{"id":36534,"date":"2025-02-17T19:53:54","date_gmt":"2025-02-17T23:53:54","guid":{"rendered":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/?p=36534"},"modified":"2025-02-17T19:53:54","modified_gmt":"2025-02-17T23:53:54","slug":"mais-da-metade-dos-rios-brasileiros-esta-secando-problema-e-maior-onde-ha-atividade-agricola-intensiva","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/2025\/02\/17\/mais-da-metade-dos-rios-brasileiros-esta-secando-problema-e-maior-onde-ha-atividade-agricola-intensiva\/","title":{"rendered":"Mais da metade dos rios brasileiros est\u00e1 secando; problema \u00e9 maior onde h\u00e1 atividade agr\u00edcola intensiva"},"content":{"rendered":"<p><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" data-attachment-id=\"36535\" data-permalink=\"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/2025\/02\/17\/mais-da-metade-dos-rios-brasileiros-esta-secando-problema-e-maior-onde-ha-atividade-agricola-intensiva\/img_7964\/\" data-orig-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2025\/02\/IMG_7964.webp?fit=800%2C474\" data-orig-size=\"800,474\" data-comments-opened=\"0\" data-image-meta=\"{&quot;aperture&quot;:&quot;0&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;0&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;0&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;0&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0&quot;,&quot;title&quot;:&quot;&quot;,&quot;orientation&quot;:&quot;0&quot;}\" data-image-title=\"IMG_7964\" data-image-description=\"\" data-image-caption=\"\" data-medium-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2025\/02\/IMG_7964.webp?fit=300%2C178\" data-large-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2025\/02\/IMG_7964.webp?fit=600%2C356\" class=\"alignnone size-medium wp-image-36535\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2025\/02\/IMG_7964.webp?resize=300%2C178\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"178\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2025\/02\/IMG_7964.webp?resize=300%2C178 300w, https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2025\/02\/IMG_7964.webp?resize=768%2C455 768w, https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2025\/02\/IMG_7964.webp?resize=506%2C300 506w, https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2025\/02\/IMG_7964.webp?w=800 800w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/p>\n<h2 class=\"jeg_post_subtitle\">Perda de vaz\u00e3o \u00e9 decorrente da perfura\u00e7\u00e3o de po\u00e7os e uso excessivo das \u00e1guas subterr\u00e2neas<\/h2>\n<p><!--more--><\/p>\n<p>Brasil de Fato &#8211; Mais da metade dos rios brasileiros est\u00e1 amea\u00e7ada pela perfura\u00e7\u00e3o de po\u00e7os. A informa\u00e7\u00e3o \u00e9 de um estudo realizado por pesquisadores da Universidade de S\u00e3o Paulo (USP), em parceria com colegas estadunidenses, e publicado em dezembro de 2024 na revista <em><a href=\"https:\/\/www.nature.com\/articles\/s41467-024-54370-3\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Nature Communications<\/a><\/em>.<\/p>\n<p>Os pesquisadores analisaram os n\u00edveis de \u00e1gua em 17.972 po\u00e7os em todo o Brasil para mostrar que 55% deles fica abaixo das superf\u00edcies dos rios pr\u00f3ximos, fazendo com que as \u00e1guas penetrem no subsolo. Assim, os <a href=\"https:\/\/www.brasildefato.com.br\/2017\/08\/04\/crise-hidrica-afeta-o-cerrado-berco-das-aguas-brasileiras\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">rios acabam perdendo fluxo de \u00e1gua<\/a>.