{"id":37614,"date":"2025-10-08T08:34:28","date_gmt":"2025-10-08T12:34:28","guid":{"rendered":"https:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/?p=37614"},"modified":"2025-10-08T08:34:28","modified_gmt":"2025-10-08T12:34:28","slug":"o-desmonte-ambiental-e-a-resistencia-em-rondonia","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/2025\/10\/08\/o-desmonte-ambiental-e-a-resistencia-em-rondonia\/","title":{"rendered":"O desmonte ambiental e a resist\u00eancia em Rond\u00f4nia"},"content":{"rendered":"<h2><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" data-attachment-id=\"37615\" data-permalink=\"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/2025\/10\/08\/o-desmonte-ambiental-e-a-resistencia-em-rondonia\/img_8228\/\" data-orig-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/IMG_8228.jpeg?fit=1179%2C1085\" data-orig-size=\"1179,1085\" data-comments-opened=\"0\" data-image-meta=\"{&quot;aperture&quot;:&quot;0&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;0&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;0&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;0&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0&quot;,&quot;title&quot;:&quot;&quot;,&quot;orientation&quot;:&quot;1&quot;}\" data-image-title=\"IMG_8228\" data-image-description=\"\" data-image-caption=\"\" data-medium-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/IMG_8228.jpeg?fit=300%2C276\" data-large-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/IMG_8228.jpeg?fit=600%2C552\" class=\"alignnone size-medium wp-image-37615\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/IMG_8228.jpeg?resize=300%2C276\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"276\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/IMG_8228.jpeg?resize=300%2C276 300w, https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/IMG_8228.jpeg?resize=1024%2C942 1024w, https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/IMG_8228.jpeg?resize=768%2C707 768w, https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/IMG_8228.jpeg?resize=326%2C300 326w, https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/IMG_8228.jpeg?w=1179 1179w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/h2>\n<h2>\nO Estado enfrenta uma intensa tens\u00e3o entre a economia, a pol\u00edtica &#8211; alinhada \u00e0 extrema-direita &#8211; e o meio ambiente, onde a devasta\u00e7\u00e3o avan\u00e7a sobre \u00e1reas protegidas, que s\u00e3o as Terras Ind\u00edgenas, Reservas Extrativistas e Unidades de Conserva\u00e7\u00e3o por meio de grilagem e garimpo ilegal. O Minist\u00e9rio P\u00fablico atua como uma barreira institucional jur\u00eddica essencial, utilizando a\u00e7\u00f5es civis p\u00fablicas, inqu\u00e9ritos e articula\u00e7\u00e3o com \u00f3rg\u00e3os de fiscaliza\u00e7\u00e3o para for\u00e7ar a m\u00e1quina estatal a agir.<\/h2>\n<p><!--more--><\/p>\n<p><strong>Amaz\u00f4nia Real, Por Ismael Machado e Ian Machado &#8211; <\/strong>Em meio \u00e0 vastid\u00e3o verde que ainda resiste na Amaz\u00f4nia, Rond\u00f4nia \u00e9 hoje um dos estados que mais enfrentam tens\u00f5es entre economia, pol\u00edtica e meio ambiente. Embora o desmatamento tenha apresentado queda expressiva em 2024 \u2014 com recuo de 51% em rela\u00e7\u00e3o ao ano anterior \u2014, os dados escondem um subsolo inquieto. A devasta\u00e7\u00e3o continua avan\u00e7ando de forma quase seletiva sobre terras ind\u00edgenas, reservas extrativistas e unidades de conserva\u00e7\u00e3o, alimentada por redes de grilagem, garimpo ilegal e coniv\u00eancia institucional. E em um dos redutos pol\u00edticos que mais apoiam as ideias da extrema-direita no Brasil, o trabalho do Minist\u00e9rio P\u00fablico surge como uma das \u00faltimas barreiras institucionais \u00e0 devasta\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Segundo o Relat\u00f3rio Anual do Desmatamento no Brasil (RAD 2024), Rond\u00f4nia desmatou 20.659,4 hectares no ano passado, n\u00famero expressivamente inferior aos cerca de 42 mil hectares de 2023. Ainda assim, o estado permanece entre os l\u00edderes de degrada\u00e7\u00e3o florestal na Amaz\u00f4nia, junto a Par\u00e1, Amazonas e Mato Grosso. A regi\u00e3o chamada AMACRO (sul do Amazonas, norte de Rond\u00f4nia e Acre) \u2014 novo corredor do desmatamento \u2014 acumulou 89.826 hectares destru\u00eddos em 2024.<\/p>\n<p>Boa parte desse desmatamento ocorre em \u00e1reas oficialmente protegidas. A Esta\u00e7\u00e3o Ecol\u00f3gica Soldado da Borracha, em Porto Velho, perdeu mais de 53% de sua cobertura vegetal para queimadas criminosas. A devasta\u00e7\u00e3o da Resex Jaci-Paran\u00e1 e das Flonas Jamari e Bom Futuro segue um padr\u00e3o semelhante, com entrada ilegal de maquin\u00e1rio pesado, uso de balsas e dragas, desmonte de vegeta\u00e7\u00e3o nativa para abertura de pasto (ou soja) e extra\u00e7\u00e3o de madeira. Tudo em \u00e1reas de dom\u00ednio p\u00fablico, muitas vezes invadidas com o respaldo de leis estaduais que tentam legalizar ocupa\u00e7\u00f5es irregulares.