{"id":38621,"date":"2026-04-05T19:53:52","date_gmt":"2026-04-05T23:53:52","guid":{"rendered":"https:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/?p=38621"},"modified":"2026-04-05T19:53:52","modified_gmt":"2026-04-05T23:53:52","slug":"qingming-a-data-em-que-chineses-honram-seus-mortos-e-martires-revolucionarios-em-uma-tradicao-filosofica-milenar","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/2026\/04\/05\/qingming-a-data-em-que-chineses-honram-seus-mortos-e-martires-revolucionarios-em-uma-tradicao-filosofica-milenar\/","title":{"rendered":"Qingming: a data em que chineses honram seus mortos e m\u00e1rtires revolucion\u00e1rios em uma tradi\u00e7\u00e3o filos\u00f3fica milenar"},"content":{"rendered":"<p><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" data-attachment-id=\"38622\" data-permalink=\"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/2026\/04\/05\/qingming-a-data-em-que-chineses-honram-seus-mortos-e-martires-revolucionarios-em-uma-tradicao-filosofica-milenar\/img_0629\/\" data-orig-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/IMG_0629.webp?fit=1536%2C1024\" data-orig-size=\"1536,1024\" data-comments-opened=\"0\" data-image-meta=\"{&quot;aperture&quot;:&quot;0&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;0&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;0&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;0&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0&quot;,&quot;title&quot;:&quot;&quot;,&quot;orientation&quot;:&quot;0&quot;}\" data-image-title=\"IMG_0629\" data-image-description=\"\" data-image-caption=\"\" data-medium-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/IMG_0629.webp?fit=300%2C200\" data-large-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/IMG_0629.webp?fit=600%2C400\" class=\"aligncenter size-full wp-image-38622\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/IMG_0629.webp?resize=600%2C400\" alt=\"\" width=\"600\" height=\"400\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/IMG_0629.webp?w=1536 1536w, https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/IMG_0629.webp?resize=300%2C200 300w, https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/IMG_0629.webp?resize=1024%2C683 1024w, https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/IMG_0629.webp?resize=768%2C512 768w, https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/IMG_0629.webp?resize=450%2C300 450w, https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/IMG_0629.webp?w=1200 1200w\" sizes=\"auto, (max-width: 600px) 100vw, 600px\" \/><\/p>\n<p>Historiador da Fudan explica como a data articula filosofia confuciana, mem\u00f3ria revolucion\u00e1ria e identidade nacional<!--more--><\/p>\n<p>Brasil de Fato &#8211; Todo ano, por volta do in\u00edcio de abril, a China celebra o Qingming, uma das datas mais importantes do calend\u00e1rio chin\u00eas. \u00c9 o momento em que os chineses visitam t\u00famulos de familiares e realizam cerim\u00f4nias em mem\u00f3ria dos m\u00e1rtires revolucion\u00e1rios. <a href=\"https:\/\/www.brasildefato.com.br\/2025\/10\/31\/dia-de-finados-ou-dia-de-los-muertos-ressignificando-emocoes-sentimentos-e-datas\/\">Diferente do Dia de Finados<\/a>, o Qingming n\u00e3o \u00e9 uma data lit\u00fargica: n\u00e3o est\u00e1 vinculado a uma tradi\u00e7\u00e3o religiosa espec\u00edfica, n\u00e3o tem ritos formais de missa e n\u00e3o pressup\u00f5e uma teologia sobre o que acontece depois da morte. Para entender essa tradi\u00e7\u00e3o, o <strong>Brasil de Fato<\/strong> conversou com o historiador Fan Yongpeng, vice-presidente do Instituto da China da Universidade de Fudan.