{"id":35977,"date":"2024-09-19T09:53:14","date_gmt":"2024-09-19T13:53:14","guid":{"rendered":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/?p=35977"},"modified":"2024-09-19T09:53:14","modified_gmt":"2024-09-19T13:53:14","slug":"fogo-na-amazonia-se-concentra-em-locais-onde-agronegocio-avanca","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/2024\/09\/19\/fogo-na-amazonia-se-concentra-em-locais-onde-agronegocio-avanca\/","title":{"rendered":"Fogo na Amaz\u00f4nia se concentra em locais onde agroneg\u00f3cio avan\u00e7a"},"content":{"rendered":"<p><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" data-attachment-id=\"35980\" data-permalink=\"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/2024\/09\/19\/fogo-na-amazonia-se-concentra-em-locais-onde-agronegocio-avanca\/img_0174-4\/\" data-orig-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/IMG_0174-1.jpeg?fit=1023%2C582\" data-orig-size=\"1023,582\" data-comments-opened=\"0\" data-image-meta=\"{&quot;aperture&quot;:&quot;0&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;0&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;0&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;0&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0&quot;,&quot;title&quot;:&quot;&quot;,&quot;orientation&quot;:&quot;1&quot;}\" data-image-title=\"IMG_0174\" data-image-description=\"\" data-image-caption=\"\" data-medium-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/IMG_0174-1.jpeg?fit=300%2C171\" data-large-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/IMG_0174-1.jpeg?fit=600%2C341\" class=\"alignnone size-full wp-image-35980\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/IMG_0174-1.jpeg?resize=600%2C341\" alt=\"\" width=\"600\" height=\"341\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/IMG_0174-1.jpeg?w=1023 1023w, https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/IMG_0174-1.jpeg?resize=300%2C171 300w, https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/IMG_0174-1.jpeg?resize=768%2C437 768w, https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/IMG_0174-1.jpeg?resize=527%2C300 527w\" sizes=\"auto, (max-width: 600px) 100vw, 600px\" \/><\/p>\n<p>Para professor da UFPA, queimadas s\u00e3o resultado da apropria\u00e7\u00e3o ilegal<!--more--><\/p>\n<div class=\"post-item-wrap\">\n<p>Ag\u00eancia Brasil &#8211; Os inc\u00eandios que consomem o bioma amaz\u00f4nico s\u00e3o uma das etapas da explora\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica da floresta, que vem sendo convocada pela economia mundial para fornecer alimentos e mat\u00e9rias-primas baratas, permitindo a manuten\u00e7\u00e3o do pre\u00e7o dos sal\u00e1rios nos pa\u00edses mais desenvolvidos e o aumento do lucro em escala global. Essa \u00e9 a avalia\u00e7\u00e3o do professor de economia Gilberto de Souza Marques, da Universidade Federal do Par\u00e1 (UFPA).<img data-recalc-dims=\"1\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/agenciabrasil.ebc.com.br\/ebc.png?w=600&#038;ssl=1\" \/><img data-recalc-dims=\"1\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/agenciabrasil.ebc.com.br\/ebc.gif?w=600&#038;ssl=1\" \/><\/p>\n<p>Autor do livro <em>Amaz\u00f4nia: riqueza, degrada\u00e7\u00e3o e saque<\/em>, o especialista destaca que a agropecu\u00e1ria, a minera\u00e7\u00e3o e o setor madeireiro s\u00e3o as principais atividades que contribuem para o desmatamento da Amaz\u00f4nia e que a grilagem de terra alimenta essa explora\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica.