{"id":6582,"date":"2016-12-05T13:24:59","date_gmt":"2016-12-05T17:24:59","guid":{"rendered":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/?p=6582"},"modified":"2016-12-05T16:08:50","modified_gmt":"2016-12-05T20:08:50","slug":"tenho-que-fazer-um-mea-culpa-eu-nao-esperava-por-isso-achava-que-a-ditadura-tinha-ensinado-a-esquerda-e-a-direita","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/2016\/12\/05\/tenho-que-fazer-um-mea-culpa-eu-nao-esperava-por-isso-achava-que-a-ditadura-tinha-ensinado-a-esquerda-e-a-direita\/","title":{"rendered":"\u201cTenho que fazer um mea culpa. Eu n\u00e3o esperava por isso. Achava que a ditadura tinha ensinado a esquerda e a direita\u201d"},"content":{"rendered":"<p><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" data-attachment-id=\"6583\" data-permalink=\"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/2016\/12\/05\/tenho-que-fazer-um-mea-culpa-eu-nao-esperava-por-isso-achava-que-a-ditadura-tinha-ensinado-a-esquerda-e-a-direita\/martins\/\" data-orig-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2016\/12\/martins.jpeg?fit=635%2C481\" data-orig-size=\"635,481\" data-comments-opened=\"0\" data-image-meta=\"{&quot;aperture&quot;:&quot;0&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;0&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;0&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;0&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0&quot;,&quot;title&quot;:&quot;&quot;,&quot;orientation&quot;:&quot;0&quot;}\" data-image-title=\"martins\" data-image-description=\"\" data-image-caption=\"\" data-medium-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2016\/12\/martins.jpeg?fit=300%2C227\" data-large-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2016\/12\/martins.jpeg?fit=600%2C454\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2016\/12\/martins.jpeg?resize=600%2C454\" alt=\"martins\" width=\"600\" height=\"454\" class=\"alignnone size-full wp-image-6583\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2016\/12\/martins.jpeg?w=635 635w, https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2016\/12\/martins.jpeg?resize=300%2C227 300w, https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2016\/12\/martins.jpeg?resize=396%2C300 396w\" sizes=\"auto, (max-width: 600px) 100vw, 600px\" \/><\/p>\n<p>Franklin Martins: \u201cGolpe de 2016 n\u00e3o foi dado contra uma expectativa de mudan\u00e7a, mas sim contra a experi\u00eancia da mudan\u00e7a\u201d<!--more--><\/p>\n<p>(foto:Mastrangelo Reino &#8211; 27.jun.2011\/Folhapress)<\/p>\n<p>\u201cTenho que fazer um mea culpa. Eu n\u00e3o esperava por isso. Achava que a ditadura tinha ensinado a esquerda e a direita\u201d. Em entrevista, jornalista Franklin Martins fala sobre a crise no Governo Temer que deflagrou uma briga entre legislativo e judici\u00e1rio. Para ele, golpe de 64 n\u00e3o serviu como aprendizado.<\/p>\n<p>No Sul 21<\/p>\n<p>\u201cJ\u00e1 estamos vivendo uma depress\u00e3o. Caminhamos para uma convuls\u00e3o social no pa\u00eds\u201d<\/p>\n<p>Por Marco Weissheimer<\/p>\n<p>Em 1964, Franklin Martins tinha 15 anos de idade quando o golpe civil-militar contra o governo de Jo\u00e3o Goulart virou sua vida ao avesso. Militante do movimento estudantil e rep\u00f3rter iniciante na ag\u00eancia de not\u00edcias Interpress, foi se envolvendo cada vez mais na luta de resist\u00eancia contra a ditadura que teve um de seus \u00e1pices em 1969 quando integrou o grupo, formado por militantes da A\u00e7\u00e3o Libertadora Nacional e do Movimento Revolucion\u00e1rio 8 de Outubro, que seq\u00fcestrou o embaixador americano Charles B. Elbrick para for\u00e7ar o governo militar a libertar 15 presos pol\u00edticos. A partir dessa a\u00e7\u00e3o teve que sair do pa\u00eds. Viveu em Cuba, no Chile, chegou a retornar ao Brasil mas, em 1974, teve que sair mais uma vez, indo para a Fran\u00e7a. S\u00f3 voltou em 1977, quando a ditadura come\u00e7ava a dar sinais de exaust\u00e3o.