{"id":37308,"date":"2025-08-19T10:45:04","date_gmt":"2025-08-19T14:45:04","guid":{"rendered":"https:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/?p=37308"},"modified":"2025-08-19T10:45:04","modified_gmt":"2025-08-19T14:45:04","slug":"macho-para-quem-companheiros-sao-maioria-entre-agressores-de-mulheres-indigenas-no-ma","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/2025\/08\/19\/macho-para-quem-companheiros-sao-maioria-entre-agressores-de-mulheres-indigenas-no-ma\/","title":{"rendered":"\u201cMacho para quem?\u201d Companheiros s\u00e3o maioria entre agressores de mulheres ind\u00edgenas no MA"},"content":{"rendered":"<p><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" data-attachment-id=\"37310\" data-permalink=\"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/2025\/08\/19\/macho-para-quem-companheiros-sao-maioria-entre-agressores-de-mulheres-indigenas-no-ma\/img_6045-2\/\" data-orig-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/IMG_6045.webp?fit=1280%2C853\" data-orig-size=\"1280,853\" data-comments-opened=\"0\" data-image-meta=\"{&quot;aperture&quot;:&quot;0&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;0&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;0&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;0&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0&quot;,&quot;title&quot;:&quot;&quot;,&quot;orientation&quot;:&quot;0&quot;}\" data-image-title=\"IMG_6045\" data-image-description=\"\" data-image-caption=\"\" data-medium-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/IMG_6045.webp?fit=300%2C200\" data-large-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/IMG_6045.webp?fit=600%2C400\" class=\"alignnone size-medium wp-image-37310\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/IMG_6045.webp?resize=300%2C200\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"200\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/IMG_6045.webp?resize=300%2C200 300w, https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/IMG_6045.webp?resize=1024%2C682 1024w, https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/IMG_6045.webp?resize=768%2C512 768w, https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/IMG_6045.webp?resize=450%2C300 450w, https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/IMG_6045.webp?w=1280 1280w, https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/IMG_6045.webp?w=1200 1200w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/p>\n<p>Das agress\u00f5es cometidas contra mulheres ind\u00edgenas no MA, 46% s\u00e3o viol\u00eancia sexual; 35% das v\u00edtimas t\u00eam de 10 a 14 anos<!--more--><\/p>\n<p><strong>A P\u00fablica<\/strong>, por Gisa Carvalho, Layane Jamille Garc\u00eaz Santos, Sarah Fontenelle Santos, Sylmara Durans &#8211; Entre as viol\u00eancias sofridas pelas mulheres ind\u00edgenas do Maranh\u00e3o, em 2024, 53% foram cometidas pelos pr\u00f3prios maridos das v\u00edtimas. <span class=\"highlighter\"><span class=\"bg-primary\">Al\u00e9m disso, do total, 46% eram de viol\u00eancia sexual e 42% inclu\u00edam agress\u00f5es f\u00edsicas. Meninas de 10 a 14 anos foram 35% das v\u00edtimas<\/span><\/span> de tais crimes, segundo o mesmo levantamento.<\/p>\n<p>As informa\u00e7\u00f5es foram recolhidas junto ao Sistema de Informa\u00e7\u00e3o de Agravos de Notifica\u00e7\u00e3o (Sinan), ligado ao Minist\u00e9rio da Sa\u00fade. Ao todo, 90 notifica\u00e7\u00f5es de viol\u00eancia interpessoal ou autoprovocada contra pessoas ind\u00edgenas no Maranh\u00e3o, estado com 17 terras ind\u00edgenas reconhecidas, estavam registradas no sistema. Destas, 64 contra mulheres, 71% dos casos.