<\/p>\n<div class=\"jeg_ad jeg_ad_article jnews_content_inline_ads  \">\n<div class=\"ads-wrapper align-center \">\n<div class=\"ads_shortcode\">\n<div class=\"ads-region-container\">\n<div id=\"div-gpt-ad-artigos-mobile_rectangle_mobile_1\" class=\"ad-slot\"><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<p>&#8220;O alerta foi que em algumas regi\u00f5es do pa\u00eds, a gente tem mais de 50%, at\u00e9 mais de 60% desses <a href=\"https:\/\/www.brasildefato.com.br\/2023\/03\/22\/cerrado-pode-perder-ate-35-das-reservas-de-agua-ate-2050-aponta-estudo\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">rios perdendo \u00e1gua para o aqu\u00edfero<\/a>. E l\u00e1 nessas \u00e1reas a gente vai precisar de estudos mais detalhados para identificar qual o fator est\u00e1 realmente fazendo esse rio, que potencialmente ganhava \u00e1gua, agora estar perdendo. Ou se era um rio que j\u00e1 perdia e agora est\u00e1 perdendo mais&#8221;, explica Jos\u00e9 Gescilam Uch\u00f4a, aluno de doutorado da Universidade de S\u00e3o Paulo (USP), campus de S\u00e3o Carlos, e primeiro autor do estudo.<\/p>\n<p>A pesquisa indica que o problema \u00e9 mais grave em regi\u00f5es secas e de intensa atividade agropecu\u00e1ria.\u00a0\u201cEssa redu\u00e7\u00e3o tem sido associada ao aumento da capta\u00e7\u00e3o de \u00e1gua subterr\u00e2nea, especialmente para irriga\u00e7\u00e3o, como observado em uma das maiores fronteiras agr\u00edcolas, conhecida como <a href=\"https:\/\/www.brasildefato.com.br\/2022\/01\/23\/matopiba-crescimento-do-agronegocio-e-um-dos-responsaveis-por-enchentes-que-assolam-nordeste\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Matopiba<\/a>\u00a0[regi\u00e3o que soma Tocantins e parte dos estados na Bahia, Piau\u00ed e Maranh\u00e3o]\u201d, indica a pesquisa.<\/p>\n<div class=\"jeg_ad jeg_ad_article jnews_content_inline_2_ads  \">\n<div class=\"ads-wrapper align-center \">\n<div class=\"ads_shortcode\">\n<div class=\"ads-region-container\">\n<div id=\"div-gpt-ad-artigos-mobile_rectangle_mobile_2\" class=\"ad-slot\"><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<p>\u201cIsso estava acontecendo por causa do uso excessivo dessa \u00e1gua subterr\u00e2nea principalmente nessas regi\u00f5es\u201d, explica Paulo Tarso Sanches de Oliveira, segundo autor do estudo, professor de hidrologia e recursos h\u00eddricos na Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS) e no Programa de P\u00f3s-Gradua\u00e7\u00e3o em Engenharia Hidr\u00e1ulica e Saneamento da Escola de Engenharia de S\u00e3o Carlos da Universidade de S\u00e3o Paulo (EESC-USP).<\/p>\n<p>O estudo alerta que a situa\u00e7\u00e3o da perda de \u00e1gua dos rios n\u00e3o ter\u00e1 apenas impacto nas \u00e1reas locais, mas tamb\u00e9m poder\u00e1 ter repercuss\u00f5es em larga escala, &#8220;uma vez que o Brasil desempenha um papel fundamental na seguran\u00e7a alimentar global, sendo um dos maiores produtores agr\u00edcolas do mundo&#8221;.<\/p>\n<div class=\"jeg_ad jeg_ad_article jnews_content_inline_3_ads  \">\n<div class=\"ads-wrapper align-center \">\n<div class=\"ads_shortcode\">\n<div class=\"ads-region-container\">\n<div id=\"div-gpt-ad-artigos-mobile_rectangle_mobile_3\" class=\"ad-slot\"><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<p>A pesquisa publicada na <em>Nature Communications<\/em> focou no fen\u00f4meno da transfer\u00eancia de \u00e1gua dos rios para os aqu\u00edferos. No entanto, Uch\u00f4a indica que estudos regionais conduzidos em \u00e1reas de intensa atividade agropecu\u00e1ria, como o Matopiba, estabelecem a rela\u00e7\u00e3o entre a seca dos rios e o consumo de \u00e1gua por essas atividades.