<\/p>\n<p>Ap\u00f3s tornar-se um dos principais jornalistas pol\u00edticos do pa\u00eds e ser ministro-chefe da Secretaria de Comunica\u00e7\u00e3o Social do governo Lula, Franklin Martins n\u00e3o imaginava que, 52 anos depois, viveria de novo a experi\u00eancia de um golpe. \u201cTenho que fazer um mea culpa. Eu n\u00e3o esperava por isso. Achava que a ditadura tinha ensinado a esquerda e a direita. Nos \u00faltimos meses fui obrigado a repensar muitas coisas. A elite brasileira despreza a democracia. \u00c9 um grupo de predadores. A nossa elite, na verdade, n\u00e3o \u00e9 uma elite\u201d, diz o jornalista que esteve em Porto Alegre na \u00faltima quinta-feira para participar de um debate sobre Comunica\u00e7\u00e3o, Resist\u00eancia e Democracia, promovido pela Central \u00danica dos Trabalhadores (CUT) e outras entidades sindicais.<\/p>\n<p>Em entrevista ao Sul21, Franklin Martins fala sobre a experi\u00eancia de ter vivido dois golpes, aponta as diferen\u00e7as entre os dois processos hist\u00f3ricos, critica a agenda regressiva do governo Temer que vem desmontando de modo acelerado as conquistas sociais dos \u00faltimos doze anos e alerta para o momento perigoso que o Brasil est\u00e1 vivendo. \u201cN\u00f3s j\u00e1 estamos vivendo uma depress\u00e3o. A economia caiu cerca de 5% nos \u00faltimos dois anos. E n\u00e3o h\u00e1 nenhuma perspectiva de melhora. Para o ano que vem, as estimativas falam de -1%. O clima que est\u00e1 se alastrando no pa\u00eds \u00e9 muito negativo. N\u00f3s estamos caminhando para uma convuls\u00e3o social no pa\u00eds. Estamos vivendo uma situa\u00e7\u00e3o dram\u00e1tica por absoluta irresponsabilidade das for\u00e7as conservadoras no Brasil\u201d.<\/p>\n<p>Sul21: No debate realizado pela CUT na Assembleia Legislativa, voc\u00ea mencionou o fato de j\u00e1 ter experimentado dois golpes de Estado, o de 1964, quando tinha 15 anos, e agora o golpe parlamentar contra a presidenta Dilma Rousseff? Quais s\u00e3o as semelhan\u00e7as e diferen\u00e7as entre esses dois momentos hist\u00f3ricos? <\/p>\n<p>Franklin Martins: N\u00f3s temos uma tend\u00eancia de analisar os fen\u00f4menos pol\u00edticos a partir da bagagem que a gente traz na vida. Assim, h\u00e1 uma tend\u00eancia normal de associar o golpe atual com o golpe de 1964. De certo modo, isso est\u00e1 resumido naquela express\u00e3o do Chico (Buarque de Hollanda): \u201cGolpe de novo, n\u00e3o!\u201d. Na verdade, s\u00e3o duas coisas diferentes. Os dois s\u00e3o golpes de Estado, s\u00e3o atentados \u00e0 democracia que, por mecanismos diferentes, dep\u00f5em presidentes constitucionais. Os dois investem contra direitos dos trabalhadores e tem projetos de uma inser\u00e7\u00e3o subserviente e submissa no capitalismo internacional. Mas as diferen\u00e7as s\u00e3o grandes.<\/p>\n<p>O golpe de 64 foi dado contra um movimento crescente que tinha uma enorme expectativa de mudan\u00e7a. \u00c9 o per\u00edodo das lutas pelas reformas de base, dos anos dourados, do nacionalismo, industrializa\u00e7\u00e3o, urbaniza\u00e7\u00e3o, da luta pela reforma agr\u00e1ria, da vit\u00f3ria da Revolu\u00e7\u00e3o Cubana, da ascens\u00e3o da luta pelos direitos civis nos Estados Unidos. Vivia-se um ambiente de grande expectativa de mudan\u00e7as no mundo e tamb\u00e9m aqui no Brasil, com uma mobiliza\u00e7\u00e3o que ainda n\u00e3o tinha sido vista na hist\u00f3ria do pa\u00eds. O golpe foi dado contra essa expectativa de mudan\u00e7a. O golpe de 2016, por sua vez, n\u00e3o foi dado contra uma expectativa de mudan\u00e7a, mas sim contra a experi\u00eancia da mudan\u00e7a. Nos \u00faltimos doze anos, o povo brasileiro experimentou um processo extraordinariamente amplo e profundo de mudan\u00e7as que tirou 40 milh\u00f5es da pobreza, que mostrou que era poss\u00edvel governar o pa\u00eds para a maioria das pessoas.