{"id":26310,"date":"2020-02-02T12:12:47","date_gmt":"2020-02-02T16:12:47","guid":{"rendered":"http:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/?p=26310"},"modified":"2020-02-02T12:12:54","modified_gmt":"2020-02-02T16:12:54","slug":"iemanja-tem-cor-por-que-a-divindade-de-origem-africana-se-transformou-em-mulher-branca-no-brasil","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/2020\/02\/02\/iemanja-tem-cor-por-que-a-divindade-de-origem-africana-se-transformou-em-mulher-branca-no-brasil\/","title":{"rendered":"Iemanj\u00e1 tem cor? Por que a divindade de origem africana se transformou em &#8216;mulher branca&#8217; no Brasil"},"content":{"rendered":"\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"600\" height=\"337\" data-attachment-id=\"26311\" data-permalink=\"https:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/2020\/02\/02\/iemanja-tem-cor-por-que-a-divindade-de-origem-africana-se-transformou-em-mulher-branca-no-brasil\/image-2-5\/\" data-orig-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2020\/02\/image-2.jpeg?fit=695%2C390&amp;ssl=1\" data-orig-size=\"695,390\" data-comments-opened=\"0\" data-image-meta=\"{&quot;aperture&quot;:&quot;0&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;0&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;0&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;0&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0&quot;,&quot;title&quot;:&quot;&quot;,&quot;orientation&quot;:&quot;0&quot;}\" data-image-title=\"image-2\" data-image-description=\"\" data-image-caption=\"\" data-medium-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2020\/02\/image-2.jpeg?fit=300%2C168&amp;ssl=1\" data-large-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2020\/02\/image-2.jpeg?fit=600%2C337&amp;ssl=1\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2020\/02\/image-2.jpeg?resize=600%2C337\" alt=\"\" class=\"wp-image-26311\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2020\/02\/image-2.jpeg?w=695&amp;ssl=1 695w, https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2020\/02\/image-2.jpeg?resize=300%2C168&amp;ssl=1 300w, https:\/\/i0.wp.com\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2020\/02\/image-2.jpeg?resize=535%2C300&amp;ssl=1 535w\" sizes=\"auto, (max-width: 600px) 100vw, 600px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Dois de Fevereiro, dia da Rainha \/ Que pra uns \u00e9 branca, pra n\u00f3iz \u00e9 pretinha&#8221;, canta Emicida, na m\u00fasica &#8216;Baiana&#8217;, lan\u00e7ada em 2015, em refer\u00eancia \u00e0 Iemanj\u00e1, divindade cultuada no Brasil como Rainha do mar.<\/p>\n\n\n\n<!--more-->\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><em>Mariana Schreiber &#8211; @marischreiber\u00a0Da BBC News Brasil em Bras\u00edlia<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><br>Quase seis d\u00e9cadas depois de o baiano Dorival Caymmi gravar Dois de Fevereiro anunciando querer &#8220;ser o primeiro a saudar Iemanj\u00e1&#8221; na tradicional festa realizada anualmente na orla de Salvador e em dezenas de outras cidades do pa\u00eds, o rapper paulista celebrou a data trazendo para a m\u00fasica o debate que tem crescido nos terreiros de candombl\u00e9 e umbanda: qual a cor dessa divindade que chegou ao Brasil com as religi\u00f5es de negros escravizados, mas passou a ser predominantemente representada aqui como uma mulher branca, magra, de cabelos lisos, em um vestido azul?