<\/p>\n<p>&#8220;A gente consegue indicar que as regi\u00f5es que t\u00eam muita atividade agr\u00edcola\u00a0s\u00e3o regi\u00f5es tamb\u00e9m que, provavelmente, tem rios que perdem \u00e1gua para o aqu\u00edfero&#8221;, afirma o pesquisador. Ele alerta para uma estimativa da Ag\u00eancia Nacional de \u00c1guas (ANA), que indica que as \u00e1reas irrigadas no Brasil v\u00e3o dobrar nos pr\u00f3ximos 20 anos. &#8220;Talvez em algumas regi\u00f5es a gente poderia fazer estudos preliminares para verificar se aquela regi\u00e3o realmente \u00e9 uma regi\u00e3o ideal para receber a atividade agr\u00edcola&#8221;, ressalta.<\/p>\n<p class=\"ckeditor-subtitle\">No oeste baiano, pequenos agricultores sofrem com falta de \u00e1gua<\/p>\n<p>Para quem vive em regi\u00f5es de avan\u00e7o do agroneg\u00f3cio, a redu\u00e7\u00e3o de \u00e1gua nos rios \u00e9 vis\u00edvel e traz impactos nas atividades cotidianas, como o cultivo de pequenas planta\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>O servidor p\u00fablico Marcos Rog\u00e9rio Beltr\u00e3o mora em Correntina, munic\u00edpio no oeste da Bahia onde, h\u00e1 anos, os pequenos agricultores convivem com a falta de \u00e1gua.\u00a0Nascido na zona rural, em uma comunidade tradicional, ele se sensibiliza com a escassez h\u00eddrica que impacta, principalmente, a agricultura familiar.<\/p>\n<p>Em 2017, milhares de pessoas organizaram uma manifesta\u00e7\u00e3o para denunciar o uso abusivo da \u00e1gua pelas atividades do agroneg\u00f3cio, conhecida como <a href=\"https:\/\/www.brasildefato.com.br\/2017\/12\/01\/em-correntina-ba-populacao-se-manifesta-contra-a-captacao-empresarial-de-agua\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">revolta de Correntina<\/a>. Quase dez anos depois, a monocultura segue avan\u00e7ando sobre o territ\u00f3rio e os pequenos agricultores sofrem para manter suas planta\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p class=\"ckeditor-img-caption\"><img data-recalc-dims=\"1\" decoding=\"async\" class=\"lazy loaded\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/images03.brasildefato.com.br\/c32518c20aaa9cd4530b96561904648b.webp?w=600&#038;ssl=1\" data-src=\"https:\/\/images03.brasildefato.com.br\/c32518c20aaa9cd4530b96561904648b.webp\" data-pin-no-hover=\"true\" data-was-processed=\"true\" \/><br \/>\nManifesta\u00e7\u00e3o em Correntina denunciou uso agressivo de \u00e1gua por parte do agroneg\u00f3cio \/ Aquivo\/Brasil de Fato<\/p>\n<p>&#8220;Houve o aumento do financiamento de grandes projetos de irriga\u00e7\u00e3o, enquanto a agricultura familiar foi cada vez mais perdendo \u00e1rea. Hoje, mesmo na regi\u00e3o, a gente j\u00e1 perdeu a autossufici\u00eancia, por exemplo, do arroz&#8221;, conta Beltr\u00e3o. Isso significa que, antigamente, essas comunidades n\u00e3o precisavam comprar arroz de outros lugares. Hoje, isso n\u00e3o \u00e9 mais poss\u00edvel.<\/p>\n<p>Atualmente, os pequenos agricultores cultivam, principalmente, feij\u00e3o e hortali\u00e7as. De acordo com Beltr\u00e3o, isso s\u00f3 \u00e9 poss\u00edvel porque muitos captam \u00e1gua do rio principal, o <a href=\"https:\/\/www.brasildefato.com.br\/2017\/11\/27\/artigo-or-as-arrojadas-aguas-de-correntina\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Arrojado<\/a>, afluente do Corrente, por meio de pequenos canais que escoam a \u00e1gua at\u00e9 a planta\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>&#8220;Hoje, as comunidades dependem do rio principal, da calha principal. Algumas comunidades t\u00eam que beber a \u00e1gua do rio Arrojado, sendo que, at\u00e9 ent\u00e3o, aquela comunidade tinha um riacho, tinha uma vereda que alimentava o rio Arrojado&#8221;, conta.