{"id":8630,"date":"2017-02-18T08:51:38","date_gmt":"2017-02-18T12:51:38","guid":{"rendered":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/?p=8630"},"modified":"2017-02-18T08:52:49","modified_gmt":"2017-02-18T12:52:49","slug":"o-fim-da-historia","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/2017\/02\/18\/o-fim-da-historia\/","title":{"rendered":"O FIM DA HIST\u00d3RIA?"},"content":{"rendered":"<p><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" data-attachment-id=\"8631\" data-permalink=\"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/2017\/02\/18\/o-fim-da-historia\/img_2118\/\" data-orig-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2017\/02\/IMG_2118.jpg?fit=443%2C332\" data-orig-size=\"443,332\" data-comments-opened=\"0\" data-image-meta=\"{&quot;aperture&quot;:&quot;0&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;0&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;0&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;0&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0&quot;,&quot;title&quot;:&quot;&quot;,&quot;orientation&quot;:&quot;0&quot;}\" data-image-title=\"IMG_2118\" data-image-description=\"\" data-image-caption=\"\" data-medium-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2017\/02\/IMG_2118.jpg?fit=300%2C225\" data-large-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2017\/02\/IMG_2118.jpg?fit=443%2C332\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2017\/02\/IMG_2118.jpg?resize=443%2C332\" alt=\"IMG_2118\" width=\"443\" height=\"332\" class=\"alignnone size-full wp-image-8631\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2017\/02\/IMG_2118.jpg?w=443 443w, https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2017\/02\/IMG_2118.jpg?resize=300%2C225 300w, https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2017\/02\/IMG_2118.jpg?resize=400%2C300 400w\" sizes=\"auto, (max-width: 443px) 100vw, 443px\" \/><\/p>\n<p>Prof. Mestrando Mois\u00e9s Peixoto<\/p>\n<p>Quando o \u201cmuro do Berlim\u201d ruiu, talvez apressadamente demais, houve uma onda de euforia neoliberal que pretendeu retificar a hist\u00f3ria contempor\u00e2nea, extirpando dela as p\u00e1ginas dedicadas \u00e0 experi\u00eancia socialista. <!--more--><\/p>\n<p>Numa leitura canhestra \u2013 influenciada por Alexandre Kojeve- da filosofia da Hist\u00f3ria de Hegel, apareceu um profeta nissei chamado Francis Fukuyama que prognosticou o fim da Hist\u00f3ria, com isso querendo dizer que a democracia liberal e a economia de mercado eram o ponto final da evolu\u00e7\u00e3o pol\u00edtica e social da humanidade. <\/p>\n<p>Como disse ent\u00e3o Eric Hobsbawn, aquela era uma profecia de vida muita curta, logo depois veio \u00e0 guerra do Golfo e a roda da Hist\u00f3ria continuou a girar.<br \/>\nAgora, apareceu no Brasil um estadista Pernambucano de Belo Jardim, incorporado pela deusa grega Lethe ou Lesmosyne que foi \u201cencostado\u201d no Minist\u00e9rio da Educa\u00e7\u00e3o pelo golpe de 2016.<\/p>\n<p>Ele fez aprovar mais uma reforma do Ensino M\u00e9dio, cuja primeira medida na condi\u00e7\u00e3o de Encosto Chefe do MEC, atrav\u00e9s dela, foi n\u00e3o somente prognosticar, mas promover mesmo o fim da Hist\u00f3ria, outra vez. <\/p>\n<p>O que tem certos pol\u00edticos para acertar logo a Hist\u00f3ria, quando det\u00e9m um pouco de poder nas m\u00e3os? \u2013 Numa leitura freudiana, o gesto poderia ser interpretado com o assassinato simb\u00f3lico dos professores de Hist\u00f3ria pelo atual ministro. Lembre-se que ele manteve uma pol\u00eamica azeda com seus mestres, na \u00e9poca da escola parque do Recife, chamando-os de \u201csubversivos\u201d. <\/p>\n<p>\u00c9 como se vingasse deles, agora, retirando a disciplina do curr\u00edculo do ensino m\u00e9dio. Mas essa seria uma interpreta\u00e7\u00e3o rasa, superficial.