<\/p>\n<div class=\"dnd-widget-wrapper context-grande_6colunas type-image atom-align-left\">\n<div class=\"dnd-atom-rendered\">\n<div class=\"shadow overflow-hidden rounded-lg d-block w-100\"><img data-recalc-dims=\"1\" decoding=\"async\" class=\"flex-fill img-cover\" title=\"Gilberto de Souza Marques\/Arquivo Pessoal\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/imagens.ebc.com.br\/JizeKsdbBL62rEdbkWAYeGgXUyw%3D\/463x0\/smart\/https%3A\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/sites\/default\/files\/thumbnails\/image\/2024\/09\/18\/gilberto_de_souza_marques1.jpg?w=600&#038;ssl=1\" alt=\"Bras\u00edlia (DF) 18\/09\/2024 - Professor de economia da Universidade Federal do Par\u00e1 (UFPA), Gilberto de Souza Marques, autor do livro \u201cAmaz\u00f4nia: riqueza, degrada\u00e7\u00e3o e saque\u201d\nFoto: Gilberto de Souza Marques\/Arquivo Pessoal\" \/><\/div>\n<\/div>\n<div class=\"dnd-caption-wrapper\">\n<div class=\"meta\">Professor de economia da Universidade Federal do Par\u00e1\u00a0Gilberto de Souza Marques, autor do livro Amaz\u00f4nia: riqueza, degrada\u00e7\u00e3o e saque &#8211; Foto:\u00a0<strong>Gilberto de Souza Marques\/Arquivo Pessoal<\/strong><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<p>Marques questiona o modelo econ\u00f4mico imposto ao bioma, argumentando que nem tudo que gera muito lucro \u00e9 o melhor para o conjunto da sociedade brasileira. Al\u00e9m disso, afirma que a Amaz\u00f4nia j\u00e1 est\u00e1 internacionalizada porque as grandes multinacionais da minera\u00e7\u00e3o e do agroneg\u00f3cio s\u00e3o as que controlam a economia dominante na regi\u00e3o.<\/p>\n<p>Para o especialista em economia pol\u00edtica, natureza e desenvolvimento, as experi\u00eancias dos povos ind\u00edgenas e comunidades tradicionais s\u00e3o as sementes de esperan\u00e7a que devem ser regadas para se contrapor \u00e0 monocultura na regi\u00e3o amaz\u00f4nica.<\/p>\n<p>Confira a\u00a0entrevista completa:<\/p>\n<p><strong>Ag\u00eancia Brasil<\/strong>:\u00a0Qual a rela\u00e7\u00e3o da destrui\u00e7\u00e3o da Amaz\u00f4nia com a explora\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica do bioma?<\/p>\n<p><strong>Gilberto Marques<\/strong>:\u00a0A Amaz\u00f4nia tem duas grandes tarefas no mundo que s\u00e3o incompat\u00edveis. A primeira \u00e9 contribuir para aumentar a rentabilidade do capital nas economias centrais, com o rebaixamento dos custos de\u00a0produ\u00e7\u00e3o. Isso significa produzir mat\u00e9rias-primas baratas de exporta\u00e7\u00e3o para a China e para a Europa, como o ferro, a soja e outros produtos.<\/p>\n<p>Ao produzir alimentos baratos, a Amaz\u00f4nia diminui a press\u00e3o para eleva\u00e7\u00e3o salarial nesses pa\u00edses e contribui para elevar as taxas de lucro em meio a uma economia global que vive sucessivas crises de rentabilidade do capital.<\/p>\n<p>A segunda tarefa da Amaz\u00f4nia \u00e9 contribuir para reduzir os efeitos do aquecimento global, em particular a emiss\u00e3o de gases de\u00a0efeito estufa. Na atualidade, essas duas tarefas s\u00e3o incompat\u00edveis porque a primeira tarefa imp\u00f5e um ritmo de apropria\u00e7\u00e3o da natureza como nunca visto nos 13 mil anos de exist\u00eancia humana na Amaz\u00f4nia.<\/p>\n<p>Esse ritmo ditado pela busca do lucro faz com que a natureza tenha dificuldade de se recompor, pois s\u00e3o atividades extremamente degradantes para a natureza.<\/p>\n<div class=\"dnd-widget-wrapper context-cheio_8colunas type-image\">\n<div class=\"dnd-atom-rendered\">\n<div class=\"shadow overflow-hidden rounded-lg d-block w-100\"><img data-recalc-dims=\"1\" decoding=\"async\" class=\"flex-fill img-cover\" title=\"Marcelo Camargo\/Ag\u00eancia Brasil\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/imagens.ebc.com.br\/zOCdpw0pkeMfwQhSz6F9frfPeRI%3D\/754x0\/smart\/https%3A\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/sites\/default\/files\/thumbnails\/image\/floresta_amazonica211016ebc0667.jpg?w=600&#038;ssl=1\" alt=\"floresta Amaz\u00f4nica\" \/><\/div>\n<\/div>\n<div class=\"dnd-caption-wrapper\">\n<div class=\"meta\">floresta Amaz\u00f4nica &#8211; <strong>Marcelo Camargo\/Ag\u00eancia Brasil<\/strong><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<p><strong>Ag\u00eancia Brasil<\/strong>:\u00a0Quais as principais atividades que contribuem para degradar a Amaz\u00f4nia?