{"id":38825,"date":"2026-05-01T18:00:35","date_gmt":"2026-05-01T22:00:35","guid":{"rendered":"https:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/?p=38825"},"modified":"2026-05-01T18:00:35","modified_gmt":"2026-05-01T22:00:35","slug":"ambulantes-autonomos-e-entregadores-como-o-fim-da-escala-6x1-pode-impactar-a-vida-de-milhoes-de-trabalhadores-informais-no-brasil","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/2026\/05\/01\/ambulantes-autonomos-e-entregadores-como-o-fim-da-escala-6x1-pode-impactar-a-vida-de-milhoes-de-trabalhadores-informais-no-brasil\/","title":{"rendered":"Ambulantes, aut\u00f4nomos e entregadores: como o fim da escala 6\u00d71 pode impactar a vida de milh\u00f5es de trabalhadores informais no Brasil"},"content":{"rendered":"<p><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" data-attachment-id=\"38826\" data-permalink=\"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/2026\/05\/01\/ambulantes-autonomos-e-entregadores-como-o-fim-da-escala-6x1-pode-impactar-a-vida-de-milhoes-de-trabalhadores-informais-no-brasil\/img_1913\/\" data-orig-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/IMG_1913.jpeg?fit=1170%2C700\" data-orig-size=\"1170,700\" data-comments-opened=\"0\" data-image-meta=\"{&quot;aperture&quot;:&quot;0&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;0&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;0&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;0&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0&quot;,&quot;title&quot;:&quot;&quot;,&quot;orientation&quot;:&quot;0&quot;}\" data-image-title=\"IMG_1913\" data-image-description=\"\" data-image-caption=\"\" data-medium-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/IMG_1913.jpeg?fit=300%2C179\" data-large-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/IMG_1913.jpeg?fit=600%2C359\" class=\"alignleft size-full wp-image-38826\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/IMG_1913.jpeg?resize=600%2C359\" alt=\"\" width=\"600\" height=\"359\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/IMG_1913.jpeg?w=1170 1170w, https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/IMG_1913.jpeg?resize=300%2C179 300w, https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/IMG_1913.jpeg?resize=1024%2C613 1024w, https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/IMG_1913.jpeg?resize=768%2C459 768w, https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/IMG_1913.jpeg?resize=501%2C300 501w\" sizes=\"auto, (max-width: 600px) 100vw, 600px\" \/><\/p>\n<h2 class=\"elementor-heading-title elementor-size-default\">Avan\u00e7o na jornada formal reacende disputa por direitos no Brasil e pode impactar trabalhadores fora da CLT<\/h2>\n<p><!--more--><\/p>\n<p><strong><em>Brasil de Fato<\/em><\/strong> &#8211; O Brasil chega ao 1\u00ba de Maio, <a href=\"https:\/\/www.google.com\/url?sa=t&amp;source=web&amp;rct=j&amp;opi=89978449&amp;url=https:\/\/www.brasildefato.com.br\/2019\/05\/01\/conheca-as-origens-do-dia-internacional-de-luta-dos-trabalhadores-e-trabalhadoras\/&amp;ved=2ahUKEwiNz4_W4ZaUAxWopZUCHee-I00QFnoECCEQAQ&amp;usg=AOvVaw0LWpkZaD55BnC1a2hdzy-F\">140 anos depois da hist\u00f3rica greve de Chicago<\/a>, com duas frentes trabalhistas em ritmos opostos: a proposta de redu\u00e7\u00e3o da jornada formal com o fim da escala 6\u00d71 <a href=\"https:\/\/www.brasildefato.com.br\/2026\/04\/28\/hugo-motta-anuncia-presidente-e-relator-da-comissao-sobre-escala-6x1\/\">avan\u00e7a no Congresso<\/a>, enquanto a regula\u00e7\u00e3o do trabalho por aplicativos segue travada, apesar das mobiliza\u00e7\u00f5es recentes da categoria. No meio dessa disputa por direitos est\u00e3o 42,8 milh\u00f5es de <a href=\"https:\/\/www.brasildefato.com.br\/2025\/05\/01\/pleno-emprego-nao-e-emprego-pleno-informalidade-e-inflacao-diminuem-impacto-da-melhora-no-mercado-de-trabalho\/\">trabalhadores informais<\/a>, entre ambulantes, aut\u00f4nomos e entregadores, que n\u00e3o ser\u00e3o alcan\u00e7ados diretamente pelo fim da escala 6\u00d71, mas podem ser impactados por seus efeitos no mercado de trabalho.