<\/p>\n<p>Neste per\u00edodo de doze anos, houve uma explos\u00e3o de acesso \u00e0 educa\u00e7\u00e3o, \u00e0 sa\u00fade, \u00e0 luz el\u00e9trica, de redu\u00e7\u00e3o das desigualdades regionais, de crescimento do Nordeste a taxas superiores a das demais regi\u00f5es do pa\u00eds, fatos que acabaram constituindo um leque extraordin\u00e1rio de mudan\u00e7as. Tivemos ainda a pol\u00edtica das cotas raciais que propiciou um aumento da presen\u00e7a de negros, \u00edndios e pobres na universidade, entre outros programas que trouxeram grandes transforma\u00e7\u00f5es. Ent\u00e3o, o golpe n\u00e3o foi dado contra expectativas de mudan\u00e7as. As pessoas experimentaram a mudan\u00e7a e isso, de certa forma, desnaturalizou o discurso das for\u00e7as conservadoras no Brasil cuja ess\u00eancia \u00e9 naturalizar a opress\u00e3o. A ess\u00eancia desse discurso \u00e9 mais ou menos a seguinte: eu at\u00e9 gostaria de governar para todo o pa\u00eds, mas n\u00e3o d\u00e1; ent\u00e3o eu fa\u00e7o o que eu posso. Quanto aos outros dois ter\u00e7os da popula\u00e7\u00e3o, eu lamento, mas n\u00e3o tenho o que fazer.<\/p>\n<p>O que a experi\u00eancia dos \u00faltimos doze anos mostrou \u00e9 que o povo n\u00e3o s\u00f3 cabe no Brasil, como n\u00e3o \u00e9 um peso, um estorvo, algo que precisa ser carregado. Pelo contr\u00e1rio, o povo \u00e9 um patrim\u00f4nio e se tiver oportunidade tem uma energia produtiva e criativa extraordin\u00e1ria. Propiciar essa oportunidade \u00e9 uma condi\u00e7\u00e3o sine qua non para o Brasil crescer, deixar de ser injusto internamente e se tornar um pa\u00eds importante no mundo. Eu acho que as pessoas tiveram essa experi\u00eancia. Isso significa que o golpe n\u00e3o foi contra o que poderia ser, mas sim contra o que foi e n\u00f3s perdemos.<\/p>\n<p>Acredito que a principal fonte de energia pol\u00edtica em uma sociedade \u00e9 a experi\u00eancia das pessoas. Milh\u00f5es de pessoas tiveram a experi\u00eancia de que \u00e9 poss\u00edvel mudar em um ambiente democr\u00e1tico, sem confronta\u00e7\u00f5es sociais. Hoje em dia vejo muitas pessoas dizendo que a experi\u00eancia mostra que \u00e9 preciso ter uma revolu\u00e7\u00e3o, destruir as institui\u00e7\u00f5es e reprimir o outro lado para poder conquistar alguma coisa. Acho que \u00e9 o contr\u00e1rio. A experi\u00eancia mostrou que com compet\u00eancia, habilidade, firmeza e um norte pol\u00edtico claro \u00e9 poss\u00edvel ter essas conquistas sem rupturas violentas ou esmagamento de setores da sociedade.<\/p>\n<p>A segunda grande diferen\u00e7a entre 2016 e 1964 \u00e9 que o golpe de 64 foi estrategicamente concebido e acumulado. Ele come\u00e7a, na verdade, com a tentativa de deposi\u00e7\u00e3o de Get\u00falio, em 1954, volta a carga com a tentativa de impedir a posse de JK em 1955, o que se repete com Jo\u00e3o Goulart em 1961 e, finalmente, se consuma em 1964. Durante dez anos, o Estado Maior das For\u00e7as Armadas fez movimentos para tomar o comando da cena pol\u00edtica. Eles tinham um projeto que consistia em manter uma inser\u00e7\u00e3o submissa do pa\u00eds no cen\u00e1rio internacional, interromper qualquer reforma de base e organizar a economia de forma a criar grandes grupos econ\u00f4micos que consolidassem a sua a\u00e7\u00e3o ao pre\u00e7o de um arrocho brutal. Eles tinham um projeto, um n\u00facleo de comando e estavam dispostos a aniquilar qualquer rea\u00e7\u00e3o. Quem n\u00e3o entendeu isso, como Magalh\u00e3es Pinto, Carlos Lacerda, Ademar e o pr\u00f3prio Juscelino, que acharam que um ano depois teria elei\u00e7\u00f5es, foram percebendo depois que n\u00e3o era nada daquilo.