<\/p>\n<p>No caso da Terra Ind\u00edgena Uru-Eu-Wau-Wau, localizada entre Campo Novo e Buritis, a press\u00e3o \u00e9 ainda mais intensa. A\u00e7\u00f5es judiciais recentes revelam que garimpeiros operam ali sem qualquer licenciamento desde 2014, utilizando escavadeiras hidr\u00e1ulicas, tratores e bombas d\u2019\u00e1gua para extrair cassiterita. O Minist\u00e9rio P\u00fablico Federal (MPF) ajuizou a\u00e7\u00e3o civil p\u00fablica com pedido de paralisa\u00e7\u00e3o imediata, indeniza\u00e7\u00e3o por danos morais coletivos e recupera\u00e7\u00e3o da \u00e1rea.<\/p>\n<p>\u201cAqui no estado de Rond\u00f4nia a gente enfrenta uma dificuldade grande em rela\u00e7\u00e3o a todos os desafios, isso porque o poder da extrema-direita aqui no estado \u00e9 muito grande. S\u00e3o deputados e senadores, quase todos bolsonaristas. Ent\u00e3o a gente tem essa dificuldade. Um dos poucos pontos de apoio \u00e9 o Minist\u00e9rio P\u00fablico Federal, mas que pode pouco, apesar dos esfor\u00e7os\u201d, afirma o presidente da Associa\u00e7\u00e3o do Povo Ind\u00edgena Uru-Eu-Wau-Wau, Bitat\u00e9 Uru-Eu-Wau-Juma, jovem lideran\u00e7a ind\u00edgena, que herdou o posto de lideran\u00e7a ap\u00f3s um crime contra um parente de seu povo. Bitat\u00e9 ficou conhecido por usar a tecnologia de drones para monitorar e defender o territ\u00f3rio ind\u00edgena em Rond\u00f4nia.<\/p>\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><a href=\"https:\/\/i0.wp.com\/amazoniareal.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/05\/jupau2.jpg?ssl=1\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-128409\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/amazoniareal.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/05\/jupau2-1024x683.jpg?resize=600%2C400&#038;ssl=1\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" srcset=\"https:\/\/amazoniareal.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/05\/jupau2-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/amazoniareal.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/05\/jupau2-300x200.jpg 300w, https:\/\/amazoniareal.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/05\/jupau2-768x512.jpg 768w, https:\/\/amazoniareal.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/05\/jupau2-150x100.jpg 150w, https:\/\/amazoniareal.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/05\/jupau2.jpg 1080w\" alt=\"\" width=\"600\" height=\"400\" \/><\/a><figcaption class=\"wp-element-caption\"><em><sub>Em outubro de 2022 monitoramento no pico do Tracoa para verificar a causa das queimadas que aconteceu e verificar se havia algum vest\u00edgios de ind\u00edgenas isolados na regi\u00e3o (Foto: Bitat\u00e9 Uru Eu Juma).<\/sub><\/em><\/figcaption><\/figure>\n<p>Em meio ao avan\u00e7o dos interesses econ\u00f4micos e da leni\u00eancia pol\u00edtica, o Minist\u00e9rio P\u00fablico Federal e o Minist\u00e9rio P\u00fablico do Estado de Rond\u00f4nia t\u00eam atuado com for\u00e7a jur\u00eddica. O MPF j\u00e1 ajuizou dezenas de a\u00e7\u00f5es civis p\u00fablicas relacionadas \u00e0 extra\u00e7\u00e3o ilegal, desmatamento em terras ind\u00edgenas e danos a unidades de conserva\u00e7\u00e3o. Em alguns casos, os procuradores exigem a aplica\u00e7\u00e3o de multas e o cumprimento de Planos de Recupera\u00e7\u00e3o de \u00c1reas Degradadas (PRADs), al\u00e9m da responsabiliza\u00e7\u00e3o de agentes p\u00fablicos e empresas envolvidas.<\/p>\n<figure class=\"wp-block-gallery has-nested-images columns-default is-cropped wp-block-gallery-1 is-layout-flex wp-block-gallery-is-layout-flex\">\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><a href=\"https:\/\/i0.wp.com\/amazoniareal.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/combate-A-queimada-1.jpg?ssl=1\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-164115\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/amazoniareal.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/combate-A-queimada-1-1024x576.jpg?resize=600%2C338&#038;ssl=1\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" srcset=\"https:\/\/amazoniareal.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/combate-A-queimada-1-1024x576.jpg 1024w, https:\/\/amazoniareal.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/combate-A-queimada-1-300x169.jpg 300w, https:\/\/amazoniareal.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/combate-A-queimada-1-768x432.jpg 768w, https:\/\/amazoniareal.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/combate-A-queimada-1-150x84.jpg 150w, https:\/\/amazoniareal.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/combate-A-queimada-1.jpg 1280w\" alt=\"\" width=\"600\" height=\"338\" data-id=\"164115\" \/><\/a><\/figure>\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><a href=\"https:\/\/i0.wp.com\/amazoniareal.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/territorio-queimado-1.jpg?ssl=1\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-164116\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/amazoniareal.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/territorio-queimado-1-1024x576.jpg?resize=600%2C338&#038;ssl=1\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" srcset=\"https:\/\/amazoniareal.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/territorio-queimado-1-1024x576.jpg 1024w, https:\/\/amazoniareal.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/territorio-queimado-1-300x169.jpg 300w, https:\/\/amazoniareal.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/territorio-queimado-1-768x432.jpg 768w, https:\/\/amazoniareal.