<\/p>\n<p>O Qingming tem origem no calend\u00e1rio agr\u00edcola chin\u00eas. \u00c9 um dos 24 termos solares, forma de organiza\u00e7\u00e3o do tempo que a civiliza\u00e7\u00e3o chinesa criou para orientar ciclos de plantio e de colheita de acordo com os movimentos do sol. O nome significa \u201cClaro e Brilhante\u201d, uma refer\u00eancia ao clima caracter\u00edstico dessa \u00e9poca do ano. Com o tempo, essa data do calend\u00e1rio tornou-se tamb\u00e9m um momento para homenagear os finados.<\/p>\n<p>Segundo Fan, ao contr\u00e1rio do cristianismo, que estabelece uma rela\u00e7\u00e3o contratual entre os seres humanos e Deus, o pensamento chin\u00eas tradicional n\u00e3o concebe a rela\u00e7\u00e3o com o C\u00e9u nesses termos. \u201cTampouco \u00e9 uma religi\u00e3o de revela\u00e7\u00e3o: n\u00e3o existe a ideia de ouvir diretamente a voz de Deus\u201d, explica o historiador. \u201cPor isso, a China n\u00e3o desenvolveu institui\u00e7\u00f5es como sacerd\u00f3cios ou igrejas. Em vez disso, surgiu uma classe de letrados e intelectuais para interpretar a vontade do C\u00e9u. Com o tempo, isso levou \u00e0 ideia de que o povo representa a vontade do C\u00e9u\u201d, diz Fan.<\/p>\n<p>O professor Fan explica que, na China, a compreens\u00e3o sobre a morte foi mudando ao longo dos s\u00e9culos, e embora haja diferen\u00e7as entre tradi\u00e7\u00f5es como o budismo e o tao\u00edsmo, hoje em dia muitos chineses n\u00e3o realizam os rituais do Qingming com a cren\u00e7a literal de que os mortos habitam um reino separado. A rela\u00e7\u00e3o com os mortos, nesse contexto, n\u00e3o \u00e9 religiosa no sentido ocidental do termo.<br \/>\n\u201cNesse contexto, o Qingming tem menos a ver com uma cren\u00e7a literal nos ancestrais como deuses e mais com pr\u00e1tica ritual e cultural\u201d, afirma Fan. \u201cQuando as pessoas visitam t\u00famulos, queimam oferendas de papel ou apresentam alimentos, a maioria n\u00e3o acredita literalmente que os mortos as recebam. Esses atos s\u00e3o express\u00f5es de respeito pelos que vieram antes e de rever\u00eancia pela hist\u00f3ria\u201d.<\/p>\n<p>Fan ilustra essa ideia com uma passagem do pr\u00f3prio Conf\u00facio: \u201cOfere\u00e7a sacrif\u00edcios aos esp\u00edritos como se eles estivessem presentes\u201d. Para o historiador, a palavra \u201ccomo se\u201d \u00e9 fundamental. \u201cSe os esp\u00edritos est\u00e3o ou n\u00e3o presentes de fato n\u00e3o \u00e9 o ponto central: o importante \u00e9 expressar respeito e rever\u00eancia\u201d, diz. \u201cSeja no Qingming ou em outros rituais, o significado mais profundo dessas pr\u00e1ticas se dirige aos vivos, n\u00e3o aos mortos. Elas servem para expressar valores, emo\u00e7\u00f5es e v\u00ednculos sociais entre os vivos\u201d.<\/p>\n<h4 class=\"wp-block-heading\">M\u00e1rtires revolucion\u00e1rios<\/h4>\n<p>Durante o Qingming, a homenagem aos mortos n\u00e3o se restringe aos familiares. S\u00e3o tamb\u00e9m lembrados os que sacrificaram suas vidas em guerras e revolu\u00e7\u00f5es. Esse aspecto da data foi se firmando nas \u00faltimas d\u00e9cadas.<\/p>\n<p>Em 1937, durante a guerra contra a agress\u00e3o japonesa, o Partido Comunista Chin\u00eas e o Kuomintang realizaram conjuntamente uma cerim\u00f4nia nacional diante do t\u00famulo do Imperador Amarelo, ancestral m\u00edtico da civiliza\u00e7\u00e3o chinesa, com texto comemorativo redigido por <a href=\"https:\/\/www.brasildefato.com.br\/2025\/09\/11\/livro-defende-heranca-de-mao-tse-tung-na-construcao-da-china-como-potencia\/\">Mao Zedong<\/a>. Poucos anos depois, ao publicar o ensaio \u201cServir ao Povo\u201d em homenagem ao soldado Zhang Side, morto em servi\u00e7o, Mao formulou o princ\u00edpio de que qualquer pessoa, independente de sua fun\u00e7\u00e3o, merece homenagem p\u00fablica se tiver servido ao povo. Esse princ\u00edpio passou a orientar as cerim\u00f4nias em mem\u00f3ria dos m\u00e1rtires durante o Qingming.