<\/p>\n<p>H\u00e1 outra interpreta\u00e7\u00e3o para isso: a mitol\u00f3gica. Ao longo da pr\u00f3pria Hist\u00f3ria, havia tamb\u00e9m os que desejam o esquecimento para por no lugar da Hist\u00f3ria. Na Gr\u00e9cia antiga, havia os gregos que fizeram da mem\u00f3ria uma deusa chamada de Mnem\u00f3sine que se uniu a Zeus gerando nove musas, entre elas: Clio [hist\u00f3ria] com a inten\u00e7\u00e3o de guardar os segredos do passado, os mist\u00e9rios do al\u00e9m e os grandes feitos dos her\u00f3is, por meio do canto das musas. <\/p>\n<p>Desse casamento entre Zeus e Mnem\u00f3sine, Ele adquire poder sobre os demais deuses do Olimpo. Sem ela, Ele estaria mais pr\u00f3ximo das rochas do que dos homens, silencioso, insciente do passado, sempre id\u00eantico a si mesmo, sem planos. Pouco se distinguiria dos seus antepassados. <\/p>\n<p>Este casamento tamb\u00e9m lhes conferia o dom da imortalidade, pois quem se torna memor\u00e1vel jamais morreria! Outra fun\u00e7\u00e3o importante da Deusa Mem\u00f3ria era a sele\u00e7\u00e3o das informa\u00e7\u00f5es que seriam transmitidas, por isso existe uma rela\u00e7\u00e3o entre Mnemosyne e seu opostoLethe ou Lemosyne que personificava a deusa do esquecimento.<\/p>\n<p>Na Gr\u00e9cia Antiga, Lete ou L\u00e9th\u00ea que em grego antigo literalmente significa &#8220;esquecimento&#8221; \u00e9 tamb\u00e9m o nome de um dos rios do Hades. Aqueles que bebessem de sua \u00e1gua experimentariam o completo esquecimento. O estadista Pernambucano certamente bebeu muito das \u00e1guas do rio Ipojuca que banha sua cidade: Belo Jardim ao longo de sua vida. Etimologicamente, &#8220;Ipojuca&#8221; \u00e9 um termo origin\u00e1rio da l\u00edngua tupi antiga: significa &#8220;\u00e1gua das ra\u00edzes podres&#8221;, cujo sabor a gente faz de tudo para esquecer. <\/p>\n<p>O Rio Ipojuca \u00e9 o equivalente pernambucano ao mitol\u00f3gico rio Lete. Ele de tanto beber e se banhar nele ficou possu\u00eddo pela deusa do esquecimento; tornou-se seu adepto e por isso sua m\u00e1 vontade e falta de interesse pelas aulas de Hist\u00f3riada \u00e9poca da escola parque do Recife.<\/p>\n<p>Mas essa interpreta\u00e7\u00e3omitol\u00f3gicatamb\u00e9m seria insuficiente.<\/p>\n<p>Para esses \u201ceducadores pragm\u00e1ticos\u201d a Hist\u00f3ria n\u00e3o tem a menor serventia para a forma\u00e7\u00e3o de uma for\u00e7a-de-trabalho barata e d\u00f3cil, destinada a um mercado de loca\u00e7\u00e3o de servi\u00e7os desregulamentado. Como, ali\u00e1s, a Filosofia, a Sociologia e as Artes. Para que tanta coisa (a forma\u00e7\u00e3o human\u00edstica), quando se trata de produzir \u201cmassa de manobra\u201d para a explora\u00e7\u00e3o desse capitalismo (rentista) selvagem? \u2013 Deixa para os filhos da burguesia, da alta classe m\u00e9dia, dos herdeiros dos grandes imp\u00e9rios industriais, que precisam sim de uma forma\u00e7\u00e3o integral, ampliada, de perfil cr\u00edtico, inventivo. <\/p>\n<p>E que podem pagar \u2013 caro \u2013 por isso. \u00c9 o refor\u00e7o da divis\u00e3o social entre que manda e quem obedece. Quem tem e quem n\u00e3o tem capital social, capital simb\u00f3lico, capital intelectual.