<\/p>\n<p><strong>Gilberto<\/strong>:\u00a0A minera\u00e7\u00e3o e o agroneg\u00f3cio associados \u00e0 explora\u00e7\u00e3o madeireira. E a caracter\u00edstica mais gritante na Amaz\u00f4nia \u00e9 que o legal se alimenta do ilegal e o ilegal do legal.<\/p>\n<p>O setor pecuarista, que se apropria de terras p\u00fablicas e que utiliza muitas vezes o trabalho escravo, continua, de alguma forma, vendendo o seu gado para as grandes cadeias da comercializa\u00e7\u00e3o dos grandes frigor\u00edficos, direta ou indiretamente.<\/p>\n<p>Indiretamente porque eles maquiam esse gado [de \u00e1reas griladas] e os frigor\u00edficos sabem disso. O gado que n\u00e3o pode ser vendido para Europa, por exemplo, porque tem regras mais r\u00edgidas, segue para o Nordeste ou o Sudeste, abastecendo esses mercados regionais e permitindo que os rebanhos\u00a0criados nessas regi\u00f5es possam ser exportados sem preju\u00edzo do consumo local. Direta ou indiretamente, o gado amaz\u00f4nico, mesmo criado em \u00e1reas ilegais, entra nas grandes cadeias de prote\u00edna animal do planeta.<\/p>\n<p>Em 2021, o principal produto exportado pelo munic\u00edpio de S\u00e3o Paulo foi o ouro, com aproximadamente 27% de tudo que o munic\u00edpio exportou. De onde vem esse ouro que entra nos grandes circuitos legais da financeiriza\u00e7\u00e3o da economia? Esse ouro sai, em grande medida, dos circuitos ilegais que est\u00e3o destruindo a Amaz\u00f4nia.<\/p>\n<p>A minera\u00e7\u00e3o destr\u00f3i intensivamente a floresta, o solo e subsolo, mas ela ocorre em espa\u00e7o menor, ainda que tenha uma extens\u00e3o al\u00e9m da mina, como \u00e9 o caso da contamina\u00e7\u00e3o dos rios. J\u00e1 a agropecu\u00e1ria usa extensas \u00e1reas e o uso de agrot\u00f3xicos mata os insetos que polinizam a floresta.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, a planta\u00e7\u00e3o de soja retira cobertura vegetal, aumentando a temperatura em torno do campo de plantio e os riscos de inc\u00eandios. Essas atividades estimulam a apropria\u00e7\u00e3o ilegal da terra na Amaz\u00f4nia.<\/p>\n<div class=\"dnd-widget-wrapper context-cheio_8colunas type-image\">\n<div class=\"dnd-atom-rendered\">\n<div class=\"shadow overflow-hidden rounded-lg d-block w-100\"><img data-recalc-dims=\"1\" decoding=\"async\" class=\"flex-fill img-cover\" title=\"Divulga\u00e7\u00e3o TV Brasil\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/imagens.ebc.com.br\/sr2rFresMfVDOTaEnHMGEYByh70%3D\/754x0\/smart\/https%3A\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/sites\/default\/files\/thumbnails\/image\/floresta_amazonica_vista_de_cima.jpg?w=600&#038;ssl=1\" alt=\"Floresta amaz\u00f4nica vista de cima.\" \/><\/div>\n<\/div>\n<div class=\"dnd-caption-wrapper\">\n<div class=\"meta\">Floresta amaz\u00f4nica vista de cima. &#8211; <strong>Divulga\u00e7\u00e3o TV Brasil<\/strong><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<p><strong>Ag\u00eancia Brasil<\/strong>:\u00a0Como ocorre essa apropria\u00e7\u00e3o ilegal da terra da Amaz\u00f4nia?<\/p>\n<p><strong>Gilberto<\/strong>:\u00a0O grileiro se apropria de uma terra p\u00fablica, de uma \u00e1rea de preserva\u00e7\u00e3o ou de territ\u00f3rio ind\u00edgena, e derruba a floresta de imediato. Em seguida, vende para um segundo propriet\u00e1rio que sabe que a terra \u00e9 ilegal pelo pr\u00f3prio pre\u00e7o de venda, que \u00e9 rebaixado.