{"id":9524,"date":"2017-03-26T10:27:55","date_gmt":"2017-03-26T14:27:55","guid":{"rendered":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/?p=9524"},"modified":"2017-03-26T10:27:55","modified_gmt":"2017-03-26T14:27:55","slug":"o-bem-amado-e-uma-usina-de-luz-tao-necessario-a-comunidade-que-deveria-ser-declarado-um-bem-de-utilidade-publica","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/2017\/03\/26\/o-bem-amado-e-uma-usina-de-luz-tao-necessario-a-comunidade-que-deveria-ser-declarado-um-bem-de-utilidade-publica\/","title":{"rendered":"O bem amado \u00e9 uma usina de luz. T\u00e3o necess\u00e1rio \u00e0 comunidade, que deveria ser declarado um bem de utilidade p\u00fablica"},"content":{"rendered":"<p><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" data-attachment-id=\"9525\" data-permalink=\"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/2017\/03\/26\/o-bem-amado-e-uma-usina-de-luz-tao-necessario-a-comunidade-que-deveria-ser-declarado-um-bem-de-utilidade-publica\/affonso\/\" data-orig-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2017\/03\/affonso.jpg?fit=620%2C465\" data-orig-size=\"620,465\" data-comments-opened=\"0\" data-image-meta=\"{&quot;aperture&quot;:&quot;0&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;0&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;0&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;0&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0&quot;,&quot;title&quot;:&quot;&quot;,&quot;orientation&quot;:&quot;1&quot;}\" data-image-title=\"affonso\" data-image-description=\"\" data-image-caption=\"\" data-medium-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2017\/03\/affonso.jpg?fit=300%2C225\" data-large-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2017\/03\/affonso.jpg?fit=600%2C450\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2017\/03\/affonso.jpg?resize=600%2C450\" alt=\"affonso\" width=\"600\" height=\"450\" class=\"alignnone size-full wp-image-9525\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2017\/03\/affonso.jpg?w=620 620w, https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2017\/03\/affonso.jpg?resize=300%2C225 300w, https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2017\/03\/affonso.jpg?resize=400%2C300 400w\" sizes=\"auto, (max-width: 600px) 100vw, 600px\" \/><\/p>\n<p>O HOMEM QUE CONHECEU O AMOR<\/p>\n<p>Por Affonso Romano<!--more--><\/p>\n<p>Do alto de seus oitenta anos, me disse: \u201cna verdade, fui muito amado.\u201d E dizia isto com tal plenitude como quem dissesse: sempre me trouxeram flores, sempre comi ostras \u00e0 beira-mar.<br \/>\nN\u00e3o havia arrog\u00e2ncia em sua frase, mas algo entre a humildade e a petul\u00e2ncia sagrada. Parecia um pintor, que, olhando o quadro terminado, assina seu nome embaixo. Havia um certo fastio em suas palavras e gestos. Se retirava de um banquete satisfeito. Parecia pronto para morrer, j\u00e1 que sempre estivera pronta para amar.<br \/>\nSe eu fosse rei ou prefeito teria mandado ergue-lhe uma est\u00e1tua. Mas, do jeito que falava, ele pedia apenas que no seu t\u00famulo eu escrevesse: \u201caqui jaz um homem que amou e foi muito amado\u201d. E aquele homem me confessou que amava sem nenhuma coer\u00e7\u00e3o. N\u00e3o lhe encostei a faca no peito cobrando algo. Ele que tinha algo a me oferecer. Foi muito diferente daqueles que n\u00e3o confessam seus sentimentos nem mesmo debaixo de um \u201cpau de arara\u201d: est\u00e3o ali se afogando de paix\u00e3o, levando choques de amor, mas n\u00e3o se entregam. E no entanto, basta-lhes a ficha que est\u00e1 tudo l\u00e1: traficante ou guerrilheiro do amor. Uns dizem: casei v\u00e1rias vezes. Outros assinalam: fiz v\u00e1rios filhos. Outro dia li numa revista um conhecido ator dizendo: tive todas as mulheres que quis. Outros ainda, dizem: n\u00e3o posso viver sem fulana (ou fulano). Na B\u00edblia est\u00e1 que Abra\u00e3o gerou Isaac, Isaac gerou Jac\u00f3 e Jac\u00f3 gerou as doze tribos de Israel. Mas nenhum deles disse: \u201cNa verdade, fui muito amado\u201d.