{"id":3732,"date":"2016-09-05T18:06:52","date_gmt":"2016-09-05T22:06:52","guid":{"rendered":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/?p=3732"},"modified":"2016-09-05T18:06:52","modified_gmt":"2016-09-05T22:06:52","slug":"cartas-cabareanas-mais-uma-do-detetive-sardinha","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/2016\/09\/05\/cartas-cabareanas-mais-uma-do-detetive-sardinha\/","title":{"rendered":"Cartas Cabareanas: Mais uma do detetive Sardinha"},"content":{"rendered":"<p><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" data-attachment-id=\"3733\" data-permalink=\"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/2016\/09\/05\/cartas-cabareanas-mais-uma-do-detetive-sardinha\/image-832\/\" data-orig-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2016\/09\/image-40.jpeg?fit=458%2C321\" data-orig-size=\"458,321\" data-comments-opened=\"0\" data-image-meta=\"{&quot;aperture&quot;:&quot;0&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;0&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;0&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;0&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0&quot;,&quot;title&quot;:&quot;&quot;,&quot;orientation&quot;:&quot;0&quot;}\" data-image-title=\"image\" data-image-description=\"\" data-image-caption=\"\" data-medium-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2016\/09\/image-40.jpeg?fit=300%2C210\" data-large-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2016\/09\/image-40.jpeg?fit=458%2C321\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2016\/09\/image-40.jpeg?resize=458%2C321\" alt=\"image\" width=\"458\" height=\"321\" class=\"alignnone size-full wp-image-3733\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2016\/09\/image-40.jpeg?w=458 458w, https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2016\/09\/image-40.jpeg?resize=300%2C210 300w, https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2016\/09\/image-40.jpeg?resize=428%2C300 428w\" sizes=\"auto, (max-width: 458px) 100vw, 458px\" \/><\/p>\n<p>Por Altair Santos (Tat\u00e1)<!--more--><\/p>\n<p>D\u00e3o conta que ali por volta do ano de setenta e oito, antes de ganhar o beco e sumir de vez, apagando o seu nome e presen\u00e7a f\u00edsica do Bar e Puteiro do Figueiredo, na entrada do Bairro do Tri\u00e2ngulo, o esquel\u00e9tico Antonio Sardinha, por l\u00e1 conhecido como Detetive Sardinha, j\u00e1 que essa era essa a sua profiss\u00e3o e da\u00ed o pseud\u00f4nimo, passou por mais um perrengue que ilustra o seu nocauteado curr\u00edculo. <\/p>\n<p>O cidad\u00e3o era um desafortunado de sorte, um quase amaldi\u00e7oado colecionador de entreveros, cujos saldos negativos sempre lhes eram impiedosamente creditados. <\/p>\n<p>Sardinha carregava tatuado em seu corpo os hematomas e gravado na mente as lembran\u00e7as de uma vida atribuladamente  vivida no calor e perigo das fortes emo\u00e7\u00f5es. Muito disso era por causa do seu xamego com a Isabel, uma corpulenta dan\u00e7arina e \u201calgo mais\u201d, dos dias e noitadas daquele bem movimentado endere\u00e7o dos prazeres, sob a compet\u00eancia do empres\u00e1rio e gestor, o baixinho, calmo e gentil Chico Figueiredo.<\/p>\n<p>Dentre os desafetos do Sardinha, a maioria era rapazes dos bairros Mocambo, Tri\u00e2ngulo, Baixa da Uni\u00e3o e Ramal S\u00e3o Domingos, al\u00e9m de marujos hospedados na regi\u00e3o do Cai N\u00b4\u00e1gua, alguns feirantes e mec\u00e2nicos da ferrovia, fregueses ass\u00edduos do estabelecimento, un\u00e2nimes e un\u00edssonos em preferir ver a face do c\u00e3o chupando manga \u00e0s suas frentes, do que ter a inc\u00f4moda e amea\u00e7adora presen\u00e7a do detetive por perto, dado o risco iminente de dela\u00e7\u00e3o que emanasse da l\u00edngua solta do \u201cnon grato\u201d e indesejado caguete.<\/p>\n<p>No m\u00eas de dezembro, quando o esp\u00edrito natalino soprava a t\u00f4nica da vida com o nascimento do menino Jesus e os sinos dobravam badalando ternuras aos cora\u00e7\u00f5es do povo da cidade, as fam\u00edlias se revezavam nas compras pelo com\u00e9rcio alternativo da j\u00e1 decadente Rua do Coqueiro e no pr\u00f3prio centro de neg\u00f3cios da efervescente Avenida 7 de setembro, pelas afamadas e diversificadas lojas da capital do ent\u00e3o territ\u00f3rio. Ao passo disso, o Detetive Sardinha fora chamado \u00e0s falas pela sua am\u00e1sia, a Isabel, que dele urgentemente precisaria.<\/p>\n<p>E assim tiveram: tr\u00eas dias antes do Natal, Isabel, a mandat\u00e1ria, exploradora e controladora das mensais finan\u00e7as salariais do Sardinha anunciou que receberia uma grande amiga, a Rosilene, cuja alcunha art\u00edstica, mais tarde seria Rosi Batom. A jovem deixara a sua morada nas proximidades da Boca do Marmelo no Amazonas para, aqui, em solo karipuna, profissionalmente assumir as fun\u00e7\u00f5es mesmas da anfitri\u00e3, quais fossem, dan\u00e7ar e etc e tal, \u201cprincipalmente\u201d o etc e tal!