{"id":7952,"date":"2017-01-26T09:40:05","date_gmt":"2017-01-26T13:40:05","guid":{"rendered":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/?p=7952"},"modified":"2017-01-26T09:40:05","modified_gmt":"2017-01-26T13:40:05","slug":"covardia-e-preconceito-contra-marisa","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/2017\/01\/26\/covardia-e-preconceito-contra-marisa\/","title":{"rendered":"Covardia e preconceito contra Marisa"},"content":{"rendered":"<p> <img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" data-attachment-id=\"7954\" data-permalink=\"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/2017\/01\/26\/covardia-e-preconceito-contra-marisa\/safada\/\" data-orig-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2017\/01\/safada.jpg?fit=400%2C213\" data-orig-size=\"400,213\" data-comments-opened=\"0\" data-image-meta=\"{&quot;aperture&quot;:&quot;0&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;0&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;0&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;0&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0&quot;,&quot;title&quot;:&quot;&quot;,&quot;orientation&quot;:&quot;0&quot;}\" data-image-title=\"safada\" data-image-description=\"\" data-image-caption=\"\" data-medium-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2017\/01\/safada.jpg?fit=300%2C160\" data-large-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2017\/01\/safada.jpg?fit=400%2C213\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2017\/01\/safada.jpg?resize=400%2C213\" alt=\"safada\" width=\"400\" height=\"213\" class=\"alignnone size-full wp-image-7954\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2017\/01\/safada.jpg?w=400 400w, https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2017\/01\/safada.jpg?resize=300%2C160 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 400px) 100vw, 400px\" \/><\/p>\n<p>Por Paulo Moreira Leite<br \/>\nNo 247<\/p>\n<p>As gatas pingadas de S\u00e3o Paulo que estrelaram um deprimente ato de preconceito contra a presen\u00e7a de Marisa Lula da Silva na UTI do Hospital S\u00edrio Liban\u00eas, onde a primeira dama do Brasil entre 2003 e 2011 luta para recuperar-se de um AVC, ajudam a ilustrar uma cena que expressa  os piores tra\u00e7os da camada dominante da sociedade brasileira mas n\u00e3o chega a ser novidade.<!--more--><\/p>\n<p>        \u00c9 uma forma de covardia. Para atingir Lula, ataca-se sua mulher \u2013 em coma induzido, neste momento. \u00c9 um comportamento t\u00edpico do Brasil atual, Com institui\u00e7\u00f5es em curto circuito, o debate pol\u00edtico desaparece, o espa\u00e7o democr\u00e1tico perde for\u00e7a. O ataque a Marisa est\u00e1 al\u00e9m de uma diferen\u00e7a ideol\u00f3gica, um conflito de id\u00e9ias. \u00c9 coisa de gente m\u00e1. <\/p>\n<p>        Em outubro de 2011, quando o pr\u00f3prio Lula internou-se no mesmo hospital para tratar-se de um c\u00e2ncer na laringe, foi criticado por ter procurado atendimento no mesmo S\u00edrio, um dos mais caros hospitais do pa\u00eds, em vez de bater as portas do SUS. Assim, a cena de 2017 n\u00e3o representa um caso isolado de intoler\u00e2ncia. Marca a continuidade de gestos de \u00f3bvia inspira\u00e7\u00e3o fascista contra uma pessoa em  luta pela pr\u00f3pria vida. \u00c9 um comportamento sem freios nem constrangimentos depois de maio-agosto de 2016, per\u00edodo da &#8220;encena\u00e7\u00e3o&#8221; que derrubou Dilma, na defini\u00e7\u00e3o do  ex-presidente do STF Joaquim Barbosa.  <\/p>\n<p>     Voc\u00ea tem o direito de discutir se a fam\u00edlia de Lula n\u00e3o agiria de forma mais   coerente se procurasse ser atendida pela rede p\u00fablica, \u00fanica op\u00e7\u00e3o de escolha para 75% dos brasileiros. Vamos falar sobre isso alguns par\u00e1grafos adiante.<\/p>\n<p>     Antes, cabe registrar o ponto essencial, que \u00e9 o papel que, como presidente e l\u00edder pol\u00edtico, Lula desempenhou na defesa da sa\u00fade dos brasileiros. E aqui vale uma observa\u00e7\u00e3o dif\u00edcil de negar. Apesar das car\u00eancias e lacunas  que permanecem,  em nenhum per\u00edodo da hist\u00f3ria brasileira foram registradas melhorias e progressos t\u00e3o not\u00e1veis como nos 13 anos e cinco e cinco meses em que o condom\u00ednio Lula-Dilma permaneceu no Planalto. Neste per\u00edodo, ocorreram algumas das  grandes lutas pol\u00edticas das duas \u00faltimas d\u00e9cadas, onde a disputa por verbas e prioridades n\u00e3o funcionou como banal guerra de n\u00fameros mas como espelho relativamente fiel de vis\u00f5es de mundo, interesses de classe  e prioridades do espectro pol\u00edtico brasileiro. <\/p>\n<p>     Em retrospecto, pode-se at\u00e9 dizer que  duas batalhas importantes anunciaram os confrontos  que levaram ao impeachment. Nas duas oportunidades, quando ganhou e quando perdeu, Lula esteve do lado certo \u2013 a defesa da sa\u00fade p\u00fablica.  <\/p>\n<p>     Uma delas  foi a guerra pela extin\u00e7\u00e3o da CPMF, em dezembro de 2007. Foi vencida pelo n\u00facleo duro do condom\u00ednio empres\u00e1rios-pol\u00edticos que hoje celebra o massacre de um embri\u00e3o de Estado de bem-estar social constru\u00eddo ao longo d\u00e9cadas. S\u00f3 para se ter uma ideia de seu significado. Gra\u00e7as a CPMF, entre 2003 e 2006 foram investidos R$ 46,6 bilh\u00f5es na \u00e1rea de sa\u00fade. J\u00e1 na amplia\u00e7\u00e3o do atendimentos hospitalar e ambulatorial do SUS, chegaram R$ 32 bilh\u00f5es. Mesmo tendo sido aprovada pela C\u00e2mara, a renova\u00e7\u00e3o da CPMF foi derrotada pelo Senado. Obteve uma maioria de 45 dos votos, mas precisava de 49 para ser aprovada.<\/p>\n<p>      A decis\u00e3o guardou v\u00e1rios momentos pol\u00edticos inesquec\u00edveis, como a absten\u00e7\u00e3o de  Napole\u00e3o Sab\u00f3ia, presidente do Senado e, em teoria, aliado do governo, aonde chegou a ministro. Tamb\u00e9m foi marcada por um discurso de \u00faltima hora de Pedro Simon, que fez um apelo dram\u00e1tico &#8212; e sem sucesso &#8212; para que os l\u00edderes do PSDB voltassem a mesa de negocia\u00e7\u00e3o para permitir a manuten\u00e7\u00e3o da CPMF, criada grande Adib Jatene no governo de Fernando Henrique e depois abandonada pelos herdeiros tucanos.<\/p>\n<p>    Num pa\u00eds onde 25% da popula\u00e7\u00e3o consome 45% das verbas dispon\u00edveis para a sa\u00fade, a CPMF cumpria uma fun\u00e7\u00e3o distributivista. Era uma forma de ampliar o bolo dispon\u00edvel  e modificar uma tend\u00eancia, abertamente favor\u00e1vel a minoria do patamar de cima da pir\u00e2mide, que tem acesso ao sistema privado \u2013 onde cada centavo gasto com plano de sa\u00fade pode ser deduzido do imposto de renda. Por essa raz\u00e3o, no final da vota\u00e7\u00e3o, a vis\u00e3o de que o plen\u00e1rio fizera uma op\u00e7\u00e3o pelo ego\u00edsmo social era t\u00e3o clara para muitos brasileiros que um advogado tributarista n\u00e3o teve pudores em divulgar c\u00e1lculos ris\u00edveis para amenizar a situa\u00e7\u00e3o. Ignorando que o enfraquecimento do setor p\u00fablico empurraria pacientes para o setor privado, que cobra em moeda sonante por seus servi\u00e7os, disse que os assalariados acabariam ganhando com a medida, pois  o fim da CPMF permitiria que um trabalhador com sal\u00e1rio de R$ 500 fizesse uma economia de RS 156 por ano &#8212; ou 50 centavos por dia. Tamb\u00e9m se afirmou que  grandes empresas \u2013 que se livraram do monitoramento das transa\u00e7\u00f5es financeiras que a CPMF permitia \u2013 planejavam repartir com os consumidores uma parcela do dinheiro que deixavam de recolher aos cofres p\u00fablicos.   <\/p>\n<p>   A outra disputa envolveu o Mais M\u00e9dicos, e marcou uma das \u00faltimas vit\u00f3rias pol\u00edticas importantes do governo Dilma. Mesmo boicotado pela oposi\u00e7\u00e3o parlamentar e pelas entidades m\u00e9dicas, que colocaram filiados na rua em vergonhosos atos de rep\u00fadio,  o apoio sem distin\u00e7\u00e3o partid\u00e1ria da maioria dos prefeitos permitiu uma vit\u00f3ria sem sustos no Congresso. Respons\u00e1vel pelo atendimento direto a 68 milh\u00f5es de brasileiros que vivem nas periferias urbanas mais miser\u00e1veis e nos pontos extremos da pobreza rural, os 18 mil m\u00e9dicos do programa Mais M\u00e9dicos costumam resolver 80% dos problemas de sa\u00fade destes brasileiros antes que eles assumam um est\u00e1gio mais grave, muitas vezes incur\u00e1vel. <\/p>\n<p>    Parece claro que estas lutas pol\u00edticas ajudam a formar uma perspectiva realista para se debater a decis\u00e3o de procurar atendimento num hospital privado, caro e exclusivo, que recusa  at\u00e9 pacientes com planos privados de custo m\u00e9dio.  Vivemos num pa\u00eds onde a sa\u00fade dispon\u00edvel para a maioria da popula\u00e7\u00e3o funciona como um cl\u00e1ssico caso de cobertor curto. Quando a pessoa cobre os p\u00e9s, exp\u00f5e a cabe\u00e7a. E vice-versa.