{"id":38192,"date":"2026-01-21T16:20:39","date_gmt":"2026-01-21T20:20:39","guid":{"rendered":"https:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/?p=38192"},"modified":"2026-01-21T16:20:39","modified_gmt":"2026-01-21T20:20:39","slug":"o-gigante-sem-cordas-a-trajetoria-do-pirarucu-do-madeira","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/2026\/01\/21\/o-gigante-sem-cordas-a-trajetoria-do-pirarucu-do-madeira\/","title":{"rendered":"O Gigante Sem Cordas: a Trajet\u00f3ria do Pirarucu do Madeira"},"content":{"rendered":"<p><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" data-attachment-id=\"38193\" data-permalink=\"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/2026\/01\/21\/o-gigante-sem-cordas-a-trajetoria-do-pirarucu-do-madeira\/img_9322-2\/\" data-orig-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/IMG_9322-scaled.jpeg?fit=1920%2C2560\" data-orig-size=\"1920,2560\" data-comments-opened=\"0\" data-image-meta=\"{&quot;aperture&quot;:&quot;1.78&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;iPhone 17 Pro&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;1768036660&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;6.7649998656528&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;80&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0.016666666666667&quot;,&quot;title&quot;:&quot;&quot;,&quot;orientation&quot;:&quot;1&quot;}\" data-image-title=\"IMG_9322\" data-image-description=\"\" data-image-caption=\"\" data-medium-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/IMG_9322-scaled.jpeg?fit=225%2C300\" data-large-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/IMG_9322-scaled.jpeg?fit=600%2C800\" class=\"size-medium wp-image-38193 alignleft\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/IMG_9322.jpeg?resize=225%2C300\" alt=\"\" width=\"225\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/IMG_9322-scaled.jpeg?resize=225%2C300 225w, https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/IMG_9322-scaled.jpeg?resize=768%2C1024 768w, https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/IMG_9322-scaled.jpeg?resize=1152%2C1536 1152w, https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/IMG_9322-scaled.jpeg?resize=1536%2C2048 1536w, https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/IMG_9322-scaled.jpeg?w=1920 1920w, https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/IMG_9322-scaled.jpeg?w=1800 1800w\" sizes=\"auto, (max-width: 225px) 100vw, 225px\" \/><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\"><span style=\"font-style: inherit; font-weight: inherit;\"><strong>No Gente de Opini\u00e3o, por Ana Santos<\/strong> &#8211; O Pirarucu do Madeira n\u00e3o \u00e9 apenas um bloco de carnaval; \u00e9 um patrim\u00f4nio vivo da cultura de Porto Velho. Com 34 anos de hist\u00f3ria, o bloco se destaca pela resist\u00eancia em manter uma folia totalmente gratuita e inclusiva, sobrevivendo sem a venda de abad\u00e1s e movido pela paix\u00e3o de seus organizadores e foli\u00f5es.<\/span><!--more--><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\"><span style=\"font-style: inherit; font-weight: inherit;\">Nesta conversa, Luciana Oliveira, uma das lideran\u00e7as \u00e0 frente do projeto, revela os desafios de gerir uma estrutura gigante de forma independente. Ela compartilha os bastidores da log\u00edstica, a escolha de homenageados em vida \u2014 como a emocionante hist\u00f3ria da Bailarina da Pra\u00e7a \u2014 e o papel social do bloco, que levanta bandeiras sobre o meio ambiente, os direitos dos povos origin\u00e1rios e o combate ao ass\u00e9dio. Mais do que festa, o Pirarucu se firma como um manifesto pol\u00edtico e cultural de inclus\u00e3o nas ruas de Rond\u00f4nia.