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/territorio-queimado-1-150x84.jpg 150w, https:\/\/amazoniareal.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/territorio-queimado-1.jpg 1280w\" alt=\"\" width=\"600\" height=\"338\" data-id=\"164116\" \/><\/a><\/figure>\n<\/figure>\n<p class=\"has-text-align-center\"><em><sub>O combate aos inc\u00eandios e queimadas ficou prejudicado, segundo o promotor Pablo Viscardi (Fotos MPRO).<\/sub><\/em><\/p>\n<p>O MP Estadual, por sua vez, tem se concentrado nas \u00e1reas de conserva\u00e7\u00e3o estaduais, requisitando inqu\u00e9ritos policiais para investigar os inc\u00eandios criminosos, al\u00e9m de realizar audi\u00eancias p\u00fablicas para cobrar articula\u00e7\u00e3o entre \u00f3rg\u00e3os ambientais como a Secretaria de Estado do Desenvolvimento Ambiental (SEDAM), IBAMA, ICMBio e<a href=\"https:\/\/www.gov.br\/censipam\/pt-br\">Centro Gestor e Operacional do Sistema de Prote\u00e7\u00e3o da Amaz\u00f4nia \u2013 CENSIPAM<\/a>. Uma dessas audi\u00eancias recentes ocorreu em Guajar\u00e1-Mirim, onde lideran\u00e7as locais alertaram para o colapso da floresta nas margens do Parque Estadual Guajar\u00e1-Mirim e o aumento de conflitos com grileiros armados.<\/p>\n<p><strong>A pol\u00edtica da devasta\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Entrevista com o promotor Pablo Hernadez Viscardi\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/5cAEdg7XBSc\" width=\"914\" height=\"514\" frameborder=\"0\" allowfullscreen=\"allowfullscreen\" data-mce-fragment=\"1\"><\/iframe><\/p>\n<p>Desde o in\u00edcio da d\u00e9cada, Rond\u00f4nia tem se consolidado como um dos principais laborat\u00f3rios do desmonte ambiental no pa\u00eds. A Assembleia Legislativa, com maioria conservadora, j\u00e1 aprovou projetos que retiraram a prote\u00e7\u00e3o de cerca de 200 mil hectares de unidades de conserva\u00e7\u00e3o, sob o argumento de regularizar terras ocupadas por pequenos produtores. A legaliza\u00e7\u00e3o retroativa de \u00e1reas invadidas, com descontos de at\u00e9 98% sobre o valor de mercado, tem sido uma pr\u00e1tica recorrente e incentivada por l\u00edderes locais alinhados ao ex-presidente Jair Bolsonaro.<\/p>\n<p>Em muitos casos, essas terras s\u00e3o revendidas a fazendeiros e empres\u00e1rios do agroneg\u00f3cio, numa cadeia de especula\u00e7\u00e3o fundi\u00e1ria que alimenta novos desmatamentos. O resultado \u00e9 a forma\u00e7\u00e3o de um ciclo vicioso: \u00e1reas protegidas s\u00e3o ocupadas, desmatadas e regularizadas politicamente \u2014 abrindo caminho para novas invas\u00f5es.<\/p>\n<p>Num caso que suscitou espanto, a Assembleia Legislativa rejeitou recentemente um pedido de R$ 10 milh\u00f5es da Secretaria de Estado do Desenvolvimento Ambiental (SEDAM) para refor\u00e7ar a fiscaliza\u00e7\u00e3o ambiental.<\/p>\n<p>\u201cN\u00f3s, no primeiro momento, fomos surpreendidos com a rejei\u00e7\u00e3o do pedido de suplementa\u00e7\u00e3o or\u00e7ament\u00e1ria, at\u00e9 porque h\u00e1 uma campanha da pr\u00f3pria Assembleia no estado inteiro contra os inc\u00eandios e crimes ambientais. Quando chegou essa suplementa\u00e7\u00e3o da Sedam, justamente para uma atua\u00e7\u00e3o mais efetiva, o projeto sequer foi votado, foi direto ao arquivo\u201d, afirma<a href=\"https:\/\/www.google.com\/search?client=firefox-b-d&amp;cs=0&amp;sca_esv=6665d6e4a6da3cac&amp;q=Pablo+Hernandez+Viscardi&amp;sa=X&amp;ved=2ahUKEwiw2emSnuCPAxUcqJUCHddtBNkQxccNegQIAhAB&amp;mstk=AUtExfATpL4_NWFzDKrlHgA_BFejyLYnVUwcS6c99rikAJOhHqaSrNJs7MetdfS8XuT-mAPLFZ7gp-mtwRF__L_bHUuQ611PKPFVa5VXl5NfKibQbaxQeICRlDA3vS_GRGol3GvCfN64_U1VbOaVDxt7wCtVLhGqPiI4FN0lBWS1U6UxgRxRot7IwJzILGO_IwtFRCsW&amp;csui=3\">Pablo Hernandez Viscardi<\/a>, promotor de Justi\u00e7a do<a href=\"https:\/\/www.google.com\/search?client=firefox-b-d&amp;cs=0&amp;sca_esv=6665d6e4a6da3cac&amp;q=Minist%C3%A9rio+P%C3%BAblico+de+Rond%C3%B4nia+%28MPRO%29&amp;sa=X&amp;ved=2ahUKEwiw2emSnuCPAxUcqJUCHddtBNkQxccNegQIAhAC&amp;mstk=AUtExfATpL4_NWFzDKrlHgA_BFejyLYnVUwcS6c99rikAJOhHqaSrNJs7MetdfS8XuT-mAPLFZ7gp-mtwRF__L_bHUuQ611PKPFVa5VXl5NfKibQbaxQeICRlDA3vS_GRGol3GvCfN64_U1VbOaVDxt7wCtVLhGqPiI4FN0lBWS1U6UxgRxRot7IwJzILGO_IwtFRCsW&amp;csui=3\"> Minist\u00e9rio P\u00fablico de Rond\u00f4nia (MPRO)<\/a> e\u00a0 coordenador em exerc\u00edcio do Grupo de Atua\u00e7\u00e3o Especial do Meio Ambiente (Gaema) e do N\u00facleo de Combate ao Crime Ambiental (Nucam).<\/p>\n<p>O promotor afirma que imediatamente, junto com a Procuradoria Geral de Justi\u00e7a, foi tra\u00e7ada uma forma de atua\u00e7\u00e3o estrat\u00e9gica. \u201cComo havia a ADPF 743 em andamento no Supremo Tribunal Federal, relatada pelo ministro Fl\u00e1vio Dino, n\u00f3s fizemos uma manifesta\u00e7\u00e3o dizendo que o Estado estaria impedido de cumprir as determina\u00e7\u00f5es por conta desse \u00f3bice criado pela Assembleia. O or\u00e7amento \u00e9 pe\u00e7a-chave para colocar fiscaliza\u00e7\u00e3o em campo. Sem ele, n\u00e3o h\u00e1 como desenvolver a\u00e7\u00f5es de repress\u00e3o e preven\u00e7\u00e3o de desmatamento e inc\u00eandio. Estamos aguardando a decis\u00e3o do ministro Fl\u00e1vio Dino\u201d, complementa.