<\/p>\n<p>Sul21: E quais s\u00e3o, na sua avalia\u00e7\u00e3o, os tra\u00e7os caracter\u00edsticos de golpe de 2016 que se diferenciam deste padr\u00e3o de 1964?<\/p>\n<p>Franklin Martins: O que aconteceu agora foi um golpe de oportunidade. As for\u00e7as conservadoras conseguiram atrair for\u00e7as do centro da sociedade e perceberam que estava diante de uma oportunidade \u00fanica para interromper o processo de mudan\u00e7as iniciado h\u00e1 doze anos. Inclua-se neste grupo de for\u00e7as setores do Judici\u00e1rio, do Minist\u00e9rio P\u00fablico, da Policia Federal e da Receita Federal, todas carreiras que ganham muito bem, a m\u00eddia, grandes grupos empresariais, especialmente o setor financeiro, e um grupo de partidos comandado pelo PSDB e PMDB. Esse conjunto de for\u00e7as percebeu que estava diante de um governo enfraquecido e que isso abria uma janela de oportunidade. O golpe foi dado contra os grandes acertos destes \u00faltimos doze anos que demoliram a naturaliza\u00e7\u00e3o da opress\u00e3o, da exclus\u00e3o social, da desigualdade regional e da submiss\u00e3o internacional.<\/p>\n<p>Todas as pol\u00edticas implementadas neste per\u00edodo sofreram uma forte resist\u00eancia. Bolsa Fam\u00edlia, aumento real do sal\u00e1rio m\u00ednimo, Luz para Todos, Minha Casa Minha Vida, Mais M\u00e9dicos, Fies, Prouni, cotas, pr\u00e9-sal, tudo o que se fez foi objeto de uma rea\u00e7\u00e3o brutal do outro lado. E eles foram derrotados politicamente em todas essas \u00e1reas. Na \u00e9poca da constru\u00e7\u00e3o do modelo de explora\u00e7\u00e3o do pr\u00e9-sal, que privilegiou a ind\u00fastria nacional e os investimentos em sa\u00fade e educa\u00e7\u00e3o, os conservadores sequer conseguiram apresentar um projeto diferente no Congresso. Agora, ap\u00f3s o golpe, uma de suas primeiras medidas foi apresentar um projeto para mudar o regime de explora\u00e7\u00e3o do petr\u00f3leo. L\u00e1 atr\u00e1s eles foram politicamente derrotados neste debate e, agora, querem fazer tudo r\u00e1pido justamente para n\u00e3o existir debate. O mesmo se aplica \u00e0 valoriza\u00e7\u00e3o do sal\u00e1rio m\u00ednimo, ao Bolsa Fam\u00edlia, de onde j\u00e1 est\u00e3o tirando gente, e a outras pol\u00edticas.<\/p>\n<p>Al\u00e9m de n\u00e3o ter um projeto, eles tamb\u00e9m n\u00e3o t\u00eam uma lideran\u00e7a clara. Temer \u00e9 l\u00edder de alguma coisa? Temer n\u00e3o \u00e9 l\u00edder de nada. \u00c9 um sujeito que teve dificuldade para se eleger deputado em S\u00e3o Paulo nas duas \u00faltimas elei\u00e7\u00f5es que disputou. \u00c9 um pol\u00edtico de ocasi\u00e3o, dos corredores do pal\u00e1cio, das mes\u00f3clises. \u00c9 um pol\u00edtico med\u00edocre, um sujeito secund\u00e1rio que viu-se diante de uma oportunidade que, em condi\u00e7\u00f5es normais, jamais ocorreria.<\/p>\n<p>Sul21: Quais foram os elementos que acabaram propiciando o surgimento dessa oportunidade?<\/p>\n<p>Franklin Martins: Pelos erros que n\u00f3s cometemos, n\u00f3s n\u00e3o fizemos a disputa pol\u00edtica com a intensidade que deveria ter sido feita e aceitamos, de certo modo, a agenda que o outro lado tentava impor ao pa\u00eds, desde 2010, atrav\u00e9s da m\u00eddia, que \u00e9 a agenda dos maus feitos. Esses maus feitos t\u00eam que ser sempre combatidos, mas o centro da agenda n\u00e3o podia ser esse. Tinha que ser inclus\u00e3o social, redu\u00e7\u00e3o das desigualdades e aprofundamento das mudan\u00e7as. N\u00f3s n\u00e3o fizemos essa disputa e, em pol\u00edtica, quando voc\u00ea abdica disso, prevalece aquilo que est\u00e1 naturalizado pelas elites e pelo poder dominante.