<\/p>\n<p>Depois de comprar, o segundo dono entra com o pedido de regulariza\u00e7\u00e3o fundi\u00e1ria dessa terra, argumentando que a comprou de boa-f\u00e9, acreditando que era uma terra legalizada.<\/p>\n<p>Esse argumento da boa-f\u00e9 serviu para regularizar propriedades griladas desde os governos da ditadura empresarial militar, com o argumento de que isso geraria seguran\u00e7a jur\u00eddica e impediria a grilagem de terra. Na realidade, isso estimula a grilagem na regi\u00e3o amaz\u00f4nica.<\/p>\n<p><strong>Ag\u00eancia Brasil<\/strong>:\u00a0Por que existe o risco de a soja avan\u00e7ar ainda mais no bioma amaz\u00f4nico?<\/p>\n<p><strong>Gilberto<\/strong>:\u00a0Por que o custo de transporte \u00e9 elemento determinante hoje na soja. Do munic\u00edpio de Sorriso (MT) at\u00e9 o Porto de Paranagu\u00e1, no Paran\u00e1, s\u00e3o 2,2 mil km. Depois de embarcada nos navios, ela sobe toda a costa brasileira.<\/p>\n<p>Quando essa soja \u00e9 produzida aqui na Amaz\u00f4nia, pr\u00f3ximo \u00e0 linha do Equador, ou com conex\u00e3o com os rios, o\u00a0custo de transporte cai bastante ou chega a quase zero. \u00c9 o caso da soja que est\u00e1 sendo produzida no Amap\u00e1, a 70 quil\u00f4metros do porto.<\/p>\n<p>Ou seja, h\u00e1 uma redu\u00e7\u00e3o de custo brutal nesse processo\u00a0e a\u00a0redu\u00e7\u00e3o eleva a rentabilidade da\u00a0atividade, permitindo\u00a0que o produto chegue barato aos mercados centrais.<\/p>\n<p>Fora isso, quando, por meio da Lei Kandir, o governo deixa de cobrar o ICMS sobre essa exporta\u00e7\u00e3o, o produto pode ser vendido por um pre\u00e7o abaixo de seu valor, sem que a empresa perca nada. Mas o Estado deixou de arrecadar o que lhe caberia. H\u00e1, ent\u00e3o, uma transfer\u00eancia de valor do Brasil para as economias centrais. Vendemos mercadorias e recebemos menos do que elas efetivamente valem.<\/p>\n<p><strong>Ag\u00eancia Brasil<\/strong>:\u00a0Os inc\u00eandios na Amaz\u00f4nia t\u00eam rela\u00e7\u00e3o com a explora\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica?<\/p>\n<p><strong>Gilberto<\/strong>:\u00a0O fogo \u00e9 resultado desse processo de apropria\u00e7\u00e3o ilegal da terra e \u00e9 uma etapa da explora\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica. Durante o primeiro semestre do ano, que \u00e9 o per\u00edodo de mais chuva, se faz a derrubada da floresta para a retirada das madeiras.<\/p>\n<p>Quando come\u00e7a o ver\u00e3o amaz\u00f4nico, que ocorre entre o final de junho at\u00e9 setembro\u00a0principalmente, se toca muito fogo na floresta para queimar o que se derrubou no primeiro semestre, mas n\u00e3o se aproveitou para a atividade madeireira. Ent\u00e3o, se forma o pasto.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, 80% das propriedades da floresta s\u00e3o reservas legais\u00a0que n\u00e3o podem ser desmatadas. O propriet\u00e1rio ent\u00e3o toca fogo na floresta e diz que aquilo foi um inc\u00eandio n\u00e3o produzido por ele. Como deixou de ser floresta, ele vai utilizar a \u00e1rea para o aumento do pasto, para o plantio de soja ou outra atividade do agroneg\u00f3cio.<\/p>\n<p>Quando voc\u00ea pega a distribui\u00e7\u00e3o do fogo, voc\u00ea v\u00ea que a concentra\u00e7\u00e3o est\u00e1 exatamente nos munic\u00edpios em que mais avan\u00e7a o agroneg\u00f3cio. Como \u00e9 o caso de S\u00e3o F\u00e9lix Xingu (PA), que tem o maior rebanho bovino do Brasil.