<\/p>\n<div id=\"bdf-2305380160\" class=\"bdf-apos-paragrafo-1 bdf-entity-placement\">\n<div id=\"bdf-3951127105\" class=\"bdf-target bdf-target\" data-bdf-trackid=\"878877\" data-bdf-trackbid=\"1\">\n<div id=\"div-gpt-ad-artigos-medium_incontent_1\" class=\"ad-slot\"><\/div>\n<div id=\"div-gpt-ad-artigos-mobile_rectangle_mobile_1\" class=\"ad-slot\"><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div id=\"bdf-3315735626\" class=\"bdf-apos-paragrafo-7 bdf-entity-placement\">\n<div id=\"bdf-1986379705\" class=\"bdf-target bdf-target\" data-bdf-trackid=\"923848\" data-bdf-trackbid=\"1\">\n<div id=\"div-gpt-ad-artigos-medium_incontent_4\" class=\"ad-slot\"><\/div>\n<div id=\"div-gpt-ad-artigos-mobile_rectangle_mobile_4\" class=\"ad-slot\"><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<p>Esse contingente de informais cresceu em paralelo \u00e0 <a href=\"https:\/\/www.brasildefato.com.br\/2025\/05\/02\/direitos-ou-precariedade-o-que-esta-por-tras-da-critica-da-geracao-z-a-clt\/\">deteriora\u00e7\u00e3o das condi\u00e7\u00f5es no emprego formal<\/a>. Em abril de 2024, o pa\u00eds registrou 734.853 pedidos de demiss\u00e3o, o maior n\u00famero da s\u00e9rie hist\u00f3rica. Mais de 30% dos trabalhadores que deixaram seus postos apontaram o adoecimento f\u00edsico ou mental como motivo, enquanto a falta de flexibilidade na jornada aparece como uma das principais queixas.<\/p>\n<p>Ao mesmo tempo, a alternativa encontrada por muitos desses trabalhadores tem sido a informalidade e o trabalho nas plataformas, o que <a href=\"https:\/\/www.brasildefato.com.br\/2026\/04\/30\/entregadores-de-aplicativos-protestam-no-rj-contra-nova-modalidade-do-ifood-que-paga-r-3-por-entrega\/\">n\u00e3o implica melhores condi\u00e7\u00f5es de trabalho<\/a>. Entre entregadores de aplicativo, jornadas de 10 a 12 horas di\u00e1rias s\u00e3o comuns, podendo chegar a 17 horas em dias de maior demanda, com apenas uma ou duas folgas ao m\u00eas.<\/p>\n<p>\u00c9 nesse cen\u00e1rio, marcado pelo aumento dos pedidos de demiss\u00e3o e pela expans\u00e3o da informalidade, que o debate sobre o fim da escala 6\u00d71 ganha outra dimens\u00e3o. Se, por um lado, a medida pode melhorar diretamente a vida de trabalhadores com carteira assinada, sobretudo os que recebem menos e enfrentam jornadas mais longas, por outro, ela pode alterar o equil\u00edbrio do mercado de trabalho e, de forma indireta, criar novas press\u00f5es e possibilidades para quem hoje est\u00e1 fora da Consolida\u00e7\u00e3o das Leis do Trabalho (CLT).<\/p>\n<div id=\"bdf-1329924309\" class=\"bdf-apos-paragrafo-3 bdf-entity-placement\">\n<div id=\"bdf-176252765\" class=\"bdf-target bdf-target\" data-bdf-trackid=\"878842\" data-bdf-trackbid=\"1\">\n<div id=\"div-gpt-ad-artigos-medium_incontent_2\" class=\"ad-slot\"><\/div>\n<div id=\"div-gpt-ad-artigos-mobile_rectangle_mobile_2\" class=\"ad-slot\"><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<h4 class=\"wp-block-heading\">Degrada\u00e7\u00e3o generalizada<\/h4>\n<p>Para o economista C\u00e1ssio da Silva Calvete, professor associado da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), o aumento dos pedidos de demiss\u00e3o no pa\u00eds n\u00e3o pode ser lido como uma rejei\u00e7\u00e3o \u00e0 carteira assinada. O que est\u00e1 em curso, segundo ele, \u00e9 uma procura por ocupa\u00e7\u00f5es menos desgastantes, mesmo quando isso significa aceitar v\u00ednculos mais inst\u00e1veis.