<\/p>\n<p>Eles achavam que iam ganhar as elei\u00e7\u00f5es de 2014. Perderam porque a disputa n\u00e3o foi em torno da agenda dos maus feitos, mas sim em torno da alternativa \u201cretrocesso ou aprofundamento das mudan\u00e7as\u201d. Na campanha eleitoral, a presidente Dilma assumiu a agenda e o enfrentamento corretos que tinham ficado meio enevoados durante os anos anteriores, quando faltou uma disputa pol\u00edtica mais qualificada. Sem disputa pol\u00edtica, a esquerda n\u00e3o consegue formar maioria na sociedade.<\/p>\n<p>Sul21: Voc\u00ea fez refer\u00eancia ao papel da m\u00eddia neste processo. Uma coisa que parece se repetir em 2016, em 1964 e em anos anteriores, \u00e9 o comportamento antidemocr\u00e1tico da m\u00eddia brasileira. Em todas as tentativas e execu\u00e7\u00f5es de golpes, de Get\u00falio at\u00e9 hoje, ela sempre costuma estar do mesmo lado. Quais s\u00e3o, na sua opini\u00e3o, as origens dessa postura?<\/p>\n<p>Franklin Martins: Essa n\u00e3o \u00e9 uma caracter\u00edstica s\u00f3 da imprensa brasileira. Com exce\u00e7\u00f5es aqui e ali, a imprensa latino-americana segue esse mesmo padr\u00e3o. De um modo geral, as for\u00e7as progressistas nunca conseguiram construir um contraponto a esse poder midi\u00e1tico hegem\u00f4nico. No per\u00edodo do Get\u00falio, conseguiu construir a \u00daltima Hora, mas era algo isolado. Tinha alguma coisa de r\u00e1dio, a televis\u00e3o ainda tinha esse peso que tem hoje. Em 64, n\u00e3o houve um quadro de unidade como ocorreu agora, embora os \u00f3rg\u00e3os de imprensa maci\u00e7amente tenham apoiado o golpe. O jornal \u00daltima Hora, a r\u00e1dio Roquete Pinto e a TV Excelsior foram exce\u00e7\u00f5es e todas elas foram decepadas depois do golpe. Creio que essa tradi\u00e7\u00e3o est\u00e1 ligada a uma coisa mais profunda que \u00e9 o fato de n\u00f3s nunca termos tido no Brasil uma elite apoiada em valores progressistas. Tivemos alguns fen\u00f4menos isolados como a campanha pelo abolicionismo e, mais tarde, de uma forma ditatorial, a constru\u00e7\u00e3o de um Estado nacional com Get\u00falio. Mas n\u00f3s nunca tivemos, por um largo per\u00edodo, como ocorre em muitos outros pa\u00edses, a exist\u00eancia de uma elite conservadora e de uma elite progressista com valores democr\u00e1ticos. A elite brasileira \u00e9 predadora. Ela despreza a democracia e n\u00e3o tem um projeto para o pa\u00eds. Ou seja, a nossa elite n\u00e3o \u00e9 uma elite.<\/p>\n<p>Outra coisa que pesa no comportamento da m\u00eddia brasileira \u00e9 que o nosso modelo de radiodifus\u00e3o desde o in\u00edcio est\u00e1 assentado no setor privado, diferente do que ocorreu na Europa, por exemplo, onde ele nasce baseado na comunica\u00e7\u00e3o p\u00fablica e permanece assim at\u00e9 os anos 80. Essa \u00e9, ali\u00e1s, uma das raz\u00f5es pelas quais l\u00e1 foram criados mecanismos de regula\u00e7\u00e3o, para evitar que a comunica\u00e7\u00e3o p\u00fablica fosse apropriada por governos de ocasi\u00e3o como uma comunica\u00e7\u00e3o privada. Aqui no Brasil, a comunica\u00e7\u00e3o privada se insurgiu desde o primeiro momento contra qualquer limite, como se o espa\u00e7o eletromagn\u00e9tico que ela ocupa fosse uma propriedade dela e n\u00e3o da sociedade.