<\/p>\n<p>A ADPF citada trata de a\u00e7\u00f5es constitucionais iniciadas em 2020 por partidos pol\u00edticos (REDE Sustentabilidade, Partido dos Trabalhadores, Partido Socialista Brasileiro e Partido Socialismo e Liberdade) que alegam que a Uni\u00e3o e os Estados de Mato Grosso e Mato Grosso do Sul falham em combater os inc\u00eandios na Amaz\u00f4nia e no Pantanal.<\/p>\n<p>Apesar de algumas opera\u00e7\u00f5es integradas como a Opera\u00e7\u00e3o Domin\u00e2ncia \u2014 deflagrada por ICMBio, PF, Ibama e Ex\u00e9rcito entre mar\u00e7o e abril de 2025 \u2014, a repress\u00e3o ainda \u00e9 insuficiente. Nessa opera\u00e7\u00e3o, foram destru\u00eddos maquin\u00e1rios, acampamentos ilegais e aplicadas multas no valor de R$ 453 mil, al\u00e9m da apreens\u00e3o de R$ 2,8 milh\u00f5es em bens. O MPF atua recebendo os autos da opera\u00e7\u00e3o e conduzindo os processos criminais. No entanto, a taxa de efetiva\u00e7\u00e3o das multas e indeniza\u00e7\u00f5es judiciais ainda \u00e9 m\u00ednima. Apenas 5% dos R$ 4,6 bilh\u00f5es em repara\u00e7\u00f5es ambientais determinadas em a\u00e7\u00f5es judiciais foram pagos at\u00e9 agora.<\/p>\n<p>Terras ind\u00edgenas importantes, como Ituna\/Itat\u00e1, foram devastadas. Ela foi a TI mais desmatada em 2019 (120\u202fkm\u00b2) e uma das mais pressionadas entre 2019\u20112022, com 84% do desmatamento acumulado no per\u00edodo, resultado principalmente de garimpo e grilagem, incentivados de forma absoluta no governo Bolsonaro. A l\u00f3gica bolsonarista, com apelo \u00e0 redu\u00e7\u00e3o de \u00e1reas protegidas e regulariza\u00e7\u00e3o de invas\u00f5es, refor\u00e7ou o avan\u00e7o do desmatamento e de pol\u00edticas favor\u00e1veis \u00e0 grilagem e ao agroneg\u00f3cio.<\/p>\n<p>A devasta\u00e7\u00e3o da Resex Jaci\u2011Paran\u00e1 (55% desmatada) e das Flonas (Bom Futuro e Jamari) revela a a\u00e7\u00e3o coordenada de redes criminosas com equipamentos pesados e estrutura de comunica\u00e7\u00e3o, incluindo uso de <em>starlinks<\/em>, tratores e balsas. Combater esses il\u00edcitos \u00e9 um desafio cotidiano. Os Minist\u00e9rios P\u00fablicos Federal e Estadual destacam-se como um dos poucos basti\u00f5es institucionais que ainda atua juridicamente para conter os danos, por meio de a\u00e7\u00f5es civis p\u00fablicas, inqu\u00e9ritos, audi\u00eancias p\u00fablicas e coopera\u00e7\u00e3o com \u00f3rg\u00e3os t\u00e9cnicos e de fiscaliza\u00e7\u00e3o. Contudo, os obst\u00e1culos s\u00e3o enormes, com baixa execu\u00e7\u00e3o de indeniza\u00e7\u00f5es, omiss\u00f5es estatais, viol\u00eancia organizada e uma legisla\u00e7\u00e3o e aparato t\u00e9cnico enfraquecido.<\/p>\n<p><strong>Um Estado sob tens\u00e3o ambiental e social<\/strong><\/p>\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><a href=\"https:\/\/i0.wp.com\/amazoniareal.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/operacao-1.jpg?ssl=1\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-164113\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/amazoniareal.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/operacao-1-1024x576.jpg?resize=600%2C338&#038;ssl=1\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" srcset=\"https:\/\/amazoniareal.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/operacao-1-1024x576.jpg 1024w, https:\/\/amazoniareal.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/operacao-1-300x169.jpg 300w, https:\/\/amazoniareal.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/operacao-1-768x432.jpg 768w, https:\/\/amazoniareal.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/operacao-1-1536x864.jpg 1536w, https:\/\/amazoniareal.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/operacao-1-150x84.jpg 150w, https:\/\/amazoniareal.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/operacao-1.jpg 1600w\" alt=\"\" width=\"600\" height=\"338\" \/><\/a><figcaption class=\"wp-element-caption\"><em><sub>Agentes ambientais durante opera\u00e7\u00e3o em Rond\u00f4nia (Foto: Ascom\/MPRO)<\/sub><\/em><\/figcaption><\/figure>\n<p>A disputa pelo territ\u00f3rio tamb\u00e9m \u00e9 uma disputa de narrativas. Enquanto o discurso oficial exalta o desenvolvimento econ\u00f4mico a qualquer custo, comunidades ind\u00edgenas, extrativistas e assentados da reforma agr\u00e1ria convivem com amea\u00e7as de morte, destrui\u00e7\u00e3o de suas fontes de subsist\u00eancia e aus\u00eancia total do Estado. A viol\u00eancia no campo continua, e mortes por conflitos fundi\u00e1rios seguem sendo investigadas, com alguns inqu\u00e9ritos j\u00e1 federalizados.<\/p>\n<p>\u201cQuando a gente est\u00e1 \u00e0 frente de um movimento, est\u00e1 sempre sob amea\u00e7a. Ficamos sempre atentas \u00e0s nossas fam\u00edlias. A luta sempre foi com muito derramamento de sangue. Hoje n\u00e3o \u00e9 diferente, sabemos os riscos que a gente tem. Eu acho que se a gente n\u00e3o tivesse essa confian\u00e7a j\u00e1 ter\u00edamos sido dizimados e isso nos fortalece, nos d\u00e1 essa resili\u00eancia\u201d, diz Leonice Tupari, que integra o conselho da Associa\u00e7\u00e3o de Guerreiras Ind\u00edgenas de Rond\u00f4nia (AGIR). \u201cA gente trabalha com mais de 56 povos\u201d, ressalta.