<\/p>\n<div id=\"bdf-2745085068\" class=\"bdf-apos-paragrafo-5 bdf-entity-placement\">\n<div id=\"bdf-1748410064\" class=\"bdf-target bdf-target\" data-bdf-trackid=\"923846\" data-bdf-trackbid=\"1\">\n<div id=\"div-gpt-ad-artigos-medium_incontent_3\" class=\"ad-slot\"><\/div>\n<div id=\"div-gpt-ad-artigos-mobile_rectangle_mobile_3\" class=\"ad-slot\"><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<p>\u201cEu n\u00e3o acredito que as pessoas est\u00e3o abandonando a CLT. O que eu acredito \u00e9 que as pessoas est\u00e3o, como sempre, e agora talvez at\u00e9 mais, procurando boas ocupa\u00e7\u00f5es, ocupa\u00e7\u00f5es em melhores condi\u00e7\u00f5es de trabalho\u201d, afirma Calvete.<\/p>\n<p>O movimento, tratado por pesquisadores como uma vers\u00e3o brasileira da chamada \u201c<a href=\"https:\/\/www.brasildefato.com.br\/2024\/05\/01\/demissoes-por-justa-causa-batem-recorde-em-2024-mostra-levantamento\/\">grande demiss\u00e3o<\/a>\u201d, aparece em um mercado de trabalho aquecido, mas tamb\u00e9m marcado pela precariza\u00e7\u00e3o. Uma sondagem do Minist\u00e9rio do Trabalho e Emprego (MTE), feita com trabalhadores que pediram desligamento entre novembro de 2023 e abril de 2024, mostrou que 76% estavam satisfeitos com a decis\u00e3o de sair do emprego.<\/p>\n<p>Para Calvete, isso revela que a informalidade e o trabalho por plataformas aparecem, em alguns casos, como alternativa diante de empregos formais muito degradados. \u201cN\u00e3o que trabalhar em plataforma seja melhor, n\u00e3o \u00e9 isso. Mas, em alguns casos, \u00e9 melhor. As condi\u00e7\u00f5es de trabalho do emprego formal est\u00e3o muito degradadas\u201d, diz.<\/p>\n<p>A pesquisadora Nat\u00e1lia Cindra, que estuda juventude trabalhadora, com\u00e9rcio e novas formas de organiza\u00e7\u00e3o do trabalho, aponta o mesmo deslocamento. Para ela, a aproxima\u00e7\u00e3o entre o formal e o informal n\u00e3o ocorre porque a informalidade se tornou positiva, mas porque o emprego formal perdeu direitos, renda e previsibilidade nos \u00faltimos anos.<\/p>\n<p>\u201cO que a gente v\u00ea \u00e9 uma aproxima\u00e7\u00e3o entre formal e informal. Mas isso n\u00e3o \u00e9 porque o informal melhorou, \u00e9 porque o trabalho formal piorou\u201d, resume.<\/p>\n<p>Essa degrada\u00e7\u00e3o tem ra\u00edzes recentes. A <a href=\"https:\/\/www.google.com\/url?sa=t&amp;source=web&amp;rct=j&amp;opi=89978449&amp;url=https:\/\/www.brasildefato.com.br\/2025\/05\/01\/oito-anos-apos-reforma-trabalhista-jurista-ve-desastre-para-trabalhadores-e-alerta-para-precarizacao\/&amp;ved=2ahUKEwjz1L6I5JaUAxWoO7kGHcE5FZIQFnoECBwQAQ&amp;usg=AOvVaw08ZJDZ-cQBINjVb1Ve5t2Y\">reforma trabalhista de 2017<\/a> ampliou modalidades de contrata\u00e7\u00e3o mais inst\u00e1veis, fortaleceu a terceiriza\u00e7\u00e3o e abriu espa\u00e7o para novas formas de pejotiza\u00e7\u00e3o. Ao mesmo tempo, o avan\u00e7o da plataformiza\u00e7\u00e3o levou milh\u00f5es de trabalhadores a atividades sem jornada definida, sem f\u00e9rias, sem descanso semanal remunerado e sem prote\u00e7\u00e3o diante de acidentes, doen\u00e7a ou queda na renda.