{"id":39277,"date":"2026-10-20T17:41:58","date_gmt":"2026-10-20T21:41:58","guid":{"rendered":"https:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/?p=39277"},"modified":"2026-10-20T17:41:58","modified_gmt":"2026-10-20T21:41:58","slug":"queda-de-desmatamento-no-brasil-gera-r-116-trilhao-a-economia-global","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/2026\/10\/20\/queda-de-desmatamento-no-brasil-gera-r-116-trilhao-a-economia-global\/","title":{"rendered":"Queda de desmatamento no Brasil gera R$ 1,16 trilh\u00e3o \u00e0 economia global"},"content":{"rendered":"<p><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" data-attachment-id=\"39278\" data-permalink=\"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/2026\/10\/20\/queda-de-desmatamento-no-brasil-gera-r-116-trilhao-a-economia-global\/img_8448-2\/\" data-orig-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/IMG_8448.jpeg?fit=1170%2C700\" data-orig-size=\"1170,700\" data-comments-opened=\"0\" data-image-meta=\"{&quot;aperture&quot;:&quot;0&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;0&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;0&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;0&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0&quot;,&quot;title&quot;:&quot;&quot;,&quot;orientation&quot;:&quot;0&quot;,&quot;alt&quot;:&quot;&quot;}\" data-image-title=\"IMG_8448\" data-image-description=\"\" data-image-caption=\"\" data-medium-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/IMG_8448.jpeg?fit=300%2C179\" data-large-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/IMG_8448.jpeg?fit=600%2C359\" class=\"size-medium wp-image-39278 aligncenter\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/IMG_8448.jpeg?resize=300%2C179\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"179\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/IMG_8448.jpeg?resize=300%2C179 300w, https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/IMG_8448.jpeg?resize=1024%2C613 1024w, https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/IMG_8448.jpeg?resize=768%2C459 768w, https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/IMG_8448.jpeg?resize=501%2C300 501w, https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/IMG_8448.jpeg?w=1170 1170w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/p>\n<p><strong>Ag\u00eancia Brasil &#8211; A redu\u00e7\u00e3o do desmatamento na Amaz\u00f4nia brasileira e no Cerrado desde 2023 pode ter rendido ganhos de cerca de R$ 1,16 trilh\u00e3o para a economia mundial. <\/strong>Desse total, at\u00e9 R$ 192 bilh\u00f5es corresponderiam a danos clim\u00e1ticos evitados para a pr\u00f3pria economia brasileira.<img data-recalc-dims=\"1\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/agenciabrasil.ebc.com.br\/ebc.png?w=600&#038;ssl=1\" \/><img data-recalc-dims=\"1\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/agenciabrasil.ebc.com.br\/ebc.gif?w=600&#038;ssl=1\" \/><!--more--><\/p>\n<p>A constata\u00e7\u00e3o faz parte de um <a href=\"https:\/\/blogdoibre.fgv.br\/sites\/blogdoibre.fgv.br\/files\/u139\/crescimento_do_ganhos_globais_e_locais_da_queda_do_desmatamento_no_brasil.pdf\">estudo do economista Br\u00e1ulio Borges<\/a>, publicado esta semana pelo Instituto Brasileiro de Economia (Ibre), um <em>think tank <\/em>(centro de estudos) da Funda\u00e7\u00e3o Getulio Vargas (FGV).<\/p>\n<p>Para chegar \u00e0 conclus\u00e3o, o especialista comparou o desmatamento dos dois biomas no per\u00edodo de 2019 a 2022 e os comparou com os de 2023 a 2026.