<\/p>\n<p>Muitas veredas, pequenos rios que correm pelo cerrado, secaram e as fam\u00edlias garantem o abastecimento h\u00eddrico tamb\u00e9m com a constru\u00e7\u00e3o de cisternas, reservat\u00f3rios de capta\u00e7\u00e3o de \u00e1gua da chuva.<\/p>\n<p>O oeste baiano est\u00e1 inserido no Matopiba, e \u00e9 banhado pela bacia do rio Corrente, que abastece o S\u00e3o Francisco. Segundo a pesquisa publicada pela <em>Nature Communications<\/em>, na bacia do S\u00e3o Francisco, 61% dos rios analisados mostraram potencial de perda de fluxo de \u00e1gua para o aqu\u00edfero Urucuia, o segundo maior do Brasil.<\/p>\n<p>O Urucuia \u00e9 um imenso reservat\u00f3rio de \u00e1gua subterr\u00e2nea, com cerca de 14 milh\u00f5es\u00a0de hectares (aproximadamente o tamanho do estado do Cear\u00e1) e 75% da \u00e1rea localizada na regi\u00e3o oeste da Bahia.<\/p>\n<p>&#8220;Diversas pesquisas j\u00e1 indicam o esgotamento dos recursos h\u00eddricos superficiais. (\u2026) E estamos verificando uma tend\u00eancia de uma maior press\u00e3o sobre o aqu\u00edfero Urucuia, com um maior n\u00famero de outorgas para capta\u00e7\u00e3o de \u00e1gua subterr\u00e2nea em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s \u00e1guas superficiais&#8221;, alerta Margareth Maia, pesquisadora do Instituto M\u00e3os da Terra (Imaterra).<\/p>\n<p>Entre 2021 e 2024, Maia pesquisou as outorgas \u2013 autoriza\u00e7\u00f5es de uso de \u00e1gua \u2013 concedidas pelo Instituto do Meio Ambiente e dos Recursos H\u00eddricos (Inema) da Bahia. A pesquisa resultou no livro <em>Desmatamento e apropria\u00e7\u00e3o da \u00e1gua no oeste da Bahia: uma pol\u00edtica de estado<\/em>, desenvolvido em parceria com a Universidade Federal da Bahia, com apoio do WWF-Brasil e do Instituto Sociedade, Popula\u00e7\u00e3o e Natureza (ISPN), no \u00e2mbito da Iniciativa Tamo de Olho, atrav\u00e9s do Projeto Ceres, apoiado pela Uni\u00e3o Europeia.<\/p>\n<p>A publica\u00e7\u00e3o indica que quase 100% das outorgas emitidas no oeste baiano s\u00e3o destinadas ao agroneg\u00f3cio e 99,5% das capta\u00e7\u00f5es<br \/>\nde \u00e1gua subterr\u00e2nea outorgadas pelo Inema\u00a0 est\u00e3o localizadas no Aqu\u00edfero Urucuia. Desde 2016, o n\u00famero de permiss\u00f5es para a perfura\u00e7\u00e3o de po\u00e7os na regi\u00e3o aumenta ano a ano. &#8220;\u00c9 poss\u00edvel sim que pequenos agricultores tenham outorgas de \u00e1guas subterr\u00e2neas, mas de forma alguma s\u00e3o com o n\u00edvel de vaz\u00e3o utilizado pelo agro&#8221;, avalia a pesquisadora.<\/p>\n<p class=\"ckeditor-subtitle\">Piv\u00f4s centrais<\/p>\n<p>Em 2017, Correntina tinha 164 mil hectares de plantio de soja. Em 2023, a \u00e1rea saltou para 192 mil hectares. O munic\u00edpio tem 41% do territ\u00f3rio destinado \u00e0 agricultura.<\/p>\n<p>Parte dessas lavouras \u00e9\u00a0<a href=\"https:\/\/www.brasildefato.com.br\/2023\/10\/27\/os-donos-da-agua-50-empresas-podem-usar-mesma-quantidade-que-metade-do-brasil\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">irrigada<\/a>\u00a0por sistemas de piv\u00f4s centrais, grandes estruturas mecanizadas com capacidade para consumir cerca de 50 mil litros de \u00e1gua por hectare por dia. Para compara\u00e7\u00e3o, uma pessoa precisa de 110 litros de \u00e1gua por dia para atender \u00e0s suas necessidades b\u00e1sicas, segundo Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas (ONU).