<\/p>\n<div class=\"elementor-element elementor-element-8136daa elementor-widget elementor-widget-theme-post-content\" data-id=\"8136daa\" data-element_type=\"widget\" data-e-type=\"widget\" data-widget_type=\"theme-post-content.default\">\n<div class=\"elementor-widget-container\">\n<h4 class=\"wp-block-heading\">Fuga das jornadas exaustivas<\/h4>\n<p>A escala 6\u00d71 virou s\u00edmbolo desse desgaste porque organiza a semana em seis dias de trabalho para apenas um de descanso. No papel, ela est\u00e1 dentro da jornada legal de at\u00e9 44 horas semanais. Na pr\u00e1tica, para trabalhadores que somam deslocamentos longos, horas extras, baixos sal\u00e1rios e folgas que nem sempre \u2014 quase nunca \u2014 caem aos domingos, a rotina reduz a vida fora do trabalho a intervalos curtos.<\/p>\n<p>Calvete compara duas situa\u00e7\u00f5es para explicar por que uma ocupa\u00e7\u00e3o informal pode parecer mais atraente do que um emprego formal precarizado. \u201cPensa nessa caixa de supermercado que trabalha numa escala 6\u00d71, fica 10 horas sentada, tem que pedir permiss\u00e3o para ir ao banheiro, tem um chefe sempre em cima dela e um trabalho super intenso.\u201d<\/p>\n<p>Do outro lado, ele cita o entregador de aplicativo, tamb\u00e9m explorado, mas com algum grau de controle sobre quando parar ou iniciar a jornada. A escolha, diz, n\u00e3o \u00e9 entre um bom trabalho e um mau trabalho. \u00c9 entre formas distintas de precariza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>\u201cEntre um sal\u00e1rio, uma remunera\u00e7\u00e3o no curto prazo melhor, e uma garantia no longo prazo, com p\u00e9ssimas condi\u00e7\u00f5es atuais, tu acaba fazendo op\u00e7\u00e3o pelo rendimento melhor\u201d, afirma.<\/p>\n<p>Para Cindra, o que aparece nessa compara\u00e7\u00e3o \u00e9 a disputa pela apropria\u00e7\u00e3o do tempo. \u201cTem um lance aqui que \u00e9 apropria\u00e7\u00e3o do tempo. Os trabalhadores n\u00e3o est\u00e3o defendendo a informalidade em si, mas o controle que eles t\u00eam sobre o pr\u00f3prio tempo de trabalho.\u201d<\/p>\n<p>Essa percep\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m desafia a ideia de que os trabalhadores de aplicativo se veem como empreendedores. \u201cTem um mito de que esses trabalhadores se veem como empreendedores. Quando voc\u00ea olha os estudos emp\u00edricos mais recentes, n\u00e3o tem nada disso. Eles sabem que s\u00e3o explorados\u201d, afirma Cindra.<\/p>\n<p>A pesquisadora Laura Valle Gontijo, do Grupo de Estudos e Pesquisas para o Trabalho da Universidade de Bras\u00edlia (UnB), lembra que a disputa pela jornada acompanha a hist\u00f3ria do capitalismo. \u201cSempre que se reduziu horas de trabalho no Brasil ou no mundo, nem que seja por duas horas ou uma hora, ela \u00e9 hist\u00f3rica. Porque o tempo na nossa sociedade est\u00e1 medido em rela\u00e7\u00e3o ao tempo que se trabalha. Quando voc\u00ea diminui a jornada, aquele tempo deixa de gerar lucro para o patr\u00e3o e fica para o trabalhador.\u201d<\/p>\n<h4 class=\"wp-block-heading\">A vida fora da CLT<\/h4>\n<p>A sa\u00edda para a informalidade, no entanto, n\u00e3o entrega necessariamente o tempo prometido. Em pesquisa qualitativa com entregadores de alimentos e mercadorias por plataformas digitais no Distrito Federal, Laura Gontijo encontrou <a href=\"https:\/\/www.brasildefato.com.br\/2020\/06\/30\/12h-de-trabalho-sem-apoio-e-sem-direitos-o-dia-a-dia-dos-entregadores-de-apps\/\">jornadas de 10 a 12 horas por dia<\/a>, com apenas uma ou duas folgas no m\u00eas. Em dias cr\u00edticos, os relatos chegam a 16 ou 17 horas de trabalho.