<\/p>\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><a href=\"https:\/\/i0.wp.com\/amazoniareal.com.br\/wp-content\/uploads\/2017\/08\/Leonice-Tupari_Foto-Marcela-Bonfim-8.jpg?ssl=1\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-22893\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/amazoniareal.com.br\/wp-content\/uploads\/2017\/08\/Leonice-Tupari_Foto-Marcela-Bonfim-8-1024x576.jpg?resize=600%2C338&#038;ssl=1\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" srcset=\"https:\/\/amazoniareal.com.br\/wp-content\/uploads\/2017\/08\/Leonice-Tupari_Foto-Marcela-Bonfim-8-1024x576.jpg 1024w, https:\/\/amazoniareal.com.br\/wp-content\/uploads\/2017\/08\/Leonice-Tupari_Foto-Marcela-Bonfim-8-300x169.jpg 300w, https:\/\/amazoniareal.com.br\/wp-content\/uploads\/2017\/08\/Leonice-Tupari_Foto-Marcela-Bonfim-8-768x432.jpg 768w\" alt=\"\" width=\"600\" height=\"338\" \/><\/a><figcaption class=\"wp-element-caption\"><em><sub>Leonice Tupari, integra o conselho da Associa\u00e7\u00e3o de Guerreiras Ind\u00edgenas de Rond\u00f4nia (AGIR) (Foto: Marcela Bonfim).<\/sub><\/em><\/figcaption><\/figure>\n<p>\u201cLutamos contra mineradoras, roubos de madeira, entre outras coisas e a cada tempo s\u00e3o maiores os desafios. Os que poderiam nos ajudar, como os pol\u00edticos, ao contr\u00e1rio, t\u00eam trabalhado por projetos de leis que nos impactam. Temos trabalhado contra esse avan\u00e7o, mas \u00e9 dif\u00edcil, porque ao mesmo tempo que voc\u00ea trabalha contra essa situa\u00e7\u00e3o tem o agroneg\u00f3cio que aqui no nosso estado, que \u00e9 de direita, o agro vem com grandes recursos e n\u00f3s n\u00e3o temos. Tentamos dar informa\u00e7\u00e3o ao povo, mas temos parentes que foram aliciados pelo agro. \u00c9 desafiador, mas a gente n\u00e3o aceita essa forma que querem impor em nossos territ\u00f3rios e tamb\u00e9m nas \u00e1reas de prote\u00e7\u00e3o. N\u00f3s, mulheres, estamos sendo desafiadas o tempo todo, e nossos avan\u00e7os s\u00e3o pequenos\u201d, constata Leonice Tupari, que tamb\u00e9m \u00e9 cofundadora da Articula\u00e7\u00e3o Nacional das Mulheres Ind\u00edgenas Guerreiras da Ancestralidade (ANMIGA).<\/p>\n<p>De 2014 a 2024, o MPF atuou em 167 investiga\u00e7\u00f5es e 310 pe\u00e7as judiciais relacionadas \u00e0 reforma agr\u00e1ria e conflitos no campo. Cerca de 157 mil hectares foram reconhecidos como \u00e1reas irregulares, impedindo reintegra\u00e7\u00f5es ileg\u00edtimas e garantindo a perman\u00eancia de comunidades em \u00e1reas historicamente ocupadas.<\/p>\n<p>O desmatamento apresentou queda, mas ainda assim se mant\u00e9m como expressivo em Rond\u00f4nia.\u00a0 O Relat\u00f3rio Anual do Desmatamento no Brasil (RAD\u202f2024), divulgado em 15 de maio de 2025, mostra que houve uma queda de 51% no desmatamento em Rond\u00f4nia, passando de cerca de 42.000\u202fhectares em 2023 para 20.659,4\u202fhectares em 2024. Mesmo com essa redu\u00e7\u00e3o, o estado segue entre os que mais desmataram o bioma Amaz\u00f4nia. O promotor Pablo Hernandez \u00e9 cauteloso quanto a esses dados.<\/p>\n<p>\u201cNo estado de Rond\u00f4nia, em que pese esses dados de 2024, no que toca aos inc\u00eandios florestais, n\u00f3s tivemos um pico significativo. Mas o que mais nos causa preocupa\u00e7\u00e3o \u00e9 que a maioria desses desmatamentos est\u00e3o acontecendo ultimamente em \u00e1reas ambientalmente sens\u00edveis, sobretudo em unidades de conserva\u00e7\u00e3o, que est\u00e3o constantemente sendo amea\u00e7adas e pressionadas, principalmente pelo desenvolvimento da atividade pecu\u00e1ria e grilagem. Primeiro as pessoas grilam, exploram a madeira, depois fazem a derrubada, utilizam o fogo para fazer a limpeza da \u00e1rea e, clandestinamente, loteiam ou exploram diretamente essas \u00e1reas atrav\u00e9s da pecu\u00e1ria. Ent\u00e3o a nossa preocupa\u00e7\u00e3o maior \u00e9 que, embora haja essa redu\u00e7\u00e3o, o desmatamento ainda \u00e9 muito significativo e ocorre, em sua grande maioria, em unidades de conserva\u00e7\u00e3o, terras ind\u00edgenas e \u00e1reas sens\u00edveis\u201d, afirma Pablo Hernandez.<\/p>\n<p>Nos \u00faltimos dois anos, o Minist\u00e9rio P\u00fablico Federal (MPF) e o Minist\u00e9rio P\u00fablico de Rond\u00f4nia (MPR-RO) assumiram papel central no enfrentamento \u00e0s atividades ilegais que pressionam a floresta amaz\u00f4nica no estado. E os desafios n\u00e3o s\u00e3o pequenos, com garimpo clandestino, avan\u00e7o de monoculturas sobre \u00e1reas protegidas, invas\u00f5es em territ\u00f3rios ind\u00edgenas e queimadas em larga escala. O fato de tais medidas dependerem de decis\u00f5es judiciais e recomenda\u00e7\u00f5es formais j\u00e1 \u00e9 um sintoma do desmonte estrutural da fiscaliza\u00e7\u00e3o. O Minist\u00e9rio P\u00fablico funciona como esp\u00e9cie de \u201cfor\u00e7ador institucional\u201d, um ator que empurra a m\u00e1quina estatal a se mover, ainda que de maneira tardia e parcial. Apesar de conquistas pontuais e de uma redu\u00e7\u00e3o oficial no desmatamento em 2024\u20132025, os desafios permanecem, com o combate \u00e0 for\u00e7a do crime organizado, a fragilidade de \u00f3rg\u00e3os de fiscaliza\u00e7\u00e3o e legisla\u00e7\u00f5es estaduais que flexibilizam a regulariza\u00e7\u00e3o fundi\u00e1ria.