<\/p>\n<p>O Brasil \u00e9 o \u00fanico grande pa\u00eds do mundo que n\u00e3o tem qualquer tipo de regula\u00e7\u00e3o das comunica\u00e7\u00f5es eletr\u00f4nicas. Os Estados Unidos n\u00e3o tem uma regula\u00e7\u00e3o do padr\u00e3o europeu, mas t\u00eam uma regula\u00e7\u00e3o pela via econ\u00f4mica que impede, por exemplo, a propriedade cruzada de meios de comunica\u00e7\u00e3o. Se essa regula\u00e7\u00e3o fosse aplicada no Brasil, aqui no Rio Grande do Sul quem tivesse emissora de televis\u00e3o n\u00e3o poderia, ao mesmo tempo, ter r\u00e1dio e ter jornal. Quem tivesse jornal, n\u00e3o poderia ter r\u00e1dio ou televis\u00e3o e assim por diante. Por que isso? Para que a sociedade tenha um mecanismo de defesa contra a monopoliza\u00e7\u00e3o da produ\u00e7\u00e3o de informa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>No Brasil n\u00f3s temos uma m\u00eddia, n\u00e3o s\u00f3 muito concentrada como, nos \u00faltimos dez anos, oligopolizada no sentido de que at\u00e9 a opini\u00e3o \u00e9 acertada entre eles. Basta ver a cobertura pol\u00edtica que temos hoje. \u00c9 exatamente a mesma. N\u00f3s tivemos grandes manifesta\u00e7\u00f5es em Bras\u00edlia contra a PEC 55 que foram fortemente reprimidas. Isso simplesmente n\u00e3o sai na televis\u00e3o.<\/p>\n<p>Sul21: No debate realizado na Assembleia, voc\u00ea falou da falta de unidade que caracteriza o governo golpista e seus aliados em diferentes institui\u00e7\u00f5es. Na \u00faltima quinta-feira, o ministro Gilmar Medes, do Supremo Tribunal Federal, confrontou diretamente o juiz S\u00e9rgio Moro no Senado, uma cena impens\u00e1vel at\u00e9 bem pouco tempo. Qual \u00e9, afinal, a solidez dessa articula\u00e7\u00e3o que propiciou o golpe?<\/p>\n<p>Franklin Martins: O golpe, como eu disse anteriormente, foi um neg\u00f3cio de ocasi\u00e3o articulado por diferentes atores e setores que n\u00e3o t\u00eam uma unidade e carecem de qualquer legitimidade. O que temos visto nos \u00faltimos dias \u00e9 o governo Temer virando um mingau. Esse governo n\u00e3o tem qualquer possibilidade de comandar o pa\u00eds . \u00c9 uma aberra\u00e7\u00e3o. Gilmar Mendes e S\u00e9rgio Moro est\u00e3o juntos na Lava Jato, mas o Moro acha que \u00e9 preciso acabar com o Estado de Direito. J\u00e1 o Gilmar Mendes n\u00e3o quer que o Estado de Direito acabe para a turma dele. Enquanto for s\u00f3 para o PT, Gilmar Mendes topa, mas ele sabe que isso pode pegar o PMDB, o PSDB, o PP, o DEM e assim por diante. Isso mostra que eles n\u00e3o t\u00eam unidade para ir muito a frente. Acho que o plano A deles \u00e9 manter o Temer, pois \u00e9 sempre ruim fazer uma substitui\u00e7\u00e3o destas, mas o Temer pode n\u00e3o se ag\u00fcentar tamb\u00e9m. Mas quem vier depois dele tamb\u00e9m n\u00e3o vai ag\u00fcentar, pois a pol\u00edtica de regress\u00e3o que eles est\u00e3o impondo ao pa\u00eds \u00e9 um desastre completo que est\u00e1 liquidando a economia brasileira.<\/p>\n<p>Sul21: Voc\u00ea falou que a amea\u00e7a nem \u00e9 mais de uma nova recess\u00e3o, mas sim de uma depress\u00e3o\u2026<\/p>\n<p> Franklin Martins: N\u00f3s j\u00e1 estamos vivendo uma depress\u00e3o. A economia caiu cerca de 5% nos \u00faltimos dois anos. E n\u00e3o h\u00e1 nenhuma perspectiva de melhora. Para o ano que vem, as estimativas falam de -1%. O clima que est\u00e1 se alastrando no pa\u00eds \u00e9 muito negativo. Eles n\u00e3o v\u00e3o obter legitimidade da pol\u00edtica. N\u00e3o vejo eles construindo legitimidade pela expans\u00e3o econ\u00f4mica, reativa\u00e7\u00e3o da economia. Tampouco vejo eles fazendo isso por meio de um desarmamento social. Pelo contr\u00e1rio. N\u00f3s estamos caminhando para uma convuls\u00e3o social no pa\u00eds. E quem paga o pre\u00e7o quando ocorre uma convuls\u00e3o social \u00e9 o povo, que perde direitos, perde possibilidades, oportunidades e que \u00e9 sempre reprimido. Ent\u00e3o, n\u00f3s estamos vivendo uma situa\u00e7\u00e3o dram\u00e1tica por absoluta irresponsabilidade das for\u00e7as conservadoras no Brasil que, diante de uma constru\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica de expectativas de mudan\u00e7as, viu uma oportunidade, potencializada pelos nossos erros, derrubou o governo eleito e agora n\u00e3o tem condi\u00e7\u00f5es de estabilizar esse processo, pois n\u00e3o tem legitimidade pol\u00edtica, econ\u00f4mica nem social.