<\/p>\n<p>\u201cO normal, pelo que eles relatam, \u00e9 trabalhar 10 a 12 horas por dia, seis dias da semana. Mas \u00e9 muito comum ouvir que eles tiram folga somente dois dias no m\u00eas. Eles trabalham numa escala 7 por 7 durante duas semanas e 6 por 1 na outra\u201d, diz.<\/p>\n<p>Laura ouviu hist\u00f3rias de trabalhadores como Renato*, que disse n\u00e3o conseguir acompanhar o crescimento da filha de dois anos. Quando sai de casa pela manh\u00e3, ela ainda est\u00e1 dormindo. Quando volta \u00e0 noite, a crian\u00e7a j\u00e1 dormiu de novo.<\/p>\n<p>Outro entregador, identificado como Jonathan*, contou que decidiu tirar um domingo para ir ao shopping com a esposa e o filho de dez anos. Mesmo no cinema, n\u00e3o conseguiu se desligar do trabalho. Pensava no dinheiro gasto e nas horas a mais que precisaria rodar durante a semana para compensar o passeio.<\/p>\n<p>Esses relatos mostram que, na <a href=\"https:\/\/www.google.com\/url?sa=t&amp;source=web&amp;rct=j&amp;opi=89978449&amp;url=https:\/\/www.brasildefato.com.br\/2021\/08\/11\/a-plataformizacao-e-a-transformacao-mais-radical-do-trabalho-desde-a-2-revolucao-industrial\/&amp;ved=2ahUKEwjataPM55aUAxWbqpUCHdCxGIEQFnoECBgQAQ&amp;usg=AOvVaw08MgeN6_d4325JPUQpTHLp\">informalidade plataformizada<\/a>, o problema n\u00e3o \u00e9 apenas a aus\u00eancia de descanso. \u00c9 tamb\u00e9m a captura mental do tempo livre. Como a renda depende de cada entrega, qualquer pausa pode ser sentida como perda.<\/p>\n<p>Laura explica que a remunera\u00e7\u00e3o por entrega induz o trabalhador a alongar a pr\u00f3pria jornada. \u201cJ\u00e1 que quanto mais eu trabalhar, mais eu vou ganhar, supostamente, ent\u00e3o vou fazer jornadas absurdas. O trabalhador se joga numa jornada absurda. S\u00f3 que, \u00e0 medida que ele aumenta a jornada, diminui a remunera\u00e7\u00e3o pela pr\u00f3pria din\u00e2mica da economia.\u201d<\/p>\n<p>No lugar da promessa de autonomia, os aplicativos controlam bloqueios, avalia\u00e7\u00f5es, repasses, oferta de corridas e tempo de entrega. \u201cAo contr\u00e1rio do discurso de grande liberdade e autonomia, existe uma subsun\u00e7\u00e3o do trabalho ainda maior. A tecnologia se sofisticou de tal maneira que o trabalhador fica submetido ao algoritmo. Existem pessoas desenhando aquele sistema\u201d, afirma Laura.<\/p>\n<p>Estudo publicado na revista <em>Cadernos de Sa\u00fade P\u00fablica<\/em>, da Funda\u00e7\u00e3o Oswaldo Cruz (Fiocruz), aponta que a incid\u00eancia de acidentes chega a 50% entre entregadores que trabalham sete dias por semana e a 49,1% entre aqueles que trabalham dez horas por dia. \u201cO acidente gera uma quest\u00e3o de muita vulnerabilidade nesse trabalhador. Ele olha e fala: \u2018minha vida \u00e9 muito fr\u00e1gil, eu estou muito suscet\u00edvel\u2019. A qualquer momento eu posso morrer.\u201d<\/p>\n<h4 class=\"wp-block-heading\">O \u201cfarol\u201d do fim da escala 6\u00d71<\/h4>\n<p>A proposta de redu\u00e7\u00e3o da jornada formal entrou em uma fase mais concreta no Congresso. A comiss\u00e3o especial da C\u00e2mara dos Deputados foi <a href=\"https:\/\/www.google.com\/url?sa=t&amp;source=web&amp;rct=j&amp;opi=89978449&amp;url=https:\/\/www.brasildefato.com.br\/2026\/04\/28\/hugo-motta-anuncia-presidente-e-relator-da-comissao-sobre-escala-6x1\/&amp;ved=2ahUKEwiI6NHk6JaUAxU2s5UCHZYwLMUQFnoECB0QAQ&amp;usg=AOvVaw02C3thQsEWUOU5b70Lgo-j\">instalada na ter\u00e7a-feira (29)<\/a> para analisar duas Propostas de Emenda \u00e0 Constitui\u00e7\u00e3o (PECs): a PEC 221\/2019, de Reginaldo Lopes (PT-MG), que reduz gradualmente a jornada de 44 para 36 horas semanais, e a PEC 8\/2025, de Erika Hilton (Psol-SP), que prev\u00ea semana de quatro dias, tamb\u00e9m limitada a 36 horas.