{"id":37133,"date":"2025-07-28T19:54:34","date_gmt":"2025-07-28T23:54:34","guid":{"rendered":"https:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/?p=37133"},"modified":"2025-07-28T19:54:34","modified_gmt":"2025-07-28T23:54:34","slug":"no-primeiro-ano-de-vigencia-do-marco-temporal-211-indigenas-foram-assassinados-no-brasil","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/2025\/07\/28\/no-primeiro-ano-de-vigencia-do-marco-temporal-211-indigenas-foram-assassinados-no-brasil\/","title":{"rendered":"No primeiro ano de vig\u00eancia do marco temporal, 211 ind\u00edgenas foram assassinados no Brasil"},"content":{"rendered":"<p><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" data-attachment-id=\"37134\" data-permalink=\"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/2025\/07\/28\/no-primeiro-ano-de-vigencia-do-marco-temporal-211-indigenas-foram-assassinados-no-brasil\/img_4906\/\" data-orig-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/IMG_4906.jpeg?fit=750%2C450\" data-orig-size=\"750,450\" data-comments-opened=\"0\" data-image-meta=\"{&quot;aperture&quot;:&quot;0&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;0&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;0&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;0&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0&quot;,&quot;title&quot;:&quot;&quot;,&quot;orientation&quot;:&quot;0&quot;}\" data-image-title=\"IMG_4906\" data-image-description=\"\" data-image-caption=\"\" data-medium-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/IMG_4906.jpeg?fit=300%2C180\" data-large-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/IMG_4906.jpeg?fit=600%2C360\" class=\"alignnone size-medium wp-image-37134\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/IMG_4906.jpeg?resize=300%2C180\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"180\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/IMG_4906.jpeg?resize=300%2C180 300w, https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/IMG_4906.jpeg?resize=500%2C300 500w, https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/IMG_4906.jpeg?w=750 750w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/p>\n<h2 class=\"jeg_post_subtitle\">Relat\u00f3rio do Cimi revela que queimadas em Terras Ind\u00edgenas mais que dobraram de 2023 para 2024<\/h2>\n<p><!--more--><\/p>\n<p>Brasil de Fato &#8211; Ao longo do primeiro ano de vig\u00eancia do marco temporal (Lei 14.701\/2023), 211 ind\u00edgenas foram <a href=\"https:\/\/www.brasildefato.com.br\/2025\/07\/14\/jovem-guarani-e-decapitado-ao-lado-de-carta-com-ameaca-as-comunidades-indigenas-do-pr\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">assassinados<\/a> no pa\u00eds. A maior parte deles tinha entre 20 e 29 anos e os estados com mais casos foram Roraima, Amazonas e Mato Grosso do Sul. Os dados, referentes ao ano de 2024, est\u00e3o no <em>Relat\u00f3rio Viol\u00eancias contra Povos Ind\u00edgenas no Brasil<\/em>, do Conselho Indigenista Mission\u00e1rio (Cimi), publicado nesta segunda-feira (28).<\/p>\n<p>A vig\u00eancia do <a href=\"https:\/\/www.brasildefato.com.br\/2024\/08\/16\/mbarakas-x-pistolas-com-marco-temporal-indefinido-ataques-a-indigenas-evidenciam-escalada-do-conflito-agrario-brasileiro\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">marco temporal<\/a> \u2013 tese ruralista segundo a qual s\u00f3 podem ser demarcadas terras ocupadas por povos origin\u00e1rios at\u00e9 5 de outubro de 1988, quando a Constitui\u00e7\u00e3o foi promulgada \u2013 \u00e9 apontada pelo documento como o cerne da escalada de viol\u00eancia e da morosidade na demarca\u00e7\u00e3o de terras no Brasil.