<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Para historiadores e seguidores das religi\u00f5es afrobrasileiras ouvidos pela BBC News Brasil, o que aconteceu com a representa\u00e7\u00e3o de Iemanj\u00e1 \u2014 orix\u00e1 associado a rios e mares, s\u00edmbolo da fertilidade, e que originalmente n\u00e3o era reverenciado em uma forma humana \u2014 foi um processo similar ao embranquecimento da imagem de Jesus Cristo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O Jesus hist\u00f3rico, um homem que viveu h\u00e1 dois mil\u00eanios no Oriente m\u00e9dio, muito provavelmente era moreno, baixinho e mantinha os cabelos aparados, como os outros judeus de sua \u00e9poca,&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.bbc.com\/portuguese\/geral-43560077\">acreditam especialistas<\/a>&nbsp;. No entanto, a imagem que se sobrep\u00f4s ao longo dos s\u00e9culos de domina\u00e7\u00e3o pol\u00edtica e cultural europeia ao redor do mundo \u00e9 de um homem de pele clara, barbudo, de longo cabelo castanho claro e olhos azuis.<\/p>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\"><li><a href=\"https:\/\/www.bbc.com\/portuguese\/geral-43560077\">O que os historiadores dizem sobre a real apar\u00eancia de Jesus<\/a><\/li><\/ul>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Da mesma forma, entende Helena Theodoro, pesquisadora em hist\u00f3ria comparada da UFRJ, a imagem de Iemanj\u00e1 branca tem ra\u00edzes no processo de coloniza\u00e7\u00e3o do Brasil, que imp\u00f4s uma vis\u00e3o de superioridade europeia sobre os povos ind\u00edgenas e africanos. &#8220;Houve uma demoniza\u00e7\u00e3o das religi\u00f5es negras e ind\u00edgenas a partir do que a Europa situou como sendo civilizado, humano. Nesse contexto, o humano \u00e9 europeu, branco de olho azul&#8221;, nota ela.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Essa din\u00e2mica, continua Theodoro, provocou um processo de sincretismo religioso em que os escravos e seus descendentes aproveitavam as datas de festejos de santos cat\u00f3licos para cultuar seus orix\u00e1s, usando inclusive imagens desses santos. Iemanj\u00e1, m\u00e3e de grande parte dos orix\u00e1s, foi sincretizada com v\u00e1rias santas, como Nossa Senhora das Candeias e Nossa Senhora dos Navegantes, ambas celebradas em 2 de fevereiro, e Virgem Maria, a m\u00e3e de Jesus.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Foi uma grande luta de M\u00e3e Estela de Oxossi, (falecida em 2018, por d\u00e9cadas ialorix\u00e1) do terreiro Il\u00ea Ax\u00e9 Op\u00f3 Afonj\u00e1, que se tirasse as imagens de santo do candombl\u00e9. Durante um determinado per\u00edodo isso era necess\u00e1rio porque a gente n\u00e3o podia excercer o nosso culto&#8221;, lembra Theodoro.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A massifica\u00e7\u00e3o da imagem de Iemanj\u00e1 branca, representada em est\u00e1tuas de gesso, por\u00e9m, ocorre com o surgimento da umbanda, no in\u00edcio do s\u00e9culo passado. Essa religi\u00e3o aprofundou o sincretismo no Brasil, unindo elementos do espiritismo, do cristianismo, do candombl\u00e9 e tamb\u00e9m de culturas ind\u00edgenas.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Essa imagem de Iemanj\u00e1, como mulher branca, nasceu, muito provavelmente, no ambiente da umbanda, uma religi\u00e3o sincr\u00e9tica, surgida num contexto de &#8216;desafricaniza\u00e7\u00e3o&#8217; da cultura afrobrasileira&#8221;, respondeu por email \u00e0 BBC News Brasil o cantor Nei Lopes, estudioso das culturas africanas e autor de diversos livros como &#8220;Kit\u00e1bu: o livro do saber e do esp\u00edrito negro-africanos&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Mesmo porque as modalidades de culto (de matriz africana) mais tradicionais n\u00e3o representam as divindades em forma humana, pois elas s\u00e3o, sobretudo, energias, for\u00e7as c\u00f3smicas&#8221;, ressalta ainda Lopes.