<\/p>\n<p>A situa\u00e7\u00e3o que se v\u00ea em Rond\u00f4nia hoje \u00e9 um embate desigual. De um lado, garimpeiros, grileiros e monoculturas que avan\u00e7am sobre territ\u00f3rios ind\u00edgenas e unidades de conserva\u00e7\u00e3o com o suporte de redes organizadas e recursos log\u00edsticos de peso; de outro, um Estado fr\u00e1gil, com fiscaliza\u00e7\u00e3o capenga, e Minist\u00e9rios P\u00fablicos tentando segurar a linha de frente por meio de a\u00e7\u00f5es judiciais e press\u00f5es institucionais.<\/p>\n<p>\u00c9 ineg\u00e1vel que h\u00e1 resultados. Opera\u00e7\u00f5es recentes destru\u00edram dezenas de balsas no rio Madeira; planos de prote\u00e7\u00e3o territorial foram exigidos pela Justi\u00e7a Federal em \u00e1reas cr\u00edticas; relat\u00f3rios oficiais registraram redu\u00e7\u00e3o nos alertas de desmatamento em 2024\u20132025. Mas conv\u00e9m relativizar, pois os n\u00fameros ainda s\u00e3o fr\u00e1geis, sujeitos a varia\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas e \u00e0 capacidade de resposta imediata. Uma s\u00f3 opera\u00e7\u00e3o pode reduzir temporariamente os indicadores, mas n\u00e3o quebra o ciclo.<\/p>\n<p>E aqui reside a contradi\u00e7\u00e3o. O papel do MP \u00e9 essencial, mas insuficiente. A\u00e7\u00f5es judiciais n\u00e3o substituem pol\u00edticas p\u00fablicas consistentes, tampouco conferem musculatura a \u00f3rg\u00e3os ambientais que h\u00e1 anos sofrem cortes e press\u00f5es pol\u00edticas. Ao mesmo tempo, legisla\u00e7\u00f5es estaduais que flexibilizam a regulariza\u00e7\u00e3o fundi\u00e1ria abrem brechas que corroem qualquer esfor\u00e7o de prote\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>O que est\u00e1 em jogo em Rond\u00f4nia n\u00e3o \u00e9 apenas a preserva\u00e7\u00e3o ambiental, mas a soberania sobre territ\u00f3rios amea\u00e7ados por redes de criminalidade que operam com mais efici\u00eancia do que o pr\u00f3prio Estado. O Minist\u00e9rio P\u00fablico cumpre, portanto, uma fun\u00e7\u00e3o paradoxal, como se fosse o freio de emerg\u00eancia num trem em disparada. Segura impactos imediatos, mas n\u00e3o consegue sozinho mudar a dire\u00e7\u00e3o da viagem.<\/p>\n<p>A principal contribui\u00e7\u00e3o dos Minist\u00e9rios P\u00fablicos tem sido criar as condi\u00e7\u00f5es jur\u00eddicas para que as opera\u00e7\u00f5es ocorram, al\u00e9m de funcionar como articuladores entre \u00f3rg\u00e3os estaduais e federais. Mas a efic\u00e1cia depende da capacidade de execu\u00e7\u00e3o no terreno \u2014 e isso exige recursos, fiscaliza\u00e7\u00e3o cont\u00ednua e vontade pol\u00edtica.<\/p>\n<p>\u201cEsse projeto legislativo, chamado de PL da Devasta\u00e7\u00e3o, tem impacto nacional e n\u00e3o s\u00f3 em Rond\u00f4nia. O dano \u00e9 significativo e global, por conta da import\u00e2ncia da Amaz\u00f4nia. Todos os membros do Minist\u00e9rio P\u00fablico de Meio Ambiente do Brasil inteiro se manifestaram contrariamente. A orienta\u00e7\u00e3o \u00e9 de que o projeto deveria ter sido vetado na \u00edntegra, o que infelizmente n\u00e3o aconteceu. Mas o Minist\u00e9rio P\u00fablico ambiental seguir\u00e1 lutando contra\u201d, afirma Pablo Hernandez.<\/p>\n<p>\u201cN\u00f3s temos diversas a\u00e7\u00f5es e investiga\u00e7\u00f5es em andamento no que toca a criminalidade organizada ambiental no estado todo. Algumas opera\u00e7\u00f5es j\u00e1 foram realizadas e outras est\u00e3o em curso. Sobre a prote\u00e7\u00e3o de povos e comunidades tradicionais, cada promotoria, em sua comarca, tem atua\u00e7\u00e3o espec\u00edfica. O Minist\u00e9rio P\u00fablico est\u00e1 de portas abertas para acolher as demandas e garantir direitos. Mas \u00e9 uma luta ingl\u00f3ria, porque existe um projeto pol\u00edtico e econ\u00f4mico que enxerga a floresta em p\u00e9 como obst\u00e1culo ao progresso econ\u00f4mico, sem reconhecer o potencial da floresta viva. Em algum momento, ser\u00e1 preciso que classe pol\u00edtica, ambientalistas, ONGs, MP e Judici\u00e1rio se sentem para convergir em torno de um desenvolvimento sustent\u00e1vel, que respeite o meio ambiente e n\u00e3o amplie desigualdades sociais\u201d, complementa o promotor.<\/p>\n<p>Esse pensamento \u00e9 o mesmo da ativista Ivaneide \u201cNeidinha\u201d Bandeira, fundadora da ONG Kanind\u00e9, com mais de 20 anos de atua\u00e7\u00e3o na defesa dos povos ind\u00edgenas e ambientais em Rond\u00f4nia. \u201c\u00c9 uma quest\u00e3o de pa\u00eds. N\u00e3o \u00e9 s\u00f3 uma quest\u00e3o ind\u00edgena. E temos hoje talvez o pior congresso de todos os tempos. Hoje a gente s\u00f3 pode contar com o Minist\u00e9rio P\u00fablico, mas a gente sabe que ele n\u00e3o tem poder suficiente para conter essa gama de ataques. N\u00e3o tem a for\u00e7a necess\u00e1ria. N\u00e3o d\u00e1 conta sozinho\u201d, diz ela.<\/p>\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><a href=\"https:\/\/i0.wp.com\/amazoniareal.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/05\/Photos-By-Bruno-Kelly-_Amazonia-Real-illegal-gold-mining-in-Rondonia-Madeira-river-49.jpg?ssl=1\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-129628\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/amazoniareal.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/05\/Photos-By-Bruno-Kelly-_Amazonia-Real-illegal-gold-mining-in-Rondonia-Madeira-river-49-1024x682.jpg?resize=600%2C400&#038;ssl=1\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" srcset=\"https:\/\/amazoniareal.