<\/p>\n<div class=\"jeg_ad jeg_ad_article jnews_content_inline_ads  \">\n<div class=\"ads-wrapper align-center \">\n<div class=\"ads_shortcode\">\n<div class=\"ads-region-container\" data-slot=\"artigos-leaderboard-incontent-1-mobile\" data-region=\"br\" data-slot-name=\"artigos-leaderboard-incontent-1-mobile-br\">\n<div id=\"div-gpt-ad-artigos-mobile_rectangle_mobile_1\" class=\"ad-slot\"><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<p>Foram registrados 424 casos de viol\u00eancias dirigidas pessoalmente contra ind\u00edgenas no ano passado. Al\u00e9m dos assassinatos, houve 20 amea\u00e7as de morte, com maior incid\u00eancia no Maranh\u00e3o e Rond\u00f4nia e 35 casos de amea\u00e7as de outro tipo, tais como estelionato, trabalho an\u00e1logo \u00e0 escravid\u00e3o e intimida\u00e7\u00f5es, muitas vezes envolvendo disparos de armas de fogo.<\/p>\n<p>Ainda no in\u00edcio de 2024, cerca de tr\u00eas meses depois que o Congresso Nacional aprovou o marco temporal em afronta ao Supremo Tribunal Federal (STF) que havia declarado sua inconstitucionalidade, aconteceu no sul da Bahia <a href=\"https:\/\/www.brasildefato.com.br\/2024\/01\/24\/liderancas-apontam-impunidade-e-presenca-de-milicias-como-causas-da-violencia-no-sul-da-bahia\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">um dos epis\u00f3dios<\/a> mais emblem\u00e1ticos registrados no relat\u00f3rio.<\/p>\n<div class=\"jeg_ad jeg_ad_article jnews_content_inline_2_ads  \">\n<div class=\"ads-wrapper align-center \">\n<div class=\"ads_shortcode\">\n<div class=\"ads-region-container\" data-slot=\"artigos-leaderboard-incontent-2-mobile\" data-region=\"br\" data-slot-name=\"artigos-leaderboard-incontent-2-mobile-br\">\n<div id=\"div-gpt-ad-artigos-mobile_rectangle_mobile_2\" class=\"ad-slot\"><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<p>A lideran\u00e7a ind\u00edgena Maria F\u00e1tima Muniz de Andrade, conhecida como Nega Patax\u00f3, foi assassinada no territ\u00f3rio tradicional Caramuru-Catarina Paragua\u00e7u em 21 de janeiro de 2024, em um <a href=\"https:\/\/www.brasildefato.com.br\/2024\/01\/25\/pm-abriu-caminho-para-fazendeiros-matarem-nega-pataxo-dizem-sobreviventes-de-ataque-ruralista-na-bahia\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">ataque<\/a> com cerca de 200 homens articulados pelo grupo \u201cInvas\u00e3o Zero\u201d, em uma a\u00e7\u00e3o de reintegra\u00e7\u00e3o de posse ilegal contra uma retomada ind\u00edgena. Os fazendeiros invadiram a \u00e1rea e dispararam contra a comunidade. Al\u00e9m de Nega, que foi morta enquanto segurava seu mbarak\u00e1 na m\u00e3o, outros tr\u00eas foram baleados. Entre eles, o seu irm\u00e3o, o cacique Nailton Patax\u00f3 H\u00e3-H\u00e3-H\u00e3e.<\/p>\n<p>Os ind\u00edgenas denunciaram que policiais militares presentes nada fizeram para intervir ou socorrer os feridos. Dois homens foram presos em flagrante e, em agosto, o acusado de autoria do assassinato foi solto da pris\u00e3o preventiva por decis\u00e3o da 1\u00aa Vara Federal de Itabuna ap\u00f3s pagar uma fian\u00e7a de R$ 28.240.<\/p>\n<div class=\"jeg_ad jeg_ad_article jnews_content_inline_3_ads  \">\n<div class=\"ads-wrapper align-center \">\n<div class=\"ads_shortcode\">\n<div class=\"ads-region-container\" data-slot=\"artigos-leaderboard-incontent-3-mobile\" data-region=\"br\" data-slot-name=\"artigos-leaderboard-incontent-3-mobile-br\">\n<div id=\"div-gpt-ad-artigos-mobile_rectangle_mobile_3\" class=\"ad-slot\"><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<p>Outro caso de destaque \u00e9 o de Neri Ramos da Silva. O jovem Guarani Kaiow\u00e1 de 23 anos <a href=\"https:\/\/www.brasildefato.com.br\/2024\/09\/18\/foi-a-pm-indigena-e-assassinado-em-area-sobreposta-por-fazenda-de-familia-de-assessora-do-governo-do-ms\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">foi morto<\/a> com um tiro na cabe\u00e7a disparado por um policial militar em 18 de setembro, na cidade de Ant\u00f4nio Jo\u00e3o (MS). A opera\u00e7\u00e3o policial visava proteger a Fazenda Barra, da fam\u00edlia Ruiz, sobreposta \u00e0 Terra Ind\u00edgena (TI) Nhanderu Marangatu. De acordo com os ind\u00edgenas, os policiais alteraram a cena do crime e arrastaram Neri j\u00e1 alvejado, tentando impedir que seus parentes recuperassem seu corpo.