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img data-recalc-dims=\"1\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/ichef-bbci-co-uk.cdn.ampproject.org\/i\/s\/ichef.bbci.co.uk\/news\/976\/cpsprodpb\/12271\/production\/_110735347_3casadeiemanjno2defevereiroemsalvador.foto-tatianaazeviche_setur-secretariadeturismodogovernodoestadodabahia.jpg?w=600&#038;ssl=1\" alt=\"Casa de Iemanj\u00e1, na Praia do Rio Vermelho\"\/><figcaption>Image captionCasa de Iemanj\u00e1, na Praia do Rio Vermelho<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Orix\u00e1 n\u00e3o tem cor?<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Como explica o portal do Museu Afro Brasil, a escravid\u00e3o de negros, regime de explora\u00e7\u00e3o que perdurou no Brasil por mais de tr\u00eas s\u00e9culos at\u00e9 ser abolido em 1888, &#8220;colocou em contato as religi\u00f5es de diferentes povos africanos, que acabaram por assimilar e trocar entre si elementos semelhantes de suas culturas&#8221;. Foi nessa mistura que se formaram as religi\u00f5es afro-brasileiras.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O candombl\u00e9 &#8220;n\u00e3o \u00e9 um \u00fanico culto religioso, mas antes uma s\u00e9rie de cultos estreitamente aparentados&#8221;, nota ainda o site. Suas divindades levam os nomes de orix\u00e1s, inquices e voduns, de acordo com o povo de origem, se ioruba, banto ou jeje, respectivamente. No Brasil, as tr\u00eas formas est\u00e3o presentes, mas a nomenclatura orix\u00e1 \u00e9 que a mais se popularizou.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Diferentemente de Jesus Cristo, descrito no catolicismo como uma encarna\u00e7\u00e3o humana de Deus, Iemanj\u00e1 representa no candombl\u00e9 uma for\u00e7a da natureza, uma energia. Nesse sentido, o orix\u00e1 n\u00e3o tem uma cor de pele. Para a historiadora e candomblecista Carolina Rocha, por\u00e9m, \u00e9 importante afirmar a negritude de Iemanj\u00e1. Segundo ela, represent\u00e1-la como branca faz parte de um processo de &#8220;epistemic\u00eddio&#8221;, conceito usado pelo soci\u00f3logo portugu\u00eas Boaventura de Sousa Santos para se referir \u00e0 destrui\u00e7\u00e3o ou inferioriza\u00e7\u00e3o de conhecimentos, saberes e culturas pelo colonialismo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Todas as entidades, s\u00edmbolos, for\u00e7as que s\u00e3o cultuadas, apesar de nao terem tido um exist\u00eancia humana propriamente dita, elas t\u00eam um origem, t\u00eam uma hist\u00f3ria&#8221;, afirma a pesquisadora, que est\u00e1 concluindo um doutorado sobre conflitos religiosos contempor\u00e2neos na Universidade do Estado do Rio de Janeiro.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Rocha \u2014 que em sua casa tem um quadro de uma Iemanj\u00e1 negra da artista plastica Valeria Felipe \u2014 questiona n\u00e3o s\u00f3 a cor, mas todo a &#8220;est\u00e9tica ocidental&#8221; presente na imagem mais popular da entidade como uma mulher &#8220;super magra, de cabelos lisos&#8221;. Ela lembra que Iemanj\u00e1, assim como outros orix\u00e1s femininos (yab\u00e1s) relacionados \u00e0 \u00e1gua como Oxum e Nan\u00e3, representa a fertilidade, a abund\u00e2ncia e a transmiss\u00e3o de conhecimento.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Em termos de religi\u00e3o negra africana, Iemanj\u00e1, obviamente, al\u00e9m de ser uma mulher negra, \u00e9 uma mulher de seios muito fartos, de quadris largos, isso tamb\u00e9m passa pela prosperidade feminina, pelo s\u00edmbolo de fertilidade. Ent\u00e3o, h\u00e1 um completo apagamento do que significa esse s\u00edmbolo nessa imagem branca com barriga chapada&#8221;, cr\u00edtica.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;\u00c9 algo muito cruel essa imagem que tem uma capilariza\u00e7\u00e3o no tecido social imensa e nega uma origem, num projeto de racismo em que a padr\u00e3o ocidental branco \u00e9 colocado como o bonito. Parece bobagem falar de est\u00e9tica, mas n\u00e3o \u00e9, porque na verdade voc\u00ea est\u00e1 falando de autoestima e sem autoestima voc\u00ea n\u00e3o \u00e9 nada&#8221;, refor\u00e7a.