<\/p>\n<div class=\"py-4 px-0 px-md-4\">\n<div class=\"bg-primary py-2 px-4\">\n<h2 class=\"h5 m-0 fw-bold text-dark text-uppercase\">POR QUE ISSO IMPORTA?<\/h2>\n<\/div>\n<div class=\"bg-light border p-4 border-1 border-primary\">\n<ul class=\"m-0\">\n<li>O Brasil registrou pelo menos 50 casos de viol\u00eancia sexual contra pessoas ind\u00edgenas no Brasil em 2024 (Cimi e Minist\u00e9rio da Sa\u00fade).<\/li>\n<li>O or\u00e7amento para pol\u00edticas de \u201cpromo\u00e7\u00e3o, prote\u00e7\u00e3o e recupera\u00e7\u00e3o da sa\u00fade ind\u00edgena\u201d saiu de R$ 3 bi em 2024 para 2,25 bi em 2025, R$ 750 milh\u00f5es a menos.<\/li>\n<\/ul>\n<\/div>\n<\/div>\n<p>Segundo Rosimeire Diniz, integrante do Conselho Indigenista Mission\u00e1rio do Maranh\u00e3o (<a href=\"https:\/\/cimi.org.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Cimi<\/a>), as press\u00f5es do processo de coloniza\u00e7\u00e3o sofrido pelos povos origin\u00e1rios atingem tanto homens quanto mulheres, provocando uma implos\u00e3o nas rela\u00e7\u00f5es interpessoais.<\/p>\n<p>Defensora popular das mulheres ind\u00edgenas, como se autodenomina, Pjhcree (l\u00ea-se Picr\u00ea) Akro\u00e1 Gamella, reconhece a presen\u00e7a dessa opress\u00e3o nas aldeias e em seu cotidiano. <span class=\"highlighter\"><span class=\"bg-primary\">\u201cVejo os meninos crescendo e repetindo: \u2018tem que ser macho, tem que ser macho\u2019. A pergunta que sempre me fa\u00e7o \u00e9: macho para quem?<\/span><\/span> Para aprender a bater na m\u00e3e? Ou, mais tarde, bater na esposa?\u201d, reflete.<\/p>\n<p>Diniz exemplifica o adoecimento causado pelas opress\u00f5es da cultura ocidental com o abuso de \u00e1lcool nos territ\u00f3rios. As consequ\u00eancias se apresentam no cotidiano das aldeias e com mais for\u00e7a nos corpos das mulheres.<\/p>\n<p><span class=\"highlighter\"><span class=\"bg-primary\">\u201cO \u00e1lcool sempre foi uma arma utilizada para dizimar povos ind\u00edgenas\u201d, aponta Edilena Krikati<\/span><\/span>, coordenadora da Funda\u00e7\u00e3o Nacional dos Povos Ind\u00edgenas (Funai) no Maranh\u00e3o. J\u00e1 a delegada especial da mulher Ana Marisa Brabat relata que \u00e9 sob o efeito da bebida e de outras drogas que a maioria das viol\u00eancias contra mulheres \u00e9 cometida.<\/p>\n<p>Mayla de Aguiar Lima, psic\u00f3loga do Distrito Sanit\u00e1rio Especial Ind\u00edgena (DSEI) do Maranh\u00e3o, tamb\u00e9m v\u00ea com preocupa\u00e7\u00e3o o uso abusivo de \u00e1lcool em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 viol\u00eancia contra as mulheres ind\u00edgenas. \u201cEu vejo isso como uma atualiza\u00e7\u00e3o das amarras coloniais. Esses problemas tamb\u00e9m est\u00e3o dentro dos territ\u00f3rios, e se conectam com diversos fatores que, somados, levam \u00e0 viol\u00eancia contra as mulheres\u201d, explica.<\/p>\n<p>Para Gameleira* Akro\u00e1 Gamella, da etnia Akro\u00e1 Gamella, a sa\u00fade ind\u00edgena deveria ser priorizada, como forma de enfrentamento a essa situa\u00e7\u00e3o. \u201cN\u00e3o existe essa prioridade. Deveria ser uma quest\u00e3o tratada com especialista adequado \u00e0 nossa realidade (ind\u00edgena). O acesso tamb\u00e9m n\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil e falta muita informa\u00e7\u00e3o para que esse direito (\u00e0 sa\u00fade) chegue com prioridade ao ind\u00edgena\u201d, declara.