<\/p>\n<p>Pouco antes, em agosto, no mesmo Mato Grosso do Sul, mas na TI Panambi Lagoa-Rica, em <a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=5x1waBCXD3I\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Douradina<\/a>(MS), tr\u00eas <a href=\"https:\/\/www.brasildefato.com.br\/2024\/08\/05\/fazendeiros-fazem-dois-ataques-armados-e-ferem-11-indigenas-no-ms-com-certeza-vai-acontecer-mais-alerta-lideranca\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">ataques armados<\/a> feriram 12 ind\u00edgenas que fizeram retomadas na \u00e1rea. Um dos jovens segue, at\u00e9 o momento, com uma bala alojada na cabe\u00e7a. Durante meses, os ind\u00edgenas conviveram com um acampamento de fazendeiros e pistoleiros a poucos metros da comunidade do tekoha Yvy Ajher\u00ea, com uma tenda da For\u00e7a Nacional no meio. A reportagem do <strong>Brasil de Fato<\/strong> <a href=\"https:\/\/www.brasildefato.com.br\/2024\/09\/13\/estamos-na-guerra-retomadas-kaiowa-em-douradina-ms-se-tornam-epicentro-do-conflito-fundiario-por-demarcacao\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">documentou<\/a> o caso.<\/p>\n<p>\u201cO povo Av\u00e1 Guarani do Paran\u00e1 seguiu sendo v\u00edtima constante de ataques em 2024, assim como os Guarani e Kaiow\u00e1 em Mato\u00a0Grosso do Sul, especialmente entre julho e setembro\u201d, salienta o relat\u00f3rio.<\/p>\n<p>\u201cComunidades ind\u00edgenas buscaram garantir, por meio de ocupa\u00e7\u00f5es e retomadas, um m\u00ednimo espa\u00e7o vital de subsist\u00eancia em seus pr\u00f3prios territ\u00f3rios, em meio ao cen\u00e1rio de desesperan\u00e7a em rela\u00e7\u00e3o ao avan\u00e7o das demarca\u00e7\u00f5es. Em retalia\u00e7\u00e3o, sofreram violentos ataques em s\u00e9rie de fazendeiros e jagun\u00e7os, com a coniv\u00eancia \u2013 e, em muitos casos, com a participa\u00e7\u00e3o direta \u2013 de for\u00e7as policiais\u201d, descreve o documento.<\/p>\n<h4 class=\"wp-block-heading\">Aumento de desmatamento e queimadas<\/h4>\n<p>Em rela\u00e7\u00e3o a 2023, a quantidade de focos de inc\u00eandio em Terras Ind\u00edgenas mais que dobrou, mesmo considerando apenas os territ\u00f3rios j\u00e1 delimitados. A TI In\u00e3w\u00e9bohona, no Tocantins, registrou 1.126 focos de inc\u00eandio em 2024. Foi ali que a \u201cMata do Mam\u00e3o\u201d, habitada por ind\u00edgenas isoladas, foi quase totalmente assolada.<\/p>\n<p>A devasta\u00e7\u00e3o por garimpo ilegal na TI Sarar\u00e9, do povo Nambikwara, no Mato Grosso (MT) \u00e9 um dos alertas do relat\u00f3rio, segundo o qual a destrui\u00e7\u00e3o foi quase quatro vezes maior que no ano anterior. O garimpo, que havia devastado 343 hectares do territ\u00f3rio ind\u00edgena em 2023, avan\u00e7ou em 1.317 hectares em 2024, chegando a menos de 200 metros das aldeias.<\/p>\n<p>No Par\u00e1, na TI Munduruku, houve um crescimento de 145% na \u00e1rea desmatada, em rela\u00e7\u00e3o ao ano anterior. Foram 539 hectares de perda de cobertura vegetal nativa. As queimadas na regi\u00e3o tamb\u00e9m foram extensas. O territ\u00f3rio Munduruku, junto com as TIs Kayabi e Sai Cinza, registraram tr\u00eas vezes mais focos de inc\u00eandio em 2024 do que em 2023.<\/p>\n<p>Ainda no Par\u00e1, o relat\u00f3rio do Cimi constata um \u201caumento preocupante\u201d de doen\u00e7as neurol\u00f3gicas em crian\u00e7as e mulheres na TI Apyterewa, possivelmente relacionadas a intoxica\u00e7\u00e3o por merc\u00fario, devido \u00e0 atividade garimpeira.