<\/span><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\"><span style=\"font-style: inherit; font-weight: inherit;\"><strong style=\"font-weight: 600; font-style: inherit;\">Entrevista: Luciana Oliveira<\/strong><\/span><span style=\"font-style: inherit; font-weight: inherit;\">\u00a0<\/span><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\"><span style=\"font-style: inherit; font-weight: inherit;\">&#8220;O Carnaval s\u00f3 \u00e9 bom quando \u00e9 inclusivo&#8221;: A for\u00e7a feminina por tr\u00e1s do Pirarucu do Madeira.<\/span><span style=\"font-style: inherit; font-weight: inherit;\">\u00a0<\/span><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\"><span style=\"font-style: inherit; font-weight: inherit;\">Ana Santos: Luciana, o Pirarucu \u00e9 um dos blocos mais emblem\u00e1ticos da cidade. Para voc\u00ea, qual o segredo para manter a ess\u00eancia do bloco viva depois de tantos anos?<\/span><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\"><span style=\"font-style: inherit; font-weight: inherit;\">Luciana Oliveira: \u00c9 uma pergunta dif\u00edcil de responder. A gente nem sabe como o Pirarucu est\u00e1 vivo e desse tamanho, porque ele tem custos, n\u00e9? Como \u00e9 um bloco que n\u00e3o vende nada, depende do apoio do poder p\u00fablico e dos foli\u00f5es, que s\u00e3o nossos eternos colaboradores com pequenas quantias. Ent\u00e3o, eu n\u00e3o sei qual \u00e9 o segredo; \u00e9 um mist\u00e9rio. N\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil manter um bloco durante tanto tempo \u2014 s\u00e3o 34 anos de vida \u2014 de forma totalmente gratuita e sem cordas. Esse tamb\u00e9m \u00e9 o nosso grande desafio daqui para frente: o Pirarucu s\u00f3 cresce, e o que vamos fazer para custear essas despesas? Estamos sempre nos reinventando para agregar valor, conseguir o reconhecimento do poder p\u00fablico e buscar apoio.<\/span><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\"><span style=\"font-style: inherit; font-weight: inherit;\">A.S: Qual a lembran\u00e7a mais marcante que voc\u00ea tem do desfile passado?<\/span><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\"><span style=\"font-style: inherit; font-weight: inherit;\">Luciana Oliveira: Ai, s\u00e3o tantas mem\u00f3rias! O Pirarucu n\u00e3o tem s\u00f3 a sua hist\u00f3ria, ele conta a hist\u00f3ria de muitas pessoas que passaram por ele. Nas suas m\u00fasicas, o bloco traz as figuras do Carnaval de Porto Velho, pessoas que realmente s\u00e3o importantes para a cultura popular; cada uma \u00e9 uma p\u00e1gina riqu\u00edssima de mem\u00f3ria. Agora, do Carnaval passado, a imagem mais emblem\u00e1tica que fica, sem d\u00favida, \u00e9 a da Bailarina da Pra\u00e7a, que foi homenageada e teve a sua vida transformada. Foi o destino que a colocou no nosso sentimento para que ela estivesse em cima daquele trio e tivesse o reconhecimento que perseguiu por mais de 40 anos nas ruas. A vida dela deu um giro de 360 graus: ela conseguiu um emprego, comprou a sua casa e enfrentou o c\u00e2ncer com alegria. Isso vai marcar para sempre.<\/span><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\"><span style=\"font-style: inherit; font-weight: inherit;\">A.S: Vamos falar da prepara\u00e7\u00e3o log\u00edstica e dos bastidores. Muitos foli\u00f5es s\u00f3 veem a festa, mas como funciona o &#8220;corre&#8221; antes de o bloco ir para a rua?<\/span><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\"><span style=\"font-style: inherit; font-weight: inherit;\">Luciana Oliveira: Essa \u00e9 uma parte que s\u00f3 quem faz Carnaval de rua conhece. O foli\u00e3o, \u00e0s vezes, pensa que \u00e9 s\u00f3 chegar, ligar o trio na tomada e a festa est\u00e1 pronta. Mas por tr\u00e1s h\u00e1 uma burocracia enorme de documenta\u00e7\u00e3o. A prefeitura sempre se mostra presente porque somos Patrim\u00f4nio Cultural Imaterial de Porto Velho. Al\u00e9m da estrutura, tem a banda, os carregadores dos bonecos gigantes, seguran\u00e7as, bombeiros civis, ambul\u00e2ncias e coordenadores. H\u00e1 10 anos, o bloco sa\u00eda &#8220;na tora&#8221;, com um carrinho pequeno de som. Mas conforme cresceu, a responsabilidade aumentou. O nosso pagamento \u00e9 a alegria do povo e um desfile em paz, sem viol\u00eancia.