<\/p>\n<div class=\"entry-content fs-5 fst-serif-alt lh-md mb-5\">\n<div id=\"entry-content-wrap\">\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>O caso Akro\u00e1 Gamella e a for\u00e7a da uni\u00e3o entre mulheres\u00a0<\/strong><\/h2>\n<p>Na entrada da Aldeia Cajueiro Pra\u00ed \u00e9 poss\u00edvel avistar os barrac\u00f5es que est\u00e3o sendo constru\u00eddos para receber as comitivas que participar\u00e3o do \u201c16\u00ba Encontr\u00e3o da Teia dos Povos e Comunidades Tradicionais do Maranh\u00e3o\u201d, nesta quarta-feira, 20 de agosto.<\/p>\n<p><span class=\"highlighter\"><span class=\"bg-primary\">A Aldeia integra a Terra Ind\u00edgena Akro\u00e1 Gamella, em processo de retomada territorial desde 2013.<\/span><\/span> Segundo o fot\u00f3grafo Cruupyhre Akro\u00e1 Gamella, a retomada foi ordem dos encantados. \u201cAntes isso aqui era tudo terra arrasada\u201d. Ele explica que a idade das plantas coincide com o processo de retomada: \u201cForam os Akro\u00e1 Gamela que trouxeram essas \u2018olhaduras\u2019 [brotos de \u00e1rvores] e agora elas est\u00e3o se desenvolvendo\u201d, conta.<\/p>\n<p>Bacabeira* Akro\u00e1-Gamella \u00e9 uma destas mulheres que viu as for\u00e7as do seu esp\u00edrito se esvair, primeiro com uma pris\u00e3o psicol\u00f3gica, depois com agress\u00e3o f\u00edsica.\u00a0Ela pesca, planta, colhe, faz artes com palha e salgadinhos para vender. Uma mulher que reconhece a for\u00e7a das gera\u00e7\u00f5es que atravessa. \u201cA gente se expressa assim, nessa luta. A gente se fortalece e fortalece as parentes\u201d, diz, lembrando das vezes em que fechou estradas pela defesa dos territ\u00f3rios.<\/p>\n<figure class=\"wp-block-image alignwide size-full wp-lightbox-container\" data-wp-context=\"{&quot;imageId&quot;:&quot;68a481e3646c3&quot;}\" data-wp-interactive=\"core\/image\">\n<div class=\"image-and-source position-relative\">\n<div class=\"inline-image-source position-absolute image-source text-end text-light m-1 d-flex align-items-center justify-content-center border-0\"><\/div>\n<p><a class=\"image-with-source border-0\" href=\"https:\/\/apublica.org\/2025\/08\/marido-e-principal-agressor-de-mulheres-indigenas-no-maranhao\/#_\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-197123\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/apublica.org\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/Foto1_Macho-para-quem-Companheiros-sao-maioria-entre-agressores-de-mulheres-indigenas-no-MA.jpg?resize=640%2C480&amp;ssl=1\" sizes=\"auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 2400px\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/apublica.org\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/Foto1_Macho-para-quem-Companheiros-sao-maioria-entre-agressores-de-mulheres-indigenas-no-MA.jpg?w=1200&amp;ssl=1 1200w, https:\/\/i0.wp.com\/apublica.org\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/Foto1_Macho-para-quem-Companheiros-sao-maioria-entre-agressores-de-mulheres-indigenas-no-MA.jpg?resize=800%2C600&amp;ssl=1 800w, https:\/\/i0.wp.com\/apublica.org\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/Foto1_Macho-para-quem-Companheiros-sao-maioria-entre-agressores-de-mulheres-indigenas-no-MA.jpg?resize=320%2C240&amp;ssl=1 