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/05\/Photos-By-Bruno-Kelly-_Amazonia-Real-illegal-gold-mining-in-Rondonia-Madeira-river-49-1024x682.jpg 1024w, https:\/\/amazoniareal.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/05\/Photos-By-Bruno-Kelly-_Amazonia-Real-illegal-gold-mining-in-Rondonia-Madeira-river-49-300x200.jpg 300w, https:\/\/amazoniareal.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/05\/Photos-By-Bruno-Kelly-_Amazonia-Real-illegal-gold-mining-in-Rondonia-Madeira-river-49-768x512.jpg 768w, https:\/\/amazoniareal.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/05\/Photos-By-Bruno-Kelly-_Amazonia-Real-illegal-gold-mining-in-Rondonia-Madeira-river-49-1536x1024.jpg 1536w, https:\/\/amazoniareal.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/05\/Photos-By-Bruno-Kelly-_Amazonia-Real-illegal-gold-mining-in-Rondonia-Madeira-river-49-150x100.jpg 150w, https:\/\/amazoniareal.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/05\/Photos-By-Bruno-Kelly-_Amazonia-Real-illegal-gold-mining-in-Rondonia-Madeira-river-49.jpg 2000w\" alt=\"\" width=\"600\" height=\"400\" \/><\/a><figcaption class=\"wp-element-caption\"><em><sup>A ativista ambiental e indigenista, Neidinha Bandeira (Foto de Bruno Kelly\/Amaz\u00f4nia Real). <\/sup><\/em><\/figcaption><\/figure>\n<p>Neidinha afirma que a principal dificuldade atualmente \u00e9 se ter um governo do estado com pautas contra os ind\u00edgenas e contra o meio-ambiente, com uma assembleia que luta para acabar com as reservas. \u201cIsso gera um clima de amea\u00e7a de mortes. As unidades de conserva\u00e7\u00e3o est\u00e3o sendo invadidas pelo gado. Voc\u00ea n\u00e3o pode contar com o poder p\u00fablico para defender. Isso n\u00e3o \u00e9 nenhuma novidade, mas ficou pior a partir de Bolsonaro. N\u00e3o significa que agora melhorou significativamente, pois o Congresso Nacional hoje \u00e9 o promotor do retrocesso. Um exemplo claro \u00e9 o PL da Devasta\u00e7\u00e3o e do Marco Temporal\u201d,\u00a0 denuncia.<\/p>\n<p>\u201cSe depender exclusivamente do Minist\u00e9rio P\u00fablico, todas as unidades de conserva\u00e7\u00e3o ser\u00e3o preservadas. N\u00e3o abriremos m\u00e3o de nenhuma e n\u00e3o aceitaremos nenhum movimento pol\u00edtico, econ\u00f4mico ou jur\u00eddico no sentido de reduzir ou relativizar essas \u00e1reas\u201d, afirma o promotor. Segundo ele, o que precisa ser feito para aprimorar a justi\u00e7a ambiental j\u00e1 est\u00e1 em andamento, que seria a cria\u00e7\u00e3o de grupos de atua\u00e7\u00e3o espec\u00edficos, com conhecimento t\u00e9cnico e jur\u00eddico minucioso.<\/p>\n<p>\u201cA Justi\u00e7a tem acolhido teses de tutela ambiental, j\u00e1 existem a\u00e7\u00f5es de inconstitucionalidade julgadas procedentes. O que precisa melhorar \u00e9 a investiga\u00e7\u00e3o qualificada do crime organizado ambiental e o combate \u00e0 grilagem. Rond\u00f4nia foi o primeiro estado a criar um n\u00facleo de combate ao crime organizado ambiental, criado recentemente. Mas n\u00e3o basta s\u00f3 reprimir, \u00e9 preciso prevenir e criar uma cultura de que a explora\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica tem limites\u201d, ressalta Pablo Hernandez.<\/p>\n<p>Segundo Neidinha, em Rond\u00f4nia, a luta contra o desmatamento e o garimpo n\u00e3o \u00e9 apenas uma quest\u00e3o ambiental, mas tamb\u00e9m de soberania territorial e prote\u00e7\u00e3o de povos tradicionais. \u201cO papel do MPF e do MPR-RO \u00e9 fundamental, mas s\u00f3 ter\u00e1 impacto duradouro se acompanhado de pol\u00edticas p\u00fablicas consistentes e apoio estatal permanente\u201d, diz ela. Henriquez complementa. \u201cA devasta\u00e7\u00e3o altera o regime de chuvas e amea\u00e7a a pr\u00f3pria agricultura. Ser\u00e1 inevit\u00e1vel um debate social, econ\u00f4mico, \u00e9tico e filos\u00f3fico para conciliar desenvolvimento e preserva\u00e7\u00e3o, porque enquanto houver cis\u00e3o entre desenvolvimento econ\u00f4mico e prote\u00e7\u00e3o ambiental, s\u00f3 o Judici\u00e1rio n\u00e3o conseguir\u00e1 resolver o problema\u201d.<\/p>\n<p>No dia 10 de setembro, <strong>Amaz\u00f4nia Real<\/strong>enviou e-mail \u00e0 Secretaria de Estado de Comunica\u00e7\u00e3o de Rond\u00f4nia(Secom-RO), com alguns questionamentos relacionados a essa reportagem. No dia seguinte, a Secom respondeu afirmando que iria analisar. \u201cRecebemos a demanda. Estamos providenciando a resolu\u00e7\u00e3o. Retornaremos com um posicionamento assim que poss\u00edvel\u201d, informou. Em resposta, a ag\u00eancia informou que esta reportagem seria conclu\u00edda no dia 17 de setembro, tendo essa data como limite para resposta. N\u00e3o houve mais retorno at\u00e9 a publica\u00e7\u00e3o desta da mat\u00e9ria, mas a ag\u00eancia continua aguardando uma resposta do governo de Rond\u00f4nia.<\/p>\n<p><strong>As a\u00e7\u00f5es em dois anos<\/strong><\/p>\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><a href=\"https:\/\/i0.wp.com\/amazoniareal.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/porto-velho-sob-fumaca.jpeg?ssl=1\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-164110\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/amazoniareal.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/porto-velho-sob-fumaca-1024x576.jpeg?resize=600%2C338&#038;ssl=1\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" srcset=\"https:\/\/amazoniareal.