<\/p>\n<p>Em paralelo, h\u00e1 o Projeto de Lei (PL) 1838\/2026, enviado pelo governo, que prop\u00f5e jornada de 40 horas semanais e dois repousos semanais remunerados. O relator da comiss\u00e3o, Leo Prates (Republicanos-BA), afirmou que pretende apresentar uma vers\u00e3o inicial do parecer em 21 de maio e votar o texto na comiss\u00e3o nos dias 25 ou 26.<\/p>\n<p>O impacto direto seria sobre os trabalhadores formais. Mas, para os especialistas ouvidos pelo <strong>Brasil de Fato<\/strong>, a mudan\u00e7a pode irradiar efeitos para o restante do mercado, inclusive para os informais.<\/p>\n<p>Calvete chama esse processo de \u201cefeito farol\u201d. Assim como o sal\u00e1rio m\u00ednimo influencia rendimentos fora da CLT, a jornada do setor formal tamb\u00e9m pode servir de refer\u00eancia para ocupa\u00e7\u00f5es informais e aut\u00f4nomas.<\/p>\n<p>\u201cA gente fala muito no efeito farol do sal\u00e1rio m\u00ednimo. O setor informal tamb\u00e9m acaba pagando um sal\u00e1rio m\u00ednimo, ou as pessoas buscam, enquanto aut\u00f4nomos, pelo menos o sal\u00e1rio m\u00ednimo\u201d, afirma. \u201cO efeito farol vale para a jornada de trabalho tamb\u00e9m. Se tiver uma jornada de 40 horas no setor formal, ela vai influenciar numa redu\u00e7\u00e3o da jornada no setor informal.\u201d<\/p>\n<p>O primeiro efeito poss\u00edvel \u00e9 tornar o emprego formal novamente mais atraente para quem saiu dele. \u201cSe tu melhorares as condi\u00e7\u00f5es de trabalho no setor formal, as pessoas ainda preferem uma CLT, preferem ter f\u00e9rias, aposentadoria, licen\u00e7a sa\u00fade quando adoecem e uma garantia\u201d, diz Calvete.<\/p>\n<p>Para ela, ao fortalecer o trabalho celetista, a redu\u00e7\u00e3o da jornada tamb\u00e9m afeta o trabalho por plataformas, que se expande justamente em um ambiente de subemprego e informalidade. Um trabalhador de aplicativo que rejeita uma vaga em shopping por n\u00e3o querer trabalhar seis dias por semana pode reavaliar essa escolha se a jornada formal se tornar menos exaustiva.<\/p>\n<p>\u201cQuando esse trabalhador vai para as ruas protestar, ele est\u00e1 fortalecendo o trabalho celetista, que se torna mais atrativo. Ele est\u00e1 dizendo: \u2018eu preciso de dois dias para descansar\u2019. Ele est\u00e1 pedindo uma valoriza\u00e7\u00e3o do seu tempo de trabalho\u201d, afirma.<\/p>\n<p>Natalia Cindra faz avalia\u00e7\u00e3o parecida. \u201cUma escala 5 por 2 \u00e9 muito melhor do que a m\u00e9dia dos entregadores. Ent\u00e3o pode haver um reinteresse pelo trabalho formal, especialmente se melhorar a jornada.\u201d<\/p>\n<h4 class=\"wp-block-heading\">Quem mais pode ser impactado<\/h4>\n<p>Levantamento do Instituto de Pesquisa Econ\u00f4mica Aplicada (Ipea), publicado em fevereiro de 2026, mostra que os trabalhadores submetidos a jornadas mais longas s\u00e3o justamente os que recebem sal\u00e1rios menores. A remunera\u00e7\u00e3o mensal m\u00e9dia de v\u00ednculos de 40 horas semanais \u00e9 de R$ 6,2 mil. J\u00e1 entre os trabalhadores com jornada de 44 horas, a m\u00e9dia cai para cerca de R$ 2,6 mil. A remunera\u00e7\u00e3o por hora dos contratos de 44 horas corresponde a 38,5% daquela registrada entre contratos de 40 horas.<\/p>\n<p>\u201cQuem est\u00e1 em jornadas mais longas s\u00e3o os que ganham menos, s\u00e3o os que se inserem de forma mais prec\u00e1ria. S\u00e3o as pessoas que trabalham mais, ganham menos: jovens, mulheres e negros\u201d, enfatiza C\u00e1ssio Calvete em rela\u00e7\u00e3o aos grupos de trabalhadores que tendem a se beneficiar mais com o fim da escala 6\u00d71.