<\/p>\n<p>     O apoio da popula\u00e7\u00e3o ao SUS se reflete em pesquisas de opini\u00e3o que demonstram um alto \u00edndice de satisfa\u00e7\u00e3o com o atendimento, muito superior aquilo que se poderia imaginar pela leitura &#8212; sempre catastr\u00f3fica &#8212; dos jornais e reportagens de TV. Em outubro de 2011, quatro anos depois da elimina\u00e7\u00e3o da CPMF, reportagem de Ricardo Mendon\u00e7a na revista \u00c9poca mostrava que 51% da popula\u00e7\u00e3o concordaria em pagar mais impostos &#8212; desde que o dinheiro fosse encaminhado a sa\u00fade.<\/p>\n<p>    Se voc\u00ea perguntar minha opini\u00e3o pessoal, acho que homens p\u00fablicos devem ser atendidos pela rede p\u00fablica. \u00c9 seu lugar natural, de quem fala pelos cidad\u00e3os e deve viver como eles. A regra deveria valer para todos: para o senador e o prefeito, seja filho de banqueiro e o filho de banc\u00e1rio, o advogado, o soci\u00f3logo e  o metal\u00fargico. Esse comportamento ajudaria a valorizar o exist\u00eancia do SUS e poderia para ampliar medidas de financiamento. Tamb\u00e9m seria um est\u00edmulo, \u00f3bvio, para o aprimoramento do atendimento que, mesmo come\u00e7ando com autoridades, poderia chegar ao cidad\u00e3o comum.<\/p>\n<p>     \u00c9 razo\u00e1vel imaginar, como fazem tantos observadores,  que os homens p\u00fablicos prestar\u00e3o mais aten\u00e7\u00e3o ao hospitais p\u00fablicos quando estiverem condenados a recorrer a seus servi\u00e7os em caso de necessidade.<\/p>\n<p>     Mas \u00e9 bom desconfiar de utopias f\u00e1ceis, pois elas tamb\u00e9m possuem contradi\u00e7\u00f5es. A disputa por vagas no atendimento p\u00fablico come\u00e7a pelo acesso a bons hospitais &#8212; nem todos s\u00e3o iguais &#8211;, bons equipamentos  e bons m\u00e9dicos, que tamb\u00e9m s\u00e3o diferentes entre si.  A presen\u00e7a de uma autoridade num leito do SUS sempre pode levantar a hip\u00f3tese de que ele estaria tirando a vaga de um paciente que n\u00e3o pode pagar por um atendimento privado. Tamb\u00e9m lan\u00e7aria a d\u00favida de conflito de interesses. Poderia estar usando de seus poderes no Estado para garantir benef\u00edcios como paciente. Seria o pistol\u00e3o de si mesmo.<\/p>\n<p>    Como se v\u00ea, s\u00e3o in\u00fameras as armadilhas num pa\u00eds no qual a concentra\u00e7\u00e3o de renda atingiu um n\u00edvel de sistema feudal, onde oito senhores do castelo tem renda equivalemente a 50% da popula\u00e7\u00e3o, segundo a ONG brit\u00e2nica Oxfam.  Nesta situa\u00e7\u00e3o, n\u00e3o h\u00e1 sa\u00edda al\u00e9m do fortalecimento do SUS. A alternativa, que envolve o subs\u00eddio a planos &#8220;populares&#8221;, como cogitado pelo ministro Ricardo Barros, \u00e9 s\u00f3 uma forma de piorar o que precisa melhorar &#8212; e \u00e9 um bom retrato da turma que organizou um ato de preconceito contra Marisa Lula da Silva.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Paulo Moreira Leite No 247 As gatas pingadas de S\u00e3o Paulo que estrelaram um deprimente ato de preconceito contra a presen\u00e7a de Marisa Lula da Silva na UTI do Hospital S\u00edrio Liban\u00eas, onde a primeira dama do Brasil entre 2003 e 2011 luta para recuperar-se de um AVC, ajudam a ilustrar uma cena que&#8230;<a class=\"more-link\" href=\"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/2017\/01\/26\/covardia-e-preconceito-contra-marisa\/\">Continue a leitura <span class=\"meta-nav\">&raquo;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_exactmetrics_skip_tracking":false,"_exactmetrics_sitenote_active":false,"_exactmetrics_sitenote_note":"","_exactmetrics_sitenote_category":0,"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","enabled":false},"version":2}},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-7952","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-notas"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p7wKYW-24g","jetpack-related-posts":[],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7952","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=7952"}],"version-history":[{"count":1,"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7952\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":7955,"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7952\/revisions\/7955"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=7952"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=7952"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=7952"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}