320w, https:\/\/i0.wp.com\/apublica.org\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/Foto1_Macho-para-quem-Companheiros-sao-maioria-entre-agressores-de-mulheres-indigenas-no-MA.jpg?resize=150%2C113&amp;ssl=1 150w\" alt=\"Encontros entre os diversos povos do Maranh\u00e3o\" width=\"640\" height=\"480\" data-recalc-dims=\"1\" data-wp-class--hide=\"state.isContentHidden\" data-wp-class--show=\"state.isContentVisible\" data-wp-init=\"callbacks.setButtonStyles\" data-wp-on-async--click=\"actions.showLightbox\" data-wp-on-async--load=\"callbacks.setButtonStyles\" data-wp-on-async-window--resize=\"callbacks.setButtonStyles\" \/><button class=\"lightbox-trigger\" type=\"button\" aria-haspopup=\"dialog\" aria-label=\"Ampliar\" data-wp-init=\"callbacks.initTriggerButton\" data-wp-on-async--click=\"actions.showLightbox\" data-wp-style--right=\"state.imageButtonRight\" data-wp-style--top=\"state.imageButtonTop\"><\/button><\/a><\/p>\n<\/div><figcaption class=\"wp-element-caption\">Encontros entre os diversos povos do Maranh\u00e3o fortalecem a luta de mulheres e homens ind\u00edgenas<\/figcaption><\/figure>\n<p>Mesmo consciente da sua liberdade, Bacabeira n\u00e3o estava imune \u00e0 viol\u00eancia. Ela conta de um relacionamento que lhe deixou dois filhos, cicatrizes psicol\u00f3gicas e rem\u00e9dios para controlar o humor e o sono. \u201cComecei a perceber\u00a0aquela ciumeira, n\u00e3o podia sair, n\u00e3o podia conversar com meus colegas, ele dizia que eu estava sendo infiel. J\u00e1 gr\u00e1vida, fiquei naquela indecis\u00e3o. Ele come\u00e7ou a dizer que se meu filho fosse preto n\u00e3o iria registrar. Mesmo eu sabendo que o filho era dele, comecei a ficar com medo\u201d, relata, sobre o terror psicol\u00f3gico que viveu. Ficou porque j\u00e1 estava casada e com o segundo filho a caminho, a vergonha de ser m\u00e3e sozinha a paralisou.<\/p>\n<p>Bacabeira conta que ele ouvia hist\u00f3rias de trai\u00e7\u00e3o na rua, \u201cchegava em casa e descontava em mim, achando que eu estava fazendo o mesmo. Ele passou a chegar em casa sutilmente, arrastando os p\u00e9s para me pegar de surpresa. Por v\u00e1rias vezes eu me espantei. Chegava sem barulho. Foi a\u00ed que come\u00e7ou aquele nervoso. N\u00e3o dizia nada para minha fam\u00edlia, mas eles come\u00e7aram a perceber a minha mudan\u00e7a de comportamento\u201d, lembra Bacabeira de como superou as viol\u00eancias f\u00edsicas e psicol\u00f3gicas que sofria.<\/p>\n<p>Ela tamb\u00e9m recorda que as coisas foram se agravando at\u00e9 o ponto em que se viu com as m\u00e3os dele em seu pesco\u00e7o, por duas vezes, na frente dos filhos pequenos. \u201cEle esmagava meu esp\u00edrito. Eu n\u00e3o era a mesma mulher, me sentia fraca. Meu modo de pensar n\u00e3o era o mesmo, eu surtei. At\u00e9 hoje tomo medica\u00e7\u00e3o para n\u00e3o sentir medo. Fui obrigada a sair de casa para me tratar. Se eu olhasse um gato, eu via uma on\u00e7a\u201d.<\/p>\n<p>No caso de Bacabeira a fam\u00edlia e a comunidade a acolheram, inclusive pagando servi\u00e7o psicol\u00f3gico. Ap\u00f3s as crises mais intensas, ela passou a ser atendida pelo Centro de Atendimento Psicol\u00f3gico (CAPs) da regi\u00e3o.<\/p>\n<p>Gameleira Akro\u00e1-Gamella \u00e9 outra mulher que contou sua hist\u00f3ria para fortalecer as demais. Entretanto, nem sempre foi assim. Antes o sofrimento da viol\u00eancia dom\u00e9stica ficava em um sil\u00eancio sombrio.