<\/span><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\"><span style=\"font-style: inherit; font-weight: inherit;\">A.S: Lu, como \u00e9 feita a escolha do tema?<\/span><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\"><span style=\"font-style: inherit; font-weight: inherit;\">Luciana Oliveira: Sempre escolhemos pensando em algu\u00e9m importante para a cultura popular e, de prefer\u00eancia, que esteja vivo. Perdemos muitos amigos na pandemia e lamentamos n\u00e3o ter homenageado pessoas como o saudoso Silvio Santos a tempo de eles verem o quanto eram importantes. Depois que o Silvio partiu, isso deu um &#8220;estalo&#8221; na gente. J\u00e1 homenageamos a L\u00fa Silva, o Bainha, a Bailarina da Pra\u00e7a e agora o Torrado, o menestrel do samba. O crit\u00e9rio \u00e9 ter legado e poder receber esse carinho em vida.<\/span><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\"><span style=\"font-style: inherit; font-weight: inherit;\">A.S: Como voc\u00ea enxerga o papel social do bloco para a comunidade?<\/span><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\"><span style=\"font-style: inherit; font-weight: inherit;\">Luciana Oliveira: O Pirarucu foi precursor de um formato de folia que n\u00e3o existia. Trouxemos campanhas contra a viol\u00eancia dom\u00e9stica, contra o ass\u00e9dio e por um Carnaval inclusivo. Fomos o primeiro bloco a colocar um tradutor de Libras na abertura. Fizemos at\u00e9 campanha de reflorestamento, plantando seis mil \u00e1rvores com o engajamento dos foli\u00f5es. Nunca foi s\u00f3 folia; sempre quisemos transformar a mentalidade da sociedade.<\/span><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\"><span style=\"font-style: inherit; font-weight: inherit;\">A.S: Sendo uma lideran\u00e7a feminina, quais foram os principais desafios na presid\u00eancia?<\/span><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\"><span style=\"font-style: inherit; font-weight: inherit;\">Luciana Oliveira: No in\u00edcio, voc\u00ea \u00e9 vista com menor import\u00e2ncia nos processos de licen\u00e7as e autoriza\u00e7\u00f5es. Mas eu e a Fabiane Fernandes, que \u00e9 meu bra\u00e7o direito, nos impusemos como mulheres caboclas que realizam um trabalho organizado. Hoje falamos de igual para igual. Trouxemos detalhes e sensibilidades que s\u00f3 as mulheres observam, como o Manifesto Ind\u00edgena em defesa do meio ambiente, algo in\u00e9dito no nosso Carnaval.<\/span><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\"><span style=\"font-style: inherit; font-weight: inherit;\">A.S: Para finalizar, defina o esp\u00edrito do Pirarucu em uma frase.<\/span><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\"><span style=\"font-style: inherit; font-weight: inherit;\">Luciana Oliveira: &#8220;O Carnaval s\u00f3 \u00e9 bom quando ele \u00e9 inclusivo.&#8221; Se o Carnaval n\u00e3o tem espa\u00e7o ou respeito para o idoso, para a pessoa com defici\u00eancia, para as mulheres e para a diversidade, ele n\u00e3o presta para n\u00f3s. Essas pessoas s\u00e3o as nossas verdadeiras convidadas VIPs.<\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>No Gente de Opini\u00e3o, por Ana Santos &#8211; O Pirarucu do Madeira n\u00e3o \u00e9 apenas um bloco de carnaval; \u00e9 um patrim\u00f4nio vivo da cultura de Porto Velho. 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