<\/p>\n<p>Dona de um sinuoso e torneado corpo com tudo em cima e, com o qual, enfeiti\u00e7ara os homens do lugar, a ribeirinha amazonense de cabelos longos e olhos negros, ganhou logo outro apelido: Sereia Capetinha. N\u00e3o era pra menos, afinal aquele peda\u00e7o de mau caminho lan\u00e7ava centelhas incendi\u00e1rias at\u00e9 deixar em chamas e desgra\u00e7as as barreiras comportamentais dos marmanjos movidos por incontrol\u00e1vel torpor e quase irrefre\u00e1vel tara. O certo \u00e9 que, com a presen\u00e7a da Rose Batom, aquela hidra, em forma de mulher a bafejar im\u00e3s de desejos, ningu\u00e9m passava na frente do Figueiredo Inferninho\u00b4s Night And Day, indo ou vindo do centro da cidade, sem que fizesse um pit stop ainda que s\u00f3 pra limpar as vistas. Em suma, a mo\u00e7a era uma aquecida m\u00e1quina humana a rivalizar em vapor e press\u00e3o com as potentes locomotivas 15 e 18 da Madeira Mamor\u00e9.<\/p>\n<p>Sob financiamento e provid\u00eancias do meganha submisso, as acanhadas depend\u00eancias do quarto seis, a mais visada e freq\u00fcentada morada e \u201cbir\u00f4\u201d de neg\u00f3cios sobre assuntos de sedu\u00e7\u00e3o e pr\u00e1tica \u00edntima e fren\u00e9tica do corpo a corpo da avantajada Isabel, ficaria nos trinques. Fizeram pintura nova, colocaram cortina, afixaram na porta um baita n\u00famero 6 talhado em flandres (alum\u00ednio) na oficina do Aar\u00e3o, pois assim, ningu\u00e9m erraria o endere\u00e7o dos coloridos e indescrit\u00edveis prazeres. O atrativo retoque interior e tom convidativo foi dado com l\u00e2mpadas de luminosidade t\u00eanue e tez difusa e discreta entre o lil\u00e1s e outra cor, al\u00e9m dum toca discos da maca Phillips, novinho em folha que tocava os long-plays de Evaldo Braga, Waldik Soriano e Lindomar Castilho, o menu musical e rom\u00e2ntico do Ap<br \/>\n.<br \/>\nAo t\u00e9rmino da reforma, Isabel ordenou que o Sardinha corresse at\u00e9 a Casa Damour do comerciante Tufic Matny e l\u00e1 comprasse tudo de bom e do melhor entre enlatados, secos e molhados, al\u00e9m de bebidas finas, afinal, logo mais, a Rosi Batom subiria o barranco pra almo\u00e7ar entre amigos. Antes do final da manh\u00e3, Isabel acompanhada do Detetive Sardinha, algumas putas e putanheiros selecionados a dedo, correram pro Cai N\u00b4\u00e1gua onde o neo-transatl\u00e2ntico Cidade de Borba j\u00e1 ancorava. Antes mesmo da prancha de acesso ser esticada para a desembarque dos passageiros eis que tropegamente b\u00eabada, por\u00e9m triunfal, salta em terra portovelhense a Rosi, mais assanhada que galinha pedr\u00eas no chuvisco, distribuindo sorrisos, abra\u00e7os e fortes baforadas de cacha\u00e7a, j\u00e1 que bebera, o quanto durou a viagem, ou seja, dois dias e meio.<\/p>\n<p>No cafofo, aos fundos do puteiro, entre o almo\u00e7o de boas vindas e a seq\u00fcencial bebedeira da Rosi Batom, a meia d\u00fazia de homens convidados, fora luxuosamente brindada com um \u201cavant premier\u201d  da mo\u00e7a que, ao ouvir uma m\u00fasica, subiu na cama, sacou o curto vestido vermelho que usava e \u201ccausou\u201d ao movimentar suas generosas e esculturais formas num sobe e desce em efeito espiral de endoidecer, para deleite da admirada e boquiaberta plat\u00e9ia.<\/p>\n<p>Sardinha em rigorosa dieta, portanto inapto, de quarentena e absten\u00e7\u00e3o aos prazeres, n\u00e3o conseguiu disfar\u00e7ar e, como ter sido tocado por arroubos desejosos que lhes minaram a quietude, soltou as suas duas m\u00e3os, \u201cnada bobas\u201d a passearem pela bem distribu\u00edda sinuosidade da bunda e par de coxas da bailarina.<br \/>\nComo resposta a Sereia Capetinha desferiu uns quatro bofetes bem aplicados nas fu\u00e7as do enxerido que beijou a lona. Ao levantar-se para o revide, a plat\u00e9ia revoltada com o estraga prazer, encarregou-se de completar a dose cobrindo-lhe com um verdadeiro e caprichado samba de pau do qual participara a pr\u00f3pria Isabel que, al\u00e9m de esmurrar-lhe com f\u00e9 e esperan\u00e7a, valeu-se da sova para confiscar a sua carteira com a sobra monet\u00e1ria da reforma.<\/p>\n<p>Naquela noite uma chuva fina e insistente caiu em Porto Velho e o avariado Detetive Sardinha, privado de sua identidade e finan\u00e7as foi, \u00e0 for\u00e7a, convidado a dormir do lado de fora, enquanto l\u00e1 dentro no conforto da casa nova e ao calor das intimidades e putarias mil, a orgia comia no centro.<\/p>\n<p>tatadeportovelho@gmail.com<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Altair Santos (Tat\u00e1)<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_exactmetrics_skip_tracking":false,"_exactmetrics_sitenote_active":false,"_exactmetrics_sitenote_note":"","_exactmetrics_sitenote_category":0,"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","enabled":false},"version":2}},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-3732","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-notas"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p7wKYW-Yc","jetpack-related-posts":[],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3732","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=3732"}],"version-history":[{"count":1,"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3732\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":3734,"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3732\/revisions\/3734"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=3732"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=3732"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=3732"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}