{"id":18902,"date":"2018-09-09T22:59:57","date_gmt":"2018-09-10T02:59:57","guid":{"rendered":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/?p=18902"},"modified":"2018-09-09T22:59:57","modified_gmt":"2018-09-10T02:59:57","slug":"alerta-a-classe-media-por-frei-betto","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/2018\/09\/09\/alerta-a-classe-media-por-frei-betto\/","title":{"rendered":"ALERTA \u00c0 CLASSE M\u00c9DIA &#8211; Por Frei Betto"},"content":{"rendered":"<p><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" data-attachment-id=\"18903\" data-permalink=\"https:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/2018\/09\/09\/alerta-a-classe-media-por-frei-betto\/frei\/\" data-orig-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2018\/09\/frei.jpg?fit=279%2C180&amp;ssl=1\" data-orig-size=\"279,180\" data-comments-opened=\"0\" data-image-meta=\"{&quot;aperture&quot;:&quot;0&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;0&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;0&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;0&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0&quot;,&quot;title&quot;:&quot;&quot;,&quot;orientation&quot;:&quot;0&quot;}\" data-image-title=\"frei\" data-image-description=\"\" data-image-caption=\"\" data-medium-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2018\/09\/frei.jpg?fit=279%2C180&amp;ssl=1\" data-large-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2018\/09\/frei.jpg?fit=279%2C180&amp;ssl=1\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2018\/09\/frei.jpg?resize=279%2C180\" alt=\"frei\" width=\"279\" height=\"180\" class=\"alignnone size-full wp-image-18903\" \/><\/p>\n<p>A classe m\u00e9dia \u00e9 a salsicha do sandu\u00edche da desigualdade social. Ela sobe uma rampa ensaboada: quanto mais se esfor\u00e7a para atingir o topo, mais escorrega para baixo. Trata-se de uma classe h\u00edbrida, com variados perfis. H\u00e1 quem j\u00e1 tenha nascido na classe m\u00e9dia, filho de profissionais liberais. H\u00e1 os que vieram da classe assalariada ou da zona rural e ascenderam socialmente gra\u00e7as \u00e0 escolaridade que seus pais n\u00e3o tiveram. H\u00e1 ainda quem se refira nostalgicamente \u00e0 fazenda ou \u00e0 casa espa\u00e7osa dos av\u00f3s, gente outrora abastada, cujos netos agora moram em apartamentos e ganham menos do que gostariam.<!--more--><\/p>\n<p>A classe m\u00e9dia ascendente \u00e9 mais conservadora. Sonha atingir o cume da pir\u00e2mide social. Regozija-se por haver trocado a carteira de trabalho assinada pelo neg\u00f3cio pr\u00f3prio e a periferia sem saneamento pela rua asfaltada.<\/p>\n<p>Para esse setor da classe m\u00e9dia, a solu\u00e7\u00e3o para a criminalidade se resume em mais pol\u00edcias e mais cadeias. N\u00e3o duvida de que o notici\u00e1rio da TV fala sempre a verdade. E se sente confort\u00e1vel por possuir carro, celular e computador, ainda que more de aluguel e viva endividado.<\/p>\n<p>A classe m\u00e9dia descendente \u00e9 filha ou neta de uma estirpe que, no passado, teve baixelas de prata, ta\u00e7as de cristal e empregadas dia e noite. \u00c9 sofrido para quem j\u00e1 foi rei perder a majestade. Por ter meia d\u00fazia de amigos ricos e boa escolaridade, esse setor vive a ilus\u00e3o de estar muito pr\u00f3ximo de ser aceito no seleto clube da elite, embora tenha consci\u00eancia de que lhe falta o essencial \u2013 capital.<\/p>\n<p>J\u00e1 a classe m\u00e9dia m\u00e9dia oscila entre o conservadorismo e o progressismo. Os av\u00f3s s\u00e3o conservadores, cultivam o \u201cAmerican way of life\u201d, enquanto os netos exibem camisetas com a estampa de Che Guevara e votam em candidatos de esquerda.<\/p>\n<p>Entre todos os segmentos da classe m\u00e9dia h\u00e1 algo em comum: ai dos filhos jovens se os pais n\u00e3o os socorressem com peri\u00f3dicas ajudas financeiras! Se os av\u00f3s tiveram empregos bem remunerados, e os filhos  alcan\u00e7aram a \u00e9poca em que ainda era vi\u00e1vel fazer poupan\u00e7a, agora os netos est\u00e3o longe de poder al\u00e7ar voo pr\u00f3prio. S\u00e3o dependentes familiares. Se n\u00e3o est\u00e3o desempregados, ganham muito menos do que a gera\u00e7\u00e3o anterior ao desempenhar as mesmas fun\u00e7\u00f5es. E sabem que o futuro n\u00e3o \u00e9 nada alentador&#8230;<\/p>\n<p>N\u00e3o \u00e9 mesmo. O avan\u00e7o tecnocient\u00edfico engole, cada vez mais, os postos de trabalho. A maioria dos candidatos a um deles n\u00e3o preenche os requisitos m\u00ednimos: n\u00e3o \u00e9 capaz de redigir uma carta, n\u00e3o tem leitura, n\u00e3o domina um idioma estrangeiro, tem baixo n\u00edvel de cultura geral.<\/p>\n<p>Qual o futuro dessa nova gera\u00e7\u00e3o? No atual modelo de sociedade consumista, nenhum, exceto para um em cada mil. O sistema vigente \u00e9 intrinsecamente seletivo e excludente.<\/p>\n<p>A sa\u00edda seria um modelo p\u00f3s-capitalista baseado na redu\u00e7\u00e3o da desigualdade social e na preserva\u00e7\u00e3o do meio ambiente, ancorado na sustentabilidade, como prop\u00f5em Thomas Piketty (\u201cO capitalismo no s\u00e9culo XXI\u201d), e Glen Weyl e Eric Posner (\u201cDesenraizando o capitalismo e a democracia para uma sociedade justa\u201d). Ou uma sociedade socialista capaz de compatibilizar liberdade individual e justi\u00e7a social, propriedade estatal e capital privado.<\/p>\n<p>Enquanto n\u00e3o se alcan\u00e7a o ideal, a \u00fanica solu\u00e7\u00e3o em curto prazo s\u00e3o pol\u00edticas sociais centradas na seguridade e na inclus\u00e3o, e o Estado como indutor do desenvolvimento que prioriza o trabalho, n\u00e3o o capital.<\/p>\n<p>Frei Betto \u00e9 escritor, autor de \u201cReinventar a vida\u201d (Vozes), entre outros livros.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A classe m\u00e9dia \u00e9 a salsicha do sandu\u00edche da desigualdade social. Ela sobe uma rampa ensaboada: quanto mais se esfor\u00e7a para atingir o topo, mais escorrega para baixo. Trata-se de uma classe h\u00edbrida, com variados perfis. H\u00e1 quem j\u00e1 tenha nascido na classe m\u00e9dia, filho de profissionais liberais. 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