<\/p>\n<p>De acordo com a Pesquisa Nacional por Amostra de Domic\u00edlios (Pnad), o contingente de 42,8 milh\u00f5es de trabalhadores informais \u00e9 formado por cerca de 27,1 milh\u00f5es de pessoas negras e 15,7 milh\u00f5es de pessoas brancas.<\/p>\n<p>No com\u00e9rcio, setor que est\u00e1 entre os mais afetados pela escala 6\u00d71, jovens de at\u00e9 29 anos representam 42,7% dos trabalhadores registrados, segundo dados da Rela\u00e7\u00e3o Anual de Informa\u00e7\u00f5es Sociais (Rais) de 2024 analisados por pesquisadores do tema.<\/p>\n<p>Para as mulheres, a equa\u00e7\u00e3o inclui ainda o trabalho dom\u00e9stico e de cuidado. Nat\u00e1lia Cindra lembra que a escala 6\u00d71 \u00e9 mais violenta para quem, al\u00e9m da jornada remunerada, assume a maior parte das tarefas dentro de casa. \u201cEssa jornada \u00e9 ainda mais violenta para as mulheres. Elas acumulam trabalho remunerado e n\u00e3o remunerado, o que torna a escala 6 por 1 ainda mais insustent\u00e1vel.\u201d<\/p>\n<p>Em 2024, de acordo com dados do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), houve um aumento de 68% nas licen\u00e7as por transtornos mentais em rela\u00e7\u00e3o ao ano anterior, superando a marca de 470 mil casos. Esse cen\u00e1rio \u00e9 ainda mais cr\u00edtico para as mulheres, que representam 64% dos pedidos de licen\u00e7a.<\/p>\n<h4 class=\"wp-block-heading\">Avan\u00e7os e limites<\/h4>\n<p>A aprova\u00e7\u00e3o do fim da escala 6\u00d71 n\u00e3o resolveria, sozinha, o quadro de precariza\u00e7\u00e3o. A regula\u00e7\u00e3o do trabalho por aplicativos segue em situa\u00e7\u00e3o oposta \u00e0 pauta da jornada formal. O Projeto de Lei Complementar (PLP) 152\/2025, que trata de motoristas e entregadores, est\u00e1 pronto para pauta em comiss\u00e3o especial, mas teve a vota\u00e7\u00e3o cancelada em 14 de abril e segue sem nova data.<\/p>\n<p>O impasse ocorre em torno de temas centrais: reconhecimento de v\u00ednculo empregat\u00edcio ou cria\u00e7\u00e3o de uma categoria aut\u00f4noma plataformizada, remunera\u00e7\u00e3o m\u00ednima, previd\u00eancia, transpar\u00eancia algor\u00edtmica, negocia\u00e7\u00e3o coletiva e defini\u00e7\u00e3o de quais tempos devem ser pagos, como tempo logado, tempo em corrida ou entrega e tempo \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Lideran\u00e7as da categoria afirmam que o texto pode legalizar a precariza\u00e7\u00e3o ao reconhecer o trabalhador como aut\u00f4nomo por plataforma, sem garantir direitos equivalentes aos da CLT. Calvete considera que a discuss\u00e3o sobre a escala pode ajudar a alterar a correla\u00e7\u00e3o de for\u00e7as desse debate. \u201cColocar essa discuss\u00e3o no centro do debate ajuda a iluminar a regulamenta\u00e7\u00e3o de outros setores. Mostra o qu\u00e3o absurdo \u00e9 trabalhadores em aplicativos poderem trabalhar sete dias por semana, 24 horas por dia.\u201d<\/p>\n<h4 class=\"wp-block-heading\">Uma nova disputa pelo tempo<\/h4>\n<p>Em um pa\u00eds polarizado pela pol\u00edtica, poucos temas s\u00e3o t\u00e3o un\u00e2nimes. <a href=\"https:\/\/www.brasildefato.com.br\/2026\/03\/15\/apoio-ao-fim-da-escala-6x1-chega-a-71-dos-brasileiros-aponta-datafolha\/\">Pesquisa Datafolha de mar\u00e7o deste ano<\/a>aponta que 71% dos brasileiros apoiam o fim da escala 6\u00d71. A ades\u00e3o ajuda a explicar por que a discuss\u00e3o avan\u00e7ou em ano eleitoral, mesmo diante de resist\u00eancia empresarial e de parte do Congresso.