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img data-recalc-dims=\"1\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/ichef-bbci-co-uk.cdn.ampproject.org\/i\/s\/ichef.bbci.co.uk\/news\/976\/cpsprodpb\/17091\/production\/_110735349_4procissoemcidreiraparaiemanjenossasenhoradosnavegantes-crditofauers.jpg?w=600&#038;ssl=1\" alt=\"Prociss\u00e3o em Cidreira\"\/><figcaption>Image captionEm Cidreira, no litoral do Rio Grande do Sul, uma grande prociss\u00e3o em homenagem a Iemanj\u00e1 e a \u00e0 Nossa Senhora de Candeias ocorre anualmente na noite de 1\u00ba de fevereiro<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Resist\u00eancias ao debate<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Carolina Rocha diz que hoje &#8220;existe um debate enorme dentro das religi\u00f5es de matriz africana&#8221; sobre a representa\u00e7\u00e3o da divindade, mas reconhece que &#8220;muitas casas (de candombl\u00e9 e umbanda) n\u00e3o refletem sobre isso&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em Cidreira, no litoral do Rio Grande do Sul, uma grande prociss\u00e3o em homenagem a Iemanj\u00e1 e a \u00e0 Nossa Senhora de Candeias ocorre anualmente na noite de 1\u00ba de fevereiro at\u00e9 uma est\u00e1tua de mais de oito metros de uma mulher branca, de vestido azul e adorno com estrela sobre os cabelos negros escorridos.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Nossa prociss\u00e3o \u00e9 a maior do pa\u00eds, re\u00fane em torno de 40 mil, 50 mil pessoas&#8221;, afirma o presidente da Federa\u00e7\u00e3o Afro Umbandista e Espiritualista do Rio Grande do Sul (Fauers), Everton Alfonsin.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Questionado pela reportagem sobre como refletia sobre representa\u00e7\u00e3o branca de uma divindade com origem africana, Alfonsin tamb\u00e9m lembrou que os escravizados recorriam \u00e0s imagens e datas festivas cat\u00f3licas para cultuar seus orix\u00e1s e reconheceu que houve racismo nesse processo. Ele disse, por\u00e9m, n\u00e3o ver necessidade de uma revis\u00e3o disso dentro da umbanda.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;A est\u00e1tua em Cidreira representa Iemanj\u00e1 sincretizada com Nossa Senhora dos Navegantes, n\u00e3o tem nada a ver com a Iemanj\u00e1 de matriz africana&#8221;, argumentou, destacando ainda que a divindade n\u00e3o \u00e9 chamada de orix\u00e1 na umbanda, mas de caboclo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Um dos organizadores da prociss\u00e3o \u00e0 Iemanj\u00e1 que tradicionalmente parte do Mercad\u00e3o de Madureira, na Zona Norte do Rio de Janeiro, at\u00e9 Cobacabana, dias antes do reveillon, congregando pessoas de diferentes credos, H\u00e9lio Sillman n\u00e3o v\u00ea racismo na representa\u00e7\u00e3o branca da entidade. Ele, que gerencia a loja Mundo dos Orix\u00e1s, diz que \u00e9 &#8220;cat\u00f3lico, com um pezinho na umbanda&#8221;.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Essa discuss\u00e3o n\u00e3o leva a lugar nenhum, se \u00e9 branco, se \u00e9 negro, se \u00e9 isso, se \u00e9 aquilo. \u00c9 criar um problema sem ter&#8221;, diz.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O evento realizado h\u00e1 17 anos ocorreu apenas dentro do mercad\u00e3o pela primeira vez em 2019. Segundo Sillman, a prefeitura do Rio n\u00e3o liberou um alvar\u00e1 para a carreata. A cidade \u00e9 governada pelo evang\u00e9lico Marcelo Crivella.