<\/p>\n<h4 class=\"wp-block-heading\">Marco temporal afeta todas TIs n\u00e3o regularizadas<\/h4>\n<p>Incitada a comentar o impacto do marco temporal por meio de um pedido via Lei de Acesso \u00e0 Informa\u00e7\u00e3o (LAI) feito pelo Cimi, a Funda\u00e7\u00e3o Nacional dos Povos Ind\u00edgenas (Funai) declarou que a vig\u00eancia da tese ruralista afeta potencialmente \u201ctodas as Terras Ind\u00edgenas que\u00a0se encontram em fase administrativa anterior \u00e0 regulariza\u00e7\u00e3o\u201d.<\/p>\n<p>Para o Cimi, trata-se de elemento central para o que considera um \u201cavan\u00e7o lento\u201d e \u201cinsuficiente\u201d das demarca\u00e7\u00f5es em 2024. Ao longo do ano, foram apenas cinco homologa\u00e7\u00f5es, 11 portarias declarat\u00f3rias e 16 Grupos T\u00e9cnicos (GT) criados pela Funai.<\/p>\n<p>Atualmente no pa\u00eds h\u00e1 857 Terras Ind\u00edgenas com pend\u00eancias administrativas para serem regularizadas. Entre estas, 555 n\u00e3o t\u00eam qualquer provid\u00eancia tomada para o in\u00edcio da sua demarca\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<h4 class=\"wp-block-heading\">O imbr\u00f3glio do marco temporal<\/h4>\n<p>Em 21 de setembro de 2023, o STF considerou o marco temporal inconstitucional. A rea\u00e7\u00e3o do Legislativo j\u00e1 estava engatilhada. No mesmo dia, o senador Hiran Gon\u00e7alves (PP-RR) apresentou a PEC 48, que prev\u00ea a inclus\u00e3o da tese ruralista na Constitui\u00e7\u00e3o. A proposta segue em tramita\u00e7\u00e3o. Paralelamente e naquele mesmo m\u00eas, o Congresso Nacional aprovou a Lei 14.701\/23 que, at\u00e9 segunda ordem, colocou em vigor o marco temporal.<\/p>\n<p>No ato, o STF recebeu a\u00e7\u00f5es opostas para definir sobre a validade ou n\u00e3o da lei. Relator, o ministro Gilmar Mendes optou por, em vez de respaldar decis\u00e3o j\u00e1 tomada e superada pela Corte, criar uma \u201cc\u00e2mara de concilia\u00e7\u00e3o\u201d para rediscutir o tema. Inaugurado em agosto de 2024, quando os Guarani Kaiow\u00e1 tomavam tiros em Douradina (MS), o grupo de trabalho <a href=\"https:\/\/www.brasildefato.com.br\/2025\/06\/23\/tentativa-de-conciliacao-sobre-marco-temporal-no-stf-e-encerrada-com-resultado-incerto\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">durou at\u00e9 o \u00faltimo 23 de junho<\/a>.<\/p>\n<p>Refor\u00e7ando o que j\u00e1 denunciava o movimento ind\u00edgena desde que a comiss\u00e3o foi criada, quando se retirou da mesa por consider\u00e1-la uma \u201cfarsa\u201d que buscava \u201cnegociar o inegoci\u00e1vel\u201d, o grupo no STF nada conciliou. Na \u00faltima sess\u00e3o, o juiz auxiliar do gabinete de Gilmar Mendes, Diego Veras, <a href=\"https:\/\/www.brasildefato.com.br\/2025\/06\/24\/brancos-seguem-negociando-direitos-indigenas-como-foi-a-conciliacao-do-marco-temporal-no-stf\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">disse<\/a> que \u201co ministro n\u00e3o deliberou sobre o que vai fazer com o produto desta comiss\u00e3o, se ele vai submeter t\u00e3o somente isso ao plen\u00e1rio, se ele vai retornar aqui para a vota\u00e7\u00e3o, n\u00e3o decidiu\u201d.<\/p>\n<p>Enquanto o tema n\u00e3o \u00e9 definitivamente apreciado pelo STF, o marco temporal segue flanco aberto no Brasil. \u201cComo consequ\u00eancia\u201d, pontua o relat\u00f3rio do Cimi, \u201cas demarca\u00e7\u00f5es avan\u00e7aram em ritmo lento e terras ind\u00edgenas, inclusive j\u00e1 regularizadas, registraram invas\u00f5es e press\u00e3o de grileiros, fazendeiros, ca\u00e7adores, madeireiros e garimpeiros \u2013 entre outros invasores, que se sentiram incentivados pelo contexto de desconfigura\u00e7\u00e3o de direitos territoriais\u201d.<\/p>\n<p>\u201cAl\u00e9m de aplicar esta tese, a Lei prev\u00ea ainda mudan\u00e7as significativas nos procedimentos administrativos de reconhecimento\u00a0territorial. Algumas dessas mudan\u00e7as s\u00e3o de dif\u00edcil cumprimento\u00a0e j\u00e1 incorrem, conforme a pr\u00f3pria Funai, em um \u2018um aumento da morosidade dos processos de demarca\u00e7\u00e3o de terras ind\u00edgenas\u2019.