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/porto-velho-sob-fumaca-1024x576.jpeg 1024w, https:\/\/amazoniareal.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/porto-velho-sob-fumaca-300x169.jpeg 300w, https:\/\/amazoniareal.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/porto-velho-sob-fumaca-768x432.jpeg 768w, https:\/\/amazoniareal.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/porto-velho-sob-fumaca-1536x864.jpeg 1536w, https:\/\/amazoniareal.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/porto-velho-sob-fumaca-2048x1152.jpeg 2048w, https:\/\/amazoniareal.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/porto-velho-sob-fumaca-150x84.jpeg 150w\" alt=\"\" width=\"600\" height=\"338\" \/><\/a><figcaption class=\"wp-element-caption\"><em><sub>Fuma\u00e7a em Porto Velho (Foto: Ian Machado).<\/sub><\/em><\/figcaption><\/figure>\n<p>Entre 2024 e 2025, algumas a\u00e7\u00f5es se destacaram:<\/p>\n<p>Campo Novo de Rond\u00f4nia (jun\/2025): a Justi\u00e7a Federal, a pedido do MPF, determinou a elabora\u00e7\u00e3o de um plano de prote\u00e7\u00e3o territorial contra o garimpo, com prazos e medidas concretas.<\/p>\n<p>Opera\u00e7\u00f5es de repress\u00e3o no rio Madeira (2025): mais de 90 balsas de garimpo foram destru\u00eddas em a\u00e7\u00f5es articuladas com base em pareceres t\u00e9cnicos do MPF.<\/p>\n<p>Reserva Extrativista Jaci-Paran\u00e1 (jul\/2025): o MPF ingressou com a\u00e7\u00e3o para transferir a gest\u00e3o da unidade \u00e0 Uni\u00e3o, diante do avan\u00e7o de invas\u00f5es<\/p>\n<p>Preven\u00e7\u00e3o de queimadas (2025): o MPR-RO articulou com a Sedam e a Procuradoria-Geral do Estado planos de preven\u00e7\u00e3o e abertura de cr\u00e9ditos emergenciais.<\/p>\n<p>Normatiza\u00e7\u00e3o contra pistas clandestinas (2024\u20132025): recomenda\u00e7\u00f5es do MPF resultaram em maior controle de autoriza\u00e7\u00f5es e fechamento de estruturas usadas por redes criminosas.<\/p>\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><a href=\"https:\/\/i0.wp.com\/amazoniareal.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/queimada-ro.jpeg?ssl=1\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-164109\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/amazoniareal.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/queimada-ro-1024x576.jpeg?resize=600%2C338&#038;ssl=1\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" srcset=\"https:\/\/amazoniareal.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/queimada-ro-1024x576.jpeg 1024w, https:\/\/amazoniareal.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/queimada-ro-300x169.jpeg 300w, https:\/\/amazoniareal.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/queimada-ro-768x432.jpeg 768w, https:\/\/amazoniareal.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/queimada-ro-150x84.jpeg 150w, https:\/\/amazoniareal.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/queimada-ro.jpeg 1280w\" alt=\"\" width=\"600\" height=\"338\" \/><\/a><figcaption class=\"wp-element-caption\"><em><sub>Unidade de conserva\u00e7\u00e3o sofre com as queimadas (Foto: Ascom\/MPRO).<\/sub><\/em><\/figcaption><\/figure>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\" \/>\n<p><strong>Autores:<\/strong><\/p>\n<p><em><strong>Ian machado<\/strong> \u00e9 paraense de 26 anos, apaixonado pelo Paysandu e Vasco da Gama. Acad\u00eamico de Jornalismo na Funda\u00e7\u00e3o Universidade Federal de Rond\u00f4nia. Premiado pela UNIR como destaque no PIBIC 2022\/2023, na \u00e1rea de Comunica\u00e7\u00e3o<\/em>.<\/p>\n<p><em><strong>Ismael Machado<\/strong> \u00e9 jornalista, roteirista e cineasta. J\u00e1 trabalhou como correspondente dos jornais \u2018O Globo\u2019 e \u2018Jornal do Brasil\u2019 na regi\u00e3o Norte e como colaborador da Folha de S\u00e3o Paulo. Foi rep\u00f3rter especial do jornal Di\u00e1rio do Par\u00e1. \u00c9 autor dos livros \u2018Golpe, Contragolpes e Guerrilhas: O Par\u00e1 e a ditadura militar\u2019 (2014), vencedor do Pr\u00eamio IAP de Literatura 2013, na categoria Livro-Reportagem e a biografia \u2018Paulo Fonteles-Sem Ponto Final\u2019. J\u00e1 obteve doze pr\u00eamios em jornalismo, inclusive duas vezes os pr\u00eamios Vladimir Herzog de Anistia e Direitos Humanos em Jornalismo. Fez roteiro e dire\u00e7\u00e3o do curta Amador, Z\u00e9lia, vencedor do Edital Lei Aldir Blanc 2021. Fez roteiro, produ\u00e7\u00e3o executiva e dire\u00e7\u00e3o do document\u00e1rio \u2018Na Fronteira do Fim do Mundo\u2019, pela produtora Floresta Urbana (PA), 2021 (Sele\u00e7\u00e3o oficial \u2018Montreal Independent Film Festival\u2019 2022). Roteirista e diretor do longa de fic\u00e7\u00e3o \u2018Flashdance TF\u2019, selecionado no edital Novos Realizadores 2022. Autor de oito livros publicados.<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O Estado enfrenta uma intensa tens\u00e3o entre a economia, a pol\u00edtica &#8211; alinhada \u00e0 extrema-direita &#8211; e o meio ambiente, onde a devasta\u00e7\u00e3o avan\u00e7a sobre \u00e1reas protegidas, que s\u00e3o as Terras Ind\u00edgenas, Reservas Extrativistas e Unidades de Conserva\u00e7\u00e3o por meio de grilagem e garimpo ilegal. 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