{"id":7741,"date":"2017-01-17T19:19:35","date_gmt":"2017-01-17T23:19:35","guid":{"rendered":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/?p=7741"},"modified":"2017-01-17T19:19:35","modified_gmt":"2017-01-17T23:19:35","slug":"reflexoes-de-uma-batedora-de-panela-seis-meses-depois","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/2017\/01\/17\/reflexoes-de-uma-batedora-de-panela-seis-meses-depois\/","title":{"rendered":"Reflex\u00f5es de uma batedora de panela, seis meses depois"},"content":{"rendered":"<p><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" data-attachment-id=\"7742\" data-permalink=\"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/2017\/01\/17\/reflexoes-de-uma-batedora-de-panela-seis-meses-depois\/pane\/\" data-orig-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2017\/01\/pane.jpg?fit=212%2C238\" data-orig-size=\"212,238\" data-comments-opened=\"0\" data-image-meta=\"{&quot;aperture&quot;:&quot;0&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;0&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;0&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;0&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0&quot;,&quot;title&quot;:&quot;&quot;,&quot;orientation&quot;:&quot;0&quot;}\" data-image-title=\"pane\" data-image-description=\"\" data-image-caption=\"\" data-medium-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2017\/01\/pane.jpg?fit=212%2C238\" data-large-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2017\/01\/pane.jpg?fit=212%2C238\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2017\/01\/pane.jpg?resize=212%2C238\" alt=\"pane\" width=\"212\" height=\"238\" class=\"alignnone size-full wp-image-7742\" \/><\/p>\n<p>Todo mundo que ela admirava na imprensa concordava em que Dilma tinha que cair.<!--more--><\/p>\n<p>No DCM<br \/>\nPor Paulo Nogueira<\/p>\n<p>V\u00e2nia olhou para a sua panela tramontina roxa ali guardada no fundo do arm\u00e1rio da cozinha.<\/p>\n<p>Foi um olhar em que havia ao mesmo tempo melancolia e frustra\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>N\u00e3o era uma panela qualquer. Era aquela que V\u00e2nia usara nos protestos contra Dilma. Escolhera-a por ser leve e barulhenta. Perfeita, portanto, para a ocasi\u00e3o.<\/p>\n<p>A panela remetia a Dilma. V\u00e2nia, naqueles dias de panela\u00e7o, abominava Dilma.<\/p>\n<p>Dilma era um obst\u00e1culo para o Brasil, para os brasileiros. Quando gritava \u201cFora Dilma\u201d, V\u00e2nia tinha certeza de que bradava pelo progresso nacional.<\/p>\n<p>V\u00e2nia era gerente de uma loja da Riachuelo. O dono da cadeia dissera \u00e0 imprensa que, Dilma saindo, as coisas logo se ajeitariam na economia nacional. Quest\u00e3o de dias.<\/p>\n<p>Era o que todo mundo dizia, ali\u00e1s. V\u00e2nia lia a Veja toda semana. N\u00e3o perdia um Jornal Nacional. Deixava horas e horas a GloboNews ligada na tev\u00ea de sua casa. No tr\u00e2nsito, a r\u00e1dio de seu carro oscilava entre CBN e Jovem Pan.<\/p>\n<p>Considerava-se, mod\u00e9stia \u00e0 parte, uma mulher muito bem informada.<\/p>\n<p>Todo mundo que ela admirava na imprensa concordava em que Dilma tinha que cair.<\/p>\n<p>V\u00e2nia pegou a tramontina roxa nas m\u00e3os e como que voltou no tempo. Sentia que estava fazendo hist\u00f3ria ao participar dos panela\u00e7os. Com a panela nas m\u00e3os, naquelas noites, era tomada de uma euforia quase sexual.<\/p>\n<p>Tinha que dar certo \u2014 e deu. Dilma enfim caiu.<\/p>\n<p>Todos os problemas agora estavam resolvidos.<\/p>\n<p>Ou n\u00e3o?<\/p>\n<p>Ali, na sua cozinha, tramontina na m\u00e3o, naquele momento de rememora\u00e7\u00e3o e reflex\u00e3o, j\u00e1 se tinham passado mais de seis meses desde a queda de Dilma.<\/p>\n<p>Mas e o para\u00edso prometido, onde fora parar?<\/p>\n<p>V\u00e2nia batera a panela contra a corrup\u00e7\u00e3o, mas Temer e a turma que tomara o poder n\u00e3o significavam exatamente um choque de \u00e9tica pol\u00edtica.<\/p>\n<p>Na economia, as coisas n\u00e3o podiam estar piores. V\u00e1rios colegas de V\u00e2nia de ger\u00eancia na Riachuelo tinham sido demitidos nos \u00faltimos dias. Cada vez que o chefe a chamava ela tinha um tremor. Achava que chegara a sua hora de ser despedida.<\/p>\n<p>Naquele dia do reencontro com a tramontina roxa, V\u00e2nia pensou tamb\u00e9m em Dilma.<\/p>\n<p>Ser\u00e1 que ela era mesmo aquele monstro que pintaram?<\/p>\n<p>Vira algumas entrevistas com ela depois do impeachment. Chamou sua aten\u00e7\u00e3o a forma como ela, Dilma, se referia aos pobres. Era uma simpatia que parecia ser genu\u00edna, e que como que tinha o poder de contagiar.<\/p>\n<p>\u201cUm pa\u00eds t\u00e3o rico com tantos pobres n\u00e3o pode dar certo\u201d, V\u00e2nia se pegou um dia refletindo. Isso nunca aconterera antes.<\/p>\n<p>V\u00e2nia passara a ver Dilma de outra forma.<\/p>\n<p>Teria sido v\u00edtima de uma trama de homens corruptos e muito ricos, como ela dizia?<\/p>\n<p>Talvez sim, talvez n\u00e3o, pensou V\u00e2nia, panela na m\u00e3o.<\/p>\n<p>De repente, num impulso irresist\u00edvel, atirou a tramontina contra a parede.<\/p>\n<p>E lhe ocorreu que caso encontrasse Dilma na rua lhe daria um abra\u00e7o.<\/p>\n<p>N\u00e3o um abra\u00e7o de desculpa, mas um gesto de solidariedade de mulher para mulher. \u201cAcho que me usaram para te pegar\u201d, talvez dissesse.<\/p>\n<p>A hist\u00f3ria acima \u00e9 uma mistura de fic\u00e7\u00e3o leve e realidade brutal.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Todo mundo que ela admirava na imprensa concordava em que Dilma tinha que cair.<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_exactmetrics_skip_tracking":false,"_exactmetrics_sitenote_active":false,"_exactmetrics_sitenote_note":"","_exactmetrics_sitenote_category":0,"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","enabled":false},"version":2}},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-7741","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-notas"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p7wKYW-20R","jetpack-related-posts":[],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7741","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=7741"}],"version-history":[{"count":1,"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7741\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":7743,"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7741\/revisions\/7743"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=7741"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=7741"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=7741"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}