{"id":4098,"date":"2016-09-19T12:47:06","date_gmt":"2016-09-19T16:47:06","guid":{"rendered":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/?p=4098"},"modified":"2016-09-19T12:47:06","modified_gmt":"2016-09-19T16:47:06","slug":"macri-traz-de-novo-o-fmi-a-argentina","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/2016\/09\/19\/macri-traz-de-novo-o-fmi-a-argentina\/","title":{"rendered":"Macri traz de novo o FMI \u00e0 Argentina"},"content":{"rendered":"<p><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" data-attachment-id=\"4099\" data-permalink=\"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/2016\/09\/19\/macri-traz-de-novo-o-fmi-a-argentina\/macri-1\/\" data-orig-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2016\/09\/macri-1.jpg?fit=664%2C400\" data-orig-size=\"664,400\" data-comments-opened=\"0\" data-image-meta=\"{&quot;aperture&quot;:&quot;0&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;0&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;0&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;0&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0&quot;,&quot;title&quot;:&quot;&quot;,&quot;orientation&quot;:&quot;0&quot;}\" data-image-title=\"macri-1\" data-image-description=\"\" data-image-caption=\"\" data-medium-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2016\/09\/macri-1.jpg?fit=300%2C181\" data-large-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2016\/09\/macri-1.jpg?fit=600%2C361\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2016\/09\/macri-1.jpg?resize=600%2C361\" alt=\"macri-1\" width=\"600\" height=\"361\" class=\"alignnone size-full wp-image-4099\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2016\/09\/macri-1.jpg?w=664 664w, https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2016\/09\/macri-1.jpg?resize=300%2C181 300w, https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2016\/09\/macri-1.jpg?resize=498%2C300 498w\" sizes=\"auto, (max-width: 600px) 100vw, 600px\" \/><\/p>\n<p>No Brasil 247<\/p>\n<p>Por Emir Sader<\/p>\n<p>Depois de 10 anos, uma miss\u00e3o do FMI volta a trabalhar hoje na Argentina, auditando as contas do pa\u00eds. O grupo se reunir\u00e1 com funcion\u00e1rios do governo, com economistas, com banqueiros, para elaborar seu diagn\u00f3stico sobre a economia argentina.<!--more--><\/p>\n<p>Em base a esse diagnostico, recomendar\u00e3o as receitas do FMI, que a Argentina ja conhece, porque foram as que levaram o pais \u00e0 pior crise da sua historia, em 2001-2002. Para tentar acalmar os \u00e2nimos, o Ministerio da Fazenda argentino disse que as recomenda\u00e7\u00f5es n\u00e3o s\u00e3o obrigat\u00f3rias, mas sabe-se que s\u00e3o condi\u00e7\u00f5es indispens\u00e1veis para que a Argentina receba os empr\u00e9stimos que voltou a pedir ao FMI. Se trata das tristemente famosas \u201cCartas de inten\u00e7\u00e3o\u201d, cujos termos ser\u00e3o levados pela diretora geral do Fundo, Christine Lagard ao diret\u00f3rio executivo do FMI.<\/p>\n<p>A Argentina havia terminado com essas auditorias em 2006, quando o ent\u00e3o presidente Nestor Kirchner pagou em efetivo a divida restante de quase 10 bilh\u00f5es de d\u00f3lares, na busca de autonomia para definir as pol\u00edticas economias do pais. Seu governo havia recebido uma d\u00edvida monstruosa da pol\u00edtica de paridade ca moeda argentina com o d\u00f3lar, que vinha do governo de Carlos Menem e havia sido mantida por Fernando de la Rua, at\u00e9 que essa pol\u00edtica explodiu na pior crise da historia argentina.<\/p>\n<p>Nestor Kirchner conseguiu renegociar a d\u00edvida, oferendo cerca de 25% do valor dos pap\u00e9is. 93% dos credores aceitaram e a Argentina p\u00f4de assim redefinir os termos da d\u00edvida e pag\u00e1-la. Por\u00e9m, j\u00e1 no segundo governo de Cristina Kirchner, um juiz norteamericano processou a Argentina, tratando-a de impedir que seguissem pagando aos 93%, caso n\u00e3o pagasse, na sua totalidade, a d\u00edvida com os 7% restantes. O Judici\u00e1rio dos EUA deu ganho de causa a esse n\u00facleo minorit\u00e1rio, que usualmente deveria estar obrigado a aceitar os termos que a grande maioria dos credores havia aceito. Uma clausula da renegocia\u00e7\u00e3o impedia que o governo argentino pagasse aos que n\u00e3o haviam aceito os termos da redu\u00e7\u00e3o, caso contr\u00e1rio teria que pagar esse montante \u00e0 totalidade dos credores.<\/p>\n<p>Macri herda o impasse e n\u00e3o vacila: desembolsa a totalidade do que a Argentina deve, em condi\u00e7\u00f5es ainda piores para o pa\u00eds do que a decis\u00e3o do juiz norteamericano. Com o que, \u00e0 falta de divisas para esse pagamento, a Argentina pede novo empr\u00e9stimo para o FMI e recome\u00e7a o espiral de endividamento da qual o pais havia conseguido sair com os governos dos Kirchner.<\/p>\n<p>A nova miss\u00e3o publicar\u00e1 suas conclus\u00f5es, uma vez aprovadas pela diretoria do FMI e se transformar\u00e3o em condi\u00e7\u00e3o para que os novos empr\u00e9stimos, a juros altos, sejam liberados para a Argentina, de novo cliente do Fundo. A partir dessa libera\u00e7\u00e3o e da submiss\u00e3o da Carta de Intencao do FMI, o pais passar\u00e1 a receber regularmente a visita de miss\u00f5es do Fundo, que controlar\u00e3o se os duros termos do ajuste fiscal est\u00e3o sendo colocados em pratica, como condi\u00e7\u00e3o para que as parcelas seguintes do empr\u00e9stimos sejam liberadas.<\/p>\n<p>De fato, a pol\u00edtica do FMI orienta j\u00e1, desde os primeiros dias, o governo de Mauricio Macri. Por\u00e9m, o governo trope\u00e7ou no Judici\u00e1rio em uma de suas decis\u00f5es mais polemicas, a do t\u00e9rmino dos subs\u00eddios ao consumo do g\u00e1s, ponto que certamente ser\u00e1 um tema central da Carta do FMI, que recha\u00e7a sempre subs\u00eddios estatais, especialmente para o consumo da popula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Os empr\u00e9stimos do FMI ser\u00e3o assim mais um freio a uma economia em forte processo recessivo, desde a posse de Macri, com eleva\u00e7\u00e3o acelerada do desemprego e de perda do poder aquisitivo dos sal\u00e1rios. Nos anos 1980 e 1990, se falara do \u201cefeito Orloff\u201d, para afirmar que \u201cn\u00f3s somos voc\u00eas amanh\u00e3\u201d, quase como um destino comum obrigat\u00f3rio para todos os governos que se submetem ao FMI. As pol\u00edticas do governo Temer caminham na mesma dire\u00e7\u00e3o. O Brasil, que conseguiu sair do endividamento com o FMI e do pr\u00f3prio Mapa da Fome, corre agora o grave risco de voltar \u00e0 mesma ressaca intermin\u00e1vel dos empr\u00e9stimos cada vez mais caros e com pre\u00e7os econ\u00f4micos e sociais cada vez mais pesados para nossas economias, que a submiss\u00e3o ao FMI implica.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>No Brasil 247 Por Emir Sader Depois de 10 anos, uma miss\u00e3o do FMI volta a trabalhar hoje na Argentina, auditando as contas do pa\u00eds. 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