<\/p>\n<p>A an\u00e1lise j\u00e1 leva em conta <a href=\"https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/meio-ambiente\/noticia\/2026-10\/desmatamento-caiu-418-na-amazonia-e-238-no-cerrado-em-um-ano\">os dados divulgados na \u00faltima sexta-feira<\/a> (16) pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), \u00f3rg\u00e3o vinculado ao Minist\u00e9rio da Ci\u00eancia, Tecnologia e Inova\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>De acordo com o Inpe, de agosto de 2025 a julho de 2026, o desmatamento caiu 41,8% na Amaz\u00f4nia e 23,8% no Cerrado.\u00a0A \u00e1rea desmatada na Amaz\u00f4nia ficou em 3.335 km\u00b2, a menor desde 1998. No Cerrado, os 5.516,69 km\u00b2 representam a menor extens\u00e3o desde 2001.<\/p>\n<p>O estudo revela que, de 2019 a 2022, a \u00e1rea desmatada nos dois biomas chegou a 78,9 mil km\u00b2. J\u00e1 de 2023 a 2026, 56,7 mil km\u00b2. O dado representa que cerca de 22,3 mil km\u00b2 (21 mil km\u00b2 na Amaz\u00f4nia e 1,4 mil km\u00b2 no Cerrado) deixaram de ser desmatados, uma \u00e1rea um pouco maior que Sergipe (21,9 mil km\u00b2).<\/p>\n<p>O pesquisador explica que a compara\u00e7\u00e3o \u00e9 feita como se o n\u00edvel de desmatamento dos quatro anos anteriores fosse mantido no mesmo ritmo.<\/p>\n<p>Ele ainda esclarece que os dados do Inpe consideram os per\u00edodos de 12 meses terminados sempre em julho.<\/p>\n<p>H\u00e1 cerca de quatro anos, um levantamento semelhante de autoria dele revelou que o \u201cforte aumento\u201d dos desmatamentos e das emiss\u00f5es de GEE em 2019-22, comparativamente \u00e0 extrapola\u00e7\u00e3o do n\u00edvel observado em 2018, havia gerado um preju\u00edzo para a economia mundial da ordem de R$ 1,22 trilh\u00e3o (a pre\u00e7os daquele momento).<\/p>\n<h2>Emiss\u00e3o de gases<\/h2>\n<p>Br\u00e1ulio Borges utilizou modelos para estimar a emiss\u00e3o de gases do efeito estufa (GEE) no per\u00edodo e o valor monet\u00e1rio dos danos causados.<\/p>\n<p><strong>Os c\u00e1lculos apontaram que a redu\u00e7\u00e3o do desmatamento evitou 1,49 bilh\u00e3o de toneladas de emiss\u00f5es de GEE no per\u00edodo de 2023 a 2026.<\/strong><\/p>\n<p>Os GEE, entre eles o di\u00f3xido de carbono (CO\u2082), conhecido como g\u00e1s carb\u00f4nico, s\u00e3o liberados durante queimadas, contribuindo para o aquecimento global e as mudan\u00e7as clim\u00e1ticas. Florestas em p\u00e9 funcionam como reservat\u00f3rios de carbono, armazenado na vegeta\u00e7\u00e3o e nos solos.<\/p>\n<p>O levantamento utiliza uma estimativa chamada Custo Social do Carbono (CSC), uma forma de calcular em valores monet\u00e1rios o impacto negativo das emiss\u00f5es.<\/p>\n<p>Com base em estudos de outros autores, o pesquisador do Ibre chegou \u00e0 m\u00e9dia ponderada de um CSC de US$ 145 por tonelada de CO\u2082, no chamado cen\u00e1rio central.<\/p>\n<h2>Valor dos danos evitados<\/h2>\n<p><strong>Br\u00e1ulio Borges utilizou os dados de \u00e1rea que deixou de ser desmatada e CSC para estimar que a floresta em p\u00e9 gerou R$ 1,16 trilh\u00e3o em valor econ\u00f4mico dos danos clim\u00e1ticos globais que teriam sido evitados.<\/strong><\/p>\n<p>Uma estimativa mais conservadora aponta que esse benef\u00edcio seria de R$ 621 bilh\u00e3o, enquanto o cen\u00e1rio mais otimista leva a cifra a R$ 9,8 trilh\u00f5es.<\/p>\n<p>Trazendo os n\u00fameros para o Brasil, o estudo projeta benef\u00edcios de R$ 67 bilh\u00f5es a R$ 192 bilh\u00f5es.<\/p>\n<blockquote><p>\u201cEm ambos os casos, trata-se de um benef\u00edcio que se materializa majoritariamente sob a forma de danos evitados, menos perdas de safras, menor estresse t\u00e9rmico sobre a produtividade do trabalho, menos eventos extremos, entre outros\u201d, descreve o economista.<\/p><\/blockquote>\n<h2>Rios voadores<\/h2>\n<p><strong>O pesquisador acrescenta que a estimativa n\u00e3o incorpora os efeitos diretos e regionais que o desmatamento da Amaz\u00f4nia exerce sobre o regime de chuvas, a temperatura e a disponibilidade de \u00e1gua no territ\u00f3rio brasileiro.