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img data-recalc-dims=\"1\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/ichef-bbci-co-uk.cdn.ampproject.org\/i\/s\/ichef.bbci.co.uk\/news\/976\/cpsprodpb\/3BF9\/production\/_110735351_festadeiemanjemcopacabanafeitapelomercadodemadureira29dedezde2016noriodejaneiro-crdito_alexandremacieira2friotur.jpg?w=600&#038;ssl=1\" alt=\"Est\u00e1tua de Iemanj\u00e1\"\/><figcaption>Image captionRepresenta\u00e7\u00e3o de Iemanj\u00e1 foi processo similar ao embranquecimento da imagem de Jesus Cristo, dizem especialistas<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">&#8220;Convencimento deve vir pela educa\u00e7\u00e3o&#8221;<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Pesquisador da afrobaianidade e professor da Universidade do Estado da Bahia (Uneb), Gildeci Leite diz que o debate sobre a cor de Iemanj\u00e1 est\u00e1 vivo nos terreiros baianos, mas ressalta que ainda hoje predomina a representa\u00e7\u00e3o branca da entidade na tradicional festa de dois de fevereiro na praia do Rio Vermelho, em Salvador, proporcionalmente a capital mais negra do Brasil.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Numa das pontas dessa praia, h\u00e1 uma est\u00e1tua da yab\u00e1 com calda de sereia esculpida em uma pedra de cor clara. Ela est\u00e1 em frente a uma casa dedicada \u00e0 divindade que abriga uma esp\u00e9cie de altar em que uma grande Iemanj\u00e1 branca fica rodeada por flores e representa\u00e7\u00f5es menores de variados tipos, inclusive algumas esculturas negras.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Leite considera fundamental problematizar a atual representa\u00e7\u00e3o do orix\u00e1, mas defende que isso seja feito com respeito \u00e0s outras representa\u00e7\u00f5es, de forma devagar. &#8220;Eu penso que Iemanj\u00e1 tem que ter representa\u00e7\u00e3o negra, mas pra isso eu n\u00e3o preciso depreciar outras representa\u00e7\u00f5es. At\u00e9 porque isso tem que ser um processo de educa\u00e7\u00e3o, de convencimento com encantamento, n\u00e3o com opress\u00e3o. J\u00e1 fomos oprimidos demais&#8221;, afirma.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Minha m\u00e3e biol\u00f3gica ainda associa Iemanj\u00e1 com Nossa senhora da Concei\u00e7\u00e3o. E eu vou dizer que est\u00e1 errado? N\u00e3o, porque isso \u00e9 um processo de constru\u00e7\u00e3o. J\u00e1 os meus filhos biol\u00f3gicos sabem que Iemanj\u00e1 \u00e9 Iemanj\u00e1 e Nossa Senhora da Concei\u00e7\u00e3o \u00e9 Nossa Senhora da Concei\u00e7\u00e3o e que ambas merecem respeito&#8221;, diz ainda.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&#8220;Dois de Fevereiro, dia da Rainha \/ Que pra uns \u00e9 branca, pra n\u00f3iz \u00e9 pretinha&#8221;, canta Emicida, na m\u00fasica &#8216;Baiana&#8217;, lan\u00e7ada em 2015, em refer\u00eancia \u00e0 Iemanj\u00e1, divindade cultuada no Brasil como Rainha do mar.<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_exactmetrics_skip_tracking":false,"_exactmetrics_sitenote_active":false,"_exactmetrics_sitenote_note":"","_exactmetrics_sitenote_category":0,"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","enabled":false},"version":2}},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-26310","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-notas"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p7wKYW-6Qm","jetpack-related-posts":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/26310","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=26310"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/26310\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":26312,"href":"https:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/26310\/revisions\/26312"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=26310"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=26310"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogdalucianaoliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=26310"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}