<\/p>\n<p>A mobiliza\u00e7\u00e3o come\u00e7ou fora das institui\u00e7\u00f5es, com o <a href=\"https:\/\/www.google.com\/url?sa=t&amp;source=web&amp;rct=j&amp;opi=89978449&amp;url=https:\/\/www.brasildefato.com.br\/2025\/09\/04\/vida-alem-do-trabalho-fim-da-escala-6x1-reacende-luta-historica-do-povo-brasileiro\/&amp;ved=2ahUKEwiNoqyk7paUAxW-r5UCHVvpMDIQFnoECCEQAQ&amp;usg=AOvVaw0NYhRZGrVv7ObdTcbVU8zZ\">Movimento Vida Al\u00e9m do Trabalho (VAT)<\/a>, ganhou ades\u00e3o nas redes e nas ruas, chegou ao Congresso por meio de propostas de emenda constitucional e agora se conecta a outras disputas abertas, como a regula\u00e7\u00e3o dos aplicativos e a revis\u00e3o de formas de contrata\u00e7\u00e3o criadas ou ampliadas nos \u00faltimos anos.<\/p>\n<p>Para Cindra, esse \u00e9 um dos efeitos pol\u00edticos mais relevantes da pauta. \u201cA pauta colocou as condi\u00e7\u00f5es de trabalho na ordem do dia. Isso pode abrir espa\u00e7o para outras disputas e novos avan\u00e7os nos direitos trabalhistas.\u201d<\/p>\n<p>Laura Gontijo avalia que a redu\u00e7\u00e3o para pelo menos 40 horas semanais, sem redu\u00e7\u00e3o salarial, j\u00e1 representaria um ganho expressivo. \u201cSe reduzisse para pelo menos 40 horas semanais, sem redu\u00e7\u00e3o de sal\u00e1rio, isso representaria um ganho enorme na vida das pessoas. Os trabalhadores t\u00eam uma vida muito dura no Brasil. As jornadas s\u00e3o muito extensas.\u201d<\/p>\n<p>A pesquisadora lembra que, em muitos casos, o tempo de deslocamento amplia ainda mais a jornada real. \u201cO trabalhador brasileiro trabalha demais. Isso sem contar o tempo de deslocamento, porque essas jornadas s\u00e3o maiores se a gente contar tr\u00eas, quatro horas de deslocamento. O trabalhador merece ter pelo menos dois dias de descanso.\u201d<\/p>\n<div id=\"bdf-1822904941\" class=\"bdf-fim-do-conteudo bdf-entity-placement\">\n<div id=\"bdf-1943235108\" class=\"bdf-target bdf-target\" data-bdf-trackid=\"878911\" data-bdf-trackbid=\"1\">\n<div id=\"div-gpt-ad-artigos-leaderboard_content_end\" class=\"ad-slot\"><\/div>\n<div id=\"div-gpt-ad-artigos-mobile_rectangle_bottom\" class=\"ad-slot\"><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"elementor-element elementor-element-6950de8 elementor-widget elementor-widget-text-editor\" data-id=\"6950de8\" data-element_type=\"widget\" data-e-type=\"widget\" data-widget_type=\"text-editor.default\">\n<div class=\"elementor-widget-container\">Editado por: Tha\u00eds Ferraz<\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Avan\u00e7o na jornada formal reacende disputa por direitos no Brasil e pode impactar trabalhadores fora da CLT<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_exactmetrics_skip_tracking":false,"_exactmetrics_sitenote_active":false,"_exactmetrics_sitenote_note":"","_exactmetrics_sitenote_category":0,"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","enabled":false},"version":2}},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-38825","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-notas"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p7wKYW-a6d","jetpack-related-posts":[],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/38825","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=38825"}],"version-history":[{"count":1,"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/38825\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":38827,"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/38825\/revisions\/38827"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=38825"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=38825"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=38825"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}