<\/strong><\/p>\n<p>O analista contextualiza que a economia brasileira tem \u201cenorme depend\u00eancia\u201d do insumo \u00e1gua\/chuvas para gera\u00e7\u00e3o hidrel\u00e9trica, agropecu\u00e1ria, abastecimento urbano etc.<\/p>\n<p>Ele se utiliza de diversos estudos para assinalar valores aos chamados \u201crios voadores\u201d, as correntes de umidade que, alimentadas pela evapotranspira\u00e7\u00e3o da floresta, transportam vapor d\u2019\u00e1gua para o Centro-Oeste, o Sudeste e o Sul do pa\u00eds\u201d.<\/p>\n<p>H\u00e1 pesquisas, cita o estudo, que fazem rela\u00e7\u00e3o entre aumento de desmatamento e diminui\u00e7\u00e3o de chuvas proporcionadas pelos rios voadores.<\/p>\n<blockquote><p>\u201cValorando essa \u00e1gua pelo pre\u00e7o da \u00e1gua utilizada para irriga\u00e7\u00e3o na agricultura, os autores estimam que a chuva gerada pela Amaz\u00f4nia brasileira vale cerca de US$ 20 bilh\u00f5es por ano, ou aproximadamente US$ 60 por hectare de floresta ao ano\u201d, conclui Borges.<\/p><\/blockquote>\n<p>\u201cA redu\u00e7\u00e3o dos desmatamentos n\u00e3o \u00e9 incompat\u00edvel com a expans\u00e3o da produ\u00e7\u00e3o agropecu\u00e1ria, at\u00e9 porque, o pr\u00f3prio agroneg\u00f3cio \u00e9 um dos principais benefici\u00e1rios da chuva gerada pela floresta\u201d, observa.<\/p>\n<p>Borges ressalta que, diferentemente das emiss\u00f5es de GEE evitadas, o ganho capturado pelos rios voadores \u00e9 constante, se repete indefinidamente enquanto a floresta permanecer em p\u00e9.<\/p>\n<p>O economista pondera que os benef\u00edcios s\u00e3o ainda maiores, uma vez que n\u00e3o entram no c\u00e1lculo os ganhos para a gera\u00e7\u00e3o hidrel\u00e9trica, a navega\u00e7\u00e3o fluvial, a redu\u00e7\u00e3o dos inc\u00eandios, a biodiversidade e o abastecimento urbano.<\/p>\n<p>\u201cO Sistema Cantareira, em S\u00e3o Paulo, est\u00e1 na rota dos rios voadores\u201d, lembra.<\/p>\n<h2>Sem remunera\u00e7\u00e3o<\/h2>\n<p><strong>Br\u00e1ulio Borges conclui que os benef\u00edcios globais gerados pelo fato de as florestas permanecerem em p\u00e9 no Brasil s\u00e3o maiores que a remunera\u00e7\u00e3o que o pa\u00eds recebe de entidades internacionais e outros pa\u00edses.<\/strong><\/p>\n<p>Segundo ele, mecanismos como o Fundo Amaz\u00f4nia (que recebe doa\u00e7\u00f5es de dentro e de fora do pa\u00eds), o mercado de cr\u00e9dito de carbono (compensa\u00e7\u00e3o financeira para quem n\u00e3o emite ou captura GEE) e o Fundo Florestas Tropicais para Sempre (TFFF), <a href=\"https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/meio-ambiente\/noticia\/2026-03\/relatorio-da-cop30-consolida-56-decisoes-e-mira-implementacao-global\">lan\u00e7ado pelo Brasil na COP30<\/a>, em Bel\u00e9m, no ano passado, v\u00e3o na dire\u00e7\u00e3o correta de monetizar a floresta em p\u00e9.<\/p>\n<p>\u201cMas os valores envolvidos ainda s\u00e3o uma fra\u00e7\u00e3o muito pequena dos ganhos estimados aqui\u201d, pondera.<\/p>\n<h2>Sugest\u00e3o<\/h2>\n<p>O economista sugere que formuladores de pol\u00edticas p\u00fablicas passem a incorporar explicitamente o conceito de Custo Social do Carbono nas an\u00e1lises de custo-benef\u00edcio de pol\u00edticas.<\/p>\n<p>\u201cIsso vale para obras de infraestrutura na Amaz\u00f4nia, para o planejamento da expans\u00e3o do setor el\u00e9trico e para a calibra\u00e7\u00e3o de tributos e subs\u00eddios. Sem isso, continuaremos tomando decis\u00f5es com base em uma contabilidade que enxerga apenas metade do balan\u00e7o\u201d, diz.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ag\u00eancia Brasil &#8211; A redu\u00e7\u00e3o do desmatamento na Amaz\u00f4nia brasileira e no Cerrado desde 2023 pode ter rendido ganhos de cerca de R$ 1,16 trilh\u00e3o para a economia mundial. 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