<\/p>\n<p>Por\u00e9m, o que estamos vendo hoje, neste in\u00edcio de setembro, \u00e9 um descontrole porque alguns dados de monitoramento apontam que at\u00e9 um ter\u00e7o do fogo sobre a Amaz\u00f4nia est\u00e1 ocorrendo em floresta em p\u00e9, diferentemente do padr\u00e3o t\u00edpico que \u00e9 o fogo sobre floresta que foi derrubada no primeiro semestre.<\/p>\n<div class=\"dnd-widget-wrapper context-cheio_8colunas type-image\">\n<div class=\"dnd-atom-rendered\">\n<div class=\"shadow overflow-hidden rounded-lg d-block w-100\"><img data-recalc-dims=\"1\" decoding=\"async\" class=\"flex-fill img-cover\" title=\"REUTERS \/ Bruno Kelly\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/imagens.ebc.com.br\/kRvSAI-9qQ_HBMtWODg4m5sDy6o%3D\/754x0\/smart\/https%3A\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/sites\/default\/files\/thumbnails\/image\/2019-08-21t165535z_1942945837_rc15f10d89c0_rtrmadp_3_brazil-politics.jpg?w=600&#038;ssl=1\" alt=\"Um homem trabalha em um trecho de queimada da floresta amaz\u00f4nica, como est\u00e1 sendo desmatada por madeireiros e agricultores em Iranduba, Amazonas, Brasil, 20 de agosto de 2019. REUTERS \/ Bruno Kelly \/ \" \/><\/div>\n<\/div>\n<div class=\"dnd-caption-wrapper\">\n<div class=\"meta\">Homem trabalha em\u00a0trecho de queimada da floresta amaz\u00f4nica, desmatada por madeireiros e agricultores em Iranduba _ Foto Reuters\/\u00a0Bruno Kelly<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<p><strong>Ag\u00eancia Brasil<\/strong>:\u00a0O senhor diz que a Amaz\u00f4nia est\u00e1 internacionalizada no mercado global. Como \u00e9 isso?<\/p>\n<p><strong>Gilberto<\/strong>:\u00a0A Amaz\u00f4nia est\u00e1 internacionalizada porque os grandes ramos da produ\u00e7\u00e3o do agroneg\u00f3cio e da minera\u00e7\u00e3o est\u00e3o controlados pelas grandes empresas multinacionais em escala internacional.<\/p>\n<p>As duas maiores plantas de alumina e alum\u00ednio do planeta est\u00e3o no Par\u00e1 e s\u00e3o controladas por uma empresa transnacional, que \u00e9 a Hydro, de capital principalmente noruegu\u00eas.\u00a0O\u00a0principal acionista \u00e9 o governo da Noruega, que \u00e9 tamb\u00e9m o principal doador do Fundo Amaz\u00f4nia.<\/p>\n<p>A Vale do Rio Doce anunciou que a maior parcela do seu capital total \u00e9 negociada em circuitos estrangeiros, ou seja, n\u00e3o est\u00e1 nas m\u00e3os de brasileiros. Se\u00a0pegarmos o com\u00e9rcio de gr\u00e3os, principalmente soja, quem comercializa e controla esse com\u00e9rcio na Amaz\u00f4nia s\u00e3o as grandes transnacionais do agroneg\u00f3cio como Cargill, Bunge, ADM [Human, Pet and Animal Nutrition Company] e LDC [Louis Dreyfus Company].<\/p>\n<div class=\"dnd-widget-wrapper context-cheio_8colunas type-image\">\n<div class=\"dnd-atom-rendered\">\n<div class=\"shadow overflow-hidden rounded-lg d-block w-100\"><img data-recalc-dims=\"1\" decoding=\"async\" class=\"flex-fill img-cover\" title=\"Pol\u00edcia Federal\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/imagens.ebc.com.br\/7zGP1pOJzvBgmry1lx-R7KatCaQ%3D\/754x0\/smart\/https%3A\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/sites\/default\/files\/thumbnails\/image\/operacao_oke_aro_2701214146.jpg?w=600&#038;ssl=1\" alt=\"Boa Vista\/RR \u2013 A Pol\u00edcia Federal deflagrou na manh\u00e3 de hoje, 27\/01, a opera\u00e7\u00e3o Ok\u00ea Ar\u00f4*, para combater o desmatamento ilegal em uma \u00e1rea de quase 5.000 hectares de floresta amaz\u00f4nica.\" \/><\/div>\n<\/div>\n<div class=\"dnd-caption-wrapper\">\n<div class=\"meta\">Boa Vista\u00a0\u2013 Pol\u00edcia Federal deflagra Opera\u00e7\u00e3o Ok\u00ea Ar\u00f4* para combater desmatamento ilegal na\u00a0floresta amaz\u00f4nica. &#8211; <strong>PF\/divulga\u00e7\u00e3o<\/strong><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<p><strong>Ag\u00eancia Brasil<\/strong>:\u00a0Qual a explora\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica sustent\u00e1vel alternativa que pode beneficiar o povo brasileiro?