<\/p>\n<p>Sul21: Na sua opini\u00e3o, a experi\u00eancia do que foi conquistado nos \u00faltimos anos \u00e9 o maior capital que a esquerda e as for\u00e7as progressistas t\u00eam para tentar enfrentar a agenda golpista. At\u00e9 aqui pelo menos, essa experi\u00eancia n\u00e3o foi suficiente para deter essa agenda. Em que medida essa experi\u00eancia pode ser um ant\u00eddoto para essa amea\u00e7a de convuls\u00e3o social que enxerga no horizonte ou para a emerg\u00eancia de coisas mais regressivas ainda como as propostas defendidas pelo deputado Bolsonaro?<\/p>\n<p>Franklin Martins: Em primeiro lugar, creio que \u00e9 preciso entender que a rea\u00e7\u00e3o ao golpe n\u00e3o teve a energia suficiente para det\u00ea-lo por causa dos nossos erros. O primeiro erro, que j\u00e1 referi, foi o debate pol\u00edtico absolutamente insuficiente. As for\u00e7as pol\u00edticas do nosso lado ficaram paradas vendo o outro falar e fazer o que bem quis. Em segundo lugar, ao n\u00e3o ter enfrentado a quest\u00e3o do oligop\u00f3lio da m\u00eddia, deixou s\u00f3 o lado de l\u00e1 com instrumentos para falar com o amplo conjunto da popula\u00e7\u00e3o, tirando algumas situa\u00e7\u00f5es excepcionais como a campanha eleitoral de 2014. Quando houve uma janela de igualdade de espa\u00e7o no per\u00edodo eleitoral, foi poss\u00edvel reverter, mas \u00e9 evidente que isso \u00e9 absolutamente insuficiente para dirigir o pa\u00eds.<\/p>\n<p>Precisamos considerar ainda o nosso sistema pol\u00edtico que foi se montando de modo que, quem ganha a elei\u00e7\u00e3o majorit\u00e1ria, n\u00e3o consegue ter maioria no parlamento, sendo obrigado a negociar no varejo. O presidencialismo de coaliz\u00e3o \u00e9, na verdade, um nome pomposo e acad\u00eamico para negocia\u00e7\u00e3o permanente de varejo. Isso j\u00e1 est\u00e1 acontecendo tamb\u00e9m no governo Temer. Mas cometemos alguns outros erros importantes. Penso que, ao ser reeleita, a presidenta Dilma n\u00e3o percebe a gravidade da situa\u00e7\u00e3o que estava se configurando e adotou medidas que foram vistas pela popula\u00e7\u00e3o como a ado\u00e7\u00e3o de parte do programa que ela tinha criticado ou, pelo menos, como o reconhecimento que a crise tinha uma gravidade que ela n\u00e3o tinha admitido na campanha. Acho que ela n\u00e3o conseguiu dialogar de modo adequado sobre esse tema com a popula\u00e7\u00e3o. Isso gerou uma perplexidade justamente em quem tinha dado a vit\u00f3ria para ela. Houve um sentimento de estelionato eleitoral, que \u00e9 fort\u00edssimo e quando aparece \u00e9 devastador. Acho que isso paralisou o lado de c\u00e1 e fez com que o lado de l\u00e1 olhasse e percebesse a abertura de uma oportunidade.<\/p>\n<p>Por outro lado, penso que a experi\u00eancia das pessoas j\u00e1 est\u00e1 reintroduzindo a quest\u00e3o de fundo que \u00e9 deter o retrocesso. As pessoas come\u00e7am a perceber o que est\u00e1 acontecendo: fim das pol\u00edticas sociais, precariza\u00e7\u00e3o das rela\u00e7\u00f5es de trabalho, perspectiva de aumento do tempo para aposentadoria, entre outras coisas. Ao verem isso, percebem que o retrocesso n\u00e3o \u00e9 algo que s\u00f3 aparece no discurso. As pessoas tamb\u00e9m est\u00e3o percebendo que a crise econ\u00f4mica n\u00e3o \u00e9 uma heran\u00e7a maldita do governo da Dilma, mas sim que est\u00e1 sendo produzida por essa pol\u00edtica regressiva do governo Temer. A pr\u00f3pria quest\u00e3o da corrup\u00e7\u00e3o, que foi levantado como algo que era praticado apenas por for\u00e7as ligadas ao PT, come\u00e7a a ser percebida como um problema generalizado de um sistema prom\u00edscuo.