<\/p>\n<p>70% da irriga\u00e7\u00e3o por piv\u00f4s est\u00e1 no Cerrado, onde encontra-se o aqu\u00edfero Urucuia. &#8220;Com a chegada da soja na regi\u00e3o, chegaram os primeiros piv\u00f4s centrais. Por exemplo, aqui o primeiro piv\u00f4 central que chegou foi no in\u00edcio dos anos 90&#8221;, conta Beltr\u00e3o.<\/p>\n<p>Em 2024, o Brasil somava 2,2 milh\u00f5es de hectares irrigados por piv\u00f4s centrais, de acordo com levantamento da Embrapa. <a href=\"https:\/\/www.brasildefato.com.br\/2025\/02\/06\/fronteira-agricola-do-matopiba-concentra-82-do-desmatamento-do-cerrado-em-2024\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">S\u00e3o Desid\u00e9rio<\/a>, no oeste baiano, tem maior \u00e1rea irrigada por piv\u00f4s do pa\u00eds. Em 2023, S\u00e3o Desid\u00e9rio tinha mais de 53% do territ\u00f3rio ocupado por atividades agropecu\u00e1rias, com mais de 357 mil hectares de planta\u00e7\u00f5es de soja. Naquele ano, o munic\u00edpio ficou no topo da lista dos mais desmatados.<\/p>\n<p>De acordo com o Atlas da Irriga\u00e7\u00e3o produzido pela ANA, o Brasil est\u00e1 entre os dez pa\u00edses com a maior \u00e1rea equipada para irriga\u00e7\u00e3o do mundo. O relat\u00f3rio aponta um aumento de 43,3% da \u00e1rea efetivamente irrigada por piv\u00f4s centrais no Brasil entre 2006 e 2014. Atualmente, o Brasil soma mais de 30 mil piv\u00f4s captando \u00e1gua das superf\u00edcies e dos aqu\u00edferos para as planta\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Em 2023, o Relat\u00f3rio de Conflitos no Campo da Comiss\u00e3o Pastoral da Terra (CPT) identificou 34 casos de conflitos relacionados ao acesso \u00e0 \u00e1gua em \u00e1reas rurais da Bahia, afetando 2.264 fam\u00edlias. &#8220;A partir dos anos 90, in\u00fameros riachos e veredas come\u00e7aram a secar. A\u00ed houve um verdadeiro colapso na agricultura familiar&#8221;, lamenta Beltr\u00e3o. A Bahia lidera a lista de estado com maior n\u00famero de conflitos relacionados \u00e0 escassez h\u00eddrica.<\/p>\n<div class=\"jeg_meta_post_footer\">\n<div>Edi\u00e7\u00e3o: Thalita Pires<\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Perda de vaz\u00e3o \u00e9 decorrente da perfura\u00e7\u00e3o de po\u00e7os e uso excessivo das \u00e1guas subterr\u00e2neas<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_exactmetrics_skip_tracking":false,"_exactmetrics_sitenote_active":false,"_exactmetrics_sitenote_note":"","_exactmetrics_sitenote_category":0,"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","enabled":false},"version":2}},"categories":[1],"tags":[1268,914,864],"class_list":["post-36534","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-notas","tag-crise-hidrica","tag-rios","tag-seca"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p7wKYW-9vg","jetpack-related-posts":[],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/36534","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=36534"}],"version-history":[{"count":1,"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/36534\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":36536,"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/36534\/revisions\/36536"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=36534"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=36534"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=36534"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}