<br \/>\nMas quando do alto de seus oitenta anos aquele homem desfechou sobre mim aquela frase, me senti n\u00e3o apenas como o homem que quer ser engenheiro como o pai. Senti-me um garoto de quatro anos, de cal\u00e7as curtas, se dizendo: quando eu crescer quero ser um homem de oitenta anos que diga: \u201camei muito, na verdade, fui muito amado.\u201d Se n\u00e3o pensasse nisto n\u00e3o seria digno daquela frase que acabava de me ser ofertada. E eu n\u00e3o poderia desperdi\u00e7ar uma sabedoria que levou 80 anos para se formar. \u00c9 como se eu n\u00e3o visse o instante que a lagarta se transformara em lib\u00e9lula.<br \/>\nOuvindo-o, por um instante, suspeitei que a psican\u00e1lise havia fracassado; que tudo aquilo que Freud sempre disse, de que o desejo nunca \u00e9 preenchido, que se o \u00e9, o \u00e9 por fra\u00e7\u00f5es de segundos, e que a vida \u00e9 insatisfa\u00e7\u00e3o e procura, tudo isto era coisa passada. Sim, porque sobre o amor h\u00e1 v\u00e1rias frases inquietantes por a\u00ed&#8230; Bilac nos dizia salom\u00f4nico: \u201ceu tenho amado tanto e n\u00e3o conheci o amor\u201d. O Arnaldo Jabor disse outro dia a frase mais retumbante desde \u201cIndepend\u00eancia ou morte\u201d ao afirmar: \u201co amor deixa muito a desejar\u201d. Ataulfo Alves dizia: \u201ceu era feliz e n\u00e3o sabia\u201d.<br \/>\nFrase que se pode atualizar: eu era amado e n\u00e3o sabia. Porque nem todos sabem reconhecer quando s\u00e3o amados. Flores despencam em arco-\u00edris sobre sua cama, um banquete real est\u00e1 sendo servido e, sonolento, olha noutra dire\u00e7\u00e3o.<br \/>\nSei que voc\u00eas v\u00e3o me repreender, dizendo: deveria ter nos apresentado o personagem, tamb\u00e9m o quer\u00edamos conhecer, repartir tal acontecimento. E \u00e9 justa a reprimenda. Porque quando algu\u00e9m est\u00e1 amando, j\u00e1 nos contamina de jasmins. Temos vontade de dizer, vendo-o passar &#8211; ame por mim, j\u00e1 que n\u00e3o pode se deter para me amar a mim. Exatamente como se diz a algu\u00e9m que esta indo a Europa: por favor, na It\u00e1lia, coma e beba por mim.<br \/>\nVer uma pessoa amando \u00e9 como ler um romance de amor. \u00c9 como ver um filme de amor. Tamb\u00e9m se ama por contamina\u00e7\u00e3o na tela do instante. A est\u00f3ria \u00e9 de outro, mas passa das p\u00e1ginas e telas para a gente.<br \/>\nTodo jardineiro \u00e9 jardineiro porque n\u00e3o pode ser flor.<br \/>\nReconhece-se a 50m um desamado, o carente. Mas reconhece-se a 100m o bem amado. L\u00e1 vem ele: sua luz nos chega antes de suas roupa e pele.<br \/>\nSim, batem nas dobras de seu ser. P\u00e1ssaros pousam em seus ombros e frases. Flores est\u00e3o colorindo o ch\u00e3o em que pisou.<br \/>\nO que ama \u00e9 um disseminador.<br \/>\nTocar nele \u00e9 colher virtudes.<br \/>\nO bem amado d\u00e1 a impress\u00e3o de inesgot\u00e1vel. E \u00e9 o contr\u00e1rio de \u00c1tila: por onde passa renascem cidades.<br \/>\nO bem amado \u00e9 uma usina de luz. T\u00e3o necess\u00e1rio \u00e0 comunidade, que deveria ser declarado um bem de utilidade p\u00fablica.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O HOMEM QUE CONHECEU O AMOR Por Affonso Romano<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_exactmetrics_skip_tracking":false,"_exactmetrics_sitenote_active":false,"_exactmetrics_sitenote_note":"","_exactmetrics_sitenote_category":0,"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","enabled":false},"version":2}},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-9524","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-notas"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p7wKYW-2tC","jetpack-related-posts":[],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9524","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=9524"}],"version-history":[{"count":1,"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9524\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":9526,"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9524\/revisions\/9526"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=9524"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=9524"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=9524"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}