<\/p>\n<p>Quanto \u00e0 possibilidade de um Bolsonaro da vida ser visto como uma solu\u00e7\u00e3o, eu n\u00e3o vejo muitas chances disso acontecer. Olho para a frente e pergunto: que nomes eles t\u00eam para 2018, se \u00e9 que eles vir\u00e3o para a disputa? A\u00e9cio? N\u00e3o vai a lugar nenhum. Serra? Tamb\u00e9m n\u00e3o vai a lugar nenhum. O pr\u00f3prio Alckmin, ao meu ver, n\u00e3o sai muito de S\u00e3o Paulo. O Moro n\u00e3o segura tr\u00eas meses de campanha. \u00c9 de uma mediocridade total. Na verdade, eles n\u00e3o t\u00eam um nome e, isso se deve ao fato de que eles n\u00e3o t\u00eam um projeto para o pa\u00eds. Neste processo do golpe, eles destru\u00edram a pol\u00edtica e inclusive os nomes deles. Quem s\u00e3o as grandes refer\u00eancias que ainda est\u00e3o a\u00ed? H\u00e1 o Lula que, ao meu ver, crescer\u00e1 cada vez mais. Al\u00e9m dele, h\u00e1 a Marina, em decad\u00eancia, que pode crescer no discurso da n\u00e3o pol\u00edtica. Tem o Ciro que pode crescer e o Bolsonaro, que pode crescer, mas n\u00e3o ao ponto de ganhar uma elei\u00e7\u00e3o. Mas eles ir\u00e3o para uma elei\u00e7\u00e3o sabendo que perder\u00e3o? Acho que, de moto pr\u00f3prio, n\u00e3o ir\u00e3o. N\u00f3s teremos for\u00e7a para impor a realiza\u00e7\u00e3o de elei\u00e7\u00f5es?<\/p>\n<p>Estamos vivendo uma situa\u00e7\u00e3o muito complexa porque n\u00e3o h\u00e1 uma hegemonia clara na sociedade. A que existia, no projeto anterior, foi seriamente atingida. Eles constru\u00edram algo com valores que n\u00e3o s\u00e3o permanentes e s\u00e3o insuficientes para sustentar um projeto de longo prazo. O resultado \u00e9 que eles n\u00e3o tem respostas para os problemas da sociedade. Creio que, no m\u00e9dio prazo, as pessoas v\u00e3o querer defender aquilo que tiveram, se o nosso lado tiver lideran\u00e7a e projetos que sejam capazes de fazer esse debate na sociedade. Acho que o Lula vem desempenhando um papel muito positivo nos \u00faltimos meses, mas temos um longo e dif\u00edcil caminho pela frente.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Franklin Martins: \u201cGolpe de 2016 n\u00e3o foi dado contra uma expectativa de mudan\u00e7a, mas sim contra a experi\u00eancia da mudan\u00e7a\u201d<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_exactmetrics_skip_tracking":false,"_exactmetrics_sitenote_active":false,"_exactmetrics_sitenote_note":"","_exactmetrics_sitenote_category":0,"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","enabled":false},"version":2}},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-6582","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-notas"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p7wKYW-1Ia","jetpack-related-posts":[],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6582","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=6582"}],"version-history":[{"count":2,"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6582\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":6585,"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6582\/revisions\/6585"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=6582"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=6582"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=6582"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}