\u00a0Outras \u2018pecam por falta de clareza e por contradi\u00e7\u00e3o\u2019 e chegam a\u00a0ser \u2018inexequ\u00edveis\u2019\u201d, alerta o documento.<\/p>\n<h4 class=\"wp-block-heading\">Conflitos por terra<\/h4>\n<p>Entre os 1.241 casos de viol\u00eancia contra o patrim\u00f4nio dos povos ind\u00edgenas, o relat\u00f3rio registra 154 conflitos relativos a direitos territoriais em 114 TIs distribu\u00eddas em 19 estados do pa\u00eds. Em praticamente dois ter\u00e7os dos casos, as terras n\u00e3o foram ainda regularizadas.<\/p>\n<p>Outras 159 TIs tiveram 230 casos de invas\u00e3o possess\u00f3ria, explora\u00e7\u00e3o ilegal de recursos naturais e outros danos diversos em 21 estados durante o ano de 2024. J\u00e1 nestes casos, a maior parte das \u00e1reas (61%) acontece em territ\u00f3rios j\u00e1 regularizados.<\/p>\n<p>O relat\u00f3rio salienta, ainda, que a explora\u00e7\u00e3o ilegal de petr\u00f3leo na Foz do Rio Amazonas j\u00e1 gera impactos psicol\u00f3gicos severos. O avan\u00e7o de projetos de cr\u00e9dito de carbono em TIs outras comunidades, feito comumente sem o devido debate e compreens\u00e3o, tamb\u00e9m \u00e9 um dos problemas detectados no levantamento.<\/p>\n<h4 class=\"wp-block-heading\">Omiss\u00e3o do poder p\u00fablico<\/h4>\n<p>Em 2024 foram registrados 208 suic\u00eddios de ind\u00edgenas no Brasil. Assim como no ano anterior, os estados que lideram o \u00edndice s\u00e3o Amazonas, Mato Grosso do Sul e Roraima. Em 69% dos casos, as pessoas que tiraram suas pr\u00f3prias vidas tinham entre 19 e 29 anos de idade.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, foram registrados 922 \u00f3bitos de crian\u00e7as entre 0 e 4 anos, tendo como principais causas mortes consideradas evit\u00e1veis, como aquelas ocasionadas por gripe e pneumonia, desnutri\u00e7\u00e3o, diarreia, gastroenterite e doen\u00e7as infecciosas intestinais.<\/p>\n<p>Os suic\u00eddios e as mortes infantis evit\u00e1veis est\u00e3o categorizadas, no relat\u00f3rio do Cimi, como consequ\u00eancias da omiss\u00e3o do poder p\u00fablico. Assim como est\u00e1, tamb\u00e9m, a falta de prote\u00e7\u00e3o aos territ\u00f3rios de ind\u00edgenas em isolamento volunt\u00e1rio que ainda n\u00e3o tem o reconhecimento estatal. Na Amaz\u00f4nia Legal brasileira, este \u00e9 o caso de 119 \u00e1reas. Destas, 37 permanecem sem provid\u00eancias da Funai para prote\u00e7\u00e3o ou demarca\u00e7\u00e3o.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Relat\u00f3rio do Cimi revela que queimadas em Terras Ind\u00edgenas mais que dobraram de 2023 para 2024<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_exactmetrics_skip_tracking":false,"_exactmetrics_sitenote_active":false,"_exactmetrics_sitenote_note":"","_exactmetrics_sitenote_category":0,"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","enabled":false},"version":2}},"categories":[1],"tags":[306,305,34],"class_list":["post-37133","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-notas","tag-indigenas","tag-marco-temporal","tag-violencia"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p7wKYW-9EV","jetpack-related-posts":[],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/37133","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=37133"}],"version-history":[{"count":1,"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/37133\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":37135,"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/37133\/revisions\/37135"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=37133"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=37133"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=37133"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}