isso j\u00e1 indica que programas \u201cecol\u00f3gicos\u201d dentro do Plano Safra do agroneg\u00f3cio servem para limpar a imagem do agro, enquanto a maioria transforma um dia do fogo em semanas e meses inteiros de queimadas. Tamb\u00e9m, infelizmente, indica que a transi\u00e7\u00e3o energ\u00e9tica anunciada pelo governo brasileiro tem, na verdade, grandes ares de diversifica\u00e7\u00e3o energ\u00e9tica, uma vez que o crescimento de combust\u00edveis f\u00f3sseis segue sendo pilar da nossa matriz.<\/p>\n<p>\u00c9 por isso que a Coaliz\u00e3o Energia Limpa aponta uma realidade de \u201c<a href=\"https:\/\/climainfo.org.br\/2024\/06\/13\/expansao-do-gas-fossil-atrasa-transicao-energetica-mostra-relatorio-da-coalizao-energia-limpa\/\">regress\u00e3o energ\u00e9tica<\/a>\u201d no Brasil, em que nossa depend\u00eancia f\u00f3ssil se acentua. \u00c9 tamb\u00e9m por isso que sempre que investimos mais no agroneg\u00f3cio que na agricultura familiar, promovemos regress\u00e3o agr\u00e1ria e um ataque \u00e0 nossa pr\u00f3pria capacidade de construir soberania alimentar.<\/p>\n<p>A realidade de queimadas nos nossos biomas e o envolvimento de fazendeiros, mais uma vez, indica que para construir uma l\u00f3gica produtiva em alian\u00e7a com a natureza, devemos faz\u00ea-la com uma pol\u00edtica de repara\u00e7\u00e3o, onde n\u00e3o basta responsabilizar os culpados legalmente, mas tamb\u00e9m financeiramente.<\/p>\n<p>\u00c9 preciso apurar e cobrar as <a href=\"https:\/\/deolhonosruralistas.com.br\/2019\/06\/23\/cinquenta-empresas-do-agronegocio-devem-r-200-bilhoes-a-uniao\/#:~:text=Cinquenta%20empresas%20do%20agroneg%C3%B3cio%20devem%20R%24%20200%20bilh%C3%B5es%20%C3%A0%20Uni%C3%A3o,-In%20De%20Olho&amp;text=Levantamento%20feito%20pelo%20De%20Olho,R%24%20205%20bilh%C3%B5es%20em%20d%C3%A9bitos.\">dezenas de bilh\u00f5es que o agroneg\u00f3cio deve \u00e0 Uni\u00e3o<\/a>, al\u00e9m de usar de multas por crimes ambientais para projetos e adapta\u00e7\u00e3o e seguros sociais para a popula\u00e7\u00e3o afetada por desastres clim\u00e1ticos.<\/p>\n<blockquote class=\"stylized pull-left\" data-shortcode-type=\"pullquote\" data-pull=\"left\"><p>O peso que damos ao agroneg\u00f3cio na nossa economia nos impede de respirar.<\/p><\/blockquote>\n<p>Com uma transi\u00e7\u00e3o real e justa, a transfer\u00eancia de poder econ\u00f4mico promover\u00e1 soberania ecol\u00f3gica que, por consequ\u00eancia, finalmente poder\u00e1 atuar para reparar os s\u00e9culos de coloniza\u00e7\u00e3o, escravid\u00e3o e explora\u00e7\u00e3o dos povos que vivem amea\u00e7ados no campo e nas florestas ou precarizados nas periferias das cidades brasileiras.<\/p>\n<p>Evidentemente, para que uma transfer\u00eancia de poder econ\u00f4mico para os territ\u00f3rios populares se traduza em poder de classe, a proatividade de pol\u00edticas p\u00fablicas e um governo comprometido n\u00e3o bastar\u00e3o.<\/p>\n<p>Faz-se necess\u00e1rio tamb\u00e9m fomentar um \u201c<a href=\"https:\/\/teiadospovos.org\/nem-inundacao-nem-desertificacao-parar-a-catastrofe-construindo-um-ambientalismo-popular-e-radical-dos-povos\/\">ambientalismo popular e radical<\/a>\u201d, como prop\u00f5em Neto Onir\u00ea Sankara e Erahsto Fel\u00edcio, que tenha lastro e interrompa o ciclo de normaliza\u00e7\u00e3o da cat\u00e1strofe em que nos encontramos. A nossa pol\u00edtica popular de enfrentamento ao poder do agroneg\u00f3cio depende disso.<\/p>\n<p>Depende tamb\u00e9m do combate ao <a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=iGJzgzgRQfQ\">racismo ambiental<\/a>, categoria que assusta a direita tanto quanto a de racismo estrutural e que devemos usar para tamb\u00e9m expor como o impacto do fogo nas regi\u00f5es Norte e no Centro-Oeste brasileiro s\u00f3 chama a aten\u00e7\u00e3o quando tamb\u00e9m chega a S\u00e3o Paulo e outras metr\u00f3poles.<\/p>\n<p>A triste partida de Maria da Concei\u00e7\u00e3o Tavares nos lembrou de sua c\u00e9lebre afirma\u00e7\u00e3o de que \u201c<a href=\"https:\/\/extra.globo.com\/economia-e-financas\/maria-da-conceicao-tavaresninguem-come-pib-come-alimentos-11973827.html\">ningu\u00e9m come PIB, come alimentos<\/a>.\u201d O peso que damos ao agroneg\u00f3cio na nossa economia n\u00e3o somente favorece commodities em detrimento de alimentos, mas tamb\u00e9m, pouco a pouco, nos impede de respirar.<\/p>\n<p>Precisamos reorientar urgentemente o discurso de transi\u00e7\u00e3o no Brasil para impedir que seja sequestrado tanto pelo capitalismo verde quanto pelas velhas for\u00e7as pol\u00edticas que sugam recursos diretos e gastam outros ao causar perdas e danos catastr\u00f3ficos.<\/p>\n<p>A insist\u00eancia na aposta falida de concilia\u00e7\u00e3o com uma classe pol\u00edtica e econ\u00f4mica que ataca todas as formas de soberania popular mant\u00e9m o Brasil asfixiado: figurativamente ao sufocar a constru\u00e7\u00e3o de alternativas, e literalmente, com fogo e enchentes.<\/p>\n<div id=\"pf-content\" class=\"js-pf-content pf-12\">\n<div id=\"\" class=\"\">\n<div class=\"grid gap-0\" data-pf_style_display=\"block\" data-pf_style_visibility=\"visible\">\n<article class=\"g-col-12 g-col-md-10 pt-6 m-negative m-md-0 pf-candidate\" data-pf_style_display=\"block\" data-pf_style_visibility=\"visible\">\n<div class=\"single-content px-4 px-lg-0 pf-candidate\" data-pf_style_display=\"block\" data-pf_style_visibility=\"visible\">\n<p class=\"added-to-list1\" data-pf_style_display=\"block\" data-pf_style_visibility=\"visible\">\n<\/div>\n<\/article>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>The Intercept, por Sabrina Fernandes &#8211; O Brasil est\u00e1 pegando fogo, no pior dos sentidos. 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