<\/p>\n<p>Gameleira tem uma trajet\u00f3ria em movimentos sociais, comiss\u00f5es pastorais e, na \u00e9poca em que sofria viol\u00eancia do ex-marido, trabalhava no poder p\u00fablico com justi\u00e7a restaurativa para mulheres. O sil\u00eancio veio como forma de manter uma pretensa postura de mulher inabal\u00e1vel.<\/p>\n<p>\u201cAs mulheres v\u00edtimas chegavam a mim para contar sua situa\u00e7\u00e3o. Eu olhava aquelas mulheres que vinham buscar ajuda enquanto eu tamb\u00e9m estava morta por dentro. Mas vi que eu tinha consci\u00eancia e precisava fazer o caminho que eu indiquei tantas vezes para outras v\u00edtimas como eu. Foi um despertar e comecei a lutar. <span class=\"highlighter\"><span class=\"bg-primary\">Comecei a participar cada vez mais de encontros com mulheres. A cura interior foi forte. A justi\u00e7a restaurativa ajudou muito\u201d<\/span><\/span>, lembra.<\/p>\n<p>Hoje seu pensamento \u00e9 diferente. \u201cN\u00e3o tem coisa melhor do que a gente falar de uma dor que a gente passou e superou. \u00c9 importante quando a gente fala isso para outra mulher que est\u00e1 sofrendo e dizer \u2018tu pode, tu tem chance\u2019\u201d, afirma.<\/p>\n<p>Gameleira destaca que a principal quest\u00e3o a ser vista no territ\u00f3rio ind\u00edgena \u00e9 a do respeito por igualdade de direitos. Ela acrescenta a preven\u00e7\u00e3o como estrat\u00e9gia contra a viol\u00eancia: \u201c\u00e9 importante preparar as mulheres com informa\u00e7\u00f5es sobre pol\u00edticas p\u00fablicas de direitos. O conhecimento liberta\u201d, conclui.<\/p>\n<figure class=\"wp-block-image alignwide size-full wp-lightbox-container\" data-wp-context=\"{&quot;imageId&quot;:&quot;68a481e364964&quot;}\" data-wp-interactive=\"core\/image\">\n<div class=\"image-and-source position-relative\">\n<div class=\"inline-image-source position-absolute image-source text-end text-light m-1 d-flex align-items-center justify-content-center border-0\"><\/div>\n<p><a class=\"image-with-source border-0\" href=\"https:\/\/apublica.org\/2025\/08\/marido-e-principal-agressor-de-mulheres-indigenas-no-maranhao\/#_\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-197125\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/apublica.org\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/Foto2_Macho-para-quem-Companheiros-sao-maioria-entre-agressores-de-mulheres-indigenas-no-MA.jpg?resize=640%2C359&amp;ssl=1\" sizes=\"auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 2400px\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/apublica.org\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/Foto2_Macho-para-quem-Companheiros-sao-maioria-entre-agressores-de-mulheres-indigenas-no-MA.jpg?w=1200&amp;ssl=1 1200w, https:\/\/i0.wp.com\/apublica.org\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/Foto2_Macho-para-quem-Companheiros-sao-maioria-entre-agressores-de-mulheres-indigenas-no-MA.jpg?resize=800%2C450&amp;ssl=1 800w, https:\/\/i0.wp.com\/apublica.org\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/Foto2_Macho-para-quem-Companheiros-sao-maioria-entre-agressores-de-mulheres-indigenas-no-MA.jpg?resize=150%2C84&amp;ssl=1 150w\" alt=\"Mulheres ind\u00edgenas Akro\u00e1 Gamella de m\u00e3os dadas\" width=\"640\" height=\"359\" data-recalc-dims=\"1\" data-wp-class--hide=\"state.isContentHidden\" data-wp-class--show=\"state.isContentVisible\" data-wp-init=\"callbacks.setButtonStyles\" data-wp-on-async--click=\"actions.showLightbox\" data-wp-on-async--load=\"callbacks.setButtonStyles\" data-wp-on-async-window--resize=\"callbacks.setButtonStyles\" \/><button