<\/p>\n<p>Hoje, o Estado chin\u00eas instituiu tr\u00eas datas nacionais de mem\u00f3ria que expressam essa mesma l\u00f3gica. Segundo Fan, s\u00e3o: o <a href=\"https:\/\/www.brasildefato.com.br\/2025\/06\/24\/china-japao-guerra-desfile\/\">3 de setembro, Dia da Vit\u00f3ria<\/a>, que marca o fim da Guerra de Resist\u00eancia contra a Agress\u00e3o Japonesa; o Dia dos M\u00e1rtires, em setembro, em homenagem aos que sacrificaram suas vidas; e 13 de dezembro, Dia Nacional em Mem\u00f3ria das <a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/reels\/DDpPPfDssek\/\" data-type=\"link\" data-id=\"https:\/\/www.instagram.com\/reels\/DDpPPfDssek\/\">V\u00edtimas do Massacre de Nanjing<\/a>. \u201cEssas tr\u00eas datas representam tr\u00eas camadas de significado: lembrar o sofrimento, honrar o sacrif\u00edcio e celebrar a vit\u00f3ria\u201d, afirma o historiador. \u201cJuntas, expressam uma narrativa: ao lembrar o sofrimento, fazer sacrif\u00edcios e perseverar, um povo pode, afinal, vencer\u201d.<\/p>\n<h4 class=\"wp-block-heading\">Identidade nacional e Sul Global<\/h4>\n<p>A mem\u00f3ria dos mortos, para Fan, cumpre uma fun\u00e7\u00e3o pol\u00edtica concreta: ela constr\u00f3i ao mesmo tempo um v\u00ednculo hist\u00f3rico com o passado e um sentido de pertencimento coletivo no presente, dois pilares da identidade nacional chinesa moderna. O historiador descreve essa concep\u00e7\u00e3o como uma \u201ccomunidade que atravessa o tempo\u201d, na qual a mem\u00f3ria dos mortos \u00e9 tamb\u00e9m um ato de afirma\u00e7\u00e3o nacional.<\/p>\n<p>Para Fan, essa experi\u00eancia tem relev\u00e2ncia para outros povos. \u201cAo longo de seus 5.000 anos de hist\u00f3ria, mesmo diante de reveses, a China sempre conseguiu se reerguer\u201d, afirma. \u201cEssa resili\u00eancia vem de um forte sentido de continuidade hist\u00f3rica, de uma \u2018comunidade que atravessa o tempo\u2019, e de um esp\u00edrito moldado pela mem\u00f3ria, pelo sacrif\u00edcio e pela busca da justi\u00e7a. Para muitos pa\u00edses do Sul Global, o Qingming e essas tradi\u00e7\u00f5es podem oferecer alguma perspectiva. No mundo de hoje, ainda marcado pela desigualdade, muitas sociedades enfrentam press\u00f5es externas como o hegemonismo, al\u00e9m de desafios internos como a explora\u00e7\u00e3o\u201d.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Historiador da Fudan explica como a data articula filosofia confuciana, mem\u00f3ria revolucion\u00e1ria e identidade nacional<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_exactmetrics_skip_tracking":false,"_exactmetrics_sitenote_active":false,"_exactmetrics_sitenote_note":"","_exactmetrics_sitenote_category":0,"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","enabled":false},"version":2}},"categories":[1],"tags":[364,1642],"class_list":["post-38621","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-notas","tag-china","tag-qingming"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p7wKYW-a2V","jetpack-related-posts":[],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/38621","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=38621"}],"version-history":[{"count":1,"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/38621\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":38623,"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/38621\/revisions\/38623"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=38621"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=38621"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=38621"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}