<\/p>\n<p><strong>Gilberto<\/strong>:\u00a0Nosso desafio \u00e9 entender que n\u00e3o necessariamente o que d\u00e1 grande lucro \u00e9 algo que beneficia o conjunto da popula\u00e7\u00e3o ou que seja necessariamente o melhor para o pa\u00eds e para a regi\u00e3o.<\/p>\n<p>Precisamos problematizar essa no\u00e7\u00e3o de desenvolvimento como simples expans\u00e3o da economia. Historicamente, isso foi utilizado no Brasil para justificar determinadas pol\u00edticas, mas o resultado foi exclus\u00e3o social e o enriquecimento de uma pequena minoria.<\/p>\n<p>Nesse sentido, temos experi\u00eancias em curso na regi\u00e3o amaz\u00f4nica que s\u00e3o ainda muito incipientes, mas muito ricas. A produ\u00e7\u00e3o agroecol\u00f3gica, com as agroflorestas, \u00e9 uma delas. Outras experi\u00eancias s\u00e3o as atividades comunit\u00e1rias, como a pesca do Mapar\u00e1, no Rio Tocantins, onde as pessoas se juntam para pescar e o resultado \u00e9 distribu\u00eddo entre todos, inclusive entre aqueles que n\u00e3o puderam pescar.<\/p>\n<p>Tem ainda a rica experi\u00eancia do povo ind\u00edgena Ka\u2019apor, do Maranh\u00e3o, que tem criado \u00e1reas de prote\u00e7\u00e3o quando\u00a0identifica\u00a0a entrada de madeireiros e outros invasores. Eles constroem comunidades nas rotas dos invasores, barrando a entrada deles. J\u00e1 criaram 12 \u00e1reas de prote\u00e7\u00e3o, permitindo a recomposi\u00e7\u00e3o da floresta.<\/p>\n<p>Temos que ajudar a disseminar essas experi\u00eancias de integra\u00e7\u00e3o sociedade-natureza em oposi\u00e7\u00e3o \u00e0 monocultura na Amaz\u00f4nia. A gente tem que olhar a Amaz\u00f4nia com esperan\u00e7a, porque ela ainda \u00e9 a maior concentra\u00e7\u00e3o de mat\u00e9ria viva do planeta.<\/p>\n<p>Ela captura di\u00f3xido de carbono e cumpre papel vital para a exist\u00eancia da humanidade. O planeta vai continuar existindo, o que est\u00e1 em quest\u00e3o \u00e9 a continuidade da humanidade. Nesse sentido, a Amaz\u00f4nia \u00e9 a esperan\u00e7a para o planeta. E os povos que vivem na Amaz\u00f4nia, por meio de suas experi\u00eancias, s\u00e3o sementes de esperan\u00e7a que\u00a0temos que ajudar a brotar.<\/p>\n<\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p class=\"alt-font font-italic my-2 small text-info\">Edi\u00e7\u00e3o: Gra\u00e7a Adjuto<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Para professor da UFPA, queimadas s\u00e3o resultado da apropria\u00e7\u00e3o ilegal<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_exactmetrics_skip_tracking":false,"_exactmetrics_sitenote_active":false,"_exactmetrics_sitenote_note":"","_exactmetrics_sitenote_category":0,"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","enabled":false},"version":2}},"categories":[1],"tags":[251,387,1113],"class_list":["post-35977","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-notas","tag-agronegocio","tag-desmatamento","tag-fogo"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p7wKYW-9mh","jetpack-related-posts":[],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/35977","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=35977"}],"version-history":[{"count":2,"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/35977\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":35981,"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/35977\/revisions\/35981"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=35977"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=35977"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=35977"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}