class=\"lightbox-trigger\" type=\"button\" aria-haspopup=\"dialog\" aria-label=\"Ampliar\" data-wp-init=\"callbacks.initTriggerButton\" data-wp-on-async--click=\"actions.showLightbox\" data-wp-style--right=\"state.imageButtonRight\" data-wp-style--top=\"state.imageButtonTop\"><\/button><\/a><\/p>\n<\/div><figcaption class=\"wp-element-caption\">Artesanato com palha \u00e9 uma das fontes de renda para as mulheres Akro\u00e1 Gamella<\/figcaption><\/figure>\n<p>A necessidade de auto-organiza\u00e7\u00e3o das mulheres ind\u00edgenas \u00e9 apontada por lideran\u00e7as e especialistas como uma ferramenta com potencial para o enfrentamento a viol\u00eancia dentro e fora dos territ\u00f3rios. Pjhcree Akro\u00e1 Gamella \u00e9 uma delas. \u201cSe as mulheres tivessem uma organiza\u00e7\u00e3o, essas maldades poderiam at\u00e9 n\u00e3o terminar, mas elas iriam diminuir muito\u201d.<\/p>\n<p>Para ela, a viol\u00eancia contra mulher \u00e9 uma doen\u00e7a que atinge a mente, deixando a pessoa em um estado de mis\u00e9ria existencial e espiritual. \u201cN\u00e3o adianta voc\u00ea plantar uma semente numa terra que n\u00e3o tem mais for\u00e7a. Ent\u00e3o, tem que curar primeiro a\u00a0terra para poder plantar a semente\u201d, diz.<\/p>\n<p>Interromper as viol\u00eancias contra os territ\u00f3rios ind\u00edgenas, na avalia\u00e7\u00e3o de Pjhcree, s\u00f3 ser\u00e1 poss\u00edvel garantindo que as mulheres possam construir suas pr\u00f3prias respostas. Para isso, <span class=\"highlighter\"><span class=\"bg-primary\">reivindica atendimento psicol\u00f3gico permanente dentro do territ\u00f3rio como uma forma de recupera\u00e7\u00e3o dos danos causados pela viol\u00eancia.<\/span><\/span> Aliado a isso, destaca a import\u00e2ncia de espa\u00e7os de autocuidado, para que as mulheres possam compartilhar suas dores e criar la\u00e7os de solidariedade.<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"mb-5\">Edi\u00e7\u00e3o: <a class=\"storyAuthor\" href=\"https:\/\/apublica.org\/autor\/ludmila-pizarro\/\" data-user=\"815\">Ludmila Pizarro<\/a><\/div>\n<div class=\"blockquote footnote border-top border-end border-primary py-2 pe-2 border-bottom fst-italic fs-6\">\n<p>&nbsp;<\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Das agress\u00f5es cometidas contra mulheres ind\u00edgenas no MA, 46% s\u00e3o viol\u00eancia sexual; 35% das v\u00edtimas t\u00eam de 10 a 14 anos<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_exactmetrics_skip_tracking":false,"_exactmetrics_sitenote_active":false,"_exactmetrics_sitenote_note":"","_exactmetrics_sitenote_category":0,"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","enabled":false},"version":2}},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-37308","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-notas"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p7wKYW-9HK","jetpack-related-posts":[],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/37308","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=37308"}],"version-history":[{"count":1,"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/37308\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":37311,"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/37308\/revisions\/37311"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=37308"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=37308"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=37308"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}