<\/p>\n<p>A hist\u00f3ria j\u00e1 foi prisioneira de in\u00fameras pr\u00e1ticas discursivas. A mais conhecida \u00e9 a hist\u00f3ria geneal\u00f3gica, de Nietzsche e Foucault. A hist\u00f3ria, como mera racionaliza\u00e7\u00e3o de uma vontade de poder ou de potencia. Mas ela n\u00e3o s\u00f3 serve para isso. A hist\u00f3ria \u00e9 vida e n\u00e3o um cad\u00e1ver embalsamado para contempla\u00e7\u00e3o de eruditos. <\/p>\n<p>A hist\u00f3ria \u00e9 o dom\u00ednio dos poss\u00edveis, da virtualidade, daquilo que ainda n\u00e3o \u00e9, mas pode vir a ser. \u00c9 essa a concep\u00e7\u00e3o de Hist\u00f3ria que precisamos. N\u00e3o a hist\u00f3ria antiqu\u00e1ria, ou a da erudi\u00e7\u00e3o balofa e vazia. N\u00e3o a hist\u00f3ria como racionaliza\u00e7\u00e3o da epopeia do vencedor. <\/p>\n<p>A hist\u00f3ria que est\u00e1 viva \u00e9 a hist\u00f3ria das nossas utopias, dos nossos sonhos, dos projetos de alteridade social.<br \/>\nEssa hist\u00f3ria nenhum avicultor poder\u00e1 matar ou suprimir. Pode reescrever ao sabor de suas conveni\u00eancias pol\u00edticas. Mas ela sempre viver\u00e1, como ideia reguladora, a guiar o ideal de justi\u00e7a, de beleza, de verdade dos homens e mulheres de boa vontade.<\/p>\n<p>Ao acabar com a obrigatoriedade do estudo da Hist\u00f3ria no Ensino M\u00e9diopensam que conseguir\u00e3o fazer com a maioria do povo esque\u00e7a-se das conquistas sociais das quais foram protagonistas e beneficiados atrav\u00e9s dos governos petistas que elegeram atrav\u00e9s do voto direto, apesar dos erros cometidos ao longo do seu caminho. Mas, esquecem se de que, al\u00e9m do fato de que a Hist\u00f3ria sempre viver\u00e1 e em tempo de internet, esse esquecimento que est\u00e3o promovendo \u00e9 um tiro que sair\u00e1 pela culatra, pois, n\u00e3o se apaga da cabe\u00e7a do povo o que se tornou memor\u00e1vel, qui\u00e7\u00e1 lend\u00e1rio.<\/p>\n<p>Prof.Dr. Michel Zaidan Filho<br \/>\nProfessor-Titular do centro de Filosofia e Ci\u00eancias Humanas da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE).<\/p>\n<p>Prof. Mestrando Mois\u00e9s Peixoto da Silva<br \/>\nProfessor de Hist\u00f3ria do Ensino Fundamental e M\u00e9dio da Rede P\u00fablica de Ensino de Rond\u00f4nia e aluno do Mestrado em Hist\u00f3ria e Estudos Culturais pela UNIR\/UFRO.<\/p>\n<p>&#8211; See more at: http:\/\/www.newsrondonia.com.br\/noticias\/o+fim+da+historia\/87403#sthash.UWy0HweU.dpuf<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Prof. Mestrando Mois\u00e9s Peixoto Quando o \u201cmuro do Berlim\u201d ruiu, talvez apressadamente demais, houve uma onda de euforia neoliberal que pretendeu retificar a hist\u00f3ria contempor\u00e2nea, extirpando dela as p\u00e1ginas dedicadas \u00e0 experi\u00eancia socialista.<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_exactmetrics_skip_tracking":false,"_exactmetrics_sitenote_active":false,"_exactmetrics_sitenote_note":"","_exactmetrics_sitenote_category":0,"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","enabled":false},"version":2}},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-8630","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-notas"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p7wKYW-2fc","jetpack-related-posts":[],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8630","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=8630"}],"version-history":[{"count":2,"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8630\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":8633,"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8630\/revisions\/8633"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=8630"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=8630"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=8630"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}